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segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Lei do Mais Forte


Nem sempre brilhante, nem sempre com nota artística, a verdade é que derby é derby e tudo podia acontecer. É chavão mas é verdade. E o Benfica, consciente disso, soube fazer uma exibição realista e adulta, que lhe permitiu uma vitória com relativa facilidade.

Esta equipa, estes jogadores, este grupo transformou-se. O que eram e no que se tornaram... é de facto assombroso. Com todas as dificuldades e vicissitudes desta temporada, o percurso do Benfica é simplesmente brilhante. Não estou entusiasmado pelo facto de podermos ter uma época de sonho. Ou melhor, até estou, mas estou particularmente surpreendido por estarmos onde estamos e podermos ir para onde vamos com todos os obstáculos que esta época teve. É assombroso.

domingo, 7 de abril de 2013

"Isso não!"

Gritou o meu pai quando se apercebeu que Salvio ia rematar a mais de 25 metros da baliza de Bracalli. Eu já estava por tudo. Dali, da pequena área, do meio-campo, queria que o Benfica rematasse. O jogo estava a correr bem, o Benfica estava a fazer um jogo muito consistente e muito tranquilo face à inoperância do Olhanense, mas faltava o golo. Por azar, por falta de jeito, tudo se juntava para não deixar o Benfica tomar vantagem no marcador. A verdade é que Salvio, pela enésima vez esta temporada, desbloqueou o jogo. Isso... sim.

Num campo de futebol ou num batatal, contra um taxi ou defrontando um autocarro de dois andares, o Benfica é, neste momento, a equipa mais forte e mais consistente deste campeonato. E hoje foi também, para surpresa minha, a mais tranquila. Mesmo tendo a gigantesca pressão de ter de ganhar para não deixar escapar os 4 pontos de vantagem para o Porto, o Benfica soube reagir face ao avançar do tempo com a persistência do 0-0 no marcador. O Benfica foi uma equipa tranquila, serena, organizada e que soube manter a cabeça durante aquela hora em que esteve empatado.

Jesus montou a equipa que, a meu ver, mais garantias dava (Maxi na sua posição de origem e, face à ausência de alternativas, Almeida no lugar que seria teoricamente de Luisinho), colocou o melhor quarteto de meio-campo disponível e apostou numa frente de ataque móvel que prometia dar dores de cabeça aos algarvios. Assim foi. Nem sempre com classe, nem sempre num futebol bem jogado (até porque o campo não permitia), mas com muita atitude e tranquilidade, bem diferente do "deixa andar" a que já assistimos em alguns jogos. Hoje sim, foi [mais] uma verdadeira exibição de um candidato ao título.

Restam cinco jogos dos quais apenas precisamos de ganhar quatro. O próximo para o campeonato é precisamente na Luz frente ao eterno rival, agora moralizado com os bons resultados e com um presidente que está a injectar moral e confiança nos adeptos e nos jogadores. Para nós faltam cinco jogos. Para eles só falta um, este mesmo. Muito cuidado com eles.

domingo, 31 de março de 2013

Meio basta, mas meia é bem melhor

Jesus advertiu, com muita razão, que meio a zero bastava para levar de vencida o Rio Ave. Pedia-se pragmatismo, muito concentração e zero facilitismos. Assim foi. O Rio Ave entrou muito bem na partida, com a lição bem estudada, tentando aproveitar o contra-ataque através das investidas de Bebé e Ukra e poderia mesmo ter chegado ao golo não se fosse a concentração dos atletas do Benfica e a sua vontade em resolver o jogo cedo.

Melgarejo, muito bem a atacar mas um autêntico buraco a defender, abriu o marcador por volta dos 10 minutos ao fuzilar autenticamente Oblak. De seguida, Matic aproveita uma falha de marcação num pontapé-de-canto e faz golo num tipo de lance que raramente tem tido sucesso nesta temporada. O Rio Ave mostrou porque se encontra tão bem posicionado na tabela ao criar vários lances de perigo, fossem eles contra-ataques velocíssimos, vários cantos com cabeceamentos que, felizmente, se revelaram infrutíferos, e ao enviar uma bola à barra da baliza de Artur. No entanto, se dúvidas ainda houvesse, Lima tratou de sentenciar a partida minutos antes do intervalo, ao fazer o 3-0 num belo lance de ataque rápido.

A segunda parte iniciou-se como terminou a primeira, com golo (golaço!) de Lima, seguida de um lance de sorte dos vila-condenses, com Hassan a colocar, inadvertidamente, a bola na baliza de Artur. Mesmo não sendo um jogo violento, Rui Costa conseguiu arranjar tempo para expulsar três jogadores e amarelar mais de meia dúzia. Foi apitando faltinhas aqui e ali, deixou outras por marcar, foi esticando a paciência dos adeptos encarnados e conseguiu que os jogadores caíssem na armadilha. Estragou o jogo, é verdade, mas tal não demoveu o Benfica de golear o Rio Ave. Lima, uma vez mais, a completar o hat-trick e Enzo Pérez, que uma vez mais encheu o campo, fizeram o resultado final.

É assim que se resolvem os jogos. Entrar com muita garra e atitude, marcar cedo e depois saber gerir a seu bel-prazer. Pragmatismo também é isto. Com 6 jogos para o fim do campeonato, e com a possibilidade de fazer mais 7 pelas outras provas em que estamos inseridos, é preciso saber descansar em campo com o resultado já feito. Foi o que o Benfica fez hoje. É também assim que se gere um grupo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Receita para a desgraça


Odeio atrasos. A falta de pontualidade é uma coisa que me irrita. Porquê chegar atrasado quando se pode chegar a horas? E porquê chegar propositadamente atrasado? Isso e as desculpas. Também não gosto de desculpas. Foi o trânsito? Saísses de casa mais cedo. Foi a greve de metro? Planeasses outra forma de vir. Não tiveste tempo? Devias ter organizado o teu tempo melhor.

É por isso normal que não tenha gostado do atraso de 45 minutos que o Benfica teve. Enquanto a Académica montava o seu double-decker lá atrás, o Benfica ainda estava nos balneários. E nas bancadas, a apoiar constantemente. Mas os jogadores, esses, ficaram no balneário. Sem vontade, sem querer, sem atitude. O Benfica da primeira parte foi um remate de Enzo, uma cabeçada de Lima e pouco mais. A ausência de Ola John, a falta de inspiração de Salvio, o vedetismo de Rodrigo e a ausência de qualidade de André Almeida explicam em grande parte o que foi o Benfica do primeiro tempo.

E enquanto a segunda parte decorria, já estava a ouvir as desculpas para um desfecho triste que parecia cada vez mais provável à medida que o tempo passava. Era o cansaço do jogo de quinta-feira (apesar de vários jogadores não terem efectuado esse mesmo jogo, mas enfim...), era o árbitro, era o anti-jogo, era o areal em que estava transformado o relvado da Luz, era a falta de sorte, era o azar, era a desinspiração, era isto, era aquilo. E a falta de atitude dos jogadores? Por que raio é que o Benfica se pôs a jeito? Isto era fácil de resolver no início, como quase sempre fazemos na Luz. Para quê viver este risco, para quê estar a jogar à roleta russa com meio revólver carregado? É isto que eu não percebo.

O Benfica, que tem o plantel que se sabe, sem soluções para as laterais e sem backup para o miolo do terreno, arriscou estupidamente hoje. Por falta de atitude. Hoje, juntámos todos os ingredientes para o desastre. Escapámos à bala. Mas ainda lhe tocámos de raspão.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Grandes

O 4-4 foi muito bonito. Houve drama, houve festa, houve duas reviravoltas em meia hora e o coroar de uma equipa fabulosa que nesse mesmo ano nos daria ainda muitas mais alegrias. Mas 0-1 é bem melhor. Com algum sofrimento, é certo, mas com bastante classe e uma maturidade assinalável.

Jesus rodou a equipa e saiu-se bem. Arriscou, é certo, mas os jogadores responderam de forma muito positiva. Matic, Enzo e Almeida, tirando um ou outro lance, fizeram jogos fabulosos. Melgarejo, Garay e novamente Artur também estiveram muito bem. Gaitán, a espaços, e Cardozo, cirúrgico como sempre, também não desapontaram. E mesmo André Gomes, que teve uma exibição infeliz, confirmou a ideia que tinha dele: temos ali jogador. Sim. Um miúdo de 19 anos que joga no meio dos grandes sem medo, sem se encolher e sem fugir às responsabilidades só pode dar jogador.

É uma grande vitória, a segunda do Benfica na Alemanha (ambas na Era Jesus), e que nos coloca com um pé nos oitavos-de-final, onde defrontaremos um adversário mais acessível que este Bayer. Para a semana temos de resolver este duelo com os alemães.

P.S. Uma palavra para os 5 mil adeptos que se deslocaram à Alemanha: fenomenais. À Benfica!

E sem Proenças, a música também é outra.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Sinais

O fantasma de Fevereiro. Foi há precisamente um ano que o Benfica começou a perder o campeonato. Primeiro pela mão do senhor Jesus, que achou boa ideia voltar ao meio-campo suicida em Guimarães, perdendo para o Vitória de Vitória, depois com a ajuda de um jogo miserável onde a mão de Hugo Miguel deu uma ajuda aos estudantes e por fim, para terminar em grande, um verdadeiro clássico do nosso futebol, talvez o maior dos clássicos, Benfica x Porto e Proença, com os memoráveis lances do 2-2 e do 2-3 portista a surgirem a partir de situações irregulares.

Jorge Jesus afirmou que provavelmente teria de sacrificar a Liga Europa para conseguir conquistar o campeonato. Quem não o conhecer que o compre. Chegou à Choupana e poupou Gaitán, Cardozo e Melgarejo. Luisinho assinou uma exibição deplorável, Urreta, surpreendentemente ou talvez não para quem o conhece, esteve muito bem e Rodrigo foi a nulidade do costume. Pior que as poupanças, só a atitude: os jogadores encarnados entraram em campo a dormir. Deve ter sido do jet lag madeirense, porque o motivador implacável, Jorge Jesus, tem os jogadores sempre em alta rotação.

O Benfica habituou-nos a isto. Chegamos a Fevereiro e baqueamos. Pior, mostrámos falta de atitude em campo (entraram a pensar em Leverkusen), falta de pernas também (já agora, vou querer ver o que é que este brilhante acto de gestão que foi vender César e emprestar Nolito nos vai custar) e falta de controlo emocional (Cardozo, tudo bem que o Proença é filho dessa senhora, mas não o podes agarrar, não é?). E no final da época estamos todos a carpir mágoas e a ver o Porto aproximar-se dos nossos 32 títulos. Mas a culpa é exclusivamente dos árbitros e temos de apoiá-los inequivocamente, a eles e a quem os apoia desse mesmo modo.

E se o jogo foi aquilo que vimos, o que dizer da flash interview? Inenarrável. Basicamente, depois de tudo o que vimos em campo, Jesus foi absolutamente incapaz de reconhecer que o Benfica esteve mal. Das duas uma: ou temos um treinador gabarola que acredita mesmo que o Benfica joga bem quando joga mal ou estamos perante um caso, não inédito na nossa história, de alguém que já tem poiso para trabalhar em 2013/2014, não na Luz, mas aí a uns 300 quilómetros de Lisboa. Ou as duas. Se calhar é mesmo isso.

E o Grande Líder? O homem que vetou Proença? Vai ficar calado depois do espectáculo do brilhantina? Já me esquecia, ele apoia inequivocamente isto. Apoia esta gente. Porque ele também faz parte "desta gente". E lembra-te, vendedor de sonhos e de pneus, de te fingires indignado quando o Proença for nomeado para o Dragão na 29ª jornada.


O Porto, a avaliar pelo site da Liga, conseguiu mais uma vitória confortável e leva já dois pontos de avanço sobre o Benfica. Aguardemos, irmãos, para que o velho sifilítico se manifeste contra mais este escândalo. Valha-nos isso. Ah, e o Sporting. Só de pensar que fui criticado por considerar, no início da época, que o Sporting não ia lutar pelo título...

P.S. Não liguem a este abutre à procura de espaço e de atenção. O Benfica está no trilho do sucesso. E os últimos campeonatos ganhos atestam isso mesmo.

domingo, 11 de novembro de 2012

No Rio, manda a ave

Diz-se que a velocidade é uma condição necessária para vencer no futebol moderno. Talvez de todas as velocidades, a menos importante seja a que diz respeito à correria. É, a meu ver, mais importante executar depressa que correr depressa. Mas neste Benfica, correr depressa, ainda que mal, é o mais importante. A velocidade furiosa que o Benfica imprime nos seus jogos é impar no futebol português, mas nem sempre (quase nunca, até) é adequada. E hoje podia ter-nos custado pontos.

O Rio Ave justificou em campo o porquê da sua classificação na Liga. Não sendo uma equipa com grandes capacidades físicas nem técnicas, a sua organização e o perigo com que chegam à baliza explicam o 4º lugar na prova. Mas as dificuldades que criou ao Benfica foram, em boa parte, mais concedidas e facilitadas por nós que de mérito próprio dos vila-condenses. O Benfica voltou a dar muitos espaços a defender, a sair com dois e três jogadores ao portador da bola, e perdeu sistematicamente a luta no meio-campo, onde um esforço hercúleo de Matic, sobretudo após a saída de Enzo por lesão, evitou que houvesse mais trabalho por parte dos defesas. Ainda assim, os sobressaltos e a quantidade de vezes em que o Benfica foi posto em sentido foram excessivas. André Almeida fez uma exibição terrível, por oposição ao enorme jogo feito pelos centrais e, claro, por Artur. No ataque, entre o azar de Cardozo e a desinspiração de Salvio, sobraram a energia e desequilíbrio de Ola John, o melhor em campo, na minha opinião, e a letalidade de Lima, que deu mais dois pontos ao Benfica em jogos fora.

Velhos vícios, os mesmos erros, mas, mais importante que isso, três pontos. E de três em três pontos se fazem os campeões. Preocupa-me o facto de o Benfica cometer demasiados erros, sobretudo defensivos, em campo, mas fico naturalmente contente com as vitórias. É, no entanto, necessário apontar estes erros, pois a sorte não dura sempre, ou se preferirem, mais cedo ou mais tarde estes erros poderão ter consequências nefastas (como tiveram no ano passado, por exemplo). Corrijam os erros e continuem a ganhar. Até porque mesmo enfraquecidos no meio-campo, os nossos rivais não são mais fortes do que nós.

domingo, 7 de outubro de 2012

Feira de Vaidades

Aqui me penitencio por me ter exaltado com as declarações de Bruno César, aqui há coisa de um ano, quando disse que o Benfica seria uma ponte aérea para a Europa. Quem fala verdade não merece castigo. E aquilo que vi hoje na Luz foi, evidente e efectivamente, uma feira de vaidades. Um grupo de jogadores mimados que estiveram a mostrar-se à Europa, cada um a puxar para seu lado, sem qualquer sentido de colectivo. Felizmente do outro lado estava o Borussia de Aveiro, equipa que tem zero de futebol nos pés (apesar do jeito para o teatro, refira-se), pelo que a brincadeira com que os jogadores do Benfica presentearam os menos de 30 mil no Estádio da Luz não teve consequências de maior. Liderança isolada, pelo menos até amanhã, mas a continuar assim será a termo. É preciso ter equipa. O Benfica teve onze jogadores em campo, mas esteve muito longe de ter lá uma equipa. Há muito caminho para percorrer e infelizmente estamos a percorrer o caminho errado. Não é por aí, Benfica.

Vou contar-vos uma não-novidade: tacticamente, este Benfica é dos piores que já vi. Tanto no plano defensivo como ofensivo é de ir às lágrimas. A defender, a equipa limita-se a correr à maluca atrás dos adversários, sem qualquer critério nem inteligência, abrindo espaços por tudo o que é sítio. Do ponto de vista ofensivo é este "meio-campo aluga-se" que se vê na imagem: três atrás (geralmente os dois centrais e Matic), um médio perdido no meio (costuma ser Enzo, mas neste caso é Matic) e o resto lá à frente, sem linhas de passe. Os extremos são pontas-de-lança e os laterais são extremos. Onde é que isto é de um Mestre da Táctica? Ainda há uns dias vi o Barça a jogar na Luz com os laterais na lateral e com a bola a circular essencialmente pelo centro do terreno. Gente estranha...

Do outro lado, Rui Costa (o árbitro) e Ulisses "os sócios sabem o valor do Rego" Morais reeditaram uma dupla que em 2005 deu água pela barba ao Benfica de Koeman, quando o seu Gil Vicente derrotou os encarnados na Luz por 0-2. À semelhança do que se passou há sete anos, os comandados de Ulisses marcaram o primeiro golo da partida e os jogadores começaram a simular lesões na esperança de ganharem tempo (um clássico deste Ulisses), mas a Odisseia dos aveirenses na Luz durou pouco mais de 45 minutos, apesar da exibição miserável do Benfica (talvez porque este Beira-Mar seja também das equipas mais medíocres da nossa Liga). Maxi e Rodrigo, o segundo após grande passe de Lima, mataram o jogo num minuto.

Mas que isto não sirva para apagar o que se passou na Luz. Se no caso de alguns jogadores não há melhores exibições porque simplesmente não sabem muito mais do que aquilo que mostraram hoje (como Jardel, numa exibição de péssimo nível, ou Matic, que voltou a perder quase todos os lances de cabeça disputados), outros casos há em que os atletas estiveram numa toada de individualismo e/ou show off inadmissíveis: casos de Maxi (!), Salvio, Gaitán e, sobretudo, Rodrigo. Insuportável, inadmissível. O Benfica não é uma montra, o Benfica não é um stand e o Benfica não deveria ser este circo, esta feira de vaidades.

(Jorge Jesus quando o Benfica está a perder (esq.) e quando está a ganhar (dir.))

E falta aqui o maior dos patetas, o senhor Jesus. O Jorge é um idiota. E o mal deste mundo, citando Bertrand Russell (Gaspar, eu acerto no nome, nem preciso de ir ver ao Google) é que os idiotas estão cheios de certezas e os génios cheios de dúvidas. E ouvir o Jorge falar nas conferências de imprensa, com toda aquela sua arrogância e prepotência, próprias de um incompetente analfabeto novo-rico, é a confirmação de que Russell estava certo. O homem queixa-se do cansaço dos seus jogadores mas demora 75 minutos para fazer uma substituição. Quando está a perder é um cachorrinho amedrontado, junto ao banco de suplentes, pouco interventivo e muito calado, transformando-se num caniche raivoso quando a equipa se apanha na frente do marcador, insultando Lima por ser, imaginem, egoísta na altura da finalização (quem é que deu o golo a Rodrigo?!) e tratando Raul José e Carraça abaixo de cães. E por fim, o Jorge ainda passou a mão pelo pelo aos No Name, numa atitude que cheira a medo depois do descontentamento que houve há uns dias atrás, numa quinta-feira qualquer. Voltou, claro, a fazer referências ao magnífico público do Celtic. Jorge, dou-te duas dicas: ou falas com quem tem paga 7,64€ por minuto para baixar os preços dos bilhetes dos jogos ou então mudas-te em definitivo para a Escócia. Ou mesmo para o Blackburn (desculpa lá, Nuno), que, segundo o Jorge, tem um orçamento maior que o do Benfica. Era um favor que me/nos fazias. Para concluir uma conferência de imprensa tenebrosa, ainda se sai com um "cinco pontos de vantagem [sobre o Sporting] não são nada". Rings any bells?

P.S. Espero que a Liga tenha em atenção a atitude do jogador Jonas Mendes, guarda-redes suplente do Beira-Mar, que durante o jogo teve duas atitudes anti-desportivas inaceitáveis: num contra-ataque lançado por Enzo Pérez pela esquerda, à passagem do minuto 67, tenta agredi-lo com uma garrafa de água. Mais tarde, nos últimos dez minutos, atira uma bola com violência a um apanha bolas que não tinha mais que dez anos.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Cumpriu-se a tradição

A tradição ainda é o que era. O Benfica perdeu uma vez mais com uma equipa espanhola, averbando o décimo terceiro jogo consecutivo sem conhecer o sabor da vitória em jogos oficiais frente a uma equipa do país vizinho (o último triunfo remonta a 1982, contra o Bétis). Desta vez, sem surpresas, o Barça venceu na Luz num jogo em que, diga-se, pouco mais o Benfica poderia fazer.

O futebol do Barcelona é aquilo. Passe e recepção, os dois princípios básicos do futebol, levados ao extremo, que resultam numa posse de bola assustadoramente elevada. Pouco ou nada há a fazer perante isto. O Barça com que jogámos hoje é a equipa que vulgarizou o Real em Madrid na segunda parte da segunda mão da Supercopa Española, mesmo com uma unidade a menos. É a equipa mais dominadora do futebol mundial actualmente e, possivelmente, de toda a História. E frente a este Barça, diga-se que o Benfica foi um justo e digno, sublinhando o digno, vencido. Apesar da derrota, não há nada que se possa apontar à equipa ou ao treinador. Jesus abdicou dos princípios loucos pelos quais rege o futebol encarnado, adoptando uma mentalidade cautelosa e de contenção por oposição à pressão desenfreada que exerce quando não tem a bola. Os jogadores cumpriram o que o treinador mandou e defenderam não só com o autocarro mas com um bom autocarro. Isto leva-me a pensar que se Jesus quisesse (e bastava querer), o Benfica sofreria muito menos golos na Liga. Os erros defensivos que houve foram meramente ocasionais, como as vezes em que Salvio e Maxi ficaram a olhar para o portador da bola em vez de um deles seguir o adversário que se escapava nas costas ou a decisão intempestiva de Matic sair a pressionar Messi com a bola, num lance que acabou por resultar no golo do Barça.

Não posso dizer que estou contente com a derrota. Uma derrota é uma derrota. Mas pela forma como ocorreu e pela forma como não ocorreu/como poderia ter acontecido, creio que o Benfica esteve surpreendentemente bem. Não foi uma grande exibição, foi a exibição possível. O Benfica não fez mais porque não sabe nem pode. O Barça não deixa. Não deixa o Benfica, não deixa o Manchester na final da Champions, não deixa o Real no Bernabéu, etc.

Por fim, um tema um pouco extra-jogo e extra-futebol: não consigo compreender os benfiquistas que vão à Luz propositadamente para ver o Barça. Isto não se trata de uma exibição de benfiquismo fanático e autista da minha parte, mas queria mesmo tentar perceber este fenómeno. Tudo bem que existe a crise financeira, que o Gaspar se prepara para falar aos portugueses dentro de horas, que as pessoas têm de racionalizar os gastos e que preferem, naturalmente, ir a um Benfica x Barcelona que a um Benfica x Beira-Mar. Mas para mim, sempre que na Luz entra o Benfica e outra equipa qualquer (e para mim são mesmo, todas, "outra equipa qualquer"), eu quero que o Benfica ganhe e vou lá sempre, mas sempre por causa do Benfica. Se há um Benfica x Rio Tinto, eu vou pelo Benfica. Se há um Benfica x Manchester, eu estou lá com o mesmo entusiasmo com que estou no jogo com o Rio Tinto. Por isso custa-me (e se calhar custa-me porque não percebo mesmo) como é que há gente que vai lá "pelo Barça" sic. Ainda por cima com cachecóis e camisolas dos culés. De um clube de uma região que recebe mal os portugueses, que nos insulta, coage e inveja (por sermos independentes de Espanha, algo que ambicionam mas não conseguem). Nem vou pelo facto de ter um conjunto de fiteiros e maus carácteres como Busquets e outros que por lá andam, disso existe em todo o lado, ou pelo "proteccionismo", chamemos-lhe assim, exagerado que existe à volta dos jogadores (bastou ver que qualquer toque em Messi era merecedor de advertência verbal ou disciplinar por parte do árbitro). Exceptuando o futebol praticado, o melhor que já vi em todos estes anos, o Barcelona possuiu todo um conjunto de características que não suporto, daí não compreender quem vai à Luz, repito, à Luz, "pelo Barça".

sábado, 29 de setembro de 2012

Dois pés de laranja lima

Depois dos pontos deixados em Coimbra, uma deslocação a um terreno complicado mas que até nos tem sido querido nos últimos anos. Em Paços de Ferreira, o Benfica entrava em campo sabendo que qualquer resultado que não a vitória deixaria, à partida, os encarnados a uma distância de dois jogos da liderança do campeonato. Era imperativo vencer para não perder o fugitivo na tabela classificativa.

Num jogo que se esperava de alguma tensão especialmente para o Benfica, as duas equipas entraram muito bem em campo procurando o ataque. Mas por pouco tempo. Corte de electricidade no estádio e aparentemente em boa parte da cidade levou a uma interrupção de dez minutos à qual o Benfica não reagiu bem: no reatar do encontro, uma triangulação entre um ex-jogador da nossa formação (Diogo Figueiras) e Hurtado permitiu ao português cruzar para Cícero fazer o 1-0. O pesadelo de Coimbra ameaçava mudar-se para a capital do móvel, mas a águia não se eclipsou. Fruto de uma desatenção de Cássio após cruzamento de Enzo, Lima, à ponta-de-lança, aproveitou oportunamente o lance para, de pé esquerdo, reestabelecer o empate.

Na segunda parte Gaitán rendeu um desinspirado Nolito e trouxe uma dinâmica completamente diferente ao ataque encarnado. As oportunidades e os falhanços sucediam-se em catadupa: Gaitán ia sendo presentado com mais uma intervenção desastrosa de Cássio, Enzo falhou na cara do brasileiro depois de isolado por Rodrigo, mas Lima, uma vez mais, agora de pé direito e depois de uma entrada destemida de carrinho de Maxi no meio de três "amarelos", desfizesse a igualdade, colocando o Benfica na liderança do jogo e provisoriamente na do campeonato também. Depois, nos vinte minutos finais, mais um festim de golos falhados: Lima, por duas, vezes, Gaitán mais uma e Salvio também podiam ter colocado uma vantagem mais confortável no resultado e o ponto final no jogo. Como quem não marca arrisca-se a sofrer, o Benfica acabou o jogo com o credo na boa, fruto das iniciativas de Caetano, e de dois remates bem perigosos já para lá dos 90 minutos, que Artur soube resolver muito bem.

Marco Ferreira esteve bem no critério técnico dentro da área (cinco hipotéticas situações para grande penalidade mas nenhuma assinalada, e bem) mas desastroso fora dela, com o Benfica a ser prejudicado com faltas e faltinhas inexistentes a meio-campo. No final, 3 pontos e a liderança provisória do campeonato. Mais que a vitória, o nosso clube ganhou um ponta-de-lança e confirmou a qualidade de Enzo. Falta ainda limar algumas arestas: Matic e Melgarejo continuam a parecer inadaptados a esta equipa, autênticos corpos estranhos. A rever.

domingo, 23 de setembro de 2012

Benfica volta a chumbar em Coimbra

O mau aluno não aprende a lição. O Benfica chumbou pelo segundo ano consecutivo em Coimbra num jogo que teve inúmeras semelhanças com o do ano passado. Incompetência própria, azar à mistura, árbitro com a lição estudada e zero de fio de jogo. É confrangedor ver este Benfica. Mais confrangedor é ver que as pessoas estão satisfeitas com tudo o que há no clube, desde o futebol jogado, passando pela política de contratações e acabando em quem dirige a equipa em campo e fora dele.

O Benfica da primeira parte criou três oportunidades de golo e nessas três a bola foi ao poste. De resto, o que há a dizer? Não há ideias de jogo, não há fio de jogo. Há sim muita fé em Salvio, Maxi e em Melgarejo para que arranquem pelo flanco e tirem um cruzamento que Cardozo ou Rodrigo transformem em golo. Isto é futebol? É para isto que Jorge Jesus treina e é pago pelo Benfica? Não há ali nada. Quando o Benfica joga fora de casa é sempre isto que acontece. Uma sofreguidão desnecessária, uma exposição constante ao risco e a ausência de plano de jogo. Individualmente, Bruno César e Melgarejo apresentaram-se a um nível medonho, absolutamente intolerável. Incapazes de levar a equipa para o ataque, inúmeros passes falhados, más recepções de bola e péssimas decisões. Matic deve ser o jogador com mais de 1,90 metros que mais lances de cabeça perde, sejam ofensivos ou defensivos, em todos os campeonatos europeus. Cardozo voltou a ser Dr. Hyde. Enfim, desinspiração individual e ausência de sentido colectivo a mais para quem quer ser campeão. E muita falta de qualidade também.

No segundo tempo, com a expulsão de Rodrigo Galo, o Benfica teve praticamente 45 minutos com mais um elemento. Aí sim, conseguiu criar mais jogo ofensivo, mas quantidade não é sinónimo de qualidade. A Académica fechou-se e o Benfica achou que só pelas alas é que seria possível encontrar o caminho do golo. Errado. O destino das jogadas do Benfica era invariavelmente o mesmo, o cruzamento para dentro da grande área. Sabendo disto, a Académica fechou-se dentro da própria área e só teve de cortar de cabeça as investidas. Fácil. Não é preciso que Pedro Emanuel seja um mestre da táctica para perceber isto.

Falta Xistra, o grande artista. Não me vou alongar sobre o carácter desse quadrúpede, já todos conhecemos a peça e deveríamos esperar o que aconteceu. Errou clara e propositadamente nos dois penalties da Académica (o primeiro é efectivamente falta mas fora da área, no segundo não há infracção), errou também no do Benfica se a bola bate no braço direito de Rodrigo Galo (assim parece) e a sua equipa conseguiu deixar escapar um fora-de-jogo flagrante de pelo menos três metros. Quem não o conhece, que o compre. Quem o conhece, que lhe dê um daqueles enxertos de criar bicho. Ou então não, se calhar é melhor continuar a manifestar o "apoio inequívoco" que Vieira demonstrou a Fernando Gomes. Não há vergonha na cara dos nossos dirigentes nem na de quem apita jogos.

O Benfica perdeu dois pontos em Coimbra porque foi incompetente e porque não deixaram o nosso clube ganhar. Simples. E curiosamente existe um factor comum a ambos: o mesmo homem que delapidou desportivamente a equipa apoia também o presidente da Federação, responsável pelas questões de arbitragem. Depois acham estranho que coisas destas aconteçam. Olhem... paciência.

P.S. O inaugurador oficial das Casas (ainda ontem foi mais uma, em Aveiras), este ausente do jogo de Coimbra por "motivos de saúde". Folgo em saber que para as Casas (20 votos cada) estava fresco que nem uma alface.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Fraquinho

Exibição cinzenta e tristonha do Benfica em Celtic Park. Frente a um Celtic bastante incapaz e ineficiente, o Benfica cedeu boa parte da iniciativa de jogo aos escoceses e acomodou-se ao resultado com o passar dos minutos, apesar de até ter disposto de mais e melhores ocasiões. O 0-0 acaba por ser justo e revelador do que se passou em campo: poucas ideias, poucas iniciativas e pouca intensidade de parte a parte. Se é verdade que este é o melhor resultado do Benfica na condição de visitante contra o Celtic, não é menos verdade que esta é também uma das equipas mais fracas que defrontámos de toda a história dos verde-e-brancos.

Jesus inventou e dentro das possibilidades nem correu nada mal. André Almeida no lugar que seria de Miguel Vítor, apesar de uma ou outra desconcentração e do muito espaço que deu para cruzamentos, foi uma agradável surpresa. Sereno, tranquilo no toque de bola, até tirou bons cruzamentos, rubricando uma exibição discreta mas cumpridora, ao contrário do que se passou do outro lado do terreno, onde Melgarejo foi feito gato-sapato pelos jogadores escoceses. Jardel também esteve em bom plano, o estilo de jogo do adversário favoreceu-o claramente, apesar de quando chamado ao corredor lateral para dobrar André Almeida ter falhado. Garay brilhou, esteve a grande nível. No meio-campo, Matic esteve demasiado macio, ele que até costuma abusar da agressividade no corpo a corpo, mas ainda assim, apesar de discreto, esteve bem, tal como Enzo, a seu lado, concentrado a defender e criativo a atacar, mostrando ser a opção mais válida do plantel para aquela posição. Daí para a frente... é melhor nem comentar. Salvio completamente desastrado, Aimar inexistente, Gaitán a jogar sozinho e Rodrigo sem se deslocar o suficiente do espaço dos centrais.

O Benfica soube gerir o jogo tranquilamente, não deixou o Celtic criar grandes ocasiões, esteve bastante tempo atrás da linha da bola mas sem grande sofrimento. Daquele Celtic parecia não vir perigo. E não veio, aplicando-se o mesmo ao Benfica. Apesar da quebra física nos minutos finais, o Benfica soube fechar linhas e baixar no terreno, mexendo na frente de ataque para refrescar jogadores na esperança que trouxessem mais energia ao ataque. Apesar de esforçados, Bruno César e Nolito não foram capazes de trazer algo de novo.

A questão que se coloca é se o resultado foi bom ou mau. E, sinceramente, só em Dezembro poderemos responder a essa dúvida. Empatar fora de casa coloca pressão num dos adversários na luta pelo segundo lugar, mas como vimos no passado, nomeadamente com o que aconteceu em Kobenhavn em 2006/2007, empatar com a equipa do pote 4 e mais fraca do grupo quando se podia ganhar o jogo pode não ser nem bom nem suficiente. Em Dezembro saberemos. Até lá resta ganhar aos rivais directos em casa e conseguir pontos em Moscovo. Deverá chegar. Mas...