segunda-feira, 8 de março de 2010

15 minutos à Benfica...

Foram 15 minutos de fazer corar Eusébio e companhia. O Benfica entrou no jogo com o pensamento no primeiro lugar e em praticamente 15 minutos arrumou a questão. Depois do empate do Braga no dia anterior, a vitória deixava o Benfica isolado na frente com mais 3 pontos que os bracarenses. Numa equipa com um meio-campo praticamente de recurso, face às ausências de Javi Garcia, Ramires e Aimar, foram precisamente os seus substitutos a rubricarem exibições magistrais: Rúben Amorim foi enorme, o melhor em campo, claramente; Carlos Martins está com a corda toda; Airton parece ter 30 anos e uma carreira recheada de experiência, penso que ninguém diria que tem apenas 19 anos e acabou de chegar ao clube. Quando os habituais suplentes são desta qualidade, a equipa tem todas as condições para chegar mais longe. A alegria está na Luz.

O Benfica, como disse, entrou de rompante no jogo, disposto a cortar pela raiz todos os problemas que a equipa de capital do móvel poderia criar, nomeadamente aquele problema que o seu treinador é perito: simulação de lesões. Até ao primeiro golo encarnado, aos 13
minutos, já por duas vezes tinha havido teatro. Mas quando a qualidade do espectáculo e dos executantes é aquela que se viu, não há hipóteses.

Logo aos 13 minutos, dizia, Rúben Amorim conclui de cabeça após assistência de Cardozo, aproveitando a saída extemporânea do guarda-redes Coelho. Quatro minutos mais tarde, Saviola faz gato-sapato do defesa pacense (o mesmo que anos antes tinha levado um Cuppino de Miccoli) e cara-a-cara com o guarda-redes Coelho, foi El Conejo do Benfica quem levou a melhor, fuzilando as redes. Quem entra em campo desta maneira, marcando dois golos após umas boas 3 oportunidades de perigo, é melhor. E isto vê-se não de hoje, não de ontem, mas desde a primeira jornada. E isso é o mais impressionante.

Di Maria insistia em espalhar o terror na defesa amarela. O caos era total. Manuel José, defesa direito que teve a ingrata tarefa de marcar o argentino, saiu à passagem da meia-hora com insuficiência renal. Amorim estava em grande do lado direito. Maxi também estava com a corda toda. Coentrão era uma seta apontada ao terço final do meio-campo pacense. Martins, ora com força, ora com classe, desbaratava o meio-campo adversário, cobria a bola e endossava-a com categoria. Cardozo tratou de me dar razão no meu último post. O Benfica jogava rápido, bonito e eficaz.


Foi uma primeira parte brilhante, manchada no entanto pelo golo desnecessariamente sofrido: numa jogada em que David Luiz resolveu fazer turismo ao meio-campo, deixando a defesa a descoberto, Maykon, com o seu pé esquerdo, um dos mais interessantes desta Liga, colocou a bola redondinha na cabeça do ponta-de-lança William, que entre Coentrão e Airton, que não compensou na perfeição a subida de David Luiz, bateu Quim que ficou, mais uma vez, a meio caminho. O Paços que pouco ou nada tinha feito no primeiro tempo acabou por concretizar um golo imerecido que lhe permitia aspirar a um resultado positivo.

No segundo tempo, e apesar de o Paços tentar equilibrar o jogo, o Benfica continuou muito superior. Primeiro foi Amorim quem tentou a sua sorte num remate muito forte para boa defesa de Coelho; depois foi a vez de Di Maria, após uma finta, de enviar a bola à barra; por fim Cardozo, cujo remate foi desviado por um adversário, tocou na barra e entrou na baliza, com sorte, a sorte dos audazes.

A partir daqui pensei que pudesse surgir o rolo compressor de Jesus em termos de resultados, mas não. Ficou-se pelo rolo compressor de grandes exibições. Maxi, Luisão, Sidnei, Di Maria, Cardozo, quase todos tiveram a sua oportunidade para marcar. De salientar ainda o regresso de Sidnei à competição, ele que não actuava desde Dezembro último, salvo erro, contra o Olhanense. Felipe Menezes também jogou e continua "sem me convencer minimamente", um belo eufemismo, sem dúvida. Peixoto, talvez o jogador mais underrated deste plantel, em pouco menos de 10 minutos, demonstrou que é, actualmente, o melhor defesa esquerdo português (percebeste a dica, Queiroz?).

Parabéns ao Benfica e ao árbitro, pois ambos trouxeram a lição bem estudada. Os encarnados fizeram o que lhes competia e o juiz portuense também. Permitiu que Di Maria fosse o saco de pancada, provocou-o e admoestou-o com a cartolina amarela, ficando à bica para o próximo encontro, tal como Luisão e Saviola, ou seja, se algum destes três jogadores vir o cartão amarelo não defrontará o Braga. Coincidências.

3 golos marcados, 3 pontos de avanço sobre o Braga e uma data deles sobre os outros dois que se dizem grandes. Se mantivermos esta vantagem pontual até ao encontro com o Braga e se aí a ampliarmos para os devidos seis pontos, penso que estará tudo acabado. Venha o Marselha e as grandes noites europeias de novo na Luz, esta com um cheirinho a passado.

6 comentários:

Anónimo disse...

é só de sublinhar que o porco do soares dias quando o di maria reclamou da cotovelada nem esperou deu logo amarelo, mas quando o ricardo do paços passou quase 30s a grunhir, ele apenas o aconselhou a ter mais calma. é nestes pequenos detalhes que sê vêem as coisas...
vitória indiscutivel, este ano ninguém dá luta, quando o braga cá vier come 3 secos

ReYeS

mariofarm disse...

Ontem fiz mts mts mts kms para ir ver o Benfica e digo que saí muito feliz da Catedral.Gostei do ambiente da exibição,adorei os NN(sempre adorei os NN) é só detestei os golos falhados.FORÇA BENFICA!Um bem-haja!

Jotas disse...

Julgo que o jogo foi muito mais que 15 minutos, foi na minha modesta opinião, mais uma exibição convicente do Benfica, começam a faltar adjectivos para classificar o bom futebol desta equipa, futebol esse, cuja qualidade, lhe dá total mérito e inteira justiça na liderança, a qual, só pode ser questionada por ma fé, ou por alguém com uma tremenda incapacidade de ver e apreciar bom futebol.
Faltam 8 finais e apesar de nada estar ganho, de ainda haver um longo caminho pela frente e muitas dificuldades no relvado e fora dele, seria uma tremenda injustiça, uma equipa que apresenta tamanho nível, não ser o justo campeão.

JNF disse...

Claro que foram mais que 15 minutos, mas os primeiros 15 minutos chegaram para arrumar com o jogo, é a isso que me refiro.

djeiti disse...

para mim o melhor em campo foi o Airton. Que grande jogador ali temos. Todas as nossas jogadas passaram pelos pés dele!
Carrega!

Tasmaniapt disse...

Gostei de tudo o que li. Apenas quero salientar que o Queiroz não vai levar nenhum jogador do Benfica ao Mundial - tenho quase a certeza e nem sei bem porquê...
é pena porque o Peixoto, o Amorim e o Coentrão podiam muito bem e (melhor) representar Portugal do que Rolando ou Paulo Ferreira!! Mas enfim é a nossa realidade!!