Dizem que o Benfica é um cemitério de treinadores. O senhor Lopes, na imagem, teve cativo durante muitos anos na Luz, lá no alto do terceiro anel, mesmo nos anos negros da década de 90. Quando não gostava do que via, não se coibia de puxar do seu lencinho branco para acenar aos treinadores. É verdade. O senhor Lopes é o coveiro dos treinadores do Benfica. Mal vê a hora em que possa levar o outro coveiro, o da táctica, aquele que cria buracos no meio-campo, para a sua sepultura. É que isto de brincar com o Benfica não tem graça nenhuma.E é a brincar com o Benfica e com os benfiquistas que Jorge Jesus anda. Enquanto vai limpando 333 mil euros mensalmente, vai coleccionando extremos, adaptando avançados a defesas e cavando buracos no meio-campo. Os erros do auto-intitulado "Mestre da Táctica" sucedem-se e não há quem ponha um travão neste louco.
A começar na convocatória. Vejamos: cinco defesas, nove médios, dois avançados. Para além do excesso ridículo de médios, nomeadamente de características ofensivas (sete), saltam à vista os dois avançados. Como se não bastasse, Jesus optou por iniciar o jogo com esses mesmos dois avançados, não deixando nenhum no banco. Se se lesionasse um deles no início da partida, seria obrigado a mudar completamente o esquema de jogo. Isto é daquelas coisas que nem o Diabo se lembraria. Tem o plantel que quis e que escolheu, mas pelos vistos não confia em Saviola, Kardec, Hugo Vieira, Michel, Djaló ou Mora para fazerem parte de uma lista de convocados. Depois, claro, no decorrer do jogo, face a um resultado negativo, tira um avançado para colocar um médio, precisamente o inverso do que fez com o Porto no ano passado quando ganhávamos por 2-1. As voltas que a vida dá, hein? Estranho mundo este.
Mas a loucura do mestre da táctica não se esgota nas convocatórias. O homem que diz que não vai repetir os mesmos erros do passado, insiste em voltar a fazer tudo mal novamente. A começar na saída a jogar, à Barcelona. Jogar daquela forma não é para quem quer, é para quem pode. Não estão a ver os dois centrais do Benfica com pezinhos para aquele tipo de jogo, muito menos Artur, cuja principal pecha é, precisamente, o jogo de pés. O jogo contra o Braga deixou esta situação uma vez mais bem visível. Foram vários os lances que se começaram a construir demasiado atrás e que acabaram com a bola a sair pela linha lateral do nosso meio-campo ou com a redondinha nos pés dos jogadores bracarenses em situações de superioridade numérica, ou perto disso.
Para quem diz que não vai voltar a repetir os mesmos erros, é estranho ver o Benfica jogar com dois blocos partidos, um ofensivo e um defensivo, ver a transição defesa-ataque ser feita através da colocação dos laterais como extremos, bem encostadinhos na faixa, deixando no centro do relvado, completamente só, Axel Witsel. Javi baixa para entre os centrais, os laterais sobem exageradamente, os extremos estão lá na frente e os avançados idem. É muito estranho que numa equipa que supostamente quer privilegiar a posse de bola se veja apenas um elemento sozinho no centro do campo. O Benfica vê-se forçado a jogar com passes verticais em força para um Witsel sozinho e desapoiado. Abre-se uma cratera ofensiva entre os três de trás (Garay, Luisão e Javi) e os restantes elementos da frente, acumulando-se, por isso, várias perdas de bola que geram contra-ataques perigosos.
É igualmente incompreensível, especialmente para quem diz que não vai cometer os mesmos erros, ver o buraco que se cria no meio-campo defensivo, especialmente na transição ataque-defesa. A imagem abaixo mostra o que aconteceu no jogo contra o Braga com apenas... 28 segundos de jogo. Surreal. Defesa a 4 e depois observa-se Javi, Witsel e Salvio (?) completamente desposicionados, juntos, abrindo-se uma cratera à entrada do último terço do campo. Situações como esta acontecem, muitas vezes, fruto de uma pressão exagerada e injustificada, em que os jogadores perseguem bolas que são praticamente impossíveis de alcançar. Mesmo a abordagem individual aos lances defensivas roça o patético em muitas ocasiões. Por que é que os jogadores do Benfica se colocam não raras vezes, imediatamente atrás dos adversários deixando-os à sua frente no relvado, com espaço para galgar metros no terreno? Porque não se colocam entre a bola e a baliza, preferindo tentar jogar sistematicamente na antecipação, falhando-a na grande maioria das vezes? São mais as oportunidades de perigo que se geram no sentido da baliza do Benfica do que as que resultam a favor do Benfica fruto de uma antecipação bem conseguida.
Com o Braga vimos os mesmos erros de sempre. Até a nível individual, com a aposta num defesa esquerdo que não é defesa esquerdo. Se no ano passado tínhamos um com qualidade mas proscrito (Capdevila) e um sem qualquer qualidade (Emerson), este ano temos um extremo que só na cabeça deste treinador é que é defesa e um jogador de 27 anos, já feito, contratado a seu pedido, que assinou por 5 anos e que, pelos vistos, não conta para quem o contratou (brilhante acto de gestão, bravo). Melgarejo é o culpado nos dois golos sofridos. Nesses dois lances comete três erros que acontecem na medida em que não é defesa esquerdo. No primeiro lance, em vez de seguir a trajectória da bola e de a cortar com o pé esquerdo no sentido que esta levava, efectua um cabeceamento suicida em direcção à baliza de Artur, que pouco ou nada poderia fazer. No segundo golo, além do alívio frouxo para uma zona onde estavam jogadores do Braga, não recuperou a tempo de evitar a colocação de Mossoró em jogo. Para além destes dois lances, foram muitos outros onde Melgarejo foi indecentemente "comido". O primeiro lance de perigo do Braga é exemplo disso: após Alan meter o passe para Mossoró, Melga deixa-se bater pelo capitão bracarense, oferecendo-lhe o espaço entre si mesmo e a baliza. Se Lima tivesse metido a bola para a direita, o golo seria quase certo. Resumindo, dois golos ridículos que sucederam devido à incompetência do jogador na posição para a qual foi destacado e graças à casmurrice de um treinador que acha que sabe mais daquilo que realmente sabe. Obviamente que, num clube sério, um presidente não deixaria que estas situações acontecessem. Mas isso era se o presidente fosse um homem competente. Parecendo que não, e não querendo escamotear a tragédia que efectivamente era, com Emerson, muito provavelmente, teríamos ganho este jogo.E o que dizer dos últimos minutos de jogo? Mesmo com dez elementos durante cerca de 15 minutos, o Braga, de forma incompreensível, teve mais bola que o Benfica. Criámos mais algumas chances de golo, mas territorialmente o Braga não foi inferior nem nos cedeu a iniciativa de jogo, tendo-se até aproximado da baliza de Artur.
Jesus, o único erro, foi não seres despedido no verão. E quem te despediria, bem podia pegar nas malas e fazia-te companhia. Pior que ter vergonha, só mesmo não a ter.


































