Há pouco mais de um mês abordei o tema das transferências de jogadores em que o Benfica está envolvido e a ausência de transparência nos negócios. Não que sejam ilegais, que alguém ande a meter dinheiro ao bolso, que haja comissões obscuras, nada disso, quer dizer, se calhar também há de tudo isto um pouco, mas não é por aí que quero ir.
O que me leva a escrever sobre os mais recentes negócios do Benfica é a falta de transparência e a total despreocupação que a Direcção tem em não informar os sócios e adeptos de coisas tão importantes como os valores que se gastam e se recebem nas aquisições e vendas de activos. Os dois exemplos mais recentes desta ausência de transparência financeira são Axel Witsel e Ola John.
O belga foi vendido no dia 1 de Setembro aos russos do Zenit por 40 milhões de euros, valor da cláusula de rescisão do atleta. Segundo o comunicado que o Benfica emitiu, o dinheiro foi pago a pronto e, como consequência, a cláusula foi accionada. Até aqui tudo bem, o Benfica agiu da forma mas transparente possível. O que se passou a seguir é que não foi normal. Um dirigente do Zenit garantiu que o Benfica só libertou Witsel quando teve a garantia de que Hulk já tinha assinado pelos russos e que os ditos 40 milhões de euros seriam pagos em duas tranches até 2013, ou seja, por outras palavras, os russos afirmaram claramente que ofereceram os 40 milhões mas que não accionaram a cláusula de rescisão. Dessa forma, o Benfica poderia ter rejeitado a proposta, algo que não fez. Pior: se os russos estiverem a falar verdade, os dirigentes do Benfica mentiram aos adeptos, sócios e até à CMVM. Importa portanto, a meu ver, que o Benfica prove preto no branco que não tinha remédio se não vender Witsel, caso contrário, houve negligência grave no que ao plano desportivo diz respeito.
O caso de Ola John é diferente do ponto de vista do negócio mas igualmente pouco transparente. O Benfica contratou o jogador em Junho deste ano por um valor que permanece desconhecido. Não houve qualquer informação oficial cedida pelo clube à imprensa ou à CMVM, sendo que os principais diários desportivos referem que a transferência terá sido consumada por valores à volta dos 9 milhões de euros. O que não se esperava é que, passados apenas dois meses, o Benfica tivesse alienado 80% do passe do atleta a uma fundo de investimento sediado em Malta, a Doyen Sports, por valores uma vez mais desconhecidos. Resumindo, contratou-se por um valor desconhecido mas aparentemente avultado e dois meses e zero jogos oficiais depois, vende-se a quase totalidade dos direitos económicos a um grupo maltês, novamente por um valor que não se conhece.Compra de jogadores a preço desconhecido, alienação de passes sem os sócios saberem, vendas que parecem ser feitas pela cláusula de rescisão mas afinal não são, mentiras sucessivas, encapotamento da verdade. O Benfica deveria esclarecer os sócios quanto a estas negociatas. Por uma questão de transparência.
Adenda [19:06]: Como o Gonçalo, o Ruca e o GNR referem na caixa de comentários, o comunicado efectivamente não diz que a cláusula foi accionada, ou seja, se as palavras do dirigente do Zenit forem verdadeiras, significa que o Benfica vendeu Witsel numa situação em que não estava obrigado a fazê-lo, ao contrário do que a Direcção e a comunicação social tentaram fazer passar. Houve falta de transparência. Resta saber se mentiram ou não aos sócios.






























