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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Dois meses para Luisão

A decisão é tardia mas não deixa de ser a esperada. Luisão será castigado por dois meses, durante os quais não poderá disputar as provas nacionais mas poderá, em princípio, jogar os encontros europeus. Sinceramente, acho que a suspensão é merecida e o tempo da mesma é igualmente bem ajuizado tendo em conta o que se aplicou em casos similares no passado (vide João Vieira Pinto na Coreia do Sul). Não podemos querer justiça no futebol português e, ao mesmo tempo, fechar os olhos ao que fazemos. Temos é que lutar para que outras situações, bastante mais graves que esta, sejam igualmente julgadas e com penas exemplares. Falo de depósitos em contas de árbitros, incêndios em estádios, agressões a bombeiros, corrupção activa e passiva, envolvimento de prostitutas como forma de pagamento a árbitros, etc. E ainda relativamente a este caso, fico a aguardar pela merecida suspensão do árbitro, que foi co-responsável pela triste cena de Dusseldorf, onde fingiu um desmaio e mentiu propositadamente quanto ao seu estado de saúde. Entendo que o Benfica proteste a decisão e que recorra, aliás, é esse o papel dos dirigentes, mas a suspensão de Luisão é justa. Se conseguirem a diminuição da pena, o mérito será deles.

O capitão do Benfica é uma figura influente e importante tanto no balneário encarnado como dentro do campo, mas não é insubstituível nem a sua suspensão deverá prejudicar grandemente o sucesso do Benfica dentro das quatro linhas. Miguel Vítor e Jardel são jogadores que seriam titulares em qualquer equipa da Liga com excepção de Porto e Sporting. Em termos de qualidade, apesar de serem inferiores a Luisão, cumprem os requisitos para serem titulares durante os dois próximos meses. Confio plenamente nos dois atletas para suprirem a ausência do capitão.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Preparar 2012/2013 - Defesas centrais

É no eixo da defesa que estão algumas das nossas maiores valias. Ainda assim, sofremos muitos golos esta época. Já ilibámos Artur de responsabilidades, será que os centrais serão isentados de culpa? Também, a meu ver. Não foi por eles, pelos jogadores, individualmente, que sofremos a quantidade absurda de golos que sofremos. O Benfica falhou no colectivo, especialmente na transição ataque-defesa, onde a culpa é do treinador. Mas sobre Jesus falaremos mais tarde. Por agora, os defesas.

Luisão - Não foi uma das melhores épocas do actual capitão ao serviço do Benfica. Ainda assim, Luisão esteve em bom plano. Continua a ser peça chave no que ao jogo jogado diz respeito, apesar de eu duvidar das suas capacidades para ser capitão. Penso que o Benfica deveria fazer um esforço para o manter Luisão, e por fazer um esforço, entenda-se sentar-se à mesa e falar, mas sem subir o chorudo salário que aufere. Se voltar com as habituais birrinhas de pré-época, porta da rua é serventia da casa. Gosto muito do Luisão dentro de campo, mas fora deste toma atitudes que a um Amorim ou Perez não seriam toleradas, com a agravante de as considerações que tece serem acerca do clube e não de uma pessoa em particular. E usa a braçadeira.

Ezequiel Garay - Tem qualidade para voos muito mais altos que a Liga Portuguesa. Não deslumbra por nenhuma característica em particular, não é exuberante, e é pela sua tranquilidade e classe que se evidencia. Corte e posicionamento são os seus melhores atributos. Parece um daqueles centrais talhados para jogar em Itália. Vamos ver o que o futuro lhe reserva. Por mim, continuava no Benfica, mas vai ser difícil segurá-lo.

Jardel - Não é tão bom quanto queríamos nem tão mau quanto se diz. Jardel é um jogador regular, mas não está à altura de ser o terceiro central que precisamos. Ainda assim, é um jogador que não levanta ondas pela sua condição de suplente ou não convocado. Está à vontade com o papel que lhe dão, sem se acomodar ao cargo. É para continuar.

Miguel Vítor - o incompreendido. A meu ver, Miguel Vítor, pela sua qualidade, seria titular em qualquer equipa da primeira divisão, excepção feita ao Benfica. E na Luz, deveria ser encarado como terceiro central, nunca como quarta opção. Jesus tomou a opção errada ao conceder a titularidade a Jardel. Apesar de ser mais baixo que o colega de sector, Miguel Vítor é melhor em tudo o resto, com a particular virtude de ser um jogador extremamente concentrado no que ao jogo diz respeito. Lembram-se de falhas graves de Miguel Vítor? Uma, contra o AEK. Evidencia uma regularidade impressionante desde que começou a jogar e merecia ser titular mais vezes. A rever.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Os homens não se medem aos palmos

Nem os defesas centrais, que são "humanos como as pessoas". Se Jardel não tem estado tão mal quanto pensava que poderia estar, a verdade é que podemos ter o "bom" em vez do "suficiente". Mas só se Jesus quiser. Miguel Vítor, com pouco mais de 200 minutos em jogos oficiais esta temporada, fez uma enorme exibição contra o Braga (aquele corte no início da segunda parte... fantástico!) e provou aquilo que muitos benfiquistas vêm dizendo e que Jesus tem negado com a sucessiva colocação do jovem português como quarto central do plantel.

Muitas vezes surge a questão da altura como um handicap que joga contra Miguel Vítor (1,83m). Sinceramente, não percebo porquê. Nem eu nem estes centrais de top:
  • Franz Beckenbauer: 1,81m
  • Ricardo Carvalho: 1,83m
  • Roberto Ayala: 1,77m
  • Charles Puyol: 1,78m
  • Sérgio Ramos: 1,83m
  • Carlos Gamarra: 1,80m
  • Gabriel Milito: 1,79m
  • Gabriel Heinze: 1,78m
  • Thiago Silva: 1,83m
  • Ivan Ramiro Córdoba: 1,73m
  • Fabio Cannavaro: 1,76m
  • Domenico Criscito: 1,83m
  • Thomas Vermaelen: 1,83m
  • Micah Richards: 1,80m
Se Miguel Vítor tivesse mais oportunidades e a chamada "boa imprensa" que outros jovens centrais portugueses têm, caso de Daniel Carriço, um tronco com pernas sobrevalorizado por ser da Academia do Sporting, a esta hora ou seria titular no Benfica ou já estaria a jogar num bom clube europeu, resultado de uma grande transferência. Não tenho dúvidas de que Miguel Vítor é muito superior a Jardel. Da mesma forma, tenho a certeza que Miguel Vítor é um dos cinco melhores centrais da Liga (superado apenas por Luisão, Garay e Otamendi) e que, já que está tapado por dois excelentes colegas e por uma embirração de Jesus, deve sair para um clube onde possa ser titular e chegar ao patamar que merece.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Futuro (III de III)

Depois da venda de Amorim e da não contratação de nenhum reforço, o que nos espera até final da temporada?

Amorim era o habitual suplente directo de Witsel e de Maxi Pereira, fazia duas posições com relativa facilidade. Sem o camisola 5 no plantel, a vaga de suplente de Maxi fica colmatada por André Almeida e por Miguel Vítor, sendo que o jovem retornado de Leiria será igualmente o suplente directo de Witsel. Até aqui tudo bem. Ou tudo mal. A verdade é que André Almeida não tem qualidade para ser jogador do Benfica e se for chamado à titularidade o mais certo é que dê barraca.

Uma lesão de Witsel arruina esta temporada por completo. Se tal infortúnio vier a acontecer ao belga, encontrar-nos-emos na mesma situação de 2010/2011: sem um pêndulo que equilibre o jogo ofensivo e o defensivo. E as consequências são as que sabemos: nos jogos grandes ou mais importantes, vamos passar por maus bocados. O Benfica deixará de ter capacidade para segurar jogo, para ter a bola no pé e saber descansar com ela em posse. Lembram-se da primeira parte em Eindhoven? Bastou o Peixoto entrar para o meio-campo no segundo tempo para a equipa poder respirar.

Poderá Matic fazer de Witsel no caso de uma eventual lesão do belga? Talvez. Mas a qualidade não será nem de perto nem de longe a mesma. E também estará aquém da oferecida por Amorim.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Segundas linhas

O jogo com o Santa Clara permitiu aos adeptos verem alguns dos jogadores que constituem a chamada "segunda linha" do Sport Lisboa e Benfica. E se houve alguns que surpreenderam pela positiva, ou melhor, não desiludiram, outros houve que demonstraram que nem hoje nem a 30 de Fevereiro estarão prontos para jogar pelo nosso clube. Nest post, analiso alguns jogadores que se destacaram pela positiva e pela negativa nesse encontro:

Eduardo - um bom guarda-redes não precisa de fazer muitas defesas aparatosas. Basta-lhe defender quando é chamado a intervir. É coisa de guarda-redes de clube grande e Eduardo tem isso. Ainda bem. Contra o Santa Clara salvou o Benfica por duas vezes, uma delas simplesmente incrível. Excelente sentido de posição. É claramente o melhor guarda-redes português no Benfica desde Bento.

Jardel/Miguel Vítor - não desiludiram o que é importante. São dois atletas que têm jogado pouco e que se estrearam como dupla pela primeira vez no jogo contra os açoreanos. Não deslumbraram e tiveram allgumas falhas pontuais, mas nada de grave. São dois jogadores importantes para o plantel uma vez que não criam mau ambiente e que correspondem às expectativas quando chamados (Jardel, este ano, esteve bem quando fez dupla com Garay e Miguel Vítor, em anos anteriores, demonstrou o mesmo por várias vezes).

André Almeida - é o lateral da moda de Jesus e é um defesa in: incapaz, incompetente, invulgarmente mau. Não há aqui patinhos feios, o gajo é mau e ponto final, ou precisamos de lhe dar as oprotunidades que o Escalona e o Rojas tiveram para demonstrar a sua valia? André Almeida nunca na vida conseguirá atingir o potencial de Emerson (que como sabem, não é um jogador do meu agrado). Não consegue receber uma bola em condições, não tem pezinhos para defesa e nem consegue fazer um passe de jeito. Por favor não brinquem com o Sport Lisboa e Benfica, reeintegrem o Amorim urgentemente e despachem este "jogador" para Leiria outra vez.

Saviola - A cada jogo que passa fico mais desesperado. O que é isto? 65 minutos em campo e uma jogada digna desse nome. Dá dó ver um jogador da sua qualidade degradar-se desta forma. Nem tem força nas canetas para se manter em pé e fazer um passe com bola corrida. Neste momento deveria ser o terceiro avançado do plantel e duvido que para o ano consiga manter esse estatuto face à previsível explosão de Nélson Oliveira.

Nélson Oliveira - jogo interessante do internacional sub-21 português. Nem sempre muito feliz, fruto da boa organização defensiva dos insulares e do pouco entrosamento dos jogadores encarnados, procurou sempre levar a bola e a equipa para a frente. Não apareceu tão encostado às faixas como Jesus, Ilídio Vale e os treinadores da formação lhe exigiam, jogando mais pelo centro, mas com a mesma capacidade de transportar jogo. O golo acabou por lhe sorrir, justamente, recompensando a boa exibição. Que seja o primeiro de muitos.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Should I stay or should I go?

Já vamos a meio de Janeiro e o mercado está muito parado para os lados da Luz. Ainda bem, digo eu. Se há coisa a que o mercado de Janeiro nos tem habituado é ver péssimos negócios, entre contratações fúteis e vendas disparatadas, por parte do Benfica. No entanto sabemos que, muito provavelmente, vai haver mexidas. Dos jogadores que poderão sair, eis a minha opinião sobre cada um deles e sobre devem ou não sair.

Eduardo: o namoro de Jesus por Eduardo já é antigo. Ainda antes de Roberto chegar ao Benfica, já Jesus queria o guardião do Braga, à altura, no Benfica. Chegou à Luz para representar o seu clube do coração mas na baliza já morava Artur, que tinha impressionado tudo e todos com exibições seguras e de grande qualidade. É actualmente o guarda-redes da Taça da Liga e já expressou o seu desejo em sair para jogar regularmente. Deve o Benfica satisfazer o seu desejo? Não. É um bom guarda-redes e é importante não esquecer que se Artur vir um amarelo na Champions, fica de fora do jogo seguinte. Mais vale prevenir até porque será difícil remediar.
Veredicto: Ficar.

Miguel Vítor: tem jogado menos do que aquilo que se esperava. Actualmente é, aos olhos de Jesus, o quarto central do plantel, mas a primeira hipótese para substituir Maxi quando o uruguaio não pode jogar (visto que Amorim, para já, não conta). Mesmo sabendo do interesse de alguns clubes, uma equipa deve ter sempre quatro centrais com qualidade para substituir um habitual titular com um nível minimamente aceitável. Não podemos abdicar de Miguel Vítor.
Veredicto: Ficar.

Capdevila: O seu valor intrínseco é inquestionável, pelo menos para quem o viu jogar e sabe o que vale. Quem o conhece sabe do seu valor, quem não conhece é melhor não tecer muitos comentários pois arrisca-se a fazer figura de urso ao dizer que é pior que Emerson uma vez que o treinador é que sabe, argumento que legitima todas as decisões de todos os treinadores (incluíndo colocar Beto a titular quando havia Karagounis, lembram-se?). É incomparavelmente melhor que Emerson, devia ser titular de imediato.
Veredicto: Ficar.

Luís Martins: é, no entender de Jesus, o segundo lateral esquerdo do plantel. Está longe de ser melhor que os outros dois colegas de posição e a sua escolha para figurar no banco de suplentes é, a meu ver, uma forma clara de Jesus explicar a Capdevila que "não te posso vêr à frente nem pintado e por isso até convoco este miúdo". Não tem qualidade para ser titular nem suplente neste momento.
Veredicto: Emprestar.

André Almeida: não lhe vejo grande futuro, sinceramente. Do que tinha visto dele ainda no Belenenses e na pré-época no Benfica, parece-me curto tanto a jogar sobre o meio-campo como na lateral direita. Mal estará o Benfica se tiver de recorrer a André Almeida. Actualmente não tem qualidade para estar no plantel e acredito que dificilmente algum dia terá.
Veredicto: Emprestar.

Rúben Amorim: já dei a minha opinião sobre este caso. Amorim tem qualidade mais que suficiente para ser mais utilizado. Não pode, no entanto, ter a atitude que teve mesmo tendo razão (que a tem). Assim não pode ser. Deve ser multado e reintegrado rapidamente. A época ainda vai a meio e vamos seguramente precisar dele. E provavelmente, ele precisa mais de nós do que pensa.
Veredicto: Ficar.

Enzo Pérez: o mesmo se aplica a Enzo Pérez, com a diferença que a atitude do argentino é ainda mais incompreensível. Do Benfica não tem nenhuma razão de queixa, a sua atitude foi lamentável. Deve levar uma multa exemplar, pedir desculpas ao grupo e ser reintegrado o mais depressa possível. Tem qualidade a rodos, é um desperdício não a aproveitarmos.
Veredicto: Ficar.

David Simão: tem muita qualidade e não tem oportunidades. Mesmo sabendo da qualidade das opções de Jesus, David Simão merecia muitos mais minutos que aqueles que tem. Não o digo por ser da formação nem por ser português, mas por ser objectivamente bom. Tem de sair para rodar e voltar ainda melhor.
Veredicto: Emprestar.

Rúben Pinto: Não me lembro de o ver no banco de suplentes uma vez que fosse sequer. No entanto, do que me recordo nas camadas jovens, é um jogador muito interessante e que apresentava um futebol evoluído para a sua idade. Por mim, emprestava-se a uma equipa da Orangina.
Veredicto: Emprestar.

Nélson Oliveira: Nélson já começa a ser uma opção no banco de suplentes e tem entrado pontualmente em campo. Mesmo sem ter muitos minutos na Liga, vai demonstrando o seu valor sempre que chamado. Se por um lado o seu empréstimo seria benéfico para o crescimento do atleta, o Benfica não pode abdicar deste avançado sob pena de ficar sem muitas opções para a frente de ataque. É a chamada faca de dois gumes.
Veredicto: Ficar.

Rodrigo Mora: Pouco ou nada mostrou até aqui. Conheço pouco de Mora e o que mostrou até aqui não me entusiasmou. A verdade é que, olhando a longo prazo, não vejo hipótese nenhuma de vir a ser importante no Benfica. Cardozo está cá e está para durar, felizmente. Rodrigo e Nélson idem, espero. Não terá muitas oportunidades.
Veredicto: Vender.

Javier Saviola: O Saviola de 2010 já não volta, desenganem-se. Perdeu explosão, perdeu velocidade, perdeu força. Mantém o faro de golo e um grande conhecimento do jogo, mas é-lhe cada vez mais difícil executar tecnicamente bem os lances. Tenho alguma dificuldade em compreender o motivo que levou a que se renovasse contrato, a não ser que seja um aliciante para Aimar ficar. No final da época logo se vê o que se faz a este jogador. Por agora...
Veredicto: Ficar.

domingo, 19 de junho de 2011

Miguel Vitor não é opção para Jesus

A pergunta foi feita a Jorge Jesus na recente entrevista que deu ao jornal A Bola. Fica claro pois que Miguel Vitor não entra nas contas do treinador para a próxima época, tal como sempre suspeitei. E confesso que não consigo entender tal opção, pois Miguel Vitor tem valor suficiente para integrar o plantel. Num momento em que faltam opções para a zona central na defesa, a aposta num jogador que já deu no clube provas do seu valor, seria algo normal, mas não é isso que vai acontecer. Tenho pena sinceramente. Ainda para mais quando vejo um Roderick que precisa de crescer como jogador, e um  Jardel que não considero ser superior ao Miguel. Será por não ser tão alto como os outros centrais que não é opção? Ou trata-se apenas de uma mera decisão técnica, não acreditando Jesus que ele possa ser uma mais valia? Seja como for, não consigo entender.

terça-feira, 15 de março de 2011

Miguel Vítor vs. Roderick Miranda

Miguel Vítor e Roderick Miranda são os dois defesas centrais mais mediáticos oriundos da formação do Benfica nos últimos anos. Jogadores com um percurso tão semelhante e que opiniões tão diversas conseguem gerar entre os benfiquistas merecem ser analisados.

Miguel Vítor iniciou a sua carreira como médio-defensivo e cedo despertou o interesse do Benfica quando ainda muito novo (11 anos, penso) representava o Torreense. O jovem de Ponte do Rol foi aposta regular desde o início do seu percurso nas camadas jovens, mas com a ascenção aos juvenis e depois aos juniores, mais que um mero jogador, tornou-se uma referência, assumindo-se como líder e capitão de equipa. Foi lançado a titular pela mão de José Antonio Camacho com 18 anos acabados de fazer, num sempre difícil Benfica x Vitória de Guimarães. Ao primeiro corte conquistou os aplausos dos mais de 55.000 adeptos que nesse dia foram à Luz, tendo arrancado uma boa exibição. Nesse mesmo ano jogou em Copenhaga, na Choupana e em Milão, sempre em bom nível, para surpresa de tudo e todos. Acabou por ser emprestado ao Aves, para rodar e ser opção com maior frequência. Na época seguinte, com Quique ao leme, foi opção regular tendo actuado em 22 jogos oficiais, algo que para um jovem defesa central português de 19 anos vindo das escolas do Benfica é tudo menos normal. Mas com a passagem de testemunho de Quique para Jesus, o treinador português deixou de apostar em Miguel Vítor, que cedo percebeu que estava apenas a fazer número, não tendo feito mais de 300 minutos em toda a época. Acabou por ser emprestado ao Leicester City.

Roderick Miranda tem um percurso curiosamente semelhante ao de Miguel Vítor. Iniciou-se no Odivelas e o seu talento foi rapidamente reconhecido pelos olheiros do Benfica, tendo chegado ao clube na época 2000/2001. Começou como médio defensivo mas recuou para central à medida que foi avançando na sua formação. Estreia-se na equipa principal do Benfica ainda em idade de júnior, aos 18 anos, mas já relativamente conhecido, mais que não fosse pela sua semelhança física com Mozer e pelo golão marcado ao FC Porto na fase final do campeonato nacional de juniores. E a sua estreia calhou logo numa prova europeia, frente ao AEK Athens, tendo feito uma exibição extremamente segura, mostrando uma qualidade de passe e leitura de jogo surpreendentemente boas para um jovem da sua idade numa estreia. Fez apenas mais uma aparição nessa época, frente ao Guimarães para a Taça da Liga e nesta temporada jogou em 3 partidas oficiais.

Sinceramente, penso que temos aqui dois jogadores com características totalmente diferentes mas que, com trabalho e determinação, podem chegar muito longe no futebol.

Cai-se no erro de dizer que Miguel Vítor é um jogador baixo. Nada mais errado. Com 1,83 metros, é apenas 2 centímetros mais baixo que Sidnei, tendo a altura de Otamendi, Polga ou Carriço, sendo mais alto que Cannavaro ou Córdoba, eles que foram dois dos melhores centrais do mundo no seu tempo. Entroncado, forte, soube desenvolver o seu físico para adaptar-se ao futebol de alta competição. Não sendo um portento técnico, o seu profissionalismo, várias vezes elogiado por Quique, e a sua determinação e concentração durante os jogos, fizeram com que Miguel Vítor se conseguisse afirmar no clube e que não tremesse nem na estreia nem nos jogos de maior dificuldade. É difícil lembrarmo-nos de uma exibição menos conseguida do camisola "28". Para mim, neste momento, face à irregularidade de Sidnei, seria o titular ao lado de Luisão se cá estivesse. E não é por ser português, das escolas do Benfica, etc. É por ter qualidade, qualidade essa que ainda não foi (será no futuro?) reconhecida por Jesus.

Roderick é extremamente diferente de Miguel Vítor. Bastante mais alto (1,91m) e mais esguio, ainda não tem o físico que lhe permite ir ao choque, algo que vai precisar na sua posição. Continuo a achar que tem imenso talento, mais até que Miguel Vítor, mas precisa de o desenvolver, bem como os aspectos físicos e a agressividade, pois ainda parece algo "mole" dentro de campo. Ao contrário do jogador lançado por Camacho, Roderick não tem sido feliz quando chamado para defender as nossas cores, protagonizando alguns erros de posicionamento e falhas de concentração que custaram golos ao Benfica. Não parece falta de humildade, mas sim de concentração. O que é certo é que, com a mesma idade, Miguel Vítor não dava as casas que Roderick dava, mas ainda não tinha um potencial tão grande quanto o que vejo em Roderick.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Miguel Vítor

Desde o princípio da época passada se percebia que Miguel Vítor era carta fora do baralho de Jorge Jesus. Nunca convenceu o nosso mister, foram dadas raras oportunidades para jogar (Monsanto, Hertha, Rio Ave e pouco mais) e a saída parecia ser o único destino. Mas eu pergunto: porquê?

Será Miguel Vítor assim tão mau? Do que vi, até hoje, sem ser um craque, é um jogador com uma concentração e vontade enormes, além disso é da formação. Ah! Deve ser esse o mal, "é da formação" e no Benfica, tudo o que vem das camadas jovens não presta.

Parece que foi emprestado (mas atenção, concordo com o clube para o qual foi emprestado, terá como objectivo a subida, jogará num estádio cheio) porque tinha de haver espaço para o "novo brinquedo" de Jorge Jesus, Fábio Faria. Só espero que não venhamos a perder um dos mais promissores jogadores desta geração. Força Miguel Vítor, voltarás.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Moreira e Miguel Vítor

Moreira, com dez anos de casa, no Sport Lisboa e Benfica, é o jogador do actual plantel que está há mais tempo no clube. Miguel Vítor, salvo erro, entrou para o Benfica com apenas 11 anos, tendo pelo menos 9 anos de clube. Ambos são jogadores que fizeram parte do seu percurso de formação no SL Benfica e parece que nem um nem outro agradam a Jorge Jesus.

A carreira de Moreira, em termos gerais, resume-se a uma entrada muito precoce para a equipa titular numa altura tenebrosa do clube. As suas boas exibições valeram-lhe um estatuto de intocável e o respeito da massa associativa que o acarinha. No entanto, a chegada de Quim, as injustiças de alguns treinadores e as sucessivas lesões nos joelhos fizeram com que não se afirmasse em definitivo como titular. Passados dez anos da sua estreia, continua no clube, embora me pareça que seja por apenas mais 6 meses, quando o seu contrato expirar em Junho.

Miguel Vítor ingressou mais cedo no Benfica, proveniente do Torreense, mas teve dificuldades iniciais em afirmar-se nos escalões jovens. Apenas quando chegou aos juvenis é que começou a impor-se: a evolução técnica, táctica e física fez com que se tornasse titular quase indiscutível, o que aliado à sua atitude correcta fora das quatro linhas lhe valeu a braçadeira de capitão, que manteve nos juniores, onde foi peça-chave da equipa. Chegou ao plantel principal em 2007, pela mão de Camacho, que o lançou às feras num Benfica - Vitória SC. Lembro-me bem desse jogo: entrou nervoso, mas logo na primeira intervenção fez um corte e foi fortemente aplaudido pelo exigente 3º Anel. Empréstimos pelo meio, banco em algumas situações e titular umas quantas vezes fizeram de Miguel Vítor um jogador com grande futuro.

O que se passa é que a situação destes dois jogadores no Benfica não é muito certa, ou melhor, o seu caminho parece estar traçado: Moreira já tem o carimbo de saída, penso que já todos percebemos isso. Não concordo, pois para além de ser da casa, é um bom guarda-redes cujos atributos são superiores aos de Quim. Além disso, o titular encarnado já leva 34 anos e não sabemos quando tenciona pendurar as luvas.
Por outro lado, Miguel Vítor não parece ser um jogador do agrado de Jesus, devido à sua fraquíssima utilização (nem no jogo com o Monsanto foi titular, lembram-se?) e pelas raras presenças no lote dos convocados. O empréstimo sem opção de compra afigura-se como a opção mais plausível, e acho que até seria uma boa ideia a sua ida para equipas como o Belenenses, Académica, Leiria, sempre em Portugal, onde seja titular. No entanto, em situações como a de Vila do Conde, onde David Luiz e Sidnei não puderam jogar, quem jogaria? É verdade, os 4 centrais são mesmo essenciais. Mas o problema é que não acho que Jesus conte com Miguel Vítor para o futuro. A sua venda seria um enorme erro por parte do Benfica.

Com planteis cada vez menos portugueses, a saída destes dois jogadores não augura nada bom para aqueles que, como eu, gostariam de ver mais jogadores nacionais no Benfica. Ainda por cima Miguel Vítor e Moreira, produtos das escolas do Benfica! Para aqueles que não se lembram, eu volto a dizer o onze base com que fomos campeões em 2004/2005: Quim; Miguel, Luisão, Ricardo Rocha e Dos Santos; Petit, Manuel Fernandes, Geovanni, Nuno Assis e Simão; Nuno Gomes. Exactamente, 8 portugueses! Pensem nisso.

domingo, 26 de agosto de 2007

Roma e Pavia não se fizeram num dia!

2ªJornada - 2ªEmpate!
E no entanto, ao contrário do sucedido no jogo do Bessa, há razão para ter esperança. O Benfica tem mais alma, mais garra e vontade de vencer. Tem o factor Camacho, ao contrário do Leixões que teve a seu favor o factor Nandinho!

Óbvio que todos esperavam uma vitória a abrir este novo ciclo, mas sejamos sinceros, o cenário deixado a JAC por Vieira e Fernando Santos é uma desgraça. Um plantel estropiado, uma equipa sem rotinas, sem modelo de jogo, com pouco mais que nada! Portanto parafraseando Trapattoni, e enquanto a máquina não rola em condições "Quando não podes ganhar, não deves perder."

O Benfica apresentou-se com a novidade Miguel Vitor a titular, ao lado de Katsouranis no centro da defesa, e diga-se que o miudo esteve muito bem. (É preciso dar-se uma chance para o jovem aparecer, ouviu senhor Fernando Santos?) A defesa esteve sempre segura, inclusivé Nélson, que parece ganhar nova vida, o problema foi a nivel ofensivo, onde apesar de melhorias claras, tudo acabou por se complicar.
Com Petit e Rui Costa no miolo mais recuado, e Nuno Gomes no apoio a Cardozo, Assis e Coentrão ocuparam-se das faixas, e o Benfica acabou por estar já um pouco melhor que no Bessa, na semana passada, e teve mesmo a melhor oportunidade na primeira parte, incrivelmente desperdiçada por Nuno Gomes aos 17 minutos!
Chegou-se ao intervalo com a ideia dum SLB nervoso mas esforçado, à imagem de Fábio Coentrão, que tem de ganhar coragem para atacar o adversário, porque a técnica está lá!

No segundo tempo, o nivel de futebol aumentou, Rui Costa disparou por cima, e "Tacuara" Cardozo, por pouco, não marcou numa bomba de livre ainda longe da baliza de Nilson. Destaque-se ainda o falhanço escandaloso de Luis Filipe de baliza aberta, ele que teima em dar-me razão - não é jogador para o Benfica.
Tentou-se mas não se conseguiu. Ainda não temos capacidade para atacar o jogo, olhar o adversário nos olhos e vencê-lo, isso só com o tempo. E por isso Camacho optou por segurar o meio-campo. Tirou um desinspirado Nuno Gomes e lançou mais um jovem, Romeu Ribeiro, que parecia jogar por cá faz uns tempos e trocou Cardozo por um fresco Bergessio.
Segurou-se um ponto.

Não é o ideal, mas é o possivel, com 3 dias dum novo treinador que pegou não numa equipa, mas numa manta de retalhos, e já podemos tirar alguns pontos positivos em relação à era FS:

--> 2 miudos novos, que entram como se nada fosse!E com muito talento ambos!
--> Mais atitude, garra e vontade de vencer.
--> Mais jogo ofensivo, criando oportunidades claras de golo.

Agora resta ao Glorioso ir a Copenhaga e carimbar o passaporte para a Champions, recuperar os lesionados, garantir os reforços pretendidos por JAC, e ir progressivamente aumentando o nivel do seu futebol, e os indices de confiança, para se poder afirmar como real candidato ao titulo.

Uma coisa vos garanto, estou muito mais confiante que à 1 semana atrás.


Saudações Benfiquistas!