UNUM: O Apito e a Confiança
Há 5 dias
Tão perto e ainda tão longe, o Benfica está a um pequeno grande passo de marcar presença na final de dia 18 de Maio em Dublin. A vitória frente ao Braga abre boas perspectivas, mas analisando a campanha que os bracarenses têm feito, nada pode ser dado como garantido. A apenas 90 minutos do sonho, o Benfica terá de saber ser inteligente e matreiro para segurar a vantagem de 2-1 obtida em casa, à semelhança do que aconteceu com o PSG e com o Stuttgart. Se é verdade que, como diz Jesus, que é difícil, quase impossível, impedir que o Benfica marque golos, não é menos verdade que é fácil marcar golos ao Benfica. Este foi o décimo quinto jogo consecutivo em que o Benfica sofreu golos. Por toda esta bipolaridade estamos tão perto e tão longe, simultaneamente.
Tantas vezes criticados, tantas vezes espezinhados, às vezes os grandes heróis são mesmo os heróis improváveis. Assim foi em Coimbra. Jara a abrir a contagem e Moreira a segurar a vantagem deram uma vitória que tem mais importância do ponto de vista anímico para o jogo de 5ª feira do que do ponto de vista do troféu em si. Um Benfica frágil fisicamente apesar das poupanças de Jesus para o campeonato e com muitos jogadores em sub-rendimento, valeu-se daquilo que faltou contra o Porto: Pablo Aimar. O que importa é a vitória, a conquista do troféu e o boost moral para a meia-final da Liga Europa. Um belo troféu entregue pelo excelentíssimo Fernando Gomes, que diga-se, que até dá vontade de chamar o Sergio Ramos para participar nos festejos.
Maxi Pereira - seja num amigável com o Cucujães ou na final da Taça da Liga, o ritmo e a intensidade de jogo são sempre iguais. É um profissional de mão cheia e apesar de algum desgaste físico, continua com uma força enorme dentro de campo. Aqui não temos razão de preocupação até final da época.
Javi Garcia - apesar de desapoiado em vários momentos do jogo, tem sabido dar conta do recado razoavelmente bem. Ontem voltou a estar em bom plano e também acho que, até final da época, deverá manter os mesmos níveis de qualidade, apesar de, já contra o Braga, necessitar de mais apoio no capítulo defensivo.
Javier Saviola - É engraçado o fenómeno a que temos assistido. Quando chegou ao Benfica teceram-se elogios ao argentino, dizendo que ele mesmo iria acabar com as vacas sagradas (Nuno Gomes, à cabeça). Um ano depois, Saviola tornou-se a maior vaca sagrada desta equipa. Tem sido uma autêntica nulidade desde o final da época passada até hoje, com excepção do final de Dezembro e início de Janeiro. Não faz nada de relevante ou importante para a equipa, esconde-se do jogo e não luta por bolas divididas. Enquanto Cardozo é perseguido com tochas, este tem direito a paninhos quentes. Ridículo. Banco, já.
Foi provavelmente um dos treinos mais concorridos de sempre na Luz. O Benfica, de coletes vermelhos, recebeu e venceu o Elm... o Beira-Mar, de coletes amarelos, em mais um jogo a contar para o campeonato nacional. Cumpriu-se calendário naquilo que foi um excelente teste para o que vamos encontrar na quarta. Não, não falo dos onze adversários, mas sim dos três supostamente neutros que presentearam o público da Luz com uma das arbitragens mais desavergonhadas dos últimos tempos. Com a vitória alcançada, o Benfica ganhou o dia. Com a exibição conseguida, Elmano Santos ganhou a noite.
O Benfcia entrou no segundo tempo com outra atitude e logo nos minutos iniciais foi Kardec que, após bom trabalho de pés, confundiu Hugo e atirou a bola com tanta precisão que acertou no poste esquerdo da baliza de Rui Rego. O Benfica insistia e conseguia um maior domínio territorial que na primeira parte, e após um erro (mais um) de Sidnei, o brasileiro recupera a bola e lança um ataque rápido que acaba por finalizar isolado na cara do guarda-redes. O primeiro estava feito. Sentindo o golo, o Beira-Mar reagiu e lançou-se no ataque causando algumas dificuldades a Júlio César, que esteve sempre à altura. Com o crescimento aveirense, Raul José lançou em campo Peixoto (aplaudido, imaginem) e Cardozo simultaneamente, entrando Maxi Pereira pouco depois devido a lesão de Luís Filipe. E foi com o uruguaio em campo que o Benfica chegou ao golo da tranquilidade, num slalom de Maxi, pela direira, que flectiu para o centro e entregou a Jara, que rompendo por entre os centrais, ficou cara-a-cara com Rego e fez o segundo. Um golo que serve para apagar uma má exibição do nosso "Tévez".
Quase duas décadas depois, o Benfica volta a marcar presença numa meia-final europeia. Foi tempo demais, foram demasiadas amarguras, foi um clube à beira da falência, foram épocas sem pisar solo europeu, foram os sete de Vigo. Foi. Passado. Hoje estamos de volta ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído. Mas a história poderia ter sido bem diferente. Enquanto toda a gente festeja a passagem às meias-finais (e ainda bem que o fazem), eu continuo preocupado com a falta de maturidade europeia. A primeira meia hora é o espelho da minha preocupação. Erros, erros e mais erros na abordagem ao jogo permitiram que o PSV se adiantasse no jogo e recuperasse a ilusão de poder passar. Inacreditável. E o problema é que esta situação, nos jogos fora, não é excepção mas sim regra. Felizmente o desfecho acabou por ser positivo para as nossas cores, com Luisão em destaque graças a mais um golo decisivo (já perdi a conta aos golos importantes do zagueirão) e com um grande jogo de um Ramires chamado... Peixoto.
São factos. E a forma suicida como o Benfica entrou em campo é o melhor exemplo do que digo. Bloco alto, ataque constante e em dois contra-ataques dois golos. No primeiro, Lens corre 40 metros sem nenhum adversário pela frente, mostrando que a defesa subida, na Europa, sobretudo com centrais lentos e sem compensação quando um lateral falha, não resulta. No segundo, após uma perda de bola a meio-campo, mais um golo sofrido, provando que o Benfica não consegue segurar a bola sem ser quando ataca à maluca. Meia hora que, fruto de uma abordagem patética de Jorge Jesus, poderia ter colocado o Benfica atrás do PSV na eliminatória. Felizmente há Luisão, o homem dos golos decisivos, que uma vez mais deu um balão de oxigénio ao Benfica, que acabou por marcar um golo merecido mas caído do céu aos trambolhões quando já passavam 3 minutos sobre a hora.
Pena o infortúnio que foi a lesão de Salvio, que muito provavelmente o afastará dos relvados até meados de Maio. Dificilmente poderá voltar a jogar de águia ao peito, a não ser que haja uma recuperação milagrosa. Veremos...
Foi um Benfica totalmente transfigurado, a começar em campo com os jogadores, onze caras novas face aos titulares no jogo com o PSV, mas também no banco, com Raúl José a substituir o castigado Jorge Jesus, aquele que se apresentou na Figueira da Foz com o objectivo de cumprir calendário. Não adianta muito escalpelizar uma derrota numa prova que já não interessa há umas boas semanas (desde Braga), o Benfica tem apenas de rodar o plantel e dar minutos no campeonato aos menos utilizados, de modo a descansar os habituais titulares para as três provas que interessam ganhar. Isto é pragmatismo.
Dezassete anos depois, o Benfica está com pé e meio numas meias-finais europeias. Com todas as "peripécias" que esta época nos tem presenteado, nunca pensei que o Benfica, com todas as condicionantes, pudesse chegar tão longe na Europa. Mas estamos quase, quase lá.
No segundo tempo mais do mesmo, o Benfica voltou a entrar forte e cedo ampliou a vantagem em mais um lance de génio de Salvio, que rompeu a permeável defesa holandesa e bateu Isaksson sem hipótese de defesa para o sueco. Com 3-0 no marcador no início do segundo tempo, voltaram a surgir os fantasmas de Lyon. Conseguiria o Benfica manter o ritmo alto ou gerir o jogo em vez de quebrar e ceder física e mentalmente? A verdade é que não foi por quebra do Benfica mas sim por mérito do PSV, nomeadamente pelo seu médio defensivo Hutchinson, um verdadeiro poço de força e de qualidade, que começámos a sentir mais dificuldades. Primeiro foi Berg a isolar-se mas a ver Luisão tirar-lhe o pão da boca naquela que foi, provavelmente, a melhor defesa da noite, depois foi Coentrão in extremis a fazer o mesmo que o capitão de equipa e por fim foi a sorte a proteger as nossas redes num pontapé de bicicleta falhado por Lens. Com o crescimento do PSV, Jesus mexeu na equipa e tentou ganhar mais consistência no meio-campo, colocando Peixoto, e mais velocidade para poder sair no contra ataque ao colocar Jara no lugar de Gaitán. Mas os planos saíram logo furados. No mesmo minuto, Fred Rutten colocou em campo o jogador que, um minuto depois, devolveria o PSV ao jogo e à eliminatória, em mais um lance em que Roberto é mal batido. Os assobios voltaram, a intranquilidade regressou. Felizmente, para terminar o jogo na perfeição, já com Felipe Menezes em campo, Maxi Pereira (que jogo!) fez mais um pico de velocidade, aos 94 minutos, e serviu Saviola que fez a rotação e marcou um golo merecidíssimo. 4-1, excelente resultado, estamos com pé e meio nas meias.
Há toda uma geração de jovens benfiquistas que está a viver, pela primeira vez, este momento de uma meia-final europeia, que apesar de ainda não ser uma realidade, dificilmente escapará. Numa altura de domínio interno quase total do FC Porto, que se estende desde meados dos anos 90 até hoje, e depois de esses mesmos jovens terem assistido às vitórias do Porto na UEFA e na Champions, à final perdida pelo Sporting em Alvalade e até mesmo à chega do Boavista às meias de uma UEFA, chega agora a vez de o Benfica lá. Sinto que se está a fazer história. E sinto que poderemos fazer parte dessa mesma história. Com o nosso nome gravado a letras de ouro.
Sem grandes objectivos pelos quais lutar neste campeonato, o Benfica apresentou-se na Mata Real frente ao Paços de Ferreira sem alguns habituais titulares, numa tentativa clara de fazer uma rotação equilibrada de modo a poupar os mais cansados, dar minutos aos menos utilizados e, com isto tudo, não perder grande qualidade de jogo. Conseguiu. O Benfica foi claramente superior a um Paços que luta pelos lugares europeus e mereceu a vitória, mas não por números tão dilatados.
O Benfica entrou para o segundo tempo sem a mesma dinâmica do início do jogo mas também mais dominador no aspecto territorial e com mais bola do que no final da primeira parte. Basicamente, conseguiu trocar a bola entre os vários elementos da equipa mas sem conseguir criar lances de perigo perto da baliza de Cássio. Mesmo com menos um jogador em campo e com menos bola, o Paços começou a pressionar mais alto sempre que os centrais ou Javi tinham posse de bola, o que acabou por provocar alguns erros na rectaguarda levando a dois lances de perigo no primeiro quarto de hora, mas sempre com Roberto em destaque pela positiva.
Até que entrou Nuno Gomes. Com o ponta-de-lança benfiquista fresco no ataque a substituir o fatigado Saviola, o Benfica voltou a conseguir colocar pressão na defensiva amarela que não raras vezes teve de despejar a bola de qualquer maneira, permitindo ao Benfica alguns ataques rápidos. E foi precisamente o capitão encarnado que dilatou a vantagem, por duas vezes, num jogo morno que se encaminhava monotonamente para o fim: primeiro numa jogada de insistência depois de um remate de César Peixoto e depois, à meia-volta, após pontapé na atmosfera de Peixoto uma vez mais, num golo de belo efeito.
É pelos nossos adeptos que somos maiores que Portugal. Os quase 30.000 que estiveram hoje presentes no Parc des Princes, estádio do Paris Saint-Germain, demonstraram uma vez mais a nossa grandeza. Em tempo de crise há muito por onde cortar, menos no amor a um clube. E é por isso que na Luz, em Paços de Ferreira, em Braga, ou em Paris, o Benfica é maior que Portugal. Há um sentimento de amor que não consigo ver em nenhum outro clube. Somos mais que um clube. Nas palavras de Bela Guttmann, «Não há nenhum clube do Mundo que possua mística igual à do Benfica. E é este, afinal, um dos grandes segredos dos seus êxitos e da sua força. Tentarei explicar algumas das suas manifestações exteriores mais palpáveis. Veja, por exemplo, a sua massa associativa. Chove? Está frio? Faz calor? Que importa? Nem que o jogo seja no fim do Mundo, entre as neves da serra ou no meio das chamas do Inferno, por terra, por mar ou pelo ar, eles aí vão, os adeptos do Benfica, atrás da sua equipa. Grande, incomparável, extraordinária massa associativa!»
Mas não foi. Um Benfica estranhamente desinspirado não foi capaz de travar com êxito as investidas iniciais dos franceses, que começaram o jogo a todo o gás, sem grande engenho, é verdade, mas com muita vontade, chegando à área de Roberto com relativa facilidade. Mas acabou por ser um pouco contra a corrente de jogo que, num lance com alguma felicidade à mistura, o Benfica chegou ao golo, por Nico Gaitán, que, após olhar para a área à procura de um colega, decidiu-se pelo remate e apanhou Édel em contrapé, tendo feito o golo. E depois disto, o Benfica desapareceu quase por completo, muito por culpa da falta de inspiração de Aimar e Saviola (jogo miserável deste último), e pelo cansaço de Salvio e Gaitán, mais notório no primeiro que no segundo. O PSG aproveitou e chegou ao empate num lance que fica marcado pela péssima abordagem de Sidnei (outra vez...), que ficou a olhar para o lance enquanto tudo se passava nas suas barbas.
Empate justo no jogo e eliminatória passada também com justiça. Frente a um adversário que mostrou vontade mas pouco futebol, o Benfica conseguiu cumprir os objectivos e chega aos quartos-de-final de uma prova europeia pelo segundo ano consecutivo, algo que, nos últimos anos, só aconteceu em 2006 e 2007. E este ano podemos ir mais longe. Que a sorte e o engenho nos acompanhem.
Meses e meses a pressionar alto, a jogar bonito, a correr que nem doidos e com pouca rotatividade do plantel, algum dia os jogadores dariam o berro. Foi hoje. Não foi aos 90 minutos, aos 80, aos 70 nem aos 45, hoje, alguns (muitos) jogadores do Benfica entraram em campo verdadeiramente cansados. Visível, notório, indesmentível. Se há uns jogos atrás víamos Gaitán fazer excelentes primeiras partes como em Alvalade ou em Stuttgart, e depois cair de rendimento na segunda, acabando fisicamente aos 70 minutos, hoje constatámos que aos 10 minutos, Gaitán já não conseguia fazer aquelas primeiras partes dos últimos tempos, nem conseguia ajudar a defender. "Estão completamente rotos", dizia um senhor uns lugares ao lado do meu. E estavam. Gaitán, Salvio e Cardozo, sobretudo estes três. A juntar aos "casos" Aimar e Martins, que têm de ser geridos com pinças, a equipa está à beira do colapso físico. Pode passar em Paris? Perfeitamente, se não jogarem pior do que hoje (e este PSG é bem fraquinho, diga-se) e desde que se poupem jogadores contra o Portimonense.
Na primeira parte, a equipa (sobre)viveu sobretudo das iniciativas de Maxi Pereira e Fábio Coentrão, mas com maior ênfase para o trabalho do uruguaio. Carlos Martins também foi dos mais inconformados tentando transportar bola de trás para a frente, mas sem grande sucesso. O PSG só conseguia criar perigo quando a bola estava nos pés de Nenê, que teve a infelicidade de ser marcado por Maxi, que o anulou em quase todas as jogadas. Assim, em 45 minutos de mau futebol, não foi surpreendente ver o Benfica sofrer um golo (mais um) fruto de uma iniciativa individual de Nenê e empatar por autoria do caçador de franceses, Maxi Pereira.
A vitória acaba por pecar por escassa face ao que o Benfica vale e face ao que este PSG (que poupou Giuly, Makélélé, Hoarau, entre outros) não vale. O pouquíssimo futebol dos franceses, cujas maiores ocasiões de perigo foram lances protagonizados por Sidnei, não justifica o golo que levam para Paris. Uma coisa é certa: no Parc des Princes, com muitos milhares de benfiquistas a apoiar, o Benfica tem razões para se sentir em casa e passar esta eliminatória, até porque, fazendo fé nas palavras de Carlos Martins, é mesmo muito difícil ganhar a esta equipa.
Xistra era o único disponível. Claro. Todos os colegas estavam de caganeira, certamente. Ou então o Padrinho falou com Xistra e Vítor Pereira e resolveu-se assim a situação. Et volià. Em Braga gostavam de Xistra. Em Braga ainda gostam de Xistra. A nós resta-nos apoiar Fernandos Gomes, convidá-los para as Galas, participar nos beija-mão, etc. Acção exige-se. Que alguém no Benfica tenha coragem para vir a público e dar a cara, chamando os bois pelos nomes. Parem de viver neste mundo da fantasia. E que, já agora, deixem um esclarecimento bem claro ao poder político, que insiste em "empatar" o estado de (in)justiça em Portugal no que a alguns processos diz respeito: apressem-se, porque com seis milhões de pessoas descontentes em Portugal com o estado de tudo, se algum louco se lembra de transferir responsabilidades do que se passa no futebol para a política, então a classe está bem lixada. Com "F" grande. 12 de Março é já amanhã.
Com Gaitán e Salvio de fora, Menezes e Jara foram os eleitos para o onze titular. Sem Aimar, ainda a contas com uma lesão, Martins foi o terceiro "elemento estranho" no meio-campo. Mas, surpreendentemente, não foi por esta mistura de caras menos conhecidas que o Benfica não teve sucesso em Braga. Pelo contrário. O jogo começou a bom ritmo, com o Braga a tentar tomar a iniciativa, mas cedo se percebeu que o Benfica estava mais forte, e a primeira meia hora de jogo foi nossa. Tanto em ataque organizado como nas saídas rápidas de Saviola, Jara e Cardozo, o Benfica criou sempre mais perigo, e foi sem surpresa que se viu o clube da Luz adiantar no marcador. Surpreendente foi o descaramento com que certas coisas foram feitas, às claras, a seguir.
Cambalhota psicológica à beira do intervalo, Benfica com menos um e Jesus a viver uma situação semelhante à de Alvalade. Sem Javi, apostou em Airton poupando Saviola. Numa segunda parte mal jogada, com pouca inspiração e muitas faltas de ambos os lados (é de louvar que Kaká tenha acabado o jogo, fantástico trabalho, Xistra), o Braga começou por criar mais perigo e o Benfica, a espaços, com menos um, foi dando resposta. E foi já com Mossoró em campo que o Braga chegou à vitória, uma vez mais num lance irregular, fruto de uma falta favorável ao Benfica que foi transformada em lançamento para os bracarenses. Deu para perceber por que é que, nas palavras de Jesus, em Braga se gosta tanto de Xistra.
Claramente sem a frescura física que gostaríamos de ver, o Benfica apresentou-se, ainda assim, a um nível muito bom para esta fase da época atendendo à quantidade de jogos já efectuados. Conseguiu carregar sobre o rival e criou oportunidades que permitiram chegar ao golo. Polga colaborou e fez questão de abraçar Javi Garcia na área já depois de ter sido avisado por duas vezes. Burro, hein? Só de pensar que esteve para vir para o Benfica... medo! E se Cardozo fez o que tem feito com frequência este ano no que toca a marcar penalties (falhar), de seguida redimiu-se e apontou, de cabeça, o primeiro golo encarnado, com a colaboração de Evaldo (ao qual se aplica o mesmo que disse sobre Polga). Com a igualdade, o Benfica carregou e arrancou mais bons lances e boas oportunidades, mas sem sucesso. O resultado era justo ao intervalo, mas se tivesse de haver alguém em vantagem, seria o Benfica.
A segunda parte foi de altos e baixos. Se é verdade que o Benfica não conseguiu imprimir o ritmo pedido pelo treinador, o Sporting também não fez muito pela vida, com apenas um par de ocasões perigosas, a começar e a terminar estes 45 minutos. Postiga foi a maior (única?) ameaça do lado leonino, enquanto que o Benfica viu Gaitán e Cardozo diminuírem de produção, ao contrário de Coentrão, que apareceu muito mais em jogo no segundo tempo. E foi precisamente pela lateral esquerda que surgiram os ataques benfiquistas, especialmente com a inclusão de Jara em campo. Fruto do balanceamento ofensivo do Benfica, nomeadamente no final da partida, seria de esperar um golo. O Sporting teve a sua oportunidade de ouro num lance que Matías desperdiça na cara de Roberto. O Benfica teve a sua na bota de Javi garcia, que na área, à ponta-de-lança, teve o sangue frio que faltou ao chileno do Sporting e bateu Patrício. O nosso destino é mesmo o de vencer.
A frase é de Luisão, capitão no campo, e reflecte precisamente aquilo que venho dizendo há muito tempo: maturidade. Foi isto que faltou na Champions e no Dragão, até Novembro, e que hoje conseguimos conquistar e demonstrar, maturidade. A qualidade está neste grupo de trabalho desde início, a capacidade de ter maturidade para a evidenciar e exponenciar a qualidade é que não existiam. Hoje, a situação é bem diferente, para melhor. Nem sei bem o que dizer, estou felicíssimo, não caibo em mim de contentamento. O Benfica acaba de concluir um ciclo de três deslocações dificílimas, em três semanas, ao Dragão, a Alvalade e a Stuttgart, todas com vitórias por 0-2. Porquê? Maturidade. O meu "obrigado" a este grupo de trabalho e nomeadamente a Jorge Jesus. Muito, muito obrigado. Hoje faleceu um borrego com mais de cinquenta anos de história europeia. Acabou o pesadelo e o trauma alemão. Morreu a ideia da incapacidade em ganhar em solo germânico. Obrigado, Jorge Jesus.
Depois da vitória suada arrancada na Luz uma semana antes, o Benfica deslocou-se à Alemanha, onde nunca ganhara antes a uma equipa germânica, para tentar inverter a história. Depois de dezoito jogos de tentativas frustradas, era a vez de, como Jesus previra na conferência de imprensa do dia anterior, mudar a história. Na cidade maldita onde Veloso falhou o fatídico penalty da final da Taça dos Campeões Europeus de 1988, o Benfica escreveu a primeira bela página europeia desta década.
O Benfica entrou forte e pressionou o Stuttgart bem alto desde início, tendo conseguido as melhores oportunidades do primeiro tempo. Fábio Coentrão deu o primeiro sinal de golo, mas não conseguiu repetir aquilo que já fez este ano noutros jogos grandes (Porto e Lyon). Curiosamente foi na sequência de um pontapé de canto que o Benfica chegou à vantagem, com um remate fortíssimo de Salvio, rasteiro, sem hipóteses de defesa. Em vantagem na eliminatória, os alemães teriam de marcar três golos para passar.
Queria ainda destacar a exibição de dois jogadores: primeiro, Roberto, que fez quatro defesas que garantiram a continuidade nesta prova. A defesa a cabeceamento de Okazaki é de um grau de dificuldade elevadíssimo, só ao alcance de um grande guarda-redes. O espanhol mostra-se cada vez mais confiante entre os postes, apesar de nas bolas aéreas ainda andar, não raras vezes, aos papéis. O segundo a destacar é Nico Gaitán, jogador que tem sido comparado a Di María. Não me parece que sejam minimamente parecidos, aliás, vejo em Gaitán um estilo de jogo muito parecido (com potencial para ser bem melhor) com o de Deco. Gaitán parece-me cada vez mais um "10", e ontem teve mais um jogo com nota artística. Bravo!
Fomos Benfica. Foi dos dias, foi dos jogos em que mais senti o Benfica e o benfiquismo, como a fotografia abaixo o demonstra. Milhares de benfiquistas na casa do histórico rival de Lisboa apoiando uma equipa que se mostrou muitíssimo madura e inteligente, fazendo o tipo de jogo que era necessário para vencer o oponente. O Benfica mantém-se forte e alcança a décima vitória consecutiva na Liga, algo que sinceramente não tenho memória de ter ocorrido.
Logo aos cinco minutos o Benfica deu o primeiro sinal de perigo numa jogada que surgiu da esquerda, com o remate de Gaitán a passar bem perto do poste. Logo aí deu para perceber que, em Alvalade, para além dos milhares de benfiquistas concentrados no local habitualmente destinado aos visitantes, muitos mais estavam aqui e ali, em todo o lado. No meu sector, B28, ouviu-se um enorme "bruá" nesse lance. E o mote estava dado.
O Benfica chegou ao intervalo com um golo de vantagem mas com menos um jogador. Jardel já aquecia e iria entrar, colocando-se a questão de quem ficaria de fora. Saviola foi o escolhido, e na minha opinião Jesus tomou a decisão correcta, uma vez que tirar um médio seria uma enorme asneira e a sair um avançado teria de ser Saviola, pois Cardozo era capaz de segurar jogo na frente.
Com 0-2 e com a entrada de Airton, o Sporting não criou mais nenhum lance de golo até final. O Benfica, sem bola, soube gerir perfeitamente o jogo com uma tranquilidade assustadora. Não raras vezes me esqueci que, no meio disto tudo, só estávamos a jogar com dez homens. Entrega, inteligência e algo que ainda não ouvi muita gente dizer, de tão óbvia que esta constatação é: este Benfica é muitíssimo superior a este Sporting, que, arrisco-me a dizer, tem o pior plantel da sua história e pratica o pior futebol desde que os vejo jogar.
Jogar contra o Stuttgart não é o mesmo que jogar contra o Vitória de Guimarães ou o Rio Ave: as desatenções pagam-se caro e é necessário manter os índices de concentração elevados durante os 90 minutos. Quando assim não acontece, o resultado pode ser algo que não desejamos. Ficou uma vez mais provada a diferença abissal entre a nossa liga de futebol e a alemã, uma das do big five. Mas também se provou que este Benfica, ainda sem maturidade europeia, pode fazer "coisas bonitas", nas palavras do poeta Artur. A vantagem de 2-1 é um resultado perigoso, sobretudo num local onde o Benfica nunca ganhou. Para a semana há mais, com o desejo de passar a eliminatória e com a certeza de que, para o fazer, será necessário um desempenho ainda melhor do que o conseguido na Luz, sobretudo na primeira parte.
Cerca de 45 mil adeptos benfiquistas deslocaram-se ao estádio num final de tarde de trabalho, a uma 5ª feira, para assistir ao primeiro jogo europeu deste ano, com a esperança de verem o Benfica rubricar uma exibição e um resultado melhores que aqueles que conseguidos nas provas europeias desta temporada. No entanto, a primeira parte, não trouxe grandes melhorias face ao que já tínhamos visto: incapacidade constante em "mandar" no jogo uma vez que a circulação de bola no meio campo adversário era uma miragem. Raras foram as vezes que o Benfica conseguiu 4 passes consecutivos no meio-campo dos alemães, muito por culpa da desinspiração de Aimar, muito bem anulado, e Salvio, mais por demérito próprio que por mérito alheio. Jara, sempre muito interventivo, revelou-se algo trapalhão e infantil na hora de decidir, preferindo não raras vezes atirar-se ao chão a lutar pelo lance. Defensivamente, os mesmos erros de sempre quando jogamos contra equipas mais evoluídas que o Rio Ave ou o Guimarães: transição falhada, Javi demasiado desapoiado, dificuldade em bolas aéreas por culpa da posição da linha defensiva, que é excelente para jogos nacionais mas que para encontros internacionais é um problema, como se revelou no golo alemão.
No segundo tempo foi quase tudo diferente. O Benfica apresentou-se com outra cara e quis mandar no jogo, pondo o guardião do Stuttgart em sentido por várias ocasiões. Fábio Coentrão, Pablo Aimar, Óscar Cardozo e Nico Gaitán tentaram a sua sorte logo nos primeiros minutos, mas sem sucesso. Por volta do minuto 65, o Benfica massacrava. E foi com o dedo de Jesus, com a mudança de Salvio para a esquerda e de Gaitán para a direita, que esse rendimento foi incrementado. O golo surge precisamente de um cruzamento de Nico na direita, com a bola a sobrar para Cardozo, que à ponta-de-lança, fez o golo. Com o empate, Jesus fez um compasso de espera nas substituições e lançou Kardec e Carlos Martins para os lugares de Salvio e Aimar, colocando uma frente de ataque com três homens (Cardozo, Kardec e Jara). E quando este último tinha acabado de dar o berro, com cãibras, queixando-se no chão, Cardozo impede que o colega seja assistido, levanta-o e incentiva-o. A vontade de ganhar era notória. E quando há vontade e engenho, há golo. Assim foi, Jara remata forte a 25 metros da baliza, com a bola a tabelar num alemão, e a passar por cima de Ulreich, batendo na trave e entrando na baliza, voltando a sair. Nem o árbitro, nem o fiscal-de-linha, nem o badameco que está a passar frio atrás da linha de fundo, nenhum deles viu. Felizmente estava lá Cardozo, que não se fez rogado e confirmou o golo do colega argentino. 2-1 no marcador, o Benfica estava finalmente com a vantagem que já merecia.
Até final do jogo, o Benfica ainda procurou o ataque e poderia ter marcado por duas ocasiões, primeiro com Kardec, a falhar o cabeceamento, e depois por Menezes, que obrigou o guarda-redes germânico a uma boa defesa. A equipa divida-se entre os que queriam marcar o terceiro e os que queriam a manutenção do resultado, com Roberto a ser assobiado por retardar a reposição da bola em jogo. O jogo terminaria com a justíssima vitória do Benfica, mas com um resultado que é extremamente perigoso, especialmente na terra dos boches, onde nunca ganhámos. Como há sempre uma primeira vez para tudo, acredito piamente que será desta vez que vamos matar e esfolar este borrego com mais de 50 anos.
Na melhor exibição de época, com nota artística, o Benfica massacrou autenticamente o Vitória de Guimarães num jogo em que mostrou um caudal ofensivo brutal, qual rolo compressor, foi um autêntico Boeing a atropelar o sinaleiro na pista de aterragem. Foi uma exibição, a meu ver, melhor que a maioria das protagonizadas no ano passado, quando fomos campeões. Foi um autêntico massacre, um hino ao futebol. O Benfica conseguiu assim a 16ª vitória consecutiva, estando num momento excelente para enfrentar o compromisso europeu que se avizinha, algo que era impensável em Dezembro.
Três a zero ao Vitória de Guimarães é um excelente resultado, mas face ao volume de jogo criado pelo Benfica, o resultado é lisonjeiro para os vimarenenses. Cinco ou seis a zero não chocariam ninguém, tal foi a avalanche encarnada para tão pouco Vitória. Foram bolas ao poste e à barra, defesas de Nílson, cabeceamentos e chutos a rasar os ferros, um golo mal anulado e outro que deixa imensas dúvidas, o Benfica poderia ter dado uma cabazada histórica à equipa de Manuel Machado, mas ficou-se pelo recital de futebol, com nota artística, somando assim a 16ª vitória consecutiva.
Jogando bem ou jogando mal, com um golaço de pé direito num remate fortíssimo a trinta metros da baliza ou marcando de costas num ressalto depois de sofrer durante 90 minutos, o importante é ganhar, desde que não seja preciso marcar com a mão, certo? Apesar de o Benfica não ter feito um jogo brilhante, aliás, esteve encostado às cordas por alguns minutos nesta partida, o objectivo foi alcançado, com a 15ª vitória consecutiva em provas internas, a oitava no campeonato.
Início de jogo a todo o gás com o Benfica, a fazer uns primeiros 20 minutos de grande nível, nos quais marcou por duas vezes, primeiro por Gaitán na sequência de um lance de Salvio e Saviola, no qual o camisola "8" sofreu penalty não assinalado, depois, na sequência de um canto cobrado por Aimar, foi Sidnei quem saltou mais alto e em antecipação ao defesa marcou o seu primeiro golo este ano, dando uma boa vantagem ao Benfica. Apesar de o Nacional também ter criado algumas situações complicadas para Roberto, no início do jogo, a vantagem encarnada era inquestionável dada a diferença de qualidade de futebol produzido. Com o resultado em 2-0, a equipa soltou-se, muito graças à boa exibição de Pablo Aimar, que comandou o meio-campo encarnado, mas sem criar grandes aflições para Bracalli. Era um domínio territorial evidente por parte do Benfica. O Nacional só voltaria a criar perigo perto do intervalo com um cabeceamento às malhas laterais na sequência de um livre lateral, uma situação defensiva que continua por resolver no futebol encarnado.
O segundo tempo começou praticamente com o golo do Benfica fruto de um lance em que Luisão faz uma assistência cheia de classe e Cardozo finaliza com alguma sorte também, ao conseguir passar a bola por entre as pernas de Bracalli e chegar-lhe antes do guarda-redes o conseguir fazer também. 3-0, tudo resolvido. Ou então não. O jogo foi decorrendo e Jesus retirou Cardozo, o Nacional sentiu-se mais confiante e nos últimos 15 minutos instalou-se a incerteza do resultado na Luz: o Nacional fez o 3-1 na sequência de uma bola parada, teve um lance em que o avançado esteve cara-a-cara com Roberto com uma monstruosa intervenção do espanhol e fez de seguida o 3-2 num lance em que Coentrão perdeu no duelo aéreo à semelhança do que tinha acontecido no primeiro golo. Com a confiança no máximo, o Nacional atirou-se de cabeça ao jogo e foi num lance de contra-ataque, já em cima do minuto 90, que Jara marcou de cabeça após assistência de Saviola na esquerda, tranquilizando definitivamente os mais de 30.000 benfiquistas que tiveram a coragem de se deslocar ao Estádio da Luz, com apenas 5 graus, vento para de lá saírem apenas às 23 horas.