quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Dilúvio

Nem de propósito, no dia em que escrevi sobre a parca utilização de Moreira e Miguel Vítor, nem um nem outro constituíram opção para Jesus num jogo em que a sua utilização seria talvez aconselhável. Numa competição que não é, nem de perto nem de longe, o grande objectivo do Benfica, Jesus não poupou muita gente, alinhando com um onze onde se apresentavam seis habituais titulares, três suplentes bastante utilizados, um júnior e um reforço. Por muitas especulações que se fizessem sobre a possibilidade deste novo Benfica jogar bem ou mal, nenhuma delas pôde ser provada. Porquê? O miserável estado do terreno, devido às péssimas condições climatéricas que se verificam em Portugal, não deixou ver bom futebol.

É sempre difícil jogar em Guimarães. É praticamente impossível jogar em Guimarães com aquele relvado. Não serve de desculpa, mas é verdade, e o Benfica devia ter-se apercebido disso mais cedo. O Vitória foi mais inteligente e a explorar o terreno, fazendo uma 1ª parte de bom nível, sendo que o Benfica teve, essencialmente pela sua ala esquerda, as maiores ocasiões de perigo para a baliza de Serginho. Num jogo com pouca história onde reinou o pontapé para a frente, foi preciso esperar pelo segundo tempo para vermos alguns lances de perigo, mas nunca bom futebol.

No segundo tempo foram lançados de imediato Cardozo para a posição de Nuno Gomes e Javi Garcia para o lugar de Aimar. O Benfica ganhou assim o que precisava para o lamaçal: força. O jogo ficou mais equilibrado mas acabou por ser o Vitória a chegar primeiro ao golo, num lance em que Luisão falha o cabeceamento e depois Maxi Pereira acaba por assistir, involuntariamente, o avançado vimarenense, que faz o primeiro golo. A partir daí foi o Benfica a atacar mais mas com o Vitória a ser mais perigoso: primeiro num cruzamento-remate de Jorge Gonçalves que atraiçoa Júlio César, depois numa defesa monstruosa do guardião brasileiro, uma das melhores que me lembro ver de um keeper do SLB, ele que já antes tinha defendido uma bomba de Custódio.

Entretanto, no exacto momento em que os comentadores da SIC assinavam a sentença de morte do Benfica, Fábio Coentrão deixa o aviso, atirando à trave de Serginho, num lance em que o português aparece isolado. Algumas substituições pelo meio arrefeceram o jogo, mas o golo do Benfica acabaria mesmo por surgir num lance em que há fora-de-jogo posicional de dois jogadores encarnados que acabam por não intervir no lance, sobrando para Coentrão que, isolado, desta vez não falha. Estava feito o empate, merecido.

Curiosamente foi o Vitória a tomar a iniciativa depois do golo mas o Benfica criou muito mais perigo: primeiro por Maxi Pereira que não conseguiu ser feliz num jogo para esquecer, não por culpa própria mas pelo muito azar que teve; depois foi Cardozo, que mesmo onde parace não haver perigo, consegue cria-lo, à lei da bomba, num remate fortíssimo. Até final, o árbitro Carlos Xistra, que esteve em bom plano, anulou um golo ao Vitória por falta clara de Roberto sobre Júlio César, que colocou a mão direita sobre o braço esquerdo do guardião, impedindo-o de agarrar a bola.

O empate deixa o Benfica dependente de uma vitória para seguir em frente na competição. Se o conseguir está nas meias-finais. Se empatar na próxima jornada em Vila do Conde, ficará atrás do Rio Ave, pois apesar dos pontos serem os mesmo, assim como a diferença de golos, o Rio Ave tem mais golos marcados (3 contra 2). No entanto, e se os astros se conjugarem, o Benfica também poderá passar com um empate se o segundo classificado dos outros grupos não for melhor que nós. Mas para evitar estas contas, ganha-se.

5 comentários:

DeVante disse...

Fosse Moreira a defender a nossa baliza, seria quase certo o reviver daquilo que aconteceu na Luz para a Taça...
Moreira esteve SEMPRE nos piores momentos. Esteve na nossa primeira derrota na época passada, esteve na derrota no Restelo que, ainda bem, lhe valeu o banco e nos permitiu chegar a tempo ao último título e, este ano esteve na nossa eliminação da Taça de Portugal.
Ah, esteve também, no ano passado na nossa eliminação da Taça frente aos lagartos...aquele golo que sofreu do Liedson e aquele "salto" que esboçou não lembra ao diabo.
É o PIOR Guarda Redes do plantel...

JNF disse...

DeVante,

1 - esteve na primeira derrota na Liga, efectivamente esteve, mas antes disso, Quim já tinha estado com o Galatasaray e o com Olympiakos.

2 - Na derrota no Restelo foi tão só o melhor em campo pelo Benfica, teve nota 6, n'Abola e evitou muitos outros golos numa defesa que tinha João Pereira, Amoreirinha, Argel e Fyssas, esses colossos.

3 - No ano passado não fomos eliminados da Taça pelo Sporting. No ano antes desse é que fomos, tendo o Quim ido buscar a bola ao fundo das redes por 5 vezes em menos de meia hora.

4 - Na época passada, que pelos vistos gostaste para usar a comparação entre os dois GR, devo lembrar-te que Moreira sofreu 14 golos em 15 jogos oficiais, enquanto Quim sofreu 32 em 23 jogos.

Jotas disse...

um jogo de lotaria num relvado demasiado encharcado em que a bola pouco rolava, adaptou-se melhor o Guimarães ao campo, num jogo que prometia bom futebol noutras condições, num entanto, houve um tremendo empenho em ambos os conjuntos. O Benfica optou por usar um misto de suplentes e titulares, o que na minha perspectiva era escusado, a prioridade é o jogo de Domingo na Madeira e eu se pudesse escolher entre uma derrota neste jogo e uma vitória na Madeira, obviamente a minha decisão estaria tomada.

JS disse...

Não acho que o Maxi seja azar, já são muitas para ser azar.

Ontem foi no golo e pouco depois ia fazendo o mesmo. Em Vila do Conde, poderíamos ficar a perder por erro dele. Em Olhão, um toque sem convicção isolou o autor do 1º golo.

É normal estes erros de vez em quando, mas na última série de jogos, o Maxi tem estado mal. O Benfica precisa, sem dúvida, de dois bons laterais para o próximo ano.

JNF disse...

Na minha opinião este foi mero azar, mas o de Vila do Conde foi efectivamente uma paragem cerebral. Em Olhão não conseguiu simplesmente chegar à bola.