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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Soluções para o meio-campo

Axel Witsel já foi e é tempo de encontrar soluções dentro do próprio Benfica. O mercado está fechado até Janeiro e só podemos contar com os jogadores que temos actualmente. Mas não me peçam para embarcar no velho cliché de "só faz falta quem cá está". Uma frase feita que pouco ou nada diz, na realidade. Quando o Benfica precisar de equilibrar o jogo, de ter bola, de ocupar bem o espaço defensivamente, ainda nos vamos lembrar da falta de Witsel fazia. E quem diz Witsel diz Javi.

Dentro dos quadros do Benfica, os únicos jogadores que, além de Matic, me parecem ter condições para assumir as vagas deixadas em aberto pelo espanhol e pelo belga são, respectivamente, Airton e Amorim. Ainda que salvaguardadas as devidas diferenças de qualidade existentes entre os dois que saíram e os dois que estão fora, Airton e Amorim seriam, caso estivessem no plantel do Benfica, os dois titulares do meio-campo. Mas não estão. O primeiro porque, supostamente, fazia parte do gangue do chopinho, grupo formado por alguns brasileiros do Benfica (Airton, Sidnei, Menezes, Weldon e Kardec) que gostavam da bebida, e o segundo porque perdeu a paciência com Jorge Jesus, um estado que quase todos os benfiquistas já alcançaram também.

Por isso, e olhando para o plantel principal (e para o "B"), quem pode assumir a titularidade? Matic é um jogador de características completamente diferentes das de Javi e Witsel, mas que pode e deve ser titular. Tem presença física e um toque de bola bem interessante, ficando a perder do ponto de vista táctico quando comparado com os dois que saíram. Ofensivamente, a entrada de Matic para o onze não deverá constituir um problema para Jorge Jesus, mas já no aspecto defensivo, temo que não se possa dizer o mesmo, até porque o sérvio não é nem nunca foi médio defensivo. Quem não tem cão caça com gato, assim será. Para fazer companhia a Matic, que soluções pode Jesus encontrar na equipa principal? A meu ver, há dois, apenas dois. Carlos Martins, por um lado, pode dar algumas soluções interessantes ao meio-campo do ponto de vista ofensivo, como a meia-distância. Enzo Pérez, por outro, pode desempenhar um lugar que não lhe será assim tão estranho visto ter actuado numa posição semelhante nos Estudiantes. Mas nenhum dos dois confere a segurança e a qualidade de Witsel.

E na equipa B? Jesus referiu André Gomes como uma solução possível para o lugar mais recuado do meio-campo, o que me leva a crer que o treinador do Benfica ainda não assistiu a um único encontro dos B's. Miguel Rosa, para a posição de Witsel, apesar de também pisar terrenos mais avançados, e Leandro Pimenta, para o lugar de Javi, jogador acostumado a um futebol muito diferente do do espanhol mas ainda assim capaz de se tornar num jogador referência na Luz, são as duas melhores soluções que encontro na equipa treinada por Norton de Matos.

Há soluções para render Witsel? Sim, há. Mas nenhuma tem a qualidade do belga, nem sequer lhe chegam aos calcanhares. Até Janeiro será com isto com que o Benfica vai ter de viver dia-a-dia. Com a reabertura do mercado, parece óbvio que se torna prioritário contratar um médio centro de qualidade indiscutível. Mas também já era óbvio que o Benfica precisava de um lateral esquerdo no verão. Como se vê, no nosso clube, o óbvio é um lugar estranho.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ainda há tempo para Leandro Pimenta

Há jogadores cujas carreiras são destruídas por passagens pelas equipas B. Outros há que as relançam. As recentes exibições de Leandro Pimenta ao serviço do Benfica B têm dado um novo fôlego à carreira do promissor atleta que em 2008 foi aposta de Rui Costa e assinou contrato profissional pelo Benfica.

Na formação, Pimenta destacou-se no miolo do terreno pelo toque de bola invulgarmente bom num jogador da sua idade, conseguindo organizar jogo, temporizar e lançar o ataque com passes pelo solo ou pelo ar. Tinha uma maturidade de jogo rarmente vista em miúdos de 18 e 19 anos.

Esperava um salto qualitativo mais rápido para a qualidade que evidenciava. Finda a carreira de junior, foi emprestado ao Beira-Mar, equipa de qualidade na II Liga e que acabou por subir, mas só somou alguns minutos com regularidade no final da temporada. Talvez o passo tivesse sido maior que a perna. Foi emprestado na época seguinte ao modesto Fátima, outra vez na II Liga, mas nem aí se afirmou, conseguindo apenas uma titularidade e algumas entradas no final da época, descendo de divisão. Duas temporadas perdidas na Vitalis. Mas à terceira foi de vez. No Atlético foi titular em 26 dos 30 jogos da Orangina, tendo sido pedra importante na formação orientada por João de Deus, primeiro, e Paulo Pedro, depois, enquanto médio centro, médio esquerdo e até defesa esquerdo.

Três anos depois de ter saído da formação, e do pouco que vi de Pimenta ao serviço do Benfica B, as características técnicas e tácticas, nomeadamente o toque de bola, o passe, a ocupação do espaço e a leitura de jogo, mantêm-se em grande nível. É uma espécie de "6" que poderia ser "10". Joga mais recuado no terreno e tem uma técnica assinalável, tal como sucede com Pirlo ou Veloso, salvaguardando as devidas diferenças, sobretudo de qualidade actual. Mas é fisicamente que se nota a maior diferença: muito mais corpulento, fortíssimo, com um físico de impôr respeito. Não sendo actualmente uma alternativa credível a Javi, Pimenta tem características com bola que permitem pausar e oferecer soluções de jogo muito interessantes num sistema e estilo de jogo diferentes dos que o Benfica actualmente pratica.

Este menino será, se quiser e se apostarem nele, um grande jogador. Jorge Jesus, que se vangloria de potenciar jogadores e que agora até afirma que quer pegar em atletas da equipa B e desenvolvê-los como futebolistas (tendo nomeado André Almeida e André Gomes como substitutos de Javi, esquecendo-se inexplicavelmente de Pimenta), pode arregaçar as mangas e fazer de Leandro Pimenta um dos próximos médios de eleição em Portugal.

domingo, 6 de novembro de 2011

O estranho caso "Leandro Pimenta"


O meu primeiro post neste conceituado blog servirá para falar sobre um jogador, do qual eu muito esperava que com o passar dos anos deixou que desaparecessem as expectativas dos mais conhecedores sobre uma carreira de sucesso com as cores do nosso clube.
Foi na temporada de 2008/2009, que o vi jogar pela primeira vez. Era um dos pilares da equipa de juniores, que acabaria por perder o campeonato nacional na secretaria após os incidentes na Academia de Alcochete.
Essa equipa era composta por muitos nomes de relevo. Entre os quais, David Simão, Nélson Oliveira e Luís Martins que integram o plantel e também, Yartey e Roderick Miranda que poderão ainda voltar ao nosso clube e que, neste momento, se encontram cedidos ao Servette, equipa de João Alves, que também comandou esta equipa de juniores do Benfica. Ainda como júnior, Leandro Pimenta demonstrava uma estranha maturidade e sentido posicional que todos admiravam. Em muitos jogos, chegou a jogar lado a lado com Saná, uma dupla que se complementava bastante bem. A maturidade e sabedoria dele equilibrava a equipa quando a irreverência de Saná aparecia em jogo.
Já em 2009/2010, iria integrar o plantel do Beira-Mar juntamente com Ishmael Yartey, equipa que acabaria por se sagrar campeã nacional da segunda liga, comandada por Leonardo Jardim. Começando por integrar o onze inicial nos primeiros jogos oficiais do clube, só que as boas exibições de Yartey e Élio, iriam acabar com o seu espaço na equipa. Em 2010/2011, chegou também cedido ao Fátima, satélite do Benfica nesta temporada que iria acabar por descer de divisão. Acabando por fazer mais dois jogos do que na temporada anterior mas tendo igualmente, não demonstrado nada digno de relevo.
Como foi notícia, esta temporada encontra-se cedido ao Atlético Clube de Portugal que é, até ao momento, a revelação da Liga Orangina. Seguindo isolado no primeiro lugar da Liga e com Leandro Pimenta a ser uma das figuras da equipa, tendo marcado o único golo da equipa em Portimão que viria a garantir mais uma vitória.
Este jogo, não foi porém alvo de transmissão televisiva. No entanto, os outros jogos que tive oportunidade de ver, não demonstraram o Leandro Pimenta que estava à espera. Foi apático e com pouco espírito colectivo ( aspecto mais importante para um jogador se afirmar na segunda divisão portuguesa) que ele se apresentou contra o Belenenses e Covilhã.
Não basta ter bons pés para um jogador se afirmar no futebol profissional, esperemos que ele perceba isso a tempo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O outro plantel - Os Emprestados (I)

São, pelas minhas contas, 28 os jogadores que o Benfica tem a rodar em clubes portugueses ou estrangeiros, de primeira ou segunda divisão. Destes 28 - praticamente um plantel - a idade e qualidade variam muito. Possivelmente, poucos serão os que ainda possam vir a dar um contributo importante para o nosso clube. É a pensar neste outro plantel que inicio uma série de cinco posts sobre "Os Emprestados".

Sepsi Contratado como promessa para a lateral esquerda da defesa, Sepsi chegou ao Benfica na janela de transferências de 2008, com José Antonio Camacho. Tapado por Léo, não conseguiu convencer na sua primeira passagem na Luz, sendo emprestado ao Racing Santander, em Espanha. Neste [curto] regresso de pré-época, não convenceu Jesus. Na minha opinião, Sepsi nunca será um grande jogador. Mediano, como há tantos por aí. Não vale a pena manter o romeno, nem para suplente, porque para isso há muito bom jogador português, até para defesa-esquerdo, que pode fazer esse lugar.

Leandro Um jogador que desconheço perfeitamente. Contratado ao Coritiba este Verão, foi imediatamente emprestado ao Vitória Sport Clube, onde ainda não se conseguiu impor (e para ser sincero, penso que não vai conseguir, dada a qualidade do plantel vimarenense). Participou no campeonato Sudamericano sub-20, mas nem sei se foi titular. A não ser que tenha um desenvolvimento semelhante ao de David Luiz, penso que terá dificuldade em ficar na Luz.

Leandro Pimenta Tenho grandes esperanças relativamente a este jogador. No campo, apresenta uma maturidade táctica (até pareço o Freitas Lobo...) fora do normal para um júnior. Não é propriamente rápido, mas a sua visão de jogo, o passe, a colocação, são de um profissional. Vai longe se jogar com alguma regularidade no Beira-Mar, clube que o tem por empréstimo.

Makukula Não tão mau como a maior parte dos benfiquista o julga, nem tão bom como o próprio pensa que é (dizem que se acha o maior). Pessoalmente, não acredito que tenha qualidade para ser titular, como é obvio, mas não escondo que acho-o um suplente muito razoável. Tem força, bom jogo aéreo, mais técnica e velocidade que, por exemplo Cardozo, mas teve o azar de chegar ao Benfica numa fase conturbada do clube. Deveria ter uma segunda oportunidade, que Jesus não deu. Penso que poderia ser muito útil ao clube.

Walter Moraes Quem? Pois, também não faço ideia quem seja. Lembro-me da sua contratação, mas nunca chegou a calçar as luvas, e penso que, já com 22 anos, se ainda não deu minimamente nas vistas, também não será agora que o conseguirá fazer. Claro que um guarda-redes pode evoluir até mais tarde que um jogador de campo, mas na Olhanense foi sempre 3ª opção e, actualmente no 12 Octubre, do Paraguai, não é titular. Deve ter sido contratado com base nos seus 2,03 metros de altura.

David Simão O seu talento é inegável. Muito bem constituído fisicamente para um jogador da sua posição (médio-ofensivo, 1,83 metros, 80 kilos), David Simão deu sempre nas vistas enquanto jogava nas camadas jovens do Benfica. Foi titular em grande parte da época 2008/2009, ano do título de juniores, mas acabou por sair do onze na fase final por opção técnica de João Alves. No entanto, como sabemos, muitas vezes o talento anda a par da preguiça, ou de alguma falta de empenho ou profissionalismo. David foi alvo dessas críticas. Se são ou não verdadeiras... não sei. Dos 6 jogos do Fátima, participou nos 3 da Liga, no da Taça, onde até marcou, e não foi opção para a Taça da Liga. Estes dados evidenciam a importância do jovem na equipa.