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segunda-feira, 25 de março de 2013

Os doze trabalhos de Hércules

Como pena pelo assassinato de sua mulher e de seus filhos, o oráculo de Delfos ordenou a Hércules, aqui representado por Jesus, não o Cristo, mas o da Reboleira, que cumprisse doze tarefas, conhecidas por "trabalhos", de modo a obter a redenção. Claro que a morte da mulher e da prole não se equipara à perda do campeonato 2011/2012 com 5 pontos de vantagem (fica ao critério de cada um o que é mais grave), mas também não é por isso que o nosso "herói" precisa de maior ou menor castigo. Os doze trabalhos são uma forma justa de o homem da Reboleira obter o perdão.

Toda a gente sabe que este Hércules é filho ilegítimo de Zeus, por sua vez uma espécie de Vieira, um Deus grego que a maioria dos benfiquistas não ousa questionar nem interrogar. Só que nesta história grega que se desenrola na Luz, não foi o oráculo mas sim o próprio Zeus que incumbiu o seu filho ilegítimo (e "ilegítimo" até porque teve uma relação [laboral, entenda-se] com Salvador) de realizar as doze tarefas. É claro que Zeus também tem a sua quota-parte de responsabilidade no meio disto tudo, afinal de contas Hércules só está presente nesta história devido a um devaneio sexual de Zeus com uma mísera mortal. Mas quanto a isso não podemos fazer nada. Se há algo que a História nos ensinou é que por entre cruzadas, desastres naturais e assassínios em massa, Deus, ou Zeus, se preferirem, safa-se sempre com paninhos quentes.

Atalhando, porque a história já vai longa, este nosso Zeus ordenou a Hércules que ganhasse o campeonato nacional. E fê-lo retirando o tapete à última da hora ao pobre (pobre? Mas o homem ganha 333 mil patacas por mês...) Hércules. Mas Hércules, vaidoso como é, disse que nem precisava do tapete, até porque quando acorda de manhã prefere sentir o chão frio por baixo da planta dos pés (apesar de todos sabermos que é assim que se apanham as mais chatas constipações). E assim, sem tapete nem rede por baixo do fio que percorre pé ante pé, Hércules vai levando a água a bom Benfica, cumprindo estes doze trabalhos decretados por Zeus.

Factualmente, com um plantel desequilibradíssimo, onde não há soluções para as laterais, onde se vendeu à última hora Javi e Witsel sem se acautelar as suas suas saídas, onde se perdeu Nolito e César no mercado de Janeiro e onde se tem assistido a uma temporada fraquíssima, por razões diferentes, de peças tão influentes como Aimar, Martins, Rodrigo, é de facto digno de assinalar que Jesus, perdão, Hércules, tem feito um trabalho assinalável. No que se jogou do campeonato até hoje, Hércules conseguiu 88,4% dos pontos possíveis, superando todos os registos das outras equipas europeias, inclusivamente os 88,1% do Barcelona, perdendo apenas para os 88,5% de pontos conquistados por Bayern e Olympiakos na Alemanha e Grécia, respectivamente.

Mas não é por nove ou dez das doze tarefas estarem concluídas que o filho ilegítimo de Zeus merece "perdão" (conhecido no século XXI por "choruda renovação"). Conhecem alguma versão da História em que Hércules tenha sido recompensado ainda antes de ter concluído os trabalhos? Eu não. Por isso é que defendo que se deve aguardar pelo fim dos trabalhos para saber se Hércules deve ou não ser perdoado. Até porque há três cenários em cima da mesa: ou vence as batalhas que tem pela frente, e aí merece a "renovação-perdão"; ou as perde por culpa própria e aí receberia um par de patins e a visita dos amigos de Felgueiras; ou as perde por culpa de terceiros (plantel curto, arbitragens, etc) e aí até defendo que se possa "renovar-perdoar".

Resta aguardar que este campeonato não termine, à semelhança de tantos outros, numa tragédia grega. Dia sim dia não se ouve que "nunca o Benfica perdeu um campeonato a 7 jornadas do fim", que "este é melhor Benfica desde Hagan" e mais uma data de verdades que, se forem pesquisadas, se calhar não são assim tão verdadeiras. Parafraseando o bom do Hércules, "o que interessa é como se acaba". Nem mais! Arregacem as mangas, cerrem os punhos e lutem até Maio. Não caminharão sozinhos. Quanto a ti, Hércules, lembra-te: "Os sonhos não morrem, somos nós que matamos os nossos próprios sonhos".

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Janeiro: Tudo ou Nada


Isto é o que resta de Janeiro aos dois principais candidatos ao título. Facilmente se percebe que o Benfica tem uma tarefa muito mais difícil que o FC Porto. Posto isto, é ainda mais imperativo vencer os corruptos na Luz, sob pena de comprometermos, definitivamente, a conquista deste campeonato. O Porto, após a deslocação ao Estádio da Luz, terá um autêntico passeio nos três jogos seguintes, já o Benfica tem três complicadíssimas deslocações: a Coimbra para a Taça de Portugal e duas viagens a Norte de ainda maior dificuldade. O Moreirense é uma equipa que, apesar da última posição ocupada no campeonato, cria sempre bastantes dificuldades (como ficou comprovado no jogo da Taça da Liga) e em Braga já não ganhamos desde 2009.

Será um final de Janeiro onde tudo se pode ganhar ou tudo se pode perder. Só um Benfica sério e comprometido poderá vencer todos os jogos neste mês. Para já, confesso que estou confiante, ou não fosse o pico de forma do Benfica de Jorge Jesus durante os meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro.

sábado, 7 de julho de 2012

O ataque ganha jogos...

... Mas a defesa ganha campeonatos. Uma velha máxima do futebol. Neste caso, a defesa do Benfica contra as arbitragens.

O calendário do assalto ao título (reparem na ambiguidade desta expressão no futebol português) já está definido.

A Luís Filipe Vieira e a Jorge Jesus pede-se que deixem os paninhos quentes quando se fala de arbitragem. Chega de tentar mostrar uma faceta distante em relação ao que se passa nos jogos do Benfica. É inconcebível que, roubo após roubo, as poucas palavras de contestação que se ouvem sejam tão vazias e  infrutíferas. Nós não nos esquecemos do triste espectáculo que o senhor presidente protagonizou na antena da RTP quando seguíamos isolados no campeonato com cinco (!) pontos de avanço sobre o segundo lugar. Lembrou-se de afirmar que só voltaria a falar de arbitragem quando os seus intervenientes se profissionalizassem. Lembrou-se, até, de prometer nova entrevista se o Benfica chegasse à final da Liga dos Campeões. A bazófia e o folclore do costume. E lembrar-se de defender o Benfica? O espectáculo que se seguiu até fim do campeonato foi vergonhoso e, como sempre, Vieira deu tudo a perder ao prometer, com antecedência, que não enveredaria pelo caminho da crítica em relação aos árbitros.

Ao contrário do que fez Vítor Pereira depois do jogo de Barcelos, em que condicionou (ainda mais) as arbitragens até ao fim do campeonato, o Benfiquista pede-lhes, senhores presidente e treinador do Benfica, que apenas mostrem que não deixaremos passar crimes que lesem a verdade desportiva nos jogos onde participa o nosso clube. Jorge Jesus pode ter perdido bagagem em Guimarães (o Benfica perdeu e bem, e de forma vergonhosa), mas o Porto ganhou o campeonato no dia em que ficou a cinco pontos do Benfica, no dia em que Vítor Pereira pediu para se entregar as faixas ao outro clube.

Não é condicionar a arbitragem em benefício do Sport Lisboa e Benfica. É confinar as arbitragens aos limites do imparcial.