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domingo, 6 de maio de 2012

Outra vez, outra vez...


Último jogo na Luz para o campeonato e aquela velha sensação de sempre: mais uma época perdida. Tal como sucedeu no ano passado, a União de Leiria veio servir de despedida ao Estádio da Luz. Em mais um jogo insonso, o Benfica venceu a União (ou o que sobrava dela) e assegurou o acesso directo à próxima edição da Champions League, confirmando o segundo lugar no campeonato. Mas o que ficou na retina, além das muitas palavras de ordem proferidas pelo topo sul, foi uma lição de profissionalismo que os leirieenses deram aos meninos dos milhões.

Sem chama, sem atitude, sem brio. Foi assim que os jogadores do Benfica se apresentaram, excepção feita a Pablo Aimar e Maxi Pereira, que tiveram o devido reconhecimento das bancadas. Os restantes apresentaram-se ao seu nível habitual, com as novidades Luís Martins e Yannick Djaló a justificarem o porquê de terem passado tanto tempo sem constituir opção. Cardozo e Saviola deram continuidade às suas paupérrimas exibições, Nélson e Rodrigo muito individualistas, Garay e Luisão sem trabalho, Bruno César, Witsel e Artur sem grande trabalho mas em bom nível.

Tenho pena que o Benfica se tenha transformado nisto. Presidente déspota, treinador arrogante, jogadores sem chama, e um público que assobia os adeptos que gritam por "exigência". O Benfiquinha dos 2 campeonatos a cada 10 veio para ficar. Não se iludam, que para o ano vão estar lá todos outra vez. E quando digo todos, são mesmo todos.

sábado, 14 de abril de 2012

Dever cumprido

O Benfica cumpriu as suas obrigações e derrotou o Gil Vicente na final da Taça da Liga, conquistando o troféu pela quarta vez consecutiva. Num jogo bem disputado e onde o ascendente pertenceu sempre aos encarnados, o individualista Rodrigo deu vantagem ao Benfica após cruzamento de Bruno César. O jogo não perdeu intensidade, mas não havia grandes chances de golo, sendo a mais flagrante um remate de Witsel, exemplarmente bem defendido por Adriano. No segundo tempo, já com o Benfica a baixar no terreno, o Gil empatou por Zé Luís, mas Jesus sacou o coelho da cartola e Saviola, aos 83 minutos, devolveu a liderança ao Benfica. A solução estava no banco. No banco do Cardinal e do Paulo Pereira Cristóvão. Parabéns aos jogadores pela vitória na Taça da Liga.

domingo, 1 de abril de 2012

Holding Out For a Hero

Não foi um grande jogo, não houve muitas oportunidades, não jogámos bonito, mas... vencemos. E no futebol tudo se resume a isto: vencer. Conseguimo-lo da maneira mais dramática possível, com um golo já no período de compensação, marcado por um herói improvável, gordo, já com careca, que disse que o nosso clube seria uma ponte aérea para a grande Europa do futebol. E o futebol é bonito por isto mesmo: num dia podes ser uma besta, no outro és um herói que dá os 3 pontos à tua equipa num jogo emocionante.

O Benfica entrou em campo com a ambição de dominar o jogo, algo que conseguiu facilmente, uma vez que o Braga entregou a iniciativa de jogo aos encarnados. No entanto, não foi fácil encontrar o rumo para a baliza de Quimbecil, pelas razões já referidas noutros posts: boa organização defensiva do adversário, falta de criatividade e de velocidade nossas. Porém, de qualquer das maneiras, nos primeiros minutos do jogo deu para perceber que tínhamos finalmente entrado com onze jogadores em campo, uma vez que na lateral esquerda estava um jogador de futebol, algo que não víamos há uns tempos. Construíamos jogo pelo centro, pela esquerda e pela direita, mas pecávamos na finalização. Sempre que chegava a altura do remate, os nossos jogadores precipitavam-se e atiravam à figura de Quim. O Braga, verdade seja dita, não fazia melhor, não chegando a rematar à baliza e perdendo muitas bolas no último passe. Com o crescimento dos visitantes, o intervalo chegou em boa hora. Era tempo de analisar a primeira parte e redefinir estratégias para chegar ao golo na segunda.

O Benfica voltou a entrar bem no recomeço da partida, desta vez rematando à baliza mas sempre à figura do guarda-redes do Braga. Witsel primeiro, Rodrigo depois, mas sem resultados práticos. Sem conseguir alcançar o golo, o Benfica quebrou e o Braga emergiu, primeiro por Lima e depois por Mossoró, este último a cabecear no coração da área, sem oposição, mas ao lado, num lance marcado pela lesão de Miguel Vítor. O jogo continuou trapalhão até que Elderson resolveu ser mais trapalhão que todos os outros e cabeceou Bruno César dentro da área. Se dúvidas houvesse, ainda lhe deu com as mãos na cara. Penalty mais que óbvio que Witsel, com uma calma olímpica, concretizou. Foi à Witsel. Tranquilo, sereno, eficaz. Partiu para os festejos calmo e explodiu. A Luz também. O Benfica estava na frente com pouco mais de dez minutos por jogar. Mas, de um mergulhão de Paulo César (quero ver quanto a imprensa falará do mergulho do bracarense) surge o empate. Livre executado pelo melhor marcador de bolas paradas da Liga, o proscrito da selecção, Hugo Viana, e Elderson apareceu no segundo poste depois de Artur ter feito uma defesa incompleta. Balde de água gelada na Luz, o Braga tinha chegado ao resultado que lhe convinha e que colocava o Benfica praticamente de fora no que à corrida pelo título dizia respeito.

Exausto, desgastado, o Benfica não tinha forças. Só o sobrenatural, o divino, poderia conseguir o milagre de dar a vitória ao Benfica. Precisávamos de um herói. E, como nos filmes, ele apareceu. Bruno César, após jogada de génio de Gaitán, rematou lento mas colocado, junto ao poste mais distante da baliza de Quim. 2-1. Loucura na Luz. Luís Martins e Rodrigo correram para abraçar Bruno César. Witsel também foi, mas a passo, de tão fatigado que estava. Javi, Nico e Artur ajoelharam-se, com o último a chorar. O Benfica conseguia um triunfo saborosíssimo frente a um rival complicado numa noite memorável no Estádio da Luz.

P.S. Falta falar de muita coisa: speaker, público, Capdevila, Miguel Vítor, Quim e Nuno Gomes. Cada caso a seu tempo.

terça-feira, 27 de março de 2012

Salomon Kalou a Luz

A Champions é um brinde, os quartos-de-final são excelentes, o mais importante é a Liga, mas a derrota hoje sofrida na Luz deixa um sabor amargo na boca dos benfiquistas. Nem é pelo facto de o resultado ser desasjustado ao que o Benfica produziu, mas sim pelo baixo grau de dificuldade que este jogo, na prática, deveria apresentar. Outro Benfica, com um pouco mais de velocidade com bola, com um pouco mais de crença e com um defesa esquerdo, Benfica esse que já tivemos, teria ganho com relativa facilidade este jogo. É disto que tenho pena.

Gostei da atitude empregue pelos jogadores em campo. Vi ambição, vi respeito e solidariedade, vi preocupação defensiva. A equipa encarou o jogo de forma adulta e fez aquilo que conseguiu para a vitória. Mas não chegou. Faltou alguma qualidade e também frescura física perto do final quando seria desejável carregar em definitivo sobre os blues.

Faltou velocidade, faltou uma pontinha de sorte e faltou o calcanhar do Xandão. Paciência. Hoje, face às capacidades evidenciadas nos últimos tempos, não havia muito mais a fazer. A partir de agora é fundamental que se concentrem naquilo que importa ganhar, naquilo que é obrigatório vencer: o campeonato. Com a mesma seriedade com que encararam este jogo e não com a displicência e falta de profissionalismo mostradas em Olhão, é possível. Acreditem.

P.S. "Eu vi, tu viste, ele NÃO viu", titulou A Bola após a célebre mão de Thiago Motta que Steve Benett fingiu não ver. Tal como em 2006, a história repete-se.

sábado, 17 de março de 2012

Cumprir calendário

Balboa a espalhar magia na Luz. Só possível com Emerson pela frente.

O Benfica venceu e bateu uma das equipas mais fracas da Liga, o Beira-Mar, formação que em termos de futebol jogado me parece a mais débil da prova. Foi um jogo sem grande história e que serviu apenas para cumprir calendário, confirmando uma vitória caseira obrigatória para qualquer candidato ao título.

Nélson Oliveira estreou-se como titular na Liga Zon Sagres e o Benfica tentou explorar a sua velocidade como foi visível pelos muitos passes compridos ao longo das linhas laterais. Aimar também regressou ao onze e assumiu a batuta da organização do futebol encarnado, tentando sair a jogar contra um Beira-Mar que se fechou sempre muito e muito atrás. E fruto da boa organização ofensiva, apesar de faltar alguma inspiração, o Benfica conseguiu rapidamente chegar à vantagem no marcador graças a uma arrancada de Witsel pela direita (viste, Emerson?) que Cardozo, oportuno, soube finalizar. O mesmo Cardozo isolou facilmente Gaitán (o que estava a defesa do Beira a fazer?!) para marcar o segundo e chegar ao intervalo com um tranquilo 2-0.

No segundo tempo, o Benfica reduziu a velocidade e começou a poupar-se para o jogo da próxima terça. Foram 45 minutos entediantes, ritmo de jogo baixíssimo, intensidade quase nula, dava vontade de terminar o encontro e ir para casa. Ainda assim, novamente Cardozo, após passe de Nélson Oliveira (e mais uma vez a defesa aveirense a colaborar), facturou e isolou-se na lista de melhores marcadores do campeonato nacional. Até final foi um longo bocejo e a oportunidade de ver Balboa, esse craque inter-galáctico, esfrangalhar Emerson e assistir um colega para o golo da praxe que todas as equipas que vêm à Luz têm direito.

Vitória fácil contra um adversário que joga menos que a maioria das equipas da Orangina e que nos permite continuar a colocar pressão sobre o FC Porto. Nota ainda para a boa arbitragem de Manuel Mota, à inglesa, sempre a deixar jogar, apesar de algumas vezes ter sido demasiado brando a nível técnico.

domingo, 11 de março de 2012

Haja coração!


- "Haja coração, adepto do Benfica!" - gritava Jorge Perestrelo, eufórico, após mais uma vitória tangencial, arrancada a ferros, do Benfica de Trapattoni. Mal sabia o benfiquista Jorge que morreria dias antes do épico Benfica x Sporting da cabeçada de Luisão, não podendo testemunhar na sua querida TSF a grande vitória da década e que levou o Benfica à conquista do campeonato nacional 11 anos depois. Por este andar, se não me colocarem um desfibrilhador, seguirei os passos de Perestrelo mais depressa que aquilo que desejo.

Entrámos mal, jogámos mal e mesmo sem merecer a derrota que se verificava ao intervalo, o Benfica não fazia aquilo que devia. Onde está a meia-distância? Só se remata dentro da pequena área?! Porquê? O Benfica não apresentou fio de jogo e numa exibição sofrível destacaram-se pela negativa quase todos os jogadores. Salvou-se (e salvou-nos) Artur e a espaços Javi Garcia. Todos os outros estiveram muitíssimo mal, com particular destaque para Maxi, Saviola e Cardozo: o uruguaio foi um autêntico passador, o argentino um pino raquítico mais frágil que uma velhota e o paraguaio um pinheiro com pés de Karadas. Terríveis.

Igualmente ridícula foi a actuação de Bruno Esteves, o artista que andou a tentar menorizar os estragos auto-infligidos pelo Porto ontem contra a Académica. Não foi um, dois ou três, mas sim quatro os penalties que ficaram por assinalar: um abraço a Jardel, a rasteiras a Bruno César e Nélson Oliveira e ainda o abalroamento a este último. Caro presidente do Sport Lisboa e Benfica: demora muito a quebrar a promessa feita na Grande Entrevista? É que os interesses do meu clube estão a ser lesados da forma que todos vemos. Pode ser? Faça lá esse esforço.

Felizmente houve um jovem chamado Nélson Oliveira que, à semelhança do que fizera em Coimbra, dinamizou o ataque e arrancou para uma grande exibição que permitiu dar a vitória ao Benfica. Ainda tinha muitas coisas a dizer sobre este jogo, mas guardo-as para mim. Estou cansado e há coisas que a quente não iam cair bem a alguns adeptos extremamente indignados com a minha "falta de solidariedade e acreditar na equipa". Valeu pela vitória num jogo em que cheguei a pensar como é que íamos começar a preparar a próxima época, já a partir de segunda-feira. Haja coração, adepto do Benfica, haja coração.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Do Nadir ao Zenit

A série negra de quatro jogos sem ganhar, que nos custou o primeiro lugar no campeonato e quase colocou em causa a continuidade na Champions League terminou e logo com uma vitória que nos coloca nos quartos-de-final da maior prova de clubes europeus pela terceira vez em vinte anos, depois dos êxitos de Artur Jorge em 1995 e Ronald Koeman em 2006.

O Benfica confirmou os bons sinais deixados em São Petersburgo e saiu como justo vencedor do jogo e da eliminatória. Entrando para a segunda mão em desvantagem, o Benfica tomou a iniciativa de jogo (porque o Zenit também deixou, é verdade) e encostou os russos às cordas, gerindo bem a posse de bola mesmo no meio-campo adversário, algo que não soube fazer em jogos recentes. Maxi Pereira colocou os encarnados em vantagem numa jogada de insistência após passe de calcanhar de Witsel. Com Gaitán especado a olhar para o lance, Maxi foi o único que acreditou e se mexeu para ir ao encontro do golo, o sexto em jogos europeus, depois de já ter marcado ao Milan, Marseille (duas vezes), PSG e agora Zenit (duas vezes).

No segundo tempo, já em vantagem na eliminatória, os papéis inverteram-se e foi o Benfica a entregar a iniciativa de jogo ao Zenit. Os nossos jogadores recuaram no terreno, deixaram cair o pendor ofensivo desmesurado que caracteriza esta equipa e, mesmo sem defender muito bem, o Benfica defendeu com muita gente, tapando os caminhos para a baliza de Artur. Ainda assim, as melhores oportunidades foram nossas, com Cardozo primeiro, isolado, a desperdiçar clamorosamente na cara de Malafaeev e depois Nélson Oliveira, entrado para o lugar do paraguaio, a definir mal uma jogada de contra-ataque (3x2). Já sobre o apito final, foi mesmo o jovem avançado português, isolado por Bruno César, a fechar as contas com o 2-0.

Quem está nos quartos-de-final de uma prova não pode deixar de pensar em ganhá-la. Seja quem for, em que prova for. Não somos melhores que muitas equipas nem piores que outras tantas. Há que ser sério e pragmático, atitudes que raramente vi conjugadas em quase três anos de Jorge Jesus no Benfica. Ontem fomos, e bem. Se calhar também foi por isso que vencemos. Agora é esperar por dia 16 para sabermos quem nos calhará em sorte. Que ela esteja connosco.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Não há muitas palavras para descrever isto

Puff! Dois joguinhos, duas exibições medíocres, invenções, más leituras de jogo, incompetência técnica, indisciplina táctica, falência psicológica, a confirmação de que o mercado de Janeiro foi uma palhaçada, um presidente que ainda não percebeu que há uma estranha relação causa-efeito entre falar e o clube perder pontos e um treinador incapaz de inverter a situação. O Benfica saltou de um avião e não levou para-quedas.

E agora, Jesus, já sentes a pressão? Anedótico. Em vez de chegarmos ao clássico com 5 pontos de vantagem, vamos entrar em campo em igualdade pontual (isto se o Porto vencer amanhã o Feirense, e vai, com certeza). Bravo, Jesus, bravo. Num campeonato tão mau, perder cinco pontos em dois jogos contra equipas que não jogam um centavo é inacreditavelmente mau. Perdemos uma vantagem de cinco pontos para o Porto, e este não é um Porto qualquer: é o do Vítor Pereira. Do Vítor Pereira. Do Vítor Pereira. Não brinquem comigo.

Não há muitas palavras para descrever isto. Nem palavras nem vontade. Estou farto do loserismo no Benfica. O pior burro é o que não quer aprender. E todos os anos cometemos os mesmos erros a nível directivo e a nível táctico. Pior que isso, hoje temos o rei na barriga, injustificadamente. Pior que sermos perdedores é sermos convencidos sem a mais pequena razão para tal. Hoje atingimos um nível de patetice extremo. É obrigatório inverter esta situação já na sexta-feira, sabendo de antemão de que o êxito no clássico traz mais responsabilidades sem dar conforto e uma derrota faz com que tenhamos de pensar em quem vai à frente e em quem vem atrás. Vejam lá se querem ser campeões ou se querem acabar em terceiro lugar.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Burro velho não aprende línguas


Sou um jovem na casa dos 20 e tal anos mas já vi um pouco de tudo no que ao Benfica diz respeito. E na arte de perder campeonatos, então, quase se pode dizer que tenho doutoramento. Eu e todos os que vimos os últimos anos do Benfica. Nesta década que terminou recentemente, assisti a uma entrega de título com o carimbo de Paulo Madeira, a um roubo magistral de Duarte Gomes, a um Koeman sobranceiro que não estudava os adversários, a um Santos medroso que não teve coragem para apostar em quem devia quando devia, a um Porto dominador e justo vencedor, a um Quique que não foi campeão porque lhe corataram as pernas por três vezes e até, imagine-se, a uma pré-época em que o presidente andou na ramboiada festejando demais. Já vi tudo isto. Já vimos isto tudo. Mas um treinador armar-se em burro, sinceramente, nunca tinha visto.

Jota Jota, vou-te explicar como se fosses um gajo com um pensamento básico, primário e a roçar o amador: quando tens um Ramires para equilibrar o meio-campo, usa-lo, certo? Quando não tens, como viste em 2010/2011, sabes que vai haver merda. Mas quando te dão um Witsel, tens de usá-lo, percebeste? Eu sou leigo na matéria, mas isto parece-me demasiado evidente. E se para mim é evidente, para o guru da táctica deve ser mais que óbvio. Pelos vistos não é.

Este jogo tem o carimbo de parvoíce de Jorge Jesus. Também há o de futebol espectáculo, o de seriedade, mas do da parvoíce não abdica ele. A táctica suicida adoptada com os belíssimos resultados conhecidos em 2010/2011 voltou a aparecer. E, pior que isso, sem motivo nenhum. Tinha Witsel e deixou-o no banco para entrar com Matic, Gaitán, Nolito e Aimar como titulares. Voltámos a ter um trinco que nem é trinco, dois extremos e um número dez. Quem defende? Quem equilibra? Genial, pá, genial.

E o cérebro? Entou em curto-circuito? O que andam a treinar durante a semana? Pontapés-de-canto não é de certeza. E as substituições? Congeladas? O buraco no meio-campo? O Maxi sozinho para os contra-ataques que surgem de bolas paradas ofensivas? O que é isto? O Sintrense? Quando estamos a ganhar lá está ele a gesticular, a barafustar, a dar espectáculo. Hoje, a perder, parecia a múmia de sempre quando o resultado nos é desfavorável.

O que se viu hoje foi de um amadorismo atroz. E para prolongar este pesadelo, só a flash interview e a conferência de imprensa surreais a que acabo de assistir. Parece que não se passou nada, parece que foi só azar, parece que o Guimarães arrancou a vitória fruto do acaso. Valha-me São Trapattoni.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

It's a kind of magic


Fosse Freddie Mercury vivo e cantaria It's a Kind of Magic para o futebol praticado pelo Benfica. A equipa está em crescendo e aos resultados convincentes somam-se as exibições de elevada nota artística, como Jesus faz questão de realçar. Desta vez a vítima foi o Nacional. Foram quatro, poderiam ter sido muitos mais. O Benfica entrou a todo o gás e fruto da inspiração dos seus atletas encostou os madeirenses às cordas. Numa jogada ensaiada, que começa a ser imagem de marca da equipa de Jesus, Aimar cruzou atrasado e Garay, livre de marcação, cabeceou para o 1-0. Vantagem essa que seria dilatada numa jogada de génio de Gaitán que assistiu Cardozo para este encostar para 2-0. O Benfica ganhava com toda a justiça, dominava a seu bel-prazer e ainda tinha tempo para falhar os golos mais inacreditáveis. Para apimentar o jogo e para lhe trazer mais emoção, Jorge Sousa entrou em acção e assinalou uma grande penalidade inexistente por alegada falta de Emerson. O Benfica tremeu mas não vacilou, perdeu algum gás, é certo, mas ainda voltou à vantagem com diferença de dois golos antes do intervalo, fruto de uma bela jogada de ataque finalizada por Rodrigo.

O Nacional entrou no segundo tempo de braços caídos, mas Jorge Sousa, o seu melhor elemento, não. Trazia a lição beme estudada, o árbitro portuense. Marcou mais de uma dezena de faltas inexistentes contra o Benfica, bastava um jogador do Nacional se atirar para o chão ou sentir um encosto e assinalava logo falta. Irritou, provocou, fez trinta por uma linha mas não foi capaz. O Benfica esteve demasiado forte. E para terminar em beleza, o golaço da noite, cortesia de Rodrigo, qual gazela, a galgar metros e metros para disparar fortíssimo de pé esquerdo para o fundo das redes.

Vitória justa naquela que foi a melhor noite em termos exibicionais do Benfica esta temporada. Segue-se agora o jogo europeu no Petrovsky, São Petersburgo, e depois a ida a Guimarães, naquela que será, provavelmente, a deslocação mais difícil fora de Lisboa até final do campeonato.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Caminho marítimo para Coimbra

Jesus prometera que uma onda de calor iria invadir a Luz e não deixaria nenhum adepto passar frio num jogo decisivo da competição que continua a dividir tanto a opinião como a militância benfiquistas. Assim foi. Num jogo quentinho, o Benfica despachou o Marítimo por claros 3-0, resultado no entanto enganador sobretudo devido à forma como os insulares entraram em campo. Mesmo com alguns jogadores habitualmente não titulares, o Benfica soube dar muito boa resposta, nomeadamente por Eduardo, com uma intervenção enorme aos pés de Sami com o resultado ainda a zeros, mas também por Nélson Oliveira, com muita liberdade de movimentos e muita intensidade de jogo. E apesar do início ameaçador do Marítimo, o Benfica recompôs-se e respondeu à altura, com várias ocasiões de golo e alguns momentos de bom futebol. Nélson Oliveira e Rodrigo, este último na condição de suplente e por duas vezes, fizeram os golos da vitória encarnada que carimbam a passagem às meias-finais da Taça da Liga, onde defrontaremos o Porto de Lucho Gonzalez.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Aguenta coração...

Estádio pequeno, adeptos barulhentos, adversário aguerrido e desinibido, de volta aos anos 90. O Benfica arrancou uma vitória preciosa e difícil frente a um adversário complicado, que tinha roubado pontos em casa ao Porto, naquele que foi o triunfo mais difícil da época a par do alcançado nos Barreiros. Após uma primeira parte com alguns lances de perigo para ambos os lados, o Feirense entrou melhor no segundo tempo e colocou-se em vantagem fruto de um golo de Varela, que surgiu de pontapé de canto. Estávamos em Santa Maria da Feira mas parecia a Trofa. Medo. O Benfica estava a perder e não dava a volta a um resultado desfavorável fora desde Abril de 2010, na Figueira da Foz. A equipa mostrava alguma capacidade em circular a bola mas claras dificuldades em aproximar-se da baliza com verdadeiro perigo. Até que o mesmo Varela emendou a mão e voltou a colocar a partida empatada, ao desviar com sucesso um cabeceamento de Cardozo. Jesus mexeu e fez entrar dois jogadores que colocaram mais dinâmica à partida, Gaitán e Nolito. E pouco depois, o irrequieto Rodrigo, numa boa desmarcação, arrancou um penalty que Cardozo marcou para onde se deve marcar quando a confiança não está no máximo: para o meio. Depois foi aguentar e esperar pelo soar do apito final. Péssima arbitragem com um penalty perdoado ao Feirense e um golo mal anulado aos da Feira. Valeram os 3 pontos, tão importantes, e que nos mantêm no topo da tabela. Agora é esperar que o Gil faça o seu trabalho e nos deixe com uma margem mais folgada. Acredito sinceramente que sim.

P.S. Paulo Lopes? Andámos a formar um guarda-redes para isto? E o festejo do Shéu? Ele bem sabe onde se ganham campeonatos.

P.P.S. Parabéns ao treinador do Feirense, Quim Machado, que com poucos recursos montou uma equipa personalizada e consistente. Apesar de pouco criativos e engenhosos, a garra dos jogadores é enorme e a atitude demonstrada engrandece-os a eles e ao clube.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Águia vence galo bravo (título tão estúpido que amanhã será capa do Record)

Custou mas foi. O Gil Vicente foi a equipa mais competente que o Benfica defrontou na Luz em jogos a contar para o campeonato nesta época e causou enormes dificuldades com a sua defesa compacta mas subida. O Benfica não soube encontrar sempre resposta para os problemas causados pela equipa de Barcelos e teve muitos momentos em que não soube desatar o nó dado pelos gilistas no jogo. Muita bola na defesa, entre Garay e Luisão e alguma dificuldade em ter posse no meio-campo adversário. Felizmente Cardozo picou o ponto uma vez mais e Rodrigo, com sorte à mistura, colocou o Benfica na frente depois de Galo ter empatado para a equipa do Galo de Barcelos. Aimar, vindo do banco, selou o triunfo benfiquista que permite manter os dois pontos de diferença para o Porto, que também ganhou por 3-1 ao Vitória de Guimarães. Vitória justa mas suada e com um futebol pouco convincente naquele que acabou por ser o pior jogo na Luz a contar para a Liga Zon Sagres até agora. O que importa são os 3 pontos e já cá estão. Próxima jornada é em Santa Maria da Feira frente a um adversário que nos causará certamente muitas dificuldades...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Caminho aberto

O Benfica venceu justamente em Guimarães em jogo a contar para a fase de grupos na Taça da Liga. Uma exibição que esteve longe de encher o olho mas que que deu para ver que os nossos jogadores, mesmo com a pausa de Natal pelo meio, estão com um bom ritmo competitivo.

Jesus mexeu como é habitual nestas competições e deu minutos a alguns jogadores menos utilizados, casos de Eduardo, Nolito, Saviola e Nélson Oliveira. O Benfica entrou no jogo e mostrou que queria dominar desde início, instalando-se no meio-campo vitoriano. Os primeiros 15 minutos forma inteiramente nossos e o golo surgiu com naturalidade: Nolito cruzou a bola a meio do meio-campo adversário e Witsel, após recepção perfeita, chutou seco por entre as pernas do guarda-redes. 0-1, resultado feito, jogo terminado, pensaram alguns. O Benfica acomodou-se e o Vitória surgiu no encontro. N'Diaye primeiro, Assis depois e Edgar a seguir, esta última com enorme intervenção Eduardo, foram as três grandes oportunidades dos orientados por Rui Vitória.

Por seu lado, o Benfica defendia-se bem e tentava surgir em ataques rápidos sempre que possível, conduzidos por Aimar e bem distribuídos por Saviola (bom jogo) e Nélson Oliveira. O perigo espreitava a baliza de Douglas mas falhava sempre algo na hora de finalizar. O Benfica jogava coeso e compacto, seguro de si. Gostei do que vi mesmo num registo mais defensivo. A destoar dos restantes colegas só mesmo o do costume. Aquele-cujo-nome-não-pode-ser-mencionado. Aquele que consegue perder um lance de cabeça e não recuperar a bola com o seu adversário no chão. Aquele que gosta de provocar livres laterais perigosos para a nossa baliza. Aquele que ofensivamente é nulo.

Com um jogo interessante, bem disputado e rasgadinho, não havia necessidade de mais espectáculo além do praticado no relvado. Mas houve. Luís Marçal, comentador da SIC, provou quão mau jornalista é. Não que seja mal intencionado, simplesmente não percebe uma poia do que fala. Primeiro foi Javi que deu uma cotovelada em N'Diaye com... o ombro. A seguir a cotovelada foi cabeçada. Hmmm... com o ombro? Estranho. Só faltou dizer que só o fez porque N'Diaye era preto. Depois o não-penalty de Maxi que Marques transformou em penalty foi outro prato com que o pastel Marques nos brindou. Inacreditável. Se a SIC quiser fazer um downsizing, pode começar por aqui.

O segundo tempo recomeçou de forma inesperada para o Benfica. O Vitória entrou forte, conquistou um par de livres laterais e chegou ao golo numa bola perdida na área que João Paulo introduziu na nossa baliza. O Benfica fora apanhado desprevenido. E tremeu. O Vitória achou que podia ganhar a partida que os nossos jogadores tinham "vencido" na primeira parte. Cresceu. Agigantou-se. Mas não chegou. Pedro Mendes deitou tudo a perder ao ser expulso com justiça. A partir daí, o Benfica, nas palavras de Luís Marçal, passou a ser uma equipa mais... "atacadora". E foi mesmo. Cardozo, que entrara ao intervalo para render Saviola, aproveitou uma jogada de entendimento com Maxi Pereira para rematar alto e forte à meia-volta sem hipóteses de defesa para Douglas. 1-2, o Benfica estava novamente em vantagem e com mais um jogador em campo. Com tranquilidade, os jogadores soltaram-se. Até Emerson fez duas boas incursões pelo flanco esquerdo, mas logo a seguir fez um cruzamento que foi parar a Braga, demonstrando todo o seu (real) valor. Ouviam-se "olés" nas bancadas e Eduardo era um mero espectador. Sem surpresas houve tempo para o terceiro golo, mais um de Cardozo, que assim se tornava o melhor marcador da História do Benfica na Taça da Liga (ultrapassando inclusivamente Eusébio) e também para o quarto, da autoria de Rodrigo, ele que bem procurara marcar nesta partida.

Reforço a justiça da vitória do Benfica numa partida bem disputada e equilibrada na primeira parte e de sentido único na segunda após a expulsão de Pedro Mendes. O mais difícil está feito, a vitória em Guimarães abre as portas das meias-finais da competição. Basta vencer o Santa Clara e até um empate com o Marítimo, na Luz, deverá servir.

P.S. Uma palavra para Anderson Santana. Bom jogo do lateral vimarenense, tecnicamente evoluído, rápido, incorpora-se bem no ataque e esteve seguro a defender. Faz inveja a alguns laterais esquerdos dos grandes da nossa Liga.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Fim de um ano que [ainda] não devia ter acabado

Antes de entrar para umas férias de Natal que não deviam ser tão longas, os jogadores do Benfica fizeram as pazes com os adeptos e ofereceram uma goleada de Natal. 5-1 num jogo que foi bem mais difícil do que aquilo que o resultado deixa parecer à primeira vista.

Não entrámos bem na partida e mostrámos algumas dificuldades na construção de jogo ofensivo sendo bastante cerimoniosos na altura de rematar à baliza. Onde estão os remates de meia distância, mister? É mesmo preciso entrar com a bola pela baliza adentro? Não se percebe. Eu pelo menos não percebo. Até ao golo dos vila-condenses, o Benfica tinha tido mais bola mas não conseguia ser mais forte e dominador. Só depois do susto provocado por Atsu perto da meia-hora é que reagimos à Benfica, com uns quinze minutos finais de muito bom nível. Cardozo provoca e converte um penalty bem assinalado, Nolito faz magia e marca um grande golo e Aimar, com toda a simplicidade do mundo, serve Saviola com um toque mágico para o 30 facturar no regresso às boas exibições.

No início do segundo tempo o Benfica matou o jogo com o cabeceamento certeiro de Garay e a partir daí só teve de gerir o encontro. Caiu o ritmo de jogo e o interesse do mesmo. O Rio Ave tentou mostrar-se a espaços e criou perigo sempre que a bola chegava aos extremos Atsu, Yazalde ou Kelvin, mas os laterais do Benfica, com mais ou menos ajuda, conseguiram resolver a maioria das situações. Deu tempo ainda para Nolito, o melhor em campo, facturar o seu segundo e quinto da equipa.

Os melhores foram, como já disse, Nolito, muito interventivo, rápido, pressionante e imprevisível, mas também Aimar na sua habitual simplicidade e capacidade de descomplicar tudo o que parece mais difícil e por fim Saviola, a quem o funeral já foi feito mas que ainda vai jogando pontualmente mas sem a regularidade que se exige a um Saviola.

Como mágoa, neste fim de ano, só mesmo o facto de dia 21 de Dezembro não podermos ir fazer a festa da Taça a Alvalade. Seria bonito acabar o ano com mais uma vitória frente aos do Campo Grande.