Muito se fala sobre o Benfica nos três grandes diários desportivos nacionais. A Bola, Record e O Jogo são três jornais bem distintos, com linhas editoriais bem marcadas e definidas, mas será que sabemos realmente como são os jornais? Sim, porque quando criticamos jornal A, B ou C, sabemos do que falamos? Compramos esses jornais?
Há uns tempos, numa caixa de comentários de um
post do Eterno Benfica, o nosso leitor Bruno Venâncio alertou-nos para o facto de o jornal O Jogo não ser aquilo que eu próprio e vários outros leitores pensávamos ser. Com base neste comentário, tenho comprado, nas últimas semanas, os vários jornais desportivos alternadamente: umas vezes Record, outras O Jogo e noutras ainda A Bola. Comparando-os, tenho de dizer o seguinte:

A Bola: Foi o jornal que sempre compraram em minha casa, além do Expresso, para ler, regra geral apenas aos fins-de-semana, desde pequenino. Era, e ainda é, o meu jornal favorito, dos 3 grandes. É claramente um jornal virado para o Benfica, a linha editorial é encarnada, as crónicas não são totalmente isentas e isso faz com que eu goste tanto deste jornal, apesar de admitir que não é de "bom jornalismo e profissionalismo" algumas opiniões supostamente isentas que já li. Em termos de qualidade de escrita, para mim, é de longe melhor que qualquer um dos outros. Tem jornalistas cujos textos são de óptima qualidade como José Manuel Delgado, dono de um grande poder de isenção (hehehe...), Fernando Guerra, João Bonzinho, entre outros. Gosto também de colunistas como Leonor Pinhão, Fernando Seara, mas também leio os textos de MST, Rui Moreira e Eduardo Barroso, apesar não gostar dos clubes que defendem. Em termos de cor e organização também acho que é o melhor dos 3 grandes: A Bola ao Centro é sempre agradável de ler, conhecendo outras histórias muito interessantes e a forma como se dispõem as várias secções é lógica, com sentido e abrangente, lendo-se notícias de futebol internacional e muitas outras modalidades. Funcionalmente, o
site deste jornal tem evoluído muito bem nos últimos meses/anos tendo inclusivé apanhado, em termos de qualidade, o do Record. Apesar de começar a tornar-se ligeiramente sensacionalista, especialmente nas capas, continua a ser o meu jornal favorito.

Record: Abomino-o. Às vezes, quando não há A Bola, chego a compra-lo mas quase sempre contra a minha vontade. O tipo de letra é mau, a história/estória do acordo ortográfico irrita-me, não posso ver escrito "ação" ou "fatos". Odeio o facto de se virem gabar em primeira página de que acertaram em determinada contratação de um jogador quando os outros diários diziam o contrário, numa atitude de criança ridícula. Pelos vistos, nem benfiquistas, sportinguistas ou portistas gostam, mas que aquilo vende, vende efectivamente. Está cada vez mais sensacionalista, além de ser frequente, demasiado frequente, encontrar gralhas nas suas páginas. As fotografias estão a anos-luz das d' A Bola e d' O Jogo. Como pontos positivos temos João Gobern e, antigamente, Rui Cartaxna. Acho inconcebível um jornal incluir um tal de Eugénio Queiroz a escrever artigos que supostamente não são de opinião pessoal. O site era, até há bem pouco tempo, o melhor de todos, apesar de ter sido suplantado pelo d' ABola.

O Jogo: Os preconceitos para com este jornal eram, da minha parte, mais que muitos. A última vez que o tinha comprado foi na véspera do Portugal - Grécia de abertura do Euro-2004, por isso estão a ver aos anos que eu não comprava esse jornal. A ideia generalizada é a de que é um diário pró-Porto, algo que, pelo menos na edição de Lisboa, não é verdade. A Norte sabemos como as coisas funcionam, mas aqui no Sul não é bem assim. É óbvio que o dono do jornal é quem nós sabemos, que quem comenta as arbitragens é o idiota do Coroado, mas a minha opinião sobre O Jogo era bem pior do que aquela com que fiquei agora, especialmente pela qualidade dos artigos: são bons, bem redigidos, tendo fotografias com qualidade. Continuo a achar o jornal muito sombrio e as poucas cores que tem, são muito monótonas. O
site continua pré-histórico. O problema são mesmo as edições no norte do país, onde podemos ver exemplos como o de acima.