Aqui me penitencio por me ter exaltado com as declarações de Bruno César, aqui há coisa de um ano, quando disse que o Benfica seria uma ponte aérea para a Europa. Quem fala verdade não merece castigo. E aquilo que vi hoje na Luz foi, evidente e efectivamente, uma feira de vaidades. Um grupo de jogadores mimados que estiveram a mostrar-se à Europa, cada um a puxar para seu lado, sem qualquer sentido de colectivo. Felizmente do outro lado estava o Borussia de Aveiro, equipa que tem zero de futebol nos pés (apesar do jeito para o teatro, refira-se), pelo que a brincadeira com que os jogadores do Benfica presentearam os menos de 30 mil no Estádio da Luz não teve consequências de maior. Liderança isolada, pelo menos até amanhã, mas a continuar assim será a termo. É preciso ter equipa. O Benfica teve onze jogadores em campo, mas esteve muito longe de ter lá uma equipa. Há muito caminho para percorrer e infelizmente estamos a percorrer o caminho errado. Não é por aí, Benfica.

Vou contar-vos uma não-novidade: tacticamente, este Benfica é dos piores que já vi. Tanto no plano defensivo como ofensivo é de ir às lágrimas. A defender, a equipa limita-se a correr à maluca atrás dos adversários, sem qualquer critério nem inteligência, abrindo espaços por tudo o que é sítio. Do ponto de vista ofensivo é este "meio-campo aluga-se" que se vê na imagem: três atrás (geralmente os dois centrais e Matic), um médio perdido no meio (costuma ser Enzo, mas neste caso é Matic) e o resto lá à frente, sem linhas de passe. Os extremos são pontas-de-lança e os laterais são extremos. Onde é que isto é de um Mestre da Táctica? Ainda há uns dias vi o Barça a jogar na Luz com os laterais na lateral e
com a bola a circular essencialmente pelo centro do terreno. Gente
estranha...
Do outro lado, Rui Costa (o árbitro) e Ulisses "os sócios sabem o valor do Rego" Morais reeditaram uma dupla que em 2005 deu água pela barba ao Benfica de Koeman, quando o seu Gil Vicente derrotou os encarnados na Luz por 0-2. À semelhança do que se passou há sete anos, os comandados de Ulisses marcaram o primeiro golo da partida e os jogadores começaram a simular lesões na esperança de ganharem tempo (um clássico deste Ulisses), mas a Odisseia dos aveirenses na Luz durou pouco mais de 45 minutos, apesar da exibição miserável do Benfica (talvez porque este Beira-Mar seja também das equipas mais medíocres da nossa Liga). Maxi e Rodrigo, o segundo após grande passe de Lima, mataram o jogo num minuto.
Mas que isto não sirva para apagar o que se passou na Luz. Se no caso de alguns jogadores não há melhores exibições porque simplesmente não sabem muito mais do que aquilo que mostraram hoje (como Jardel, numa exibição de péssimo nível, ou Matic, que voltou a perder quase todos os lances de cabeça disputados), outros casos há em que os atletas estiveram numa toada de individualismo e/ou show off inadmissíveis: casos de Maxi (!), Salvio, Gaitán e, sobretudo, Rodrigo. Insuportável, inadmissível. O Benfica não é uma montra, o Benfica não é um stand e o Benfica não deveria ser este circo, esta feira de vaidades.
(Jorge Jesus quando o Benfica está a perder (esq.) e quando está a ganhar (dir.))
E falta aqui o maior dos patetas, o senhor Jesus. O Jorge é um idiota. E o mal deste mundo, citando Bertrand Russell (Gaspar, eu acerto no nome, nem preciso de ir ver ao Google) é que os idiotas estão cheios de certezas e os génios cheios de dúvidas. E ouvir o Jorge falar nas conferências de imprensa, com toda aquela sua arrogância e prepotência, próprias de um incompetente analfabeto novo-rico, é a confirmação de que Russell estava certo. O homem queixa-se do cansaço dos seus jogadores mas demora 75 minutos para fazer uma substituição. Quando está a perder é um cachorrinho amedrontado, junto ao banco de suplentes, pouco interventivo e muito calado, transformando-se num caniche raivoso quando a equipa se apanha na frente do marcador, insultando Lima por ser, imaginem, egoísta na altura da finalização (quem é que deu o golo a Rodrigo?!) e tratando Raul José e Carraça abaixo de cães. E por fim, o Jorge ainda passou a mão pelo pelo aos No Name, numa atitude que cheira a medo depois do descontentamento que houve há uns dias atrás, numa quinta-feira qualquer. Voltou, claro, a fazer referências ao magnífico público do Celtic. Jorge, dou-te duas dicas: ou falas com quem tem paga 7,64€ por minuto para baixar os preços dos bilhetes dos jogos ou então mudas-te em definitivo para a Escócia. Ou mesmo para o Blackburn (desculpa lá, Nuno), que, segundo o Jorge, tem um orçamento maior que o do Benfica. Era um favor que me/nos fazias. Para concluir uma conferência de imprensa tenebrosa, ainda se sai com um "cinco pontos de vantagem [sobre o Sporting] não são nada". Rings any
bells?
P.S. Espero que a Liga tenha em atenção a atitude do jogador Jonas Mendes, guarda-redes suplente do Beira-Mar, que durante o jogo teve duas atitudes anti-desportivas inaceitáveis: num contra-ataque lançado por Enzo Pérez pela esquerda, à passagem do minuto 67, tenta agredi-lo com uma garrafa de água. Mais tarde, nos últimos dez minutos, atira uma bola com violência a um apanha bolas que não tinha mais que dez anos.