Se há coisa de que esta Direcção não pode ser acusada é a de esquecer as velhas glórias do Benfica. Mal da Direcção se se esquecesse, até porque estamos a comemomar o quinquagésimo aniversário das grandes conquistas europeias. Vai daí, surgiu a belíssima ideia de homenagear Eusébio, Coluna, Torres, Augusto e companhia com uma estátua. Aprovo. Aprovaria. Não fosse a estátua este desastre artístico.
O que é que isto tem a ver com os gloriosos jogadores dos anos 60 e com as suas conquistas? Até poderia ser uma estátua bonita, mas não com 6 metros de altura nem para as pessoas que se pretende homenagear. Não vejo qualquer conexão entre os benfiquistas dos anos 60 e esta estátua. O que pensarão os nossos ex-jogadores quando virem este... coiso? Arranjem lá qualquer coisa mais bonitinha e condizente com quem deu História e Glória ao Sport Lisboa e Benfica.
Como enorme clube que é, o Sport Lisboa e Benfica decretou que irá prestar homenagem ao falecido Robert Enke, no próximo jogo a contar para a Taça de Portugal frente ao Vitória de Guimarães, na Luz. Possivelmente essa homenagem passará por um minuto de silêncio em memória do jovem jogador alemão.
Um triste hábito português que se instalou foi o de bater palmas durante o momento de fazer silêncio. É ridículo, triste e despropositado. Porque mais que tudo, o minuto de silêncio serve para relembrar o jogador. Lembram-se do peso que houve no minuto de silêncio em memória de Fehér no Benfica - Académica de 2004? Era assim que se deveria respeitar a memória de quem parte, não com palmas.
Por isso, e associando-me a uma óptima ideia lançada pelo Éter, do Céu Encarnado, peço a todos os benfiquistas que por aqui passam, independentemente de serem sócios ou não, de enviarem o seguinte texto para este site:
"Gostaria de pedir, a quem de direito, que no próximo jogo no Estádio da Luz, contra o Vitória de Guimarães, o speaker informasse os espectadores presentes que o minuto de silêncio em memória de Robert Enke fosse mesmo para cumprir em silêncio, e não com palmas, à semelhança do que aconteceu com Miklos Fehér.
Obrigado pela atenção."
Só assim podemos chamar a atenção para que esta situação não se volte a repetir. Divulguem.
Adenda [14-11-09, 12:26]: Silêncio total e absoluto dos adeptos ingleses em memória de Robert Enke, no minuto de silêncio no estádio de Wembley. Quero ver hoje como vai ser com a Bósnia...
Faz hoje anos o treinador que eu mais admiro. Mais que José Mourinho, mais que Fabio Capello, mais que Marcelo Lippi, mais que Guus Hiddink. para mim, Giovanni Trapattoni é, no mundo do futebol, uma das pessoas que eu mas admiro.
Nasceu há 70 anos na peqena cidade Cusano Milanino. Nasceu para o futebol. Iniciou a sua carreira de jogador como defesa e médio-defensivo na época de 1959, ou seja, há precisamente 50 anos! Pertenceu aos quadros do AC Milan desde essa época aé 1971, tendo ganho nesse período praticamente todos os troféus importantes que havia para ganhar, tanto nacionais como internacionais, inclusivé uma Taça dos Campeões Europeus, à custa do... Benfica.
Esteve apenas um ano no modesto Varese, uma equipa do meio da tabela, e na época seguinte, no ano de 1974, iniciou a sua carreira de treinador, primeiro nas escolas do "seu" AC Milan, depois como treinador adjunto e por fim como treinador principal dos gigantes italianos, mas por apenas uma temporada.
Em 1976 foi contratado pela Juventus, onde se manteve em funções até 1986. Aí, atingiu a fama de melhor treinador do Mundo, ao alcançar todos os títulos possíveis, sendo que um desses títulos, europeu por sinal, foi conquistado frente ao FC Porto, na época de 1983-1984.
Da Juventus seguiu para o Internazionale (ou Inter), onde permaneceu 5 anos, mas sem o mesmo inatingível sucesso obtido em Turim, apesar de ainda ter ganho um campeonato (aquele que seria o único em cerca de 16 anos, e uma Taça UEFA).
Regressou à Juventus onde exerceu funções de 1991 a 1994, tendo apenas conquistado uma Taça UEFA, numa altura em que o Calcio era dominado pelo AC Milan.
Aventurou-se pelo estrangeiro com passagens por Bayern Munique (com algum sucesso), pelo Benfica (com estrondoso sucesso), pelo Sttutgart (desilusão) e por fim pelo Red Bul Salzburg (com muito sucesso), sendo que algumas destas passagens foram intercaladas com regressos a Itália para orientar o Cagliari e a Fiorentina.
Na selecção jogou 17 partidas tendo marcado um golo e orientou-a também, no "nosso" Euro-2004, não tendo porém ultrapassado a fase de grupos apesar da igualdade pontual com as frias Dinamarca e Suécia.
Contas feitas, juntando os títulos enquanto jogador e treinador, foram 9 Ligas Italianas, 3 Taças de Itália, 3 Taças dos Campeões Europeus, 2 Taças das Taças, 3 Taças UEFA, 1 Supertaça Europeia, 2 Taça Intercontinental, 1 Liga Alemã, 1 Taça Alemã, 1 Liga Portuguesa e 1 Liga Austríaca. Pouquinho, não acham?
Sucesso, sucesso e mais sucesso, é assim que se pode descrever a vida desportiva de Giovanni Trapatonni, um Senhor Futebol, como poucos. A ele, o meu "muito obrigado" por nos ter ajudado a nós, benfiquistas, a ter uma alegria que não tinhamos havia 11 anos.
Rui Costa foi um jogador único. Não há visão de jogo como a a sua. Não há passes mágicos como os seus. Não há um orgulho e um clubismo saudável como o seu, conseguindo agradar a benfiquistas e rivais. Por tudo isso, Rui Costa é um jogador único, que desempenhou as funções de número 10 ao longo da sua carreira de uma forma inigualável. Talvez por isso seja o último de um grupo de jogadores que praticavam um futebol com aquela classe diferente de Rui Costa, pois o tradicional camisola 10 parece estar em vias de extinção. Por isso, recordo aqui no blog, 10 dos momentos mais inesquecíveis da carreira do nosso grande Rui:
1 - O Mundial de Juniores
Foi no mí(s)tico palco, naquele antigo e já velhinho Estádio da Luz, que Rui Costa conheceu uma das suas grandes, quem sabe se a maior alegria da carreira: a vitória no Mundial de sub-20. De um lado estavam o Rui, o João, o Jorge e o Luís, nomes praticamente desconhecidos para todos, mas que depois daquele momento ficariam eternizados com os seus apelidos: Costa, Pinto, Costa e Figo, respectivamente. Mais de 135 000 pessoas assistiram a 120 minutos de bom futebol, mas sem golos. Depois, os penalties: primeiro Jorge Costa, depois Figo, a seguir Paulo Torres e por fim Rui Costa, com um remate ao ângulo superior direito, enganando o guarda-redes. O título estava consumado. Era a grande vitória.
2 - 93/94, uma época de sonho
Foi na época de 93/94, que Rui Costa rubricou uma das suas melhores temporadas de sempre. Titular em 33 dos 34 jogos da liga (apenas falhou o célebre 3-6) jogou ainda em altíssimo nível na Taça UEFA, onde o Benfica chegou até às meias-finais, sendo eliminado às mãos do Parma. No jogo contra os italianos, na Luz, Rui Costa, em dia de aniversário, fez uma das melhores exibições da sua carreira. No final da época, o Benfica era campeão português, com Toni ao comando.
3 - Chapéu d'ouro
Foi um dos maiores jogos (e dos maiores golos) de Rui Costa pela selecção nacional. Aconteceu no Estádio da Luz, pois claro, frente à República da Irlanda, no dia 15 de Novembro de 1995. Se bem me lembro chovia e o campo estava alagado, mas nesse dia, nem a chuva conseguiu apagar o brilho do nosso 10. Um chapéu a mais de 35 metros da baliza, foi a causa da explosão de alegria aos 59 minutos. Estava aberto o caminho para mais uma presença portuguesa num Europeu de futebol. O próprio Rui Costa classificou esse golo como o mais bonito da sua carreira.
4 - Lágrimas sinceras
A 13 de Agosto de 1996, Rui Costa voltou a jogar na Luz, mas desta vez com uma camisola que não do Benfica. Representava a Fiorentina de Itália, clube que escolhera em detrimento do Barcelona (que até apresentava uma proposta superior ao jogador) só para permitir um encaixe financeiro maior a um Benfica em grandes dificuldades. Nesse dia vocês sabem o que se passou. Recordem esse momento no excelente anúncio publicitário do Benfica.
5 - Marc Batta, a pedra no sapato
Foi, se não me engano, a 6 de Setembro de 1997, num jogo a contar para o apuramento para o Mundial de França'98. Portugal estava a ganhar no terreno da campeã europeia, a Alemanha, por uma bola a zero. António Oliveira, seleccionador português decide retirar Rui Costa do campo, já amarelado, aos 75 minutos. Marc Batta, polémico juiz francês, que recentemente esteve envolvido em mais uma querela com Rui caçador na altura do Euro sub-21, entendeu que Rui Costa estava a demorar a sair do campo, pelo que mostrou o segundo amarelo e respectivo vermelho ao artista português. Portugal acabou por empatar esse jogo, sendo claramente prejudicado pelo excesso de rigor e injustiça patenteados no árbitro gaulês.
6 - Champions League
Demorou mas foi. Em 2003 Rui Costa ganhou a sua primeira e única Liga dos campeões, coroando uma época de sonho. Recordo-me de um jogo em que fez nada mais nada menos do que quatro assistências! A final foi disputada contra a Juventus, tendo sido decidida mais uma vez nos penalties. Rui Costa não marcou nenhum, mas os seus colegas marcaram e tiveram a ajuda de um Dida super-inspirado.
7 - Bomba inglesa
"Vamos embora Rui Costa, vamos embora para cima dos ingleses! Eles estão completamente tontos! Rui Costa vai, Rui Costa acreditou, vai atirar para o golo... atira, GOLO! GOLO! GOLO! É GOLO! É GOLO! É GOLO! É GOLO DE PORTUGAL!"
Com o inesquecível comentário de Jorge Perestrelo. Foi um dos melhores jogos e golos que vi de Rui Costa. Lembro-me bem desse jogo: chorei, chorei, chorei com o golo do maestro e mais tarde com o golo do Ricardo. Foram dos momentos mais bonitos que assisti no futebol. O estádio? Qual é que acham que foi? Algo inesquecível. Obrigado pelas memórias.
Foi no mesmo Europeu que misturou toda a alegria que também vivemos aquele momento de tristeza. Na véspera da grande final, Rui Costa anunciou que terminaria a sua carreira internacional após aquele Europeu. Portugal defrontava a Grécia no estádio da Luz. Mas o impensável (re)aconteceu. A Grécia, à semelhança do que havia feito no mesmo jogo, deu uma lição de um futebol mau, pragmático, mas extremamente eficaz. Rui Costa entrou na segunda parte para tentar resolver o jogo, mas não havia nada a fazer.
9 - O Regresso do Príncipe
Depois de tantos anos com eleições em que todos os candidatos prometiam Rui Costa como grande presente, o maestro regressa à Luz abdicando de um milionário salário no Milan para vir para o clube que o viu nascer para o futebol. Na primeira época foi fustigado pelas lesões, mas na segunda carregou com a equipa às costas. Nem os comentários de Berardo, Rui Santos, as asneiradas de Vieira ou a dança de treinadores foram impeditivas para que o Maestro fizesse duas épocas de alto nível, acabando no meio dos seus.
10 - A despedida
No dia 11 de Maio de 2008, o último dos maestros disse adeus ao futebol. Guarda como maior recordação a sua saída, emocionando-nos, benfiquistas presentes no estádio. Quem vê as imagens pela televisão não consegue perceber o que se passou ali. Foi único, transmitiu toda a emoção de ser benfiquista. Aquilo sim, é o Benfica.