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sábado, 1 de setembro de 2012

Te amo, te amo, Benfica!*

Eu também te amo, Benfica, mas tu não queres nada de mim. Nem de mim nem dos outros sócios. Esqueceste o teu passado, andas alheado do presente e não sabes o que queres para o futuro. Cuspiste nas pessoas que te ergueram, desprezaste quem te deu valor e hoje levantas-te sobre os ombros de gente de índole e carácter duvidoso. Amo-te Benfica. Pena que não gostes tanto de ti como eu gosto.

A saída de Javi Garcia foi apenas mais um triste episódio que só prova a "incompetência" de quem dirige o Benfica. Se o Benfica estava obrigado a vender devido à falta de liquidez, por que motivo esperou pelo dia 31 de Agosto para o fazer, a preço de saldo, inviabilizando a contratação de um substituto? Ainda por cima, ao preço a que foi vendido, questiono-me porque é que o Benfica não vendeu jogadores excedentários como Gaitán e todos os outros que se encontram a treinar à parte ou emprestados por "n" clubes sem possibilidade de retorno à Luz, perfazendo assim os ditos 20 milhões de euros? E porque motivo se contratou um extremo que não faz parte das contas de Jesus, engrossando a larguíssima lista de jogadores para essa posição? Ou um avançado em final de contrato por 4,5 milhões de euros, cláusula de rescisão do mesmo, mais a cedência a título de empréstimo de um jogador que custou 1 milhão há uns meses, quando se tinha uma jovem promessa portuguesa que foi emprestada para a Coruña? Só nestes disparates, o Benfica estoirou, sem necessidade, 14,5 milhões de euros. Com mais 5,5 milhões que poderiam ter sido feitos com os encalhados Júlio César, Sidnei, Shaffer ou Urreta, não haveria necessidade de vender Javi. B-A = BA.

Como se vê, a saída de Javi não era uma necessidade imperial. Havia outras formas de resolver o problema. Gestores sérios e competentes não teriam de "cobrar" esta dívida ao Benfica, pelo menos desta forma. Dirigentes competentes não aceitariam que as coisas se resolvessem deste modo. Mas a propósito não sei de quê, continua a existir uma crença cega nas pessoas que, em dez anos, quadruplicaram o passivo de Vale e Azevedo. A essas pessoas só desejo que confiem as suas poupanças a Domingos Soares de Oliveira, Luís Filipe Vieira e demais incompetentes. Pode ser que, acabando na penúria, se apercebam do que está a acontecer no Benfica. Ou nem isso, que eu vi aquelas carpideiras na televisão norte-coreana a chorar a morte do Querido Líder. Ou sei que no funeral de Salazar houve milhares de pessoas nas ruas a acompanhar o percurso da viatura que levava o corpo do ditador. Somos assim. Às vezes, mesmo na miséria física, financeira e intelectual, continuamos a apoiar que nos tornou fracos, pobres e burros, em nome de uma ridícula e absurda estabilidade medíocre, por aconchego, por conforto, por falta de vontade em mudar, por inépcia.

Como se não bastasse a saída de um dos pilares do onze titular, a meu ver, a par de Witsel, o jogador mais importante e cuja a venda constituiria o maior rombo nas aspirações do Benfica para 2012/2013, o nosso clube não antecipou o futuro e, apanhado com as calças na mão, não contratou nenhum jogador para substituir o ex-camisola 6. A isto chama-se "planeamento zero". Se o Benfica já sabia que teria de vender alguém até 31 de Agosto, por que motivo não acautelou a possível/provável saída de Javi (ou Witsel) tendo na manga um nome para substituir o espanhol? Costuma-se dizer que quem não tem cão, caça com gato. O problema é que para a posição de trinco, não há cão nem gato. Matic não tem as mesmas características de Javi, estando a anos-luz de assegurar a mesma qualidade defensiva do murciano. Witsel não é trinco puro. Amorim, que poderia ser a solução para este problema, está a reforçar um rival ao título por incompatibilidades com Jesus. Se no ano passado retiraram o tapete a Jesus em Janeiro, com a sua patética conivência, desta vez nem esperaram por Setembro. Obrigado a todos.

Assim vai o Benfica. Inicia a época sem defesa esquerdo, com uma adaptação em curso e um jogador que não conta para Jesus, sem substituto no plantel principal para Maxi, e sem trinco. Isto é mais que meio caminho andado para oferecer o tricampeonato ao Porto, que manteve Moutinho e Hulk, fazendo de Vítor Pereira bicampeão. Só em Portugal. Meus caros, isto não é incompetência. Resta saber se é negligência ou temos gente mal intencionada a decidir, autênticos Porcos de Tróia a dirigir o clube.

Os sócios já não são sócios. São meros clientes. Disse-o há uns dias e confirmou-se. Na semana passada recebi o telefonema de uma simpática jovem que trabalha para o clube a tentar vender-me pedras da calçada, vulgo Praça dos Heróis (outra aberração que será falada brevemente). Um Benfica voltado para os sócios dar-lhes-ia campeonatos. Um Benfica voltado para os clientes tenta vender-lhes os calhaus à volta do Estádio ao preço de 62,90€ o mais barato.

O que interessa às pessoas que dirigem o Benfica é que os sócios, perdão, clientes, estejam interessados em questões secundárias como comprar pedras, jogar futvólei na Praça Centenarium, ir a sessões de autógrafos nos Restauradores, marcar restaurantes pelo site oficial, etc. Questões fulcrais como a conquista de campeonatos são vistas como fait-divers. Porque se os sócios vissem o que está prestes a acontecer em termos de contabilidade de títulos nacionais, talvez se apercebessem de que o Benfica está a um passo de deixar de ser, mesmos em termos históricos, o maior clube de Portugal.

*Frase de Javi Garcia na comemoração do título de campeão nacional 2009/2010.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os Encalhados

Júlio César, Sidnei, Emerson, Shaffer, Nuno Coelho, Urreta. Seis jogadores que aguardam colocação. Seriam sete se o caso de saúde de Fábio Faria estivesse resolvido. Todos eles ainda jovens, com potencial e possibilidades para jogar na primeira divisão e, a uma semana do fim do período de transferências, nenhum colocado. Por que motivo há este impasse na colocação de atletas que não estão a treinar com o plantel principal nem com a equipa B, impedindo-os também de fazer as suas pré-épocas com as equipas às quais serão cedidos?

Júlio César chegou pela mão de Jesus, a pedido expresso do mesmo, tendo sido aposta do treinador nos jogos das provas europeias em 2009/2010. Depois de um traumatismo craniano contraído em Abril de 2010, em Anfield Road, durante o jogo dos quartos-de-final da Liga Europa contra o Liverpool, o brasileiro caiu em desgraça aos olhos de Jesus, que queria que este continuasse a jogar apesar de visivelmente combalido. Não mais voltou a contar para o técnico português a não ser em jogos das taças internas (onde, diga-se, correspondeu), acabando por ser emprestado ao Granada, clube no qual conquistou a titularidade perto do fim da época. Pode não ter ainda o nível necessário para agarrar a titularidade na baliza do Benfica, mas acredito que com trabalho poderá atingir esse patamar, até porque do ponto de vista técnico é um guarda-redes capaz. Deveria ser emprestado a uma equipa como o Vitória de Guimarães ou Marítimo, com ambições europeias mas que não têm guarda-redes à altura do resto da equipa.

Sidnei seria um jogador para este Benfica se quisesse. Mas quando a cabeça é fraca, o talento acaba desperdiçado. Está nas suas mãos decidir que rumo quer dar à carreira: ou continua um talento adiado ou se afirma definitivamente. O empréstimo ou mesmo a venda definitiva, sendo que esta última teria de ser consumada por valores avultados, serão as principais opções. O estrangeiro, o destino mais provável, já que não me parece verosímil que o central aceite reduzir o salário para jogar numa equipa do meio da tabela em Portugal. Por mim, era vendido, mas nunca abaixo dos 4 milhões de euros.

Emerson é uma pedra no sapato. Um jogador sem classe nem talento para o Benfica. Vender é a única solução. Tentar enganar uns franceses, uns turcos ou alguém que nos apareça à frente. Mau demais para ser verdade. Qualquer valor que recebamos deve ser encarado como lucro, já será um milagre se não tivermos de pagar para nos vermos livres dele. E assim de repente, olho para o jogo com o Braga e acho que com Emerson, teríamos ganho. Paradoxal. Mas não serve, contratem melhor, é vossa obrigação.

De Shaffer não gosto nem nunca gostei. Louco a atacar, fraquíssimo a defender. Mesmo para a primeira divisão é um jogador que não me parece encaixar nos "onzes" das equipas que lutam pela Europa. Não deverá ser difícil em vendê-lo de volta para a América do Sul.

Nuno Coelho é quase um desconhecido para mim. Foram poucos ou pouquíssimos os jogos que vi no Beira-Mar e na Académica, por isso é difícil ter uma opinião formada sobre este jogador. Se Matic for encarado como o substituto de Javi e trabalho como tal, então entendo que não tenha espaço no plantel, sendo o empréstimo a um clube da primeira divisão a melhor forma de resolver a situação.

Urreta, o incompreendido, jogador que sempre demonstrou talento quando foi chamado, também continua sem clube. Não fez pré-época por se encontrar ao serviço do Uruguai nos Jogos Olímpicos, mas já deveria ter sido colocado. Não existe uma equipa em Portugal, além dos 3 grandes adversários para esta época, que esteja à altura do talento que tem, mas a verdade é que Urreta precisa de ser consistente e mostrar durante uma época inteira, sem lesões ou outros percalços, que tem valor (e tem). O empréstimo a uma equipa estrangeira seria uma boa solução.

P.S. E o Modric? Demora muito a assinar? Era uma óptima notícia para nós. Sim, para nós.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Eliseu

A poucos dias do final do período de transferências, o Benfica lembrou-se de que faltava um defesa esquerdo no plantel. O diagnóstico estava feito por milhões de benfiquistas desde Julho de 2011, mas só agora é que a direcção se (re)lembrou da principal pecha do plantel. Após um verão repleto de tentativas falhadas em contratar defesas esquerdos, surge novamente a necessidade, agora com carácter de urgência, de contratar alguém. Depois de dois pontos perdidos em casa no arranque do campeonato, sina velha que teima em persistir, importa recordar que, entre outras coisas, "o mercado corre a nosso favor" e "no Benfica trabalha-se com calma". Sim, isto mesmo foi dito pelo "campeão da boa disposição".

A responsabilidade de tal desígnio caiu sobre os ombros de Rui Costa, o rei das causas perdidas, o homem que só costuma ser lançado às feras do mercado para trazer jogadores em cima da hora. Não sei se olhe para este intento vieiresco como uma forma de mostrar ao eleitorado (sim, até Outubro não há "adeptos" nem "sócios" para ninguém, apenas "eleitorado") que Rui Costa está vivo e ao lado do actual presidente ou se de uma tentativa desesperada em efectuar uma contratação já de si falhada desde a nascença, com o ónus da culpa a recair sobre o ex-camisola 10 (ver o servicinho que o jornal de Vieira fez quando ocorreu o caso Hleb).

Enquanto se investem largos milhões em Ola John e Salvio, o Benfica não quis investir nada num defesa esquerdo. E é este preciso ponto que me faz confusão. Durante o verão, o Benfica identificou a lacuna no plantel. Surgiram vários nomes na imprensa, muitos deles verdadeiros, como Rojo ou Siqueira e outros cuja veracidade desconheço, caso de Ansaldi. Houve reuniões com empresários, discussão de verbas com as equipas detentoras dos passes dos atletas, mas o Benfica acabou por não contratar nenhum jogador. Então, se identificam uma lacuna no plantel, por que raio é que não contrataram ninguém? Desorientação total. Como se não bastasse, durante várias semanas, parece que o Benfica pura e simplesmente desistiu de negociar qualquer jogador para esta posição, tendo o interesse ressurgido após o enterranço bíblico do jovem paraguaio contra o Braga. O Benfica quis, não conseguiu e por isso desistiu. Parece que quem manda no clube acreditou (e isto sim é grave) que não era preciso contratar mais ninguém para a posição.

Quanto ao Eliseu, mesmo não sendo um defesa esquerdo de raiz, é uma opção que me agrada. Foi adaptado com sucesso há já alguns anos, pelo que a posição não lhe é de todo estranha, sendo que consegue dar à equipa a profundidade ofensiva que Jesus exige e uma qualidade defensiva que mais ninguém no plantel pode dar daquele lado. Ficaríamos a ganhar com a vinda de Eliseu? Sem dúvida. É um jogador barato e que vai colmatar a grande lacuna deste plantel.

sábado, 18 de agosto de 2012

Agora ou nunca

É agora ou nunca. Vai arrancar 2012/2013 e logo com um prato forte, o Braga. Esta é uma época decisiva para o Benfica. Ano de eleições, ano de renovação dos direitos televisivos, último ano de contrato de Jesus. Conseguirá o Benfica quebrar o jejum de 7 anos sem ir ao Jamor? Ganharemos o segundo campeonato em quatro anos, tantos quanto o Porto, ou veremos o rival mais directo fazer o terceiro tri da sua história, conquistando o sétimo título das últimas oito épocas? Que figura fará o Benfica nas provas europeias? Repetirá os sucessos de 2012 ou a vergonha de 2011? E a Taça da Liga? Será uma oportunidade para tentar salvar a época ou apenas um aperitivo para uma temporada de glória?

Há qualidade neste plantel. Há soluções para praticamente todas as posições. Apesar de o mercado ainda não ter fechado, tenho poucas dúvidas de que não virá um defesa esquerdo, restando saber quem, se alguém, vai sair. Manter os principais activos "vendáveis", casos de Witsel, Cardozo, Javi, Rodrigo, Gaitán e Garay será um feito notável, mas aguentarão as contas do clube este esforço? E compensará?

E os rivais? O Sporting continua a atravessar a sua crise de identidade igualando esta temporada os famosos e penosos onze anos que o Benfica esteve sem ganhar o campeonato. O Braga parece ainda mais forte que no ano transacto, mas não creio que consiga repetir a graça do ano passado e de 2010. Sobra o Porto, sempre o Porto. Um Porto onde há ordenados em atraso, descontentamento e vontade em sair entre os principais jogadores (Álvaro, Moutinho e Hulk), que tem um treinador que é, indiscutivelmente, pior que o nosso apesar de todos os defeitos (e não são poucos) que Jesus tem, um Porto que, ironicamente, tal como nós, se arrisca a começar a época sem um defesa esquerdo de qualidade. A saída de Hulk ou Moutinho, a meu ver, tornará este Porto no mais vulnerável dos últimos anos. Teremos esse brinde?

Se estou confiante? Nem por isso. Sei o que a casa gasta. Conheço os erros que se cometeram, os que se cometem e os que provavelmente se irão cometer. No Benfica e fora dele. Venha 2012/2013, estamos preparados. Quer dizer, não estamos, mas estamos. Coiso. Vamos lá.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

5 de Julho de 2011

O dia em que nunca mais foi visto um lateral-esquerdo na equipa principal do Sport Lisboa o Benfica, o dia em que o Benfica viu sair um dos melhores laterais esquerdos do mundo, e o melhor lateral esquerdo da história do futebol português.

Era preciso trazer alguém que fizesse esquecer Fábio Coentrão. Rui Costa trouxe um campeão europeu e do Mundo, Joan Capdevila, mas sempre foi um inválido para Jorge Jesus. Este preferiu Emerson, também ele um inválido, mas para o futebol.

Mais de um ano depois, estamos a uma semana do início do campeonato português e continua a não haver sinal de lateral esquerdo para o Benfica.

Há Luisinho, um lateral que chega para ficar na sombra de um titular indiscutível. Há ainda Melgarejo, que apesar de todas as suas lacunas defensivas, parece-me ser claramente melhor que Luisinho, mas, ainda assim, curto para uma equipa que se quer dominadora e ganhadora a todos os níveis.

Neste ponto, deixei de ter esperança na contratação de um nome forte para a posição. E é neste ponto também que, e falando de Melgarejo, espero que os instintos de Jorge Jesus nunca tenham estado tão acertados como agora.

É que, embora possa parecer impossível, estamos pior servidos de defesas esquerdos do que na época transacta. E uma corrente é tão forte quanto o seu elo mais fraco.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Nélson Oliveira cedido ao Deportivo

Surpreendentemente, num negócio-relâmpago, o Benfica emprestou Nélson Oliveira (e Roderick) ao Deportivo, engrossando assim a lista de jogadores provenientes do campeonato português a actuar no recém-promovido Depor.

A notícia apanhou-me completamente de surpresa. Depois da época que fez ao serviço do Benfica, depois do destaque que conseguiu no mundial sub-20, depois da chamada ao Euro-2012 no qual foi, claramente, o 12º jogador da equipa de Paulo Bento, Nélson Oliveira parece dar um passo atrás na sua carreira. Às vezes é mesmo assim, é preciso dar um passo atrás para se dar dois em frente. Mas até para se dar um passo atrás tem de se olhar na direcção em que se caminha e, por isso mesmo, acho que este empréstimo não foi o mais feliz, por vários motivos:
  1. A Liga Espanhola é a melhor Liga do mundo. Não me parece que seja, no entanto, a que tem o futebol mais adequado para a explosão de talento de Nélson Oliveira. O jovem avançado gosta de partir da faixa para o centro, com alguma liberdade, e em força, mais ao estilo do que acontece no campeonato inglês, assemelhando-se no estilo de jogo (com as devidas diferenças, sobretudo de qualidade) a Thierry Henry.
  2. A pressão mediática em Espanha é muito maior para os jogadores do que sucede em Inglaterra. Na pátria do futebol, os jovens podem errar sem o peso de uma crítica excessiva, injusta, tendo possibilidade de voltar ao onze brevemente para mostrar que evoluíram.
  3. Não acredito que Nélson Oliveira tenha sido um pedido expresso do treinador do Coruña, mas antes uma colocação cirúrgica de Jorge Mendes, como foram outras realizadas neste mesmo clube. Assim sendo, será que Nélson Oliveira parte como primeira escolha do seu treinador? Ou será um daqueles jogadores eternamente proscritos por não ter sido pedido?
Nélson seria sempre a terceira escolha de Jesus para um onze onde cabem, no máximo, dois jogadores (e onde, acredito, actuará apenas um por diversas vezes). Não teria os mesmos minutos na Luz que terá, quase certamente, na Galiza. A sua colocação acaba por ser um mal menor, visto que vai poder ter mais tempo de jogo. Resta saber se evoluirá no sentido pretendido.

domingo, 29 de julho de 2012

Sobre Enzo Pérez

Há tanto futebol nos seus pés. Nada que não soubéssemos, uma vez que aqui, tanto eu como o Far(away), sempre defendemos a sua contratação, inclusão e continuidade apesar dos disparates que disse e fez na época transacta. Isto para dizer que, em condições normais, e mesmo com a vinda de Salvio, Enzo Pérez tem qualidade para ser titular no Benfica. Joga simples, é muito inteligente com a bola nos pés, privilegia o colectivo em detrimento do individual, garante golos e é tacticamente disciplinado. Os lances que melhor definem Enzo Pérez são dois durante o jogo com o Real Madrid: primeiro ao desmarcar simples Witsel, de primeira, na jogada do golo de Carlos Martins; depois ao ficar na cara do guarda-redes e a picar a bola sobre Adán quando se preparava para fazer a mancha.

Tenha Enzo a vontade e Jesus a inteligência necessárias e o camisola 35 vai dar muitas alegrias aos benfiquistas. Esta equipa precisa de um médio ala que saiba ser extremo e que saiba dar equilíbrio nos momentos defensivos. Precisa de alguém que marque golos e que os dê a marcar. Tudo isso é Enzo Pérez. Jogador de categoria e com capacidade para ser titular.

domingo, 22 de julho de 2012

O Ovo de Colombo


Este não é um post escrito de cabeça quente após uma derrota de pré-época. Os resultados dos jogos das pré-temporadas pouco ou nada me dizem. Preocupo-me mais com o entrosamento entre jogadores, rotinas de jogo e ideias em campo. E é isto que me apoquenta, e muito, neste momento. O Benfica de Jorge Jesus não faz ideia do que é defender.

Começo por dizer que acho, muito sinceramente, que temos um guarda-redes à altura dos que os rivais têm (Hélton e Patrício) e defesas centrais e direito melhores que os dos adversários. Nem posso falar em defesa esquerdo, porque não posso comparar os dos rivais com... zero. E, curiosamente, ou talvez não, somos, dos três grandes, o que pior defende. Mas de longe. E as razões para tal explicam-se em duas palavras: Jorge Jesus. Não sou um catedrático em futebol, não sou um especialista nem um estudioso do jogo, mas há coisas que são por demais evidentes e facilmente descodificadas seja por um engenheiro ou por um pedreiro. Jorge Jesus tem três anos de Benfica e a minha cabeça tem três anos de Jorge Jesus. Percebe-se o que passa e, sobretudo, o que não passa por aquela cabeça. E é isto que me preocupa. Bastante.

Em três anos de Benfica, Jesus descurou completamente a questão defensiva. Se no primeiro ano ainda havia disfarce (chamado Ramires), no segundo as debilidades ficaram visíveis a olho nu, num esquema onde não actuava nenhum médio de transição (box-to-box) e onde a equipa atacava e defendia em dois blocos perfeitamente individualizáveis. Quantas não foram as vezes em que o Benfica foi apanhado no contra-golpe com um lateral, Luisão e David Luiz/Jardel a defender, Javi a recuperar em esforço e o outro lateral na zona de ataque? No terceiro ano, a mesma situação. Witsel é um jogador soberbo, muito bom a ocupar o espaço, mas sem a mesma disponibilidade física de Ramires, o que nos valeu alguns dissabores. Aliado ao facto de Jesus achar que Maxi Pereira não deve defender, o resultado só poderia ser aquele. Temos um problema que só se resolve de duas maneiras: ou o treinador muda, ou se muda o treinador.

Temo seriamente, para não dizer que tenho quase a certeza, que o se viu hoje com o PSV Eindhoven se venha a repetir por várias vezes esta época. Equipa perdida no espaço defensivo, dois blocos claramente partidos, um de defesa e outro de ataque, espaços atrás das costas dos laterais, incapacidade em suster o jogo em profundidade do adversário, desequilíbrios nas faixas do terreno de jogo com os defesas a serem deixados em situações de 2x1 inúmeras vezes, equipa sempre a olhar para a bola e despreocupada com as movimentações dos adversários, terríveis leituras defensivas que revelam falta de estudo na forma como o Benfica defende as bolas paradas e por aí adiante. A equipa não sabe defender. O Benfica treme quando o adversário tem a bola. Como é que um "mestre da táctica" não sabe defender? Qual mestre? E qual táctica? Só se for do 5-buraco-5 suicida. Jesus não tem competência para mais. Se reconhecesse isso, ainda poderíamos ter hipóteses, mas, pior que burro, é incorrigível. Não aprende com os erros. Nem quer. E as adaptações que tenta fazer são a prova provada da loucura. Como acha que não precisa de laterais suplentes, ora aparece Airton, Witsel, Miguel Vítor, Djaló, Melgarejo, quem lhe apetecer. Amanhã será Nolito (ainda hoje criticado pelo mestre Jesus), depois Bruno César. Com sorte não será preciso recorrer a Cardozo.

E mesmo na pré-época acontecem coisas que nos parecem impensáveis: a começar pelo voto de desconfiança que deu a Miguel Vítor e a Jardel, que jogaram apenas 45 minutos em cinco jogos, passando pela indefinição da posição de defesa esquerdo, lacuna já identificada por todos os adeptos desde Janeiro e terminando na crónica questão da transição ataque-defesa e defesa organizada. O que se faz na pré-época tem consequências no decorrer da temporada. É que a jogar desta forma tresloucada, as probabilidades de levar mais uma manita do Porto são reais. Só para não falar na perda de campeonatos, especialidade da casa. Mas quanto a isso não há problema, culpa-se o árbitro, naquela atitude típica de varrer o lixo para debaixo do tapete. Ainda hoje foi aquele polaco maldito.

"Os ataques ganham jogos, as defesas campeonatos". Ver o Benfica de Jorge Jesus atacar é um regalo para os olhos. Ver o Benfica de Jorge Jesus defender é... não é. Porque o Benfica de Jesus simplesmente não sabe defender. E já alguém viu uma equipa que não sabe defender ganhar uma prova de regularidade?

A mesma equipa

Tenho visto os jogos da pré-época aos soluços. Não vi ainda um único jogo completo, apenas bocados. No entanto, há algo de positivo que penso que merece destaque e que pode fazer com que o Benfica arranque para 2012/2013 com um registo positivo, ao contrário do que vem sendo hábito desde a época em que Ronald Koeman assumiu o comando encarnado: as rotinas. Os mesmos jogadores, os mesmos hábitos, as mesmas rotinas. O Benfica manteve (até agora) a espinha dorsal da equipa, o que, aliado ao facto de os jogadores se conhecerem e conhecerem igualmente as ideias do treinador, faz com que não haja dúvidas quanto à forma de jogo. A equipa não parece em pré-época. O futebol praticado e as rotinas evidenciadas quase remetem o espectador para a competição a sério. E não andamos longe disso, seguramente.

Haja competência para reforçar os sectores em falta e este Benfica pode ir longe. Se, claro, um grande "se", os principais protagonistas internos pela negativa no ano passado nao quiserem cometer os mesmos erros do ano passado. Nas tribunas e nos bancos de suplentes. O caminho é longo e há muito para percorrer, como se viu hoje com o PSV.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Rojo

Assinou pelo Sporting. Como disse há uns posts atrás, Rojo seria uma solução bastante interessante para o lado esquerdo da defesa. Não é um lateral daqueles sul-americanos a que estamos habituados, cheios de sangue na guelra e com subidas estonteantes pelo flanco, mas sim um central que faz de lateral e que confere muita segurança ao lado esquerdo, subindo mais pela certa mas quase sempre bem e com qualidade. Um jogador mais fixo, mais posicional, que permitira maior liberdade ao extremo do seu lado e mesmo ao lateral do lado oposto, como era e é apanágio nas equipas de Mourinho (Gallas e Ferreira, Zanetti e Maicon, Marcelo e Arbeloa).

O Benfica perdeu o concurso do argentino para o Sporting. Sinceramente, estas tricas de verão que ocorrem anualmente no mercado de transferências dizem-me pouco. Perder um jogador para um rival é comum e não deve ser visto como um cataclismo. E comparando a perda de Rojo com outras que ocorreram no passado (Álvaro Pereira, James e Falcão, por exemplo, para falar nos nomes mais sonantes), esta é daquelas que me faz menos mossa, não pela qualidade do defesa argentino, que a tem e em quantidade, mas sim porque o que falhou nesta negociação foi o acordo entre clubes, uma vez que ao que parece, e confiando nos relatos da nossa comunicação social, o acordo entre o Benfica e o jogador até estava bem encaminhado. Se o Benfica entendeu que não deveria pagar mais que os ditos 3 ou 3,5 milhões de euros que a comunicação social ventilou, penso que a questão é compreensível e só se revelará acertada se no final da época Rojo provar que não merecia o preço pedido ou se o Benfica conseguir encontrar um defesa esquerdo que cumpra a posição. Na minha opinião, do que conheço do jogador, iria até aos 4 ou 4,5 milhões de euros, mas...

Mas o que realmente interessa é tentar perceber o porquê de perdermos tantos jogadores. Como já disse no início do post, não me causa transtorno perder determinado atleta para um rival. O que me preocupa é que, ano após ano, o Benfica é discutido para fora, um clube onde todos dão bitaites, onde a informação sai para o exterior com uma facilidade incompreensível e é isto que leva a que se percam boas oportunidades de negócio, como foram Álvaro Pereira, James, Falcao e, provavelmente, Rojo. Chega. Quando o Benfica entra numa negociação deve assegurar em primeiro lugar que ninguém do outro lado da mesa, seja o clube, o jogador ou o seu empresário, ponha a boca no trombone e denuncie as negociações. Caso isso aconteça, é dar as mesmas por encerradas. E mais importante que isso, é garantir que se eliminam as gargantas fundas que passeiam pelos corredores da Luz.

Finalizo dizendo o seguinte: perder Rojo não é um drama. Há mais defesas esquerdos ao alcance financeiro do Benfica, até porque, como se viu pela contratação de Ola John, dinheiro não parece ser um problema. Mas é preciso contratar porque no actual plantel escolhido por Jesus não há ninguém com capacidade para ser titular naquela posição. E já vamos em três semanas de estágio. Dentro de cinco dias estaremos precisamente a dobrar a metade da pré-época e a única posição do plantel para a qual temos carências visíveis, objectiváveis e claramente identificadas desde a época anterior continua sem solução à vista. Isto não me parece um caso de boa gestão desportiva.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Manual de conduta para os profissionais de futebol recém-chegados ao Sport Lisboa e Benfica

Este foi um post escrito pelo Galaad, aqui do Eterno Benfica, no início da época 2009/2010. E deveria ser passado aos novos atletas do Sport Lisboa e Benfica. E, já agora, aos que já cá estão há mais tempo, porque podem estar esquecidos.

«.O Benfica, ao longo de 105 anos de gloriosa história conquistou 31 Campeonatos Nacionais, 24 Taças de Portugal, 4 Supertaças, 1 Taça da Liga, 1 Taça Latina, 2 Taças dos Campeões Europeus, foi 5 vezes vice-Campeão Europeu de Clubes e 2 vezes vice-Campeão Mundial de Clubes. Vocês ainda não ganharam nada.

.Clube nascido em 1904, é unanimamente considerado um dos clubes míticos a nivel mundial a par de outros colossos como o Real Madrid, Juventus, Flamengo, Barcelona, AC Milan, Boca Juniors, Inter de Milão, Santos, Manchester United ou Liverpool. Tem uma história que o dignifica, e é rodeado de uma aura vencedora assente na verdade, justiça e respeito. Para nós, existe o “Vencer” e não o “ganhar a todo o custo, onde os fins justificam os meios”. Interiorizem que estão num Clube enorme e o vosso esforço terá de ser directamente proporcional à sua grandeza.

.A história deste grande Clube é a história dos seus associados e adeptos. Somos milhões. Não nascemos em berço de ouro, e tudo o que conquistámos foi sempre tendo uma base humana de apoio que soube fazer das adversidades a sua maior força. Sempre que entrarem em campo, saúdem-nos. Façam a vénia. Verão, à medida que a época for correndo, que é aí que irá residir a vossa maior base de apoio. Quando o jogo acabar, voltem a cumprimentá-los. Eles estarão sempre convosco, muitas vezes com enorme sacrifício pessoal.

.A camisola que vestirão foi envergada por grandes jogadores no passado: Eusébio, Sr. Mário Coluna, Zé Águas, Bento, Torres, Germano, Humberto Coelho, Preud´Homme, Simões, Néné, Zé Augusto, Chalana, Rui Costa, Valdo, Mozer, Ricardo Gomes, Stromberg, Filipovic entre muitíssimos outros. Saibam honrá-la. Respeitem-na. Orgulhem-na. Lembrem-se do fabuloso privilégio que vos foi concedido de terem a honra de envergarem o Manto Sagrado.

.Todos os adeptos do Benfica anseiam pelo titulo que já nos foge há 4 anos. No entanto, ninguém, absolutamente ninguém, vos pede para serem Campeões. O que vos pedimos, ou melhor, EXIGIMOS, é esforço, luta, abnegação, sacrifício, solidariedade e trabalho. Muito trabalho. Cumpram com isto e verão que as vitórias surgem com espontaneidade. No fim, o titulo de campeão mais não é do que uma consequência natural dos vossos esforços e do trabalho desenvolvido.

.Respeitem o treinador. Poderá muitas vezes parecer injusto, que faz autênticos disparates, mas é ele o responsável pela gestão de um grupo com 25 personalidades diferentes em que todas querem jogar. É ele que, no fim, dará a cara se as coisas correrem mal e em última análise, o responsável pelo sucesso ou insucesso do grupo. Se o apoiarem, forem seus amigos, e acatarem com profissionalismo as suas decisões, as hipóteses de sucesso aumentam exponencialmente e aí todo o grupo ganhará colectivamente e vós próprios como indivíduos.

.Passem uma imagem de união para o exterior. Não aceitem que influências externas vos desviem do rumo e objectivos traçados. Se surgirem desavenças, problemas ou situações incómodas, falem entre vocês, mas no balneário. Em sede própria. Verão que a chamada “imprensa desportiva” irá, diariamente, tentar arranjar casos que se relacionem com o Benfica já que é do Benfica que se alimenta. Vivem do nosso sangue. Não procurem o protagonismo com acusações bacocas ou frases explosivas. Procurem o protagonismo com boas jogadas e muitos golos.

.Diariamente, seja na Luz ou no Seixal, irão cruzar-se com grandes referências do Benfica e do benfiquismo. Falem com eles. Aprendam. Colham os seus ensinamentos, conselhos e conseguirão compreender melhor a enorme magnitude deste Clube. Para cada situação, eles saberão dar uma resposta. Ouçam-na, interiorizem-na e ponham-na em prática. Só terão a ganhar. Tal e qual como os sócios, eles também não vos abandonarão.

.Lisboa é uma cidade com uma agenda e diversidade cultural riquíssima. Existem espectáculos, museus, cinemas, concertos, restaurantes, monumentos e até sítios para um simples passeio. Instruam-se. Tenham um comportamento regrado, prezem os valores familiares e sejam responsáveis. Não dêem azo a especulações e reparos quanto a comportamentos menos próprios de um jogador profissional de futebol e do Benfica. Lembrem-se que são os modelos de milhões de crianças e que é da vossa carreira que se trata.

.Atrevam-se a sonhar. Dêem o vosso máximo. Reivindiquem o vosso direito a serem felizes. Não pensem no que poderiam ter sido, mas no que serão. E aí, assistirão a uma manifestação genuína de alegria não apenas de um grupo de pessoas, não apenas de uma cidade, mas de um País, com o epicentro no Marquês de Pombal. Garanto-vos que é esmagador e próprio de um grande Clube. Próprio do Benfica.

.A nova época começa hoje. Façam a vossa parte e nós, de certeza, que faremos a nossa. Ao vosso lado, sempre a cantar e a apoiar. Boa Sorte.

E pluribus unum
Viva o Benfica»

terça-feira, 10 de julho de 2012

Eu já não acredito no Pai Natal

O Benfica está, há aproximadamente um ano, sem laterais esquerdos no plantel. O mais parecido com isso que tivemos foi Emerson e Capdevila.

Um ano depois... Temos Luisinho.

O Benfica devia ter um lateral-esquerdo de valor inegável desde Janeiro. Luis Filipe Vieira e Jorge Jesus preferiram brincar aos Yannicks Djalós (com todo o respeito pelo atleta do Benfica).

É que nem a parte irracional do meu fervor me faz acreditar que teremos finalmente um plantel equilibrado para a nova temporada. Sim, porque a parte racional já sabe o que a casa gasta.

Era capaz de apostar em como, mais uma vez, nos vamos arrastar mais uma época sem lateral esquerdo, sem alternativa ao Maxi, sem alternativa ao Javi e sem alternativa a Aimar. Ainda assim, espero ter de engolir todas as palavras que aqui disse.

PS: O Benfica podia ter contratado Carole a custo zero, mas preferiu pagar (e bem) ao Nantes para assegurar que o defesa francês chegava em Janeiro de 2011 de forma a ganhar meia época de ambientação ao campeonato português. Carole fez seis jogos pelo Benfica na recta final do campeonato 2010/2011 e deixou boas indicações. Nesse Verão, foi despachado novamente para França, preferindo Jorge Jesus caprichar com um meco brasileiro e um campeão do mundo em péssima forma física. É a visão que esta direcção tem para o Benfica.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

E tu? Ainda acreditas no Pai Natal?

Joga contra a fome

E para quando um jogo contra a fome de campeonatos? Era boa ideia, não era?

Já imaginou? Estádio da Luz cheio, benfiquistas a comemorar e, no final, o capitão a erguer a Taça. O domínio do FCP a acabar, uma nova Era no futebol português. Corrupção posta de lado, Nando das Facturas preso em vez de ser apoiado por si, Joaquim Oliveira na penúria, regresso às conquistas europeias.

É melhor deixar-me de posts megalómanos, que o que interessa é ir fazendo boa figurinha na Europa e não acabar a mais de 10 pontos do Porto. Mas desta vez, só para variar, caro 2 em 10, podemos ganhar o campeonato? Faça-me lá essa vontade, se não tiver mais nada que tratar. Um abraço.

domingo, 8 de julho de 2012

O coração tem razões que a razão desconhece

Simão não faz parte dos planos do Besiktas para 2012/2013 e, ao que parece, já terá rescindido contrato com os turcos. Próxima paragem? Ninguém sabe. Dizem os otomanos que quererá regressar a Portugal. Ora, depois de ter entrado em rota de colisão com os de Alvalade e de ter rejeitado os da Invicta, as únicas portas que se podem abrir para o eterno camisola 20 são as da Luz.

E a ideia não me desagrada, bem pelo contrário. Sou favorável ao regresso de Simão Sabrosa. O antigo capitão deixou muitas saudades na Luz pela liderança, pelos golos e pelos grandes momentos de futebol que exibiu nos seis anos de águia ao peito. Quem não se lembra daquele golo épico contra o Sporting, na Luz, no famoso 3-3 da Taça de Portugal? Ou do penalty do Bessa que nos permitiu festejar 11 anos depois? Ou do livre em Old Trafford? Ou do golo que a foto acima mostra? Foram muitos momentos gloriosos vividos pelo nosso antigo capitão, e acredito que alguns poderiam ser reeditados.

É certo que aos 32 anos Simão já não tem a mesma capacidade de explosão com que deixou a Luz. Mas desenganem-se os que acham que está "acabado". O futebol não é só correrias patetas para a frente. Só em Portugal é que um atleta de 32 anos é dado como morto para a prática de futebol. Uma idiotice. E no caso específico de Simão, mais incompreensível se torna. Um atleta com a sua vontade, a sua garra e o seu benfiquismo não viraria a cara à luta com a nossa camisola. Estou certo de que Simão seria um acréscimo de sabedoria, liderança e, sobretudo, qualidade ao plantel e onze benfiquista. Basta ambas as partes quererem e o negócio dar-se-á facilmente. Por mim, é mais do que hora para o regresso. E a camisola 20 até poderá vagar brevemente.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Deixem a bola rolar

Começou ontem 2012/2013. Época de grandes desafios, enormes obrigações e muita esperança. Esperem, eu disse esperança? Talvez, mas não para mim. Estou um bocadinho cansado de ver as mesmas pessoas cometerem os mesmos erros e usarem as mesmas desculpas sem assumirem responsabilidades. Apoio sim, no estádio, com o cativo renovado, uma espécie de paliativo que me mantém vivo com esta "doença", mas esperança nem por isso. O circo está de volta à cidade, renovam-se esperanças e ilusões, acredita-se efectiva e genuinamente que estamos mais fortes e que não cometeremos os erros do passado. Mas sem competência, não se vai longe. E falta muita competência ao Benfica, tanto na parte técnica dos jogadores como na de estratégia de corpo técnico e directivo. Não basta ser razoáveis e ser bom não chega, é preciso ser melhor, o melhor. E não somos. Todos sabemos da corrupção que existe em Portugal e de como se ganham campeonatos neste país, mas a verdade é que também podemos fazer muito melhor. Mesmo com todos os problemas que assolam o nosso futebol, se fossemos muito competentes conseguiríamos muito mais sucessos.

Nesta época, não se pode colocar a hipótese de ganhar ou deixar de ganhar. Em Maio há uma festa para fazer. Caso contrário, o Benfica alcançará mais um registo negativo, com apenas um campeonato ganho em oito anos. E, por extensão, já que o Sporting não faz parte destas contas, o Porto iguala o registo alcançado entre 1992 e 1999, com sete títulos conquistados em oito épocas. Vamos ser mais competentes, pode ser? Por agora, deixem a bola rolar. E façam o vosso trabalho. Sem expectativas, sem ilusões, apenas trabalho, trabalho, trabalho.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Paulo Lopes regressa ao Benfica

«Há guarda-redes de valor que passam uma carreira inteira despercebidos aos olhos de adeptos, treinadores, dirigentes e comunicação social. Paulo Lopes é um deles. Nunca percebi a razão pela qual este guardião português formado no Benfica nunca se conseguiu afirmar em clubes de grande dimensão em Portugal. Tinha, e ainda tem, valor para mais. Em 2005 foi responsável pela subida do Estrela da Amadora bem como pela chegada da sua equipa às meias-finais da Taça de Portugal. Em 2008 é figura-chave ao trazer o Trofense à Primeira Liga pela primeira vez na sua História e repete a proeza com o Feirense em 2011, ao trazer os nortenhos ao escalão máximo do futebol nacional pela primeira vez em mais de 20 anos. Tecnicamente é um bom guarda-redes e disfarça bem os seus 33 anos com uma agilidade fora do normal. Seria uma solução a curto-prazo, mas uma boa solução.»

Saiu da Luz em 2002, jovem e já com pouco cabelo. Volta em 2012 para ser o suplente de Artur Moraes. Pelo meio ficaram Salgueiros, Estrela da Amadora, Trofense, Feirense e uma inexplicável não-transferência para um clube da primeira metade da tabela do campeonato nacional, dada a sua qualidade. Dado o papel que está reservado a um guarda-redes suplente, esta é uma contratação certeira em todos os aspectos: tem qualidade, aceita o lugar, preenche as vagas de formação nacional e no clube e aufere um ordenado compatível com o cargo que vai desempenhar, permitindo que se gaste mais em jogadores verdadeiramente nucleares para o onze titular. O que há para não gostar nesta contratação? Nada. Até foi feita em surdina, sem sair para os jornais. Fossem todos os negócios feitos desta maneira e estaria o Benfica bastante melhor. Bem jogado. Agora ataquem lá o Rojo se não se importarem, que está a fazer falta.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Preparar 2012/2013 - Médios ofensivos

Os sector dos médios ofensivos também sofreu cortes em Janeiro, à semelhança do que ocorreu com outras posições previamente analisadas. David Simão, inicialmente o escolhido para "substituir" Aimar, foi ganhar tempo de jogo em Coimbra, onde acabou por conquistar uma Taça de Portugal. Analisemos então os médios ofensivos que terminaram 2011/2012 de águia ao peito:

Pablo Aimar - foram muitas as vezes nesta época que se ouviu a frase "não há Benfica sem Aimar". E até é verdade, em parte. Pablito foi o melhor jogador do Benfica na primeira metade da época, a equipa não conseguia criar jogo sem o mago em campo. Foi no seu melhor período que o Benfica conseguiu mais vitórias e melhores exibições, mostrando uma Aimar-dependência. Mas há-de chegar o dia em que Aimar não conseguirá manter o ritmo e acompanhar os colegas. Não será em 2013, certamente, mas mais ano menos ano, esse dia chegará. Aimar deve ser a primeira opção para 2012/2013, contudo o Benfica deveria começar a pensar na sua sucessão a médio-prazo.

Rúben Pinto - ficou no plantel para fazer número. A sua parca utilização aliada à dispensa de David Simão, que seria o natural sucessor de Aimar, só vieram deixar isso mais claro. É importante para um jogador destes treinar com os melhores, mas também precisa de jogar, e se o primeiro aspecto foi cumprido, o segundo não. Penso que Rúben Pinto deveria sair para ganhar minutos de competição na primeira ou na segunda Liga. Tem qualidade, mas precisa de ganhar calo.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Preparar 2012/2013 - Médios esquerdos (contratações)

Simão - "Não voltes a um lugar onde já foste feliz". É uma das frases mais ouvidas e lidas no futebol. No entanto, são muitas as personalidades que contornaram esta citação com sucesso. Eriksson foi feliz numa segunda passagem pelo Benfica, Toni deu-nos o campeonato de 1994, Humberto ainda ganhou 3 campeonatos em 6, Mozer idem, e porque não poderia acontecer o mesmo com Simão? O Benfica precisa de um líder experiente dentro do campo, de alguém que conheça a Mística do clube. Simão já nos levou ao colo rumo a um campeonato e poderia, a caminho dos 33 anos, ser a voz de comando que às vezes parece faltar. Pode não conservar as mesmas capacidades físicas, mas não duvido que tenha pés, cabeça e voz para dar ao Benfica aquilo que queremos. Seria a minha primeira escolha.

Ninis - Um pequeno génio. Sotiris Ninis é um jovem grego de 22 anos, 173 cm, de quem a Europa se esqueceu e deixou fugir para o Parma, a custo zero. Com capacidade para jogar em qualquer parte do meio-campo ofensivo, da direita à esquerda, impressiona pela capacidade de controlo da bola e pela compreensão do jogo em sua volta. Finta bem, é rápido, remata colocado e está constantemente bem posicionado. Será uma estrela da selecção grega a breve prazo e quem sabe se se tornará num dos maiores talentos da sua geração no futebol mundial.

Capel - Não devemos olhar para o clube ao qual estamos a contratar um jogador, apenas devemos focar atenções na qualidade do atleta. E Diego Capel, pela sua capacidade de carrilero, conseguiria suprir uma das principais necessidades do Benfica actual, a incapacidade de levar jogo pelos flancos, que invariavelmente conduz ao afunilamento das acções ofensivas. Se forem verdadeiras as mais recentes notícias, que indicam que o Sporting estaria disponível para negociar o jogador a partir dos 3,5 milhões de euros, não há razão nenhuma para o Benfica não avançar.

Melgarejo - deu nas vistas no Paços de Ferreira naquela que foi a sua época de estreia na Europa. Surpreendeu praticamente toda a gente ao apontar muitos golos que permitiram aos castores alcançar a manutenção no principal escalão do futebol nacional. Impressiona pela sua velocidade (lembram-se de o ver passar facilmente pelo Maxi?) e pela quantidade de golos que marca (só na Liga foram 10!). É um jogador a ter em atenção, e os 22 anos que terá quando a época começar justificavam a presença na equipa principal.

sábado, 2 de junho de 2012

Preparar 2012/2013 - Médios direitos (contratações)

Enzo Pérez - A atitude que teve para com o clube foi de uma enorme falta de profissionalismo, mas há uma boa forma de se redimir: mostrando a sua qualidade. Enzo Pérez é um bom jogador, já com idade para e afirmar na Europa e que, estou convencido, se lhe derem oportunidades (e se ele as aproveitar, já agora), triunfará na Luz. É um jogador tecnicamente forte, extremamente inteligente e que privilegia o colectivo em vez da vertente individual. É um jogador muito interessante que acrescenta profundidade ao flanco e que baixa bem para defender. Que regresse com a cabeça limpa e será uma enorme ajuda.

Urreta - Começou a pré-época em grande forma, mas foi incompreensivelmente colocado de parte. Estava a demonstrar bons pormenores, uma evolução claríssima, velocidade, acutilância, tudo, mas não serviu aos olhos do mister Jesus. É um jogador que tem qualidade para pertencer ao plantel, a menos que haja alguma contratação que faça com que seja forçosamente "empurrado" para um empréstimo.

Salvio - o preferido de todos. Salvio deixou muitas saudades na Luz pela sua entrega e pelo seu talento. Não sendo um fantasista, um clássico mago da bola vindo da Argentina, é um extremo com muita acutilância e objectividade, conferindo profundidade e garra ao flanco, sendo igualmente garantia de golos. Traz-nos boas memórias, golos importantes, muita determinação e vontade, um exemplo de atitude e qualidade. Só recentemente fez 22 anos e quererá, certamente, mais minutos de jogo que aqueles a que teve direito esta época no Atlético. O Benfica deveria estar de braços abertos para recebê-lo.

André Martins - não é médio-direito, mas poderia desempenhar, num estilo completamente diferente, o papel de Witsel no meio-campo. André Martins faz-me lembrar João Moutinho no início de carreira. Parece um médio inconsequente, frágil, sem grandes características, mas lê o jogo como poucos. Sabe ter a bola, palmilha o relvado como um veterano, consegue liderar o sector central de uma equipa. É um grande jogador. E vai ser ainda melhor daqui a uns anos. Pertence ao Sporting? Tudo bem, paguem. Vai valer muito, mas mesmo muito mais daqui a um par de anos.