Miguel Vítor e Roderick Miranda são os dois defesas centrais mais mediáticos oriundos da formação do Benfica nos últimos anos. Jogadores com um percurso tão semelhante e que opiniões tão diversas conseguem gerar entre os benfiquistas merecem ser analisados.
Miguel Vítor iniciou a sua carreira como médio-defensivo e cedo despertou o interesse do Benfica quando ainda muito novo (11 anos, penso) representava o Torreense. O jovem de Ponte do Rol foi aposta regular desde o início do seu percurso nas camadas jovens, mas com a ascenção aos juvenis e depois aos juniores, mais que um mero jogador, tornou-se uma referência, assumindo-se como líder e capitão de equipa. Foi lançado a titular pela mão de José Antonio Camacho com 18 anos acabados de fazer, num sempre difícil Benfica x Vitória de Guimarães. Ao primeiro corte conquistou os aplausos dos mais de 55.000 adeptos que nesse dia foram à Luz, tendo arrancado uma boa exibição. Nesse mesmo ano jogou em Copenhaga, na Choupana e em Milão, sempre em bom nível, para surpresa de tudo e todos. Acabou por ser emprestado ao Aves, para rodar e ser opção com maior frequência. Na época seguinte, com Quique ao leme, foi opção regular tendo actuado em 22 jogos oficiais, algo que para um jovem defesa central português de 19 anos vindo das escolas do Benfica é tudo menos normal. Mas com a passagem de testemunho de Quique para Jesus, o treinador português deixou de apostar em Miguel Vítor, que cedo percebeu que estava apenas a fazer número, não tendo feito mais de 300 minutos em toda a época. Acabou por ser emprestado ao Leicester City.Roderick Miranda tem um percurso curiosamente semelhante ao de Miguel Vítor. Iniciou-se no Odivelas e o seu talento foi rapidamente reconhecido pelos olheiros do Benfica, tendo chegado ao clube na época 2000/2001. Começou como médio defensivo mas recuou para central à medida que foi avançando na sua formação. Estreia-se na equipa principal do Benfica ainda em idade de júnior, aos 18 anos, mas já relativamente conhecido, mais que não fosse pela sua semelhança física com Mozer e pelo golão marcado ao FC Porto na fase final do campeonato nacional de juniores. E a sua estreia calhou logo numa prova europeia, frente ao AEK Athens, tendo feito uma exibição extremamente segura, mostrando uma qualidade de passe e leitura de jogo surpreendentemente boas para um jovem da sua idade numa estreia. Fez apenas mais uma aparição nessa época, frente ao Guimarães para a Taça da Liga e nesta temporada jogou em 3 partidas oficiais.
Sinceramente, penso que temos aqui dois jogadores com características totalmente diferentes mas que, com trabalho e determinação, podem chegar muito longe no futebol.Cai-se no erro de dizer que Miguel Vítor é um jogador baixo. Nada mais errado. Com 1,83 metros, é apenas 2 centímetros mais baixo que Sidnei, tendo a altura de Otamendi, Polga ou Carriço, sendo mais alto que Cannavaro ou Córdoba, eles que foram dois dos melhores centrais do mundo no seu tempo. Entroncado, forte, soube desenvolver o seu físico para adaptar-se ao futebol de alta competição. Não sendo um portento técnico, o seu profissionalismo, várias vezes elogiado por Quique, e a sua determinação e concentração durante os jogos, fizeram com que Miguel Vítor se conseguisse afirmar no clube e que não tremesse nem na estreia nem nos jogos de maior dificuldade. É difícil lembrarmo-nos de uma exibição menos conseguida do camisola "28". Para mim, neste momento, face à irregularidade de Sidnei, seria o titular ao lado de Luisão se cá estivesse. E não é por ser português, das escolas do Benfica, etc. É por ter qualidade, qualidade essa que ainda não foi (será no futuro?) reconhecida por Jesus.
Roderick é extremamente diferente de Miguel Vítor. Bastante mais alto (1,91m) e mais esguio, ainda não tem o físico que lhe permite ir ao choque, algo que vai precisar na sua posição. Continuo a achar que tem imenso talento, mais até que Miguel Vítor, mas precisa de o desenvolver, bem como os aspectos físicos e a agressividade, pois ainda parece algo "mole" dentro de campo. Ao contrário do jogador lançado por Camacho, Roderick não tem sido feliz quando chamado para defender as nossas cores, protagonizando alguns erros de posicionamento e falhas de concentração que custaram golos ao Benfica. Não parece falta de humildade, mas sim de concentração. O que é certo é que, com a mesma idade, Miguel Vítor não dava as casas que Roderick dava, mas ainda não tinha um potencial tão grande quanto o que vejo em Roderick.
Todos à Luz apoiar as Camadas Jovens!














