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segunda-feira, 2 de maio de 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Mais perto de Dublin

Tão perto e ainda tão longe, o Benfica está a um pequeno grande passo de marcar presença na final de dia 18 de Maio em Dublin. A vitória frente ao Braga abre boas perspectivas, mas analisando a campanha que os bracarenses têm feito, nada pode ser dado como garantido. A apenas 90 minutos do sonho, o Benfica terá de saber ser inteligente e matreiro para segurar a vantagem de 2-1 obtida em casa, à semelhança do que aconteceu com o PSG e com o Stuttgart. Se é verdade que, como diz Jesus, que é difícil, quase impossível, impedir que o Benfica marque golos, não é menos verdade que é fácil marcar golos ao Benfica. Este foi o décimo quinto jogo consecutivo em que o Benfica sofreu golos. Por toda esta bipolaridade estamos tão perto e tão longe, simultaneamente.

Não era um Benfica x Braga qualquer, não era apenas "mais um jogo" normal para o campeonato ou para a Taça de Portugal. Numa prova europeia, com o percurso de ambas as equipas, com a polémica que se instalou nos jogos nacionais entre ambos os clubes, este jogo era mais que um jogo: para o Benfica era a confirmação de que, com árbitros estrangeiros, a história seria diferente; para o Braga seria o confirmar de que é definitivamente capaz de bater qualquer equipa portuguesa em qualquer palco, tentando contrariar a tese benfiquista.

Poderia estar aqui a tecer loas à exibição do Benfica, ao facto de o Braga se ter aproximado da baliza de Roberto por raras vezes, mas o que vimos na Luz, é importante não esquecer, foi apenas a primeira parte. Ainda faltam noventa minutos para alcançar a tão desejada final. E se o resultado é o mesmo que nos abriu as portas dos oitavos e quartos-de-final, é ao mesmo tempo o mesmo que nos fechou a porta da final de 94.

Nas duas últimas deslocações a Braga foi o que se viu. Dois roubos de igreja, o primeiro da autoria de Jorge Sousa, com um golo mal anulado a Luisão, o segundo com Carlos Xistra, a expulsar Javi Garcia. A única certeza que tenho é a de que temos de preparar este jogo como se de um encontro para o campeonato se tratasse, pois na UEFA os "acidentes" e os azares também acontecem. Basta ver que há um clube que é sistematicamente beneficiado nos seus jogos. Basta ver que as equipas francesas, com a marca Platini, têm sido escandalosamente ajudadas. Não dêem nada por garantido, preparem este jogo com a maior das exigências e o máximo profissionalismo.

Estamos indubitavelmente mais perto de Dublin do que há 90 minutos. E sabemos que temos de fazer mais do que fizemos nas duas últimas deslocações ao terreno do rival. Custa acreditar, mas precisamos de fazer o mesmo que Quique, com Moreira e Urreta em grande plano, fizeram a Jesus. Faltam noventa minutos. Precisamos de ser Benfica.

domingo, 24 de abril de 2011

A noite dos heróis improváveis

Tantas vezes criticados, tantas vezes espezinhados, às vezes os grandes heróis são mesmo os heróis improváveis. Assim foi em Coimbra. Jara a abrir a contagem e Moreira a segurar a vantagem deram uma vitória que tem mais importância do ponto de vista anímico para o jogo de 5ª feira do que do ponto de vista do troféu em si. Um Benfica frágil fisicamente apesar das poupanças de Jesus para o campeonato e com muitos jogadores em sub-rendimento, valeu-se daquilo que faltou contra o Porto: Pablo Aimar. O que importa é a vitória, a conquista do troféu e o boost moral para a meia-final da Liga Europa. Um belo troféu entregue pelo excelentíssimo Fernando Gomes, que diga-se, que até dá vontade de chamar o Sergio Ramos para participar nos festejos.

Moreira - de menino bonito passou a patinho feio por razões desconhecidas. Ninguém sabe ao certo o porquê dessa transformação. Já o disse anteriormente, Moreira não é o guarda-redes de top mundial que poderia ter sido devido às lesões, mas como segundo guarda-redes chega mais que perfeitamente. Um guarda-redes da valia de Moreira até poderia ser titular no campeonato, como foi Quim, porque apesar de não ser brilhante é suficientemente bom para ganhar a Liga. Não é de guarda-redes que estamos mal servidos, temos 3 de boa qualidade apesar de um deles ter custado dinheiro a mais, como todos vimos.

Maxi Pereira - seja num amigável com o Cucujães ou na final da Taça da Liga, o ritmo e a intensidade de jogo são sempre iguais. É um profissional de mão cheia e apesar de algum desgaste físico, continua com uma força enorme dentro de campo. Aqui não temos razão de preocupação até final da época.

Luisão - Idêntico a Maxi, com a pequena diferença de ter algumas atitudes escusadas na imprensa. Esquece-se frequentemente que os jogadores não respeitaram os adeptos e a instituição Benfica. Daqui a nada chega o Verão e a novela Luisão que se arrasta desde 2005 voltará com novos capítulos, com juras de amor eterno e tentativas de sair pela calada.

Jardel - Continua a ser difícil avaliá-lo. Esteve bem, ontem, mas quando apanha adversários mais rápidos pela frente parece tremer bastante. Acredito que tenha qualidades para se impor no Benfica, mas continuo a achar que o central que joga ao lado de Luisão precisa de ter características diferentes das do número "4". E um bocadinho mais de qualidade também.

Fábio Coentrão - Quando a equipa está visivelmente estoirada aos 90 minutos, Fábio Coentrão ainda faz sprints e picos de velocidade, atira-se para o chão e luta pela bola como nunca. Um craque, um ídolo.

Javi Garcia - apesar de desapoiado em vários momentos do jogo, tem sabido dar conta do recado razoavelmente bem. Ontem voltou a estar em bom plano e também acho que, até final da época, deverá manter os mesmos níveis de qualidade, apesar de, já contra o Braga, necessitar de mais apoio no capítulo defensivo.

Carlos Martins - tem de ser gerido com pinças para que não se lesione. O Benfica ainda tem três jogos importantíssimos até final da época e Martins terá um papel fundamental nesses encontros. Ontem esteve bem a dar dinâmica e intensidade de jogo tanto pelo centro como pela direita.

Pablo Aimar - cada vez que tocava na bola, pensava por que raio não tinha sido titular contra o Porto. É um de dois jogadores do plantel nos pés do qual a bola repousa e não queima, permitindo à equipa movimentar-se sem bola à procura de espaços. Aimar é o relógio da equipa. Sabe quando manter e quando soltar o esférico. Não pode, de maneira nenhuma, voltar a ser suplente até final da temporada.

Franco Jara - um golo e nada mais. Uma exibição medonha repleta de individualismo e acefalia. Gostava que lhe comprassem um cérebro na mesma loja onde arranjaram o de Di Maria. Jara tem um potencial interessante, mas precisa de perceber o que é o futebol europeu e que, para além dele, há uma equipa à volta que também joga. Larga a bola, pá. Por mim, banco.

Javier Saviola - É engraçado o fenómeno a que temos assistido. Quando chegou ao Benfica teceram-se elogios ao argentino, dizendo que ele mesmo iria acabar com as vacas sagradas (Nuno Gomes, à cabeça). Um ano depois, Saviola tornou-se a maior vaca sagrada desta equipa. Tem sido uma autêntica nulidade desde o final da época passada até hoje, com excepção do final de Dezembro e início de Janeiro. Não faz nada de relevante ou importante para a equipa, esconde-se do jogo e não luta por bolas divididas. Enquanto Cardozo é perseguido com tochas, este tem direito a paninhos quentes. Ridículo. Banco, já.

Óscar Cardozo - provavelmente uma das piores exibições de águia ao peito, um pouco na senda do que têm sido os seus últimos jogos. Está numa má fase, mas ainda vai, ocasionalmente marcando uns golitos. Ninguém no Benfica é, ou deveria ser, eterno, por isso espero que atine rapidamente. O problema é que olhamos em volta e não vemos ninguém minimamente capaz de o substituir. A nossa confiança em Kardec é quase nula.

César Peixoto - é falso que o físico não acompanhe a mente. Ou melhor, podem não ir à mesma velocidade, mas ambos estão vivos e a assegurar funções. Peixoto é muito mais importante do que aquilo que se pensa. É, a par de Aimar, o único jogador nos pés do qual a bola descansa, onde não queima. E é fundamental a dar os equilíbrios defensivos que esta equipa não tem. Por mim seria titular até porque se avizinha um jogo em que a equipa não pode apresentar-se descompensada.

Airton - tem o físico, tem o potencial, mas faltam minutos nas pernas. É o caso do jogador que, com mais rotinas, até poderia entrar a titular na equipa ao lado de Javi. É um caso a rever, porque a esta altura da época deveria constituir forte hipótese para ser titular, mas fruto da má gestão de Jesus, não é.

Felipe Menezes - foi bom observar o David Simão. Está crescido, o miúdo. Quanto a esta "excelente oportunidade de negócio", RUA! Um dos 3 piores médios ofensivos da história do Benfica.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Benfica vence mais um amigável

Foi provavelmente um dos treinos mais concorridos de sempre na Luz. O Benfica, de coletes vermelhos, recebeu e venceu o Elm... o Beira-Mar, de coletes amarelos, em mais um jogo a contar para o campeonato nacional. Cumpriu-se calendário naquilo que foi um excelente teste para o que vamos encontrar na quarta. Não, não falo dos onze adversários, mas sim dos três supostamente neutros que presentearam o público da Luz com uma das arbitragens mais desavergonhadas dos últimos tempos. Com a vitória alcançada, o Benfica ganhou o dia. Com a exibição conseguida, Elmano Santos ganhou a noite.

Uma vez mais foram as "reservas" que se apresentaram em campo para, pela primeira vez na temporada, levar o Benfica à vitória. Mesmo com nove habituais suplentes a vitória foi possível graças ao génio dos dois artistas que andam presos por arames, Martins e Aimar.

O Benfica iniciou o jogo com a determinação necessária para levar de vencida os aveirenses, mas devido à falta de rotinas e também, diga-se, devido à falta de sorte, não foi possível adiantar-se no marcador. Com Luís Filipe muito activo, apesar das evidentes limitações que possui, foi graças a combinações do titular mais antigo do plantel com Carlos Martins e Aimar que surgiram os primeiros lances de ataque encarnado. À esquerda, a falta de ideias e de qualidade eram evidentes, com Fernández em péssimo plano, incapaz de construir uma jogada de ataque. E era neste ritmo monótono, em que nem as bolas ao poste nem as grandes defesas (uma para cada lado) traziam emoção de tão desinteressante que era o jogo e tão fraco o cenário, que o tempo passava. E para espevitar os pouco mais de 25.000 que foram à Luz, eis que surge o protagonista principal, de seu nome Elmano Santos, que consegue anular um golo que todo o Estádio viu. Três animais vestidos de preto e nenhum deles viu. Ou melhor, não duvido que tenham visto, mas daí a ter coragem para fazer o que é devido, enfim, ainda vai uma boa distância. Porque como dizia um comunicado de uns patetas, o erro é normal, mas não é assim tão normal que aconteça sempre contra os mesmos.

O Benfcia entrou no segundo tempo com outra atitude e logo nos minutos iniciais foi Kardec que, após bom trabalho de pés, confundiu Hugo e atirou a bola com tanta precisão que acertou no poste esquerdo da baliza de Rui Rego. O Benfica insistia e conseguia um maior domínio territorial que na primeira parte, e após um erro (mais um) de Sidnei, o brasileiro recupera a bola e lança um ataque rápido que acaba por finalizar isolado na cara do guarda-redes. O primeiro estava feito. Sentindo o golo, o Beira-Mar reagiu e lançou-se no ataque causando algumas dificuldades a Júlio César, que esteve sempre à altura. Com o crescimento aveirense, Raul José lançou em campo Peixoto (aplaudido, imaginem) e Cardozo simultaneamente, entrando Maxi Pereira pouco depois devido a lesão de Luís Filipe. E foi com o uruguaio em campo que o Benfica chegou ao golo da tranquilidade, num slalom de Maxi, pela direira, que flectiu para o centro e entregou a Jara, que rompendo por entre os centrais, ficou cara-a-cara com Rego e fez o segundo. Um golo que serve para apagar uma má exibição do nosso "Tévez".

Até final, o Beira-Mar fez entrar um jogador da nossa formação emprestado por nós, Yartei, que após alguns lances perdidos fez um dos golos do campeonato, num disparo fortíssimo sem hipóteses de defesa. Golaço do ganês, para benfiquistas ver.

Não há muito mais a dizer, o Benfica segurou matematicamente o segundo lugar pois este ano as posições no campeonato decidem-se, em caso de igualdade pontual, pela diferença entre golos marcados e sofridos, e não pelo confronto directo entre os empatados. O Benfica passou no teste com o Beira-Mar e agora segue-se a segunda mão da meia-final contra o Porto. Exige-se concentração para passar uma eliminatória que temos na mão. Espero uma atitude e uma inteligência que, por exemplo, não vi em Eindhoven. Até porque o Porto é bem mais forte que o PSV.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Fez-se História 17 anos depois

Quase duas décadas depois, o Benfica volta a marcar presença numa meia-final europeia. Foi tempo demais, foram demasiadas amarguras, foi um clube à beira da falência, foram épocas sem pisar solo europeu, foram os sete de Vigo. Foi. Passado. Hoje estamos de volta ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído. Mas a história poderia ter sido bem diferente. Enquanto toda a gente festeja a passagem às meias-finais (e ainda bem que o fazem), eu continuo preocupado com a falta de maturidade europeia. A primeira meia hora é o espelho da minha preocupação. Erros, erros e mais erros na abordagem ao jogo permitiram que o PSV se adiantasse no jogo e recuperasse a ilusão de poder passar. Inacreditável. E o problema é que esta situação, nos jogos fora, não é excepção mas sim regra. Felizmente o desfecho acabou por ser positivo para as nossas cores, com Luisão em destaque graças a mais um golo decisivo (já perdi a conta aos golos importantes do zagueirão) e com um grande jogo de um Ramires chamado... Peixoto.

Por muito que se queira elogiar Jesus, e temos muito por onde elogiar, há pechas graves no nosso treinador e que dificilmente as corrigirá, fruto da sua mentalidade. O que é bom em termos nacionais acaba por nos ser fatal em termos internacionais: a pressão alta, as linhas avançadas, tudo isso é óptimo para jogar em Portugal contra adversários lentos, previsíveis e que não conseguem trocar a bola entre si durante quinze segundos. Na Europa, face a equipas táctica e tecnicamente muito evoluídas, é impossível manter este ritmo de jogo avassalador que não deixa os adversários respirar e que os mantém lá atrás fechadinhos. Há que saber gerir os vários momentos de jogo. É preciso entender quando é preciso carregar, quando devemos segurar jogo no meio-campo adversário e quando se deve defender em bloco e partir para o contra-ataque. O nosso Benfica não sabe jogar assim.

São factos. E a forma suicida como o Benfica entrou em campo é o melhor exemplo do que digo. Bloco alto, ataque constante e em dois contra-ataques dois golos. No primeiro, Lens corre 40 metros sem nenhum adversário pela frente, mostrando que a defesa subida, na Europa, sobretudo com centrais lentos e sem compensação quando um lateral falha, não resulta. No segundo, após uma perda de bola a meio-campo, mais um golo sofrido, provando que o Benfica não consegue segurar a bola sem ser quando ataca à maluca. Meia hora que, fruto de uma abordagem patética de Jorge Jesus, poderia ter colocado o Benfica atrás do PSV na eliminatória. Felizmente há Luisão, o homem dos golos decisivos, que uma vez mais deu um balão de oxigénio ao Benfica, que acabou por marcar um golo merecido mas caído do céu aos trambolhões quando já passavam 3 minutos sobre a hora.

Na segunda parte apareceu o Benfica adulto. O Benfica mais cauteloso, mais calculista, mais pragmático, mais italiano. Saber gerir e controlar o jogo foram as chaves do sucesso. E muito do sucesso do Benfica passou por conseguir gerir a posse de bola quando estava no ataque, graças ao patinho feio, ao mal amado da equipa, César Peixoto, que desafiou todas as leis da física e ganhou em força e em velocidade à defensiva holandesa, sendo atropelado e ganhando um penalty decisivo que sentenciou a eliminatória. Da marca dos 11 metros, Cardozo não perdoou. Até final foi apenas necessário fazer aquilo que não soubemos fazer (e que precisávamos) desde início: controlar sem perder noção do espaço na defesa. Tão simples e tão difícil.

Pena o infortúnio que foi a lesão de Salvio, que muito provavelmente o afastará dos relvados até meados de Maio. Dificilmente poderá voltar a jogar de águia ao peito, a não ser que haja uma recuperação milagrosa. Veremos...

Agora segue-se Braga, o Braga dos cânticos insultuosos, das bolas de golfe, das agressões, das simulações, dos choradinhos, etc. Com árbitros estrangeiros, outro galo cantará. Espero sinceramente que aquela gente asquerosa seja esmagada pelo Benfica. Primeiro os leitoezinhos, depois... os porcalhões.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Revolução total (até no treinador)

Foi um Benfica totalmente transfigurado, a começar em campo com os jogadores, onze caras novas face aos titulares no jogo com o PSV, mas também no banco, com Raúl José a substituir o castigado Jorge Jesus, aquele que se apresentou na Figueira da Foz com o objectivo de cumprir calendário. Não adianta muito escalpelizar uma derrota numa prova que já não interessa há umas boas semanas (desde Braga), o Benfica tem apenas de rodar o plantel e dar minutos no campeonato aos menos utilizados, de modo a descansar os habituais titulares para as três provas que interessam ganhar. Isto é pragmatismo.

O jogo foi um longo bocejo que permitiu continuar a avaliação de alguns jogadores com menos minutos. E o curioso é que no meio de tanta mediocridade, é fácil destacar o melhor e o pior. Num pólo Carole, no outro Menezes. O jovem francês mostra um futebol aguerrido, com ideias, bom pés e uma capacidade de execução bem acima da média. Tacticamente é difícil dizer o que fez dada toda a descoordenação entre os onze amigos que se juntaram na Figueira, mas pareceu sempre, em todos os aspectos do jogo, um dos melhores. Dois anos depois, Menezes ainda é jogador do Benfica. Porquê? Não sei. Não vejo uma única característica no seu futebol que me agrade. Não é rápido, não tem bons pés, não executa, não pensa, é apenas um corpo inerte que ocupa espaço.

As críticas a fazer em relação ao que se passou, e que acabou por ser o espelho de uma época mal preparada, são muitas, mas vou deixar apenas dois pontos. Jesus é culpado. Apesar de tudo, a equipa de ontem entrou em campo com Sidnei, Airton, Peixoto, Martins e Jara, todos eles com qualidade para fazer parte do plantel do Benfica. Foi pena que, durante a época, não tenha havido gestão de esforço e rotação destes elementos com outros do plantel. Exemplos práticos? Jara poderia ter jogado mais minutos quando Saviola esteve em péssima forma no final de 2010, Martins poderia ter alternado mais com Aimar ou Salvio, Airton (nunca foi presença assídua, nem no banco) podia ter rendido Javi mais vezes, por aí fora. Vieira também não está isento de culpas. De forma alguma. Não caiu na tentação de destruir um plantel campeão de alto a baixo (o que seria fácil, dadas as propostas que houve nomeadamente por Cardozo, entre outros), mas não soube substituir convenientemente algumas saídas e manteve algumas posições com lacunas crónicas. Isto a nível de jogadores, falta o resto. Mas isso ainda dará outro post.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Tão perto

Dezassete anos depois, o Benfica está com pé e meio numas meias-finais europeias. Com todas as "peripécias" que esta época nos tem presenteado, nunca pensei que o Benfica, com todas as condicionantes, pudesse chegar tão longe na Europa. Mas estamos quase, quase lá.

Pela primeira vez na fase a eliminar, o Benfica não deu os primeiros 45 minutos de avanço na Luz como fizera contra o Stuttgart e PSG. A diferença foi notória. Apesar de bem organizado defensivamente, o PSV não conseguiu travar as investidas do Benfica, que soube esperar e gerir o jogo quando as linhas holandesas estavam mais fechadas e carregar sobre o adversário quando sentia que o PSV poderia ceder. Vitória da força, da qualidade e da inteligência.

A entrada forte em campo sugeriu que, impulsionados por 60.000 adeptos, o Benfica poderia partir para um grande jogo. Desde cedo que Saviola se mostrou com uma confiança ainda não vista esta época, que lhe permitiu arrancar a melhor exibição da temporada. O Conejo, sempre muito interventivo, atirou uma bola ao poste logo nos minutos iniciais e apareceu ora à esquerda ora à direita com muito mais velocidade que o habitual, a desbaratar a defesa holandesa. Não foi Saviola a marcar (o primeiro), mas sim o seu amigo Aimar, após jogada de entendimento entre Coentrão e Gaitán, com o camisola "10" a finalizar após falhanço de Cardozo, num remate a passar entre as pernas de dois adversários. Isto sim é o túnel da Luz. Salvio ampliou a contagem pouco antes do intervalo num golo de classe (toque de calcanhar) após mais uma investida de Fábio Coentrão. 2-0 ao intervalo era mais que justo para aquilo que o Benfica tinha feito e para o que o PSV não tinha feito.

No segundo tempo mais do mesmo, o Benfica voltou a entrar forte e cedo ampliou a vantagem em mais um lance de génio de Salvio, que rompeu a permeável defesa holandesa e bateu Isaksson sem hipótese de defesa para o sueco. Com 3-0 no marcador no início do segundo tempo, voltaram a surgir os fantasmas de Lyon. Conseguiria o Benfica manter o ritmo alto ou gerir o jogo em vez de quebrar e ceder física e mentalmente? A verdade é que não foi por quebra do Benfica mas sim por mérito do PSV, nomeadamente pelo seu médio defensivo Hutchinson, um verdadeiro poço de força e de qualidade, que começámos a sentir mais dificuldades. Primeiro foi Berg a isolar-se mas a ver Luisão tirar-lhe o pão da boca naquela que foi, provavelmente, a melhor defesa da noite, depois foi Coentrão in extremis a fazer o mesmo que o capitão de equipa e por fim foi a sorte a proteger as nossas redes num pontapé de bicicleta falhado por Lens. Com o crescimento do PSV, Jesus mexeu na equipa e tentou ganhar mais consistência no meio-campo, colocando Peixoto, e mais velocidade para poder sair no contra ataque ao colocar Jara no lugar de Gaitán. Mas os planos saíram logo furados. No mesmo minuto, Fred Rutten colocou em campo o jogador que, um minuto depois, devolveria o PSV ao jogo e à eliminatória, em mais um lance em que Roberto é mal batido. Os assobios voltaram, a intranquilidade regressou. Felizmente, para terminar o jogo na perfeição, já com Felipe Menezes em campo, Maxi Pereira (que jogo!) fez mais um pico de velocidade, aos 94 minutos, e serviu Saviola que fez a rotação e marcou um golo merecidíssimo. 4-1, excelente resultado, estamos com pé e meio nas meias.

Há toda uma geração de jovens benfiquistas que está a viver, pela primeira vez, este momento de uma meia-final europeia, que apesar de ainda não ser uma realidade, dificilmente escapará. Numa altura de domínio interno quase total do FC Porto, que se estende desde meados dos anos 90 até hoje, e depois de esses mesmos jovens terem assistido às vitórias do Porto na UEFA e na Champions, à final perdida pelo Sporting em Alvalade e até mesmo à chega do Boavista às meias de uma UEFA, chega agora a vez de o Benfica lá. Sinto que se está a fazer história. E sinto que poderemos fazer parte dessa mesma história. Com o nosso nome gravado a letras de ouro.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Velhos são os trapos

Sem grandes objectivos pelos quais lutar neste campeonato, o Benfica apresentou-se na Mata Real frente ao Paços de Ferreira sem alguns habituais titulares, numa tentativa clara de fazer uma rotação equilibrada de modo a poupar os mais cansados, dar minutos aos menos utilizados e, com isto tudo, não perder grande qualidade de jogo. Conseguiu. O Benfica foi claramente superior a um Paços que luta pelos lugares europeus e mereceu a vitória, mas não por números tão dilatados.

Entrada demolidora do Benfica que chegou a uma vantagem de 3 golos em menos de 25 minutos: primeiro Cardozo, de grande penalidade bem assinalada por murro de Cohene na cara de Javi Garcia, enganou o guarda-redes pacense ao enviar a bola para o seu lado mais fraco, o esquerdo; depois Aimar, a receber um excelente passe do seu amigo Saviola, e com frieza a finalizar a jogada; por fim, Nico Gaitán, no melhor golo da noite, colocou a bola "na gaveta" com um remate cheio de classe e intenção, após assistência de Cardozo. O Benfica jogava bonito, dominava o encontro a seu bel-prazer e com três golos tão bem conseguidos pensou-se que a sempre complicada deslocação a um dos campos mais pequenos e antigos da primeira divisão teria sido um passeio. Não foi. Por demérito do Benfica, que não soube (nem sabe) gerir o jogo e jogá-lo de forma pausada, sem ser em alta velocidade, e também por mérito dos comandados de Rui Vitória, que tiveram coragem e qualidade para, após três golos sofridos, marcar um e enviar uma bola ao poste no minuto imediatamente a seguir, tendo ainda criado maus duas ou três chances de golo antes do intervalo. O Paços crescia mas acabou por se "suicidar" com a expulsão de Cohene, por falta sobre Saviola quando o 30" se encaminhava perigosamente para a baliza. Com 10 jogadores e mais de 45 minutos por jogar, o Paços via a sua tarefa irremediavelmente mais complicada.

O Benfica entrou para o segundo tempo sem a mesma dinâmica do início do jogo mas também mais dominador no aspecto territorial e com mais bola do que no final da primeira parte. Basicamente, conseguiu trocar a bola entre os vários elementos da equipa mas sem conseguir criar lances de perigo perto da baliza de Cássio. Mesmo com menos um jogador em campo e com menos bola, o Paços começou a pressionar mais alto sempre que os centrais ou Javi tinham posse de bola, o que acabou por provocar alguns erros na rectaguarda levando a dois lances de perigo no primeiro quarto de hora, mas sempre com Roberto em destaque pela positiva.

Apercebendo-se que o Benfica precisava de conseguir segurar a bola mais longe da sua baliza, Jesus fez entrar Peixoto para o lugar de Cardozo (a precisar de descanso, claramente) e Carlos Martins para o lugar de Gaitán (outro que precisa de descansar). Mesmo sem os dois portugueses terem entrado bem em campo, conseguiram que o Paços não voltasse a chegar-se perto da nossa baliza. E à medida que o jogo avançava, percebia-se que o resultado dificilmente sofreria alterações.

Até que entrou Nuno Gomes. Com o ponta-de-lança benfiquista fresco no ataque a substituir o fatigado Saviola, o Benfica voltou a conseguir colocar pressão na defensiva amarela que não raras vezes teve de despejar a bola de qualquer maneira, permitindo ao Benfica alguns ataques rápidos. E foi precisamente o capitão encarnado que dilatou a vantagem, por duas vezes, num jogo morno que se encaminhava monotonamente para o fim: primeiro numa jogada de insistência depois de um remate de César Peixoto e depois, à meia-volta, após pontapé na atmosfera de Peixoto uma vez mais, num golo de belo efeito.

Vitória justíssima num jogo que se esperava mais complicado, mas que o Benfica soube, por mérito próprio, "descomplicar". Vitória praticamente conseguida nos primeiros vinte e cinco minutos, nem sempre bem gerida da melhor forma, mas que terminou em goleada graças a uma ponta final bastante forte por mérito dos jogadores que vieram do banco. Segue-se o clássico.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Maior que Portugal

É pelos nossos adeptos que somos maiores que Portugal. Os quase 30.000 que estiveram hoje presentes no Parc des Princes, estádio do Paris Saint-Germain, demonstraram uma vez mais a nossa grandeza. Em tempo de crise há muito por onde cortar, menos no amor a um clube. E é por isso que na Luz, em Paços de Ferreira, em Braga, ou em Paris, o Benfica é maior que Portugal. Há um sentimento de amor que não consigo ver em nenhum outro clube. Somos mais que um clube. Nas palavras de Bela Guttmann, «Não há nenhum clube do Mundo que possua mística igual à do Benfica. E é este, afinal, um dos grandes segredos dos seus êxitos e da sua força. Tentarei explicar algumas das suas manifestações exteriores mais palpáveis. Veja, por exemplo, a sua massa associativa. Chove? Está frio? Faz calor? Que importa? Nem que o jogo seja no fim do Mundo, entre as neves da serra ou no meio das chamas do Inferno, por terra, por mar ou pelo ar, eles aí vão, os adeptos do Benfica, atrás da sua equipa. Grande, incomparável, extraordinária massa associativa!»

Imagino a cara de alguns jogadores quando entraram no campo parisiense e se aperceberam de que, mesmo a mais de 1000 km de Lisboa, na terra do oponente, estavam a jogar "em casa". Com quantos clubes no mundo é que esta situação acontece? Só conheço um. E partindo para o jogo com a vantagem alcançada na Luz, a tarefa seria teoricamente mais fácil.

Mas não foi. Um Benfica estranhamente desinspirado não foi capaz de travar com êxito as investidas iniciais dos franceses, que começaram o jogo a todo o gás, sem grande engenho, é verdade, mas com muita vontade, chegando à área de Roberto com relativa facilidade. Mas acabou por ser um pouco contra a corrente de jogo que, num lance com alguma felicidade à mistura, o Benfica chegou ao golo, por Nico Gaitán, que, após olhar para a área à procura de um colega, decidiu-se pelo remate e apanhou Édel em contrapé, tendo feito o golo. E depois disto, o Benfica desapareceu quase por completo, muito por culpa da falta de inspiração de Aimar e Saviola (jogo miserável deste último), e pelo cansaço de Salvio e Gaitán, mais notório no primeiro que no segundo. O PSG aproveitou e chegou ao empate num lance que fica marcado pela péssima abordagem de Sidnei (outra vez...), que ficou a olhar para o lance enquanto tudo se passava nas suas barbas.

No segundo tempo o Benfica apareceu com outra atitude e determinação em campo, criando três boas oportunidades de golo logo nos primeiros 15 minutos de jogo, desperdiçadas por Cardozo (duas) e Saviola. O Benfica crescia no jogo e o PSG já não conseguia atacar com tanto perigo, pelo que Kombouaré fez entrar duas unidades perigosas, o veterano Giuly e o ponta-de-lança Hoarau, que havia marcado o golo que eliminara o Braga de Jesus há três anos. E pouco depois o Benfica só não perdeu a vantagem que tinha na eliminatória graças a uma enorme defesa de Roberto, que encheu a baliza e impediu que Hoarau, a menos de cinco metros da linha de golo, conseguisse concretizar a ocasião. Jesus apercebeu-se que o jogo não estava para brincadeiras e resolve dar centímetros à defesa, colocando Jardel. Até final foi aguentar e sofrer bastante, com os parisienses a falharem uma nova grande ocasião ao minuto 95, quando Maurice, já isolado, escorregou na altura de rematar à baliza. Pode dizer-se que, nesse lance, a estrelinha da sorte esteve connosco.

Empate justo no jogo e eliminatória passada também com justiça. Frente a um adversário que mostrou vontade mas pouco futebol, o Benfica conseguiu cumprir os objectivos e chega aos quartos-de-final de uma prova europeia pelo segundo ano consecutivo, algo que, nos últimos anos, só aconteceu em 2006 e 2007. E este ano podemos ir mais longe. Que a sorte e o engenho nos acompanhem.

quinta-feira, 10 de março de 2011

E deram o berro

Meses e meses a pressionar alto, a jogar bonito, a correr que nem doidos e com pouca rotatividade do plantel, algum dia os jogadores dariam o berro. Foi hoje. Não foi aos 90 minutos, aos 80, aos 70 nem aos 45, hoje, alguns (muitos) jogadores do Benfica entraram em campo verdadeiramente cansados. Visível, notório, indesmentível. Se há uns jogos atrás víamos Gaitán fazer excelentes primeiras partes como em Alvalade ou em Stuttgart, e depois cair de rendimento na segunda, acabando fisicamente aos 70 minutos, hoje constatámos que aos 10 minutos, Gaitán já não conseguia fazer aquelas primeiras partes dos últimos tempos, nem conseguia ajudar a defender. "Estão completamente rotos", dizia um senhor uns lugares ao lado do meu. E estavam. Gaitán, Salvio e Cardozo, sobretudo estes três. A juntar aos "casos" Aimar e Martins, que têm de ser geridos com pinças, a equipa está à beira do colapso físico. Pode passar em Paris? Perfeitamente, se não jogarem pior do que hoje (e este PSG é bem fraquinho, diga-se) e desde que se poupem jogadores contra o Portimonense.

Em jogo importante a contar para a prova mais difícil e na qual o Benfica, ainda assim, alimenta legítimas esperanças de vencer, o público não compareceu como deveria para apoiar a equipa. Provavelmente nem se deslocaram à Luz 40.000 espectadores, talvez ainda combalidos do desaire em Braga. O que é certo é que nem Benfica nem adeptos se apresentaram à altura do desafio: a equipa fisicamente esteve de rastos e nervosa, nervosismo esse que transpareceu para os adeptos, impacientes e intolerantes, que assobiaram vários lances menos conseguidos. Mas não há que andar com paninhos quentes: o jogo foi mesmo mau, o Benfica esteve muito abaixo daquilo que sabe e pode dar e enfrentámos uma equipa que não é, ou pelo menos não pareceu ser, mais forte que o Vitória de Guimarães, por exemplo. E num dia normal, o PSG seria aviado com quatro golos.

Na primeira parte, a equipa (sobre)viveu sobretudo das iniciativas de Maxi Pereira e Fábio Coentrão, mas com maior ênfase para o trabalho do uruguaio. Carlos Martins também foi dos mais inconformados tentando transportar bola de trás para a frente, mas sem grande sucesso. O PSG só conseguia criar perigo quando a bola estava nos pés de Nenê, que teve a infelicidade de ser marcado por Maxi, que o anulou em quase todas as jogadas. Assim, em 45 minutos de mau futebol, não foi surpreendente ver o Benfica sofrer um golo (mais um) fruto de uma iniciativa individual de Nenê e empatar por autoria do caçador de franceses, Maxi Pereira.

No segundo tempo, o Benfica, consciente da sua superioridade em relação aos comandados de Kombouaré, partiu para cima do adversário que se revelava defensivamente permeável, sobretudo em lances de bola corrida pelo centro, algo que é raro encontrar nos dias de hoje. E assim que deu para perceber isso, foi rezar para que Jesus colocasse Aimar ao lado de Martins no meio-campo. A entrada de Jara para o lugar de Salvio, visivelmente estoirado, também ajudou a imprimir velocidade ao flanco, e fruto de boas combinações dos médios e de Saviola com Cardozo, que esteve bem no jogo de costas para a baliza (mas terrível no resto, tal como Saviola), foi possível criar alguns lances de perigo, inclusive um penalty que ficou por assinalar sobre o camisola "30" encarnado. Com o Benfica claramente por cima, o golo acabou por surgir naturalmente, como acontecera com o Stuttgart: Aimar combinou com Jara que, com tempo, soube ajeitar a bola e rematar com classe e tranquilidade para a baliza.

A vitória acaba por pecar por escassa face ao que o Benfica vale e face ao que este PSG (que poupou Giuly, Makélélé, Hoarau, entre outros) não vale. O pouquíssimo futebol dos franceses, cujas maiores ocasiões de perigo foram lances protagonizados por Sidnei, não justifica o golo que levam para Paris. Uma coisa é certa: no Parc des Princes, com muitos milhares de benfiquistas a apoiar, o Benfica tem razões para se sentir em casa e passar esta eliminatória, até porque, fazendo fé nas palavras de Carlos Martins, é mesmo muito difícil ganhar a esta equipa.

domingo, 6 de março de 2011

Xistra resolve

Xistra era o único disponível. Claro. Todos os colegas estavam de caganeira, certamente. Ou então o Padrinho falou com Xistra e Vítor Pereira e resolveu-se assim a situação. Et volià. Em Braga gostavam de Xistra. Em Braga ainda gostam de Xistra. A nós resta-nos apoiar Fernandos Gomes, convidá-los para as Galas, participar nos beija-mão, etc. Acção exige-se. Que alguém no Benfica tenha coragem para vir a público e dar a cara, chamando os bois pelos nomes. Parem de viver neste mundo da fantasia. E que, já agora, deixem um esclarecimento bem claro ao poder político, que insiste em "empatar" o estado de (in)justiça em Portugal no que a alguns processos diz respeito: apressem-se, porque com seis milhões de pessoas descontentes em Portugal com o estado de tudo, se algum louco se lembra de transferir responsabilidades do que se passa no futebol para a política, então a classe está bem lixada. Com "F" grande. 12 de Março é já amanhã.

Jesus fez o que devia. As poupanças eram inevitáveis a pensar naquele que tem de ser o grande objectivo do Benfica, a Liga Europa. E, como sabem, não é com hipocrisia que eu ou o Galaad, neste blog, dizemos isto. Já o tínhamos afirmado há muito: com o campeonato perdido desde a nascença do mesmo, o foco tinham de ser as três taças. Neste momento, na prova europeia, com o sorteio benéfico que tivemos, a nossa obrigação é chegar aos quartos-de-final. Ponto final. E se isso implicar poupar alguns jogadores, não há que temer.

Com Gaitán e Salvio de fora, Menezes e Jara foram os eleitos para o onze titular. Sem Aimar, ainda a contas com uma lesão, Martins foi o terceiro "elemento estranho" no meio-campo. Mas, surpreendentemente, não foi por esta mistura de caras menos conhecidas que o Benfica não teve sucesso em Braga. Pelo contrário. O jogo começou a bom ritmo, com o Braga a tentar tomar a iniciativa, mas cedo se percebeu que o Benfica estava mais forte, e a primeira meia hora de jogo foi nossa. Tanto em ataque organizado como nas saídas rápidas de Saviola, Jara e Cardozo, o Benfica criou sempre mais perigo, e foi sem surpresa que se viu o clube da Luz adiantar no marcador. Surpreendente foi o descaramento com que certas coisas foram feitas, às claras, a seguir.

Num lance em que Alan vai apenas para tentar acertar no adversário, acaba por simular uma agressão e provoca assim o segundo (o primeiro fora o golo mal anulado a Jara) grande e grave erro de Xistra: a expulsão do trinco espanhol do Benfica. Como é que Xistra viu? Não sei. Como é que o fiscal viu? Não sei. Alguém viu alguma coisa? Acho que não. O que me leva a pensar que a expulsão foi por má fé, foi intencional, encomendada, o que quiserem. E de uma falta inexistente se criou um livre que permitiu a Roberto mostrar, uma vez mais, quão inconstante é. Depois de já ter protagonizado uma grande defesa à meia hora, voltou a mostrar todas as suas fragilidades. Demasiado inconstante para ser titular num Benfica que se quer constante e regular pela positiva.

Cambalhota psicológica à beira do intervalo, Benfica com menos um e Jesus a viver uma situação semelhante à de Alvalade. Sem Javi, apostou em Airton poupando Saviola. Numa segunda parte mal jogada, com pouca inspiração e muitas faltas de ambos os lados (é de louvar que Kaká tenha acabado o jogo, fantástico trabalho, Xistra), o Braga começou por criar mais perigo e o Benfica, a espaços, com menos um, foi dando resposta. E foi já com Mossoró em campo que o Braga chegou à vitória, uma vez mais num lance irregular, fruto de uma falta favorável ao Benfica que foi transformada em lançamento para os bracarenses. Deu para perceber por que é que, nas palavras de Jesus, em Braga se gosta tanto de Xistra.

O Benfica perdeu não por falta de competência própria mas por erros alheios, uma vez mais. Os jogadores com menor frescura física foram poupados para o jogo com o PSG, e os que estiveram em campo a defender as nossas cores revelaram atitude, garra e qualidade que permitiriam, em condições normais, a vitória. Não deixaram.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Não há Carnaval sem cabeçudos

Tenho visto muito pouco futebol nacional este ano, por falta de tempo. Se me dizem que esta exibição do Sporting foi a melhor da época, então tenho de admitir que este ano ainda não tinha visto futebol. Sou pragmático ao ponto de admitir que uma equipa que joga 90 minutos à defesa e ganha o jogo, merece se o fizer bem, mas não se pode considerar uma grande exibição. Se estacionar o autocarro com 11 jogadores atrás da linha de meio-campo e jogar boccia com Postiga lá na frente é uma grande exibição, então eu tenho os padrõezinhos de exigência muito lá em cima.

O Benfica que se apresentou na Luz foi o mesmo que se apresentou em Alvalade há semana e meia. O mesmo onze, com Martins a iniciar a partida e Aimar no banco de suplentes. Frente a um Sporting mudado não só dentro de campo, com os regressos de Carriço e Evaldo, mas com a importante perda de Pedro Mendes, e também diferente fora de campo, com a entrada de Couceiro, os leões sabiam que o jogo era de vida ou morte, era a última oportunidade de se agarrarem a uma competição e tentarem salvar a época. Sabendo da diferença de qualidade que os separa dos rivais, montaram a estratégia que as equipas ditas pequenas adoptam sempre que se deslocam à Luz: defender com onze jogadores atrás da linha da bola, no seu meio-campo defensivo, e lançar o ataque através de passes longos para a velocidade dos avançados. E o Sporting conseguiu mesmo chegar à vantagem, num lance duplamente irregular, pois não há falta sobre o médio leonino que se estende no relvado e há fora-de-jogo de Postiga no momento em que o livre é cobrado. De qualquer das formas, mais um golo sofrido de bola parada fruto de desentendimentos entre o guarda-redes (principal culpado) e a defesa (que não fica isenta de culpas). Pelo terceiro jogo consecutivo na Luz, o Benfica começava a perder.

Claramente sem a frescura física que gostaríamos de ver, o Benfica apresentou-se, ainda assim, a um nível muito bom para esta fase da época atendendo à quantidade de jogos já efectuados. Conseguiu carregar sobre o rival e criou oportunidades que permitiram chegar ao golo. Polga colaborou e fez questão de abraçar Javi Garcia na área já depois de ter sido avisado por duas vezes. Burro, hein? Só de pensar que esteve para vir para o Benfica... medo! E se Cardozo fez o que tem feito com frequência este ano no que toca a marcar penalties (falhar), de seguida redimiu-se e apontou, de cabeça, o primeiro golo encarnado, com a colaboração de Evaldo (ao qual se aplica o mesmo que disse sobre Polga). Com a igualdade, o Benfica carregou e arrancou mais bons lances e boas oportunidades, mas sem sucesso. O resultado era justo ao intervalo, mas se tivesse de haver alguém em vantagem, seria o Benfica.

A segunda parte foi de altos e baixos. Se é verdade que o Benfica não conseguiu imprimir o ritmo pedido pelo treinador, o Sporting também não fez muito pela vida, com apenas um par de ocasões perigosas, a começar e a terminar estes 45 minutos. Postiga foi a maior (única?) ameaça do lado leonino, enquanto que o Benfica viu Gaitán e Cardozo diminuírem de produção, ao contrário de Coentrão, que apareceu muito mais em jogo no segundo tempo. E foi precisamente pela lateral esquerda que surgiram os ataques benfiquistas, especialmente com a inclusão de Jara em campo. Fruto do balanceamento ofensivo do Benfica, nomeadamente no final da partida, seria de esperar um golo. O Sporting teve a sua oportunidade de ouro num lance que Matías desperdiça na cara de Roberto. O Benfica teve a sua na bota de Javi garcia, que na área, à ponta-de-lança, teve o sangue frio que faltou ao chileno do Sporting e bateu Patrício. O nosso destino é mesmo o de vencer.

(Carlos Martins a imitar Anderson Polga)

Queria deixar a pergunta aos nossos rivais que não se entendem: como está o Benfica? Uns dizem que está de rastos, que não consegue pressionar alto. Outros dizem que chega ao final dos jogos em alta rotação e que tal só é possível graças ao doping. Vá lá, entendam-se. O que eu vejo é que a equipa está forte e que vai em 18 vitórias consecutivas para todas as competições. Os temíveis meses de Janeiro e Fevereiro foram passados sem empatar ou perder. E para desvalorizar o indesvalorizável, lá vem o choradinho da arbitragem. Sintomático de quem não é grande.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

«Estamos de parabéns pela maturidade»

A frase é de Luisão, capitão no campo, e reflecte precisamente aquilo que venho dizendo há muito tempo: maturidade. Foi isto que faltou na Champions e no Dragão, até Novembro, e que hoje conseguimos conquistar e demonstrar, maturidade. A qualidade está neste grupo de trabalho desde início, a capacidade de ter maturidade para a evidenciar e exponenciar a qualidade é que não existiam. Hoje, a situação é bem diferente, para melhor. Nem sei bem o que dizer, estou felicíssimo, não caibo em mim de contentamento. O Benfica acaba de concluir um ciclo de três deslocações dificílimas, em três semanas, ao Dragão, a Alvalade e a Stuttgart, todas com vitórias por 0-2. Porquê? Maturidade. O meu "obrigado" a este grupo de trabalho e nomeadamente a Jorge Jesus. Muito, muito obrigado. Hoje faleceu um borrego com mais de cinquenta anos de história europeia. Acabou o pesadelo e o trauma alemão. Morreu a ideia da incapacidade em ganhar em solo germânico. Obrigado, Jorge Jesus.

Depois da vitória suada arrancada na Luz uma semana antes, o Benfica deslocou-se à Alemanha, onde nunca ganhara antes a uma equipa germânica, para tentar inverter a história. Depois de dezoito jogos de tentativas frustradas, era a vez de, como Jesus previra na conferência de imprensa do dia anterior, mudar a história. Na cidade maldita onde Veloso falhou o fatídico penalty da final da Taça dos Campeões Europeus de 1988, o Benfica escreveu a primeira bela página europeia desta década.

Privado de Saviola por indisposição de última hora, Jorge Jesus manteve-se fiel ao esquema de jogo habitual e lançou Jara na partida, no lugar de El Conejo. No entanto, as principais dúvidas residiam na forma como a equipa se apresentaria. Estaria o Benfica em boas condições físicas para bater os alemães, depois do desgastante derby de segunda-feira? Como aqui dissemos, fisicamente este Benfica não está bem nem muito bem: está quase perfeito. É isso que permite que Coentrão faça sprints aos 90+3 minutos em que passa por três adversários, é isso que permite que Gaitán, mesmo depois de ter descansado menos de 72 horas após o duelo de Alvalade, em que acabou visivelmente estoirado, se apresente fresco que nem uma alface.

O Benfica entrou forte e pressionou o Stuttgart bem alto desde início, tendo conseguido as melhores oportunidades do primeiro tempo. Fábio Coentrão deu o primeiro sinal de golo, mas não conseguiu repetir aquilo que já fez este ano noutros jogos grandes (Porto e Lyon). Curiosamente foi na sequência de um pontapé de canto que o Benfica chegou à vantagem, com um remate fortíssimo de Salvio, rasteiro, sem hipóteses de defesa. Em vantagem na eliminatória, os alemães teriam de marcar três golos para passar.

No segundo tempo, logo no recomeço, foi Jara quem testou os reflexos do guarda-redes alemão, que sairia lesionado após um choque aparatoso com Gaitán e com Delpierre. O Benfica sabia defender bem e saía para o ataque sempre com muito perigo, tendo Luisão desperdiçado uma oportunidade soberana para matar a eliminatória, ao falhar um golo quase feito após uma desmarcação perfeita na sequência de um livre. O Benfica acreditava e sabia que um golo sentenciava a partida. Cardozo testou a qualidade de Ulreich, num remate alto e forte, com aparatosa defesa do camisola "1". E tantas vezes o cântaro foi à fonte que acabou por partir, num livre perfeito de Cardozo, mais fácil que um penalty, com a bola a bater no poste e a entrar junto ao outro. Execução sublime, dança da galinha, 0-2 e primeira vitória na Alemanha. Era o coroar de uma exibição quase perfeita, com classe, magia e pragmatismo.

Queria ainda destacar a exibição de dois jogadores: primeiro, Roberto, que fez quatro defesas que garantiram a continuidade nesta prova. A defesa a cabeceamento de Okazaki é de um grau de dificuldade elevadíssimo, só ao alcance de um grande guarda-redes. O espanhol mostra-se cada vez mais confiante entre os postes, apesar de nas bolas aéreas ainda andar, não raras vezes, aos papéis. O segundo a destacar é Nico Gaitán, jogador que tem sido comparado a Di María. Não me parece que sejam minimamente parecidos, aliás, vejo em Gaitán um estilo de jogo muito parecido (com potencial para ser bem melhor) com o de Deco. Gaitán parece-me cada vez mais um "10", e ontem teve mais um jogo com nota artística. Bravo!

16ª vitória consecutiva em todas as competições, novo record do clube. Numa época com tantas dificuldades, este é um feito magnífico, muito graças ao treinador que soube refazer uma equipa, potenciando jogadores que tinham acabado de chegar. Bravo Jesus!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Nosso Destino é o de Vencer

Fomos Benfica. Foi dos dias, foi dos jogos em que mais senti o Benfica e o benfiquismo, como a fotografia abaixo o demonstra. Milhares de benfiquistas na casa do histórico rival de Lisboa apoiando uma equipa que se mostrou muitíssimo madura e inteligente, fazendo o tipo de jogo que era necessário para vencer o oponente. O Benfica mantém-se forte e alcança a décima vitória consecutiva na Liga, algo que sinceramente não tenho memória de ter ocorrido.

Jorge Jesus apostou no onze aqui lançado na antevisão, com o onze habitualmente titular excepção feita a Aimar que cedeu o seu lugar a Carlos Martins. Sem grandes alterações, era de esperar que o Benfica fosse fiel aos seus princípios de jogo e soubesse conjugar aquilo que de tão bem tinha feito no Dragão com o que costuma fazer nos jogos fora: ter um elevado nível de agressividade associado a transições rápidas com os laterais muito interventivos. Assim foi. E tal como no Dragão, há duas semanas atrás, a vitória surgiu.

Logo aos cinco minutos o Benfica deu o primeiro sinal de perigo numa jogada que surgiu da esquerda, com o remate de Gaitán a passar bem perto do poste. Logo aí deu para perceber que, em Alvalade, para além dos milhares de benfiquistas concentrados no local habitualmente destinado aos visitantes, muitos mais estavam aqui e ali, em todo o lado. No meu sector, B28, ouviu-se um enorme "bruá" nesse lance. E o mote estava dado.

Pouco tardou até surgir o primeiro golo encarnado. Num lance bem construído uma vez mais pelo lado esquerdo, na sequência de uma má reposição de Patrício, Gaitán cruza para a área com a bola a sobrar para Salvio que, mais rápido e inteligente que Grimi, conseguiu chegar primeiro à bola e fez o primeiro.

O Benfica soube gerir muito bem a vantagem e não se remeteu em exclusivo à defesa, bem pelo contrário, as melhores jogadas e ataques foram dos nossos jogadores. No entanto o jogo começou a ficar cada vez mais desinteressante com os acontecimentos nas bancadas a ganharem protagonismo, fruto da estupidez crónica dos elementos da claque do Sporting, Juve Leo. A verdade é que os adeptos do Sporting não foram os únicos a reclamar o protagonismo, com Artur Soares Dias (quem não o conhecer, que o compre), em plano de destaque, com muitas decisões erradas e que, sinceramente, creio que foram premeditadamente erradas. A distribuição aleatória de cartões amarelos para os jogadores do Benfica no final do primeiro tempo foi a prova disso, com Sidnei a ser expulso, sendo que o primeiro cartão é muito mal mostrado.

O Benfica chegou ao intervalo com um golo de vantagem mas com menos um jogador. Jardel já aquecia e iria entrar, colocando-se a questão de quem ficaria de fora. Saviola foi o escolhido, e na minha opinião Jesus tomou a decisão correcta, uma vez que tirar um médio seria uma enorme asneira e a sair um avançado teria de ser Saviola, pois Cardozo era capaz de segurar jogo na frente.

O Sporting, com mais um elemento (dois, se contarmos com Artur Soares Dias), tentou assumir o jogo, mas chamar "assumir o jogo" àquilo, enfim, é forçado. Se a táctica de Paulo Sérgio se resume a chutar bolas para a frente para a cabeça de Postiga ou para a velocidade de Djaló, resta-me concluir que o Sporting é cada vez mais um Paços de Ferreira e cada vez menos o Sporting. É uma equipa sem matriz, sem chama, sem princípios. E quando as primeiras oportunidades surgiram, com um belo lance de Matías para fabulosa intervenção de Roberto, daquelas que dá pontos, e depois num cabeceamento de Postiga a passar bem perto do poste, Jesus fez mais uma escolha decisiva e chama Airton ao banco de suplentes. Mas antes que pudesse fazer a substituição, Carlos Martins bate um livre contra a barreira, a bola sobra para Javi que entrega a Maxi que cruza para a área onde Gaitán remata para o segundo, o golo da tranquilidade.

Com 0-2 e com a entrada de Airton, o Sporting não criou mais nenhum lance de golo até final. O Benfica, sem bola, soube gerir perfeitamente o jogo com uma tranquilidade assustadora. Não raras vezes me esqueci que, no meio disto tudo, só estávamos a jogar com dez homens. Entrega, inteligência e algo que ainda não ouvi muita gente dizer, de tão óbvia que esta constatação é: este Benfica é muitíssimo superior a este Sporting, que, arrisco-me a dizer, tem o pior plantel da sua história e pratica o pior futebol desde que os vejo jogar.

Maravilhoso Benfica em mais uma noite de magia na casa-de-banho. Agora é manter a atitude e a qualidade frente ao Stuttgart e a passagem aos oitavos-de-final da Liga Europa será uma realidade. Basta sermos Benfica.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Em aberto

Jogar contra o Stuttgart não é o mesmo que jogar contra o Vitória de Guimarães ou o Rio Ave: as desatenções pagam-se caro e é necessário manter os índices de concentração elevados durante os 90 minutos. Quando assim não acontece, o resultado pode ser algo que não desejamos. Ficou uma vez mais provada a diferença abissal entre a nossa liga de futebol e a alemã, uma das do big five. Mas também se provou que este Benfica, ainda sem maturidade europeia, pode fazer "coisas bonitas", nas palavras do poeta Artur. A vantagem de 2-1 é um resultado perigoso, sobretudo num local onde o Benfica nunca ganhou. Para a semana há mais, com o desejo de passar a eliminatória e com a certeza de que, para o fazer, será necessário um desempenho ainda melhor do que o conseguido na Luz, sobretudo na primeira parte.

Cerca de 45 mil adeptos benfiquistas deslocaram-se ao estádio num final de tarde de trabalho, a uma 5ª feira, para assistir ao primeiro jogo europeu deste ano, com a esperança de verem o Benfica rubricar uma exibição e um resultado melhores que aqueles que conseguidos nas provas europeias desta temporada. No entanto, a primeira parte, não trouxe grandes melhorias face ao que já tínhamos visto: incapacidade constante em "mandar" no jogo uma vez que a circulação de bola no meio campo adversário era uma miragem. Raras foram as vezes que o Benfica conseguiu 4 passes consecutivos no meio-campo dos alemães, muito por culpa da desinspiração de Aimar, muito bem anulado, e Salvio, mais por demérito próprio que por mérito alheio. Jara, sempre muito interventivo, revelou-se algo trapalhão e infantil na hora de decidir, preferindo não raras vezes atirar-se ao chão a lutar pelo lance. Defensivamente, os mesmos erros de sempre quando jogamos contra equipas mais evoluídas que o Rio Ave ou o Guimarães: transição falhada, Javi demasiado desapoiado, dificuldade em bolas aéreas por culpa da posição da linha defensiva, que é excelente para jogos nacionais mas que para encontros internacionais é um problema, como se revelou no golo alemão.

No segundo tempo foi quase tudo diferente. O Benfica apresentou-se com outra cara e quis mandar no jogo, pondo o guardião do Stuttgart em sentido por várias ocasiões. Fábio Coentrão, Pablo Aimar, Óscar Cardozo e Nico Gaitán tentaram a sua sorte logo nos primeiros minutos, mas sem sucesso. Por volta do minuto 65, o Benfica massacrava. E foi com o dedo de Jesus, com a mudança de Salvio para a esquerda e de Gaitán para a direita, que esse rendimento foi incrementado. O golo surge precisamente de um cruzamento de Nico na direita, com a bola a sobrar para Cardozo, que à ponta-de-lança, fez o golo. Com o empate, Jesus fez um compasso de espera nas substituições e lançou Kardec e Carlos Martins para os lugares de Salvio e Aimar, colocando uma frente de ataque com três homens (Cardozo, Kardec e Jara). E quando este último tinha acabado de dar o berro, com cãibras, queixando-se no chão, Cardozo impede que o colega seja assistido, levanta-o e incentiva-o. A vontade de ganhar era notória. E quando há vontade e engenho, há golo. Assim foi, Jara remata forte a 25 metros da baliza, com a bola a tabelar num alemão, e a passar por cima de Ulreich, batendo na trave e entrando na baliza, voltando a sair. Nem o árbitro, nem o fiscal-de-linha, nem o badameco que está a passar frio atrás da linha de fundo, nenhum deles viu. Felizmente estava lá Cardozo, que não se fez rogado e confirmou o golo do colega argentino. 2-1 no marcador, o Benfica estava finalmente com a vantagem que já merecia.

Até final do jogo, o Benfica ainda procurou o ataque e poderia ter marcado por duas ocasiões, primeiro com Kardec, a falhar o cabeceamento, e depois por Menezes, que obrigou o guarda-redes germânico a uma boa defesa. A equipa divida-se entre os que queriam marcar o terceiro e os que queriam a manutenção do resultado, com Roberto a ser assobiado por retardar a reposição da bola em jogo. O jogo terminaria com a justíssima vitória do Benfica, mas com um resultado que é extremamente perigoso, especialmente na terra dos boches, onde nunca ganhámos. Como há sempre uma primeira vez para tudo, acredito piamente que será desta vez que vamos matar e esfolar este borrego com mais de 50 anos.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

"Show Dji Bola"

Na melhor exibição de época, com nota artística, o Benfica massacrou autenticamente o Vitória de Guimarães num jogo em que mostrou um caudal ofensivo brutal, qual rolo compressor, foi um autêntico Boeing a atropelar o sinaleiro na pista de aterragem. Foi uma exibição, a meu ver, melhor que a maioria das protagonizadas no ano passado, quando fomos campeões. Foi um autêntico massacre, um hino ao futebol. O Benfica conseguiu assim a 16ª vitória consecutiva, estando num momento excelente para enfrentar o compromisso europeu que se avizinha, algo que era impensável em Dezembro.

O Benfica beneficiou, em muito, da excelente condição física dos seus jogadores. Uma coisa é conseguir atacar e dominar o jogo durante 90 minutos, outra é fazê-lo em alta rotação sem dar espaços ao adversário e ter a baliza deste sempre no olhar. Luisão e Sidnei foram intransponíveis na defesa e lançaram o ataque de forma rápida e inteligente, com maior destaque para o camisola "27". Maxi Pereira voltou numa forma incrível, incansável, fazendo o corredor direito como uma locomotiva. Juntamente com Salvio, fizeram a cabeça de Bruno Teles (bem fraquinho, ele que chegou a ser falado para o Benfica) em água. Do outro lado, à esquerda, foi sobretudo Coentrão a assumir as despesas de jogo, com Gaitán muito desinspirado, como vem sendo hábito. Apesar de se perceber que o argentino tem talento a rodos, falta-lhe ainda alguma confiança e mais garra para ganhar mais lances, mas a qualidade está lá, vê-se ao longe. A subida de forma de Javi Garcia também contribuiu para que o Benfica conseguisse atacar mais, uma vez que o espanhol foi muito importante na recuperação da bola ainda no meio-campo vitoriano, sem esquecer os sprints que fez para acudir a defesa, sempre muito importantes. Aimar é mais que um número dez clássico, com Jesus ele ataca e defende como poucos, a sua inteligência é notória quando se posiciona, corta, lança o ataque, conduz a bola ou indica o posicionamento aos companheiros, sou um privilegiado em ver Pablito com a camisola encarnada. O fabuloso trabalho entre linhas de Saviola também tem de ser valorizado, uma vez que El Conejo conseguiu abrir espaços na compacta defesa vimarenense, e há que destacar também pela positiva o bom jogo de Cardozo que, não obstante a grande penalidade falhada, rubricou uma exibição muito conseguida, ao conseguir descer no relvado e ajudar o meio-campo a construir jogadas de ataque.

Três a zero ao Vitória de Guimarães é um excelente resultado, mas face ao volume de jogo criado pelo Benfica, o resultado é lisonjeiro para os vimarenenses. Cinco ou seis a zero não chocariam ninguém, tal foi a avalanche encarnada para tão pouco Vitória. Foram bolas ao poste e à barra, defesas de Nílson, cabeceamentos e chutos a rasar os ferros, um golo mal anulado e outro que deixa imensas dúvidas, o Benfica poderia ter dado uma cabazada histórica à equipa de Manuel Machado, mas ficou-se pelo recital de futebol, com nota artística, somando assim a 16ª vitória consecutiva.

Na próxima jornada há a deslocação a Alvalade, num jogo em que as contas do segundo lugar podem ficar definitivamente arrumadas, apesar de, para mim, já estarem. Contaremos com Coentrão, Luisão, Jardel e Salvio, que estavam em risco de verem o quinto amarelo, e face ao que tenho ouvido e lido, teremos uma boa moldura humana vestida de vermelho no campo Grande. Prepara-se a invasão ao terreno do Sporting com a certeza da vitória. Espero é que não se esqueçam que, para ganhar, é preciso respeitar o adversário, o que nem sempre acontece nestas situações.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O importante é ganhar

Jogando bem ou jogando mal, com um golaço de pé direito num remate fortíssimo a trinta metros da baliza ou marcando de costas num ressalto depois de sofrer durante 90 minutos, o importante é ganhar, desde que não seja preciso marcar com a mão, certo? Apesar de o Benfica não ter feito um jogo brilhante, aliás, esteve encostado às cordas por alguns minutos nesta partida, o objectivo foi alcançado, com a 15ª vitória consecutiva em provas internas, a oitava no campeonato.

Num terreno tradicionalmente difícil e frente a uma equipa (e um treinador) bem experientes e de valia, o Benfica soube ser mais forte que o Vitória e levar de vencida os sadinos num jogo que requeriu uma força mental acima do normal, pois mais do que massacrar foi preciso saber sofrer, resistir e atacar no momento certo. Este era um jogo em que a equipa teria de mostrar se tinha maturidade ou não. E tem. Foi mais um teste passado com distinção.

Destaques individuais para o capitão Luisão, a atravessar um dos melhores momentos da sua carreira, rubricando exibições de elevada qualidade em série, mas também temos de dar destaque aos dois argentinos contratados a título definitivo no defeso, Nico Gaitán, autor do primeiro golo e que deu seguimento à boa exibição no Dragão, e também para Franco Jara, que voltou a entrar e a marcar o seu golito da praxe, assumindo-se cada vez mais como a primeira alternativa à dupla Cardozo-Saviola.

Três pontos, segundo lugar mais que assegurado e agora há que acender umas velinhas para ver se o Porto perde pontos na próxima jornada, em Braga. Pode ser que, pode ser que, vamos ver se.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sofrimento desnecessário

Devo salientar a boa vontade e alguma inocência de algumas pessoas que ainda acreditam no título. Um Benfica quase bipolar, com uma primeira parte de altíssimo nível e uma ponta final de jogo que ia deitando tudo a perder, derrotou o Nacional da Madeira num bom jogo de futebol. Algures entre Aveiro, o crónico candidato foi "cronicamente" beneficiado, sendo atribuído um penalty inexistente que permitiu a vitória por 1-0 pela terceira vez esta época, depois de Naval e Setúbal. Na Luz mora agora uma equipa bastante mais tranquila que aquela que iniciou a época, tendo já conquistado seis pontos na segunda volta, contra os zero alcançados nos jogos respectivos da primeira volta. São já 7, as vitórias consecutivas do Benfica na prova.

Início de jogo a todo o gás com o Benfica, a fazer uns primeiros 20 minutos de grande nível, nos quais marcou por duas vezes, primeiro por Gaitán na sequência de um lance de Salvio e Saviola, no qual o camisola "8" sofreu penalty não assinalado, depois, na sequência de um canto cobrado por Aimar, foi Sidnei quem saltou mais alto e em antecipação ao defesa marcou o seu primeiro golo este ano, dando uma boa vantagem ao Benfica. Apesar de o Nacional também ter criado algumas situações complicadas para Roberto, no início do jogo, a vantagem encarnada era inquestionável dada a diferença de qualidade de futebol produzido. Com o resultado em 2-0, a equipa soltou-se, muito graças à boa exibição de Pablo Aimar, que comandou o meio-campo encarnado, mas sem criar grandes aflições para Bracalli. Era um domínio territorial evidente por parte do Benfica. O Nacional só voltaria a criar perigo perto do intervalo com um cabeceamento às malhas laterais na sequência de um livre lateral, uma situação defensiva que continua por resolver no futebol encarnado.

O segundo tempo começou praticamente com o golo do Benfica fruto de um lance em que Luisão faz uma assistência cheia de classe e Cardozo finaliza com alguma sorte também, ao conseguir passar a bola por entre as pernas de Bracalli e chegar-lhe antes do guarda-redes o conseguir fazer também. 3-0, tudo resolvido. Ou então não. O jogo foi decorrendo e Jesus retirou Cardozo, o Nacional sentiu-se mais confiante e nos últimos 15 minutos instalou-se a incerteza do resultado na Luz: o Nacional fez o 3-1 na sequência de uma bola parada, teve um lance em que o avançado esteve cara-a-cara com Roberto com uma monstruosa intervenção do espanhol e fez de seguida o 3-2 num lance em que Coentrão perdeu no duelo aéreo à semelhança do que tinha acontecido no primeiro golo. Com a confiança no máximo, o Nacional atirou-se de cabeça ao jogo e foi num lance de contra-ataque, já em cima do minuto 90, que Jara marcou de cabeça após assistência de Saviola na esquerda, tranquilizando definitivamente os mais de 30.000 benfiquistas que tiveram a coragem de se deslocar ao Estádio da Luz, com apenas 5 graus, vento para de lá saírem apenas às 23 horas.

Vitória justa com cerca de 75 minutos de inspiração e 15 minutos de aflição. O Benfica alcançou a sétima vitória consecutiva no campeonato mas mantém-se a oito pontos do líder e alargou para onze a vantagem que detém sobre o Sporting, que jogará apenas hoje à noite nos Barreiros (e onde não deverá conseguir passar, arrisco eu).