Reggaezinho a bombar no Media Player, sinal de felicidade, de satisfação. Escrevo-vos muito contente. Esta crónica tem selo de Camacho. A vitória e a qualificação também. Se na primeira mão recebemos um Copenhaga pateticamente inofensivo, hoje foi perceptível, em diversos espaços, a real qualidade dos dinamarqueses. A equipa, contudo, esteve insuperável. Não foi uma exibição fantástica, é certo, mas foi um jogo em que os jogadores demonstraram uma atitude estóica, superando-se a si próprios e à sorte que hoje também nos bafejou.Estou contente porque vejo margem de progressão. Vejo melhorias, vejo uma atitude completamente diferente da era Santos. Os jogadores - salvo raras excepções - estão muito mais raçudos e a sua devoção ao jogo mudou da noite para o dia. Se hoje sofremos, foi porque não é fácil jogar em Copenhaga sem a habitual dupla de centrais, num jogo pródigo em lances aéreos, onde Luisão e David Luiz fizeram muita falta. Contudo, na segunda parte, a equipa fez valer a sua maior experiência europeia e dominou os nórdicos com grande sobriedade.
O 4x4x2 parece ser a predilecção de Camacho. Apesar de, em determinadas alturas do jogo, se notar alguma falta de acutilância num meio campo composto por apenas duas unidades - e hoje Petit esteve inexcedível! -, a aposta nas alas soa-me muito bem. Apesar da irreverente juventude de todos os extremos da equipa. Há ainda muito para mudar, mas auguro uma época extremamente positiva. O livre que hoje deu o golo é um exemplo crasso de que se trabalha muito bem no Benfica, mesmo com treinos à porta aberta. Camacho faz o trabalho de casa. Camacho é um moralizador, para ele, em todos os jogos, hay que salir a ganar!
Apreciação individual aos jogadores, um a um:
Quim - clean sheet, sempre tranquilo e atento quando chamado a intervir. Nota 8.
Nélson - estava a ser um dos melhores até se lesionar e sair, ao intervalo. Camacho está a recuperar o Netcha que deslumbrou a Europa com Koeman. Nota 7.
Miguel Vítor - acusou algum nervosismo, mas esteve razoavelmente bem. Tendo em conta a sua altura, superou muito bem o desafio de defrontar uma equipa nórdica na sua estreia europeia. É para ficar no plantel sénior. Nota 7.
Katsouranis - não só mostrou o já habitual sentido de oportunidade ao facturar um bonito golo, como esteve muito bem a comandar a defesa, cortando muitos lances de perigo. Nota 8.
Léo - defensivamente não teve grandes problemas, pois era pelo lado direito que os nórdicos atacavam com maior frequência. Fez boas investidas no ataque, apesar da falta de entrosamento com Di María. Nota 7.
Petit - incansável, inexcedível, inultrapassável. Armando Teixeira fez um dos melhores jogos de sempre ao serviço do Benfica, liderando a equipa rumo a uma vitória que se construiu lá atrás. Esteve insuperável defensivamente e muito bem no início das transições para o ataque. Foi o melhor em campo. Nota 10.
Rui Costa - está a fazer uma época fabulosa e, hoje, voltou a não defraudar as expectativas. Nota 9.
Di María - mostrou dotes, mas faltou-lhe objectividade. Esteve muito bem nos processos de contra-ataque, apesar dos índices físicos estarem em baixo. Nota 7.
Luís Filipe - primeira parte desastrosa, como extremo; segunda parte de qualidade, como defesa. Não é difícil perceber, Camacho. Nota 6.
Nuno Gomes - fez uma excelente exibição, adornada pela fantástica assistência para o golo do grego. Continuo a depositar muitas esperanças na sua dupla com Cardozo. Nota 8.
Cardozo - outro dos que ficam na retina. Bateu-se muito bem com os possantes defesas dinamarqueses, deslumbrou com o seu pé esquerdo e mostrou que tem tudo para se tornar num avançado de vulto na Europa. Eu acredito. Nota 9.
Nuno Assis - é um dos que parece não ser fã de Camacho. Está sem ritmo, mais gordo, e atitude continua igual desde a entrada do espanhol. É pena. Nota 5.
Romeu Ribeiro - mais um miúdo em que o espanhol não tem problemas em apostar. Veio reforçar o meio-campo num altura de grande aperto, na segunda parte, e saiu-se bem. Nota 7.
Bergessio - jogou muito pouco, infelizmente.














