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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A previsão

Permitam-me partilhar convosco três comentários meus que publiquei antes do jogo de ontem, num fórum do Benfica. Não o faço com o intuito de demonstrar que sei mais que os outros ou por me considerar melhor que alguém. Até porque, como toda a gente, também erro e digo muitos disparates. Simplesmente gosto que se fale antes dos jogos e não depois dos mesmos. Além disso, estes três comentários transmitem tudo aquilo que eu gostaria de escrever.

13h53 "Era a favor de reforçar o meio campo neste jogo. O problema é que o César, o Javi e o Amorim não estão disponíveis".

O certo, para mim, é que não podemos jogar em diamante, como o costumamos fazer. Uma coisa é jogar na nossa liga, outra bem distinta, é jogar na alemanha.

14h12 – “O meio campo do estugarda é forte e bem composto com 5 jogadores. Airton é o único jogador do nosso meio campo de características defensivas. Fará sentido jogar da mesma forma que estamos habituados, num jogo a eliminar, fora e com grandes probabilidades em nevar?
O pessoal não gosta que o Jesus invente mas penso que não tem outra alternativa. É que não temos nenhum jogador que permita exercer as transições defesa-ataque e que saiba sair com a bola controlada.
E se na nossa liga as equipas jogam sempre recuadas contra o Benfica, principalmente nos jogos em casa, na Alemanha não será assim. Desenganem-se aqueles que estão focados na classificação do estugarda.
O Benfica para passar hoje na eliminatória, tem que jogar com inteligência. Tem que ser uma equipa coesa, unida, solidária e de sacrifício. O Benfica deixou o fato de gala em Lisboa, não tenham a mais pequena dúvida disso. Entrará em campo com o fato-macaco, conforme fizemos no dragão”.

14h31 – “Pois Ramiro, nós podemos analisar, isso é simples. Agora o difícil é encontrar soluções. Quando um treinador acerta, é um génio, quando falha foi porque inventou. Que isto passará pela cabeça do Jesus, acredito que sim. Sobretudo depois da desastrosa prestação na champions, que até psicologicamente terá tido impacto em alguns jogadores.
Mas vejamos. Existe sempre a possibilidade de manter o mesmo onze e descer a posição ao Aimar e ao Saviola, nas tarefas defensivas. Assim, o Aimar passaria a ficar mais próximo do Airton, ficando o Saviola nas costas do Cardozo. Desta forma e jogando com a equipa mais próxima, mais compacta e sempre atrás da bola (à excepção do Óscar depois do adversário passar o meio campo), o Benfica fecharia espaços e poderia servir-se de uma das grandes lacunas do estugarda. É que esta equipa não sabe sair a jogar. Joga mais em função do adversário. O segredo está sempre em tapar os aspectos fortes do adversário e aproveitar as lacunas do mesmo…”

Não jogou Saviola, jogou Jara. Este e o Cardozo fizeram muita pressão na defesa do Estugarda. Penso que a minha previsão acertou em cheio nas ideias do nosso treinador.

O Benfica esteve sublime, forte e encantou. Que continue o sonho Europeu porque este Benfica tem que ganhar títulos para honrar o futebol que pratica.

«Estamos de parabéns pela maturidade»

A frase é de Luisão, capitão no campo, e reflecte precisamente aquilo que venho dizendo há muito tempo: maturidade. Foi isto que faltou na Champions e no Dragão, até Novembro, e que hoje conseguimos conquistar e demonstrar, maturidade. A qualidade está neste grupo de trabalho desde início, a capacidade de ter maturidade para a evidenciar e exponenciar a qualidade é que não existiam. Hoje, a situação é bem diferente, para melhor. Nem sei bem o que dizer, estou felicíssimo, não caibo em mim de contentamento. O Benfica acaba de concluir um ciclo de três deslocações dificílimas, em três semanas, ao Dragão, a Alvalade e a Stuttgart, todas com vitórias por 0-2. Porquê? Maturidade. O meu "obrigado" a este grupo de trabalho e nomeadamente a Jorge Jesus. Muito, muito obrigado. Hoje faleceu um borrego com mais de cinquenta anos de história europeia. Acabou o pesadelo e o trauma alemão. Morreu a ideia da incapacidade em ganhar em solo germânico. Obrigado, Jorge Jesus.

Depois da vitória suada arrancada na Luz uma semana antes, o Benfica deslocou-se à Alemanha, onde nunca ganhara antes a uma equipa germânica, para tentar inverter a história. Depois de dezoito jogos de tentativas frustradas, era a vez de, como Jesus previra na conferência de imprensa do dia anterior, mudar a história. Na cidade maldita onde Veloso falhou o fatídico penalty da final da Taça dos Campeões Europeus de 1988, o Benfica escreveu a primeira bela página europeia desta década.

Privado de Saviola por indisposição de última hora, Jorge Jesus manteve-se fiel ao esquema de jogo habitual e lançou Jara na partida, no lugar de El Conejo. No entanto, as principais dúvidas residiam na forma como a equipa se apresentaria. Estaria o Benfica em boas condições físicas para bater os alemães, depois do desgastante derby de segunda-feira? Como aqui dissemos, fisicamente este Benfica não está bem nem muito bem: está quase perfeito. É isso que permite que Coentrão faça sprints aos 90+3 minutos em que passa por três adversários, é isso que permite que Gaitán, mesmo depois de ter descansado menos de 72 horas após o duelo de Alvalade, em que acabou visivelmente estoirado, se apresente fresco que nem uma alface.

O Benfica entrou forte e pressionou o Stuttgart bem alto desde início, tendo conseguido as melhores oportunidades do primeiro tempo. Fábio Coentrão deu o primeiro sinal de golo, mas não conseguiu repetir aquilo que já fez este ano noutros jogos grandes (Porto e Lyon). Curiosamente foi na sequência de um pontapé de canto que o Benfica chegou à vantagem, com um remate fortíssimo de Salvio, rasteiro, sem hipóteses de defesa. Em vantagem na eliminatória, os alemães teriam de marcar três golos para passar.

No segundo tempo, logo no recomeço, foi Jara quem testou os reflexos do guarda-redes alemão, que sairia lesionado após um choque aparatoso com Gaitán e com Delpierre. O Benfica sabia defender bem e saía para o ataque sempre com muito perigo, tendo Luisão desperdiçado uma oportunidade soberana para matar a eliminatória, ao falhar um golo quase feito após uma desmarcação perfeita na sequência de um livre. O Benfica acreditava e sabia que um golo sentenciava a partida. Cardozo testou a qualidade de Ulreich, num remate alto e forte, com aparatosa defesa do camisola "1". E tantas vezes o cântaro foi à fonte que acabou por partir, num livre perfeito de Cardozo, mais fácil que um penalty, com a bola a bater no poste e a entrar junto ao outro. Execução sublime, dança da galinha, 0-2 e primeira vitória na Alemanha. Era o coroar de uma exibição quase perfeita, com classe, magia e pragmatismo.

Queria ainda destacar a exibição de dois jogadores: primeiro, Roberto, que fez quatro defesas que garantiram a continuidade nesta prova. A defesa a cabeceamento de Okazaki é de um grau de dificuldade elevadíssimo, só ao alcance de um grande guarda-redes. O espanhol mostra-se cada vez mais confiante entre os postes, apesar de nas bolas aéreas ainda andar, não raras vezes, aos papéis. O segundo a destacar é Nico Gaitán, jogador que tem sido comparado a Di María. Não me parece que sejam minimamente parecidos, aliás, vejo em Gaitán um estilo de jogo muito parecido (com potencial para ser bem melhor) com o de Deco. Gaitán parece-me cada vez mais um "10", e ontem teve mais um jogo com nota artística. Bravo!

16ª vitória consecutiva em todas as competições, novo record do clube. Numa época com tantas dificuldades, este é um feito magnífico, muito graças ao treinador que soube refazer uma equipa, potenciando jogadores que tinham acabado de chegar. Bravo Jesus!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Derby e o pós-derby

Estarei hoje em Alvalade para assistir ao derby dos derbies, o Sporting x Benfica. Seja em campismo, andebol, chinquilho, hóquei ou futebol, um Sporting x Benfica é sempre, mais que um jogo, uma rivalidade que se vive diariamente aqui em Lisboa. Desde pequeno que sinto isso, este jogo faz parar a cidade não só no dia mas como na semana que o antecede. Não há confronto de religiões ou crenças que supere um Sporting x Benfica, este jogo é muito mais que isso, muito mais que um jogo.

Para o Benfica, o campeonato não é, na minha opinião, a prioridade. Estamos a 11 pontos do líder, o FC Porto, com menos um jogo, e com 12 confortáveis pontos de vantagem sobre o Sporting. A meu ver, a probabilidade de chegar ao primeiro lugar é tão forte quanto a de cair para terceiro, ou seja, quase nula. É em segundo que estamos e é em segundo que iremos acabar com maior ou menor esforço. Cerca de 10 pontos em 10 jornadas é algo extremamente difícil de ganhar ou perder para dois adversários , um tão forte e o outro tão fraco, respectivamente. A meu ver, as grandes prioridades deste Benfica são as duas Taças internas. Porquê? Porque tanto numa como na outra estamos numa posição privilegiada para vencer. Na da Liga, recebemos o Sporting na Luz, defrontando em seguida o Nacional ou o Paços na final. Na de Portugal recebemos o Porto com uma vantagem de 2-0 conseguida no Dragão, defrontando na final o Vitória de Guimarães ou a Académica de Coimbra. Em ambas as competições, o Benfica parte como favorito à vitória e realisticamente falando, é para ganhar não por uma questão de acreditar e de fé mas por uma questão de obrigação. Somos melhores e temos vantagem, não podemos desperdiçar a oportunidade. A propósito, há quantos anos é que o Benfica não vence dois troféus oficiais em duas épocas consecutivas?

E a Liga Europa? A equipa continua a mostrar alguma falta de estofo ou cultura europeia, mas o sorteio que nos coube foi bastante simpático e favorável. Dificilmente poderíamos pedir melhor que uma equipa que luta para não descer e por um adversário que vem de um país com o qual nos temos dado bem num passado europeu recente. Acho que este Benfica tem boas hipóteses de passar aos quartos-de-final, depois disso, dependendo dos sorteios, logo se verá.

Com o jogo decisivo a ser disputado no sul da Alemanha 72 horas depois do encontro de Alvalade, há que saber gerir o plantel. Acredito que é na prova europeia que o Benfica deve concentrar a sua atenção, mais que no campeonato. E assim sendo, deverá Jesus poupar jogadores no clássico de hoje?

A meu ver, não. Uma boa parte dos adeptos fala em poupar os jogadores e alinhar com uma equipa maioritariamente constituída por suplentes em Alvalade. Não vejo razão para isso por um factor especial: este Benfica, fisicamente, está fortíssimo. Os jogos mais recentes, com Guimarães e Stuttgart foram a prova disso, com a equipa a mostrar índices físicos altíssimos. Na defesa, tanto Coentrão como Maxi estão com rendimento elevado. No meio-campo, Javi vem a subir de forma e os extremos, sem deslumbrarem, têm estado bem. Saviola vem fresco para Alvalade depois de ter cumprido castigo europeu, e Cardozo também está em forma. A poupar alguém, seria apenas Aimar, não por estar a jogar mal ou por estar em má forma física, mas porque precisamos do melhor Aimar na Alemanha e porque Martins também necessita de minutos para ser opção.

O meu onze: Roberto; Maxi Pereira, Luisão, Sidnei e Fábio Coentrão; Javi Garcia, Salvio, Nico Gaitán e Carlos Martins; Javier Saviola e Óscar Cardozo

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Em aberto

Jogar contra o Stuttgart não é o mesmo que jogar contra o Vitória de Guimarães ou o Rio Ave: as desatenções pagam-se caro e é necessário manter os índices de concentração elevados durante os 90 minutos. Quando assim não acontece, o resultado pode ser algo que não desejamos. Ficou uma vez mais provada a diferença abissal entre a nossa liga de futebol e a alemã, uma das do big five. Mas também se provou que este Benfica, ainda sem maturidade europeia, pode fazer "coisas bonitas", nas palavras do poeta Artur. A vantagem de 2-1 é um resultado perigoso, sobretudo num local onde o Benfica nunca ganhou. Para a semana há mais, com o desejo de passar a eliminatória e com a certeza de que, para o fazer, será necessário um desempenho ainda melhor do que o conseguido na Luz, sobretudo na primeira parte.

Cerca de 45 mil adeptos benfiquistas deslocaram-se ao estádio num final de tarde de trabalho, a uma 5ª feira, para assistir ao primeiro jogo europeu deste ano, com a esperança de verem o Benfica rubricar uma exibição e um resultado melhores que aqueles que conseguidos nas provas europeias desta temporada. No entanto, a primeira parte, não trouxe grandes melhorias face ao que já tínhamos visto: incapacidade constante em "mandar" no jogo uma vez que a circulação de bola no meio campo adversário era uma miragem. Raras foram as vezes que o Benfica conseguiu 4 passes consecutivos no meio-campo dos alemães, muito por culpa da desinspiração de Aimar, muito bem anulado, e Salvio, mais por demérito próprio que por mérito alheio. Jara, sempre muito interventivo, revelou-se algo trapalhão e infantil na hora de decidir, preferindo não raras vezes atirar-se ao chão a lutar pelo lance. Defensivamente, os mesmos erros de sempre quando jogamos contra equipas mais evoluídas que o Rio Ave ou o Guimarães: transição falhada, Javi demasiado desapoiado, dificuldade em bolas aéreas por culpa da posição da linha defensiva, que é excelente para jogos nacionais mas que para encontros internacionais é um problema, como se revelou no golo alemão.

No segundo tempo foi quase tudo diferente. O Benfica apresentou-se com outra cara e quis mandar no jogo, pondo o guardião do Stuttgart em sentido por várias ocasiões. Fábio Coentrão, Pablo Aimar, Óscar Cardozo e Nico Gaitán tentaram a sua sorte logo nos primeiros minutos, mas sem sucesso. Por volta do minuto 65, o Benfica massacrava. E foi com o dedo de Jesus, com a mudança de Salvio para a esquerda e de Gaitán para a direita, que esse rendimento foi incrementado. O golo surge precisamente de um cruzamento de Nico na direita, com a bola a sobrar para Cardozo, que à ponta-de-lança, fez o golo. Com o empate, Jesus fez um compasso de espera nas substituições e lançou Kardec e Carlos Martins para os lugares de Salvio e Aimar, colocando uma frente de ataque com três homens (Cardozo, Kardec e Jara). E quando este último tinha acabado de dar o berro, com cãibras, queixando-se no chão, Cardozo impede que o colega seja assistido, levanta-o e incentiva-o. A vontade de ganhar era notória. E quando há vontade e engenho, há golo. Assim foi, Jara remata forte a 25 metros da baliza, com a bola a tabelar num alemão, e a passar por cima de Ulreich, batendo na trave e entrando na baliza, voltando a sair. Nem o árbitro, nem o fiscal-de-linha, nem o badameco que está a passar frio atrás da linha de fundo, nenhum deles viu. Felizmente estava lá Cardozo, que não se fez rogado e confirmou o golo do colega argentino. 2-1 no marcador, o Benfica estava finalmente com a vantagem que já merecia.

Até final do jogo, o Benfica ainda procurou o ataque e poderia ter marcado por duas ocasiões, primeiro com Kardec, a falhar o cabeceamento, e depois por Menezes, que obrigou o guarda-redes germânico a uma boa defesa. A equipa divida-se entre os que queriam marcar o terceiro e os que queriam a manutenção do resultado, com Roberto a ser assobiado por retardar a reposição da bola em jogo. O jogo terminaria com a justíssima vitória do Benfica, mas com um resultado que é extremamente perigoso, especialmente na terra dos boches, onde nunca ganhámos. Como há sempre uma primeira vez para tudo, acredito piamente que será desta vez que vamos matar e esfolar este borrego com mais de 50 anos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Antevisão SL Benfica x Estugarda


Se é verdade que o Benfica tem vindo a melhorar ao longo desta época e esteve sublime no último jogo frente ao Vitória de Guimarães, também não deixa de ser verdade que o Benfica tem estado muito aquém das expectativas nos jogos internacionais esta temporada.

Parece-me que o Benfica tem um sistema demasiado ofensivo para este tipo de jogos. É verdade que é o mesmo sistema do ano passado. No entanto, se antes nas alas tínhamos um jogador que auxiliava o Javi Garcia nas tarefas defensivas e que era o elo de ligação defesa-ataque da equipa, este ano contamos com dois jogadores de características ofensivas.

Claro que, contra as equipas mais pequenas do nosso campeonato e que jogam muito recuadas no terreno, o sistema actual de 4-4-2 formação diamante, faz sentido, principalmente quando jogamos na Catedral. Mas contra adversários mais fortes, com outros argumentos, parece-me importante reforçar o nosso meio campo com um jogador que o equilibre mais e seja a bengala do nosso número seis. Ou pelo menos, introduzir um jogador com características mais defensivas.

À partida, o elemento que garantia mais consistência e força seria o Airton. No entanto, não só este poderia ser incompatível com o Javi Garcia, como a equipa adversária, caso saiba pressionar e seja tacticamente organizada, poderia criar-nos dificuldades a sair a jogar, na primeira fase de construção do jogo.

Parece-me que a solução ideal seria utilizar o Rúben Amorim por ser um box-to-box, alguém que, não só é competente no posicionamento e na marcação, mas também sabe sair a jogar. Estando lesionado, Jesus poderá apostar no jogador do plantel mais semelhante ao Rúben, conforme fizera no dragão, ou seja, em César Peixoto.

Igualmente importante para amanhã é termos uma equipa solidária, coesa e que saiba alternar o fato de gala com o fato-macaco, consoante nos esteja a correr o jogo. É necessário controlar a ansiedade e ter inteligência. É confortante sabermos que podemos contar com a liderança de Luisão e com a experiência de Aimar e Saviola.

Orgulho-me de ser um crente em Jesus. Já era “o meu treinador” antes de vir para o Benfica e acredito que terá aprendido com alguns dos erros cometidos este ano. Como tal, tenho muita confiança nas suas capacidades e tenho a certeza que encontrará a solução ideal para vencermos amanhã.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Melhor era impossível

O Benfica teve muita sorte no sorteio dos 16-avos e oitavos de final da Liga Europa. Face ao cenário aqui descrito, poder chegar aos quartos-de-final sem defrontar nenhuma daquelas que eram, a meu ver, as 9 equipas mais fortes, é extremamente positivo. Mas pensando a curto-prazo, jogo a jogo, o importante é ver que vamos defrontar uma equipa que está perfeitamente ao nosso alcance, o Stuttgart.
A malapata encarnada na Alemanha é mais que conhecida: 50 anos sem conseguir uma vitória na terra dos Boches. No entanto vejo com alguma esperança que pode ser desta vez que a maldição seja quebrada. A equipa do sudoeste alemão encontra-se num péssimo momento de forma ocupando um incrível 17º lugar na Bundsliga em 18 possíveis, o equivalente ao Nurnberg que defrontámos em 2008 na Taça UEFA. E não sendo o actual Stuttgart tão fraco como o adversário de 2008, também este Benfica é mais forte que o Benfica de 2008. Diria que ambas as equipas estão ainda bem longe do potencial que têm, resta saber qual delas vai conseguir evoluir mais até Fevereiro. Espero e acredito que será o Benfica. Os alemães treinados por Bruno Labbadia, ex-treinador do Hamburg não têm das equipas mais homogéneas da prova. Na baliza estão longe de estarem bem servidos, o titular Ulreich não inspira muita confiança, e esse poderá mesmo ser um ponto fraco a explorar. Na defesa há alguns jogadores conhecidos como o holandês Boulahrouz, Boka, Molinaro, ou um conjunto de jovens alemães de uma nova geração que surgiu para "renovar" o futebol germânico: Trasch, Niedermeier e, o mais conhecido deles todos, Tasci, constituem um trio de qualidade acima do resto dos colegas de sector. Quem segue o futebol internacional também já ouviu alguns dos nomes do meio campo: Camoranesi é o mais sonante de todos, mas o internacional italiano, já com 34 anos, não tem constituído opção regular na equipa inicial; Gebhart, Gentner (campeão pelo Wolfsburg em 2009) e Kuzmanovic, este último de grande qualidade, a meu ver, são outros dos jogadores mais sonantes. No ataque há Cacau, ele que já fazia parte da equipa que derrotou o Benfica na Taça UEFA de 2004/2005 e ainda dois outros atletas com mais dificuldades em assegurar um lugar no onze, casos de Marica, internacional romeno, e Pogrebnyak, o russo que se deu a conhecer ao mundo do futebol em 2008 com vários golos na campanha gloriosa do Zenit nesta prova.


Posto isto, o Benfica parece-me melhor que o Stuttgart. No entanto, a falta de mentalidade europeia, a falta de força física em campo e a desorganização defensiva podem jogar contra nós. Com a primeira mão a ser disputada na Luz, é necessário vencer em casa para, na Alemanha, ter mentalidade e sangue frio para jogar contra os alemães e contra a História.


P.S. Sem bolas quentes ou frias fica mais difícil, não fica? O Porto, sendo cabeça-de-série, teve um sorteio bem mais difícil que o Benfica. O do Sporting não aquece nem arrefece, 50% de hipóteses para cada um. O do Braga é mais difícil do que o que parece, apesar de eu não conhecer nada do Lech a não ser os resultados da fase de grupos.