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sábado, 29 de setembro de 2012

Dois pés de laranja lima

Depois dos pontos deixados em Coimbra, uma deslocação a um terreno complicado mas que até nos tem sido querido nos últimos anos. Em Paços de Ferreira, o Benfica entrava em campo sabendo que qualquer resultado que não a vitória deixaria, à partida, os encarnados a uma distância de dois jogos da liderança do campeonato. Era imperativo vencer para não perder o fugitivo na tabela classificativa.

Num jogo que se esperava de alguma tensão especialmente para o Benfica, as duas equipas entraram muito bem em campo procurando o ataque. Mas por pouco tempo. Corte de electricidade no estádio e aparentemente em boa parte da cidade levou a uma interrupção de dez minutos à qual o Benfica não reagiu bem: no reatar do encontro, uma triangulação entre um ex-jogador da nossa formação (Diogo Figueiras) e Hurtado permitiu ao português cruzar para Cícero fazer o 1-0. O pesadelo de Coimbra ameaçava mudar-se para a capital do móvel, mas a águia não se eclipsou. Fruto de uma desatenção de Cássio após cruzamento de Enzo, Lima, à ponta-de-lança, aproveitou oportunamente o lance para, de pé esquerdo, reestabelecer o empate.

Na segunda parte Gaitán rendeu um desinspirado Nolito e trouxe uma dinâmica completamente diferente ao ataque encarnado. As oportunidades e os falhanços sucediam-se em catadupa: Gaitán ia sendo presentado com mais uma intervenção desastrosa de Cássio, Enzo falhou na cara do brasileiro depois de isolado por Rodrigo, mas Lima, uma vez mais, agora de pé direito e depois de uma entrada destemida de carrinho de Maxi no meio de três "amarelos", desfizesse a igualdade, colocando o Benfica na liderança do jogo e provisoriamente na do campeonato também. Depois, nos vinte minutos finais, mais um festim de golos falhados: Lima, por duas, vezes, Gaitán mais uma e Salvio também podiam ter colocado uma vantagem mais confortável no resultado e o ponto final no jogo. Como quem não marca arrisca-se a sofrer, o Benfica acabou o jogo com o credo na boa, fruto das iniciativas de Caetano, e de dois remates bem perigosos já para lá dos 90 minutos, que Artur soube resolver muito bem.

Marco Ferreira esteve bem no critério técnico dentro da área (cinco hipotéticas situações para grande penalidade mas nenhuma assinalada, e bem) mas desastroso fora dela, com o Benfica a ser prejudicado com faltas e faltinhas inexistentes a meio-campo. No final, 3 pontos e a liderança provisória do campeonato. Mais que a vitória, o nosso clube ganhou um ponta-de-lança e confirmou a qualidade de Enzo. Falta ainda limar algumas arestas: Matic e Melgarejo continuam a parecer inadaptados a esta equipa, autênticos corpos estranhos. A rever.

domingo, 11 de março de 2012

Haja coração!


- "Haja coração, adepto do Benfica!" - gritava Jorge Perestrelo, eufórico, após mais uma vitória tangencial, arrancada a ferros, do Benfica de Trapattoni. Mal sabia o benfiquista Jorge que morreria dias antes do épico Benfica x Sporting da cabeçada de Luisão, não podendo testemunhar na sua querida TSF a grande vitória da década e que levou o Benfica à conquista do campeonato nacional 11 anos depois. Por este andar, se não me colocarem um desfibrilhador, seguirei os passos de Perestrelo mais depressa que aquilo que desejo.

Entrámos mal, jogámos mal e mesmo sem merecer a derrota que se verificava ao intervalo, o Benfica não fazia aquilo que devia. Onde está a meia-distância? Só se remata dentro da pequena área?! Porquê? O Benfica não apresentou fio de jogo e numa exibição sofrível destacaram-se pela negativa quase todos os jogadores. Salvou-se (e salvou-nos) Artur e a espaços Javi Garcia. Todos os outros estiveram muitíssimo mal, com particular destaque para Maxi, Saviola e Cardozo: o uruguaio foi um autêntico passador, o argentino um pino raquítico mais frágil que uma velhota e o paraguaio um pinheiro com pés de Karadas. Terríveis.

Igualmente ridícula foi a actuação de Bruno Esteves, o artista que andou a tentar menorizar os estragos auto-infligidos pelo Porto ontem contra a Académica. Não foi um, dois ou três, mas sim quatro os penalties que ficaram por assinalar: um abraço a Jardel, a rasteiras a Bruno César e Nélson Oliveira e ainda o abalroamento a este último. Caro presidente do Sport Lisboa e Benfica: demora muito a quebrar a promessa feita na Grande Entrevista? É que os interesses do meu clube estão a ser lesados da forma que todos vemos. Pode ser? Faça lá esse esforço.

Felizmente houve um jovem chamado Nélson Oliveira que, à semelhança do que fizera em Coimbra, dinamizou o ataque e arrancou para uma grande exibição que permitiu dar a vitória ao Benfica. Ainda tinha muitas coisas a dizer sobre este jogo, mas guardo-as para mim. Estou cansado e há coisas que a quente não iam cair bem a alguns adeptos extremamente indignados com a minha "falta de solidariedade e acreditar na equipa". Valeu pela vitória num jogo em que cheguei a pensar como é que íamos começar a preparar a próxima época, já a partir de segunda-feira. Haja coração, adepto do Benfica, haja coração.

domingo, 24 de abril de 2011

A noite dos heróis improváveis

Tantas vezes criticados, tantas vezes espezinhados, às vezes os grandes heróis são mesmo os heróis improváveis. Assim foi em Coimbra. Jara a abrir a contagem e Moreira a segurar a vantagem deram uma vitória que tem mais importância do ponto de vista anímico para o jogo de 5ª feira do que do ponto de vista do troféu em si. Um Benfica frágil fisicamente apesar das poupanças de Jesus para o campeonato e com muitos jogadores em sub-rendimento, valeu-se daquilo que faltou contra o Porto: Pablo Aimar. O que importa é a vitória, a conquista do troféu e o boost moral para a meia-final da Liga Europa. Um belo troféu entregue pelo excelentíssimo Fernando Gomes, que diga-se, que até dá vontade de chamar o Sergio Ramos para participar nos festejos.

Moreira - de menino bonito passou a patinho feio por razões desconhecidas. Ninguém sabe ao certo o porquê dessa transformação. Já o disse anteriormente, Moreira não é o guarda-redes de top mundial que poderia ter sido devido às lesões, mas como segundo guarda-redes chega mais que perfeitamente. Um guarda-redes da valia de Moreira até poderia ser titular no campeonato, como foi Quim, porque apesar de não ser brilhante é suficientemente bom para ganhar a Liga. Não é de guarda-redes que estamos mal servidos, temos 3 de boa qualidade apesar de um deles ter custado dinheiro a mais, como todos vimos.

Maxi Pereira - seja num amigável com o Cucujães ou na final da Taça da Liga, o ritmo e a intensidade de jogo são sempre iguais. É um profissional de mão cheia e apesar de algum desgaste físico, continua com uma força enorme dentro de campo. Aqui não temos razão de preocupação até final da época.

Luisão - Idêntico a Maxi, com a pequena diferença de ter algumas atitudes escusadas na imprensa. Esquece-se frequentemente que os jogadores não respeitaram os adeptos e a instituição Benfica. Daqui a nada chega o Verão e a novela Luisão que se arrasta desde 2005 voltará com novos capítulos, com juras de amor eterno e tentativas de sair pela calada.

Jardel - Continua a ser difícil avaliá-lo. Esteve bem, ontem, mas quando apanha adversários mais rápidos pela frente parece tremer bastante. Acredito que tenha qualidades para se impor no Benfica, mas continuo a achar que o central que joga ao lado de Luisão precisa de ter características diferentes das do número "4". E um bocadinho mais de qualidade também.

Fábio Coentrão - Quando a equipa está visivelmente estoirada aos 90 minutos, Fábio Coentrão ainda faz sprints e picos de velocidade, atira-se para o chão e luta pela bola como nunca. Um craque, um ídolo.

Javi Garcia - apesar de desapoiado em vários momentos do jogo, tem sabido dar conta do recado razoavelmente bem. Ontem voltou a estar em bom plano e também acho que, até final da época, deverá manter os mesmos níveis de qualidade, apesar de, já contra o Braga, necessitar de mais apoio no capítulo defensivo.

Carlos Martins - tem de ser gerido com pinças para que não se lesione. O Benfica ainda tem três jogos importantíssimos até final da época e Martins terá um papel fundamental nesses encontros. Ontem esteve bem a dar dinâmica e intensidade de jogo tanto pelo centro como pela direita.

Pablo Aimar - cada vez que tocava na bola, pensava por que raio não tinha sido titular contra o Porto. É um de dois jogadores do plantel nos pés do qual a bola repousa e não queima, permitindo à equipa movimentar-se sem bola à procura de espaços. Aimar é o relógio da equipa. Sabe quando manter e quando soltar o esférico. Não pode, de maneira nenhuma, voltar a ser suplente até final da temporada.

Franco Jara - um golo e nada mais. Uma exibição medonha repleta de individualismo e acefalia. Gostava que lhe comprassem um cérebro na mesma loja onde arranjaram o de Di Maria. Jara tem um potencial interessante, mas precisa de perceber o que é o futebol europeu e que, para além dele, há uma equipa à volta que também joga. Larga a bola, pá. Por mim, banco.

Javier Saviola - É engraçado o fenómeno a que temos assistido. Quando chegou ao Benfica teceram-se elogios ao argentino, dizendo que ele mesmo iria acabar com as vacas sagradas (Nuno Gomes, à cabeça). Um ano depois, Saviola tornou-se a maior vaca sagrada desta equipa. Tem sido uma autêntica nulidade desde o final da época passada até hoje, com excepção do final de Dezembro e início de Janeiro. Não faz nada de relevante ou importante para a equipa, esconde-se do jogo e não luta por bolas divididas. Enquanto Cardozo é perseguido com tochas, este tem direito a paninhos quentes. Ridículo. Banco, já.

Óscar Cardozo - provavelmente uma das piores exibições de águia ao peito, um pouco na senda do que têm sido os seus últimos jogos. Está numa má fase, mas ainda vai, ocasionalmente marcando uns golitos. Ninguém no Benfica é, ou deveria ser, eterno, por isso espero que atine rapidamente. O problema é que olhamos em volta e não vemos ninguém minimamente capaz de o substituir. A nossa confiança em Kardec é quase nula.

César Peixoto - é falso que o físico não acompanhe a mente. Ou melhor, podem não ir à mesma velocidade, mas ambos estão vivos e a assegurar funções. Peixoto é muito mais importante do que aquilo que se pensa. É, a par de Aimar, o único jogador nos pés do qual a bola descansa, onde não queima. E é fundamental a dar os equilíbrios defensivos que esta equipa não tem. Por mim seria titular até porque se avizinha um jogo em que a equipa não pode apresentar-se descompensada.

Airton - tem o físico, tem o potencial, mas faltam minutos nas pernas. É o caso do jogador que, com mais rotinas, até poderia entrar a titular na equipa ao lado de Javi. É um caso a rever, porque a esta altura da época deveria constituir forte hipótese para ser titular, mas fruto da má gestão de Jesus, não é.

Felipe Menezes - foi bom observar o David Simão. Está crescido, o miúdo. Quanto a esta "excelente oportunidade de negócio", RUA! Um dos 3 piores médios ofensivos da história do Benfica.

sábado, 23 de abril de 2011

Pedido ao Presidente

Caro Sr. Presidente Luis Filipe Vieira,

Será que dava para passarmos a fazer no Campeonato o que temos feito na Taça da Liga?

Muito agradecido pela atenção dispensada.

Vitória ou Vitória

Não há volta a dar, o Benfica tem de vencer a final da Taça da Liga que se disputa hoje em Coimbra para começar a apagar uma época que se avizinha tão trágica para nós como foi a de 2004/2005 para o Sporting. Frente ao Paços, não há motivos para não vencer nem desculpas que sirvam para uma eventual derrota. O Benfica é mais forte e melhor e só tem de vencer este jogo, pegar na Taça e voltar para Lisboa. Uma derrota hoje a juntar à entrega do título ao Porto na Luz e à perda da meia-final da Taça em casa, constituiria um trio de desaires históricos que colocariam estas duas semanas como das mais nefastas da História do clube.

Na altura de levantar o troféu, como espero, só vos peço duas coisas: aplaudam e sorriam, mas não se mostrem demasiado efusivos, porque festejar tremoços quando poderíamos festejar lagosta é coisa de clube pequeno.

quinta-feira, 24 de março de 2011

À Benfica!


"El Benfica se dio un auténtico festín en su visita a Paços Ferreira. De los cinco goles logrados por los lisboetas destacó el tercero, obra de Nico Gaitán, que culminó una excepcional jugada de equipo, recordando al más puro estilo Barça por los toques de calidad."


16 toques perfeitos e um golo soberbo. Só uma correcção. Não foi um golo à Barça mas sim à Benfica!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Velhos são os trapos

Sem grandes objectivos pelos quais lutar neste campeonato, o Benfica apresentou-se na Mata Real frente ao Paços de Ferreira sem alguns habituais titulares, numa tentativa clara de fazer uma rotação equilibrada de modo a poupar os mais cansados, dar minutos aos menos utilizados e, com isto tudo, não perder grande qualidade de jogo. Conseguiu. O Benfica foi claramente superior a um Paços que luta pelos lugares europeus e mereceu a vitória, mas não por números tão dilatados.

Entrada demolidora do Benfica que chegou a uma vantagem de 3 golos em menos de 25 minutos: primeiro Cardozo, de grande penalidade bem assinalada por murro de Cohene na cara de Javi Garcia, enganou o guarda-redes pacense ao enviar a bola para o seu lado mais fraco, o esquerdo; depois Aimar, a receber um excelente passe do seu amigo Saviola, e com frieza a finalizar a jogada; por fim, Nico Gaitán, no melhor golo da noite, colocou a bola "na gaveta" com um remate cheio de classe e intenção, após assistência de Cardozo. O Benfica jogava bonito, dominava o encontro a seu bel-prazer e com três golos tão bem conseguidos pensou-se que a sempre complicada deslocação a um dos campos mais pequenos e antigos da primeira divisão teria sido um passeio. Não foi. Por demérito do Benfica, que não soube (nem sabe) gerir o jogo e jogá-lo de forma pausada, sem ser em alta velocidade, e também por mérito dos comandados de Rui Vitória, que tiveram coragem e qualidade para, após três golos sofridos, marcar um e enviar uma bola ao poste no minuto imediatamente a seguir, tendo ainda criado maus duas ou três chances de golo antes do intervalo. O Paços crescia mas acabou por se "suicidar" com a expulsão de Cohene, por falta sobre Saviola quando o 30" se encaminhava perigosamente para a baliza. Com 10 jogadores e mais de 45 minutos por jogar, o Paços via a sua tarefa irremediavelmente mais complicada.

O Benfica entrou para o segundo tempo sem a mesma dinâmica do início do jogo mas também mais dominador no aspecto territorial e com mais bola do que no final da primeira parte. Basicamente, conseguiu trocar a bola entre os vários elementos da equipa mas sem conseguir criar lances de perigo perto da baliza de Cássio. Mesmo com menos um jogador em campo e com menos bola, o Paços começou a pressionar mais alto sempre que os centrais ou Javi tinham posse de bola, o que acabou por provocar alguns erros na rectaguarda levando a dois lances de perigo no primeiro quarto de hora, mas sempre com Roberto em destaque pela positiva.

Apercebendo-se que o Benfica precisava de conseguir segurar a bola mais longe da sua baliza, Jesus fez entrar Peixoto para o lugar de Cardozo (a precisar de descanso, claramente) e Carlos Martins para o lugar de Gaitán (outro que precisa de descansar). Mesmo sem os dois portugueses terem entrado bem em campo, conseguiram que o Paços não voltasse a chegar-se perto da nossa baliza. E à medida que o jogo avançava, percebia-se que o resultado dificilmente sofreria alterações.

Até que entrou Nuno Gomes. Com o ponta-de-lança benfiquista fresco no ataque a substituir o fatigado Saviola, o Benfica voltou a conseguir colocar pressão na defensiva amarela que não raras vezes teve de despejar a bola de qualquer maneira, permitindo ao Benfica alguns ataques rápidos. E foi precisamente o capitão encarnado que dilatou a vantagem, por duas vezes, num jogo morno que se encaminhava monotonamente para o fim: primeiro numa jogada de insistência depois de um remate de César Peixoto e depois, à meia-volta, após pontapé na atmosfera de Peixoto uma vez mais, num golo de belo efeito.

Vitória justíssima num jogo que se esperava mais complicado, mas que o Benfica soube, por mérito próprio, "descomplicar". Vitória praticamente conseguida nos primeiros vinte e cinco minutos, nem sempre bem gerida da melhor forma, mas que terminou em goleada graças a uma ponta final bastante forte por mérito dos jogadores que vieram do banco. Segue-se o clássico.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Via Verde

Depois da vitória conseguida ontem frente à Olhanense, num jogo que envolveu a rotação do plantel, o que permitiu que alguns jogadores pudessem recarregar baterias, casos de Cardozo ou Saviola, por exemplo, o Benfica ficou com seis pontos e precisa apenas de um empate no último jogo na Vila das Aves, sendo que até a derrota pode servir. Muito dificilmente o Benfica deixará escapar a oportunidade de marcar presença nas meias-finais da prova.
Nos outros grupos, o Nacional precisa de um empate em Aveiro, frente ao Beira-Mar que já nem tem possibilidades de passar esta fase, e se assim o conseguir deixa pelo caminho o FC Porto. O Paços de Ferreira, depois da vitória alcançada em Braga, precisa também de um empate em casa frente ao Vitória de Guimarães para seguir em frente e se assim o conseguir irá à Choupana defrontar os alvinegros. O Sporting também deverá conseguir passar esta fase, pois tem o grupo mais acessível de todos e lidera-o.
Assim sendo, o alinhamento para as meias-finais seria Nacional x Paços de Ferreira e Benfica x Sporting. Sem querer menosprezar os nossos adversários, o Benfica tem fortíssimas hipóteses de marcar presença na final da Taça da Liga pelo terceiro ano consecutivo, onde deverá eliminar, com maior ou menor dificuldade, o Nacional ou o Paços. O alinhamento não é difícil, resta agora cumprir o que temos de fazer e esperar que não haja surpresas de última hora nos outros grupos.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sofrer à Quique

Custou mais foi. Sob a batuta de Pablo Aimar, elemento mais esclarecido da equipa, o Benfica somou a quinta vitória consecutiva na Liga numa exibição que teve altos e baixos que levaram os adeptos na Luz a um desespero nunca antes visto na Era Jesus. Fez lembrar os tempos de futebol aos repelões e de sofrimento total com Quique Flores tal a falta de controlo sobre o jogo entre os minutos 15 e 60. No final, valeu pela vitória, pelos 3 pontos e por Aimar, Coentrão e Roberto. Se dúvidas houvesse ficou novamente provado que ainda há um longo caminho a percorrer, há mesmo "muito frango para virar".

O Benfica não entrou mal no jogo, pelo contrário, viu-se que havia determinação em chegar à vitória logo a partir do primeiro minuto. E o primeiro quarto de hora, sem ser demolidor, longe disso muito por culpa do Paços que também se mostrou, revelou bom entendimento entre os jogadores e uma mão cheia de oportunidades. Depois de algumas ameaças mais tímidas, Saviola foi o primeiro a dar o aviso ao aparecer isolado cara-a-cara com o guarda-redes Cássio e a rematar contra o corpo do brasileiro que saiu lesto da baliza para fazer a mancha quase à saída da área. No minuto seguinte o pequeno argentino enviou a bola à barra naquilo que mais me pareceu uma tentativa de passe para Aimar que um remate. E no minuto imediatamente a seguir Aimar recebe a bola de Luisão ainda no meio campo benfiquista e, perante a fraca oposição pacense, galga sessenta metros por entre "amarelos", finta três e desvia o quarto ao pé-coxinho e remata colocado para o canto inferior esquerdo da baliza. Até parece fácil, o futebol, quando existe um jogador com uma condução de bola simplesmente perfeita. Enorme golo de Pablito Aimar que confirma o excelente momento de forma que vive na Luz, provavelmente o melhor dos últimos 5 anos da sua carreira, melhor até do que em 2009/2010.

Na frente, o Benfica continuou a pressionar por alguns minutos seguindo-se novo festival de oportunidades falhadas: Saviola acerta no corpo de Maykon, Javi remata para defesa de Cássio e Coentrão atira para fora, era a melhor fase do Benfica no jogo. E a partir do minuto 22, o Benfica entrou em fim-de-semana prolongado. O jogo foi perdendo interesse e o Benfica entregou as despesas de jogo à equipa da capital do móvel que conseguiu incomodar Roberto por mais que uma vez. A chuva voltara, o Paços tinha o jogo controlado e os erros sucediam-se por parte dos nossos jogadores, com especial destaque para Peixoto (meu Deus, que mal...) e Gaitán, este último que se vê a milhas que vai dar jogador mas que toma decisões tão despropositadas e ridículas que deixam qualquer adepto com os nervos em franja. E no tribunal da Luz, nenhum deles foi poupado, ouvindo-se bastantes assobios. Nos últimos cinco minutos do primeiro tempo, Roberto foi chamado a intervir por duas vezes, ambas de real perigo, e ainda viu duas outras bolas passarem perto ou levarem perigo.

Esperava-se melhor segunda parte, pelo menos melhor do que o final da primeira, no entanto o Benfica reentrou com a mesma atitude frouxa com que tinha saído. Os erros sucediam-se, a baliza de Cássio era uma miragem e o público estava cada vez mais impaciente, o ambiente na Luz estava longe de ser o melhor. Face à inoperância que a equipa revelava, Jorge Jesus resolveu retirar César Peixoto para colocar Salvio, recuando Fábio Coentrão para defesa esquerdo. E no minuto seguinte devido a uma falta existente de Cohene sobre Coentrão, o árbitro assinalou a devida grande penalidade. Chamado à marcação, Alan Kardec não vacilou e atirou para o segundo golo, estava feito o resultado que dava maior tranquilidade ao Benfica.

Até final, o Benfica passou a ter mais bola e a criar mais perigo também porque o Paços passou a atacar mais desorganizado, deixando mais (es)paços. Salvio foi uma lufada de ar fresco no ataque encarnado, e os objectivos restantes, como referiu Jesus, foram cumpridos, com especial destaque para a folha disciplinar limpa que faz com que todos estejam disponíveis para o Dragão. Vimos ainda os nossos "meninos" Nélson Oliveira e David Simão serem efusivamente aplaudidos pelos adeptos numa demonstração de que, mesmo longe de casa, continuam (e penso que esperamos que estes dois continuem) a sentir esta como a sua casa.

Destaques positivos para Aimar, Coentrão e Roberto. O argentino porque marcou um golo fabuloso mas também devido à forma como consegue atacar, defender, dirigir, pressionar, parece ser o nº10 e o trinco simultaneamente, está num dos melhores momentos da carreira. O português porque foi novamente o abre-latas, foi médio, defesa, avançado, fez o corredor praticamente sozinho por necessidade de uma equipa amputada em dois locais (zona "20" e zona "25") sempre em alta-rotação. O espanhol porque, mesmo não fazendo um daqueles jogos em que "deu" pontos com defesas sobrenaturais, fez uma grande exibição repleta de segurança e de boas intervenções, nomeadamente todas aquelas em que conseguiu segurar a bola à primeira, algon que não via na baliza encarnada desde Robert Enke. E amanhã terá direito a post.

Vitória justa, a quinta consecutiva sem sofrer golos na Liga, mas sem brilho. No entanto os 3 pontos são mesmo o mais importante. E a uma semana da deslocação mais complicada da época, mesmo sem grandes jogos, os resultados vão aparecendo, o que é positivo.

P.S. Não foi fácil encontrar net fora de casa, daí a crónica só ter saído hoje. As minhas desculpas a quem esperou por lê-la.

O jogo mais importante é sempre o próximo

Esta é das frases mais utilizadas no futebol português, é um autêntico chavão, mas no caso da actualidade do Benfica aplica-se mais e melhor do que nunca. A uma semana do clássico no Dragão, onde se prevê um ambiente durinho, daqueles que o nosso Jorge Jesus bem gosta, o Benfica recebe o Paços de Ferreira com quatro jogadores à bica, todos eles sabendo que em caso de verem um cartão amarelo não defrontam o Porto no sábado seguinte. Luisão, Maxi Pereira, Javi Garcia e Carlos Martins sabem que, para defrontarem o Porto, precisam de ficar com a folha disciplinar limpa neste jogo.

Face a esta evidente preocupação, que deve Jorge Jesus fazer? Salvaguardar os jogadores de verem o dito cartão e não coloca-los em jogo ou arriscar tudo e apostar em todos eles? Para mim nem é uma questão que se ponha. A sete pontos do Porto, o Benfica sabe que não pode ceder mais terreno para os azuis-e-brancos e por isso deverá apostar, sem medo, no melhor onze para esta noite frente ao Paços. Nem os jogadores em questão se devem, em momento algum, encolher perante a possibilidade de verem um cartão por meterem o pé ao lance. Há outras alternativas para o jogo de dia 6 e não podemos nem devemos subestimar os restantes jogadores do plantel, por isso, sem medo, há que apostar no melhor onze para logo à noite para não perder mais pontos para o Porto e, se possível, conquistar alguns. O jogo mais importante é, obviamente, o próximo.

domingo, 2 de maio de 2010

Benfica sagrou-se hoje campeão nacional



UMA MALA CHEIA DE DINHEIRO, UM GOLO EM FORA-DE-JOGO.

PARABÉNS AO BENFICA, CAMPEÃO 2009/2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

15 minutos à Benfica...

Foram 15 minutos de fazer corar Eusébio e companhia. O Benfica entrou no jogo com o pensamento no primeiro lugar e em praticamente 15 minutos arrumou a questão. Depois do empate do Braga no dia anterior, a vitória deixava o Benfica isolado na frente com mais 3 pontos que os bracarenses. Numa equipa com um meio-campo praticamente de recurso, face às ausências de Javi Garcia, Ramires e Aimar, foram precisamente os seus substitutos a rubricarem exibições magistrais: Rúben Amorim foi enorme, o melhor em campo, claramente; Carlos Martins está com a corda toda; Airton parece ter 30 anos e uma carreira recheada de experiência, penso que ninguém diria que tem apenas 19 anos e acabou de chegar ao clube. Quando os habituais suplentes são desta qualidade, a equipa tem todas as condições para chegar mais longe. A alegria está na Luz.

O Benfica, como disse, entrou de rompante no jogo, disposto a cortar pela raiz todos os problemas que a equipa de capital do móvel poderia criar, nomeadamente aquele problema que o seu treinador é perito: simulação de lesões. Até ao primeiro golo encarnado, aos 13
minutos, já por duas vezes tinha havido teatro. Mas quando a qualidade do espectáculo e dos executantes é aquela que se viu, não há hipóteses.

Logo aos 13 minutos, dizia, Rúben Amorim conclui de cabeça após assistência de Cardozo, aproveitando a saída extemporânea do guarda-redes Coelho. Quatro minutos mais tarde, Saviola faz gato-sapato do defesa pacense (o mesmo que anos antes tinha levado um Cuppino de Miccoli) e cara-a-cara com o guarda-redes Coelho, foi El Conejo do Benfica quem levou a melhor, fuzilando as redes. Quem entra em campo desta maneira, marcando dois golos após umas boas 3 oportunidades de perigo, é melhor. E isto vê-se não de hoje, não de ontem, mas desde a primeira jornada. E isso é o mais impressionante.

Di Maria insistia em espalhar o terror na defesa amarela. O caos era total. Manuel José, defesa direito que teve a ingrata tarefa de marcar o argentino, saiu à passagem da meia-hora com insuficiência renal. Amorim estava em grande do lado direito. Maxi também estava com a corda toda. Coentrão era uma seta apontada ao terço final do meio-campo pacense. Martins, ora com força, ora com classe, desbaratava o meio-campo adversário, cobria a bola e endossava-a com categoria. Cardozo tratou de me dar razão no meu último post. O Benfica jogava rápido, bonito e eficaz.


Foi uma primeira parte brilhante, manchada no entanto pelo golo desnecessariamente sofrido: numa jogada em que David Luiz resolveu fazer turismo ao meio-campo, deixando a defesa a descoberto, Maykon, com o seu pé esquerdo, um dos mais interessantes desta Liga, colocou a bola redondinha na cabeça do ponta-de-lança William, que entre Coentrão e Airton, que não compensou na perfeição a subida de David Luiz, bateu Quim que ficou, mais uma vez, a meio caminho. O Paços que pouco ou nada tinha feito no primeiro tempo acabou por concretizar um golo imerecido que lhe permitia aspirar a um resultado positivo.

No segundo tempo, e apesar de o Paços tentar equilibrar o jogo, o Benfica continuou muito superior. Primeiro foi Amorim quem tentou a sua sorte num remate muito forte para boa defesa de Coelho; depois foi a vez de Di Maria, após uma finta, de enviar a bola à barra; por fim Cardozo, cujo remate foi desviado por um adversário, tocou na barra e entrou na baliza, com sorte, a sorte dos audazes.

A partir daqui pensei que pudesse surgir o rolo compressor de Jesus em termos de resultados, mas não. Ficou-se pelo rolo compressor de grandes exibições. Maxi, Luisão, Sidnei, Di Maria, Cardozo, quase todos tiveram a sua oportunidade para marcar. De salientar ainda o regresso de Sidnei à competição, ele que não actuava desde Dezembro último, salvo erro, contra o Olhanense. Felipe Menezes também jogou e continua "sem me convencer minimamente", um belo eufemismo, sem dúvida. Peixoto, talvez o jogador mais underrated deste plantel, em pouco menos de 10 minutos, demonstrou que é, actualmente, o melhor defesa esquerdo português (percebeste a dica, Queiroz?).

Parabéns ao Benfica e ao árbitro, pois ambos trouxeram a lição bem estudada. Os encarnados fizeram o que lhes competia e o juiz portuense também. Permitiu que Di Maria fosse o saco de pancada, provocou-o e admoestou-o com a cartolina amarela, ficando à bica para o próximo encontro, tal como Luisão e Saviola, ou seja, se algum destes três jogadores vir o cartão amarelo não defrontará o Braga. Coincidências.

3 golos marcados, 3 pontos de avanço sobre o Braga e uma data deles sobre os outros dois que se dizem grandes. Se mantivermos esta vantagem pontual até ao encontro com o Braga e se aí a ampliarmos para os devidos seis pontos, penso que estará tudo acabado. Venha o Marselha e as grandes noites europeias de novo na Luz, esta com um cheirinho a passado.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Ozeia também acha que o Benfica é levado ao colo

Já que temos tantos leitores adeptos do clube assumidamente corrupto, é para eles, e também para os adeptos que querem a verdade desportiva (os que vestem de vermelho e branco) este post. Pela amostra de arbitragem que assisti no jogo entre o porto e o Paços de Ferreira, cada vez mais acredito nas afirmações de pinto da costa quando dizia que iria dedicar o título a pedroto. Afinal de contas, se é o homem, ou rato, se preferirem, que define a classificação final da Liga dos últimos anos a afirmar tal coisa, por que não devemos acreditar?!

A agressão de Bruno Alves logo aos 10 minutos passou impune, Filipe Anunciação foi agredido por Falcao e nada aconteceu, Belluschi agride um adversário, Ozeia, defesa central dos pacenses, foi convenientemente expulso num lance em que joga a bola com o peito quando tem os braços bem para trás do tronco, estando o árbitro em perfeita posição para a análise (nada que se compare com o lance do Lucílio!) e o golo do Porto, para finalizar, é irregular, sendo obtido com a mão. Quando pinto da costa afirmava que ia dedicar o título a pedroto, devia saber do que falava. Eis a amostra.

P.S. Também é engraçado verificar que no suposto golo mal anulado ao Falcao, quando a linha de fora-de-jogo é traçada, o passe ainda não foi feito. Estes pormenores fazem a diferença.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Lá vai o Benfica

Depois do desaire grego na Liga Europa, o Benfica, de regresso à Liga Sagres, competição que parece ser a primeira aposta de Jorge Jesus, não vacilou e derrotou o Paços de Ferreira por 1-3, num dos redutos tradicionalmente mais complicados, numa partida que misturou garra, categoria e... sofrimento, mantendo rédia curta ao líder Sporting de Braga, mantendo o Porto e 3 pontos e deixando para trás o Sporting, já a 8.

Os benfiquistas, como é seu apanágio, deslocaram-se em força à capital do móvel para apoiar o seu clube. Desfalcados de Maxi Pereira, Di Maria e Pablo Aimar, o Benfica não se ressentiu, até porque este ano a segunda linha de jogadores é de qualidade indiscutível. Ter no banco Amorim, Coentrão e Carlos Martins é um luxo, sendo que em qualquer equipa da Liga Sagres estes jogadores seriam titulares de caras.

Os receios, se haviam, de uma exibição igual à de Atenas morreram cedo, logo aos 3 minutos, quando David Luiz cabeceou para golo a bola cruzada de Carlos Martins. O Paços reagiu, tentando, quase sempre em contra-ataque, criar perigo pelas alas. Alguns remates, quase todos fora do alvo, não serviram para pôr o Benfica em sentido, que rapidamente voltou ao ataque, desta vez por Saviola, que serviu Martins, para este, a uns 35 metros da baliza, estoirar para golo, o segundo, aquele que quase dava tranquilidade. Em 22 minutos, o Benfica parecia ter resolvido o jogo. Ainda assim, não satisfeita, a turma de Jorge Jesus voltou a carregar no acelerador, e numa falta sobre Saviola, que até poderia ter dado cartão vermelho directo ao defesa pacense, Óscar Cardozo, num livre soberbo, faz um golo de bandeira, de levantar qualquer estádio. Estava feito o terceiro e assim íamos para intervalo.

Se há coisa que me deixa pouco contente é o facto de os jogadores do Benfica festejarem pouco os golos que marcam. Cardozo, por exemplo. Fica contente, claro, mas devia ser mais exuberante, como Carlos Martins, ou Filippo Inzaghi, do AC Milan. Outra coisa que não me deixa contente foi a forma como a equipa entrou e jogou no segundo tempo. Sim, a vitória estava garantida, os jogadores estavam cansados, é verdade. Mas o Benfica da segunda parte foi uma nulidade em termos ofensivos. Lembro-me de um remate apenas, de Shaffer, que saiu por cima da baliza de Cássio. Os castores fizeram pela vida e chegarem mesmo ao golo de honra, merecido, após alguma sorte, pois Amorim escorrega nesse lance, possibilitando a Maykon o golo. Cristiano ainda tentou dar um ar de sua graça (bom jogador para equipa com ambições à Liga Europa, mas não para um grande), mas Quim travou o seu remate. Por falar no nosso guarda-redes, ele foi mesmo um dos melhores em campo, apesar do pouco trabalho que teve. Destaco-o até porque voltou a um terreno que lhe foi difícil no ano passado, numa exibição para esquecer. Carlos Martins também esteve muito bem para quem regressou de uma lesão prolongada, e Saviola merece destaque. Até final, poucas chances de perigo, num jogo que teve o Benfica como justo vencedor, após golos de grande penalidade (mais 3) de David Luiz, de cabeça, Martins e Cardozo. Chorem agora.

domingo, 31 de maio de 2009

Povinho de m*rda

É o que aqueles adeptos do fóculporto são. Como sabem, já deixei aqui bem expresso no blog que não apoio a selecção nacional, mas isso não me dá direito de assobiar o hino nacional. Isso já é do domínio da falta de respeito. Mas o que é "respeito" para aquela gentinha?

Eu até pedia um very-light gigante ali para aquela bancada onde estão aquelas bestas...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Palhaços de Ferreira

Quando o Benfica entrou no Estádio da Luz, já sabia da espinhosa tarefa que o esperava: agora, com o início da segunda volta, qualquer equipa que nos visite abaixo do 12º lugar não vem para jogar à bola. Apenas vem para destruir lances, fazer anti-jogo, ou seja, tudo aquilo que o futebol não deve ser. Ainda por cima quando o adversário é o Pa(lha)ços de Ferreira. Nestes casos, a paciência deve ser muita, tanto por parte dos jogadores como por parte dos adeptos. E aí, fomos pacientes, logo, conseguimos ganhar.

Quique Flores fez algumas mexidas em relação ao onze apresentado frente ao FC Porto. Retirou Maxi Pereira devido ao 5º cartão amarelo visto no último jogo e iniciou a partida com David Luiz à direita e Jorge Ribeiro no lado esquerdo. Se o brasileiro cumpriu e foi, para mim, dos melhores em campo, já o internacional português esteve muitos furos abaixo daquilo que sabe e pode dar. No meio campo, mais novidades: Yebda, em risco de exclusão foi preterido, ocupando o seu lugar Carlos Martins. No ataque, Cardozo rendeu o cansado Suazo, outro jogador poupado para o jogo de Alvalade. Eis a prova de como a rotação é possível sem perder qualidade. Só de pensar e ver que no banco tinhamos Nuno Gomes, Miguel Vítor e Di Maria, entre outros, dá para verificar que existe um melhor plantel esta época que em 2007/2008.

De salientar apenas o facto de a equipa ter descido drasticamente os seus níveis de concentração quando se apanhou com uma vantagem de dois golos no marcador. É algo inadmissível, ainda para mais quando é frente ao Paços. Este tipo de relaxamento pode ser fatal é nós já sabemos que, por vezes, para além dos árbitros, os nossos maiores inimigos somos nós mesmos. Por isso, concentração e cabeça para o jogo em Alvalade.

P.S. Espero que o Paços desça. São anos a mais na nossa Liga a viver que nem sanguessugas à custa do Benfica e de outros. Sempre que jogam com o Benfica, é o que se vê. Sempre que jogam com os amigos, a história já é outra.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Paulo Bento, não sejas burro!

Querido Paulo Bento, como sabes nutro por ti uma enorme admiração. O teu domínio da língua portuguesa é tão bom como o teu domínio sobre o balneário do Sporting, mas hoje, peço-te que não sejas burro e combina o resultado com o treinador do Paços de Ferreira. Assim 1-2, 'tás a ver? É que com este resultado, apuras-te em primeiro, o Paços também se apura e o Porto vai às urtigas. Percebeste?

Saudações Benfiquistas,

JNF

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sofrer, Sofrer, Sofrer

Como dizia Venceslau Fernandes, ex-ciclista e pai da triatleta Vanessa Fernandes, é "sofrer, sofrer, sofrer até ao fim!". E assim foi. O Benfica sofreu do princípio ao fim para conseguir três preciosos pontos na Mata Real, colando-se assim ao FC Porto no sexto lugar da Liga Sagres.

Num jogo em que ambas as equipas procuravam a primeira vitória na Liga, foi o Benfica que entrou melhor apesar de o Paços ter "apertado" com os encarnados nos primeiros instantes. Após excelente jogada de Reyes, Nuno Gomes responde ao cruzamento do extremo espanhol com um remate certeiro para o fundo das redes pacenses. À semelhança do encontro de quinta-feira, o Benfica adiantava-se cedo.



Mas, também à semelhança do embate para a UEFA, o Benfica voltou a deixar-se empatar: após deficiente alívio de Reyes, o central brasileiro Ozeia marca golo com a bola a ser desviada em Sidnei. Aí, percebendo-se do perigo e de alguma aflição da defesa encarnada, os castores carregaram e por algumas vezes estiveram perto de imitar o Nápoles. Mas em vão...

Em vão porque o Benfica não se deixou ir abaixo. Perto da meia hora, e após cruzamento de Ruben Amorim, que rubricou uma exibição serena mas de qualidade, Nuno Gomes (o melhor em campo), cabeceou para grande defesa de Bruno Conceição, mas eis que, ao segundo poste, Maxi Pereira aparece para devolver-nos a vantagem. Em boa hora.



Depois Cardozo. Após o segundo golo, o avançado paraguaio começou a mostrar serviço. Foram dele as iniciativas, os remates, o esforço, o nó cego que pregou ao lateral-esquerdo pacense e, claro, o golo. De penalty, é certo, mas também vale. Especialmente quando e bem assinalado, como foi o caso. Após cruzamento de Rubén Amorim, Tiago Valente intercepta a bola com o braço direito, que se encontrava bem afastado do tronco. Penalty óbvio. Cardozo, pois claro, não desperdiçou, enviando uma bala para dentro da baliza. 1-3, o jogo parecia ir bem encaminhado.



Na segunda parte o comboio começou a descarrilar: primeiro foi Quim, irreconhecível, que ofereceu o segundo golo a equipa do boné, seguindo-se várias intervenções atabalhoadas do keeper encarnado bem como um "treme-treme" da nossa defesa composta por Sidnei e Miguel Vitor, que, apesar de novos, cumpriram e bem os seus papéis.

Bola cá, bola lá, o jogo até parecia do campeonato inglês: golos, emoção e... um futebol feio. Sim, porque muitos golos não significa que tenha sido um jogo bom ou bonito. Bonito sim foi o golaço de Jorge Ribeiro, que festejou e, melhor ainda, foi aplaudido pelos adeptos benfiquistas. Fico contente pelo irmão de Maniche. Apesar dos erros do passado, por mim está perdoado. Não esqueço, mas está perdoado.



Tempo ainda para o Paços marcar o terceiro e fazer-nos sofrer mais um bocadinho. A partir daí foram 10 minutos que passaram vagarosamente. A bola estava quase sempre no nosso meio-campo e os do norte ainda tiveram duas boas oportunidades de marcar. Ironia foi que, após uma noite tão difícil, tenha sido Quim quem segurou esta vitória no último minuto. Três pontos merecidos, primeira vitória no campeonato, e cabeça no derby do próximo sábado. É isso que vos peço.

Quique Flores não esteve bem nas substituições. Primeiro porque Aimar foi inconsequente. Já o disse aqui e volto a dizer: Pablo Aimar não me convence. Não dá tudo em campo, apesar do enorme talento que tem. Deve correr e esforçar-se mais, à semelhança do que Cardozo fez hoje. Depois, a troca de Amorim por Balboa foi um tiro no pé. Inicialmente concordei com a entrada do guineense, mas preferia a saída de Carlos Martins, que esava visivelmente desgastado. Assim, passaria Amorim para o centro, o que daria mais estabilidade defensiva ao meio-campo. Mas o que interessa são os três pontos e esses ninguém nos tira.

Tenho ainda de destacar a boa arbitragem de Bruno Paixão: poucos erros, esteve sempre bem nos lances duvidosos. Bem ao assinalar o penalty e ao não expulsar Nuno Gomes bem como bem na análise do lance que dá origem ao segundo golo do Paços de Ferreira. É dos árbitros que considero como dos mais incompetentes, mas hoje, esteve bem.

Próximo jogo, Sporting. Aqui sim, poderemos ver de que massa é feito este Benfica. Este é, para mim, O derby. É o Benfica-Sporting, o clássico dos clássicos. Casa cheia no sábado poderá ser meio-a-zero a favor do Benfica quando entrar em campo. Eu lá estarei.

Ficha de jogo

Liga Sagres - 3ª jornada
Estádio da Mata Real, Paços de Ferreira
Árbitro: Bruno Paixão (AF Setúbal)
Assistência: Cerca de 4 000 espectadores

SL Benfica

Quim; Maxi Pereira, Miguel Vítor, Sideni e Jorge Ribeiro; Yebda, Carlos Martins, Rúben Amorim (Balboa, 77 min) e Reyes (Di Maria, 89 min); Nuno Gomes (cap.) (Aimar, 68 min) e Cardozo
Suplentes não utilizados: Moreira, Léo, Makukula e Bynia
Treinador: Quique Flores

Paços de Ferreira FC

Bruno Conceição; Ricardo, Ozéia, Tiago Valente (Rui Miguel, 46 m) e Chico Silva; Filipe Anunciação (Cristiano, 70 min), Paulo Sousa, Pedrinha e William; Edson (Filipe Gonçalves, 79 min) e Leandro Tatu.
Suplentes não utilizados: Coelho, Josa, Kiko e André Pinto.
Treinador: Paulo Sérgio

Disciplina: cartão amarelo a Tiago Valente (42 min), Filipe Anunciação (54 min) e Rui Miguel (62 min); Maxi Pereira, Nuno Gomes (57 min) e Quim (90 min)

Marcadores: 0-1 por Nuno Gomes (6 min), 1-1 por Ozéia (13 min), 1-2 por Maxi Pereira (30 min), 1-3 por Cardozo (g.p.) (43 min), 2-3 por Rui Migel (63 min), 2-4 por Jorge Ribeiro (74 min), 3-4 por William (85 min)

Melhor em campo: Nuno Gomes (SL Benfica)

segunda-feira, 31 de março de 2008

Música, Maestro!

Este Benfica é Rui Costa. Também há o Léo, o Rodríguez, o Luisão e mais uns quantos, mas, maioritariamente, este Benfica é Rui Costa. E se alguém tinha dúvidas disso, ontem dissipou-as.

O Benfica entrava em campo com o único objectivo de vencer para segurar o segundo lugar perdido para o Vitória, na sexta-feira passada. Já o Paços de Ferreira também precisava desesperadamente de pontos para se manter na principal liga de futebol (ou, por outras palavras, para que o Benfica lhes pague dois meses de ordenados com a deslocação anual à capital do móvel).



Assim sendo, para assegurar que conseguia o seu objectivo, Chalana voltou a 4x4x2 depois do 4x2x3x1 utilizado na Madeira: Cardozo e Nuno Gomes jogaram ambos fixos no eixo de ataque e Rodríguez e Maxi Pereira foram trocando constantemente de posições, aparecendo ora à esquerda, ora à direita. O Paços, por seu lado, estranhamente não ofereceu grande resistência (o Elmano, tal como eu havia alertado aqui neste blog num post anterior, é mais perigoso) nomeadamente nas faixas laterais, onde Léo e Nélson subiram quase sempre muito bem, apesar do luso-cabo-verdiano ter começado algo inconstante e provocador para os adeptos. Como o ritmo de jogo impoto pelo Benfica foi elevado, não foi de todo surpreendente o golo (e que golo!) de Cristian Rodríguez, à passagem dos 25 minutos. A partir daí, o Benfica continuou a pressionar, asfixiando os homens do norte. O resultado parecia caminhar para a goleada, não fosse o protagonista da noite, Elmano Santos, aparecer. Um penalty perfeitamente inexistente que fez com que os pacenses voltassem a restabelecer a igualdade no marcador, com toda a injustiça.





Na segunda parte, o Benfica continuou a carregar, sempre com Rui Cota muito activo, tendo feito uma exibição praticamente perfeita. Na necessidade de buscar o golo, Chalana colocou (e bem), Di Maria no jogo para o lugar do sempre apagado Maxi. O golo acabou por chegar num lance de felicidade, em que Cardozo acaba por ver o seu remate desviado por um defesa pacense. Estava feito o 2-1. A partir daí, o Paços teve de reagir e abrir mais espaços na sua defesa, propiciando mais ocasiões de golo aos encarnados, ocasiões essas que foram bem aproveitadas por Rui Costa aos 75 e depois aos 85 minutos. Resultado final de 4-1, mais do que merecido para um Paços medroso e defensivo e para um Benfica corajoso e valente.





P.S. Pena a hora do jogo a um domingo e também a fraca adesão às bancadas do estádio. Uma assistência muito fraquinha mesmo, quase à la Sporting. Fomos poucos, mas fomos muito bons.

Ficha de jogo

Bwin Liga - 24ª jornada
Estádio da Luz, Lisboa
Assistência: 23 722 espectadores
Árbitro: Elmano Santos (AF Madeira)

SL Benfica

Quim; Nélson, Katsouranis, Edcarlos e Léo; Petit, Rui Costa, Maxi Pereira (Di Maria, 59min) e Rodríguez; Nuno Gomes (cap.) (Mantorras, 79 min) e Cardozo (Bynia, 86 min)
Suplentes não utilizados: Butt, Luis Filipe, Sepsi e Makukula
Treinador: Fernando Chalana

FC Paços de Ferreira

Peçanha; Mangualde, Rovérsio, Kiko e Chico Silva; Filipe Anunciação, Paulo Sousa, Pedrinha (cap.) e Wesley (Ricardinho, 71 min); Cristiano (Edson, 62 min) e William (Renato Queiroz, 82 min)
Suplentes não utilizados: Pedro, Tiago Valente, Luiz Carlos e Ferreira
Treinador: José Mota

Disciplina: cartão amarelo a Edcarlos (15 min), Rui Costa (41 min), Nuno Gomes (42 min); William (29 min), Wesley (33 min), Filipe Anunciação (54 min) e Mangualde (63 min)

Marcador: 1-0 por Rodríguez (24 min), 1-1 por Wesley (g.p.) (43 min), 2-1 por Cardozo (69 min), 3-1 por Rui Costa (74 min), 4-1 por Rui Costa (85 min)

Melhor em campo: Rui Costa (SL Benfica)

domingo, 4 de novembro de 2007

Estrelinha de Campeão!

Mata Real...
Sábado, 3 de Novembro - Jogo muito complicado em perspectiva, com um Benfica motivado pela perda de pontos do focúlporto no dia anterior, e um Paços de Ferreira de José Mota, desejoso de comer a relva contra o Maior!

Camacho, depois da eliminação da Taça da Liga, pode-se dizer que voltou a inventar, colocando Luis Filipe em campo (como é possivel este rapaz ser titular numa equipa do Glorioso?), Maxi Pereira a extremo direito e Nuno Assis a fazer de 2ºPonta-de-Lança. Destaque-se ainda o regresso de Quim à baliza. O resultado de tudo isto foi um futebol atabalhoado, onde vontade não faltou, mas a falta de inspiração na maioria dos casos e a falta de talento noutros impediu assistirmos a um jogo melhorzinho!

Apesar de tudo, o Benfica entrou bem melhor, chegando justamente ao golo aos 21 minutos na sequência dum livre lateral, num caeceamento de belissimo recorte técnico de Crístian Rodriguez (Sr. Le Guen, não nos quer arranjar um destes para a direita, já agora?) a dizer sim a uma bola milimétrica de Rui Costa. 1-0 para o Benfica e vamos lá tratar de sofrer um golo à amadores...Bola na direita, Assis defende com os olhos, cruzamento rasteiro e atrasado, Luis Filipe defende com os olhos, remate fraco ao meio da baliza e golo...Um daqueles golos à Playstation. Inadmissivel.
Um igual ao intervalo, resultado justo pelo que as duas equipas tinham feito.

No segundo tempo, manteve-se a toada, apesar da notória vontade dos encarnados se chegarem à frente, as pernas não queriam correr, e a cabeça voava para Glasgow; do lado dos pacenses do Zé do Boné, a Champions deles era mesmo contra o SLB.
Pouca história, muitas faltinhas de Bruno Paixão...Muita lenha de Binya...Muita palermice e facciosismo da dupla de paineleiros que comentaram o jogo...E eis que chegamos ao minuto 86:
Talismã Adu já em campo, Di Maria e Nuno Gomes também, Benfica no tudo por tudo, e Léo claramente a sofrer obstrução no lado direito da defesa do Paços...O Amigo do Valdemar a adivinhar o pior (para si) berra "Não, não, não!", "Léo cava a falta"..."Blá Blá Whiskas Saquetas" e olha Golo de Katsouranis depois de defesa incompleta de Peçanha.

Estava feito o 2-1. O Senhor Valdemar espuma-se todo e fala de erros de arbitragem nesta semana (o mesmo do "Olho de Lince de Paixão", aquando de mergulho perfeito de avançado pacense à entrada da área que resultou em livre perigosissimo para a baliza de Quim), o seu colega de posto toma um Renniezito e mantém-se em silêncio...O Paços dispara à barra "Ai que Azar" e pronto!

Sem jogar bem.
Sem deslumbrar.
Vencemos. Com estrelinha de campeão...E sem golos 2 metros fora de jogo!
Para alegria de muitos e azia de alguns.

Saudações Encarnadas