José Eduardo Moniz, o novo soldadinho de chumbo do Sport Lisboa e Benfica, apresentou-se ao serviço, revelando-se na disposição de ajudar o General Vieira na tarefa de levar o Benfica ao lugar que merece. Apreciei a total coincidência que foi o facto de Moniz ter aparecido na televisão pública a falar sobre o Benfica e gostei igualmente de perceber que se há candidatura que está a ser preparada em cima do joelho é a de Vieira: então não é que Moniz, segundo palavras do próprio, só hoje é que confirmou ao presidente que se "apresentava na praça enquanto soldado benfiquista"? E com que bases é que o senhor Moniz tomou esta decisão? Decidiu avançar face ao "escândalo" que ocorreu na última Assembleia Geral do clube. Já agora, senhor Moniz, gostaria que me respondesse à seguinte questão: onde estava o senhor a 27 de Setembro de 2012? É que na Assembleia Geral que criticou na entrevista à RTP não estava de certeza! Não foi, não esteve, não votou, não apareceu. Quer explicar-se aos benfiquistas, ou acha que já atingiu um tal nível de vieirismo que faz com que não tenha de se explicar a ninguém?
Será que Moniz se esqueceu da forma como Vieira o enxovalhou há três anos, acusando-o de ser um mau benfiquista, de estar com quotas em atraso, de ser um mau exemplo e de ser uma porta de entrada para os espanhóis conquistarem o Benfica? Como é que uma pessoa se presta a isto? E quais os interesses de Moniz no meio disto tudo? Apenas e só ajudar o Benfica, como diz, ou ter um papel importante a nível pessoal na decisão sobre os direitos televisivos? Ou mais que isso? Recuperar o dinheiro que a Ongoing investiu no Benfica Stars Fund? Gostaria de saber. Claro que Moniz não responderá a estas questões directamente, mas as suas acções o dirão.
Quanto ao conteúdo da entrevista dada à RTP, Moniz de 2012 choca frontalmente com Moniz de 2009. Vieira passou de incapaz e de mau presidente a alguém que até tem feito um bom trabalho face às limitações actuais. Surgem críticas a quem se coloca na "confortável posição" de criticar e de se colocar contra, numa possível alusão ao José Eduardo de há uns anos. Aparece a velha cantiga da importância do unanimismo, sugerindo que quem não está a favor encontra-se apenas em busca de promoção pessoal. Parece que alguém não se andou a baldar aos ensaios.
Para mim, a situação é clara: tenho a opinião de que José Eduardo Moniz é uma pessoa inteligente com capacidade para liderar o Benfica, um dia, quando se rodear de gente capaz e competente. Acho que ainda hoje não gosta de Vieira, mas descobriu que o melhor, ou pelo menos o mais rápido dos caminhos para chegar à tão ambicionada presidência é aliar-se a quem tem o poder. Se não os podes vencer, junta-te a eles. Parece que foi isto que Moniz escolheu.
P.S. Notável a forma como Moniz assimilou o discurso de Vieira e do vieirismo. O sacrifício pessoal, o unanimismo, enfim, está tudo lá. Mas o toque de classe e inteligência que lhe dá é cunho pessoal.


















