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domingo, 7 de outubro de 2012

Feira de Vaidades

Aqui me penitencio por me ter exaltado com as declarações de Bruno César, aqui há coisa de um ano, quando disse que o Benfica seria uma ponte aérea para a Europa. Quem fala verdade não merece castigo. E aquilo que vi hoje na Luz foi, evidente e efectivamente, uma feira de vaidades. Um grupo de jogadores mimados que estiveram a mostrar-se à Europa, cada um a puxar para seu lado, sem qualquer sentido de colectivo. Felizmente do outro lado estava o Borussia de Aveiro, equipa que tem zero de futebol nos pés (apesar do jeito para o teatro, refira-se), pelo que a brincadeira com que os jogadores do Benfica presentearam os menos de 30 mil no Estádio da Luz não teve consequências de maior. Liderança isolada, pelo menos até amanhã, mas a continuar assim será a termo. É preciso ter equipa. O Benfica teve onze jogadores em campo, mas esteve muito longe de ter lá uma equipa. Há muito caminho para percorrer e infelizmente estamos a percorrer o caminho errado. Não é por aí, Benfica.

Vou contar-vos uma não-novidade: tacticamente, este Benfica é dos piores que já vi. Tanto no plano defensivo como ofensivo é de ir às lágrimas. A defender, a equipa limita-se a correr à maluca atrás dos adversários, sem qualquer critério nem inteligência, abrindo espaços por tudo o que é sítio. Do ponto de vista ofensivo é este "meio-campo aluga-se" que se vê na imagem: três atrás (geralmente os dois centrais e Matic), um médio perdido no meio (costuma ser Enzo, mas neste caso é Matic) e o resto lá à frente, sem linhas de passe. Os extremos são pontas-de-lança e os laterais são extremos. Onde é que isto é de um Mestre da Táctica? Ainda há uns dias vi o Barça a jogar na Luz com os laterais na lateral e com a bola a circular essencialmente pelo centro do terreno. Gente estranha...

Do outro lado, Rui Costa (o árbitro) e Ulisses "os sócios sabem o valor do Rego" Morais reeditaram uma dupla que em 2005 deu água pela barba ao Benfica de Koeman, quando o seu Gil Vicente derrotou os encarnados na Luz por 0-2. À semelhança do que se passou há sete anos, os comandados de Ulisses marcaram o primeiro golo da partida e os jogadores começaram a simular lesões na esperança de ganharem tempo (um clássico deste Ulisses), mas a Odisseia dos aveirenses na Luz durou pouco mais de 45 minutos, apesar da exibição miserável do Benfica (talvez porque este Beira-Mar seja também das equipas mais medíocres da nossa Liga). Maxi e Rodrigo, o segundo após grande passe de Lima, mataram o jogo num minuto.

Mas que isto não sirva para apagar o que se passou na Luz. Se no caso de alguns jogadores não há melhores exibições porque simplesmente não sabem muito mais do que aquilo que mostraram hoje (como Jardel, numa exibição de péssimo nível, ou Matic, que voltou a perder quase todos os lances de cabeça disputados), outros casos há em que os atletas estiveram numa toada de individualismo e/ou show off inadmissíveis: casos de Maxi (!), Salvio, Gaitán e, sobretudo, Rodrigo. Insuportável, inadmissível. O Benfica não é uma montra, o Benfica não é um stand e o Benfica não deveria ser este circo, esta feira de vaidades.

(Jorge Jesus quando o Benfica está a perder (esq.) e quando está a ganhar (dir.))

E falta aqui o maior dos patetas, o senhor Jesus. O Jorge é um idiota. E o mal deste mundo, citando Bertrand Russell (Gaspar, eu acerto no nome, nem preciso de ir ver ao Google) é que os idiotas estão cheios de certezas e os génios cheios de dúvidas. E ouvir o Jorge falar nas conferências de imprensa, com toda aquela sua arrogância e prepotência, próprias de um incompetente analfabeto novo-rico, é a confirmação de que Russell estava certo. O homem queixa-se do cansaço dos seus jogadores mas demora 75 minutos para fazer uma substituição. Quando está a perder é um cachorrinho amedrontado, junto ao banco de suplentes, pouco interventivo e muito calado, transformando-se num caniche raivoso quando a equipa se apanha na frente do marcador, insultando Lima por ser, imaginem, egoísta na altura da finalização (quem é que deu o golo a Rodrigo?!) e tratando Raul José e Carraça abaixo de cães. E por fim, o Jorge ainda passou a mão pelo pelo aos No Name, numa atitude que cheira a medo depois do descontentamento que houve há uns dias atrás, numa quinta-feira qualquer. Voltou, claro, a fazer referências ao magnífico público do Celtic. Jorge, dou-te duas dicas: ou falas com quem tem paga 7,64€ por minuto para baixar os preços dos bilhetes dos jogos ou então mudas-te em definitivo para a Escócia. Ou mesmo para o Blackburn (desculpa lá, Nuno), que, segundo o Jorge, tem um orçamento maior que o do Benfica. Era um favor que me/nos fazias. Para concluir uma conferência de imprensa tenebrosa, ainda se sai com um "cinco pontos de vantagem [sobre o Sporting] não são nada". Rings any bells?

P.S. Espero que a Liga tenha em atenção a atitude do jogador Jonas Mendes, guarda-redes suplente do Beira-Mar, que durante o jogo teve duas atitudes anti-desportivas inaceitáveis: num contra-ataque lançado por Enzo Pérez pela esquerda, à passagem do minuto 67, tenta agredi-lo com uma garrafa de água. Mais tarde, nos últimos dez minutos, atira uma bola com violência a um apanha bolas que não tinha mais que dez anos.

sábado, 17 de março de 2012

Cumprir calendário

Balboa a espalhar magia na Luz. Só possível com Emerson pela frente.

O Benfica venceu e bateu uma das equipas mais fracas da Liga, o Beira-Mar, formação que em termos de futebol jogado me parece a mais débil da prova. Foi um jogo sem grande história e que serviu apenas para cumprir calendário, confirmando uma vitória caseira obrigatória para qualquer candidato ao título.

Nélson Oliveira estreou-se como titular na Liga Zon Sagres e o Benfica tentou explorar a sua velocidade como foi visível pelos muitos passes compridos ao longo das linhas laterais. Aimar também regressou ao onze e assumiu a batuta da organização do futebol encarnado, tentando sair a jogar contra um Beira-Mar que se fechou sempre muito e muito atrás. E fruto da boa organização ofensiva, apesar de faltar alguma inspiração, o Benfica conseguiu rapidamente chegar à vantagem no marcador graças a uma arrancada de Witsel pela direita (viste, Emerson?) que Cardozo, oportuno, soube finalizar. O mesmo Cardozo isolou facilmente Gaitán (o que estava a defesa do Beira a fazer?!) para marcar o segundo e chegar ao intervalo com um tranquilo 2-0.

No segundo tempo, o Benfica reduziu a velocidade e começou a poupar-se para o jogo da próxima terça. Foram 45 minutos entediantes, ritmo de jogo baixíssimo, intensidade quase nula, dava vontade de terminar o encontro e ir para casa. Ainda assim, novamente Cardozo, após passe de Nélson Oliveira (e mais uma vez a defesa aveirense a colaborar), facturou e isolou-se na lista de melhores marcadores do campeonato nacional. Até final foi um longo bocejo e a oportunidade de ver Balboa, esse craque inter-galáctico, esfrangalhar Emerson e assistir um colega para o golo da praxe que todas as equipas que vêm à Luz têm direito.

Vitória fácil contra um adversário que joga menos que a maioria das equipas da Orangina e que nos permite continuar a colocar pressão sobre o FC Porto. Nota ainda para a boa arbitragem de Manuel Mota, à inglesa, sempre a deixar jogar, apesar de algumas vezes ter sido demasiado brando a nível técnico.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Benfica vence mais um amigável

Foi provavelmente um dos treinos mais concorridos de sempre na Luz. O Benfica, de coletes vermelhos, recebeu e venceu o Elm... o Beira-Mar, de coletes amarelos, em mais um jogo a contar para o campeonato nacional. Cumpriu-se calendário naquilo que foi um excelente teste para o que vamos encontrar na quarta. Não, não falo dos onze adversários, mas sim dos três supostamente neutros que presentearam o público da Luz com uma das arbitragens mais desavergonhadas dos últimos tempos. Com a vitória alcançada, o Benfica ganhou o dia. Com a exibição conseguida, Elmano Santos ganhou a noite.

Uma vez mais foram as "reservas" que se apresentaram em campo para, pela primeira vez na temporada, levar o Benfica à vitória. Mesmo com nove habituais suplentes a vitória foi possível graças ao génio dos dois artistas que andam presos por arames, Martins e Aimar.

O Benfica iniciou o jogo com a determinação necessária para levar de vencida os aveirenses, mas devido à falta de rotinas e também, diga-se, devido à falta de sorte, não foi possível adiantar-se no marcador. Com Luís Filipe muito activo, apesar das evidentes limitações que possui, foi graças a combinações do titular mais antigo do plantel com Carlos Martins e Aimar que surgiram os primeiros lances de ataque encarnado. À esquerda, a falta de ideias e de qualidade eram evidentes, com Fernández em péssimo plano, incapaz de construir uma jogada de ataque. E era neste ritmo monótono, em que nem as bolas ao poste nem as grandes defesas (uma para cada lado) traziam emoção de tão desinteressante que era o jogo e tão fraco o cenário, que o tempo passava. E para espevitar os pouco mais de 25.000 que foram à Luz, eis que surge o protagonista principal, de seu nome Elmano Santos, que consegue anular um golo que todo o Estádio viu. Três animais vestidos de preto e nenhum deles viu. Ou melhor, não duvido que tenham visto, mas daí a ter coragem para fazer o que é devido, enfim, ainda vai uma boa distância. Porque como dizia um comunicado de uns patetas, o erro é normal, mas não é assim tão normal que aconteça sempre contra os mesmos.

O Benfcia entrou no segundo tempo com outra atitude e logo nos minutos iniciais foi Kardec que, após bom trabalho de pés, confundiu Hugo e atirou a bola com tanta precisão que acertou no poste esquerdo da baliza de Rui Rego. O Benfica insistia e conseguia um maior domínio territorial que na primeira parte, e após um erro (mais um) de Sidnei, o brasileiro recupera a bola e lança um ataque rápido que acaba por finalizar isolado na cara do guarda-redes. O primeiro estava feito. Sentindo o golo, o Beira-Mar reagiu e lançou-se no ataque causando algumas dificuldades a Júlio César, que esteve sempre à altura. Com o crescimento aveirense, Raul José lançou em campo Peixoto (aplaudido, imaginem) e Cardozo simultaneamente, entrando Maxi Pereira pouco depois devido a lesão de Luís Filipe. E foi com o uruguaio em campo que o Benfica chegou ao golo da tranquilidade, num slalom de Maxi, pela direira, que flectiu para o centro e entregou a Jara, que rompendo por entre os centrais, ficou cara-a-cara com Rego e fez o segundo. Um golo que serve para apagar uma má exibição do nosso "Tévez".

Até final, o Beira-Mar fez entrar um jogador da nossa formação emprestado por nós, Yartei, que após alguns lances perdidos fez um dos golos do campeonato, num disparo fortíssimo sem hipóteses de defesa. Golaço do ganês, para benfiquistas ver.

Não há muito mais a dizer, o Benfica segurou matematicamente o segundo lugar pois este ano as posições no campeonato decidem-se, em caso de igualdade pontual, pela diferença entre golos marcados e sofridos, e não pelo confronto directo entre os empatados. O Benfica passou no teste com o Beira-Mar e agora segue-se a segunda mão da meia-final contra o Porto. Exige-se concentração para passar uma eliminatória que temos na mão. Espero uma atitude e uma inteligência que, por exemplo, não vi em Eindhoven. Até porque o Porto é bem mais forte que o PSV.

domingo, 28 de novembro de 2010

O Cardozão voltou

O Benfica saiu de Aveiro com uma vitória que teve tanto de importante como de merecida. Num jogo de sentido praticamente único, o Benfica conseguiu três importantes pontos que o deixam com três de vantagem sobre o Vitória e cinco sobre o Sporting na luta directa pelo segundo lugar. Título? Não acredito, os oito pontos que nos separam do Porto parecem-me irrecuperáveis atendendo às carências da nossa equipa e à força da deles. Nem quero imaginar o que teria sido se o Benfica não tivesse garantido a vitória hoje, o cataclismo que seria e onde estaria Jorge Jesus a esta hora. Felizmente correu tudo pelo melhor. E muito graças àquele "tosco" chamado Cardozo. Que lufada de ar fresco! Mas não se deixem enganar pelo resultado, o Benfica voltou a revelar carências visíveis durante os 90 minutos.

Com mais de 15.000 nas bancadas, ficou uma vez mais provado que os adeptos do Benfica estão com a sua equipa mesmo nos piores momentos, mesmo após humilhantes derrotas como a do Dragão ou a de Tel-aviv. E estar a apoiar os jogadores num momento extremamente difícil como este é muito mais importante que qualquer boicotezeco. Tenho pena, mas não me surpreende, que as altas esferas do Benfica não percebam isso, afinal de contas nunca devem ter tocado numa bola de futebol e não fazem ideia de quão importante é sentir o apoio dos adeptos num momento difícil como este. Mas é assim o futebol.

O Benfica entrou forte no jogo e deixou bem claro que queria o Beira-Mar encostado às cordas. Ataques sucessivos pelo centro, esquerda e direita com o perigo a rondar a baliza de Rui Rego. Saviola, ainda antes do quarto de hora, enviou a bola à barra e depois foi Luisão a cabecear para defesa difícil do guardião aveirense, com a bola a ressaltar para o braço de um defesa da equipa da casa, que aproveitou-se para impedir que esta sobrasse para um jogador encarnado. Penalty nítido, mais um, que ficou por assinalar. Nada de novo, portanto.

Até final da primeira parte foi ver o Benfica mais perigoso que o Beira-Mar, nomeadamente graças a Carlos Martins, muito inspirado, a confirmar o excelente momento que atravessa desde o início da época e a colocar mais pontos de interrogação acerca da sua não utilização em Israel. No entanto os aveirenses equilibraram um pouco a partida e chegaram a criar algumas situações de aflição, nomeadamente em lances de contra-ataque em que galgavam 40 metros sem oposição encarnada, revelando a deficiente transição ataque-defesa do Benfica. Felizmente, quando o jogo já caminhava para o intervalo, Cardozo foi puxado dentro da área por Kanu na marcação de um pontapé de canto. Bruno Paixão, muito atento, apontou e bem para a marca de grande penalidade. Chamado à marcação, Cardozo não perdoou e fez o primeiro golo da partida no seu regresso depois de quase dois meses parado. O Benfica seguia para o intervalo em vantagem.

No primeiro quarto de hora do segundo tempo houve perigo a rodos perto de ambas as balizas. Na aveirense foi Cardozo a chegar atrasado ao cruzamento de Amorim e depois Coentrão a deixar-se antecipar por Pedro Moreira quando tinha apenas o guarda-redes pela frente. Na do Benfica foi Roberto a defender perdida escandalosa de Ronny, o famoso avançado que marcou um golo em Alvalade com a mão, e depois o mesmo Ronny a acertar na base do poste de Roberto após desmarcação onde David Luiz fez de Edcarlos tal a forma indecente como perde o lance. E foi neste ritmo elevado e de qualidade para a nossa Liga que surgiu novamente o homem-golo do Benfica, Óscar Cardozo, que conseguiu chegar a uma bola sobre a ala direita, esperou pelo colega que arrastou o defesa na sua marcação e, com espaço, disparou em jeito mesmo ao canto da baliza, sem hipóteses de defesa. 0-2 no marcador, Cardozo tinha voltado e a vitória tranquila estava aí à porta.

E praticamente a seguir ao segundo veio o terceiro, com Cardozo novamente em excelente plano a dar um nó fantástico a esse grande central chamado Hugo, tão elogiado ontem à noite, e a servir Saviola que só teve de encostar para marcar o terceiro da noite, seu segundo apenas nesta Liga. Tudo mais fácil. A partir deste momento, com o jogo no bolso, o Benfica só tinha de gerir o esforço e assim o fez: saíram Cardozo, Martins e Saviola para as entradas respectivas de Kardec, Salvio e Jara, por esta ordem. Mas, já perto do final do jogo, eis que o Benfica sofre o golinho da praxe. Adivinham em que tipo de lance? Bola parada, pois claro. Mas está tudo bem, Pavlov ensinou alguns adeptos a abanar a cabeça compulsivamente para cima e para baixo apesar de serem visíveis as falhas e défices desta defesa à zona. Mais um para juntar à lista. Depois do golo sofrido eis que o Benfica entra em modo de auto-destruição e começa a deitar por terra tudo o que fez de positivo durante os 88 minutos até então jogados. Erros em catadupa, incapacidade em segurar a bola (mas isso era pedir muito ao Bergessio, perdão, Jara), espaços abertos na defesa, enfim, uma sucessão de erros primários impressionante. Felizmente, por falta de engenho adversário, o Beira-Mar não soube aproveitar-se disto e o Benfica saiu de Aveiro com os três pontos numa vitória justa e limpa, numa exibição próxima daquelas exibidas fora de casa na época passada.

sábado, 8 de maio de 2010

Liga Vitalis, dia de todas as decisões

Pode parecer absurdo escrever um post sobre a decisão da Liga Vitalis na véspera de um jogo tão importante como o de amanhã, mas o que se passa e vai passar na tarde de hoje nos relvados da Liga de Honra é importante e, pelo menos a mim, diz-me algo de especial, como deveria dizer a grande parte dos benfiquistas.

Cinco equipas podem subir: o Beira-Mar, equipa liderada pelo jovem e ambicioso Leonardo Jardim, onde jogam Leandro Pimenta e Ishmael Yartey, ambos emprestados pelo Benfica, que precisa de um empate apenas para conseguir tal feito; o Portimonense, um histórico do Algarve com um passado muito peculiar e que até chegou a estar presente numa edição da Taça UEFA dos anos 80; o Feirense, cuja última aparição no principal escalão de futebol ocorreu no mesmo ano do Portimonense (89/90); a Oliveirense, de todos o clube mais eclético, e que tem feito uma época assombrosa face ao seu orçamento; o Santa Clara, maior clube açoreano, que na última década se tem mantido na Liga de Honra com maior ou menor dificuldade não só dentro de campo mas também a nível económico.

No entanto, face a estes cinco candidatos, tenho as minhas preferências. Até porque alguns duns interesesses do Benfica chocam com os de outras equipas, como vão perceber a seguir.

O Beira-Mar é, de todos, o clube mais independente. Sempre o foi, aliás. Talvez por isso não se consiga manter na primeira divisão durante uns cinco anos consecutivos, andando num sobe e desce constante. Com um jovem treinador, as expectativas não passavam, no início da época, por uma subida à Liga Sagres, mas a boa campanha dos aveirenses deixa-os em excelente posição para alcançarem tal feito. Só mesmo uma hecatombe pode evitar que voltem a fazer parte dos 16 de primeira, uma vez que perder em casa frente ao último classificado, o já despromovido Carregado (onde milita Miguel Rosa, um dia falo sobre ele) parece praticamente impossível. Eu via com bons olhos a subida do "Beira-Beira". Basta um empate, ou, mesmo perdendo, sobe se Feirense e Santa Clara não ganharem.

O Portimonense tem uma história que deve encher de orgulho os seus adeptos. Atingiram o topo nos anos 80 quando, na primeira divisão, lutavam pelos lugares europeus, tendo mesmo lá chegado em 84/85. No entanto essa convívio entre os grandes terminou em 1990, quando os seus adeptos tiveram a infeliz ideia de se meterem com quem mandava no futebol nacional. Numa deslocação do Porto a Portimão, Pinto da Costa foi agredido pelos adeptos do Portimonense Sporting Clube, e, a partir daí, coincidência das coincidências, com a guerra decretada aos clubes do sul, o Portimonense desceu à segunda divisão e pouco depois à 2ªB, onde esteve em boa parte dos anos 90. Nesta década que agora termina, esteve sempre na Liga de Honra, mas com grandes dificuldades, sendo este o primeiro ano em que luta pela subida. Curiosamente, tem vários jogadores emprestados pelo Porto ou dispensados por esse mesmo clube para Portimão. No entanto, pelo que sei, o sentimento naquela cidade em relação a Porto, Sporting e Benfica mantém-se. O ódio ao Porto é o mesmo. Por razões óbvias, gostava que subissem, seria muito bom termos duas equipas do Algarve na primeira divisão. Basta um empate para regressarem passados 20 anos.

O Feirense anda há vários anos a "cheirar" a subida. Não luta por ela, mas faz campeonatos bem tranquilos, excepto o de 07/08, e tem ficado na metade superior da tabela. A escassos quilómetros da cidade do Porto, não raras vezes um grupo de adeptos chamados de "SuperDragões" vai a Santa Maria da Feira apoiar o Feirense, o que constituirá, sempre, um perigo para o Benfica uma deslocação àquela localidade, apesar dos bons benfiquistas que lá habitam. Já há alguns anos que deixaram para trás a 2ªB e uma vitória hoje, aliada com derrota do Beira-Mar ou vitória dos aveirenses e da Oliveirense, leva-os de volta à primeira.

A Oliveirense tem tido uma subida meteórica nos últimos dois anos. Desde que Hermínio Loureiro assumiu a presidência da Liga de Clubes e a isso juntou a presidência da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, a subida tem sido efectivamente fantástica. Subiram da 2ªB para a Vitalis em 2008 e podem subir hoje à 1ª! Diz quem acompanha regularmente a Liga Vitalis que a Oliveirense tem sido claramente beneficiada pelas arbitragens. O seu presidente está claramente conotado com o Porto, sendo o lambe-botismo por demais evidente e o estádio não tem condições para receber uma equipa da Liga de Honra, quanto mais uma do principal escalão. Por tudo isto, a subida era evitável. Só a alcançam se ganharem e tanto o Beira-Marar como o Feirense perderem.

O Santa Clara, equipa que possui um belo símbolo, tem-se batido com algumas dificuldades nos últimos anos, não tanto a nível de classificação mas mais relativamente a problemas financeiros. Não sei como é que os açoreanos vivem o clube da sua terra (talvez quanto a isso o nosso leitor Bettencourt nos possa ajudar), mas tenho a sensação que têm uma simpatia com um dos três grandes, nomeadamente com o Benfica, mas estão longe de ser um clube "vendido" como outros do nosso escalão. Venceram a 2ªB em 1997/1998 e alcançando assim a 2ª Liga, sendo que no ano a seguir a essa conquista, subiram logo à primeira divisão fruto de um terceiro lugar. Lembro-me do primeiro jogo que fizeram no escalão maior, estreia absoluta dos açoreanos, salvo erro em casa frente ao Sporting, impondo um empate a 2 num jogo em que o dinamarquês Peter Schmeichel deu um valente frango. No entanto, a permanência entre os grandes foi curta e desceu imediatamente nesse mesmo ano, para voltar a subir no ano seguinte, quando ganharam a Liga de Honra. Estiveram em 2001/2002 e 2002/2003 no escalão maior tendo sido "contemplados" pelo destino de jogarem o último e derradeiro jogo na antiga Luz (venceu o Benfica por 1-0). Desceram nesse ano e não mais voltaram, tendo hoje excelente oportunidade para o fazer, apesar de necessitarem de ter "os astros todos conjugados": sobem se e só se ganharem, se o Beira-Mar perder e o Feirense não ganhar.

P.S. As declarações de Domingos valem o que valem, ou seja, zero. Mas no final do campeonato, aconteça o que acontecer, escrevo aqui um post sobre esse treinador prostituído.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Premonição

Não foi fantástica a assistência na Luz, mas os 37 mil adeptos que ontem assistiram ao Benfica x Beira-Mar presenciaram mais um grande banho de futebol ofensivo da parte dos encarnados. São 16 os golos que o Benfica leva em 5 jogos para o campeonato (4 ao Aves, 4 em Leiria, 2 ao Porto, e chapa 3 a Estrela e Beira-Mar)! Isto sem contar com os 3 de quarta-feira.

Vou ser sincero. Depois do jogo no Dragão, tive uma premonição. A de que vamos ser campeões. Finalmente parece que Fernando Santos acertou nas escolhas, e começa a dar uso ao fantástico plantel que tem. Katsouranis tem-se revelado um jogador fabuloso, tal como Miccoli, para mim os dois melhores jogadores estrangeiros a jogar em Portugal, neste momento. De resto, o Simão está de volta. O Nélson idem; demolidor. Um meio campo fortíssimo, cheio de soluções, que já me fizeram esquecer a falta que o Rui faz. O melhor conjunto de defesas da Bwin - não é fantástico o Léo estar lesionado e nem se dar pela falta dele? -, agora mais estável. Sem esquecer o excelente trio de guarda-redes. Ao olhar para este plantel fico feliz. E contente. Assim é fácil adivinhar.. vamos ser campeões, caray.

22 de Maio de 2005 não foi assim há tanto tempo. Lembram-se? :-)