sexta-feira, 20 de maio de 2011

Tempo de reflexão: Do presidente aos adeptos - Parte II

Tal como prometido na minha última publicação e após termos apurado o trabalho do senhor presidente Luís Filipe Vieira, avancemos então para uma reflexão sobre o Director Desportivo, que é só o meu grande ídolo de infância e de provavelmente mais de 60% dos leitores da minha geração.

Logo, confesso que tenho muitas dificuldades na escolha das palavras para avaliar o desempenho do Rui Costa. Mas apesar de gostar muito dele uma coisa eu tenho a certeza. Gosto mais do Benfica. E por um bem maior, é necessário que todas as responsabilidades sejam apuradas. Dito isto, pergunto: Que faz Rui Costa no Benfica? Protege o técnico e os jogadores? Blinda o balneário para o exterior? Controla os nossos jovens emprestados? Porque é que ouvimos o Rodrigo e o Yebda a se queixarem que não são acompanhados? Contrata jogadores? Bem, na sua primeira época de director teve influência directa no Aimar, no Reyes, Amorim e no Suazo, pelo menos. E na segunda também alguma terá tido no Saviola e no Javi Garcia, pelo menos.

Independentemente de alguns não terem demonstrado todo o seu valor como desejaríamos, eram todos bons e reputados jogadores. Mas já se percebeu que tem rédea curta no Benfica e já vem do ano passado. Que se passou para que o Rui Costa tenha sido colocado à parte para andar o presidente a tratar da pasta de futebol e respectivas contratações? Porque é que os nossos jogadores entram a perder no dragão enquanto o adversário na Luz entra como se estivesse a ganhar? Porque razão estas diferenças abismais de mentalidade, quando nós somos o Sport Lisboa e Benfica? Porque é que a estrutura não incute disciplina, uma cultura vencedora e ambiciosa?

Mas pior do que isto tudo, como é que admite que o presidente em várias entrevistas o menospreze dando a entender que este não manda nada, como é que aceita ser afastado desta forma mas por ali continua? Pouco mais tenho a reflectir sobre o Rui Costa, sendo que se apodera de mim uma grande frustração por estes comportamentos.

E com isto, passamos para o técnico principal. É conhecida a minha tendenciosidade para com Jorge Jesus. É um técnico que trouxe ideias e métodos novos, que trouxe mais ambição e um estilo bem mais atacante e que me conquistou logo de inicio. Futebol de ataque, bonito e com grandes exibições. Um ano de sonho, seguido de um ano frustrante e de pura desilusão.

Já muito escrevi sobre o Jesus (recordo aqui) mas pouco ou nada apurei as suas responsabilidades. E também as tem.

Comecemos pela táctica. Praticamente todos os treinadores têm uma táctica preferida. Mas a táctica do Jesus já provou ser bem sucedida o ano passado. O problema foi termos perdido jogadores muito importantes e não termos contratado aqueles que este pediu para substituir possíveis saídas de titulares, preferindo-se antes uma aposta em jovens para que o técnico os lapidasse, para crescerem. Mas quantas vezes o Jesus referiu em entrevistas que não achava ser uma boa ideia esta situação, que mais parecia que queriam que ele treinasse uma equipa de juniores? Um médio de equilíbrios no meio campo e um desequilibrador eram posições chave no seu sistema!

Só que, se o Jesus pegou em diamantes brutos como o Gaitán e o Salvio, e os conseguiu lapidar a médio prazo mas com prejuízos na tabela classificativa, já após as lesões de Amorim e até do Sálvio, não poderíamos querer que este pegasse em carvão e transforme em ouro. Existem muitos jogadores da nossa segunda linha que não estão ao nível do Benfica.

Mas mesmo assim, tivemos uma fase em que obtivemos 19 vitórias consecutivas!

Para mim, a principal responsabilidade é claramente directiva. Bastava que a estrutura fosse séria, contratasse bem e soubesse incutir nos jogadores outra responsabilidade e cultura. Como acontece lá para cima, onde o Fernando Santos foi penta campeão e o Jesualdo tricampeão. Cá ganharam zero. Só estes dois conseguiram oito títulos e nós temos um presidente com quase dez anos de Benfica e que conquistou apenas dois campeonatos. Meus amigos, já existem jovens que já viram o porto ganharem mais títulos internacionais que o Benfica o campeonato nacional.

Voltando ao Jesus, se por um lado, temos uma boa filosofia de jogo, ofensiva, ao contrário de muitos treinadores que tivemos e que jogavam na retranca, por outro lado, este tem que gerir melhor os jogos, saber gerir melhor os nossos jogadores, para não os arrebentar desnecessariamente. Gerir a vertente física é importante principalmente porque hoje em dia todos os clubes trabalham no máximo.

Também tem que melhorar a rotatividade da equipa. Todos os grandes clubes sabem gerir esta situação e não é passar do 8 para o 80 ou vice-versa. É errado quando se diz que os grandes clubes não rodam, pois, pelo que vejo, rodam, mas com qualidade e sem excessos. E para além dos índices físicos, também ele tem alguma culpa no aspecto mental dos jogadores.

Outra situação que me causa uma tremenda confusão são as nossas bolas paradas, quer as defensivas quer as ofensivas. A meu ver, o ano passado éramos fortes nas bolas paradas ofensivas mas este ano ficámos aquém das expectativas. Muitos cantos são mal cobrados e até vejo benjamins ou infantis do Benfica a cobrarem melhor. Não faz sentido jogadores profissionais do Benfica não conseguirem colocar a bola com mais força e na zona alvo.

Depois temos as bolas paradas defensivas. Bem, custa ver o número de golos que sofremos. A marcação à zona completamente arcaica, os defesas nem saltam, existem erros por todo o lado. Formam uma espécie de um “L”, vê-se que é estudado e trabalhado mas não funciona. É então mal estudado, é mal trabalhado, é preciso encontrar outra solução pois são visíveis as falhas.

De seguida temos a aposta no Roberto. Para muitos este foi o grande responsável pelo fracasso do Benfica mas eu acho isso um tanto abusivo e exagerado. É verdade que teve uma grande influência, isso é indesmentível. Mas até o Roberto estabilizou significativamente após o penalty frente ao Setúbal. Também ele teve grandes exibições na Liga Europa e contribuiu positivamente para a série de 19 vitórias consecutivas. Mas também é verdade que depois foi abaixo novamente, quando já parecia ter superado a sua fase negra.

Jesus terá tido alguma culpa por ter sido teimoso? Por não ter apostado no Júlio César ou no Moreira, dando alguma justiça e a possibilidade aos outros de lutarem pela titularidade, ao mesmo tempo que poupava e protegia o aspecto mental do Roberto? Talvez, compreendo esta perspectiva. Mas também não é menos verdade se disser que os outros dois guarda-redes não só apresentam os mesmos defeitos que o Roberto, como também são piores que este. E o Roberto parecia ter margem para evoluir e aprender, desde que melhorasse alguns aspectos menos bons no seu jogo. Mas isso assim não aconteceu. Daí que me leva a questionar o trabalho desenvolvido ao longo do ano do treinador de guarda-redes, pois tanto o Júlio César como o Roberto mantêm as mesmas lacunas de sempre nas saídas aos cruzamentos. E as bolas paradas defensivas, claro, ajudam à festa.

E, por ultimo, em termos tácticos. As nossas transições ofensivas não são más mas também não são tão sustentáveis como gostaríamos de ver. Principalmente a ganhar, o conjunto tem que saber controlar o jogo com bola, o Benfica tem que saber jogar de outra forma e aqui a teimosia do Jesus em dizer que só sabe jogar “prá frente”, chateia. Se não sabem, pois aprendam, mas é determinante e vital que hoje em dia se saiba gerir o resultado, o ritmo do jogo e a intensidade do mesmo. E depois, o problema fulcral, a falta de um médio de equilíbrios. Jesus bem inventou um César Peixoto mas este não foi solução. Mudando-se ou não a táctica, precisamos de um box-to-box, um médio interior ou um médio defensivo que saiba sair a jogar. Alguém que seja um auxiliar de Javi Garcia.

E esta situação foi bem visível nas nossas transições ataque-defesa, após a perca da bola. É ridículo não ver os elementos mais próximos a fecharem o espaço, a permitirem linhas de passe, mas ainda é mais ridículo ver uma defesa que antes, com o David jogava uns metros mais subida no terreno, em bloco alto, e hoje joga uns bons metros mais recuada e que depois o Javi, ao não ter alguém que o equilibre, acabe por se colar à defesa, abrindo um fosso aproximadamente de 30 metros no nosso meio campo. Esta situação só se tornou mesmo um problema com as lesões do Salvio e do Gaitán, pelo que penso que Jesus não permitirá que para o ano suceda novamente.

Apesar destes erros, mantenho a minha confiança no Jorge Jesus. Sei que também existe muita coisa boa para se falar e sei que realmente percebe de futebol como poucos. O Benfica tem uma forma de jogar boa, e que poderia ser facilmente melhorada, pois o mais difícil está feito.

Como disse em cima, se Jesus tiver diamantes, ele lapida. Não consegue é transformar carvão em ouro, como penso que o senhor presidente gostava de ver, ou seja, ir buscar jogadores em evolução e que dão comissão, para o Jesus ainda os vender melhor no futuro.

O Benfica neste momento parece uma espécie de clube criador de jogadores para revenda.

Citando um caro amigo, “o técnico tem que tentar engordar os pintos, para chegarem rapidamente a franguitos e serem despachados. Este está farto de dizer que foi uma das coisas que lhe pediram.”

E esta situação explica que se insista com o Kardec e outros, em detrimento de jogadores que, obviamente dariam muito mais rendimento, como o Nuno Gomes.

Na minha próxima publicação apurarei as responsabilidades dos nossos jogadores, através de uma análise individual.

16 comentários:

CAP CRÉUS disse...

"Porque razão estas diferenças abismais "
Deves colocar diferenças abissais.
Abraço e espero sinceramente que os erros não se repitam!
Estou farto!

Miguel disse...

Edu, gostei em parte. No que toca ao JJ a minha opinião é de que ele tem qualidades. É ambicioso e confiante. No entanto com a época passada dá a ideia de ter ficado eufórico. Excesso de confiança. O seu ego sempre foi o seu principal problema. Ele não aprende com os erros pois para ele não são erros. Vejo-o constantemente a repetir proezas que não as corrige. Por outro lado retiro-lhe muitas das culpas para esta época pois não acredito que os jogadores que vieram eram os que pretendiam. No Verão deu uma entrevista em que disse que queria jogadores experientes, com rodagem da Europa. No único que se aproxima de tal critério é o Jardel, e isso diz tudo. Acho que a sua manutenção é acertada, mas tem de estar devidamente acompanhado.

JNF disse...

Concordo, Edu, há muitas questões que devem ser levantadas quanto ao papel de Rui Costa e há erros que Jesus comete e insiste em cometer mas isso não faz dele o diabo, ideia que alguns querem passar. Excelente post.

João Oiveira disse...

Só uns acertos a algumas partes do tópico. Fernando Santos ganhou um penta-campeonato no porto mas desses 5 apenas o último foi ele. Ainda esteve mais 2 anos nos corruptos a seguir e não ganhou mais nenhum. Quanto à rotatividade ficou bem à vista esse problema contra o Lyon em que JJ decidiu trocar 2 ou 3 jogadores para descansarem para o jogo do Dragão e o resultado que estava 4-0 passou para 4-3 numa dúzia de minutos. Aí ficou bem patente as deficiências do plantel do Benfica.
Quanto ao resto do post concordo com maior parte do que foi dito

Constantino disse...

Caro Edu,

Para não destoar, concordo em absoluto: para mim rui costa se não sai é conivente com o estado de coisas e não passa de um chulo (porque os bois devem ter nomes) e JJ não ganhou um campeonato por sorte. Aliás se em 10 anos LFV teve tantos treinadores e só ganhou 2 campeonatos... se calhar quem esta mal não sao os treinadores, certo?
Quanto à parte da "lapidação de diamantes", ainda ha pouco tempo escrevi um post acerca disto. Os objectivos do SLB estao alterados, deixaram de ser desportivos para ser financeiros. Aliás, desde que foi formado o Benfica Stars Fund, no qual entram jogadores ate aos 25 anos, o SLB contratou 15 jogadores (contando com os da proxima epoca). Nenhum deles tem ou tinha à data da contratação mais de 24 anos. Não interessa a qualidade, interessa a idade. Falando curto e grosso, parece que quem manda nas contratações do SLB são os accionistas do fundo.

Já agora, passe a publicidade, o post é este:

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Abraço (e desculpa la a publicidade)

Far(away) disse...

O papel de Rui Costa neste momento é alegórico.

Quanto a análise de JJ, no que toca à rotatividade, bem essa ele este ano teve um pouco de azar é certo, com a lesão de Amorim, mas podia e devia ter feito em algumas ocasiões uma gestão mais equilibrada.

João Maia disse...

No futebol actual é impossível ir jogar à Europa com um trinco, é preciso, sempre mais um médio de apoio. Não há uma, UMA!, equipa nos quartos de final de ambas as competições Europeias, a não ser o Benfica que jogasse com apenas um médio com características mais defensivas.

Edu disse...

Miguel, podes referir as partes que não concordas. Terei todo o prazer em ler uma perspectiva diferente. Quanto ao que referiste, concordo com muita coisa. Só não concordo que ele não aprenda com os erros. Em grande maioria isso tem acontecido mas também já o vimos a mudar as estratégias nos jogos fora, por exemplo. Se até Dezembro íamos jogar a qualquer lado com a formação de sempre, após Janeiro e em vários jogos da Liga Europa, soube reforçar o meio campo e mudar a estratégia.

É isso JNF :)

Far, não pode ser só azar, amigo. É também incompetência. Até porque o Amorim lesionou-se numa altura em que o mercado de inverno ainda estava em aberto.

Um abraço a todos.

Far(away) disse...

Não aprende com os erros não Edu, pelo menos este ano não aprendeu. Os jogos com o Porto foi bem exemplo disso. E isso preocupa-me. Porque não apostou ele sempre na fórmula Cesar Peixoto mais Javi, como fez no dragão para a taça de Portugal? Será coincidência ter sido a única vitória sobre o Porto esta época? Não é. E isso revelou algo mais além da teimosia, revelou e tenho mesmo que dizer, basófica, burrice.

Gostei muito de ler a tua análise, um abraço.

Filipe disse...

O Rui desapareceu porque o JJ assumiu o controle do futebol com os resultados que estão à vista. E discordo veementemente deste texto. Não se pode avaliar o Jesus pela bitola do Koeman, Fernando Santos ou mesmo Quique. Nunca se investiu tanto no futebol, ao ponto de dar 8 milhões por Robertos.

A equipa do ano passado tinha uma pedalada do caraças e um treinador competente tinha feito o que o VB fez esta época, ganhar tudo o que valesse alguma coisa. O JJ é razoável mas não é bom. Foi bonzinho no Braga, mas basta ver o que o Domingos fez com a mesma equipa: segundo lugar, apuramento para a CL onde fizeram melhor figura que nós, e ida à final da EL onde só perderam com um golo em fora de jogo.

O JJ foi goleado pelo Liverpool com aquela que era a melhor equipa do Benfica dos últimos 20 anos contra uma das mais fracas do Liverpool dos mesmos 20 anos.

Foi humilhado pelos corruptos no Dragão contra 10. O que os cabrões nos fizeram este ano podíamos tê-lo feito nós o ano passado.

Esta época perdeu contra um treinador pouco experiente e sem grande confiança na supertaça. Foi goleado no dragão e humilhado duas vezes em casa.

Não conseguiu eliminar o Braga, e na CL foi inferior ao Apoel. Estamos a falar de equipas semelhantes às que vamos apanhar nas pré-eliminatórias da CL, que não acredito que passe.

As saídas de jogadores não são desculpa. O Koeman tinha uma equipa muito inferior e não sofremos vergonhas destas nem contra o Barcelona.

Edu disse...

Caro Constantino, não existe problema algum :) É bom lermos perspectivas diferentes, vou ver se leio a tua publicação.

Far, mas eu concordo com isso que disseste. Por acaso até deveria ter falado disso, passou-me, por lapso. No entanto, ele também jogou alguns jogos com o Aimar/Airton/Peixoto ao lado do Javi, com o Saviola atrás do avançado. Era sobre isso que me estava a referir, ou seja, que tinha alterado alguns dos erros que cometera na champions. Se calhar não me expliquei bem.

Bem lembrado João Oliveira. Belo argumento, nem me tinha recordado do jogo frente ao Lyon.

Filipe, não podemos ter todas as mesmas interpretações. Não preciso de dizer que discordo quase da totalidade do texto, mas é bom termos diferentes opiniões. Se todos tivéssemos as mesmas, não haveriam blogues nem fóruns.

Abraço a todos.

Tim disse...

Post interessante, pena que acabe com a menção ao Nuno Gomes, um ponta de lança do Benfica que esteve anos e anos sem conseguir ser o melhor marcador no campeonato, coisa rara no clube. Foi preciso ele ser encostado no ano passado para voltarmos a ter um melhor marcador...

chefe disse...

Sobre o Rui Costa não tenho nada a dizer, os benfiquistas têm de perceber que não basta ser o "Rui" para se ser bom DD.

Sobre JJ, mais que sabes a minha opinião. Focas muitas falhas de JJ que eu aponto também e que na minha opinião ele nuncas as vai abandonar, por isso não serve. Tenho, como sabes, plena consciência que o problema do Benfica está mais acima, em LFV (que entrou no futebol para a paródia, segundo ele) mas já percebi que neste momento JJ não é parte da solução, mas é também ele parte do problema. Isto porque teve mais de uma época - o ano passado alguns destes problemas existiam mas foram mascarados - para aprender com eles e não o fez, antes pelo contrário, insistiu no erro com os resultados que sabemos. Abordas as falhas tácticas("ciêntificas"), mas eu quero abordar também as falhas "humanas", refiro-me por exemplo à vertente psicológica de JJ. Precisamos de um treinador que prepare os jogadores motivacionalmente, que responda aos adversários quando estes atacam os jogadores do Benfica e o clube. Sinto que neste caso ele não quer melindrar nem fcp, nem scp,mas lembro que quando estava no belenenses, leiria, braga nunca teve receio de o fazer em relação ao Benfica. Depois o desgaste que JJ provoca num balneário com o seu estilo bruto e de desgaste rápido, o que faz com que nos clubes por onde anda sejam necessários remodelações anuais de jogadores.

Edu disse...

Chefe, apontei-lhe falhas nesse campo mas fui muito pouco explicito, reconheço: "E para além dos índices físicos, também ele tem alguma culpa no aspecto mental dos jogadores..."

Mas dividi a responsabilidade dessa vertente psicológica com a estrutura, lançando algumas farpas ao Rui Costa, repara: "Porque é que os nossos jogadores entram a perder no dragão enquanto o adversário na Luz entra como se estivesse a ganhar? Porque razão estas diferenças abismais de mentalidade, quando nós somos o Sport Lisboa e Benfica? Porque é que a estrutura não incute disciplina, uma cultura vencedora e ambiciosa?"

Não me alonguei muito mais nem quis tocar nessa ferida, por uma simples razão. É a minha grande dúvida sobre o Jesus.

Vamos ver se ele consegue mesmo lidar com essa situação ou não. Mas é aqui que a nossa opinião diverge, amigo.
Para mim, esta situação, em última instância, é um problema estrutural, pois quando os treinadores não são fortes neste aspecto, devem os principais responsáveis apresentar um elemento na direcção para equilibrar as coisas.

E é isso que acontece lá em cima. Se Jesus tivesse lá, a estrutura deles estava preparada para compensar esta possível lacuna e mesmo para colocar o Jesus no seu devido lugar, evitando potências abusos verbais.

E já tivemos um homem que trabalhou com o vieira e que era fantástico neste papel.

Ps. Graças à resposta do Chefe, lembrei-me que, por lapso, não respondi ao caro Cap Creus.

Peço que me perdoe a minha possível ignorância mas, a meu ver, "abismais" ou "abissais", são sinónimos. Tanto poderia ter optado por uma como pela outra palavra, pelo que não compreendi a correcção. Agradeço que me explique mesmo para aprender, então :)


Abraço a todos

Pedro disse...

"É ridículo não ver os elementos mais próximos a fecharem o espaço, a permitirem linhas de passe, mas ainda é mais ridículo ver uma defesa que antes, com o David jogava uns metros mais subida no terreno, em bloco alto, e hoje joga uns bons metros mais recuada".

Não dá. depois do David sair, não ficámos com ninguém que tenha a mesma agilidade & velocidade, alguém que ganhe 99% das bolas metidas em profundidade, nas costas da defesa. e quando assim é, tens que defender mais em baixo. Conta o número de golos que sofremos em bolas metidas para trás da defesa. não foram muitos (foram alguns, mas é normal sofrer "alguns" golos). A maior parte foram sofridos em bolas bombeadas para a área. e a questão "guarda-redes não sabe sair" não explica tudo. muitos desses golos foram marcados na sequência de bolas bombeadas para fora da pequena área, onde a responsabilidade é da defesa. uma das grandes diferenças em relação ao ano passado é que passámos a sofrer muitos golos de bolas paradas. onde o ano passado éramos muito seguros. como apenas um jogador da defesa mudou, creio que a razão é simples: os adversários aprenderam a contrariar esse aspecto do jogo.

chefe disse...

Edu, aceito e concordo que a motivação e o factor psicológico devem vir também da estrutura (ainda pensei em colocar, mas depois quis concentrar apenas no JJ), mas tem de ser este a defender nas conferencias os jogadores do Benfica e o clube. Acredito e aceito que a estrutura deve estar mentalizada para a guerra, mas quando é o próprio treinador a dispensar o psicólogo do grupo de trabalho porque ele é que sabe...