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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Haverá algo mais bonito que o Benfica campeão?

Sim, talvez, mas serão poucas coisas. Mais que um país, um credo, uma religião, Benfica é uma forma de estar na vida. Pode parecer frase-feita, até é, mas não deixa de ser verdade. Ser Benfiquista é meter milhões de pessoas nas ruas a festejar o título. É sair de casa e ir à Luz ou ficar em frente à TV, roer as unhas, praguejar, sofrer e festejar, gritar "Golo!", cantar o hino "Ser Benfiquista" e sair às ruas, nos Restauradores, no Marquês, na Boavista, em Coimbra, Braga, Faro, mas também nas antigas colónias, Paris, Suíça, Bruxelas, Newark, por todo o mundo. E isto é o que me chama mais à atenção: tanta gente que sofreu nos seus países com a guerra e mesmo assim mantêm um elo de ligação fortíssimo a um clube do país com o qual estiveram em guerra. Nem os milhares de quilómetros e os anos de residência fora de Portugal levam ao esmorecer do amor pelo Sport Lisboa e Benfica. Por isso, a pergunta impõe-se: haverá algo mais bonito que o Benfica campeão?

Talvez haja. Benfica bi-campeão, Benfica campeão europeu, etc. No que ao jogo diz respeito, os adeptos criaram um ambiente fabuloso e nem o falhanço da águia Vitória serviu para desmoralizar quem se encontrava no Estádio da Luz. É engraçado como os benfiquistas vivem o clube: eu estava em pulgas para o jogo com o Porto, estava aceleradíssimo, depois do encontro na Invicta tive uma semana difícil de dúvidas em relação ao que poderíamos encontrar na Luz, mas em todo o fim-de-semana fui "assaltado" por uma tranquilidade surpreendente, como se a vitória estivesse assegurada. Curioso, não é? De qualquer das formas o ambiente foi simplesmente à campeão, fumo, barulho, e aquilo que eu tanto queria ver: 65 mil cachecóis ao alto no hino Ser Benfiquista. Foi sem dúvida um dos momentos mais bonitos que vi no novo estádio.

O Benfica entrou em jogo com a corda toda, muito por culpa de César Peixoto, que regressou numa forma invejável para quem esteve tanto tempo afastado por lesão. Os ataques sucediam-se, a equipa parecia extremamente confiante (apesar do que Luisão e Jesus disseram no pós-jogo) e o golo apareceu com naturalidade pelo homem-golo Óscar "Tacuara" Cardozo, após insistência de Saviola, um dos jogadores mais perspicazes do campeonato. Com o primeiro golo e com um público vibrante, os jogadores do Rio Ave passaram um mau bocado, tendo o descontrolo emocional apoderado-se de Wires, que agrediu propositadamente e com maldade Ramires, acabando por lesiona-lo, sendo que foi expulso. E aqui não interessa se jogámos um terço da época contra dez, pois se um jogador agride, deve ser, obviamente, expulso. E quando esta crítica é feita por um indivíduo cuja equipa jogou maioritariamente com 14, aí saímos do campo da crítica ridícula e entramos no campo da palhaçada. Quem sabe se ele não tivesse "baixado as calças" quando foi ao Dragão, até poderia ter ganho isto.

No entanto, o resto da primeira parte foi tudo menos tranquilo. Apesar de o Rio Ave não ter criado uma ocasião digna de golo, o Benfica demonstrou grande nervosismo no último terço do relvado, falhando sempre o último passe, fruto da velocidade excessiva de jogo e da alguma impaciência. Por isso, o intervalo chegou com 1-0 no marcador, resultado merecido mas que deixava os benfiquistas ainda intranquilos.

O segundo tempo começou com excelentes notícias vindas da Madeira. Nesse momento estava precisamente a ouvir o relato na Renascença e eis que surge o tão esperado "Goooooooolo Nacionaaaaaal!". O estádio salta e festeja, a vitória no campeonato estava praticamente garantida. Os jogadores aperceberam-se naturalmente do sucedido, mas não diminuíram o ritmo do jogo, que já de si era fraco, diga-se. Mesmo assim deu tempo para Airton mostrar-se, ele que fez um jogo muito bom, mais um, enviando uma bola à barra da baliza de Carlos, sendo que na recarga Saviola acabou por introduzir a bola na baliza vila-condense, mas estava fora-de-jogo.

"Nós só queremos o Benfica campeão", "Ninguém pára o Benfica", "Campeões, campeões, nós somos campeões", cantava-se de tudo no estádio, e eis que num livre aparentemente inofensivo à entrada do meio-campo encarnado, a nossa equipa, já em festa, ficou a dormir na marcação do lance. Resultado? Mais um golo sofrido num lance de bola parada, mostrando que a marcação à zona é tudo menos eficaz, aliás, revelou-se um autêntico desastre ao longo da época. O Braga já tinha empatado e renascia a esperança na Madeira, enquanto que na Luz crescia a incerteza.

O Benfica reagiu a medo, como seria de esperar. Afinal de contas, para todos os efeitos, o resultado em Lisboa era favorável aos nossos interesses. O Benfica trocou a bola na zona mais recuada no terreno, e face à ausência de pressão dos vila-condenses, o tempo foi passando com o resultado que nos favorecia. Cardozo, esse, via Falcao ficar-lhe com a bola de prata. E eis que num pontapé de canto, após cabeceamento de Airton, a bola sobra para Cardozo que, ironia das ironias, marca de pé direito, o seu pé cego, valendo-lhe o título de melhor marcador e ao Benfica o título de campeão nacional de futebol.

Não havia dúvidas, o Benfica ia mesmo sagrar-se campeão. Cinco anos depois, o título estava por um fio. Quando Jorge Sousa apitou para o final do encontro, Rúben Amorim caiu de joelhos sobre o chão, festejando. Era eu que estava ali. Eram todos os outros que sentem o Benfica a 100%. Ele era o espelho fiel de um adepto. Por fim acabou, o Sport Lisboa e Benfica é campeão nacional de futebol.

9 de Maio de 2010

Hoje, não tenho palavras, só lágrimas...

Sport Lisboa e Benfica "ad aeternum"!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Correr pela Europa ou outra motivação mais forte?

Benfica e Braga disputam este fim-de-semana o título de campeão da Liga Sagres 2009/2010. Nós, benfiquistas, estamos concentrados no nosso jogo, até porque para ganharmos o campeonato, o primeiro em cinco anos, só dependemos de nós. Recebemos um Rio Ave que não ganha há 8 jogos, não marca há 5, tem vindo a descer vertiginosamente na tabela e não luta por nada, enquanto que o pior resultado que o Benfica realizou este ano em casa, em jogos para o campeonato, foi um empate, algo que no domingo permite festejar o título. Temos medo de quê? Nada? O meu medo são factores externos... mas quanto a isso nada podemos fazer.

O Braga vai à Choupana defrontar o Nacional. Não sei se António Salvador pretende comprar os bilhetes da Choupana e pagar o transporte aéreo dos seus adeptos para a ilha, como tem feito ultimamente, mas ao que tudo indica o Braga vai efectivamente jogar "fora", longe do seu público. O Nacional, ao contrário dos vila-condenses, luta ainda pela Europa. Para lá chegar, no entanto, precisa que os astros se alinhem: tem de ganhar ao Braga e esperar pela vitória do Marítimo em Guimarães, algo que deixaria o Vitória e as duas formações madeirenses em igualdade pontual, e aí quem ia à Europa eram os alvi-negros. Difícil, mas não impossível, pelo que os nacionalistas entrarão em campo com vontade de comer a relva. O meu receio é outro: o treinador do Nacional, Manuel Machado, não morre de amores por Jorge Jesus e para o ano, ao que tudo indica, irá orientar os vimaranenses. Até que ponto é que Manuel Machado estaria disposto a perder de propósito de modo a que para o ano pudesse ir à Europa e evitasse assim que o seu rival Jesus fosse campeão?

P.S. Lembraram-me, e bem, na caixa de comentários, de que Rui Alves é candidato à presidência da Liga. Ora, quais são os clubes que apoiam o actual presidente do Nacional? Nacional, Porto e Braga.

domingo, 2 de maio de 2010

sábado, 1 de maio de 2010

Diferença de cultura e mentalidades. Os portuenses são gente muito digna. Os portistas? Bom, os portistas...

Este texto foi retirado blog RedPass sem autorização prévia e sem consentimento do seu autor. Se o JG quiser, será retirado imediatamente. Era o post que eu queria escrever, mas duvido que espelhasse tão bem o que eu sinto como ele descreveu. VIVA O BENFICA!!!
Estou a achar delirante todas as notícias vindas a público durante esta semana.Então temos que todos os dias uma casa do Benfica é vandalizada, curiosamente os maiores destaques foram para as de Braga, Ermesinde e... Porto.Depois podemos facilmente encontrar na imprensa preciosidades como estas:"Os Super Dragões acabaram de adquirir 3500 bolas de golfe... ""Elementos de um núcleo da Juve Leo e mais uns tantos dragões e não posso divulgar de que zona "são esses núcleos para não descobrir os valentes rapazes, vão unir forças no domingo à tarde e aguardar pela passagem do comboio entre Ovar e Gaia...""Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, reconhece que os ânimos estão exaltados e não garante que não ocorram confrontos entre membros das duas claques. "Por muito que eu tenha boa vontade, que a polícia tenha boa vontade e que toda a gente tenha boa vontade, depois de tudo o que se passou neste campeonato, é normal que todos os adeptos se sintam revoltados e com os nervos à flor da pele. Vamos tentar que as coisas corram pelo melhor, mas vai ser muito difícil".E há mais. Se formos aos espaços de blogues e redes sociais é uma festa.A questão é que todo este discurso nortenho de incentivo à violência, de intimidação, a transpirar raiva e ódio por todos os poros nem é novo.
Em 2005 na véspera de viajarmos para o Bessa na última jornada a comunicação social achou que devia de divulgar um comunicado da mesma gente avisando que não iam deixar que nenhum benfiquista festejasse na cidade do Porto. Assim mesmo, como se aquela gente fosse dona e senhora (e representante) daquela zona do país. Depois foi o que se viu.Portanto, continuamos a ter as mesmas ameaças, o mesmo apelo à violência ( que de resto está publicado para quem quiser ler no livro "o Líder" )a partirem da mesma gente que não tem problema em dar a cara. O país assiste a tudo com indiferença e até deixa escapar um sorriso com a história das bolas de golf.
Onde está o sempre activo Miguel Sousa Tavares que tantas vezes escreveu a sua indignação por não se poder ser do Porto em Lisboa?! Ele que inventou isto mesmo com a história da capital a desmenti-lo ano após anos.
Basta recuarmos 4 anos e digam-me quantos portistas foram espancados, quantas vezes os portistas foram ameaçados, e quantos vezes os portistas não puderam invadir alegremente o eixo avenida da República - Marquês de Pombal para festejarem os seus campeonatos ganhos?! Digam-me porque eu não me lembro de nenhum caso.Já agora digam-me também quantas vezes a casa do FC Porto na Av. da República foi vandalizada?Miguel Sousa Tavares não tem nem uma palavra para todas estas ameaças públicas aos adeptos do Benfica? Sousa Tavares não se incomoda que os cidadãos portuenses e benfiquistas não possam festejar em liberdade um campeonato ganho pelo seu clube? Estranho o silêncio do "democrata" Tavares.
E que papel tem a nossa imprensa e os seus colunistas? Divulgam-se ameaças de um líder de um gang, avisam-se cabeças porque vem aí uma chuva de bolas de golf a norte e tudo o que o resto do país faz é olhar para os filhos da capital que andam sempre atrás do Benfica e dizer hipocritamente: tenham cuidado, rapazes! ou não vão ao Porto porque só se vão meter em chatices ou aquilo é muito perigoso!Há alguma lei diferente para aquela região do país que permita que os auto-aclamados guardiões da cidade ameace os adeptos de um clube só por ódio? Claro que há!Imaginem que o FC Porto vinha jogar a Lisboa no fim do Campeonato quase campeão e que na semana do jogo apareciam líderes de claques legalizadas (sim, pelos vistos as legalizadas podem ameaçar com propriedade) a avisar que o ambiente ia ser terrível, que não prometiam que não houvesse ataques a adeptos rivais e a anunciar 3500 bolas de golf, etc... O que acontecia?Os telejornais abriam com Pinto da Costa indignado, o Governo era chamado à conversa, os editoriais dos jornais multiplicavam-se em crónicas de espantos e intolerância perante os arruaceiros, até o Prós e Contras da RTP seria dedicado à violência das claques.
Quando é ao contrário nada se passa.
O medo toma conta do sul. Centenas de adeptos recuam perante a possibilidade de terem problemas a caminho do estádio, as nossas mãe e avós deprimem-se a caminho do dia 2 Maio ( por ironia é o dia da Mãe ), as nossas mulheres ficam em pânico disfarçado, os nossos familiares preocupam-se, os nossos amigos não compreendem o nosso masoquismo.
Mas eu pergunto; é suposto fazer o quê? Ficar em casa de braços cruzados a ver na tv só porque é mais seguro? Nós que estivemos em quase todos os campos deste país de norte a sul passando pela Madeira vamos ignorar um jogo na cidade do Porto só porque há uns bravos guardiões que não querem lá ninguém do clube Campeão?Eu acho que não.Acho que devemos ir todos.A resposta dos benfiquistas dá-me razão. Os 2550 bilhetes a que temos direitos já têm donos. Todos sem medo. Medo de quê? Era só o que faltava neste país se eu não pudesse ir a um estádio de futebol ver o meu clube jogar porque existem uns gangs que se acham acima da lei e que querem fazer a sua própria lei.
Meus amigos, isto é o Benfica.
Os nossos jogadores, dirigentes e técnicos vão ao Dragão para ganhar. O Benfica vai defrontar pela 3ª vez esta época o FC Porto e até agora a nossa equipa ganhou 2 jogos marcou 4 golos sofreu zero ganhou 3 pontos e ergueu uma Taça. Temos medo de quê!? De quem não sabe reconhecer a nossa superioridade? Temos medo de um povo que se agarra a uma equipa regional para mostrar ao país todos os seus complexos de inferioridade em relação à Capital?! Isso é um problema deles. Sempre foi, sempre será.Nós somos o Benfica e estamos com a nossa equipa de futebol.Continuem a vandalizar casas, agridam, partam, roubem, façam o que quiserem e o que vos apetecer (mesmo porque nada nem ninguém ousa vos contrariar no vosso território) mas tenham lá paciência porque vão mesmo levar connosco.E pensem que mais de dois mil rapazes da Luz juntos e fartos de ameaças e com vontade de mostrar que não têm medo são muitos rapazes. Pensem também que toda a força policial que nos vai rodear e nos tornar um alvo fácil para os vossos ataques pode não ser suficiente para controlar as nossas vontades.
Sabem, é que eu no meio de dois mil e tal amigos também sou um Guerreiro Herói do caraças. Ainda para mais em território onde impera a lei do mais forte e onde a liberdade é coisa para ser gozada só em tons de azul.Envergonhe-se o resto do país que assiste a tudo isto impávido e sereno que prefere olhar com pena para os que ousam enfrentar os todo poderosos donos da Sicília do norte.No espaço de 5 anos vão ter que nos ouvir duas vezes a festejar.
In your face como dizem os americanos.
Aí vai o Benfica, deixa passar o maior de Portugal que hoje, como no tempo da ditadura, ousa enfrentar os ditadores/corruptos/mafiosos que se acham acima de tudo e de todos.
PS: os meus rivais são os lagartos. Não por serem muito diferentes, que não são, mas porque eu é que decido quem escolho para meu rival e eu escolho os lagartos da mesma cidade que o meu clube. Os outros são apenas mais uns nos odeiam e eu retribuo o sentimento. Nada mais.
PS2: a ironia do destino pregou valente partida aos tripeiros. Eles que inventaram o discurso das conquistas pós 25 de Abril empurrando o Benfica para clube da Ditadura. Os factos falam por si: 20 anos de conquistas com frutas, chocolates e apitos dourados. Dois campeonatos do Benfica conquistados no Porto que em desespero usa a Ditadura da violência para impedir festejos. Não é preciso dizer mais nada quanto à diferença de culturas.

domingo, 25 de abril de 2010

De olhão no título

Está quase, quase, quase. O Benfica está a apenas um ponto de se sagrar campeão português pela 32ª vez na sua História. Mais uma vitória categórica, por 5-0 frente ao Olhanense, veio vingar o sucedido na primeira volta no Algarve. Hoje, com muita classe e tranquilidade o Benfica demonstrou, em campo e nas bancadas, a sua verdadeira força. O ambiente infernal sentido na Luz, aliado ao melhor futebol praticado por uma equipa portuguesa em mais de 15 anos, torna o Benfica praticamente imbatível invencível. A questão é saber se ganhamos este campeonato amanhã ou para a semana.

Certamente havia muita ansiedade entre os adeptos encarnados antes do jogo. As recordações do encontro de Olhão, pelo menos a mim, assaltaram-me a memória: os cartões amarelos a Fábio Coentrão e Di Maria, com expulsão do segundo, a lesão de Ramires, um empate arrancado a ferros num péssimo jogo de futebol, nervos e mais nervos. Temia sinceramente que a equipa não apresentasse a humildade necessária e que faltou nas deslocações a sul do Tejo (Olhão e Setúbal), como o próprio Di Maria chegou a admitir. Mas não. Entrada forte e personalizada do Benfica, que se mostrou, a meu ver, bastante seguro desde os minutos iniciais, bastou para resolver o jogo em dez minutos apenas.

Logo no início, arrancada de Weldon sobre a esquerda, ganha a bola e cruza para a área onde Delson, defesa da turma de Olhão, corta a bola com o braço, indiscutivelmente. Penalty e cartão amarelo bem exibidos. Tacuara não vacilou e colocou o Benfica na frente com apenas três minutos de jogo decorridos. Pouco tempo depois, uma entrada assassina de Delson sobre Di Maria, que daria cartão vermelho directo em qualquer país desenvolvido e civilizado, mas que para Lucílio Baptista foi apenas para amarelo. Felizmente era o segundo, e em dez minutos o Benfica apanhava-se a vencer e com menos um adversário em campo. Poderia o jogo ficar ainda mais facilitado? Podia sim, quando Di Maria, após passa magistral de Pablo Aimar, que voltou às grandes exibições, fez o que quis da defesa olhanense e, pasmem-se, de pé direito, fez o golo da tranquilidade aos 18 minutos.

No que restou da primeira parte, o Benfica tirou o pé do acelerador e soube controlar o jogo. Quim foi chamado a intervir em apenas uma ocasião, a num cruzamento-remate de livre de Ukra após falta de Luisão. Aimar foi claramente o construtor de jogo, nota-se a grande forma do argentino, está a jogar o melhor futebol desde que chegou à Luz. E nota ainda para Javi Garcia que fez mais um grande jogo, respondendo aos benfiquistas que reclamavam que o espanhol deveria estar no banco por troca com Airton. Javi parece não cansar-se, durou um campeonato inteiro. Tenho pena que não remate mais vezes, porque aquele pé direito é muito bom, bem melhor do que eu mesmo pensava no início da Liga. Aliás, se formos a ver, os raros remates de pé direito do espanhol levaram sempre perigo à baliza adversária, deveria ter rematado mais vezes.

No segundo tempo entrou de novo o rolo compressor em acção: logo no início, Di Maria, no centro do terreno, faz um passe de letra que deixa Cardozo isolado na cara do guarda-redes Bruno Veríssimo e o paraguaio faz o seu segundo do jogo, igualando Falcao na lista de melhores marcadores da Liga. Dois minutos depois, novamente o paraguaio, a passe de Angelito Di Maria, fez o hat-trick, o quarto nesta temporada. 4-0, euforia nas bancadas. Poucos minutos depois o público gritava "Cardozo, Cardozo, Cardozo", pedindo que fosse o camisola "7" a apontar um livre directo, cantava-se "Campeões, nós somos campeões!", festa na Luz, num ambiente que raras vezes vi neste últimos anos. "Olés", "Hola mexicana", tudo servia para fazer a festa enquanto se faziam substituições e o Benfica falhava alguns golos numa exibição de grande qualidade. Ramires, de muito longe, tentou a sua sorte, Cardozo num cabeceamento que era golo feito acabou por falhar o alvo, e Aimar, que depois de um adversário chutar a bola contra si, na cara do guarda-redes, não perdoou e fez o quinto golo na Luz.

Continuou o festival ofensivo do Benfica com remates perigosos de Cardozo e sobretudo Di Maria, ao qual Veríssimo respondeu com aparatosa e difícil defesa. Nuno Gomes rendeu Aimar e o "21" recebeu um mais que merecido aplauso e ovação ao estilo de "Mantorras". O jogo terminou pouco depois com mais uma vitória do Benfica, a 13ª em 14 jogos na Luz, a 23ª em 28 jogos, fazendo uns incríveis 73 pontos em 28 jogos, mais 8 que no final dos 34 jogos de 2004/2005, exactamente, com 6 jogos menos! Números de facto incríveis, este Benfica já superou o Porto de Mourinho no ano em que ganhou a Champions. Haverá campeão mais justo na história do futebol português.

Por fim, uma convicção: Pinto da Costa não se vai sujeitar ao vexame de deixar o Benfica ser campeão no Dragão, por isso, vai mandar Jorge Sousa encostar o "Braguinha" para que os corruptos possam passar e ir à Champions League. Seremos campeões já hoje!

domingo, 18 de abril de 2010

Queima das Fitas

Saber sofrer é uma arte. Seja dentro do relvado, nas bancadas, ou numa pastelaria rodeado de sportinguistas, que aplaudiram e festejaram efusivamente os golos da Académica. Contra tudo e contra todos, contra os adversários, os Xistras, os que jogam por fora das quatro linhas, as malas de dinheiro, as críticas, o "estão a perder gás", frase que ouço desde... Setembro, repito, contra tudo e contra todos. É por estas e por outras que este clube é "o maior de Portugal", país que por acaso é demasiado pequeno para um clube como o nosso.

Jorge Jesus apresentou um onze com algumas meias-surpresas: na defesa tudo normal, mas no meio-campo Rúben Amorim rendeu o exausto Ramires e Pablo Aimar foi o organizador de jogo, em vez de Carlos Martins. Na frente, as dúvidas eram mais que muitas: Saviola acabou por não recuperar, ficando de fora dos 18 convocados. Cardozo também não recuperou, mas jogou, visivelmente debilitado, um risco que Jorge Jesus correu e que era perfeitamente escusado, face à qualidade das opções que tem no banco. O paraguaio foi secundado por Weldon, ele que tinha ficado de fora no encontro com o Sporting após boa exibição com a Naval.

O Benfica entrou fortíssimo no jogo e logo nos primeiros instantes, Maxi Pereira tem uma fantástica arrancada pelo flanco direito ganhando um pontapé de canto. A bola não saiu mais daquele zona e de pontapé de canto ou lançamento, o Benfica acabou mesmo por conseguir o golo à passagem do terceiro minuto, autoria de Weldon, num cabeceamento defensável para Rui Nereu. O Benfica chegava-se à frente no resultado com inteira justiça.

A partir daí o jogo ficou repartido com naturalidade: por um lado, o Benfica começou a sentir a pressão da vitória que deixava o título a escassos minutos; por outro lado, a Académica, que apesar de ter um dos conjuntos de jogadores mais fracos desta Liga, sabe jogar bom futebol, ao contrário das equipas que estão abaixo do quinto lugar. O Benfica ainda dispôs de uma excelente oportunidade num lance onde Rui Nereu atirou contra o avançado benfiquista, mas o guardião português emendou o erro com boa defesa. A Académica, com um pouco de sorte à mistura, acaba por chegar ao golo que já começava a justificar, num remate de fora da área de Diogo Gomes, sendo que a bola ainda bateu nas costas da Javi Garcia, traindo desta maneira Quim, ele que tinha sofrido um golo semelhante contra a Dinamarca em Setembro de 2008.

O Benfica, com o empate, sabia que tinha um resultado que apesar de não ser favorável acaba por servir perfeitamente na luta pelo título, mas mesmo assim resolveu colocar o pé no acelerador e dispôs de mais bola e teve maior pendor ofensivo. O Benfica carregava e após uma boa ocasião para a Briosa dar a volta ao resultado, foi Di Maria, numa jogava individual sobre o lado esquerdo, que cruza para Weldon, que executa um remate de execução muito difícil e marca o golo. O Benfica estava novamente na liderança e chegava ao intervalo a vencer por justos 1-2.

Após o intervalo o jogo tornou-se mais monótono, o ritmo caiu claramente. No entanto foram do Benfica as melhores oportunidades, nomeadamente o remate falhado escandalosamente por Di Maria e ainda o tiraço de Carlos Martins, acabado de entrar, que embateu na base do poste esquerdo da baliza de Nereu. O jogo começava a ficar duro e com o resultado a dar vantagem ao Benfica pela margem mínima, os erros de Xistra começaram a ser mais que muitos e graves. Faltas não assinaladas, cartões amarelos perdoados, cartões amarelos mal mostrados, de tudo um pouco. A Académica até deveria estar a jogar com 10 desde meio da primeira parte, quando Weldon foi rasteirado intencionalmente e sem qualquer propósito de jogar a bola por parte do defesa dos estudantes, que assim interrompeu a cavalgada do brasileiro que seguia isolado para a baliza dos visitados. O Benfica continuou a carregar e o golo acabou mesmo por chegar, num bom remate de Rúben Amorim, que festejou como qualquer um de nós, adeptos, festejaria. À Benfica! O jogo estava praticamente ganho, 1-3 aos 80 minutos dava a segurança necessária. A azia crescia nos sportinguistas que ainda estavam na pastelaria.

Até final confirmou-se aquilo que eu mais temia. A maneira de defender os lances de bola parada é simplesmente horrível. Com a bola a 40 metros da baliza, o Benfica defende à zona praticamente dentro da pequena área. Isto é um convite a que o adversário meta a bola em cima da baliza. E quando temos um guarda-redes que é simplesmente péssimo em lances de bola aérea... a situação complica-se, muito mesmo. Quim andou às aranhas neste tipo de lances e o segundo golo que sofreu é de amador. A culpa não é apenas dele, até porque Jesus defendeu estes lances pessimamente. Tiero teve tempo, espaço, tudo para fazer o golo. Quim provavelmente não viu a bola partir, mas dispôs de tempo para se posicionar melhor. E a maneira de se fazer ao lance roça o patético. Mas já passou e não teve consequências de maior.

Vitória suadíssima do Benfica num terreno onde não perde há três décadas e meia, salvo erro. E com este resultado faltam apenas pontos, quatro míseros pontos para o título, quando ainda recebemos Olhanense e Rio Ave, tendo a deslocação ao Dragão pelo meio. Está quase, quase mesmo. Só um cataclismo de proporções épicas pode evitar o triunfo do Benfica neste campeonato.

sábado, 17 de abril de 2010

Petróleo

Parece que sim, foi mesmo descoberto pitroil em Braga. Que eu me lembre, o Belenenses, aqui em Lisboa, é que costumava abrir as portas do seu estádio em alguns jogos do campeonato para poder ter mais público a assistir e a apoiar a equipa, especialmente em anos em que nem a Europa nem a descida de divisão passavam de miragens. Lembro-me de assistir a um Belenenses - Varzim, jogo de altíssima qualidade, que os pastéis ganharam por 3 ou 4-1.

Hoje assistimos a uma situação caricata. Com dinheiro vindo de sabe-se lá onde, o Braga vai abrir as portas do seu estádio uma vez mais. Depois do encontro com o Marítimo onde todos os adeptos tiveram bilhetes à borla, e Olhanense, onde salvo erro não pagavam e podiam levar um acompanhante pela astronómica quantia de 1€, hoje, frente ao Leixões, os bracarenses voltam a abrir as portas do seu estádio. Se pensavam que a generosidade do presidente bracarense acabava aqui, informo que os bilhetes para Leiria foram dados aos adeptos, que ainda tiveram transporte gratuito até Leiria! Ora, em tempos de crise, como e onde vai o Braga buscar este dinheiro?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Cheira a campeão

Minuto 67. Depois de três minutos a protestar com Jesus por manter Óscar Cardozo em campo, apesar do sofrimento visível do paraguaio, e depois de discutir com o "vizinho" do lugar cativo do lado sobre a insistência em Cardozo (à semelhança do que aconteceu em Dezembro com Amorim...), eis que num cruzamento remate de Coentrão, Cardozo tem um desvio feliz e intencional, fazendo o primeiro golo do Benfica. Pura emoção e alegria. Cardozo saía no minuto seguinte, dando lugar a Kardec.

Minuto 77. João Pereira coloca Pablo Aimar em jogo e após passe de Ramires, o argentino surge na cara de Patrício. Toca de pé direito, longe do guardião português, finta-o, mas a bola parece que já não está sob controlo do internacional das pampas. Vai chegar? Vai marcar? Vão cortar o lance? Aimar ganha velocidade e de pé esquerdo atira cruzado vencendo a oposição de Grimi. 2-0! 2-0! Estava feito. Era impossível não chorar. E chorei. Como nos 7 de Vigo, como na morte de Fehér, mas desta vez de alegria. Se há derby que jamais esquecerei, é este.

A primeira grande dúvida era saber quem jogaria ao lado de Cardozo: poderia ser Weldon, à semelhança do que aconteceu na Figueira, Nuno Gomes, talvez o mais indicado, se Jesus não lhe estivesse a indicar a porta de saída da equipa, Kardec, apesar de as duas torres serem pouco prováveis, pelo menos ao mesmo, tempo, Pablo Aimar, como falso avançado, mais recuado, ou Éder Luís. E foi precisamente este último. Não esteve nada bem, mas também não se podem apontar grandes falhas. Foi quase nulo, mas poderia ter feito pouco mais que zero. Parece estranho, mas é verdade.

À semelhança de Éder Luís, a equipa do Benfica realizou os primeiros 45 minutos mais fracos deste ano na Luz. A pressão alta do Sporting, logo no primeiro quarto do campo, fez com que Luisão e David Luiz tivessem muita dificuldade em sair a jogar. O Benfica só conseguiu levar perigo à baliza de Rui Patrício através de lances de bola parada, mas nem esses saíram bem, de tão mal executados que foram. O Sporting soube explorar o contra-ataque e conseguiu levar perigo à baliza de Quim, que se mostrou inseguro desde o início, baqueando completamente num canto do lado direito, onde se sai à bola da maneira mais inacreditável possível. João Pereira, pela direita, também criou dificuldades a Coentrão e Ramires, que actuou muito tempo sobre a esquerda. No entanto, e apesar do maior domínio territorial dos verdes, não houve grandes lances de perigo para a baliza encarnada, apesar de admitir que se alguma equipa deveria chegar a vencer ao intervalo, essa equipa seria o Sporting. Falta claramente ao Sporting um médio ofensivo que saiba pautar jogo, que saiba construir lances de ataque. A primeira parte chegava ao fim com muito pouco futebol e já com algumas picardias, típicas de um clássico, que não vou abordar aqui (mas que podem ler no post abaixo).

No segundo tempo Jesus promove a alteração que desbloqueia autenticamente o jogo. Éder Luís sai para a entrada do mago Aimar. O Benfica começa, finalmente, depois de 45 minutos de avanço dados ao adversário, a trocar a bola no meio-campo leonino. Bola a circular por Aimar, Martins, Amorim, Javi, Ramires, Di Maria, aquele carrossel que todos já vimos. Sucedem-se entradas merecedoras de cartão como a de Luisão sobre Liedson, Moutinho sobre Ramires e Grimi sobre Cardozo, esta última já na área, e que acaba por lesionar o paraguaio. Cardozo não aguenta, fica agarrado à perna. É assistido, fora das quatro linhas. Jesus chama Kardec. O Sporting tem a sua melhor oportunidade de golo, num remate fortíssimo de Abel para boa intervenção de Quim. Boa parte do público espera e desespera pela saída de Cardozo, que foi novamente ao banco receber assistência. E eis que Rúben Amorim cria uma auto-estrada por entre a defesa do Sporting, cruza longo para Coentrão, que remata forte de pé esquerdo, e aparece Cardozo a emendar com o seu pé favorito (e único?) para a baliza de Patrício. 1-0, Benfica na frente.

Kardec entrou, finalmente, para o lugar de Tacuara, muito queixoso. E daí para a frente o Benfica soltou-se e dominou o jogo a seu bel-prazer. Foram toques de calcanhar, rabonas, olés, bola a circular ao primeiro toque no último terço do relvado, um festival, um banho de bola. E eis que num lance em que a defesa do Sporting está a dormir, Ramires isola Pablo Aimar, que passa por Patrício e atira, quase em esforço, de pé esquerdo, para o fundo das redes dos leões. Beija o símbolo, faz a festa, vitória garantida.

O Benfica superiorizou-se ao Sporting no segundo tempo e acaba por conseguir uma vitória mais que merecida. A primeira parte teve pouco futebol mas na segunda viu-se um pouco daquele rolo compressor de Jesus. Aimar foi o homem do jogo, conseguiu trazer um Benfica dominador para a segunda parte, deu muita qualidade ao futebol encarnado. Vitória justíssima que nos deixa a sete pontos de festejar o campeonato. Viva o Benfica.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Benfica vs Anões

Ok, todos sabemos que é uma final, que estamos à beira de ganhar o campeonato, que o estádio vai estar cheio. Ou não. Como é possível faltar vender 8.000 bilhetes para um jogo destes? Qual é a desculpa? Ser terça-feira? Dá a novela? A sogra que vocês odeiam esta doente e vocês têm de dar a sopa? Qual é a desculpa? 8.000 bilhetes?! Não brinquem comigo se faz favor... É claro que há gente que, compreensivelmente, não poderá estar presente no jogo, quem vive longe, trabalha até tarde, mas e os outros?

Quanto ao título do post não se trata de achincalhar o Sporting. Isso eles conseguem fazer sozinhos. Trata-se sim do que eu disse precisamente antes do Sporting - Benfica da meia-final da Taça da Liga: o jogador mais alto que o Sporting vai apresentar em campo chama-se Daniel Carriço e mede apenas 1,83 m. Ora, a juntar a este o Moutinho, o Fernandez, o João Pereira e restantes estrunfes, dá que pensar que os lances de bola parada podem (e devem!) ser uma festa para o Benfica. Com Luisão e Cardozo (1,93 m), mas também David Luiz (1,89m) e Javi Garcia (1,87 m), o Benfica tem de, obrigatoriamente, marcar em lances de bola parada. É aqui que pode estar a chave deste jogo.

P.S. Leiam o post abaixo deste, para perceber a seriedade e importância deste jogo, sff.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Para os mais distraidos

Relembro apenas que ainda não ganhámos nada. Vejo imensa euforia entre benfiquistas que vamos "fazer, acontecer, ganhar, humilhar e massacrar" o sporting (tal como na primeira volta...), e ainda nem entrámos em campo.
Calma!
Amanhã, mais do que nunca, temos de fazer uso daquela que tem sido a nossa maior arma esta época: respeito pelo adversário e humildade. Foi através disso que a nossa equipa nos tem brindado este ano com vitórias.
Não me interpretem mal: se ganharmos aos sapos, serei o primeiro a vir aqui e malhar neles. Mas só depois do jogo e com a vitória na mão.
E a razão de ser deste post são duas: apelo á concentração máxima da equipa durante 90 minutos, e, porra!, eu quero mesmo ganhar áqueles tipos!!!
VIVA O BENFICA

sábado, 10 de abril de 2010

Força Leiria!

Comam-nos vivos se for preciso.

domingo, 28 de março de 2010

Comam poeira

Lá vai o Benfica. Lançado, lançadíssimo, rumo ao trigésimo segundo. Quem não acredita? Contra tudo e contra todos, contra a agressividade bracarense, contra as palhaçadas de Domingos, contra os assistentes e o árbitro, que teve o desplante de dar as insígnias da FIFA a Domingos Paciência em pleno relvado, enfim, a palhaçada esta instalada, mas o Benfica foge isolado em direcção ao título Comam poeira.

Palco belíssimo para uma noite de futebol que poderia ser decisiva: estádio praticamente lotado, uma moldura humana ruidosa e fervorosamente apoiante da sua equipa, o Benfica entrava com onze em campo mas com 60.000 bem próximos sempre a apoiar. A magnífica tarja que vi pela primeira vez a 14 de Maio de 2005, no Benfica - Sporting, foi reexibida pela claque do topo sul, e expressava bem o nosso desejo: "Nós só queremos o Benfica Campeão".

Num jogo nem sempre bem jogado e com muitos "tempos mortos", o Benfica não teve a "felicidade" de marcar num lance "fortuito", ao contrário do que diz o palhaço choramingas. O Benfica foi superior durante os 90 minutos, sendo que o Braga teve apenas um lance de perigo em todo o jogo, num remate que saiu ao lado. Quim foi mero espectador, não teve nenhuma intervenção minimamente complicada.

A primeira parte começou quezilenta, sempre com os jogadores, quer de um lado quer do outro, a tentarem provocar o adversário: Di Maria exagerou claramente; sempre que havia um lance junto ao banco do Braga, lá vinham os suplentes e equipa técnica para cima dos jogadores do Benfica, numa atitude lamentável e nojenta; em lances junto à linha, e após a saída da bola, vi por várias vezes os jogadores do Benfica serem desnecessariamente empurrados e pontapeados. De futebol jogado pouco há que dizer: o Braga só criou perigo em lances de bola parada, muitos deles mal assinalados quer pelo árbitro (actuação desequilibrada, quase sempre em prejuízo do Benfica), quer pelo primeiro assistente, claramente tendencioso e mal intencionado. Os lances de maior perigo foram mesmo os do Benfica, com Saviola a falhar um golo de uma forma quase inexplicável, Cardozo também num cabeceamento que passou ao lado, após saída em falso de Eduardo, e novamente Saviola, num cabeceamento que passou a poucos centímetros do poste da baliza bracarense. Felizmente, sobre o cair do pano da primeira parte, Luisão aproveita o cabeceamento de Javi Garcia para rematar de pé esquerdo, em força, para o fundo das redes. Golo justo, legal, limpíssimo, mesmo que outros o tentem desvalorizar ou considerar como ilegal.

Ao intervalo, e pela primeira vez desde os acontecimentos do túnel com o Porto, o Benfica voltou a encontrar problemas. Curioso, não é? Os problemas com túneis foram com Braga e Porto. Fantástico. A azia apoderou-se dos bracarenses, foi visível a maneira de não saberem estar no futebol, e ainda mais notória nas declarações pós-jogo. Gente desta, não obrigado.

O segundo tempo teve pouco futebol, mas deu para ver alguns momentos interessantes: a polícia de choque a intervir para acalmar os animais daquele sector, os falhanços de Cardozo mas também o bom futebol do paraguaio, que fez correrias e fintas nunca antes vistas, o penalty claro não assinalado por mão de Rodriguez, e ainda um lance em que Moisés ficou a poucos centímetros do golo, num lance onde Quim andou aos papéis, como na maioria dos cruzamentos. Pouco mais houve. E nota ainda para o ridículo cirtério disciplinar de Pedro Proença, tudo o que vestiu de vermelho era rapidamente admoestado. Não há mesmo maneira de ser expulso de sócio?!

O que interessa, mais que a justiça óbvia da vitória, são os seis pontos de vantagem que o Benfica tem sobre o Braga. A luta faz-se a dois, e com seis pontos de vantagem para gerir em seis jogos, o cenário parece muito favorável, não obstante a dificuldade do nosso calendário. O pensamento só poderá ser Benfica vencer, vencer, em todas as provas, em casa e fora. Porque nós só queremos o Benfica Campeão!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Set Point, SL Benfica

É já hoje que se disputa aquilo que se pode chamar de "set point" para o Benfica: ganhando, fica com seis pontos de vantagem sobre o rival directo SC Braga, vantagem essa que parece irrecuperável, vista a superioridade por demais evidente do nosso clube. Não que o campeonato fique decidido, mas fica muitíssimo favorável, ainda para mais com a jornada seguinte onde se disputará o derby minhoto. E que os mais de sessenta mil que amanhã estiverem na Luz saibam criar um ambiente de verdadeiro inferno às gentes de Braga.

domingo, 14 de março de 2010

Quem pára este Benfica?

Jogando de modo brilhante ou menos bem, como em algumas situações do jogo de hoje, este Benfica vai ganhando. Mesmo que se possa dizer que a equipa em determinado jogo não esteve bem, o facto é que esteve melhor que o seu adversário. Este ano, se formos a ver os jogos que efectuámos, em quais é que o nosso adversário foi melhor que nós? É interessante a resposta a esta pergunta. Na Choupana, terreno tradicionalmente difícil que tem, sempre presente, uma claque feminina irritante, o Benfica não brilhou mas foi superior e mereceu a vitória que peca por números escassos. Para já, no ciclo infernal de Março, um empate contra o Marselha e uma vitória na Madeira. Seguem-se dois jogos até ao set point frente ao Braga. Sou só eu a acreditar que uma vitória por 2-0 ou outro qualquer resultado que nos deixe em vantagem no confronto directo, mata este campeonato?

(esta imagem é impagável: eis Rui Costa, Shéu, João Paulo Almeida, Jorge Jesus, os suplentes e os titulares, todos bem longe do banco, festejando o golo de Cardozo).

Recomenda-se este Benfica: seguro, maduro, forte. Uma equipa adulta, se assim pudermos chamar. Quim, apesar de não parecer confiante, está a dar conta do recado na perfeição. Exibição segura com uma brilhante defesa perto do final que só lhe irá elevar o nível de endorfinas. Amorim também parece cada vez mais contente, parece que agora sim sente que tem um papel verdadeiramente importante na equipa; Luisão e David Luiz parecem intransponíveis; Peixoto com segurança ou Coentrão com mais velocidade e fulgor ofensivo, também dão segurança à defesa; com uma defesa destas, eu fico bastante tranquilo. Pela primeira vez em alguns anos consigo assistir a alguns jogos tranquilamente: sei que é praticamente impossível termos um jogo em que não marquemos um golo, e sei também que é difícil sofrer um. Juntando um mais um...

E assim foi. Cardozo teve uma mão cheia de oportunidades e só conseguiu marcar por uma vez. Bracalli foi enorme numas quantas ocasiões, mas Tacuara marca. Falha como todos, marca como nenhum. Foi de baliza aberta? Foi, mas foi também no minuto imediatamente a seguir a ter falhado um penalty. Força psicológica, meus caros. Cardozo teve-a.

O jogo teve, praticamente, sentido único. Foi um jogo "normal" no Benfica desta época. Seria um jogo "extraordinário" se fosse no ano passado. Controlo de bola, bom posicionamento e boa organização. Transições rápidas, ataque continuado, segurança em todos os momentos. O passe não está como já esteve, mas não podemos exigir o mundo a esta equipa. E aviso já para o seguinte, com o pensamento no próximo jogo: o Marselha tem uma equipa fortíssima, como pudemos constatar na Luz. E jogando no Velódrome... será preciso um super-Benfica para ultrapassar os franceses. E analisando a situação de alguns jogadores, vejo com bons olhos a titularidade de um jogador que nem me enche as medidas. Falo de Carlos Martins.

segunda-feira, 8 de março de 2010

15 minutos à Benfica...

Foram 15 minutos de fazer corar Eusébio e companhia. O Benfica entrou no jogo com o pensamento no primeiro lugar e em praticamente 15 minutos arrumou a questão. Depois do empate do Braga no dia anterior, a vitória deixava o Benfica isolado na frente com mais 3 pontos que os bracarenses. Numa equipa com um meio-campo praticamente de recurso, face às ausências de Javi Garcia, Ramires e Aimar, foram precisamente os seus substitutos a rubricarem exibições magistrais: Rúben Amorim foi enorme, o melhor em campo, claramente; Carlos Martins está com a corda toda; Airton parece ter 30 anos e uma carreira recheada de experiência, penso que ninguém diria que tem apenas 19 anos e acabou de chegar ao clube. Quando os habituais suplentes são desta qualidade, a equipa tem todas as condições para chegar mais longe. A alegria está na Luz.

O Benfica, como disse, entrou de rompante no jogo, disposto a cortar pela raiz todos os problemas que a equipa de capital do móvel poderia criar, nomeadamente aquele problema que o seu treinador é perito: simulação de lesões. Até ao primeiro golo encarnado, aos 13
minutos, já por duas vezes tinha havido teatro. Mas quando a qualidade do espectáculo e dos executantes é aquela que se viu, não há hipóteses.

Logo aos 13 minutos, dizia, Rúben Amorim conclui de cabeça após assistência de Cardozo, aproveitando a saída extemporânea do guarda-redes Coelho. Quatro minutos mais tarde, Saviola faz gato-sapato do defesa pacense (o mesmo que anos antes tinha levado um Cuppino de Miccoli) e cara-a-cara com o guarda-redes Coelho, foi El Conejo do Benfica quem levou a melhor, fuzilando as redes. Quem entra em campo desta maneira, marcando dois golos após umas boas 3 oportunidades de perigo, é melhor. E isto vê-se não de hoje, não de ontem, mas desde a primeira jornada. E isso é o mais impressionante.

Di Maria insistia em espalhar o terror na defesa amarela. O caos era total. Manuel José, defesa direito que teve a ingrata tarefa de marcar o argentino, saiu à passagem da meia-hora com insuficiência renal. Amorim estava em grande do lado direito. Maxi também estava com a corda toda. Coentrão era uma seta apontada ao terço final do meio-campo pacense. Martins, ora com força, ora com classe, desbaratava o meio-campo adversário, cobria a bola e endossava-a com categoria. Cardozo tratou de me dar razão no meu último post. O Benfica jogava rápido, bonito e eficaz.


Foi uma primeira parte brilhante, manchada no entanto pelo golo desnecessariamente sofrido: numa jogada em que David Luiz resolveu fazer turismo ao meio-campo, deixando a defesa a descoberto, Maykon, com o seu pé esquerdo, um dos mais interessantes desta Liga, colocou a bola redondinha na cabeça do ponta-de-lança William, que entre Coentrão e Airton, que não compensou na perfeição a subida de David Luiz, bateu Quim que ficou, mais uma vez, a meio caminho. O Paços que pouco ou nada tinha feito no primeiro tempo acabou por concretizar um golo imerecido que lhe permitia aspirar a um resultado positivo.

No segundo tempo, e apesar de o Paços tentar equilibrar o jogo, o Benfica continuou muito superior. Primeiro foi Amorim quem tentou a sua sorte num remate muito forte para boa defesa de Coelho; depois foi a vez de Di Maria, após uma finta, de enviar a bola à barra; por fim Cardozo, cujo remate foi desviado por um adversário, tocou na barra e entrou na baliza, com sorte, a sorte dos audazes.

A partir daqui pensei que pudesse surgir o rolo compressor de Jesus em termos de resultados, mas não. Ficou-se pelo rolo compressor de grandes exibições. Maxi, Luisão, Sidnei, Di Maria, Cardozo, quase todos tiveram a sua oportunidade para marcar. De salientar ainda o regresso de Sidnei à competição, ele que não actuava desde Dezembro último, salvo erro, contra o Olhanense. Felipe Menezes também jogou e continua "sem me convencer minimamente", um belo eufemismo, sem dúvida. Peixoto, talvez o jogador mais underrated deste plantel, em pouco menos de 10 minutos, demonstrou que é, actualmente, o melhor defesa esquerdo português (percebeste a dica, Queiroz?).

Parabéns ao Benfica e ao árbitro, pois ambos trouxeram a lição bem estudada. Os encarnados fizeram o que lhes competia e o juiz portuense também. Permitiu que Di Maria fosse o saco de pancada, provocou-o e admoestou-o com a cartolina amarela, ficando à bica para o próximo encontro, tal como Luisão e Saviola, ou seja, se algum destes três jogadores vir o cartão amarelo não defrontará o Braga. Coincidências.

3 golos marcados, 3 pontos de avanço sobre o Braga e uma data deles sobre os outros dois que se dizem grandes. Se mantivermos esta vantagem pontual até ao encontro com o Braga e se aí a ampliarmos para os devidos seis pontos, penso que estará tudo acabado. Venha o Marselha e as grandes noites europeias de novo na Luz, esta com um cheirinho a passado.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Tem a sua piada

Tem a sua piada: no encontro para a Taça Amizade, jogo que muitos sportinguistas notáveis e muitos colegas e amigos meus afirmaram que preferiam perder só para que o Benfica não fosse campeão, os jogadores do Sporting portaram-se à altura (já o treinador foi menos efusivo nos festejos do que foi contra o Herenveen, Académica, por que será?). Quero ver como está a taxa de basófia da lagartagem, eu pelo menos já antevejo o diálogo: «Hei, grande jogo que fizemos estamos fortíssimos, grande Sporting!», «Vai à (...) tu desejaste que o Sporting perdesse só para que o Benfica não ganhasse o campeonato». Vai ser mais ou menos isto. Mas parabéns aos jogadores do Sporting e aos quase 30 000 adeptos que se deslocaram a Alvalade. Sabem porquê?

Exterior do Estádio José de Alvalade, pouco passava das 19h30, foi mais ou menos assim:

Jornalista da SIC: «Vamos tentar falar com alguns adeptos que se deslocaram a Alvalade, o senhor por exemplo. Quem acha que vai ganhar?»
Adepto 1: «Espero e desejo uma vitória do Porto» (com sotaque do Porto).
Jornalista da SIC: «Mas é mesmo adepto do Porto ou é sport...»
Adepto 1: «Não, não, não, sou mesmo do Porto.»
Jornalista da SIC: «Vamos então falar com outro adepto, o senhor aqui, está a torcer pela vitória do Sporting?»
Adepto 2: «Claro, espero que o Sporting ganhe, mas sou emprestado?»
Jornalista da SIC: «Emprestado, como assim?»
Adepto 2: «Sou do Benfica»
Jornalista da SIC «Ah, bom, como se pode ver também há muitos adeptos que não são do Sporting aqui no estádio, que hoje mais parece uma sociedade das nações. A senhora, quer falar?»
Adepto 3: «Não, não, só vim cá para ver o jogo, tammbém sou do Benfica».

Perceberam? Aquele apoio todo nas bancadas, aqui era a força da Luz.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Buuuuuuuuuuuuuuuuuh!

Se eu morasse em Leiria, Tondela ou Faro e se me deslocasse ao Estádio da Luz porque alguém me diz para o fazer, até porque este Benfica joga muito bem, sentir-me-ia defraudado com a exibição do meu clube frente ao Belenenses. O Benfica rubricou a pior exibição da época no seu estádio em jogos a contar para o campeonato, tal como o próprio Jesus admitiu no final do jogo dizendo que parecia o Benfica da época passada. A exibição foi de tal modo medonha que surgiram os velhos assobios do Terceiro Anel, muito por culpa da terrível exibição. Não gosto de assobiar, mas não contem comigo para "palmadinhas nas costas" depois de um jogo destes, pois foi notória a falta de empenho de alguns elementos.

Sábado à tarde, bastante sol, e um horário muito agradável deviam ter sido factores importantes para que mais gente tivesse ido ao Estádio da Luz. Numa altura destas, com a vantagem pontual que temos, mais benfiquistas deveriam ter ido ao estádio. Bem sei que há um fim-de-semana prolongado, as férias de Carnaval até existem para alguns e que o dinheiro tem de sobrar para comprar flores e levar a namorada a jantar no dia de São Valentim, (e nem era preciso fazer o mesmo que o "rapaz de bons valores que respeita o pai e a mãe" fez), mas alguns equilíbrios no orçamento tinham dado para que se pudesse ir ver o jogo. Fiquei desiludido por ver apenas 45.000 benfiquistas na Luz.

Não fiquei no entanto desiludido com o início do jogo: o Benfica entrou forte e tal como me tinham dito, "ou marcava cedo ou ia assistir a ronha, fita e simulações de lesões" até final. Felizmente ao décimo minuto de jogo, Ramires partiu em velocidade pelo flanco direito e cruzou largo para que Cardozo, nas costas do seu marcador, cabeceasse facilmente para o primeiro e único golo da tarde. O primeiro, e mais difícil, estava feito, fiquei à espera dos seguintes.

Mas não houve. O Belenenses pegou na bola e tentou criar vários lances de perigo, um dos quais incrivelmente falhado por Fajardo, e ainda num remate perigoso de Barge. O Benfica ripostou após alguns minutos em que esteve remetido ao seu meio-campo, e Coentrão teve um bom par de chances de golo que acabou por desperdiçar. O jogo chegava ao intervalo com pouco mais para dizer.

No segundo tempo, Jesus optou pela saída de Peixoto para que Weldon pudesse entrar e dar maior velocidade ao flanco esquerdo, mas o melhor que o brasileiro conseguiu foi arrancar em velocidade, logo no início para centrar num lance que acaba por ser perder e onde parece haver razão de queixa dos encarnados por falta sobre o apagado Aimar. Xistra nada assinalou. A segunda parte foi de nervos, nomeadamente devido à fraca exibição encarnada, aos disparates sucessivos de Weldon, aos maus remates de Martins, que até se esforçou bastante, como é seu hábito, e até David Luiz parecia estar a reviver os maus momentos de Setúbal, ele que esteve tão perto de marcar novamente a Quim. Como se isto não bastasse, o descontrolo emocional apoderou-se dos fiscais-de-linha de Xistra que cometeram erros atrás de erros quase sempre em prejuízo do Benfica. O árbitro principal de Castelo Branco pautou a sua exibição por um critério largo em termos técnicos, que me pareceu correcto, mas em termos disciplinares foi desastroso.

No entanto, e apesar do perigo pairar sempre por perto na nossa baliza, fiquei com a convicção de que ganhámos o jogo no lance da expulsão de Bruno Vale, indiscutível, ele que, relembremos, aprendeu muito (e bem, pelos vistos) com Vítor Baía, ao defender com as mãos bem fora da área.

Vitória justa mas magra e com mau futebol do Benfica, que se viu órfão do melhor Aimar e do melhor Saviola. No entanto, como já disseram na caixa de comentários, até final vai haver mais jogos assim e o importante é somar os 3 pontos, jogo a jogo, pois a época é longa e há mais duas provas além do campeonato. Também sou mais pragmático que adeptos do futebol espectáculo, mas o que se passou ontem na Luz foi... vocês viram. Fico contente pelos 3 pontos e pelo bónus que o Leixões nos deu esta jornada. São mais 9 pontos (e mais um jogo, é certo), mas a pressão é maior noutros lados que na Luz. Carrega Benfica.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Assim não!

Não, não e não! Assim não! Isto não é nada! Que primeira parte foi aquela?! Que empenho ridículo ou falta de empenho foi aquele? As camisolas não ganham jogos e os jogadores que entraram em campo a pensar que ia ser um passeio semelhante aos 8-1 devem ser punidos. Fomos claramente dominados por uma das piores equipas desta Liga. O Benfica tremeu por todos os lados. Não havia ligação entre os sectores da equipa. Os cantos saíram, muitas vezes, rasteiros para a área. Cardozo ausente, Saviola apagado, Aimar desinspirado, David Luiz e Luisão desatentos, Di Maria e Ramires pareciam jogadores banais. Para ser campeão todos os jogos contam! Estou profundamente desiludido.