José Rodrigues dos Santos é um bom jornalista e um excelente pivô televisivo. Mas só quando quer. Ontem despiu uma vez mais o fato de bom jornalista (como costuma fazer nas notícias relacionadas com a GFK) e adoptou a posição de apoiante de Luís Filipe Vieira atacando a torto e a direito, sem qualquer motivo para tal, Rui Rangel.
Do ambiente de quase subserviência com tratamento por "tu" e dos sorrisinhos para com Moniz, José Rodrigues dos Santos passou ao ataque ao candidato que promete devolver o Benfica aos benfiquistas. Mal Rangel começou a falar em "títulos", Rodrigues dos Santos cortou a conversa e adoptou o discurso de Vieira relativamente a Vale e Azevedo, presidente que deixou de o ser já vai para 12 anos, tendo referido uns "8 em Vigo" que não sei ainda hoje do que se trata, uns quartos-de-final da Champions, um feito tão inalcançável que se calhar nem Damásio com Artur Jorge ao leme conseguiu (ou espera, se calhar conseguiu) e ainda lançou a parvoíce de argumento de que Rangel tem na lista pessoas que pertenceram à direcção de Vale e Azevedo, como se isso fosse um atestado de incompetência ou falta de benfiquismo (situação curiosa até porque Vieira teve na sua lista membros da antiga direcção de Vale, como João Braz Frade, por exemplo).
Do ponto de vista das respostas dadas, destaca-se a postura, a tranquilidade e a honestidade evidenciadas apesar dos sucessivos ataques, de conteúdo e sobretudo de estilo, de que foi alvo. Quando questionado sobre as mudanças, Rangel não embarcou num discurso oco e populista, tão habitual noutros candidatos, e afirmou que é preciso estudar os dossiers que não são do seu conhecimento por não serem públicos. Assumiu a necessidade evidente de "emagrecer o plantel", referindo um excesso brutal de jogadores com vínculo ao Benfica, necessidade igualmente avançada meses antes pelo actual presidente mas que, como se sabe, não foi posta em prática de forma alguma. Elogiou ainda algum trabalho bem feito pela actual direcção, evitando entrar pelo caminho da crítica fácil e destrutiva e contornou muito bem o ataque do jornalista recordando que a primeira figura e o primeiro responsável pela recuperação do Benfica foi Manuel Vilarinho, chamando a atenção para o facto de ter na sua lista pessoas que estiveram presentes nos órgãos sociais da lista que venceu as eleições de 2000. O único ponto onde esteve menos bem foi no tema "Ribeiro e Castro", onde foi apanhado de surpresa pelas declarações do seu mandatário algumas semanas antes. Ainda assim, com a classe e tranquilidade que o caracterizam, Rui Rangel soube dar a volta ao texto. E, digo eu, oxalá haja mais "Ribeiros e Castros": gente que há semanas pensava em votar Vieira e que vote agora em Rangel.
Gostei do que vi, tanto na forma como pelo conteúdo. Rangel parece estar minimamente bem preparado, tem uma equipa de qualidade à sua volta, tem um projecto e representa, para mim, os ideais do Benfica. É um senhor, um gentleman, um presidente à Benfica e que o Benfica merece. Jorge de Brito, o último presidente à Benfica, estaria contente por ver alguém como Rangel ir à luta.










