quinta-feira, 28 de abril de 2011

Mister, eu dou a táctica

O Benfica defronta hoje o Sporting de Braga na primeira mão das meias-finais da Liga Europa, sendo a primeira presença do maior clube português numa fase tão avançada de uma prova europeia desde 1994. Face a todas as ausências com as quais o Benfica se bate, nomeadamente Salvio e Amorim, há ainda três jogadores cuja utilização permanece uma incógnita: Gaitán, Carlos Martins e César Peixoto. São, por isso, vários os cenários que se podem colocar quanto ao onze escolhido por Jesus. Atendendo a que este é um jogo europeu onde o Benfica tem de saber gerir muito bem a posse de bola a meio-campo, algo que não tem sabido fazer durante a época, eis os "onzes" que eu proponho para cada situação específica:

Com Nico Gaitán, Carlos Martins e César Peixoto disponíveis ou sem Carlos Martins:

Com todos os disponíveis, excepção feita a Salvio e Amorim, claro, a minha opção seria entrar em campo com o onze base da época mas com Peixoto no lugar de Salvio, com o português a deslocar-se para o lado esquerdo do meio-campo, que até é a sua posição natural. Gaitán jogaria pela direita, corredor que não lhe é estranho uma vez que jogara aí várias vezes no Boca Juniors, sendo que também neste ano já passou por ali, nomeadamente no jogo em casa com o Stuttgart. Este seria o onze mais equilibrado que permitiria manter a toada ofensiva, preservar posse de bola a meio-campo com Aimar e Peixoto, e ainda ter um apoio a Coentrão (o próprio Peixoto) na marcação a Alan, jogador mais perigoso do Braga.

Com Nico Gaitán e Carlos Martins, mas sem César Peixoto:

A ideia acaba por ser a mesma do onze acima, mas com Gaitán de volta ao corredor esquerdo e com Martins pela direita, mas sempre com a função de cair para a zona central. Não permitiria a mesma capacidade de segurar o jogo mas o Benfica, apesar de perder algo em termos defensivos, ganharia poder de fogo de meia distância.

Com Carlos Martins e César Peixoto, mas sem Nico Gaitán:

Sem Gaitán, a juntar à ausência de Salvio, um Benfica com Martins e Peixoto sobre as alas perderia muita profundidade ofensiva. Não teríamos capacidade para chegar à linha de fundo. E sendo o nosso melhor defesa esquerdo simultaneamente o nosso melhor médio esquerdo, arriscaria colocar Fábio Coentrão no meio-campo recuando Peixoto para defesa. Não perderíamos muito em termos defensivos porque com as rotinas que Coentrão ganhou, saberia ajudar Peixoto na difícil tarefa de marcar Alan.

Com César Peixoto, mas sem Nico Gaitán e Carlos Martins:

Na ausência de Gaitán e Martins, o Benfica perderia aqueles que têm sido, habitualmente, o médio esquerdo e o médio direito (quando Salvio não está presente). Estes dois rombos nas "asas" do Benfia deveriam, a meu ver, pela falta de soluções de qualidade no banco, fazer com que o Benfica adoptasse um sistema mais próximo do 4x2x3x1, onde Jara na ala esquerda pudesse atacar com mais liberdade sendo que Peixoto dobraria Coentrão sempre que necessário e Saviola mais descaído para a direita tivesse o apoio de Pablo Aimar. Defensivamente não perderíamos muito uma vez que o meio-campo estaria reforçado com mais um elemento.

Com Carlos Martins, mas sem Nico Gaitán e César Peixoto:

Mantendo um jogador que pode dar suporte defensivo ao meio-campo (Carlos Martins), as preocupações do Benfica em termos de constituição da equipa viram-se para o lado esquerdo. Com Coentrão mas sem médio esquerdo, a dúvida passaria por colocar Carole na defesa e subir Fábio ou manter o português na defesa e avançar com Jara. Optaria pela segunda hipótese uma vez que Jara rende mais pela esquerda que pela direita, apesar de não ser um jogador muito útil no meio-campo, e porque Carole poderia tremer numa estreia europeia, logo numa meia-final e precisamente com o melhor jogador do adversário pela frente.

Com Nico Gaitán mas sem Carlos Martins e César Peixoto:

Aqui o problema é precisamente o oposto. À esquerda tudo bem, mas à direita as coisas complicam-se. Colocar Jara seria uma irresponsabilidade, uma vez que um meio-campo com Aimar, Jara e Gaitán não tem capacidade defensiva, sendo que o camisola "11" esteve manifestamente mal nos dois jogos que fez pela direita (Beira-Mar e Porto). Menezes não tem qualidade para jogar no Benfica, por isso seria Airton o escolhido, ele que daria muita força e muito músculo ao meio-campo. Com isto, para ajudar o lado direito do meio-campo a construir jogo, Saviola seria deslocado mais para trás, contando com a ajudar de Pablo Aimar.

Sem Nico Gaitán, Carlos Martins e César Peixoto:

Cenário que tem tanto de improvável como de grave. Sem os três centrocampistas, o Benfica vê-se obrigado a recorrer a Airton e Jara, o primeiro para segurar o meio-campo com Javi e o segundo para "fazer de Gaitán" pela esquerda do meio-campo. Saviola recuaria para ajudar na construção de jogo à direita. Outra hipótese seria atrasar Airton para defesa direito e fazer subir Maxi para o meio-campo, voltando ao 4x4x2 losango.

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