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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Aos tansos que pagaram bilhete para a Champions

Já todos deveríamos saber que o nosso clube é useiro e vezeiro nestas situações. O Benfica prepara-se para oferecer bilhetes de graça aos sócios que ainda não tenham usufruído do débito directo ou que não tenham comprado Red Pass este ano. Quem é que sai prejudicado no meio disto tudo? O sócio que pagou quotas, que comprou Red Pass e que comprou o pack de bilhetes da Champions League, pensando que apoiaria o seu clube pagando o preço correspondente a 2,5 bilhetes em vez de 3. Enganou-se, o tanso. Porque o Benfica premeia quem não apoia a equipa no estádio, prejudicando quem lá vai religiosamente todas as semanas. Este é o Benfica que temos. Palminhas para isto.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ecos daquela tarde-noite na Escócia


A questão que se coloca é se o resultado foi bom ou mau. E, sinceramente, só em Dezembro poderemos responder a essa dúvida. Empatar fora de casa coloca pressão num dos adversários na luta pelo segundo lugar, mas como vimos no passado, nomeadamente com o que aconteceu em Kobenhavn em 2006/2007, empatar com a equipa do pote 4 e mais fraca do grupo quando se podia ganhar o jogo pode não ser nem bom nem suficiente. Em Dezembro saberemos. Até lá resta ganhar aos rivais directos em casa e conseguir pontos em Moscovo. Deverá chegar. Mas...

Escrevi isto na crónica do jogo que opôs o Benfica ao Celtic, realizado em Setembro último no mítico Celtic Park. Infelizmente, a previsão parece estar a caminho de se cumprir. Aquele jogo na Escócia, que poderíamos ter ganho com alguma facilidade se não tivessemos sido medrosos e fracos, parece revelar-se decisivo, tal como aconteceu em 2007, em circunstâncias extremamente semelhantes, até com o Celtic à mistura. Para o Benfica se qualificar para a fase decisiva da prova rainha de clubes a nível europeu, terá de ganhar ao Celtic e alcançar um resultado igual ou pior na Catalunha àquele que o Celtic conseguir em casa frente a um Spartak que já se espera fora da luta pela Europa.

Não venham com o argumento de que a vitória do Celtic contra o Barça demonstra que o resultado por nós alcançado na Escócia foi bom. Se assim é, lembrem-se que a derrota em casa com os catalães, pela mesma ordem de ideias, terá de ser considerada um mau resultado, algo que não deveria ter acontecido.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Benfica joga continuidade na Champions

E na Europa. O jogo com o Spartak assume um carácter decisivo na luta pelos objectivos na Europa do futebol desta temporada. Uma vitória sobre os russos abre boas perspectivas para a passagem aos oitavos-de-final, enquanto que uma derrota ou até mesmo o empate podem deixar o Benfica à beira da eliminação total da Europa, com poucas chances de assegurar uma simples presença na Europa League.

Vamos a contas, de tão habituados que estamos a pegar na calculadora para prever o futuro. Colocando três cenários (o mais provável, o melhor dos cenários e o pior de todos), veremos o que o Benfica tem de fazer para assegurar a presença nos oitavos-de-final da Champions League:

O Mais Provável:
  • Barcelona vence em Glasgow e em Moscovo.
  • Celtic derrota Spartak na última jornada.
Se este cenário se verificasse, os catalães seriam líderes do grupo e o segundo lugar acabaria por ser disputado pelas três restantes equipas. O Celtic, em cinco jornadas, faria 7 pontos e o Spartak 3. Para o Benfica continuar na Champions League, teria de vencer duas das três partidas que faltam, sendo que uma dessas duas vitórias teria de ser contra os escoceses. Assim, o Benfica faria pelo menos 7 pontos, os suficientes para passar, dado que uma igualdade pontual com o Celtic favorece-nos no confronto directo. Este parece-me ser o cenário mais provável. O Barcelona parece ser demasiado forte para qualquer uma das equipas, o Celtic deverá derrotar, em teoria, os russos em casa, visto que até já o fez fora de portas, e o Benfica, na Luz, tem por obrigação vencer os dois adversários dos potes 3 e 4. Tudo somado, o Barça alcança os "impossíveis" 18 pontos, Benfica e Celtic fazem 7, o Spartak fica-se pelos 3.

O Melhor dos Cenários:
  • Barcelona vence em Glasgow e em Moscovo.
  • Spartak e Celtic empatam em Glasgow.
Se os astros se alinhassem, aconteceria isto mesmo. Desta forma, o Celtic faria 5 pontos em outros tantos jogos, ficando o Spartak com 4. Para o Benfica se apurar para o "mata-mata" da Champions, precisaria "apenas" de uma vitória frente aos escoceses por mais de um golo de diferença, servindo um empate contra os russos e uma derrota em Camp Nou. Se tal se verificasse, Benfica, Spartak e Celtic ficariam empatados no segundo lugar com 5 pontos cada, mas o Benfica acabaria por assegurar o segundo lugar por via de uma diferença de golos superior à dos rivais no apuramento, pois também empatariam em termos de pontos efectuados entre si.

O Pior dos Cenários:
  • Celtic vence os dois jogos em casa.
Se o Celtic vencer os dois jogos em casa, o Benfica precisa de vencer os três encontros que faltam disputar. Ganhar ao Celtic e ao Spartak em casa parece plausível. Ir ganhar a Camp Nou...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Cumpriu-se a tradição

A tradição ainda é o que era. O Benfica perdeu uma vez mais com uma equipa espanhola, averbando o décimo terceiro jogo consecutivo sem conhecer o sabor da vitória em jogos oficiais frente a uma equipa do país vizinho (o último triunfo remonta a 1982, contra o Bétis). Desta vez, sem surpresas, o Barça venceu na Luz num jogo em que, diga-se, pouco mais o Benfica poderia fazer.

O futebol do Barcelona é aquilo. Passe e recepção, os dois princípios básicos do futebol, levados ao extremo, que resultam numa posse de bola assustadoramente elevada. Pouco ou nada há a fazer perante isto. O Barça com que jogámos hoje é a equipa que vulgarizou o Real em Madrid na segunda parte da segunda mão da Supercopa Española, mesmo com uma unidade a menos. É a equipa mais dominadora do futebol mundial actualmente e, possivelmente, de toda a História. E frente a este Barça, diga-se que o Benfica foi um justo e digno, sublinhando o digno, vencido. Apesar da derrota, não há nada que se possa apontar à equipa ou ao treinador. Jesus abdicou dos princípios loucos pelos quais rege o futebol encarnado, adoptando uma mentalidade cautelosa e de contenção por oposição à pressão desenfreada que exerce quando não tem a bola. Os jogadores cumpriram o que o treinador mandou e defenderam não só com o autocarro mas com um bom autocarro. Isto leva-me a pensar que se Jesus quisesse (e bastava querer), o Benfica sofreria muito menos golos na Liga. Os erros defensivos que houve foram meramente ocasionais, como as vezes em que Salvio e Maxi ficaram a olhar para o portador da bola em vez de um deles seguir o adversário que se escapava nas costas ou a decisão intempestiva de Matic sair a pressionar Messi com a bola, num lance que acabou por resultar no golo do Barça.

Não posso dizer que estou contente com a derrota. Uma derrota é uma derrota. Mas pela forma como ocorreu e pela forma como não ocorreu/como poderia ter acontecido, creio que o Benfica esteve surpreendentemente bem. Não foi uma grande exibição, foi a exibição possível. O Benfica não fez mais porque não sabe nem pode. O Barça não deixa. Não deixa o Benfica, não deixa o Manchester na final da Champions, não deixa o Real no Bernabéu, etc.

Por fim, um tema um pouco extra-jogo e extra-futebol: não consigo compreender os benfiquistas que vão à Luz propositadamente para ver o Barça. Isto não se trata de uma exibição de benfiquismo fanático e autista da minha parte, mas queria mesmo tentar perceber este fenómeno. Tudo bem que existe a crise financeira, que o Gaspar se prepara para falar aos portugueses dentro de horas, que as pessoas têm de racionalizar os gastos e que preferem, naturalmente, ir a um Benfica x Barcelona que a um Benfica x Beira-Mar. Mas para mim, sempre que na Luz entra o Benfica e outra equipa qualquer (e para mim são mesmo, todas, "outra equipa qualquer"), eu quero que o Benfica ganhe e vou lá sempre, mas sempre por causa do Benfica. Se há um Benfica x Rio Tinto, eu vou pelo Benfica. Se há um Benfica x Manchester, eu estou lá com o mesmo entusiasmo com que estou no jogo com o Rio Tinto. Por isso custa-me (e se calhar custa-me porque não percebo mesmo) como é que há gente que vai lá "pelo Barça" sic. Ainda por cima com cachecóis e camisolas dos culés. De um clube de uma região que recebe mal os portugueses, que nos insulta, coage e inveja (por sermos independentes de Espanha, algo que ambicionam mas não conseguem). Nem vou pelo facto de ter um conjunto de fiteiros e maus carácteres como Busquets e outros que por lá andam, disso existe em todo o lado, ou pelo "proteccionismo", chamemos-lhe assim, exagerado que existe à volta dos jogadores (bastou ver que qualquer toque em Messi era merecedor de advertência verbal ou disciplinar por parte do árbitro). Exceptuando o futebol praticado, o melhor que já vi em todos estes anos, o Barcelona possuiu todo um conjunto de características que não suporto, daí não compreender quem vai à Luz, repito, à Luz, "pelo Barça".

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Faça-se Luz sobre o Barcelona

Segunda jornada da Liga dos Campeões e eis que o Benfica recebe o todo-poderoso Barcelona. Sem mais demoras, eis a crónica "Faça-se Luz".


Fundação, Guerra e Era pré- Camp Nou

Fundado em 1899 por um conjunto de futebolistas espanhóis, suíços e ingleses liderados por Joan Gamper (suíço), o FC Barcelona viveu períodos de instabilidade desportiva e financeira nos seus primeiros anos. As dívidas, as constantes mudanças de estádio e até mesmo alguns maus resultados foram intercalados com sucessos e troféus conquistados nos primórdios de um futebol espanhol muito rudimentar. A profissionalização dos catalães chegou apenas em 1926, mas para azar do sucesso desportivo do clube, a Guerra Civil Espanhola interpôs-se e a política assumiu um papel primordial sobre o futebol. Houve jogadores a alistarem-se para a guerra, outros pediram asilo aquando de visitas ao estrangeiro e até houve repressões políticas nos jogos dos catalães. Com o fim da guerra, vieram os anos de recuperação, nomeadamente o final da década de 40 e início da de 50, conquistando quatro campeonatos em seis anos, mas o sucesso foi uma efeméride. Na conclusão do período pré- Camp Nou, o Barça teria de assistir ao sucesso do Real Madrid, que conquistaria a Taça dos Campeões Europeus por 5 épocas consecutivas. Melhores dias viriam.


Club Fútbol Barcelona
Sob orientação do mítico Helenio Herrera e contando com uma troika de craques húngaros composta por Kubala, Kocsis e Czibor, o Barcelona conquista dois campeonatos (1959 e 1960), uma Taça (1959) e uma Taça das Cidades com Feira, a percursora da Taça UEFA (1960), chegando também à final da Taça dos Campeões Europeus em 1961 após derrotar o arqui-rival Real Madrid nas meias-finais, perdendo a final para o Benfica num jogo onde, rezam as crónicas, os catalães foram superiores e muito infelizes. O futebol é assim, o azar de uns é a sorte de outros. E enquanto este triunfo serviu para o Benfica cimentar um domínio absoluto no futebol português, a derrota do Barça seria o ponto de partida para o período mais pobre a nível desportivo do clube. Nos catorze anos subsequentes, os catalães não voltariam a ganhar o campeonato, polvilhando o seu currículo com três Copas do Rey, uma Taça das Cidades com Feira e nada mais. O Real Madrid tomara conta do futebol espanhol nos anos de Franco, conquistando nove campeonatos nesse período entre outros títulos.


Cruyff jogador, Nuñez presidente, Cruyff treinador

Com o fim da ditadura espanhola do general Franco, o Barça iniciou um período de crescimento sem precedentes na sua História. Com a queda do general, o craque holandês Johan Cruyff ingressa nos blaugrana e devolve os catalães aos títulos, conquistando o campeonato catorze anos depois, numa caminhada que envolveu uma manita dada no Bernabéu. Sol de pouca dura, no entanto, uma vez que o Barça só voltaria a ganhar o campeonato em 1985. Entretanto dar-se-iam as primeiras eleições do clube e que levaram Josep Lluís Nuñez ao topo da estrutura catalã, iniciando um reinado de 22 anos que só terminaria em 2000. Amado por uns, odiado por outros, o começo da Era Nuñez foi titubeante, com dificuldade em alcançar troféus nacionais de modo regular. Só no sétimo ano de presidência, já depois de duas Copas do Rey, uma Supercopa e duas Taças dos Vencedores das Taças, é que o Barça almeja o tão desejado campeonato. Nuñez deixou a sua marca bem vincada em Camp Nou, mostrando com clareza que acima dos jogadores estava sempre o clube. Contratou craques, mas rejeitou sempre pagar salários que considerava exorbitantes, deixando-os sair sem perder qualidade e competitividade. Assim foi com Maradona (o Barça ganharia o primeiro campeonato em onze anos imediatamente após a saída de Diego Armando), Romário e Ronaldo (sucedendo-se o mesmo fenómeno que ocorrera com a saída de Maradona), entre muitos outros. Concomitantemente com esta medida, Nuñez dá o pontapé de saída para aquele que seria o maior e melhor investimento feito pelo Barça a longo prazo: a sua cantera. Inaugura La Masia em 1979 e enceta uma luta que venceria contra radicais de extrema-esquerda e direita das claques azuis-e-vermelhas. Nuñez vencia fora do campo e preparava o Barça para vencer dentro dele. E esse ciclo ganhador chegaria finalmente com a ajuda do homem que, dentro de campo, enquanto jogador, devolveu o Barça aos títulos: Cruyff. O holandês assume a batuta da equipa em 1988 e monta uma equipa que passaria a ser merecidamente conhecida por Dream Team. Nela alinhavam Zubizarreta, Romário, Laudrup, Koeman, Guardiola, Bakero, Begiristain, Stoichkov, entre outros. Começa devagarinho, conquistando a Copa del Rey uma Taça das Taças, para depois, entre 1991 e 1994 ganhar quatro campeonatos de seguida, um record na história do clube e uma resposta ao tetra vencido pelo Real nos quatros anos anteriores. Curiosamente, em três dessas conquistas, o Barça partiu para a última jornada como segundo classificado, beneficiando de derrotas do Real Madrid nas Canárias em 1992 e 1993 e do empate caseiro do Deportivo (fruto de um penalty falhado no último minuto) contra o Valência em 1994 para ganhar essas Ligas. Impressionante. E a este fabuloso palmarés, Cruyff deu ainda a primeira Taça dos Campeões Europeus ao Barça graças à vitória sobre a Sampdoria em 1992, com golo de Koeman, perdendo ainda para o Milan a final de 1994. Cruyff sairia em 1996 depois de duas épocas sem nada ganhar, sendo substituído por Bobby Robson, que ganha em 1997 tudo à excepção do campeonato. Mas Robson não era visto como solução a longo prazo e o sonho holandês de Nuñez mantinha-se: queria Van Gaal, treinador que levara o Ajax à conquista de três campeonatos, uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões com uma equipa recheada de jovens em seis anos. Van Gaal aterra na Cidade Condal em 1997 e nos três anos subsequentes o Barça ganha dois campeonatos (1998 e 1999), mas falha o tri. O Real Madrid reemergia como principal potência em Espanha e ganha duas Champions em três anos, factor que, aliado à perda de Figo para o arqui-rival, à perda de competitividade e ao brutal incremento de dinheiro e qualidade do Madrid, levou a que o desgaste sobre Van Gaal e Nuñez fosse tanto que ambos se demitiriam no final da época 99/00. Uma nova Era viria.


O melhor futebol que o mundo já viu

Após a saída de Nuñez e van Gaal, sucedem-lhes Joan Gaspart na presidência e Serra Ferrer no banco catalão. O primeiro fora um bem sucedido e competente vice-presidente de Nuñez, o segundo tinha alcançado a fama e o êxito com boas performances ao serviço do Bétis de Sevilla. Nenhum confirmou os créditos atribuídos. Ferrer foi despedido antes do campeonato terminar, sucedendo-lhe Rexach e depois Van Gaal, num regresso absolutamente desastroso para o holandês, que seria despedido nos últimos dias de Janeiro de 2003, seis meses após o regresso, com a equipa num inaceitável 13º lugar. Gaspart terminaria os três anos da presidência com zero títulos conquistados. O Barça parecia afundar-se e só a chegada de Laporta em 2003 é que devolveu esperança e sucesso aos catalães, invertendo uma história que parecia perdida. Com Laporta veio mais um holandês, Rijkaard, que devolveu a filosofia ganhadora a equipa, agora assente em estrelas internacionais contratadas (Ronaldinho, Eto’o, Deco, Giuly, Albertini, Márquez) e em jovens promissores da cantera (Xavi, Iniesta, Valdés, Oleguer e, claro, Puyol). O Barça conquistaria os campeonatos de 2005 e 2006 bem como a Liga dos Campeões de 2006, encerrando assim um período de domínio nacional. A falta de profissionalismo de alguns elementos, nomeadamente dos mais influentes à cabeça, fez com que o Barça não ganhasse nenhum troféu entre Setembro de 2006 e Agosto de 2008. Aí, numa tentativa de inverter o rumo dos acontecimentos, Laporta toma uma aposta que seria a aposta de uma vida: Guardiola como treinador da equipa principal. Em boa hora. O Barcelona presentou os adeptos de futebol com uma das melhores interpretações do jogo, exibições que eram autênticos recitais de bem jogar à bola, numa equipa em que mais de metade dos elementos eram made in La Masia (Valdés, Piqué, Puyol, Xavi, Iniesta, Busquets, Pedro e Messi, por exemplo). Sem surpresas, o domínio foi de tal forma avassalador que o Barça conquistou em três anos outros tantos campeonatos, uma Copa del Rey, três Supercopas, duas Champions, duas Supertaças europeias e dois campeonatos do mundo de clubes. Em 2009 venceria tudo, mas tudo o que havia para ganhar (seis competições). Mas todas as Eras têm um fim e a de Guardiola chegou pela mão pesada do rival Real, agora apoiado em José Mourinho. Vilanova sucedeu ao amigo e a questão impõe-se: conseguirá o Barça continuar a encantar o mundo do futebol e a conquistar títulos regularmente nos próximos anos? Deixem-nos jogar à bola, eles responderão.




O que dizem os Blaugrana?

À semelhança do que se faz noutros países, nomeadamente em Inglaterra, com o famoso Spyin' Kop dos adeptos do Liverpool, decidimos também recolher opiniões entre os adeptos do FC Barcelona. Por falta delocais de discussão do clube catalão na net, foi bastante difícil encontrar alguém que respondesse às questões em tempo útil, mas conseguimos. Agradecemos a disponibilidade do aficcionado Bhushan Shah.

            1. Quais as vossas expectativas para a temporada 2012/2013?
Ganhar La Liga (a maior prioridade), a UEFA Champions League e a Copa del Rey também. Não estamos no Mundial de Clubes nem na Supertaça Europeia este ano, e já perdemos a Supercopa espanhola. Gostaríamos de ganhar todos os troféus restantes.

2. Parece que o FC Barcelona tem o campeonato na mão devido aos oito pontos de vantagem sobre o rival directo, o Real Madrid. Esta análise parece correcta?
Definitivamente não. É uma boa vantagem, mas não podemos pensar que temos uma mão no troféu. Estamos com 8 pontos de vantagem. Não seria surpreendente se o Real Madrid nos batesse duas vezes, reduzindo a diferença em 6, e depois fosse para cima de nós através de outros jogos. Vamos perder pontos. Temos de garantir que não passamos para trás do Real Madrid, no entanto.
 
3. O que aconteceu no ano passado ao FC Barcelona, ​​que foi eliminado por uma equipa como o Chelsea, que estava perfeitamente ao seu alcance?
Se viram os dois jogos, podemos dizer que muito se deveu a pura sorte. Claro que o Chelsea tinha uma finalização clínica e defendeu bem ao estacionar o autocarro. Mas o Barça acertou na trave quatro vezes, e houve muitos falhanços. Era muito improvável que o Barça perdesse com o desempenho que produziu. A sorte teve um papel muito importante.

4. O que explica o crescimento progressivo do FC Barcelona desde o início do novo século?
Não estou em posição de responder a esta questão, uma vez que sigo o Barça há apenas alguns anos. Mas um factor muito grande foi definitivamente Guardiola. Ele revolucionou a forma como o jogo do Barça. Além disso, La Masia produz jogadores de qualidade, e cada vez mais estão a ser integrados no plantel principal. Dependemos muito pouco do mercado de transferências, ou, pelo menos, é o que esperamos.

5. Qual é o ponto mais alto na história do FC Barcelona? Porquê?
Uma vez mais, não estou posição de comentar. Mas se eu tivesse que escolher, o ponto alto seria a época em que vencemos os seis títulos em disputa [2009].
 
6. Estão satisfeitos com o sorteio para a Liga dos Campeões? Porquê?
Sim, o sorteio foi muito favorável. É um grupo fácil quando comparado com o “Grupo da Morte” (Real Madrid, Man City, Ajax, Dortmund), ou mesmo a um com o Arsenal, Montpellier e Olympiakos. O Barça provavelmente também passaria se tivesse um grupo mais difícil, mas a verdade é que com jogos a meio da semana torna-se mais fácil um grupo como que temos, pois não deverá afectar tanto o desempenho na Liga. Claro que o Benfica é uma boa equipa, e vamos ter de jogar bem para vencer-vos. E eu também estou cauteloso sobre a partida fora de casa com o Spartak.

7. O jogo contra o SL Benfica situa-se entre a viagem a Sevilla e a recepção ao Real Madrid. Poderia isto afectar a concentração de jogadores do FC Barcelona no jogo contra o SL Benfica?
Esta não é a primeira vez que uma situação destas surge. Na última temporada tivemos Chelsea-Real Madrid-Chelsea numa semana, naquela que foi uma semana decisiva em relação à temporada. Perdemos tudo nessa semana. No entanto, desta vez o Real Madrid está 8 pontos atrás de nós, e não o contrário, como foi o caso no ano passado. Além disso, a moral dentro do campo está definitivamente em alta devido ao começo perfeito que tivemos. Por isso, acho que o calendário não afectará os jogadores muito do ponto de vista mental. Além disso, temos um plantel com bastantes soluções disponíveis neste momento (excepto centrais, lesionados), e os jogadores estão a regressar de lesões a tempo (Iniesta, Adriano, Puyol), e podemos esperar alguma rotação.

8. O que sabem sobre o futebol Português, especialmente sobre o Benfica?
Não muito, excepto que o campeonato Português é a sexta melhor liga europeia baseada nos coeficientes da UEFA, e que o Benfica é uma das melhores equipas do campeonato, ao lado de Porto.

9. O que pensam sobre cada um dos portugueses que estão em Madrid? Gostariam de ver Mourinho como treinador do FC Barcelona? Gostariam de ver Ronaldo de azul e vermelho? O que pensam de Coentrão, Pepe e Carvalho?
O Real Madrid tem uma série de jogadores portugueses de qualidade, como Pepe, Coentrão, e, claro, “o Deus de si mesmo”. São jogadores extremamente talentosos que podem causar problemas reais para o Barça, como já aconteceu no passado. Eu não gostaria de ver Mourinho como treinador do Barça uma vez que a sua filosofia de jogo é completamente diferente e oposta da do Barça, algo que eu particularmente gosto no meu clube. Além disso, a sua gestão de recursos humanos é frágil, dada a forma como ele aliena alguns jogadores (Kaká, Granero, Sahin). Eu não gostaria de o ver no Barça. Além disso, é um pouco excêntrico. E também não gostaria de CR7 vestido de “blaugrana”. Poderia ocorrer um agravamento da qualidade de jogo de Ronaldo e Messi se jogassem juntos.

10. Se pudessem contratar um jogador português ou que jogue no campeonato Português, quem escolheriam?
Não consigo pensar em ninguém agora. Existe por acaso algum central de qualidade por aí?

11. Quem consideram ser o melhor jogador do FC Barcelona? E o pior (daqueles que em princípio jogarão contra nós)?
Melhor: Messi. Ponto final. Pior: Bem, apesar de eu querer que eles executassem bem, temo que Mascherano e Dani Alves não terão exibições para recordar mais tarde.

12. Qual será o onze titular com que Barcelona vai alinhar contra o Benfica?
Víctor Valdés, Alves, Song, Mascherano, Alba, Busquets, Xavi, Cesc, Tello, Messi, Villa.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Fraquinho

Exibição cinzenta e tristonha do Benfica em Celtic Park. Frente a um Celtic bastante incapaz e ineficiente, o Benfica cedeu boa parte da iniciativa de jogo aos escoceses e acomodou-se ao resultado com o passar dos minutos, apesar de até ter disposto de mais e melhores ocasiões. O 0-0 acaba por ser justo e revelador do que se passou em campo: poucas ideias, poucas iniciativas e pouca intensidade de parte a parte. Se é verdade que este é o melhor resultado do Benfica na condição de visitante contra o Celtic, não é menos verdade que esta é também uma das equipas mais fracas que defrontámos de toda a história dos verde-e-brancos.

Jesus inventou e dentro das possibilidades nem correu nada mal. André Almeida no lugar que seria de Miguel Vítor, apesar de uma ou outra desconcentração e do muito espaço que deu para cruzamentos, foi uma agradável surpresa. Sereno, tranquilo no toque de bola, até tirou bons cruzamentos, rubricando uma exibição discreta mas cumpridora, ao contrário do que se passou do outro lado do terreno, onde Melgarejo foi feito gato-sapato pelos jogadores escoceses. Jardel também esteve em bom plano, o estilo de jogo do adversário favoreceu-o claramente, apesar de quando chamado ao corredor lateral para dobrar André Almeida ter falhado. Garay brilhou, esteve a grande nível. No meio-campo, Matic esteve demasiado macio, ele que até costuma abusar da agressividade no corpo a corpo, mas ainda assim, apesar de discreto, esteve bem, tal como Enzo, a seu lado, concentrado a defender e criativo a atacar, mostrando ser a opção mais válida do plantel para aquela posição. Daí para a frente... é melhor nem comentar. Salvio completamente desastrado, Aimar inexistente, Gaitán a jogar sozinho e Rodrigo sem se deslocar o suficiente do espaço dos centrais.

O Benfica soube gerir o jogo tranquilamente, não deixou o Celtic criar grandes ocasiões, esteve bastante tempo atrás da linha da bola mas sem grande sofrimento. Daquele Celtic parecia não vir perigo. E não veio, aplicando-se o mesmo ao Benfica. Apesar da quebra física nos minutos finais, o Benfica soube fechar linhas e baixar no terreno, mexendo na frente de ataque para refrescar jogadores na esperança que trouxessem mais energia ao ataque. Apesar de esforçados, Bruno César e Nolito não foram capazes de trazer algo de novo.

A questão que se coloca é se o resultado foi bom ou mau. E, sinceramente, só em Dezembro poderemos responder a essa dúvida. Empatar fora de casa coloca pressão num dos adversários na luta pelo segundo lugar, mas como vimos no passado, nomeadamente com o que aconteceu em Kobenhavn em 2006/2007, empatar com a equipa do pote 4 e mais fraca do grupo quando se podia ganhar o jogo pode não ser nem bom nem suficiente. Em Dezembro saberemos. Até lá resta ganhar aos rivais directos em casa e conseguir pontos em Moscovo. Deverá chegar. Mas...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Eu dou a receita

Para vencer em Glasgow, o Benfica precisa de saber ultrapassar a ausência de Javi Garcia e Witsel. Face ao que há no plantel, de forma a garantir a estabilidade defensiva, sem esquecer o processo ofensivo e avaliando o momento de forma dos jogadores, este parece-me ser o onze ideal para apresentar em Glasgow.

Na defesa, à direita, Miguel Vítor. Face à ausência de Maxi por castigo e perante a ostracização de Rúben Amorim, Jorge Jesus tem três hipóteses: ou adapta Miguel Vítor à direita, ou adapta André Almeida à posição ou lança João Cancelo às feras. Por mim, seria o ex-capitão dos juniores o escolhido na medida em que é o mais experiente e o que se pode adaptar melhor ao estilo de jogo dos escoceses, até porque, se Samaras jogar, vai ser preciso alguém com capacidade física para pará-lo. André Almeida parece-me fora de questão porque seria adaptar um jogador que, a meu ver, não tem qualidade para envergar a camisola do Benfica. João Cancelo parece ter qualidades, mas lançá-lo num contexto completamente novo e frente a um adversário que pratica um tipo de jogo com o qual Cancelo não está familiarizado, não parece boa aposta.

Matic, na minha opinião e quase de certeza que na de Jorge Jesus também, será o trinco. É o jogador de características mais defensivas do plantel, apesar de não ser um médio defensivo puro, mas será ele a jogar. Um pouco mais à frente, e evitando dizer "a fazer de Witsel", Carlos Martins, um jogador de características totalmente diferentes das do belga mas capaz oferecer situações e soluções de jogo que o belga não dava no processo ofensivo. Nas costas de Cardozo, único ponta-de-lança e maior goleador da história recente do Benfica nas provas europeias, um tridente formado pelo jogador mais decisivo da equipa à direita, Salvio, o regressado Aimar ao centro e Enzo Pérez à esquerda, que demonstrou desde o arranque dos trabalhos em Julho mais que o "caso" Gaitán, o "desastrado" Nolito e o "fora de forma" Bruno César.

Mas é defensivamente que este Benfica mais dúvidas deixa aos seus adeptos. Depois da partida dos pilares defensivos do meio-campo, como é que Jesus vai reorganizar a equipa? Não sei, mas eu faria como demonstra a imagem da direita. Matic seria o pivot, Enzo e Martins fechariam ao meio, posições que não lhes são assim tão desconhecidas uma vez que tanto um como o outro já a desempenharam nas suas carreiras e Aimar descaía para a esquerda. Salvio mantinha-se na sua posição e com alguma liberdade quando o Benfica perdesse a bola, uma vez que não é expectável que Miguel Vítor suba muito no terreno.

Estará Jesus disposto a abdicar do seu 4x4x2 e da dupla Cardozo/Rodrigo para dar mais consistência ao meio-campo? Parece que sim. Dos catorze jogos realizados na Champions League no ano passado, o treinador português apostou em cinco elementos de meio-campo e apenas um ponta-de-lança por nove ocasiões (Trabzonspor fora, Twente fora e em casa, Manchester United em casa e fora, Otelul e Basel em casa e em ambos os jogos com o Chelsea). A jogar fora e frente a um adversário que vai apostar bastante no jogo físico para nos levar de vencida, o reforço do meio-campo parece-me fundamental.

Adenda, 17h41: Obrigado pela correcção, é pena que Martins e Cancelo não tenham sido convocados. Apesar de o post ter sido publicado às 11h40, já depois da convocatória ter saído (pelos vistos), foi escrito ontem à noite e com ordem de publicação para as 11h40 de hoje, pelo que, sem acesso à internet durante toda a manhã, foi impossível corrigir.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Faça-se Luz sobre o Celtic

É tempo de Champions League. O Benfica estreia-se na edição deste ano da prova raínha de clubes a nível europeu frente a um velho conhecido, o Celtic Football Club. Como de costume, em jogos internacionais, realizamos a habitual crónica "Faça-se Luz", mas desta vez com algumas novidades. Com a colaboração do Phant, do blog Chama Gloriosa, foi realizada uma análise táctica detalhada com base na observação de vários jogos dos escoceses. Se o feedback for positivo, será para continuar.


Fundação, Willie Maley e Jimmy McGrory


Apesar da história de sucesso que todos reconhecemos ao Celtic, as origens deste clube são humildes e prendem-se com causas sociais. A ideia original partiu de um pároco irlandês, o padre Walfrid, residente em Glasgow, Escócia, e consistia numa angariação de fundos para financiar uma instituição de caridade que tinha como objectivo diminuir os índices de pobreza em Glasgow. Walfrid via no clube uma forma de angariar dinheiro para questões de solidariedade social, à semelhança do que acontecia com outros emblemas escoceses, como o Hibernian, por exemplo e denominou-o de “Celtic” de forma a relembrar as origens escocesas mas também irlandesas do clube. Mas houve quem visse no Celtic mais que uma instituição de caridade e quiseram torná-lo num dos maiores clubes do Reino Unido: John Glass, um homem do ramo da construção, investiu algum dinheiro e contratou, à revelia do padre Walfrid, 8 jogadores do Hibernian, um dos melhores clubes à data, dando o mote para aquilo que o Celtic se tornaria. Glass torna-se presidente do clube e contrata, em 1897, Willie Maley para treinador principal, cargo que ocuparia até 1940. Sim, não há engano nenhum: Maley treinou os católicos durante 43 anos consecutivos, durante os quais venceu 16 ligas e 14 taças da Escócia, menos um troféu que os arqui-rivais da cidade e do país, o Rangers. Mas a repartição de troféus entre católicos e protestantes terminaria brevemente. Entre 1945 e 1965, período em que o Celtic teve como treinador Jimmy McGrory, os verde-e-brancos venceram o campeonato em apenas uma ocasião, contra dez dos rivais. O Rangers cavava desta forma um fosso de qualidade que os distanciava claramente do Celtic.

Glória pela mão de Jock Stein


John “Jock” Stein foi apenas o quarto treinador do Celtic em quase 80 anos de história. Stein fora jogador dos católicos num período de domínio do rival Rangers e tornava-se o primeiro treinador protestante a orientar a equipa. O percurso enquanto treinador do Celtic foi todo ele recheado de sucesso. Sob o seu comando, a equipa ganhou o campeonato por nove vezes consecutivas, algo que só seria igualado pelo Rangers na década de 90, e tornou o Celtic na primeira equipa britância (e única escocesa até hoje) a ganhar a Taça dos Campeões Europeus (agora denominada de Liga dos Campeões), feito curiosamente alcançado em Lisboa, onde derrotaram o Inter de Helenio Herrera, no ano de 1967. Os Lisbon Lions, nome pelo qual são conhecidos os heróis desta conquista europeia, voltariam a marcar presença na final da TCE em 1970, após eliminarem o Benfica no desempate por… moeda ao ar, mas saíram derrotados às mãos do Feyenoord. Stein ganhou enorme reputação sendo considerado um dos melhores treinadores escoceses de sempre, mas acabou por sair do clube em 1978, depois de ter ganho apenas um dos quatro campeonatos anteriores. Foi, contudo, autorizado a escolher o seu sucessor, indicando para o cargo o capitão da equipa vencedora da TCE – Billy McNeill. Sob orientação de McNeill, o Celtic voltou a dominar internamente, com três campeonatos ganhos e dois segundos lugares durante os cinco anos de reinado do ex-capitão, que acabaria por sair devido a sucessivos desacordos com a direcção do clube.


Declínio, aparecimento do Aberdeen e o regresso do Rangers

Depois desta Era de sucesso, o Celtic enfrentou um período de declínio que acaba sempre por existir em quase todas as grandes equipas. Com a bipolarização do futebol escocês cada vez mais evidente, o Rangers aproveitou-se e igualou o feito do Celtic de Stein ao ganhar nove campeonatos consecutivos, entre 1989 e 1997. O Celtic perdeu identidade e perdeu também algum protagonismo para o Aberdeen, que se superiorizou aos verdes durante alguns anos, como fruto do trabalho lançado por um tal de Alex Ferguson. O regresso de McNeill após a curta passagem de Davie Hay daria o único título de campeão aos católicos em 10 anos. A ele seguiram-se vários treinadores, incluindo o primeiro estrangeiro, o irlandês Liam Brady, e o holandês Wim Jansen, que quebrou a senda de títulos dos protestantes ao ganhar o campeonato em 1998. Contudo, esse foi um sucesso efémero até à chegada do homem que voltaria a colocar o Celtic na rota do sucesso.

Um futebol diferente por Martin O’Neill e Gordon Strachan


Esse homem foi Martin O’Neill. Apesar de o Celtic ter sido sempre uma equipa de cariz marcadamente ofensivo, o norte-irlandês, que havia vencido a TCE sob orientação do mítico Brian Clough ao serviço do Nottingham Forrest, deu um toque de qualidade com a integração de jogadores anormalmente bons para a Liga Escocesa: o avançado Chris Sutton, os médios Neil Lennon e Didier Agathe e o defesa Joos Valgaeren juntaram-se a grandes atletas como Henrik Larsson, John Hartson, Petrov e Mjallby para mudarem definitivamente o domínio do futebol escocês a favor do Celtic. Com O’Neill, os católicos venceram três de cinco campeonatos, três taças e uma taça da liga, alcançando ainda uma final da UEFA Cup que perderiam, em Sevilla, para o Porto de Mourinho. Gordon Strachan sucedeu-lhe e conseguiu fazer uma transição tranquila de um plantel envelhecido para um conjunto de jogadores mais jovens e ainda assim capazes de assegurar um tricampeonato entre 2006 e 2008. O Celtic teve boas performances na Champions League, chegando inclusive a obrigar o AC Milan a ir a prolongamento nos oitavos-de-final em 2008.






O que dizem os Bhoys?

À semelhança do que se faz noutros países, nomeadamente em Inglaterra, com o famoso Spyin' Kop dos adeptos do Liverpool, decidimos também recolher opiniões entre os adeptos do Celtic FC. Agradecemos a disponibilidade do Finbar Gibbons, Damo Rady, Alex Pocrnick, Kieran Walker, Johnny Organ, Tom Seungmin Lee e do Sean McConeghy, todos membros do grupo de adeptos do Celtic FC no Facebook.

1. Quais as vossas expectativas para a época 2012/2013?

Finbar Gibbons (FG): Espero uma vitória na Liga e tenho alguma esperança em que consigamos vencer as duas taças domésticas. Se alcançarmos os oitavos-de-final da Champions League, será um enorme sucesso.

Damo Rady (DR): Conquistar a Liga, o objectivo na Liga dos Campões já foi alcançado.

Alex Pocrnick (AP): Tudo o que não passe por ganhar a “tripleta” (Liga, Taça e Taça da Liga) será considerado um falhanço, é importante referi-lo. Continuar nas provas europeias para lá do Natal, será extremamente positivo e até algo realista.

2. Acreditam que vai ser mais fácil revalidar o título de campeão na Scottish Premier League sem a oposição do Glasgow Rangers?

AP: Com a folha salarial do clube, relativamente ao resto dos adversários na Liga, será um grande embaraço se não conseguirmos ganhar a Liga. Não há um único clube na Escócia que consiga competir com o nosso poder financeiro. Somos os favoritos na corrida ao título, e sim, é muito mais fácil sem o Rangers.

Kieran Walker (KW): Sim, a complacência pode prejudicar-nos.

Johnny Organ (JO): Sim, mas a Liga vai ser disputada, com as equipas a tentarem não ceder muitos golos.

3. Conseguem dar uma explicação para os fracos resultados obtidos nas competições europeias nos últimos quatro anos?

KW: Downsizing e ausência de uma política de transferências a longo prazo sob o comando de Tony Mowbray (ex-treinador).

Tom Seungmin Lee (TSL): Nos últimos dois anos, Neil Lennon tem sido o nosso treinador, mas ele precisa de amadurecer ainda mais como treinador de futebol. Também é o momento de deixar a sua equipa estabelecer-se e crescer, até porque o plantel é bastante novo.

Sean McConeghy (SMC): A História ensinou-nos a esperar sermos esmagados nos jogos for a. A equipa entra nos jogos com essa mentalidade.

4. O que é que levou a que o Celtic ficasse progressivamente mais fraco com o passar dos anos, nomeadamente em comparação com a equipa que tinham entre 2002 e 2007? Por que motivo não conseguiram substituir jogadores como Henrik Larsson, Neil Lennon ou Paul Lambert, entre outros?

FG: É simples, não temos dinheiro para comprar jogadores que nos ajudem a ir longe na Europa. Como não há dinheiro no futebol escocês, o melhor que podemos fazer passa por contratar jogadores jovens e desconhecidos de ligas estrangeiras, como Beram Kayal, Victor Wanyama e Emilio Izaguirre.

TSL: São jogadores que não são fáceis de substituir. Aquando da saída de Gordon Strachan [treinador entre 2005 e 2009], perdemos o fio à meada, por isso temos de esperar. Mas essa altura chegou agora.

AP: Os valores das transferências e dos salários sofreram uma enorme inflação na era pós-Abramovich, e esse tipo de “injecção financeira” simplesmente não acontecerá no futebol escocês. Não podemos competir numa escala continental com o mercado actual. Também não ajuda que a nossa Liga não seja um destino atractivo para os jogadores. Campeonatos como a Primeira Liga Portuguesa oferecem uma transição cultural razoavelmente suave para os jogadores sul-americanos, enquanto que a Primeira Liga Russa oferece salários exorbitantes. A Scottish Premier League não oferece nenhum desses benefícios.

5. Qual foi o ponto mais alto da História do Celtic? E qual a pessoa mais importante em toda a História do clube?

DR: O facto de ser a primeira equipa britânica a conquistar a Taça dos Campeões Europeus. Todos os adeptos.

TSL: A vitória na Taça dos Campeões Europeus em 1967 e Jock Stein.

KW: Os êxitos de 1967 e 2003. A equipa de 2004 também poderia ter chegado longe na UEFA Cup se tivesse saído da fase de grupos da Champions League. Padre Walfrid, Jock Stein, Tommy Burns, Fergus McCann.

6. Estão satisfeitos com o resultado do sorteio da UEFA Champions League?

SMC: Sim, estou ansioso para ver os Bhoys [alcunha do Celtic Football Club] em quatro dos maiores palcos europeus.

KW: Não, queria que nos tivessem calhado equipas com as quais não tivéssemos jogado no passado.

FG: Sim e não. Podemos sair do grupo com um bom resultado, mas será difícil uma vez que temos, de longe, o menor orçamento das quarto equipas.

7. O que sabem sobre o futebol português, nomeadamente sobre o SL Benfica?

AP: Enorme clube, um dos três grandes em Portugal, conhecido por formar consistentemente equipas com uma capacidade incrível para se bater com os melhores da Europa apesar dos constrangimentos do mercado. Eusébio é uma lenda. Estive no amigável Celtic-Benfica em Toronto há um par de épocas atrás e fiquei deveras impressionado com o apoio dos adeptos encarnados lá.

JO: Uma equipa enorme, com muita História e jogadores de qualidade.

FG: O Benfica tem uma grande falange de apoio, uma história rica e bons adeptos. Encontrei alguns nos jogos disputados no Celtic Park e pareceram-me um grupo de pessoas agradável e amigável.

8. Se pudessem contratar um jogador da nossa equipa, qual escolheriam?

DR: Cardozo.

AP: Antes do fecho do Mercado, teria dito Axel Witsel, confesso. Provavelmente Óscar Cardozo, é um monstro enquanto jogador de área e dominaria se jogasse na Escócia.

JO: Cardozo, mas também poderia dizer Luisão.

9. Quem consideram ser o vosso melhor jogador? E o pior (de entre os que provavelmente serão titulares)?

SMC: Melhor: Mulgrew; Pior: Wilson

JO: Com base na forma actual, diria que Commons ou Wanyama são os melhores, Lustig o mais fraco, mas Matthews jogará provavelmente no seu lugar.

KW: Wanyama e Ledley são os melhores. Os defesas laterais podem ser algo naives e um pouco descuidados, mas é um onze relativamente forte se tudo correr bem.

10. Qual será o onze inicial com que o Celtic vai alinhar contra o SL Benfica?

SMC: Forster; Matthews, Izaguirre, Wilson, Mulgrew; McCourt, Ledley, Brown, Wanyama; Watt, Hooper.

FG: Forster, Izaguirre, Mulgrew, Rogne/Ambrose, Matthews, Commons, Kayal, Ledley, Brown, Hooper, Samaras. O nosso onze pode não ser este, temos jogadores novos que poderão ser titulares.

AP: Gostaria que onze fosse qualquer coisa como isto: Forster; Izzy, Mulgrew, Rogne, Matthews; Ledley, Brown, Commons; Forrest, Hooper, Samaras (4-3-3).

11.Que prognósticos fazem para ambos os jogos contra nós?

DR: Celtic 2-1 Benfica; Benfica 1-0 Celtic

TSL: Celtic 2-1 Benfica; Benfica 0-0 Celtic

JO: Ambas as equipas deverão vencer em casa, mas de forma bastante difícil.