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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Uma década de... treinadores

Dez anos marcados por muitos treinadores, como vem sendo hábito no Sport Lisboa e Benfica. A instabilidade que se vive fruto da pressão e da dimensão do cargo justificam em parte a grande rotatividade a que os lugares da esquerda do banco de suplente da Luz estão sujeitos. Eis uma análise que não é feita do pior para o melhor, mas sim por ordem temporal. Este é longo, desculpem lá.

Toni

Toni foi o primeiro treinador da década. Mas este não era o mesmo Toni que levara o Benfica ao título em anos anteriores. A promessa de Manuel Vilarinho revelou-se um autêntico tiro no pé, os resultados foram precisamente o oposto do esperado. Por culpa de quem? De todos. O plantel não ajudava minimamente, a defesa era horrível, enfim, um sem-número de problemas. Até final de 2000/2001, Toni conseguiu derrotas humilhantes, com Paços e Alverca em casa, e ainda goleadas contra Sporting, Gil Vicente, Braga (com dois golos de... Luís Filipe) e Porto, esta última para a Taça). Mau demais. Mesmo assim, Vilarinho manteve a aposta em Toni para a época seguinte e renovou o plantel por completo, para bem melhor, diga-se. Os resultados é que voltaram a ficar aquém do esperado. O campeonato inicia-se aos ziguezagues num ano em que todos os candidatos revelavam graves insuficiências. Mas uma série de derrotas (Paços, Boavista e Marítimo, este para a Taça) e o empate com o Sporting na Luz, naquela fabulosa exibição de Duarte Gomes, precipitam a saída de Toni. A sua última passagem pela Luz foi um autêntico desastre, mas isso não apaga o que fez de [muito] bom durante os excelentes anos que passou na Luz. Não belisca minimamente a sua reputação.

Jesualdo Ferreira

Adjunto de Toni, foi também ele o seu sucessor. Pois, é difícil falar deste senhor, não é? Primeiro porque não é senhor nenhum, é um hipócrita vendido. Depois, porque treinador vale zero? Tricampeão no Porto também a minha vizinha era, com o esquema todo montado. Lá fora foi o que se viu: no Málaga não durou até ao fim de Outubro. No Panathinaikos os adeptos já o perseguem, literalmente. Este alcoólico crónico teve a felicidade de treinar o Benfica (para nossa infelicidade) em 2001/2002, após a saída de Toni, e acabou no quarto lugar.

Prepara a época de 2002/2003 que começa em bom estilo, mas a sorte não poderia durar muito. Consegue uma série negra de 2V 2E e 3D para a liga sendo que na semana seguinte, para a Taça de Portugal, comete a proeza de perder, em casa, com o Gondomar. Obviamente demitido. Em boa hora. Porque o treinador seguinte iniciou, com grande mérito, uma autêntica revolução que daria frutos por bons anos.

Fernando Chalana

Dirigiu o Benfica por um jogo apenas, frente ao Braga, vitória por 3-0. Que importância teve no meio disto tudo? Muita. Montou um esquema com 3 defesas-centrais, retirando João Manuel Pinto e lançando Hélder, sendo que Miguel fez boa parte da ala direita, incluindo a posição de defesa direito. E colocou Mantorras a extremo direito. Estranho? Muito, mas resultou.

José Antonio Camacho

Um treinador que mudou a face perdedora e a mentalidade do Benfica dos últimos anos para algo muito melhor. Introduziu benfiquismo ao Benfica, muito provavelmente fruto do madridismo que bebeu durante muitos anos no "Benfica de Espanha". Camacho veio, viu e venceu. Com ele alterou-se tudo, posições de jogadores, mentalidades, espectáculo, foi uma lufada de ar fresco no Benfica. Pegou numa equipa desfeita e em pouco tempo monta o seu 4x2x3x1, imagem de marca: Moreira; Miguel, Argel, Hélder e Ricardo Rocha; Petit e Tiago; Geovanni, Zahovic e Simão; Nuno Gomes. Vence o Gil Vicente na estreia e num curto espaço de tempo a equipa joga um futebol atractivo e eficaz, com vitórias em Alavalade por 0-2, nos Barreiros (quebrando o maldito enguiço), em Setúbal por 2-6 depois de estar a perder por 2-0, no Restelo por 2-4, frente ao Vitória de Guimarães por 4-0 e contra o Braga de Jesualdo, em Braga, por 1-3. O Benfica alcança uns magníficos 75 pontos que em outros anos dariam para ser campeão.

Arranca para a época seguinte com poucas alterações na estrutura e no seu onze base. O campeonato foi renhido desde início e nivelado por cima. O Porto descolou da concorrência bem cedo e o Benfica tentou acompanhar como pôde, tal como o Sporting. O verdadeiro campeonato era o da 2ª circular, e esse estava ao rubro. Camacho devolveu o Benfica à Europa e às grandes noites europeias, algo que era impensável depois de algum tempo sem ir a estas provas. 2003/2004 fica marcado pela vitória frente ao Rosenborg numa eliminatória em que Nuno Gomes cometeu um erro de amador quase imperdoável, Moreira fez os jogos da vida dele e Karadas se deu a conhecer ao Benfica. Seguiu-se o Inter de Milão com um 0-0 na Luz (se aquele balázio do Petit entrasse...) e uma derrota por 4-3 em Milão, num jogo de grande carácter dos encarnados. Com a distracção europeia, o Benfica ficou com sete pontos de atraso para o Sporting quando faltavam apenas 8 jornadas para o final. Uma surpreendente derrota leonina por 4-0 em Vila do Conde anima o Benfica, mas voltaríamos a perder pontos na terra de Dom Fábio Coentrão (1-1), ficando a seis pontos do Sporting com apenas quatro jornadas por jogar. E eis que... o impensável acontece. O Sporting perde no Bessa e em Leiria consecutivamente, e o Benfica vence o Estrela e goleia o Braga de Jeusaldo na cidade dos arcebispos. Com 70 pontos à entrada para a 33ª jornada, o derby dos derbies, o Sporting x Benfica. Só a vitória interessava pois um empate mantinha-nos atrás devido à derrota com o rival na Luz. Um campeonato com tanta luta, com tanto suor, com tanto Camacho não poderia ser perdido assim. Com uma gigantesca exibição de Moreira (nota 9 para A Bola, algo que muito raramente acontece), o Benfica segura o empate até aos 88 minutos, quando Geovanni, a 30 metros da baliza, estoira para o golo, para a vitória e para o segundo lugar, roubado ali, em Alvalade, debaixo das barbas leoninas. Mas, mais importante que isto, Camacho devolveu o Benfica aos títulos oito anos depois. Vitória na final da Taça de Portugal frente ao Porto de José Mourinho que se sagraria campeão europeu poucos dias depois. Era o regresso do Benfica à Benfica, pela mão de José Antonio Camacho.

Giovanni Trapattoni

O que traz um treinador com uma carreira recheadíssima de sucessos para um país como Portugal para treinar um clube que não ganha o campeonato há onze anos? Vem treinar o Benfica, porque o Benfica é... o Benfica. A explicação é simples e a justificação difícil, mas é assim que as coisas são. Trapattoni fez aquilo que milhões de benfiquistas sonhavam com um plantel muito, muito fraco. Campeão onze anos depois. Se há obreiro neste título, ele é Trapattoni. Conseguiu, com um plantel composto por 15 jogadores apenas (Moreira, Quim, Miguel, João Pereira, Luisão, Ricardo Rocha, Dos Santos, Petit, Manuel Fernandes, Geovanni, Simão, Nuno Assis ou Zahovic, Nuno Gomes, Karadas e Mantorras), visto que os outros não contavam e constituíam apenas uma dor de cabeça, ser campeão. Expremeu a equipa ao máximo. No seu onze base, os jogadores estavam completamente estoirados no final da época. Foi uma tortura. E foi lindo. Perdeu a Supertaça para o Porto graças a uma birra de Ricardo Rocha que o obrigou a jogar com Argel (que levou um nó gigante de Quaresma, no golo da derrota), foi eliminado na qualificação da Champions pelo Anderlecht e ao fim de poucas semanas já se pedia a cabeça do italiano. Resistiu a iniciou o campeonato em bom estilo com bastantes vitórias e o primeiro lugar isolado, algo que não acontecia há anos, literalmente. Com alguns deslizes (Porto na Luz, grande exibição de Benquerença e Belenenses no Restelo, o dos 4-1), voltou-se a pedir a cabeça de Trapattoni. E ele resistiu, apesar de haver vontade dos altos quadros do Benfica em demiti-lo. Dobra a primeria volta com o mesmo número de pontos de Porto e Sporting e com mais um que Boavista e Braga, num ano muito renhido, fruto de um nivelamento por baixo do nosso futebol. O povo estava entusiasmado e vai à Luz para mostrar o apoio à equipa e partilhar a crença na possibilidade de ser campeão onze anos depois. Resultado? Benfica 0-2 Tanque Silva. Assobios, lenços brancos, quinto lugar e pede-se a cabeça do italiano. Mas ele resiste. Nas jornadas seguintes, o Benfica ocupa praticamente todas as posições do top-5 da tabela: foi quinto, quarto, segundo e terceiro, e eis que chega o dia da derrota anunciada. O Benfica desloca-se ao Dragão para perder uma vez mais contra o Porto. E, surpresa das surpresas, empata, algo que não acontecia há mais de uma década. Sinais de mudança? E à 25ª jornada, um quadro bonito: o Benfica vence o Gil por 2-0, com Mantorras a desloquear o jogo, o Sporting recebe e perde com o aflito Penafiel, num jogo com a marca de Hugo, e o Porto é goleado em casa pelo Nacional da Madeira. O Benfica estava novamente isolado no topo da tabela, com três pontos de vantagem sobre o segundo, o Porto. Na jornada seguinte o Porto perde novamente e o Benfica mostra estrelinha de campeão em Setúbal, ficando com seis pontos de avanço sobre o quarteto de segundos classificados num abrir e fechar de olhos. Surpresa das surpresas, seria este ano? Mas a tremideira começou: vitória por 4-3 na Luz com o Marítimo, com um golo de Mantorras no último minuto, derrota em Vila do Conde com arbitragem vergonhosa ("há que averiguar", disse Petit) e empate no último minuto em casa com a União de Leiria, graças a Mantorras. O Benfica segurava a liderança por um fio. Vence o Estoril com golos de Luisão e Mantorras, o Belenenses com golo de Simão e... perde em Penafiel graças ao sócio Pedro Proença. À entrada para a 33ª jornada, um cenário em tudo semelhante ao da 33ª jornada do campeonato anterior. O derby dos derbies, o Benfica x Sporting, com o Benfica obrigado a ganhar para ser campeão. O jogo é tenso e com poucas chances de golo para ambos os lados. Mas ao cair do pano, no minuto 83, o mesmo minuto da Mão de Vata, Luisão cabeceia com sucesso após livre de Petit para dar a liderança ao Benfica. O Sporting protesta sem razão, alegando mão, depois falta, depois outra coisa qualquer. Com o modo histérico ligado, são capazes de tudo. O Benfica só precisava de um empate na última jornada para se sagrar campeão. Contra tudo e contra todos, onze anos depois. E assim foi, o Benfica de serviços mínimos de Trap, a jogar sobre brasas, consegue empatar no Bessa e sagra-se campeão. Um clube que esteve para acabar, que esteve onze anos sem ganhar o campeonato e oito anos sem ganhar nada, por fim campeão, reerguido e no lugar que merecia. Uma semana de festejos fez com que a equipa não se apresentasse na melhor forma para a final da Taça que acabou por ir para Setúbal, impossibilitando a dobradinha que foge desde os tempos de Mortimore, mas o Benfica tinha alcançado feitos incríveis esta época. Trapattoni agradece aos jogadores, à estrutura e aos adeptos, diferentes de todos os outros e que fizeram a festa mais bonita de sempre, segundo o italiano. Mas era hora de partir, por vontade própria. Quis guardar uma imagem de perfeição junto dos adeptos e saiu. Fez bem. Será sempre recordado como o senhor que nos deu o título.

Ronald Koeman

Durante dias a fio se falou do sucessor de Trapattoni. Seria Koeman? Seria Zaccheroni? Seria Paul Le Guen? Veio o que eu menos queria, Ronald Koeman. E, para mim, foi uma autêntica desilusão. A participação na Champions foi de sonho, fez recordar o Benfica de outros tempos. Na fase de grupos e vindo do Pote 4, conseguiu a qualificação depois de algumas exibições soberbas. Perde em Manchester apenas no último minuto, perde na Luz com o Villareal fruto de um frango do inexperiente Rui Nereu, empata em Espanha com um golaço de Manuel Fernandes e empata também com o Lille num estádio repleto de benfiquistas em que alinhou com [pasmem-se!] Quim; Alcides, Luisão, Anderson, Ricardo Rocha; Petit, Manuel Fernandes, Nélson e Léo; Simão e Nuno Gomes. Vence em casa o Lille com golo de Miccoli no último minuto e consegue uma vitória de sonho na última jornada. Necessitado de ganhar para seguir em frente, como poderia o Benfica derrotar em casa o todo poderoso Manchester United, sem Simão, Manuel Fernandes, Ricardo Rocha, Moreira e Miccoli? A Luz vestiu-se de gala e com as bancadas completamente cheias, 65 000 benfiquistas fizeram o Inferno da Luz. O United adiantou-se cedo no marcador, mas ainda antes da primeira parte o Benfica já tinha dado a volta: primeiro Geovanni, que mergulhou para um cabeceamento vitorioso após cruzamento de Nélson, depois o surpreendente Beto, com um tiro de fora da área a bater Van der Sar. Léo secou Ronaldo, meteu-o no bolso e por lá ficou o português. Substituído, teve uma atitude indesculpável para com os adeptos da Luz, revelando quão bem formado é. O Benfica venceu o Manchester colocando-se na fase seguinte da Liga dos Campeões. O sorteio ditou o Liverpool como adversário. Depois do Manchester, o campeão europeu! Como? Como era possível eliminar o mítico Liverpool? Na Luz foi Luisão quem deu a receita. Reeditou com Petit o famoso lance que deu a vitória no campeonato e após cruzamento do camisola "6", Luisão surpreende ao aparecer entre os defesas para cabecear nem hipóteses para Reina. A Luz, cheia, entrou em delírio. O Benfica vencia o campeão europeu por 1-0. Na segunda mão, na terra dos Beatles, Koeman teve a sorte dos campeões e o Benfica a felicidade de não ter sofrido cinco golos em meia hora. Aliás, não sofreu nenhum e ainda viu Léo ganhar lances de cabeça a Peter Crouch. Os Beatles, que namoraram Simão durante todo o defeso, aliás, o capitão encarnado chegou a estar no avião rumo a Liverpool, acabaram por ser "traídos" pelo "20" encarnado. Num momento de inspiração, após passe de Nuno Gomes que arrastou a marcação, Simão vê uma brecha e dispara em arco para um dos golos mais bonitos e marcantes da década. No segundo tempo foi Miccoli a confirmar, com um pontapé de moínho, a passagem aos quartos-de-final da Champions. Era o Benfica de volta aos grandes voos do passado. Sucumbiu apenas frente ao poderoso Barcelona de Ronaldinho e companhia, com a mãozinha de Thiago Motta que Steve Bennett deixou passar. "Eu vi, tu viste, ele não viu", escreveu A Bola no dia seguinte a esse empate caseiro, aludindo ao tal lance da grande penalidade que ficou por marcar. Quem sabe o que poderia ter acontecido se o Benfica tivesse partido em vantagem para essa segunda mão.

Posto isto, como é possível afirmar que Koeman foi uma desilusão? Porque utilizou o Benfica para se promover em vez de promover o Benfica. Koeman colocou-se em bicos de pés, menosprezou o futebol português e não foi campeão com um grande plantel. A estrutura base manteve-se e recebeu quatro grandes presentes: o defesa central Anderson, que justificou a escolha com grandes exibições, o médio grego Karagounis, incrivelmente preterido por Beto, o médio russo Karyaka, tão mal aproveitado, e o ponta-de-lança italiano Miccoli, que ainda hoje deixa saudades. Com este plantel e com esta estrutura, Koeman não foi campeão, tendo ficado a mais de dez pontos do Porto e com o segundo lugar praticamente perdido desde Março. É certo que para a História ficam as vitórias no Dragão, a primeira desde César Brito em 1991, com bis de Nuno Gomes e na Luz sobre o Porto, com golo de Laurent Robert. Mas o desprezo que apresentou para com o nosso campeonato e a falta de preparação dos jogos mais pequenos ditaram dois empates com a Naval, duas derrotas com o Sporting, uma derrota caseira com o Gil Vicente e mais um conjunto de péssimo resultados, com o Benfica a perder pontos com 12 dos 17 adversários em prova. Um treinador que usa o Benfica para se promover, como fez com o Valência e com o AZ Alkmaar, não merece as loas que muitos lhe tecem. Koeman não me deixa saudades. Os resultados europeus sim, ele não.

Fernando Santos

Amado por uns, odiado por outros, incompetente em Portugal, Deus na Grécia, é assim a vida de um treinador. Fernando Santos chegou ao Benfica como sucessor de Koeman, que fora literalmente vendido ao PSV por meio milhão de euros, salvo erro. Pessoalmente, senti-me aliviado com a vinda do Engenheiro por duas razões: primeiro, significava que Koeman saía, ele que havia prometido que com ele o Benfica passaria a jogar em 3x5x2 (medo!); segundo, porque a SIC falou todo o santo dia que Carlos Queiroz seria o treinador do Benfica e que estava a assinar contrato com Vieira dentro do estádio. Menos mal, veio o Fernando Santos, de quem não era fã, longe disso, mas que tem as suas qualidades e os seus defeitos. Infelizmente, os defeitos custaram-nos o campeonato. A sua passagem pelo Benfica resume-se a uma época com altos e baixos: na Europa o Benfica foi eliminado da Champions num grupo que estava ao nosso alcance, e uma vez relegados para a Taça UEFA conseguímos uma eliminatória muito bem conseguida frente ao PSG (com aquele golaço de Petit aqui referido), mas caímos aos pés do Espanyol com dois jogos terríveis, primeiro em Barcelona, onde sofremos três golos que revelaram falta de concentração e vontade, depois na Luz foi o festival de golos falhados, com Nuno Gomes, Mantorras, Simão, Miccoli e Rui Costa com oportunidades para matar a eliminatória, a falharem. Na Liga, o Benfica começou o campeonato muito mal com derrotas no Bessa (por 3-0), no Dragão (3-2), em Braga (3-1) e um empate em Paços de Ferreira (1-1), ficando a 9 pontos do Porto à 10ª jornada, com um jogo em atraso fruto do Caso Mateus. A partir daqui, o Benfica encetou uma recuperação memorável, com 10 vitórias e 2 empates em 12 jogos, incluindo a banhada de bola em Alvalade (0-2), chegando ao clássico da 23ª jornada, frente ao Porto, a um ponto do líder azul-e-branco. O Benfica deu meia parte de avanço ao adversário que conseguiu o empate na casa do rival, não obstante a grande segunda parte encarnada. E o Benfica não voltou a ver os dragões, fruto de uma série terrível de quatro empates em cinco jogos que além de tornarem o título numa miragem, impossibilitaram o segundo lugar. Onde é que Fernando Santos tem culpa? Essencialmente falta de coragem. Colocou Luisão a jogar quando o camisola "4" estava preso por arames e perdeu-o, lesionado, lançando em campo David Luiz, que não tinha a confiança de Santos. David Luiz acabou por surpreender pela positiva e foi sofrível vê-lo tomar conta da defesa com o central Anderson, que fez birra e não queria jogar, comprometendo a equipa. Houvesse coragem desde início, e teríamos Luisão para estes jogos finais, podendo ser campeão. Não foi assim. Vieira é, no entanto, o outro grande responsável pela não-conquista do campeonato, ao vender Ricardo Rocha e Alcides em Janeiro, deixando o Benfica quase sem centrais. Genial. A época termina com o Benfica em terceiro e com Santos sobre enorme pressão. Vieira mantém o seu treinador contra a vontade dos sócios e quem sabe, se contra a sua vontade ou não, nunca percebemos.

Fernando Santos inicia a nova época como treinador do Benfica, sendo o primeiro treinador do Benfica desde Artur Jorge (94-95) que consegue realizar uma época completa e iniciar a seguinte. Desde cedo se criam grandes expectativas sobre a equipa, esperanças essas fundamentadas, com um plantel fortíssimo especialmente no meio-campo, com Simão, Rui Costa, Petit, Katsouranis, Manuel Fernandes, Nuno Assis, Karagounis, mas também no ataque, com Cardozo, Bergessio, Nuno Gomes e a possibilidade Miccoli. Vieira diz que é a equipa mais forte dos últimos dez anos, sobe a fasquia. Santos diz que perder Simão seria uma catástrofe, Vieira promete que o capitão fica. Três dias depois, Simão sai e Vieira não tem coragem para dizê-lo a Santos. Karagounis é dado a custo zero ao Panathinaikos e Manuel Fernandes vendido para Inglaterra. Em poucos dias, Vieira destrói a equipa, destrói a base de Camacho, como Geovanni aludiu e bem nessa altura. Fernando Santos empata com o Leixões na primeira jornada e já sem Veiga no Benfica, Vieira escolhe o caminho mais fácil e demite o treinador, decisão apoiada pela grande maioria dos sócios (eu incluído). A decisão revelar-se-ia parcialmente correcta, o modo foi asqueroso, foi sacudir a água do capote de uma forma baixa. E assim terminou mais uma relação de amizade. Fernando Santos não voltaria a treinar em Portugal.

José Antonio Camacho

Destruída a base de Camacho, Vieira chama... Camacho, amigo pessoal, com quem havia passado férias, para liderar o futebol benfiquista. Sem Veiga à vista, era a altura ideal para trazer o homem-forte do banco e das decisões do futebol, para agrado dos sócios (eu incluído) que sempre viram no espanhol o Dom Sebastião que precisávamos. Podia ser fraco em termos tácticos, mas a garra e paixão que tinha, a capacidade ímpar em motivar atletas, era preciosíssima. O plantel era fraco, os melhores anos dos melhores jogadores já tinham passado e os melhores anos dos outros jogadores ainda não tinham chegado. Um misto de experiência e juventude que estava destinado ao fracasso desde início. Um jogador sul-americano precisa, regra geral, de um ano de adaptação quando chega à Europa. O Benfica trouxe, nesse ano, Cardozo, Di Maria, Maxi Pereira, Edcarlos, Andrés Diaz, Bergessio e o norte-americano Freddy Adu. Com tanta gente nova que nunca tinha jogado na Europa, não era de esperar um milagre. No entanto, ao contrário do que se faz crer, a segunda passagem de Camacho pelo Benfica não foi má. Claro que não foi positiva, longe disso, mas não foi tão má quanto a pintam. Nos 21 jogos que fez para o campeonato, Camacho averbou apenas duas derrotas. Muitos empates, mas deixa o Benfica à 22ª jornada e nos oitavos-de-final da Taça UEFA. Por que razão sai? Cansado, farto de não conseguir motivar os jogadores. Se Camacho não consegue motivar jogadores, quem consegue? Ninguém. Zangou-se e teve a hombridade de sair. Camacho sentiu-se sozinho, desamparado, sem o apoio dos jogadores nem da Direcção. Mais uma amizade de Vieira que ruiu.

Fernando Chalana

Camacho deixou o Benfica no segundo lugar da Liga depois de ter empatado com a União de Leiria (último classificado) na Luz e já depois de ter empatado em Alvalade. Tinha dois pontos de vantagem sobre o Guimarães e seis sobre o Sporting. Posto este cenário, o que fazer? Contratar um treinador já a pensar na época seguinte ou colocar um interino? A segunda opção foi a escolhida e Chalana assumiu os comandos do Benfica. Em má hora, dizemos hoje. Chalana averba 3 vitórias, 3 empates e 2 derrotas com o Benfica a cair para o quarto lugar final. Como se isto não bastasse, é humilhado em Alvalade por 5-3 na meia-final da Taça de Portugal depois de estar a ganhar por 0-2 ao intervalo. Chalana sairia da equipa técnica na época seguinte.

Quique Flores

Enrique Sánchez Flores foi o escolhido por Rui Costa, quando o ex-camisola "10" assumiu a pasta de director desportivo. O espanhol veio e mostrou-se um treinador bastante diferente de todos os antecessores, nomeadamente no que ao discurso diz respeito. Mostrou sempre uma atitude construtiva, mas os resultados ficaram muito longe das expectativas. Nas taças internas, foi eliminado na de Portugal pelo surpreendente Leixões, mas venceu a da Liga numa final memorável por todas as razões contra o Sporting. Mas as provas europeias foram a grande desgraça: apesar de ter conseguido o apuramento frente ao complicado Napoli, numa eliminatória marcada por muita violência na primeira mão e pelo talento de Reyes e Nuno Gomes na segunda, com os golos da vitória, a fase de grupos revelou-se uma tragédia. Um empate (com o Hertha) e três derrotas (com Galatasaray, Olympiakos de goleada e o desconhecido Metalist Kharkiv). No campeonato tenho uma opinião diferente da da maioria dos benfiquistas: acho que o Benfica, apesar do futebol de fraca qualidade que apresentava, só não foi campeão porque não deixaram, porque cortaram-nos as pernas quando nos podíamos isolar na liderança. Com o Nacional da Madeira, na Luz, Pedro Henriques anula mal um golo a Cardozo aos 90 minutos que deixaria o Benfica com 4 pontos de vantagem sobre o segundo classificado, e depois no Dragão, com o Porto, há o célebre penalty fantasma de Yebda sobre Lisandro. Duas oportunidades de ouro desperdiçadas não por culpa própria, mas por culpa da arbitragem. O campeonato iniciou-se praticamente com a recepção ao Porto de... Cristián Rodriguez, que tinha saído do Benfica para vestir de azul-e-branco. E num jogo de nervos, em que Rodriguez foi humilhado (soube bem por acaso) o Benfica empatou com os dragões num jogo que fica na memória por metade da nossa equipa ter ficado completamente de rastos. Seguiu-se um excelente ciclo de bons resultados que colocou o Benfica na liderança, mas o empate imposto pelo Nacional na Luz (que referimos anteriormente) e a derrota humilhante contra o Trofense fizeram com que o Benfica descolásse da liderança. O empate no Dragão deitou por terras as esperanças, e de seguida a derrota em Alvalade desmobilizou os benfiquistas, fartos de promessas e más exibições. Derrotas na Luz com o Guimarães e Académica fizeram aumentar as nuvens negras, agora, mais que o título, o segundo lugar parecia longe, quatro pontos pareciam uma montanha uma vez que o Benfica não jogava nada. A Bola fez a sua campanha asquerosa para tentar despedir Quique, nem nas vitórias o largavam, lembro-me das parangongas "Exibição Miserável" depois da vitória contra o Estrela na Reboleira, o treinador espanhol estava condenado ao despedimento. Com a vitória na final da Taça da Liga pelo meio, o Sporting fez o choradinho que faz sempre e o Benfica ficou, naturalmente mal visto. Resultado? O Benfica vence seis dos últimos dez jogos, o Sporting venceu... nove. Esclarecedor. Quem não chora não mama. Os últimos dias de Quique pareceram um enterro. "O último take" e outras capas foram feitas. Com o lugar em risco, Quique sente-se ameaçado pelo treinador do Braga, Jorge Jesus, que é dado como cada vez mais certo na Luz. E aí, perde as estribeiras no Braga x Benfica da 29ª jornada, numa demonstração de outro Quique. Não lhe valeu de nada, acabou despedido pela estrutura, num processo que de pacífico e consensual teve muito pouco. Mais uma vez, ninguém ficou bem na fotografia. Jorge Jesus seria a personagem seguinte.

Jorge Jesus

Entrou na Luz com "a certeza de que seria campeão nesta casa", palavras do mesmo. E foi. Chegou, viu e venceu, como nos filmes. Pôs o Benfica a jogar mais do que o dobro e venceu com classe, a jogar um futebol de qualidade que não se viu desde havia 20 anos, com goleadas, com emoção, com a maré vermelha a invadir estádios. Foi um ano lindo, proporcionado por Jesus, o maior responsável pelo sucesso desportivo. A ele se aliaram e conjugaram todos os factores: contratações de grande qualidade como Javi Garcia, Ramires e Saviola, a confirmação de Di Maria e o aparecimento de Fábio Coentrão, vindo do "mundo dos mortos" do futebol. Cardozo numa grande forma, Aimar a estar próximo do Aimar dos tempos de Valência, David Luiz a fazer, finalmente, uma época completa a defesa central, Luisão num dos melhores momentos da carreira, Maxi em bom plano e até Quim salvou o Benfica por algumas vezes, como em Alvalade ou na Choupana. A nível interno o Benfica limpou a Taça da Liga e o campeonato. Na Taça da Liga ficam na memória as goleadas nas meias ao Sporting em Alvalade (1-4) e na final contra o Porto (3-0), no Estádio do Algarve. Vitória justíssima nesta prova. No campeonato, começou a tremer com um empate caseiro frente ao Marítimo e uma vitória no último minuto em Guimarães, mas seguiu-se o rolo compressor com os famosos oito ao Vitória sadino. Depois, goleadas atrás de goleadas, ao Belenenses, ao Leixões, ao Nacional, ao Marítimo, Académica, Olhanense, todos provaram do veneno do Benfica. O Braga não nos largou e foi um candidato duro de roer, mas há jogos que, pela força demonstrada, pelo querer e pela qualidade marcam esta época: em Olhão, num jogo de nervos, foi Nuno Gomes quem falou mais alto e deu o empate que nos deixava à frente do Porto antes do clássico; depois, frente aos dragões, Saviola mostrou toda a sua classe ao derrotar o campeão com um golo oportuno numa autêntica batalha num ambiente infernal e de dilúvio; frente à Naval, a equipa tem dois jogos memoráveis, primeiro na Luz com o golo da vitória no último minuto, autoria de Javi, e depois na Figueira, em que recupera de 2-0 para 2-4, muito graças a Weldon, o 1-0 ao Braga, com golo de Luisão, os 2-0 ao Sporting, de Cardozo e Aimar, enfim, a lista é gigantesca e como se pode ver, todos os jogadores tiveram acção directa importante no título. Mas a revolução de mentalidade, de atitude, de dinâmica de ganhar foi introduzida por Jesus, e por isso ele é o obreiro maior do título. O título só foi conseguido na última jornada, mas em beleza, com a vitória por 2-1 sobre o Rio Ave, com dois golos de Cardozo que conquistou A Bola de Prata, sucedendo a Rui Águas, o último benfiquista a ganhar o troféu. A nível europeu, o Benfica venceu com uma facilidade incrível a fase de grupos da Liga Europa e derrotou também com facilidade o Hertha nos 16-avos. Depois, na eliminatória seguinte, um dos jogos da década, com os encarnados a derrotarem o Marseille no Vélodrome por 1-2, numa das melhores exibições europeias da última vintena de anos. Cairíamos aos pés do Liverpool que soube dar a volta à eliminatória, não dando hipóteses a um Benfica colectivamente mais forte mas sem capacidade defensiva para superar os reds. Chegava ao fim uma época de ouro, a recordar os 60's gloriosos da nossa História.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Jorge Jesus vai ser despedido em 5... 4... 3... 2... 1...

Vieira já deu o mote. Em entrevista concedida (ou devo dizer "pedida"?) ao jornal O Benfica, acabou de colocar mais lenha na fogueira que vai assar Jesus. Afirma o presidente que "Temos o plantel que Jesus pediu". Imagino então que tenhamos Huntelaar guardado na gaveta da secretária do senhor Presidente e que Quaresma esteja a chegar daqui a dois dias, ou que Guardado esteja a entrar no avião rumo a Lisboa. Também é óbvio que foi Jesus a pedir Rodrigo, já conhecido como Million Dolar Baby da Luz. É um belo remake daquilo que fez a Fernando Santos, só lhe falta dizer que este é "o melhor plantel dos últimos dez anos". Desta vez sem a possibilidade de recorrer a José Antonio Camacho, quem será o amigo que terá na manga?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Bolas paradas defensivas nas últimas 6 épocas

Nos últimos dias houve umas discussões nas caixas de comentários à cerca dos golos sofridos pelo Benfica em lances de bola parada. Dizia eu que, com Jesus, sofremos demasiados golos em lances deste género, diziam outros comentadores que não. E a pedido de um deles, que passo a citar, "Diga-me nos últimos 10 anos, um em que sofremos menos golos de canto e livres laterais que com Jesus" resolvi fazer isso mesmo, não com as estatísticas dos últimos dez anos mas dos últimos seis, de Trapattoni a Jesus. Contabilizei todos os golos sofridos pelo Benfica em lances de bola parada excepto lançamentos de linha lateral e penalties, tendo ainda tomado nota do número de jogos oficiais de cada treinador, entre parêntesis, e à frente a média (obviamente que o menor valor corresponde a melhor eficácia). Aqui fica, espero que não tenha erros:

Jorge Jesus: (63) 0,26

Leiria (f)

Braga (f)

Olhanense (f)

Olhanense (f)

Porto (f)

Rio Ave (c)

V. Guimarães (c)

AEK (f)

Bate Borisov (f)

Marselha (f)

Liverpool (c)

Liverpool (f)

Porto (n)

Académica (c)

Nacional (f)

Nacional (f)


Quique Flores: (44) 0,25

Rio Ave (f)

Paços de Ferreira (f)

Paços de Ferreira (f)

Paços de Ferreira (f)

Leixões (f)

V. Setúbal (c)

Sporting (f)

Académica (c)

Marítimo (c)

Trofense (c)

Trofense (c)


Santos/Camacho/Chalana: (50) 0,14

Paços Ferreira (f)

Académica (f)

V. Guimarães (f)

Académica (c)

E. Amadora (f)

V. Setúbal (f)

AC Milan (f)


Fernando Santos: (47) 0,19

E. Amadora (c)

Braga (f)

Paços Ferreira (c)

Porto (c)

Leiria (c)

Varzim (f)

Áustria Viena (f)

Manchester United (f)

Manchester United (f)


Ronald Koeman: (49) 0,20

Gil Vicente (c)

Sporting (f)

Braga (f)

E. Amadora (f)

Marítimo (c)

Nacional (f)

Leixões (f)

V. Guimarães (c)

Manchester United (f)

Manchester United (f)


Giovanni Trapattoni: (49) 0,29

Beira-Mar (f)

Beira-Mar (f)

Nacional (c)

Rio Ave (c)

Moreirense (f)

Marítimo (c)

Boavista (c)

Sporting (c)

Oliveirense (c)

Anderlecht (f)

Heerenveen (c)

CSKA (f)

CSKA (c)

Estugarda (f)


Dúvidas? Penso que desta forma se pode acabar com este mito da intocabilidade de Jesus (que é humano), sendo ainda de notar que, com o actual treinador, o Benfica tem ainda menos lances destes perto da área, logo a percentagem de sucesso deve ser ainda menor. Por isso, meus caros, da próxima vez que vieram para aqui argumentar, façam-no, mas façam-no de forma sustentada. Obrigado.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sondagem #18

Depois de mais um mês de votações, eis os resultados:

À questão sobre os treinadores do passado recente benfiquista, os nossos leitores votaram em número record, superando por larga margem o máximo de votantes numa sondagem até agora. Foram 406 votos, sendo que desses, 344 (84%) foram para Giovanni Trapattoni. Em segundo lugar ficou o mal-amado Fernando Santos com 33% dos votos, treinador que melhor futebol apresentou na Luz nos últimos anos, superando Ronald Koeman que com a sua fabulosa campanha europeia não arrecadou mais de 30%. Por fim, no duelo de espanhóis, José Antonio Camacho levou a melhor com 15% dos votos, pese embora o 4º lugar obtido nessa época. Nem a Taça da Liga salvou Quique Flores, aqui eleito como o pior treinador dos últimos 5 anos, não indo além dos 9%.

Concluindo, os benfiquista acham que Giovanni Trapattoni e Fernando Santos foram os dois melhores treinadores dos últimos 5 anos.

Nas próximas semanas dedicarei um post a cada um dos 5 visados nesta sondagem, dando a minha opinião sobre as suas passagens pelo Benfica, analisando qualidades, erros e o legado que possam ter deixado.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Quem não foi mas devia ter ido..

Foi-se Camacho, já tinha ido Jesualdo, já tinha ido Camacho outra vez, já foi Trapattoni, ah, já foi Koeman e claro já foi Fernando Santos.

Já foi Karagounis, já foi Simão, já foi Ricardo Rocha, já foi Miccoli, já foi Manuel Fernandes, já foi Miguel, já foi Tiago, já foram tantos...uffff...

Já foi Luis Nazaré, já foi o Vitor Santos, já foi o Veiga, já foi este aquele o outro, o tipo do conselho fiscal, o tipo do futebol, o tipo das finanças, até o que lava as escadas já deve ter ido.

E quem manda neles todos ainda não foi! Porquê? Senhor Luís Filipe Vieira, mostre que não está agarrado ao poder, marque eleições já para o fim da época, seja um Homem tal como Camacho foi, mostre a elevação que os presidentes do Benfica, até Manuel Damásio (e excluindo este), tiveram, senhores como João Santos, Ferreira Queimado, Jorge de Brito ou Borges Coutinho não merecem o Benfica que temos, o Benfica que o senhor nos deu, dê o seu lugar a quem veja o Benfica não só como uma empresa, mas acima de tudo como o maior clube de Portugal, e por hoje o mais galardoado de sempre.

Desengane-se quem pensa que o problema começava ou acabava em Camacho, óbvio que o espanhol tinha as suas culpas, a desculpa da equipa não ter sido escolhida por ele esgota-se quando ele aceita as regras de jogo, se as aceitou teve que viver com elas, mas sejamos honestos, uma equipa que tem: Edcarlos, Luis Filipe, Maxi Pereira ou Nuno Assis, pode aspirar ao quê? Na melhor das hipóteses e com uns lagartos a um nível menos ridículo que o seu habitual daria para um 3º lugar...

Já passaram dezenas de jogadores, vamos a caminho da dezena de treinadores, a caminho da dezena de dirigentes, e quem manda, quem escolhe, quem contrata, continua lá!

Quanto á questão do treinador para mim é muito simples, Chalana ou João Alves até final da época, não faz sentido trazer já um treinador para a próxima época, por duas razões: 1ª - Neste momento o mercado de treinadores está muito limitado, obviamente quando a época terminar haverá um leque de escolhas muito maior e melhor, 2ª - Ao contratar um treinador agora pode-se desde já hipotecar a próxima época, basta que a coisa não corra muito bem (o que neste Benfica é o mais provável) e o treinador já está queimada para 2008/2009..., mas conhecendo nós a peça como conhecemos, o mais provável é que o Benfica em vez de escolher com ponderação e de forma sustentada há de chegar alguém até daqui uma semana, para provavelmente no Natal estar a sair...

Ai Benfica, Benfica...






sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Venha o Getafe!

O que se passou hoje, em Nuremberga, foi triste e indigno para o glorioso clube e grandiosa instituição que é o Benfica. O que ninguém esperava - e perdoem-me o recurso ao jargão - é que tanto cagaço acabasse num tremendo mijo.

José Antonio Camacho (ou pelo menos o seu sósia que assumiu os comandos da equipa de futebol do Benfica) entrou em campo para defender o resultado com uma equipa da tonalidade das suas camisolas: muito, muito fraquinha. Pouco me interessa se o Nuremberga está em 16º ou se joga mau futebol. Se hoje me senti envergonhado, não foi por culpa dos alemães, mas sim por culpa da mentalidade que o espanhol incutiu na equipa.

O Benfica entrou em campo com uma espécie de 4x5x1 inexplicável para defrontar um Nuremberga auspicioso e corajoso, com dois pontas-de-lança no ataque. O murciano pode não ser o principal responsável por muita coisa, mas hoje teve grandes culpas no cartório. Imagino como seria crucificado se o Benfica não desse a volta, por intermédio de dois jogadores que ele, inexplicavelmente, deixou no banco.

Luís Filipe provou mais uma vez ser um dos piores badamecos que alguma vez envergou o manto sagrado, ao ser o melhor jogador do Nuremberga e o principal responsável pelo golo mais escandaloso que vi o Benfica sofrer em 18 anos de vida. Sepsi entrou muito bem. Gostei, mas continuo sem perceber porque é que o treinador do Benfica não colocou primeiro o argentino Di Maria no seu lugar. É incompreensível. Makukula esteve bem, amiúde, e muito mal, frequentemente. Léo provou a incompetência de quem não lhe renova ao contrato! Maxi mostrou que só a defesa direito é que se safa melhor que o Luis Filop. Luisão e Rui Costa acabaram por se assumir como os patrões de uma equipa apática e descoordenada.

Estas foram algumas das nuances de um jogo incaracterístico que não tenho capacidade para analisar mais a fundo. Pelo menos não me apetece mais ouvir falar dele nos próximos tempos.

Não temo o Getafe. Uma equipa de subúrbio, apesar do bom treinador e uma excelente mentalidade, não chega para que eu não considere o Benfica favorito. A atitude é que terá que ser diferente desta, que quase fez com que preferisse ter Fernando Santos de volta ao comando da equipa. A eliminatória é uma excelente oportunidade para os jogadores se redimirem, apesar de achar que, como sempre, mais cedo ou mais tarde, seremos eliminados ingloriamente.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Mau Demais

Luis Filipe...Para mim, no top3 dos piores da centenária história do Sport Lisboa e Benfica!
Uma nódoa autêntica...


PS: Nem comento a vergonhosa exibição da equipa hoje, ou a patética actuação de José António Camacho. Ainda me dói a cabeça!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Quatro Linhas #2: Salir a jogar!


O donativo de Camacho à posteridade está assegurado. A forma limpa e crua como se refere a cada jogo é a matriz de pensamento de um treinador à moda antiga. Não é apenas o “salir a ganar”, é também o entrar à Benfica. Aos jogadores, o treinador espanhol repete a mesma cassete: «O primeiro canto é nosso, a primeira falta é nossa, o primeiro golo é nosso». Há trinta anos atrás, quando Camacho jogava no Real Madrid, as coisas passavam-se assim. Era uma espécie de superioridade moral conquistada sobre o adversário, a que uns anos mais tarde, Jorge Valdano chamou medo cénico do Santiago Bernabéu. O problema para Camacho é que o futebol está mais sofisticado e o treinador do Benfica parou nessa definição aúrea do jogo.

Infelizmente para Camacho, não basta ao Benfica “salir a ganar”. Seria, aliás, mais astuto que a equipa pudesse “salir a pensar”. O treinador espanhol continua a viver nessa grandeza moral de um ex-jogador do Real Madrid a quem bastava mostrar a camisola do clube para que as trincheiras adversárias se enchessem de desertores. E pensa Camacho que em matéria de grandeza, o Benfica e o Real Madrid estão bem um para o outro. É certo, mas os jogadores actuais do clube estarão preparados para essa sobrecarga de história? A leveza actual dos equipamentos vale pouco se Camacho insistir em vestir aos seus jogadores aquela roupa mental que continua a guardar desde os anos setenta e oitenta. O fardo é muito pesado para o actual plantel.

O jogo com o Nuremberga demonstra que uma equipa de futebol deve ser muito mais do que a súmula histórica do clube que a serve. Isto é válido para o treinador como é para os adeptos. No futebol, não há ninguém mais saudosista que os adeptos. E se, porventura, esse saudosismo mina a relação entre uma equipa de futebol e os seus apoiantes, os atalhos para a vitória ficam mais dificeis de descobrir. Nos dias que antecederam o jogo, até Eusébio insistiu nesse peditório nacional dos dois pontas-de-lança. Igual a Camacho, o Rei pertence aos anos sessenta, às Taças dos Campeões Europeus e à hegemonia clara e indiscutida do Benfica e do Real Madrid nos dois contextos possíveis: interno e europeu.

E agora, como explicam os autores desse peditório, muitos deles espalhados pela boa imprensa que ainda calcula que anterior ao talento são as camisolas que ajudam a ganhar os jogos, que o Benfica só tenha conseguido jogar futebol sério e perigoso, depois de Camacho desfazer a promitente dupla de pontas-de-lança? Sim, e agora? A primeira parte do jogo parece ter sido a revelação final de que o treino é, no futebol actual, o parente mais chegado das vitórias no futebol. Não se discute que uma equipa deva jogar como treina, mas já parece um ataque frontal à sensatez que uma equipa em poucos dias mude tão radicalmente a sua identidade. E fê-lo através do treino, em três ou quatro sessões de aprendizagem rápida, ou fê-lo para reagir a um impulso de popularidade? Se o Benfica quiser jogar com dois pontas-de-lança pode fazê-lo, não há nenhuma lei que o proíba, mas deve esperar pela recuperação de Nuno Gomes, que é o único avançado no plantel capaz de oferecer complementaridade ao seu parceiro no ataque e mobilidade à equipa na forma como se consegue mover entre-linhas.

Seria igualmente necessário que a equipa pudesse desenvolver, entretanto, outras dinâmicas no meio jogo, de forma a que a equipa possa atravessar as linhas do adversário com movimentos que ajudem à sua desconstrução defensiva. Diante dos alemães, com dois jogadores altos e pesados no ataque, quem estaria à espera que fosse Cardozo ou Makukula a fazer movimentos em profundidade um em relação ao outro, ou deslocamentos laterais que permitissem as rupturas dos jogadores do meio-campo? Só mesmo o treinador alemão é que podia ter sonhado com isto na noite anterior ao jogo.

E de que adianta colocar duas masmorras no ataque, sem uma área de serviço em condições de oferecer aos atacantes outra coisa que não seja o constante apedrejamento de bolas, vindas da sua área, por express-mail, despejadas inutil e inconscientemente à procura do ganho de uma segunda bola que permita à equipa ganhar posições para atacar a baliza do lado que interessa? Onde estão os movimentos dos médios-ala, à procura de zonas interiores do campo, juntando-se a Rui Costa na última fase de construção e oferecendo a Léo, do lado esquerdo e a Nélson do outro lado, a possibilidade de assegurarem o jogo exterior? Não há nada disto no Benfica. Aquilo a que muitos chamam dinâmica é isto. Uma invenção do futebol moderno que evita que os jogadores corram muito, dando-lhes a possibilidade de correr melhor. É por isso que ao Benfica não lhe interessa “salir a ganar”. É muito melhor “salir a jogar”.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Como vai o nosso Benfica...

Para quem souber ler nas entrelinhas, deixo aqui um excerto do artigo de sexta-feira do Rui Santos, publicado pelo Correio da Manhã, esclarecedor sobre o que se passa no Benfica. Chamem-lhe teoria da conspiração, o que é certo, e ainda ontem Camacho o deu a entender, é que algo de muito errado se passa no seio do nosso clube.


Esta semana foi noticiado (pelo ‘Record’) que ‘Camacho pensa sair’ (do Benfica). Nada que possa espantar quem se digne a olhar para a ‘durabilidade’ dos treinadores do Benfica no ‘pós-Eriksson’ e, sobretudo, quem perceba a diferença de atitude do treinador espanhol da primeira para a actual passagem pela Luz.

Através de ‘A Bola’, o empresário Pedro de Felipe, o mesmo que estivera no epicentro de muitas polémicas em 2003 e 2004, como escudo protector do seu técnico, utilizando as palavras consoante as conveniências (é também para isso que os empresários servem, para além de cobrar chorudas comissões), vem dizer que “alguém quer prejudicar o Benfica e Camacho” e que se ele (Camacho) rejeitou o FC Porto fazia algum sentido ir assinar por outro clube? Claro que não faz nenhum sentido. Mas faz igualmente algum sentido Pedro de Felipe, na mesma entrevista, apostar na ambiguidade quando afirma que “ele (Camacho) só vai continuar no Benfica se o clube o quiser e se ele gostar de estar no Benfica”?

O empresário e Camacho não sabem, neste momento, se o Benfica quer que o treinador continue?! Camacho não sabe se gosta de estar no Benfica? Mais: o empresário chega ao ponto de dizer: “este tipo de notícias faz com que ele não esteja a gostar”. O que coloca uma questão: será que Camacho desconfia que este tipo de notícias tem origem no próprio Benfica?

O empresário justifica o novo comportamento de Camacho com o argumento de que ele era acusado (por quem?) de muito gritar e gesticular e, por isso, adoptou “uma atitude mais moderada”. O ponto está numa outra afirmação: “É preciso lembrar que não foi ele quem fez o plantel. Não é a mesma coisa, é como ter um filho que não é seu. Ele tem sido obrigado a fazer muitos remendos e por isso os resultados nem sempre aparecem”. Digam-me lá se estas declarações não pressupõem uma crítica factual aos responsáveis do Benfica?!

Conclusão: é o Benfica que está farto de Camacho ou é Camacho quem está farto do Benfica? Quem, afinal, está mais farto? Vieira e Veiga também andaram ‘muito unidos’, houve múltiplas declarações (sempre em ‘A Bola’) segundo as quais o ‘amor’ andava no ar e veja-se no que deu: ‘ambiente de cortar à faca’.

O Benfica, para se ajustar àquilo que Camacho quer, teria de conseguir resultados, o que manifestamente não é o caso. No futuro, com Rui Costa pelo meio, não vejo forma, sinceramente, de coexistência com Camacho. Mas, como sempre, demos tempo ao tempo. Sepsi foi escolhido pelo espanhol?

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Recomeçar de novo

Curiosa esta sensação de déjà vu que estou a ter, senão reparem:

Num Benfica mergulhado numa crise profunda, vindo de uma época em que não tínhamos ganho nada, começámos a nova temporada com um treinador português medíocre. A direcção, ciente do erro que cometera, decidiu despedir esse mesmo treinador depois de um resultado inaceitável. Quem foi o escolhido? José Antonio Camacho. Com o técnico espanhol, processaram-se no clube uma série de mudanças ao nível da mentalidade dos jogadores até mesmo na política de aquisições. Chegado o mês de Janeiro, contrataram-se alguns jogadores nucleares que viriam a fazer parte do plantel que anos a seguir se tornaria campeão português e que chegaria a uma fase muito adiantada das competições europeias de clubes. O Benfica tinha saído da crise e estava no topo europeu. A transição do passado para aquele presente tinha sido um sucesso.

Hoje vivemos uma situação que parece ser em tudo semelhante à anteriormente descrita. Fernando Santos, depois de uma época desoladora, saiu e reaparece Camacho. A equipa parece ter mais alguma coisa que a do engenheiro e apesar dos resultados não estarem a aparecer, Janeiro já chegou e estamos no mercado a contratar jogadores. A questão é se conseguiremos obter resultados tão positivos como os obtidos no mercado de Janeiro de 2003. A transição de há cinco anos foi muito bem conseguida, resta-nos tentar igual sorte e questionarmo-nos por que é que foi preciso recomeçar de novo, o que é que correu mal no passado, para que não se volte a repetir.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Quão fundo podemos mais ir?

Sinceramente, não era esta a estreia que tinha em mente aqui no Blog, ainda hoje cedo pensei "vou fazer o meu 1º post!", mas logo de seguida achei melhor esperar para depois do jogo e aí falar de como os 3 golos do Benfica tinham sido fantásticos, em como o Camacho levantou-se mais de 4 vezes (a contar com o intervalo e o fim do jogo), em como o Petit regressou ás boas exibições, em como o Maxi tinha ido á linha e feito 3 bons centros, em como o Luisão voltou aquilo que era ou melhor ainda, que o "Canivete Suiço da Loja dos 300", também conhecido por Luís Filipe Vieira, tinha contratado um extremo direito!

Mas...o jogo já acabou, e não vi nenhum golo do Benfica..., vi o Camacho levantar-se duas vezes (a contar com o intervalo e fim do jogo), vi o Petit fazer mais uma exibição miserável, vi o Maxi a fazer o papel do pior extremo direito do mundo (sim, porque geralmente aqueles que têm pés de madeira como ele ao menos são rápidos, tipo Manu estão a ver?), vi o Luisão que parece ter saído do Trapalhões em Portugal, e vi o Benfica a contratar um Lateral-Esquerdo....mais longe de extremo direito só mesmo se tivessem contratado um Presidente novo...bem...secalhar até era muito bem pensado!

Saudações Benfiquistas!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Dispensas de luxo

Quem acha que o Benfica tem um plantel fraco, deve atentar na lista de dispensas deste Inverno. Para mim, é gravíssimo o que se passa no meu clube, este vaivém constante de valores e promessas a entrar e a sair só é benéfico para os COMISSIONÁRIOS que lucram com isto!

E isto, meus caros, revolta-me!

Senão, vejamos:

Bergessio: chegou, rotulado de craque. Novo Miccoli, não tão técnico, mas um lutador nato. Um daqueles jogadores que, sem dar nas vistas, iria cair nas boas graças dos benfiquistas. Isto gerou, como seria de esperar, expectativas em torno das suas exibições. Numa pré-época com quatro jogos, mal teve tempo de se exibir, até ser atingido por uma lesão que escondeu, para não perder o comboio da titularidade. Fez dois ou três jogos, como suplente, e falhou um penalty contra o Boavista. Três meses volvidos, e sem o seu processo de adaptação estar concluído, é escorraçado do Benfica porque Camacho quer reduzir o plantel. Pergunto eu: o que raio é que o coxo do Mantorras anda lá a fazer? Parece ser o único jogador que, sem render a ponta de um corno, permanece no lote dos indispensáveis. Será que o Sr. Vieira tem algum lá metido, ou será que ninguém o quer?

Andres Diaz:
este já tinha, à chegada, o destino traçado. Cedo foi visto como um acessório de Di María e todos sabemos como as primeiras impressões são difíceis de contrariar. Os míseros 42 minutos que jogou não chegaram, obviamente, para convencer José António Camacho (que, diga-se, também não o pediu). Ele que chegou a ser, em tempos, um das maiores promessas do futebol argentino. Pergunto eu: porque raio é que o contratámos? Não sei, sequer, em que posição é que ele gosta mais de jogar. Será que alguém lucrou algo, com a sua transferência? Será que, para contratarmos um, temos que fazer favores a alguns empresários?

Zoro:
mais um que, aparentemente, recebeu guia de marcha. Mais um que nem sequer provou o sabor da titularidade. Ele que se lesionou na pré-época, num jogo em que ia dando nas vistas. Pareceu, sempre que chamado, ser um central muito sólido, e uma boa opção para aquilo a que se chama rotatividade. Mas há que reduzir o plantel, não é, Sr. Camacho? Pergunto eu: porque é que de 5, passámos para 3 centrais? A sua dispensa deve-se ao seu avultado salário? Ou será que o Benfica serviu apenas como um mero albergue para lucro de alguns, como já vem sendo hábito?

Miguelito:
está em vias de assinar pelo Braga um dos mais promissores laterais portugueses. Não se admirem se, até ao final do ano, ou depois da renovação, o virem, em grande, na Selecção e no clube bracarense. E, quem sabe, daqui a uns tempos, poderá estar a dar cartas noutro grande. Pergunto eu: com a situação precária do Léo, será sensato deixar fugir este jogador que é um valor seguro? Sabendo que o Léo sai no final da época (é o mais provável) e tendo em conta que qualquer jogador contratado neste defeso necessitará do normal período de adaptação, não será esta dispensa absurda e pouco reflectida?

Para além destes, registo, com agrado, os empréstimos de Yu Dabao, Romeu Ribeiro e Miguel Vítor ao Desportivo das Aves. Pelo menos lá terão oportunidades! Há igualmente espaço para a nova fornada dos Juniores despontar no plantel sénior. Jogadores como o promissor lateral-esquerdo Rúben Lima, como o talentoso André Carvalhas ou o David Simão, terão oportunidades? Ou será dada continuação à estratégia de dar primazia às contratações sucessivas, dinheiro gasto, e mal gasto, umas atrás das outras?

Antes de aplaudirem as dispensas, pensem no erro que foram essas contratações! Pensem em quem lucra com tudo isto, sem pensar no que é melhor para o Benfica. Pensem na forma como o Benfica é usado, na sua grandeza, como montra de jogadores de paradeiro incerto. E quem sofre com isto somos nós. Mais uma vez o digo aqui, e com muita mágoa, se querem seguir os exemplos do fóculporto, sigam os bons. O presidente dessa agremiação pode meter muito ao bolso, mas pelo menos põe o seu clube a ganhar!

Consigo, no entanto, vislumbrar alguma esperança em José António Camacho. Quando saiu do Benfica deixou a casa arrumada, e agora deu com ela num estado deteriorado. Sei que o espanhol não pediu o plantel que tem, e compreendo a limpeza que quer fazer. E apesar de lhe faltar alguma capacidade para potenciar os recursos que tem, a sua presença é, por si só, uma garantia da exigência de contratações de qualidade.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A catarse do futebol do Benfica

Luís Filipe Vieira comanda, desde a saída de José Veiga, os destinos do futebol profissional do Benfica. O saldo tem sido desastroso. O planeamento da época foi miserável: contrataram-se quase 20 jogadores novos e manteve-se o treinador que viria a ser despedido dois jogos depois. Nenhum dos anteriores quatro treinadores tinha sido merecedor do voto de confiança que lhe garantiria a continuidade, até que o pior deles todos o recebe, inexplicavelmente.

Camacho chegou, com a criança nos braços, e ainda agora está a expurgar os erros que herdou de Fernando Santos. Ele é, de todos, o menos culpado da situação actual do nosso futebol. Pode não ser um génio táctico, nem usar sobretudos estilosos. Pode estar muito diferente desde a sua primeira passagem pelo Benfica. Mas não pode, em circunstância alguma, ser utilizado como bode expiatório para os problemas do Benfica.

Senão, vejamos: que pode um treinador fazer com um plantel que, para colmatar o défice de esquerdinos, adquire uma carrada deles e se esquece de contratar um extremo direito em condições? Que pode o espanhol fazer se tem quase uma dezena de sul-americanos ainda em fase de adaptação? Como há-de o Benfica passar com distinção nos testes mais difíceis, se a média de idades do plantel denota uma clara inexperiência da maioria dos seus jogadores? Que pensará Camacho quando olha para o banco e vê que o único 10 que tem, e que já está na casa dos 35 anos, não tem ninguém à altura para o substituir? Como é que o Benfica quer marcar golos se, para além de Cardozo, dos quatro avançados disponíveis, um está inadaptado, outro é perdulário, outro é coxo e o último é um adolescente chinês?

E as situações desmultiplicam-se. Sr. Vieira, por mais revistas que envie para casa dos sócios, começo a duvidar da sua reeleição. O clube está pejado de incompetentes adeptos dos nossos rivais, que não perdem uma oportunidade para nos apunhalar pelas costas - vide o exemplo José Veiga, inevitável futuro candidato à presidência do Benfica.

Tudo bem que as acções de marketing são necessárias, e que já começa a ser cliché pegar por aí, mas tudo tem um limite. Os associados não se vão deixar cegar pela neblina de promessas e queixas sobre a arbitragem. Há que por cobro a algumas situações que continuam a ser perpetradas pelos dirigentes do Benfica.

Por exemplo, o caso Léo. Apenas sei que o baixinho está a forçar a corda por um salário mais elevado. Compreendo-o. E compreendo que o Benfica queira ser intransigível na sua posição. Mas será que compensa dispensar um valor seguro, que tanto nos tem dado ao longo dos últimos anos, para contratar uma incógnita, como o caso de Gilberto, que mesmo a custo zero iria auferir um volumoso salário?

Atente-se, igualmente, na questão Bergessio e Diaz. Dois argentinos que chegaram no Verão, dos quais Camacho não parece gostar. Mas estes dois têm mais uma coisa em comum: a escassez de oportunidades que lhes foi concedida, que me deixa relutante em relação às suas dispensas.

Será que não veremos, um dia destes, um destes três a brilhar num clube rival?

Se Vieira quer imitar o fcporto, que copie os bons exemplos de gestão desportiva, porque a sua, a meu ver, tem sido um fracasso. E é isso que realmente interessa, que traz os adeptos à Luz e lhes renova a paixão pelo jogo. É isto a célebre mística do Benfica! E eu só peço que ma devolvam.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Crónica de uma época estragada

Foram fogo de vista os vislumbres de um Benfica revitalizado, aquando da chegada de Camacho. Esvaiu-se a faísca inicial e as principais fraquezas do Benfica vieram ao de cima nos últimos jogos. O espanhol, que não é propriamente o génio táctico, não tem culpa nenhuma. Numa época em que o Benfica perde três jogadores fulcrais - Karagounis, Miccoli e Simão -, contrata cerca de 20 novos elementos para o plantel, o que dificulta de sobremaneira a construção de uma verdadeira equipa. E, convenhamos, a troca de treinador à segunda jornada, apesar de ser o mal menor, também não contribuiu em nada para a constituição de uma equipa com cabeça, tronco e membros.

Mas a culpa não morre solteira. Há um senhor de bigode que ostenta uma grande quota parte da responsabilidade por este fracasso. Primeiro, por não ter despedido Fernando Santos a tempo e horas, o que evitaria que Camacho herdasse uma época que não planeou! Depois, por ter assumido o cargo de director desportivo, sem ter habilitações para tal. Os resultados estão à vista. Ainda o plantel está em plena pré-época, e já estamos a correr atrás do prejuízo. Ainda bem que, segundo o senhor demagogo, este é o melhor plantel da última década.

O jogo de hoje mostrou esse Benfica. Um Benfica torpe, desligado, que assinou uma exibição deplorável. E o problema não é falta de vontade nem talento, se bem que estes podiam estar a um nível superior. Existe uma lancinante falta de entrosamento aliada a uma tremenda falta de experiência. Há muitos jogadores a jogar para a fotografia e não para o resultado. Fintam, fintam, fintam...e rematar? No meu entender, Camacho fez bem em fazer sair Di María. O argentino tem que aprender a jogar para a equipa, mas dá a impressão que apenas se está a exibir para os gigantes europeus.

Falta, por isso, muita objectividade nesta equipa. Se o carregador de piano Petit está lesionado, hoje o Maestro também meteu baixa, o que se reflecte logo na orquestra encarnada. Cardozo, desinspirado, não é merecia os apupos dos adeptos que, se nestes momentos não apoiam, deveriam ter optado por ficar em casa a mandriar. Valeu Quim, mais uma vez a mostrar que está em excelente forma, capaz de tirar ao labrecas a titularidade na Selecção.

Muito mais haveria para dizer, mas a moral para o fazer não é muito grande. Há muito trabalho para fazer. Acreditem ou não, por favor não deixem de apoiar. É a nossa sina.

sábado, 29 de setembro de 2007

Nulo Gomes

Nulo, perdão, Nuno Gomes é a representação mais fiel do futebol do Benfica pós-Fernando Santos. Lutador e esforçado mas ineficaz. É inadmissível que um jogador que aufere um vencimento na ordem dos 200 mil euros falhe ocasiões de golo daquelas. Não pode, não deve, nem sequer existe! Já fez muito e já facturou mais de uma centena por nós, mas a continuar assim vai começar a tornar-se no novo bode expiatório para os adeptos. Mas Camacho insiste em manter Cardozo no banco.

O jogo foi fraco, quase tão densamente nublado como o estado do tempo. Penalty à parte, é o quarto empate em seis jogos para o Benfica, mais um jogo sem marcar golos, mais dois pontos perdidos para o líder. O Sporting - como hoje se viu - não assusta; o fóculporto, mal ou bem, já leva oito pontos de vantagem no seu passeio triunfal. Venha o Shakhtar.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A sorte procura-se!

O Presidente Luís Filipe Vieira deu hoje o exemplo do empate do Chelsea frente ao Rosenborg para justificar a derrota do Benfica, ontem, em San Siro. O problema: comparou-nos ao clube londrino e não ao Rosenborg. Os nórdicos bateram-se condignamente, não se acomodaram perante o adversário e surpreenderam, arrancando o empate. Vieira esqueceu-se de referir que essa não foi a atitude do Benfica. Os encarnados foram a Milão prestar vassalagem à equipa da casa, defender e jogar para perder por poucos, e com esta mentalidade continua a ser demagogia falar-se em ganhar um título europeu que não o Troféu do Guadiana.

O primeiro culpado desta falta de atitude foi José António Camacho, que provavelmente se esqueceu do seu lema - hay que salir a ganar! - em casa. Mudou o esquema táctico para um mais defensivo e, previsivelmente, deu-se mal com isso. Respeitar o adversário deve ser sempre uma conduta a seguir. Temê-lo, receando o choque, quase pedindo desculpa a cada roubo de bola, não fossem os irascíveis milaneses fustigar-nos com uma goleada. Depois, as camisolas. Não me incomoda o facto de serem cor-de-rosa, mas sim a falta de energia que as suas cores transmitem. Já com a camisola beige acontecia o mesmo, e ontem os italianos pareciam ocupar o triplo do espaço no relvado. Parece estranho mas a verdade é que, com aqueles equipamentos, a vitória é uma raridade - no caso da camisola rosa, é mesmo uma nulidade.

A inexperiência europeia da maioria dos jogadores e as muitas ausências poderão ter tido uma grande influência nesta quebra de confiança anormal numa equipa que vem em crescendo de forma. Uma defesa com Luís Filipe, Edcarlos, Miguel Víctor e um Léo desinspirado é presa fácil para o fabuloso plantel do Milan. O Benfica apresentou-se com estreantes nas competições europeias (a saber: Luís Filipe, M. Vítor, Edcarlos, Maxi Pereira, Di Magia, Rodríguez e Cardozo), o que é uma migalha quando comparado com a experiência de jogo em conjunto dos italianos.

Petit também fez muita falta, não há ninguém como ele naquele meio-campo. Luisão, Zoro e David Luiz fazem parecer impossível tanto azar. O resultado acabou por ser escasso para o Milan, que criou muitas oportunidades, tendo valido Quim, o mvp da partida, apesar de não estar ilibado de culpas no golo de Pirlo. Nota também para Nuno Gomes, que voltou a facturar, depois de já o ter feito na recepção à Naval. Segue-se um importante jogo contra o Braga, em que vencer é obrigatório para manter os níveis morais. Eu tenho uma grande fé nesta equipa, e no treinador, mas domingo jogamos de cor-de-rosa outra vez...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Às costas de um "Ángel"!

Na Choupana, Benfica ofensivo, Benfica com garra e ambição, Benfica com classe, Benfica irreverente, Benfica ganhador! Um Benfica...à Camacho.
Não conheço um benfiquista que não tivesse saudades de ver o Glorioso jogar desta forma, à campeão, e por isso hoje foi uma ressaca feliz.
Temos treinador. Temos equipa. Temos campeões!

Mas vamos ao que interessa, o jogo de ontem. Primeira parte, aos repolões, apagada do SLB, com o Nacional a dar luta a meio-campo.
Os comandados de JAC, entraram em campo com um reforço, Maxi Pereira, e este no primeiro tempo esteve como a equipa, algo apático. Ainda assim, deu para ver um Cardozo, a falhar um golo certo! Ui! "É um bluff este gajo", já imaginava eu nos comentários de café, entre os velhos do Restelo. Pois bem, segunda chance, e toma lá 1 batatinha! Obrigado Diego, para que lado queres, 2 toques na bola, e 1-0!
Deu ainda para ver aquele que será, seguramente o nosso "Ángel da Guarda", Di María, ou Di Magia, como preferirem, é um senhor jogador, apesar dos seus 19 anos. Drible curto e fácil, velocidade impressionante e uma técnica e pé esquerdo fora do comum. Fez estragos, e vai ser, em minha opinião a revelação deste campeonato.
De resto, primeira parte medíocre...E com Santos, seria certamente o esperar de um sofrimento terrivel no segundo período...

Mas o que se viu, não foi sofrimento, foi classe, foi uma demonstração de força de um grupo ferido no orgulho, de um plantel segundo os mais diversos paineleiros fraco! Pois bem, fracos é que eles não são, e a segunda parte foi para esfregar na face de cineastas, camelos, lobos e outros que tal!

Que orgulho Benfica, a forma como dançaste o tango ao ritmo do Ángelito.
Benfica mandão, com Maxi em grande estilo a mostrar que é mesmo reforço (a fazer lembrar o Soneca nas diagonais), Rui Costa a fazer um golo...um golo...enfim, um golo do outro mundo, Quim muito seguro, os centrais, sob a batuta de Kat a varrerem tudo, Petit, qual Gattuso a segurar as pontas, Cristian a mostrar bons pormenores, e Tacuara a fuzilar Benaglio de penalty sacado por Maxi, para fazer o 2ºgolo no Campeonato em 3 jogos! Contem com ele para a bota de ouro...
E às costas de Ángel Di Maria, um festival só visto!
Quem não viu, não sabe o que perdeu, quem viu, sabe que temos tudo para este ano fazer a festa no final...

Saudações Gloriosas!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Aguenta, coração!

Reggaezinho a bombar no Media Player, sinal de felicidade, de satisfação. Escrevo-vos muito contente. Esta crónica tem selo de Camacho. A vitória e a qualificação também. Se na primeira mão recebemos um Copenhaga pateticamente inofensivo, hoje foi perceptível, em diversos espaços, a real qualidade dos dinamarqueses. A equipa, contudo, esteve insuperável. Não foi uma exibição fantástica, é certo, mas foi um jogo em que os jogadores demonstraram uma atitude estóica, superando-se a si próprios e à sorte que hoje também nos bafejou.

Estou contente porque vejo margem de progressão. Vejo melhorias, vejo uma atitude completamente diferente da era Santos. Os jogadores - salvo raras excepções - estão muito mais raçudos e a sua devoção ao jogo mudou da noite para o dia. Se hoje sofremos, foi porque não é fácil jogar em Copenhaga sem a habitual dupla de centrais, num jogo pródigo em lances aéreos, onde Luisão e David Luiz fizeram muita falta. Contudo, na segunda parte, a equipa fez valer a sua maior experiência europeia e dominou os nórdicos com grande sobriedade.

O 4x4x2 parece ser a predilecção de Camacho. Apesar de, em determinadas alturas do jogo, se notar alguma falta de acutilância num meio campo composto por apenas duas unidades - e hoje Petit esteve inexcedível! -, a aposta nas alas soa-me muito bem. Apesar da irreverente juventude de todos os extremos da equipa. Há ainda muito para mudar, mas auguro uma época extremamente positiva. O livre que hoje deu o golo é um exemplo crasso de que se trabalha muito bem no Benfica, mesmo com treinos à porta aberta. Camacho faz o trabalho de casa. Camacho é um moralizador, para ele, em todos os jogos, hay que salir a ganar!

Apreciação individual aos jogadores, um a um:

Quim - clean sheet, sempre tranquilo e atento quando chamado a intervir. Nota 8.

Nélson - estava a ser um dos melhores até se lesionar e sair, ao intervalo. Camacho está a recuperar o Netcha que deslumbrou a Europa com Koeman. Nota 7.

Miguel Vítor - acusou algum nervosismo, mas esteve razoavelmente bem. Tendo em conta a sua altura, superou muito bem o desafio de defrontar uma equipa nórdica na sua estreia europeia. É para ficar no plantel sénior. Nota 7.

Katsouranis - não só mostrou o já habitual sentido de oportunidade ao facturar um bonito golo, como esteve muito bem a comandar a defesa, cortando muitos lances de perigo. Nota 8.

Léo - defensivamente não teve grandes problemas, pois era pelo lado direito que os nórdicos atacavam com maior frequência. Fez boas investidas no ataque, apesar da falta de entrosamento com Di María. Nota 7.

Petit - incansável, inexcedível, inultrapassável. Armando Teixeira fez um dos melhores jogos de sempre ao serviço do Benfica, liderando a equipa rumo a uma vitória que se construiu lá atrás. Esteve insuperável defensivamente e muito bem no início das transições para o ataque. Foi o melhor em campo. Nota 10.

Rui Costa - está a fazer uma época fabulosa e, hoje, voltou a não defraudar as expectativas. Nota 9.

Di María - mostrou dotes, mas faltou-lhe objectividade. Esteve muito bem nos processos de contra-ataque, apesar dos índices físicos estarem em baixo. Nota 7.

Luís Filipe - primeira parte desastrosa, como extremo; segunda parte de qualidade, como defesa. Não é difícil perceber, Camacho. Nota 6.

Nuno Gomes - fez uma excelente exibição, adornada pela fantástica assistência para o golo do grego. Continuo a depositar muitas esperanças na sua dupla com Cardozo. Nota 8.

Cardozo - outro dos que ficam na retina. Bateu-se muito bem com os possantes defesas dinamarqueses, deslumbrou com o seu pé esquerdo e mostrou que tem tudo para se tornar num avançado de vulto na Europa. Eu acredito. Nota 9.

Nuno Assis - é um dos que parece não ser fã de Camacho. Está sem ritmo, mais gordo, e atitude continua igual desde a entrada do espanhol. É pena. Nota 5.

Romeu Ribeiro - mais um miúdo em que o espanhol não tem problemas em apostar. Veio reforçar o meio-campo num altura de grande aperto, na segunda parte, e saiu-se bem. Nota 7.

Bergessio - jogou muito pouco, infelizmente.

domingo, 26 de agosto de 2007

Roma e Pavia não se fizeram num dia!

2ªJornada - 2ªEmpate!
E no entanto, ao contrário do sucedido no jogo do Bessa, há razão para ter esperança. O Benfica tem mais alma, mais garra e vontade de vencer. Tem o factor Camacho, ao contrário do Leixões que teve a seu favor o factor Nandinho!

Óbvio que todos esperavam uma vitória a abrir este novo ciclo, mas sejamos sinceros, o cenário deixado a JAC por Vieira e Fernando Santos é uma desgraça. Um plantel estropiado, uma equipa sem rotinas, sem modelo de jogo, com pouco mais que nada! Portanto parafraseando Trapattoni, e enquanto a máquina não rola em condições "Quando não podes ganhar, não deves perder."

O Benfica apresentou-se com a novidade Miguel Vitor a titular, ao lado de Katsouranis no centro da defesa, e diga-se que o miudo esteve muito bem. (É preciso dar-se uma chance para o jovem aparecer, ouviu senhor Fernando Santos?) A defesa esteve sempre segura, inclusivé Nélson, que parece ganhar nova vida, o problema foi a nivel ofensivo, onde apesar de melhorias claras, tudo acabou por se complicar.
Com Petit e Rui Costa no miolo mais recuado, e Nuno Gomes no apoio a Cardozo, Assis e Coentrão ocuparam-se das faixas, e o Benfica acabou por estar já um pouco melhor que no Bessa, na semana passada, e teve mesmo a melhor oportunidade na primeira parte, incrivelmente desperdiçada por Nuno Gomes aos 17 minutos!
Chegou-se ao intervalo com a ideia dum SLB nervoso mas esforçado, à imagem de Fábio Coentrão, que tem de ganhar coragem para atacar o adversário, porque a técnica está lá!

No segundo tempo, o nivel de futebol aumentou, Rui Costa disparou por cima, e "Tacuara" Cardozo, por pouco, não marcou numa bomba de livre ainda longe da baliza de Nilson. Destaque-se ainda o falhanço escandaloso de Luis Filipe de baliza aberta, ele que teima em dar-me razão - não é jogador para o Benfica.
Tentou-se mas não se conseguiu. Ainda não temos capacidade para atacar o jogo, olhar o adversário nos olhos e vencê-lo, isso só com o tempo. E por isso Camacho optou por segurar o meio-campo. Tirou um desinspirado Nuno Gomes e lançou mais um jovem, Romeu Ribeiro, que parecia jogar por cá faz uns tempos e trocou Cardozo por um fresco Bergessio.
Segurou-se um ponto.

Não é o ideal, mas é o possivel, com 3 dias dum novo treinador que pegou não numa equipa, mas numa manta de retalhos, e já podemos tirar alguns pontos positivos em relação à era FS:

--> 2 miudos novos, que entram como se nada fosse!E com muito talento ambos!
--> Mais atitude, garra e vontade de vencer.
--> Mais jogo ofensivo, criando oportunidades claras de golo.

Agora resta ao Glorioso ir a Copenhaga e carimbar o passaporte para a Champions, recuperar os lesionados, garantir os reforços pretendidos por JAC, e ir progressivamente aumentando o nivel do seu futebol, e os indices de confiança, para se poder afirmar como real candidato ao titulo.

Uma coisa vos garanto, estou muito mais confiante que à 1 semana atrás.


Saudações Benfiquistas!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Destemidos!

O regresso de Camacho aos bancos, como treinador do Benfica, é já amanhã, frente ao Vitória de Guimarães. Será recebido, em apoteose, por uma Luz que se avizinha muito bem composta. É o começo de uma nova era que deverá ser encarado com extremo optimismo. Fernando Santos já lá vai - mais vale tarde que nunca! -, os benfiquistas já tiveram tempo para respirar de alívio e agora é altura de recomeçar a luta, partindo à conquista do campeonato como se esta se tratasse da 1ª jornada.

Antevejo, para esta jornada, o regresso da motivação aos jogadores do Benfica. Ninguém me tira da cabeça que Fernando Santos era o culpado de tanta falta de alento durante as partidas. Já nem coloco em causa as suas nulas qualidades motivadoras; prefiro pensar que os jogadores estavam tão fartos dele como eu, e era necessário fazer algo para alterar as coisas (ainda para mais, com as suas declarações, o Nuno Gomes reforçou esta minha convicção). É o que eu desejo ver amanhã: um Benfica ambicioso, inteligente e motivado. A confiança regenerar-se-à lentamente, os lesionados convalescerão num ápice e tudo correrá bem.

Acabado de chegar, José António Camacho ainda tem uma larga margem de manobra. No entanto, e independentemente da qualidade da exibição, uma vitória seria importantíssima para restaurar a confiança dos encarnados. O espanhol saberá incutir a vontade e o querer necessários, transmitindo ao mesmo tempo serenidade aos jogadores. Serenidade essa, que nada tem em comum com atitude letárgica das equipas na era Fernando Santos.

Camacho já anunciou que será Miguel Víctor, o central proveniente dos Juniores, a formar dupla com o grego Katsouranis. É uma verdadeira atitude de um líder, de um homem que sabe gerir um plantel e não tem medo de arriscar. Pelo contrário, ele é que é temido pelos adversários. E é isso que me dá alegria: saber que amanhã o Benfica vai disputar um bom jogo de futebol, livre de fantasmas e losangos, assumindo uma posição de superioridade. Não é por acaso que a primeira coisa que os portistas a quem comuniquei o despedimento de Fernando Santos disseram foi um valente «fodasse!».

A lista dos 19 convocados é a seguinte:
Guarda-redes - Quim e Butt;
Defesas - Léo, Nélson, Luís Filipe, Miguelito e Miguel Vítor;
Médios - Katsouranis, Andrés Diaz, Rui Costa, Petit, Nuno Assis e Romeu Ribeiro;
Avançados - Nuno Gomes, Cardozo, Coentrão, Bergessio e Adu.

Destaque para inclusão de Romeu Ribeiro, que não passava de um homem para treinar com os Séniores de quando em vez para Fernando Santos. Mantorras e Dabao também ficam de fora, sinal de que o playmobil e o asiático não contam para os planos da época (Dabao deve ser emprestado, Mantorras é um a mais). É também isso que me alegra e aplaudo: o Camacho pensa como eu.

Vamos receber o Cajuda e os arruaceiros com um Benfica...à Benfica!