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domingo, 19 de maio de 2013

O Mesmo de Sempre

Há coisas que recordamos e retemos na nossa memória e não sabemos porquê. Era eu bem pequenito e numa das minhas leituras de sábado do jornal A Bola, no chão da cozinha, pensava que o Porto, após conquistar mais um campeonato, apanharia mais dia menos dia o Sporting. O Porto ganhava o seu 15º título, o Sporting tinha 16. Estávamos em 1996 e o Benfica somava 30. Passados nem vinte anos, o Porto encurtou a desvantagem de quinze para cinco. É revelador do que sem tem passado em Portugal.

E o epílogo da época não poderia ter outro acontecimento tão simbólico, quase tão metafórico como a saída da águia rumo à Avenida Lusíada. Sim, a Vitória, mesmo à última, tal como o seu clube, não atingiu o objectivo. A águia não poisou onde deveria. Falhou o alvo. Errou o destino. Fracassou. Fraquejou. Desapareceu.

Termina assim uma época diferente de todas as outras, mas com o fim de quase todas elas. O Benfica falhou. Em última análise, por muitos paninhos quentes que se tentem colocar, a verdade é que o Benfica não foi suficientemente competente para conquistar aquilo que parecia tangível no início de Maio.

Termina da forma que não queríamos que terminasse. Porque foi injusto para nós, adeptos, mas também para os jogadores. Este grupo de atletas do Sport Lisboa e Benfica deixou a pele em campo e honrou o clube até à última gota de suor. Pela primeira vez em muitos anos, acho que não se pode apontar nada a estes jogadores. Nem ao treinador. Sim, Jesus, o mesmo que eu em tempos defendi que deveria ser demitido, merece uma palavra de apreço pelo muito que fez com este plantel que Vieira descaracterizou em absoluto com as saídas de Javi, Witsel, Nolito e César, sem nenhum substituto. Mas sobre Jesus falarei noutro post, mais tarde.

Serve isto para dizer que o Benfica perdeu o campeonato num dos dias mais felizes da minha vida desportiva. Num dos dias, talvez mesmo "no" dia em que vi, finalmente, "o" Benfica. Foi numa quinta-feira, na Luz, com o Fenerbahçe. Nessa noite, enquanto os jogadores do Benfica faziam o jogo das suas vidas, enquanto corriam como se não houvesse amanhã, estavam a desgastar-se a tal ponto que arriscavam a perda do campeonato. E foi isso mesmo que aconteceu. Com um plantel com reduzidíssimas opções de qualidade para a chamada "segunda linha", o Benfica acabou por perder o campeonato enquanto chegava a uma final europeia 23 anos depois. E não censuro os jogadores nem Jesus por terem dado tudo o que podiam na prova europeia. Porque não deve haver vergonha em morrer a tentar. Porque desistir não é ser Benfica. Perder também não, mas não é vergonha perder. Vergonha é desistir. E apesar de todos os desgostos e amarguras que este fim de época me/nos trouxe, acho que nunca senti tanto orgulho como hoje em Ser Benfica.

O futebol é assim mesmo, por vezes justo, muitas vezes injusto, e dá-nos grandes lições. O Benfica e os benfiquistas aprenderam muitas nos últimos 15 dias. Uma das quais é que a festa faz-se no fim. Não se faz no relvado dos Barreiros. Não se faz alugando e vandalizando a estátua do Marquês de Pombal. Os títulos festejam-se no fim, quando estão ganhos. O Benfica acabou por sucumbir também perante a soberba dos seus adeptos. Mas não caiu de joelhos como Jesus no Dragão. Caiu de pé. Reforço: tenho muito orgulho naquilo que os jogadores conseguiram. Não me satisfaz, mas não lhes posso apontar nada.

Mas o Benfica é grande, e se por outras vezes na sua História soube recuperar de pesadelos e provações maiores que estas que vivemos hoje, não será isto que deitará o clube abaixo. Porque apesar de tudo, o Benfica de ontem, de hoje e de amanhã valeu, vale e valerá pelos seus adeptos, sejam eles quais forem. E espero que os adeptos voltem a ganhar a exigência que entretanto perderam. Lembram-se das palavras de Diamantino ainda antes do jogo com o Estoril? Profético. O Benfica não pode ganhar de vez em quando. Tem de ganhar muitas e muitas vezes. Ganhar tem de deixar de ser algo esporádico para passar a ser um hábito. O Benfica reerguer-se-á. Só não sabemos quando.

A verdade é que urge ganhar. O Benfica não pode continuar a viver das vitórias do passado. Precisamos de ganhar amanhã, porque hoje já era tarde e ontem era tardíssimo. E é isto que me chateia profundamente. Temos de ganhar. Temos de querer ganhar. E precisamos de cultura desportiva, de cultura da vitória. Porque senão, continuaremos estupidamente felizes com um campeonato ganho a cada cinco anos. Porque a continuar neste ritmo que estamos, quando alguém perguntar a três adeptos do Sporting, Benfica e Porto sobre se se lembram de quando ganharam o último campeonato, as respostas serão "Não", "Sim" e "Qual deles?!", respectivamente. E eu quero deixar de me referir "ao ano em que fomos campeões" como "aquele ano". Quero confundir-me com os vários campeonatos ganhos. E olhando para este Benfica actual, vejo no relvado e no banco (sim, Jesus, esse mesmo) gente que me pode dar essas alegrias. Mas na tribuna não há ninguém.

Foi um prazer. Até sempre.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Lei do Mais Forte


Nem sempre brilhante, nem sempre com nota artística, a verdade é que derby é derby e tudo podia acontecer. É chavão mas é verdade. E o Benfica, consciente disso, soube fazer uma exibição realista e adulta, que lhe permitiu uma vitória com relativa facilidade.

Esta equipa, estes jogadores, este grupo transformou-se. O que eram e no que se tornaram... é de facto assombroso. Com todas as dificuldades e vicissitudes desta temporada, o percurso do Benfica é simplesmente brilhante. Não estou entusiasmado pelo facto de podermos ter uma época de sonho. Ou melhor, até estou, mas estou particularmente surpreendido por estarmos onde estamos e podermos ir para onde vamos com todos os obstáculos que esta época teve. É assombroso.

domingo, 7 de abril de 2013

"Isso não!"

Gritou o meu pai quando se apercebeu que Salvio ia rematar a mais de 25 metros da baliza de Bracalli. Eu já estava por tudo. Dali, da pequena área, do meio-campo, queria que o Benfica rematasse. O jogo estava a correr bem, o Benfica estava a fazer um jogo muito consistente e muito tranquilo face à inoperância do Olhanense, mas faltava o golo. Por azar, por falta de jeito, tudo se juntava para não deixar o Benfica tomar vantagem no marcador. A verdade é que Salvio, pela enésima vez esta temporada, desbloqueou o jogo. Isso... sim.

Num campo de futebol ou num batatal, contra um taxi ou defrontando um autocarro de dois andares, o Benfica é, neste momento, a equipa mais forte e mais consistente deste campeonato. E hoje foi também, para surpresa minha, a mais tranquila. Mesmo tendo a gigantesca pressão de ter de ganhar para não deixar escapar os 4 pontos de vantagem para o Porto, o Benfica soube reagir face ao avançar do tempo com a persistência do 0-0 no marcador. O Benfica foi uma equipa tranquila, serena, organizada e que soube manter a cabeça durante aquela hora em que esteve empatado.

Jesus montou a equipa que, a meu ver, mais garantias dava (Maxi na sua posição de origem e, face à ausência de alternativas, Almeida no lugar que seria teoricamente de Luisinho), colocou o melhor quarteto de meio-campo disponível e apostou numa frente de ataque móvel que prometia dar dores de cabeça aos algarvios. Assim foi. Nem sempre com classe, nem sempre num futebol bem jogado (até porque o campo não permitia), mas com muita atitude e tranquilidade, bem diferente do "deixa andar" a que já assistimos em alguns jogos. Hoje sim, foi [mais] uma verdadeira exibição de um candidato ao título.

Restam cinco jogos dos quais apenas precisamos de ganhar quatro. O próximo para o campeonato é precisamente na Luz frente ao eterno rival, agora moralizado com os bons resultados e com um presidente que está a injectar moral e confiança nos adeptos e nos jogadores. Para nós faltam cinco jogos. Para eles só falta um, este mesmo. Muito cuidado com eles.

domingo, 31 de março de 2013

Meio basta, mas meia é bem melhor

Jesus advertiu, com muita razão, que meio a zero bastava para levar de vencida o Rio Ave. Pedia-se pragmatismo, muito concentração e zero facilitismos. Assim foi. O Rio Ave entrou muito bem na partida, com a lição bem estudada, tentando aproveitar o contra-ataque através das investidas de Bebé e Ukra e poderia mesmo ter chegado ao golo não se fosse a concentração dos atletas do Benfica e a sua vontade em resolver o jogo cedo.

Melgarejo, muito bem a atacar mas um autêntico buraco a defender, abriu o marcador por volta dos 10 minutos ao fuzilar autenticamente Oblak. De seguida, Matic aproveita uma falha de marcação num pontapé-de-canto e faz golo num tipo de lance que raramente tem tido sucesso nesta temporada. O Rio Ave mostrou porque se encontra tão bem posicionado na tabela ao criar vários lances de perigo, fossem eles contra-ataques velocíssimos, vários cantos com cabeceamentos que, felizmente, se revelaram infrutíferos, e ao enviar uma bola à barra da baliza de Artur. No entanto, se dúvidas ainda houvesse, Lima tratou de sentenciar a partida minutos antes do intervalo, ao fazer o 3-0 num belo lance de ataque rápido.

A segunda parte iniciou-se como terminou a primeira, com golo (golaço!) de Lima, seguida de um lance de sorte dos vila-condenses, com Hassan a colocar, inadvertidamente, a bola na baliza de Artur. Mesmo não sendo um jogo violento, Rui Costa conseguiu arranjar tempo para expulsar três jogadores e amarelar mais de meia dúzia. Foi apitando faltinhas aqui e ali, deixou outras por marcar, foi esticando a paciência dos adeptos encarnados e conseguiu que os jogadores caíssem na armadilha. Estragou o jogo, é verdade, mas tal não demoveu o Benfica de golear o Rio Ave. Lima, uma vez mais, a completar o hat-trick e Enzo Pérez, que uma vez mais encheu o campo, fizeram o resultado final.

É assim que se resolvem os jogos. Entrar com muita garra e atitude, marcar cedo e depois saber gerir a seu bel-prazer. Pragmatismo também é isto. Com 6 jogos para o fim do campeonato, e com a possibilidade de fazer mais 7 pelas outras provas em que estamos inseridos, é preciso saber descansar em campo com o resultado já feito. Foi o que o Benfica fez hoje. É também assim que se gere um grupo.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Calendários

É inevitável olhar para o calendário. Por muito que os adeptos não gostem de assumir, por mais que os treinadores o tentem esconder, já todos sabem quem vão defrontar até final do campeonato. E há até quem saiba com quem o rival directo vai jogar.

Com um bocadinho de sorte, o Benfica pode sentenciar o destino do campeonato nas duas próximas jornadas. A recepção ao Rio Ave e a deslocação ao Algarve para defrontar o Olhanense não devem constituir problema. O Benfica deverá vencer ambos os jogos com maior ou menor dificuldade, sendo que é expressamente proibido perder pontos nestes encontros, o primeiro por ser em casa e o segundo por ser contra uma equipa que está abaixo da linha de água e que vem descendo na tabela há largas semanas. Por sua vez, o Porto tem dois jogos de cariz bem mais complicado: primeiro desloca-se a Coimbra, onde, por tradição, até ganha facilmente, mas onde vai encontrar uma Académica bem diferente daquela que tem defrontado nos últimos anos. O jogo assume até uma importância maior dadas as particularidades do momento: o Porto entrará em campo vindo de um conjunto de maus resultados e a Briosa precisa de ganhar para manter a cabeça à tona de linha de água. E a seguir a Coimbra, o Porto recebe... o Braga. Uma equipa que luta pela Champions e que num passado recente tem causado alguns problemas aos azuis-e-brancos. Basta o Porto deslizar num destes jogos e o Benfica não ceder pontos para que o campeonato fique praticamente entregue.

Quanto a nós, focando-nos no que nos diz respeito, temos de receber o Rio Ave, ir a Olhão, receber o Sporting, ir aos Barreiros, receber o Estoril, ir ao Dragão e fechar em casa com o Moreirense. Não é fácil, mas também não é o fim do mundo. Há apenas 3 jogos de grau de dificuldade elevado: a recepção ao Sporting e as idas aos Barreiros e ao Dragão. E até realizar um desses jogos, já o Porto terá passado por provações tão grandes ou maiores que as nossas, podendo ver a distância aumentar em relação ao Benfica.

Mas há mais. O Benfica perdeu pontos com 4 adversários este campeonato. Curiosamente, em todos os jogos, o resultado foi o mesmo - 2-2. Mais curioso ainda: com 7 jogos por disputar, o Porto ainda tem de fazer esses mesmos jogos em que o Benfica perdeu pontos. Ir a Coimbra, receber o Braga, ir à Choupana e receber o adversário directo. O Benfica perdeu pontos nestes 4 jogos. O Porto não perdeu nenhum porque... não realizou nenhum. Interessante, sem dúvida. E a juntar a isto, para apimentar mais o calendário, o Porto fecha a época num dos terrenos mais difíceis do campeonato, frente a uma equipa que tem sido a grande sensação da prova (a par do Sporting, mas pelos motivos inversos) e que esteve perto de roubar o título aos dragões em 2007, o Paços de Ferreira.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Os doze trabalhos de Hércules

Como pena pelo assassinato de sua mulher e de seus filhos, o oráculo de Delfos ordenou a Hércules, aqui representado por Jesus, não o Cristo, mas o da Reboleira, que cumprisse doze tarefas, conhecidas por "trabalhos", de modo a obter a redenção. Claro que a morte da mulher e da prole não se equipara à perda do campeonato 2011/2012 com 5 pontos de vantagem (fica ao critério de cada um o que é mais grave), mas também não é por isso que o nosso "herói" precisa de maior ou menor castigo. Os doze trabalhos são uma forma justa de o homem da Reboleira obter o perdão.

Toda a gente sabe que este Hércules é filho ilegítimo de Zeus, por sua vez uma espécie de Vieira, um Deus grego que a maioria dos benfiquistas não ousa questionar nem interrogar. Só que nesta história grega que se desenrola na Luz, não foi o oráculo mas sim o próprio Zeus que incumbiu o seu filho ilegítimo (e "ilegítimo" até porque teve uma relação [laboral, entenda-se] com Salvador) de realizar as doze tarefas. É claro que Zeus também tem a sua quota-parte de responsabilidade no meio disto tudo, afinal de contas Hércules só está presente nesta história devido a um devaneio sexual de Zeus com uma mísera mortal. Mas quanto a isso não podemos fazer nada. Se há algo que a História nos ensinou é que por entre cruzadas, desastres naturais e assassínios em massa, Deus, ou Zeus, se preferirem, safa-se sempre com paninhos quentes.

Atalhando, porque a história já vai longa, este nosso Zeus ordenou a Hércules que ganhasse o campeonato nacional. E fê-lo retirando o tapete à última da hora ao pobre (pobre? Mas o homem ganha 333 mil patacas por mês...) Hércules. Mas Hércules, vaidoso como é, disse que nem precisava do tapete, até porque quando acorda de manhã prefere sentir o chão frio por baixo da planta dos pés (apesar de todos sabermos que é assim que se apanham as mais chatas constipações). E assim, sem tapete nem rede por baixo do fio que percorre pé ante pé, Hércules vai levando a água a bom Benfica, cumprindo estes doze trabalhos decretados por Zeus.

Factualmente, com um plantel desequilibradíssimo, onde não há soluções para as laterais, onde se vendeu à última hora Javi e Witsel sem se acautelar as suas suas saídas, onde se perdeu Nolito e César no mercado de Janeiro e onde se tem assistido a uma temporada fraquíssima, por razões diferentes, de peças tão influentes como Aimar, Martins, Rodrigo, é de facto digno de assinalar que Jesus, perdão, Hércules, tem feito um trabalho assinalável. No que se jogou do campeonato até hoje, Hércules conseguiu 88,4% dos pontos possíveis, superando todos os registos das outras equipas europeias, inclusivamente os 88,1% do Barcelona, perdendo apenas para os 88,5% de pontos conquistados por Bayern e Olympiakos na Alemanha e Grécia, respectivamente.

Mas não é por nove ou dez das doze tarefas estarem concluídas que o filho ilegítimo de Zeus merece "perdão" (conhecido no século XXI por "choruda renovação"). Conhecem alguma versão da História em que Hércules tenha sido recompensado ainda antes de ter concluído os trabalhos? Eu não. Por isso é que defendo que se deve aguardar pelo fim dos trabalhos para saber se Hércules deve ou não ser perdoado. Até porque há três cenários em cima da mesa: ou vence as batalhas que tem pela frente, e aí merece a "renovação-perdão"; ou as perde por culpa própria e aí receberia um par de patins e a visita dos amigos de Felgueiras; ou as perde por culpa de terceiros (plantel curto, arbitragens, etc) e aí até defendo que se possa "renovar-perdoar".

Resta aguardar que este campeonato não termine, à semelhança de tantos outros, numa tragédia grega. Dia sim dia não se ouve que "nunca o Benfica perdeu um campeonato a 7 jornadas do fim", que "este é melhor Benfica desde Hagan" e mais uma data de verdades que, se forem pesquisadas, se calhar não são assim tão verdadeiras. Parafraseando o bom do Hércules, "o que interessa é como se acaba". Nem mais! Arregacem as mangas, cerrem os punhos e lutem até Maio. Não caminharão sozinhos. Quanto a ti, Hércules, lembra-te: "Os sonhos não morrem, somos nós que matamos os nossos próprios sonhos".

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Receita para a desgraça


Odeio atrasos. A falta de pontualidade é uma coisa que me irrita. Porquê chegar atrasado quando se pode chegar a horas? E porquê chegar propositadamente atrasado? Isso e as desculpas. Também não gosto de desculpas. Foi o trânsito? Saísses de casa mais cedo. Foi a greve de metro? Planeasses outra forma de vir. Não tiveste tempo? Devias ter organizado o teu tempo melhor.

É por isso normal que não tenha gostado do atraso de 45 minutos que o Benfica teve. Enquanto a Académica montava o seu double-decker lá atrás, o Benfica ainda estava nos balneários. E nas bancadas, a apoiar constantemente. Mas os jogadores, esses, ficaram no balneário. Sem vontade, sem querer, sem atitude. O Benfica da primeira parte foi um remate de Enzo, uma cabeçada de Lima e pouco mais. A ausência de Ola John, a falta de inspiração de Salvio, o vedetismo de Rodrigo e a ausência de qualidade de André Almeida explicam em grande parte o que foi o Benfica do primeiro tempo.

E enquanto a segunda parte decorria, já estava a ouvir as desculpas para um desfecho triste que parecia cada vez mais provável à medida que o tempo passava. Era o cansaço do jogo de quinta-feira (apesar de vários jogadores não terem efectuado esse mesmo jogo, mas enfim...), era o árbitro, era o anti-jogo, era o areal em que estava transformado o relvado da Luz, era a falta de sorte, era o azar, era a desinspiração, era isto, era aquilo. E a falta de atitude dos jogadores? Por que raio é que o Benfica se pôs a jeito? Isto era fácil de resolver no início, como quase sempre fazemos na Luz. Para quê viver este risco, para quê estar a jogar à roleta russa com meio revólver carregado? É isto que eu não percebo.

O Benfica, que tem o plantel que se sabe, sem soluções para as laterais e sem backup para o miolo do terreno, arriscou estupidamente hoje. Por falta de atitude. Hoje, juntámos todos os ingredientes para o desastre. Escapámos à bala. Mas ainda lhe tocámos de raspão.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Sinais

O fantasma de Fevereiro. Foi há precisamente um ano que o Benfica começou a perder o campeonato. Primeiro pela mão do senhor Jesus, que achou boa ideia voltar ao meio-campo suicida em Guimarães, perdendo para o Vitória de Vitória, depois com a ajuda de um jogo miserável onde a mão de Hugo Miguel deu uma ajuda aos estudantes e por fim, para terminar em grande, um verdadeiro clássico do nosso futebol, talvez o maior dos clássicos, Benfica x Porto e Proença, com os memoráveis lances do 2-2 e do 2-3 portista a surgirem a partir de situações irregulares.

Jorge Jesus afirmou que provavelmente teria de sacrificar a Liga Europa para conseguir conquistar o campeonato. Quem não o conhecer que o compre. Chegou à Choupana e poupou Gaitán, Cardozo e Melgarejo. Luisinho assinou uma exibição deplorável, Urreta, surpreendentemente ou talvez não para quem o conhece, esteve muito bem e Rodrigo foi a nulidade do costume. Pior que as poupanças, só a atitude: os jogadores encarnados entraram em campo a dormir. Deve ter sido do jet lag madeirense, porque o motivador implacável, Jorge Jesus, tem os jogadores sempre em alta rotação.

O Benfica habituou-nos a isto. Chegamos a Fevereiro e baqueamos. Pior, mostrámos falta de atitude em campo (entraram a pensar em Leverkusen), falta de pernas também (já agora, vou querer ver o que é que este brilhante acto de gestão que foi vender César e emprestar Nolito nos vai custar) e falta de controlo emocional (Cardozo, tudo bem que o Proença é filho dessa senhora, mas não o podes agarrar, não é?). E no final da época estamos todos a carpir mágoas e a ver o Porto aproximar-se dos nossos 32 títulos. Mas a culpa é exclusivamente dos árbitros e temos de apoiá-los inequivocamente, a eles e a quem os apoia desse mesmo modo.

E se o jogo foi aquilo que vimos, o que dizer da flash interview? Inenarrável. Basicamente, depois de tudo o que vimos em campo, Jesus foi absolutamente incapaz de reconhecer que o Benfica esteve mal. Das duas uma: ou temos um treinador gabarola que acredita mesmo que o Benfica joga bem quando joga mal ou estamos perante um caso, não inédito na nossa história, de alguém que já tem poiso para trabalhar em 2013/2014, não na Luz, mas aí a uns 300 quilómetros de Lisboa. Ou as duas. Se calhar é mesmo isso.

E o Grande Líder? O homem que vetou Proença? Vai ficar calado depois do espectáculo do brilhantina? Já me esquecia, ele apoia inequivocamente isto. Apoia esta gente. Porque ele também faz parte "desta gente". E lembra-te, vendedor de sonhos e de pneus, de te fingires indignado quando o Proença for nomeado para o Dragão na 29ª jornada.


O Porto, a avaliar pelo site da Liga, conseguiu mais uma vitória confortável e leva já dois pontos de avanço sobre o Benfica. Aguardemos, irmãos, para que o velho sifilítico se manifeste contra mais este escândalo. Valha-nos isso. Ah, e o Sporting. Só de pensar que fui criticado por considerar, no início da época, que o Sporting não ia lutar pelo título...

P.S. Não liguem a este abutre à procura de espaço e de atenção. O Benfica está no trilho do sucesso. E os últimos campeonatos ganhos atestam isso mesmo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O fcporto é isto, pontapé para o lado


O treinador do fcporto acha que a sua equipa jogou muito bem, que dominou o encontro.

A equipa do pontapé para a frente fez 5 remates à baliza, teve 2 ocasiões flagrantes de golo (remates de Salvio e Cardozo) e ainda um canto bem executado que deu um remate à figura.
Isto para além dos golos, um de jogo corrido pela ala direita (em que numa situação de 2 contra 3 cria um desequilibrio), e outro no seguimento de um canto marcado à maneira curta.

Já o fcorto conseguiu meter bolas nas costas da defesa, nomeadamente dos laterais do Benfica, não rematando à baliza em nenhuma ocasião de perigo criada em jogo corrido e não tendo feito nenhum remate à baliza para além dos golos.
Conseguiu apenas por 2 vezes colocar a bola em situação de remate para Alex Sandro e Varela, mas estes acabaram por nem conseguir rematar.

Em resumo, o fcporto teve "dominio" do jogo no seu meio-campo e sempre que tentou passar da linha do meio-campo foi inconsequente. Andou com a bola de pé para pé até conseguir meter nas costas dos laterias do Benfica (normalmente Maxi).
Teve aqui 3 foras-de-jogo mal tirados (contra 1 do Benfica, na 2ª parte pelo mesmo fiscal de linha) que cortaram 2 jogadas de algum perigo, idênticas às não concretizadas referidas anteriormente.

É com isto que eu fico lixado com este Benfica.

Esta equipa do fcporto sem James, não é nada... NADA!
Paços de Ferreira ou ao Rio Ave deste ano não devem nada ao futebol que o Porto apresentou ontem na Luz.

A diferença reside na atitude dos jogadores do Benfica.
A equipa entrou mal preparada psicologicamente, talvez pela basófia que a CS incutiu, talvez por medo do que aconteceu nos últimos jogos com o rival.
Faltou cabeça na segunda parte, jogar com um pouco mais de calma e procurar menos o lançamento nas costas da defesa como o adversário fazia.
Faltou entrar Ola John mais cedo, para refrescar uma das alas em tempo útil...
Faltou Aimar no meio-campo para dar dimensão ao jogo (quer de pé para pé, quer a meter nas costas da defesa), em vez de no ataque onde é um jogador frágil e inconsequente.

O fcporto já não fazia nada quando Aimar entrou.
Com 2 pontas-de-lança, saindo Salvio e tendo Enzo Pérez (ou Carlos Martins, à falta de outra soluções no banco) a segurar a ala direita para as subidas de Maxi Pereira e Ola John fresco na ala esquerda com Aimar a distribuir há alguma dúvida que criávamos mais jogo?

Falar depois é fácil, mas isto é apenas o modelo de jogo do Benfica campeão em 2009/10...

O banco é outro problema...
1 guarda-redes
1 central
4 médios-ofensivos
1 ponta-de-lança

E se estivéssemos a ganhar por 1 golo e com menos 1 jogador a 15 minutos do fim (e esse jogador era Matic ou Maxi Pereira)?

André Almeida não fazia mais falta que Bruno César?

Tirando a Artur (sem palavras) não se pode apontar grande coisa técnica e tacticamente aos jogadores do Benfica.

Já a Jesus... Mais uma vez o "mestre da táctica" deu-nos uma equipa fraca contra os fortes...
Não fomos muito fracos, mas o fcporto também não foi muito forte...

No final uma palavra de apreço ao nosso presidente.

Curto e grosso.
Parabéns Presidente!

Saudações Benfiquistas

Forte contra os fracos, fraco contra os fortes

É este o Benfica que temos. É assim que é. Contra os fracos, agiganta-se. Contra os fortes, encolhe-se.

Tínhamos tudo para vencer este jogo. Tudo. O facto de a equipa estar em boa forma, o facto de o adversário estar diminuído (e muito) em termos de qualidade (sem Maicon, Rolando e James Rodriguez, para não falar de Hulk, Álvaro Pereira, titulares no ano passado), o facto de o adversário ter entrado em campo com uma soberba que não é habitual. E fraquejámos como gente pequenina, uma vez mais.

Ao invés de entrar com vontade de "matar" o adversário, não, o Benfica entrou cheio de medo. Medo. Borrado de medo. A jogar em casa, com 60 mil nas bancadas, com a confiança dos resultados conseguidos desde Agosto, contra um adversário menorizado pelas condicionantes que teve para este jogo. Como? Porquê?

O medo espelhado nos nossos jogadores e, sobretudo, no nosso treinador, foi patético. A forma como a partida foi abordada diz bem da mediocridade de Jesus e do seu crónico acagaçamento frente ao Porto. Jesus entregou a iniciativa de jogo ao adversário (que também, diga-se, por clara incompetência não conseguiu explorar o ataque) e não soube emendar a mão quando se apercebeu (será que se apercebeu?) das dificuldades do Benfica em sair a jogar com bola desde a defesa até ao ataque. Vejamos casos concretos: o Benfica teve medo de pressionar o Porto no meio-campo adversário, deixando os centrais e os laterais iniciarem as jogadas de ataque com toda a facilidade do mundo. Até nos lançamentos laterais, o Benfica não pressionou o rival, que não teve dificuldade nenhuma em sair a jogar através deste tipo de lances. Por outro lado, o eixo Artur-Jardel-Garay teve inúmeras dificuldades em sair com bola, que acabava invariavelmente no guarda-redes, para ser chutada para o meio-campo adversário (isto quando não a entregava a Jackson Martínez). Jesus foi incapaz de indicar aos laterais que baixassem no terreno de modo a poderem receber jogo. Incapaz. Incompetente. E esteve, uma vez mais, completamente desastroso nas substituições: com as alterações, retirou toda a dinâmica e velocidade ao meio-campo. A substituição de Enzo até dou de barato devido ao cartão que o argentino recebeu. Já a de Aimar foi completamente despropositada. Entrou um jogador completamente de rastos, vindo de uma exibição medíocre, e que ainda por cima possui todo um historial de exibições medíocres contra o Porto. Não foi capaz de gerar jogo, não foi capaz de ter bola, não foi capaz de fazer nada. Gosto muito de Aimar, mas nestas condições é impossível tê-lo a jogar. Ainda por cima a substituição foi feita numa altura em que Gaitán já dava sinais evidentes de cansaço, condição que pioraria consideravelmente poucos minutos depois, com o camisola 20 a arrastar-se também ele pelo campo. Resumindo, Jesus destruiu o meio-campo do Benfica. Passou a ter Martins, Aimar e Nico, três jogadores sem capacidade física para dominar o Porto, perdeu Lima, o elo de ligação com o último terço do campo, e lançou Ola John demasiado tarde.

Bolas paradas defensivas. Acho que é escusado falar deste assunto, não é? Burro velho não aprende línguas. Mangala, que já tinha feito um golo na Luz, voltou a marcar. Em vez de sermos mais astutos e mais inteligentes, continuamos a deixar os nossos adversários passearem-se pela nossa área sem levarem um encosto, sem ninguém os pressionar. Não há milagres.

O público. Lamentável. As centrais cheias de gente com medo do Porto, com medo de puxar pelo Benfica, com receio de gritar e de levantar a voz. Estão lá como quem está no São Carlos. Medo. O medo passou para os adeptos do Benfica. Às vezes penso se não seria melhor ter um daqueles estádios com apenas 30 mil lugares onde só coubessem os verdadeiros "fanáticos". Assim torna-se mais fácil jogar contra o Benfica na Luz. O público não fez o seu papel.

P.S.: Esta história de o resultado do jogo no site da Liga ser de 3-2 a favor do Benfica é um lapso, um erro e apenas isso. Fazer disso uma questão merecedora de importância, usar isso como bandeira para um auto-de-fé é apenas e só o reflexo da mediocridade dos dirigentes e, sobretudo, dos jornalistas que embarcam nesta conversa. Ok, um erro. Qual é o problema? Que consequências reais é que isto tem? Zero.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Por que é que o Benfica vai ganhar ao Porto.

Faltam 24 horas para o clássico. Faltam 24 horas para o Benfica derrotar o Porto na Luz e para, ainda assim, continuar longe, muito longe, de um título de campeão que tanto merece. Não há volta a dar. Não se trata de excesso de confiança, não se trata de soberba, não se trata de menosprezo ao adversário. Trata-se de lógica num jogo e num desporto sem lógica. Mas apesar de tudo, é essa mesma lógica que me diz que o SL Benfica pode e vai mesmo derrotar, apenas pela terceira vez nas últimas doze tentativas, o FC Porto na Luz, para o campeonato.

Chegados a Janeiro, o que este grupo de jogadores atingiu é, para mim, uma surpresa e um motivo de orgulho, ainda para mais nas condições em que o fizeram. Nem sempre com brilho, nem sempre da forma mais segura, correcta ou racional, mas chegaram onde eu não pensava ser possível, mesmo com um plantel que me parece mais fraco e mais desequilibrado que o do ano passado. A verdade é que esta equipa começou a época com poucos a acreditarem nela. Iniciou a temporada de uma forma atribulada, com muito barulho na pré-época pelos tristes acontecimentos de Dusseldorf. Teve de recorrer a adaptações pela escassez de soluções que o plantel apresentava, nomeadamente no que à lateral esquerda dizia respeito, mas também no centro do terreno, com Matic e Enzo, hoje titulares indiscutíveis, a ocuparem posições que não são, por natureza, suas. A equipa viu-se privada, mesmo no fechar da janela de transferências, das duas âncoras defensivas, Javi e Witsel, jogadores de qualidade inquestionável, que seriam titulares em quase todas as equipas do mundo, não tendo tempo (nem engenho) para substituí-los convenientemente. O capitão Luisão foi castigado a meio da época por dois meses face ao que havia feito quase dois meses antes. O plantel foi acometido por lesões, desde a do mago Aimar até ao crónico lesionado Martins, que tinha feito uma pré-época extremamente promissora. Foi preciso recorrer a jovens inexperientes dos juniores/equipa B para colmatar lacunas no plantel (André Almeida, André Gomes) memo em jogos importantíssimos (Celtic Park, Camp Nou, Alvalade). Vimo-nos a braços com o subrendimento de jogadores que fizeram uma campanha positiva em 2011/2012, casos flagrantes de Nolito, Bruno César e Rodrigo. Tivemos jogadores que não se encontravam em forma ou que ainda não se tinham adaptado e que não constituiram opção durante boa parte da temporada (Gaitán e Ola John). Tudo isto aconteceu desde Agosto até hoje. Era a receita para a catástrofe. E o registo do Benfica nas provas nacionais e internacionais não mente: 25 jogos, 18 vitórias, 5 empates e 2 derrotas (com o Barça e fora com o Spartak, diga-se). 1º lugar na Liga, nos quartos da Taça de Portugal (já sem Porto e Sporting) e nas meias da Taça da Liga. Estamos vivos e em todas as frentes. É muito positivo para tantas peripécias.

Mérito portanto para Jorge Jesus. De Agosto até hoje, superou todas as dificuldades, lançou jogadores novos, colmatou da forma possível as saídas dos craques com o que tinha à mão, adaptou com sucesso Matic e Enzo, soube gerir as lesões e os castigos, aprendeu a integrar jogadores no tempo devido (vide Gaitán e Ola John) e ganhou jogos, muitos jogos. (Re)Convenceu-me? Não. Ainda assim, apesar dos resultados positivos, há muita coisa que deve ser melhorada no futebol do Benfica, nomeadamente no que diz respeito à transição defensiva e bolas paradas. Sei que um acesso de loucura se costuma apoderar do nosso treinador quando menos se espera, e que tal insanidade nos faz perder campeonatos, mas não é por isso que deixo de reconhecer o mérito que teve nos últimos meses. Se Jesus fizer as coisas bem, não sabemos o que pode acontecer. Só é certo que se fizer as coisas mal, irá haver borrasca.

E olhando para o Porto, o que vemos? Em termos individuais, uma equipa muito mais fraca que a do ano passado (sem Hulk nem Álvaro Pereira), mas ainda assim muito "equipa". Apesar da anquilose vertebral, Lucho é a pedra base daquele grupo. E James o artista. Mas este Porto não sofreu as privações nem as provações a que o Benfica esteve sujeito. Foi um Porto que apenas e só perdeu Hulk "inesperadamente", tal como nós perdemos Javi e Witsel. Nada mais aconteceu. O caminho do Porto tem sido um passeio não tanto por fruto do trabalho e qualidade mas mais pelo fosso entre grandes e pequenos e da inexistência de dificuldades. Já imaginaram o que seria deste Porto se tivesse as lesões, os castigos, as quebras de forma, a necessidade de recorrer à equipa B e todas as restantes dificuldades que o Benfica teve desde Agosto? No entanto, para meu contentamento, os planetas parecem alinhar-se: Rolando, por muito mau que seja (e é), continua proscrito; Maicon vai falhar o clássico, o que significa que Mangala ou Abdoulaye, um destes cepos, ou mesmo os dois, será titular (força Salvio); e James, o grande artista, o homem que no ano passado entrou e decepou a defesa encarnada (que saudades de Capdev... Emerson, digo) também se encontra de fora. A juntar a tudo isto, o facto de o Porto ter no banco um treinador que é tacticamente inferior a um koala e que na conferência de imprensa de ontem acendeu o rastilho que deveria e deverá motivar ainda mais os nossos jogadores, deixando transparecer a ideia de que este jogo está ganho para os lados do Dragão. Queriam um Porto em pior situação? E já que este é o parágrafo do Porto, aproveito para deixar uma nota sobre o árbitro: João Ferreira. Para mim, o melhor, mais competente e mais sério dos árbitros em Portugal. Não foi membro dos super-dragões, não é filho do pai, não é sócio do Benfica (ai Proença...) e se a bola passa a linha de golo valida o lance. O registo dos clássicos apitados por este senhor é equilibrado (e curiosamente, na única vez que o Benfica venceu, perdoou dois penalties ao Porto). Queriam melhor que este? Não havia.

Aos guerreiros que amanhã vão entrar no estádio mas não no campo, peço apenas que entrem com o mesmo espírito dos heróis que envergaram a camisola do Benfica e que a tornaram num símbolo reconhecido em Portugal e além-fronteiras. É necessário um ambiente infernal, de apoio durante 90 minutos Entrem à Benfica. Sem medo. Para cima deles. Vemo-nos amanhã, no Estádio da Luz.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Clássico de Janeiro


Sem qualquer dúvida: os andrades já não pensam noutra coisa.
Como não sabiam como usar ironia para responder às cirúrgicas declarações do nosso Presidente (finalmente!) usaram mentira; não foi muito efectivo.

Chegam ao cúmulo de ir buscar um jogo, que decorreu há mais de um ano.

Passemos então, ao desmentido.

Trata-se de um jogo que há quatro penalties e são assinalados três a favor do Benfica.
Admito que dois deles (que foram assinalados) são de difícil avaliação, mas, dessa vez, o árbitro Duarte Gomes até só cometeu uma falha, não assinalou um penalty por mão de Alex a cortar um cruzamento do Benfica.

Um jogador que se atira de braços abertos ou esticados para a frente de uma bola tem intenção de jogar a bola com o braço (ao contrário de, por exemplo, um jogador que foi atirado ao chão, lá está prostrado, que tem o braço mais ou menos junto ao peito e se chama Miguel Vítor, não é Pedro Henriques?).

Foi o caso de três dos quatro lances passíveis de assinalar grande penalidade nesse jogo.

Descubra as diferenças



Obrigado Vítor Pereira, por mais uma auto-ridicularização andrade!

domingo, 11 de novembro de 2012

No Rio, manda a ave

Diz-se que a velocidade é uma condição necessária para vencer no futebol moderno. Talvez de todas as velocidades, a menos importante seja a que diz respeito à correria. É, a meu ver, mais importante executar depressa que correr depressa. Mas neste Benfica, correr depressa, ainda que mal, é o mais importante. A velocidade furiosa que o Benfica imprime nos seus jogos é impar no futebol português, mas nem sempre (quase nunca, até) é adequada. E hoje podia ter-nos custado pontos.

O Rio Ave justificou em campo o porquê da sua classificação na Liga. Não sendo uma equipa com grandes capacidades físicas nem técnicas, a sua organização e o perigo com que chegam à baliza explicam o 4º lugar na prova. Mas as dificuldades que criou ao Benfica foram, em boa parte, mais concedidas e facilitadas por nós que de mérito próprio dos vila-condenses. O Benfica voltou a dar muitos espaços a defender, a sair com dois e três jogadores ao portador da bola, e perdeu sistematicamente a luta no meio-campo, onde um esforço hercúleo de Matic, sobretudo após a saída de Enzo por lesão, evitou que houvesse mais trabalho por parte dos defesas. Ainda assim, os sobressaltos e a quantidade de vezes em que o Benfica foi posto em sentido foram excessivas. André Almeida fez uma exibição terrível, por oposição ao enorme jogo feito pelos centrais e, claro, por Artur. No ataque, entre o azar de Cardozo e a desinspiração de Salvio, sobraram a energia e desequilíbrio de Ola John, o melhor em campo, na minha opinião, e a letalidade de Lima, que deu mais dois pontos ao Benfica em jogos fora.

Velhos vícios, os mesmos erros, mas, mais importante que isso, três pontos. E de três em três pontos se fazem os campeões. Preocupa-me o facto de o Benfica cometer demasiados erros, sobretudo defensivos, em campo, mas fico naturalmente contente com as vitórias. É, no entanto, necessário apontar estes erros, pois a sorte não dura sempre, ou se preferirem, mais cedo ou mais tarde estes erros poderão ter consequências nefastas (como tiveram no ano passado, por exemplo). Corrijam os erros e continuem a ganhar. Até porque mesmo enfraquecidos no meio-campo, os nossos rivais não são mais fortes do que nós.

domingo, 7 de outubro de 2012

Feira de Vaidades

Aqui me penitencio por me ter exaltado com as declarações de Bruno César, aqui há coisa de um ano, quando disse que o Benfica seria uma ponte aérea para a Europa. Quem fala verdade não merece castigo. E aquilo que vi hoje na Luz foi, evidente e efectivamente, uma feira de vaidades. Um grupo de jogadores mimados que estiveram a mostrar-se à Europa, cada um a puxar para seu lado, sem qualquer sentido de colectivo. Felizmente do outro lado estava o Borussia de Aveiro, equipa que tem zero de futebol nos pés (apesar do jeito para o teatro, refira-se), pelo que a brincadeira com que os jogadores do Benfica presentearam os menos de 30 mil no Estádio da Luz não teve consequências de maior. Liderança isolada, pelo menos até amanhã, mas a continuar assim será a termo. É preciso ter equipa. O Benfica teve onze jogadores em campo, mas esteve muito longe de ter lá uma equipa. Há muito caminho para percorrer e infelizmente estamos a percorrer o caminho errado. Não é por aí, Benfica.

Vou contar-vos uma não-novidade: tacticamente, este Benfica é dos piores que já vi. Tanto no plano defensivo como ofensivo é de ir às lágrimas. A defender, a equipa limita-se a correr à maluca atrás dos adversários, sem qualquer critério nem inteligência, abrindo espaços por tudo o que é sítio. Do ponto de vista ofensivo é este "meio-campo aluga-se" que se vê na imagem: três atrás (geralmente os dois centrais e Matic), um médio perdido no meio (costuma ser Enzo, mas neste caso é Matic) e o resto lá à frente, sem linhas de passe. Os extremos são pontas-de-lança e os laterais são extremos. Onde é que isto é de um Mestre da Táctica? Ainda há uns dias vi o Barça a jogar na Luz com os laterais na lateral e com a bola a circular essencialmente pelo centro do terreno. Gente estranha...

Do outro lado, Rui Costa (o árbitro) e Ulisses "os sócios sabem o valor do Rego" Morais reeditaram uma dupla que em 2005 deu água pela barba ao Benfica de Koeman, quando o seu Gil Vicente derrotou os encarnados na Luz por 0-2. À semelhança do que se passou há sete anos, os comandados de Ulisses marcaram o primeiro golo da partida e os jogadores começaram a simular lesões na esperança de ganharem tempo (um clássico deste Ulisses), mas a Odisseia dos aveirenses na Luz durou pouco mais de 45 minutos, apesar da exibição miserável do Benfica (talvez porque este Beira-Mar seja também das equipas mais medíocres da nossa Liga). Maxi e Rodrigo, o segundo após grande passe de Lima, mataram o jogo num minuto.

Mas que isto não sirva para apagar o que se passou na Luz. Se no caso de alguns jogadores não há melhores exibições porque simplesmente não sabem muito mais do que aquilo que mostraram hoje (como Jardel, numa exibição de péssimo nível, ou Matic, que voltou a perder quase todos os lances de cabeça disputados), outros casos há em que os atletas estiveram numa toada de individualismo e/ou show off inadmissíveis: casos de Maxi (!), Salvio, Gaitán e, sobretudo, Rodrigo. Insuportável, inadmissível. O Benfica não é uma montra, o Benfica não é um stand e o Benfica não deveria ser este circo, esta feira de vaidades.

(Jorge Jesus quando o Benfica está a perder (esq.) e quando está a ganhar (dir.))

E falta aqui o maior dos patetas, o senhor Jesus. O Jorge é um idiota. E o mal deste mundo, citando Bertrand Russell (Gaspar, eu acerto no nome, nem preciso de ir ver ao Google) é que os idiotas estão cheios de certezas e os génios cheios de dúvidas. E ouvir o Jorge falar nas conferências de imprensa, com toda aquela sua arrogância e prepotência, próprias de um incompetente analfabeto novo-rico, é a confirmação de que Russell estava certo. O homem queixa-se do cansaço dos seus jogadores mas demora 75 minutos para fazer uma substituição. Quando está a perder é um cachorrinho amedrontado, junto ao banco de suplentes, pouco interventivo e muito calado, transformando-se num caniche raivoso quando a equipa se apanha na frente do marcador, insultando Lima por ser, imaginem, egoísta na altura da finalização (quem é que deu o golo a Rodrigo?!) e tratando Raul José e Carraça abaixo de cães. E por fim, o Jorge ainda passou a mão pelo pelo aos No Name, numa atitude que cheira a medo depois do descontentamento que houve há uns dias atrás, numa quinta-feira qualquer. Voltou, claro, a fazer referências ao magnífico público do Celtic. Jorge, dou-te duas dicas: ou falas com quem tem paga 7,64€ por minuto para baixar os preços dos bilhetes dos jogos ou então mudas-te em definitivo para a Escócia. Ou mesmo para o Blackburn (desculpa lá, Nuno), que, segundo o Jorge, tem um orçamento maior que o do Benfica. Era um favor que me/nos fazias. Para concluir uma conferência de imprensa tenebrosa, ainda se sai com um "cinco pontos de vantagem [sobre o Sporting] não são nada". Rings any bells?

P.S. Espero que a Liga tenha em atenção a atitude do jogador Jonas Mendes, guarda-redes suplente do Beira-Mar, que durante o jogo teve duas atitudes anti-desportivas inaceitáveis: num contra-ataque lançado por Enzo Pérez pela esquerda, à passagem do minuto 67, tenta agredi-lo com uma garrafa de água. Mais tarde, nos últimos dez minutos, atira uma bola com violência a um apanha bolas que não tinha mais que dez anos.

sábado, 29 de setembro de 2012

Dois pés de laranja lima

Depois dos pontos deixados em Coimbra, uma deslocação a um terreno complicado mas que até nos tem sido querido nos últimos anos. Em Paços de Ferreira, o Benfica entrava em campo sabendo que qualquer resultado que não a vitória deixaria, à partida, os encarnados a uma distância de dois jogos da liderança do campeonato. Era imperativo vencer para não perder o fugitivo na tabela classificativa.

Num jogo que se esperava de alguma tensão especialmente para o Benfica, as duas equipas entraram muito bem em campo procurando o ataque. Mas por pouco tempo. Corte de electricidade no estádio e aparentemente em boa parte da cidade levou a uma interrupção de dez minutos à qual o Benfica não reagiu bem: no reatar do encontro, uma triangulação entre um ex-jogador da nossa formação (Diogo Figueiras) e Hurtado permitiu ao português cruzar para Cícero fazer o 1-0. O pesadelo de Coimbra ameaçava mudar-se para a capital do móvel, mas a águia não se eclipsou. Fruto de uma desatenção de Cássio após cruzamento de Enzo, Lima, à ponta-de-lança, aproveitou oportunamente o lance para, de pé esquerdo, reestabelecer o empate.

Na segunda parte Gaitán rendeu um desinspirado Nolito e trouxe uma dinâmica completamente diferente ao ataque encarnado. As oportunidades e os falhanços sucediam-se em catadupa: Gaitán ia sendo presentado com mais uma intervenção desastrosa de Cássio, Enzo falhou na cara do brasileiro depois de isolado por Rodrigo, mas Lima, uma vez mais, agora de pé direito e depois de uma entrada destemida de carrinho de Maxi no meio de três "amarelos", desfizesse a igualdade, colocando o Benfica na liderança do jogo e provisoriamente na do campeonato também. Depois, nos vinte minutos finais, mais um festim de golos falhados: Lima, por duas, vezes, Gaitán mais uma e Salvio também podiam ter colocado uma vantagem mais confortável no resultado e o ponto final no jogo. Como quem não marca arrisca-se a sofrer, o Benfica acabou o jogo com o credo na boa, fruto das iniciativas de Caetano, e de dois remates bem perigosos já para lá dos 90 minutos, que Artur soube resolver muito bem.

Marco Ferreira esteve bem no critério técnico dentro da área (cinco hipotéticas situações para grande penalidade mas nenhuma assinalada, e bem) mas desastroso fora dela, com o Benfica a ser prejudicado com faltas e faltinhas inexistentes a meio-campo. No final, 3 pontos e a liderança provisória do campeonato. Mais que a vitória, o nosso clube ganhou um ponta-de-lança e confirmou a qualidade de Enzo. Falta ainda limar algumas arestas: Matic e Melgarejo continuam a parecer inadaptados a esta equipa, autênticos corpos estranhos. A rever.

domingo, 23 de setembro de 2012

Benfica volta a chumbar em Coimbra

O mau aluno não aprende a lição. O Benfica chumbou pelo segundo ano consecutivo em Coimbra num jogo que teve inúmeras semelhanças com o do ano passado. Incompetência própria, azar à mistura, árbitro com a lição estudada e zero de fio de jogo. É confrangedor ver este Benfica. Mais confrangedor é ver que as pessoas estão satisfeitas com tudo o que há no clube, desde o futebol jogado, passando pela política de contratações e acabando em quem dirige a equipa em campo e fora dele.

O Benfica da primeira parte criou três oportunidades de golo e nessas três a bola foi ao poste. De resto, o que há a dizer? Não há ideias de jogo, não há fio de jogo. Há sim muita fé em Salvio, Maxi e em Melgarejo para que arranquem pelo flanco e tirem um cruzamento que Cardozo ou Rodrigo transformem em golo. Isto é futebol? É para isto que Jorge Jesus treina e é pago pelo Benfica? Não há ali nada. Quando o Benfica joga fora de casa é sempre isto que acontece. Uma sofreguidão desnecessária, uma exposição constante ao risco e a ausência de plano de jogo. Individualmente, Bruno César e Melgarejo apresentaram-se a um nível medonho, absolutamente intolerável. Incapazes de levar a equipa para o ataque, inúmeros passes falhados, más recepções de bola e péssimas decisões. Matic deve ser o jogador com mais de 1,90 metros que mais lances de cabeça perde, sejam ofensivos ou defensivos, em todos os campeonatos europeus. Cardozo voltou a ser Dr. Hyde. Enfim, desinspiração individual e ausência de sentido colectivo a mais para quem quer ser campeão. E muita falta de qualidade também.

No segundo tempo, com a expulsão de Rodrigo Galo, o Benfica teve praticamente 45 minutos com mais um elemento. Aí sim, conseguiu criar mais jogo ofensivo, mas quantidade não é sinónimo de qualidade. A Académica fechou-se e o Benfica achou que só pelas alas é que seria possível encontrar o caminho do golo. Errado. O destino das jogadas do Benfica era invariavelmente o mesmo, o cruzamento para dentro da grande área. Sabendo disto, a Académica fechou-se dentro da própria área e só teve de cortar de cabeça as investidas. Fácil. Não é preciso que Pedro Emanuel seja um mestre da táctica para perceber isto.

Falta Xistra, o grande artista. Não me vou alongar sobre o carácter desse quadrúpede, já todos conhecemos a peça e deveríamos esperar o que aconteceu. Errou clara e propositadamente nos dois penalties da Académica (o primeiro é efectivamente falta mas fora da área, no segundo não há infracção), errou também no do Benfica se a bola bate no braço direito de Rodrigo Galo (assim parece) e a sua equipa conseguiu deixar escapar um fora-de-jogo flagrante de pelo menos três metros. Quem não o conhece, que o compre. Quem o conhece, que lhe dê um daqueles enxertos de criar bicho. Ou então não, se calhar é melhor continuar a manifestar o "apoio inequívoco" que Vieira demonstrou a Fernando Gomes. Não há vergonha na cara dos nossos dirigentes nem na de quem apita jogos.

O Benfica perdeu dois pontos em Coimbra porque foi incompetente e porque não deixaram o nosso clube ganhar. Simples. E curiosamente existe um factor comum a ambos: o mesmo homem que delapidou desportivamente a equipa apoia também o presidente da Federação, responsável pelas questões de arbitragem. Depois acham estranho que coisas destas aconteçam. Olhem... paciência.

P.S. O inaugurador oficial das Casas (ainda ontem foi mais uma, em Aveiras), este ausente do jogo de Coimbra por "motivos de saúde". Folgo em saber que para as Casas (20 votos cada) estava fresco que nem uma alface.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Liga vs. Federação, round 4

A Liga decidiu, a Federação revogou. Esta disputa entre os dois organismos que gerem o futebol nacional ameaça tornar-se um clássico. Uma luta de egos que tem por objectivo demonstrar a superioridade de um órgão em relação a outro. Mário Figueiredo vs. Fernando Gomes.

À parte desta guerrilha de idiotas, o "marcha-atrás" na decisão de proibir os empréstimos entre clubes da mesma Liga tem consequências graves no planeamento da época de todas as equipas. O timing da decisão é, portanto, uma aberração. No que ao nosso clube diz respeito, o que vai acontecer a alguns jogadores da equipa B que não estariam à espera de fazer parte desse grupo, casos de David Simão, Miguel Rosa ou Djaniny?

Ainda assim, e apesar de toda a polémica, devo dizer que não sou totalmente contra os empréstimos entre clubes da mesma Liga. Sim, é verdade que desvirtua a competição na medida em que uma equipa costuma monopolizar as outras com vários jogadores que depois se lesionam misteriosamente, mas (e nestas situações há sempre um mas...) por outro lado, um empréstimo pode ser uma boa forma de um jogador evoluir e de ajudar a equipa (casos recentes de Coentrão, Adrien, etc).

Como resolver este "problema"? A meu ver, e com a introdução das equipas B, passa por limitar o número de empréstimos que cada clube pode efectuar e de que pode usufruir. Por exemplo, três. Cada clube poderia emprestar 3 jogadores e receber 3. Assim evitar-se-ia que os principais clubes conseguissem criar equipas satélites na primeira divisão como ocorreu num passado recente com o Vitória de Setúbal ou o Olhanense. Permitiria ainda aos jogadores um melhor desenvolvimento futebolístico, o que acarreta benefícios para o clube que empresta, e uma maior qualidade para o clube que recebe esses jogadores. Todos sairiam a ganhar, sem haver falsificação da verdade desportiva.