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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Próxima fase

Sem collants, que agora até pretexto para capas de jornal são, o Benfica conseguiu uma vitória extremamente importante que lhe garante a passagem à próxima fase da Liga Europa como 1º classificado, evitando desde já os 1ºs dos outros grupos e os quatro melhores terceiros da Liga dos Campeões, tudo isto a uma jornada do fim. Com isto, posso considerar que a prestação da equipa na fase de grupos foi muito boa, conseguindo dar resposta às exigências de uma prova que é bem mais dura do que aquilo que se diz ou parece.

E considero-me ainda mais satisfeito pois o Benfica, hoje, venceu além do BATE, o frio que se sentia na Bielorrússia e uma possível desmotivação pela ausência de vitórias nos últimos dois jogos. Nos últimos jogos europeus realizados em casa por esta equipa de leste, equipas como Anderlecht, Levski Sofia, APOEL, Juventus e Steaua Bucareste não conseguiram ganhar, sendo portanto absurdo pedir mais uma goleada. Aliás, como Jesus disse esta semana, "absurdo" era o Benfica das primeiras jornadas!

O que também me deixa sobejamente satisfeito é o facto de o Benfica conseguir fazer a rotação do plantel sem grande perda de qualidade. Hoje, Júlio César (que esteve hesitante, é certo), Miguel Vítor, a tranquilidade em campo, Fábio Coentrão, em grande nível, e Felipe Menezes, enorme surpresa, renderam respectivamente Quim, Sidnei, Di Maria e Pablo Aimar. A época espera-se longa, com muitos jogos, entre os quais os das fases mais avançadas da Liga Europa, espero, pelo que é importante saber que há soluções de valor no banco e até na bancada.

Quanto ao jogo em si, o Benfica foi superior aos bielorrussos, que ao contrário do que se diz, não são um grupo de amigos que se juntam aos domingos para dar uns toques. Na primeira parte, que até foi bem equilibrada, o Benfica teve algumas oportunidades de golo, nomeadamente por Cardozo, mas a melhor chance foi a bola na barra de Krivets. O Benfica viveu muito da inspiração de Fábio Coentrão e da capacidade de segurar jogo a meio-campo por Javi Garcia. No segundo tempo, que iniciou praticamente com o golo encarnado, o Benfica foi claramente melhor até aos vinte minutos finais, com boas exibições dos já mencionados Fábio Coentrão e Javi Garcia, mas também de Felipe Menezes, Miguel Vítor, apesar do auto-golo completamente involuntário e sem hipótese, e também de César Peixoto.

A próxima jornada da Liga Europa joga-se na Luz, frente ao AEK de Atenas. Será um bom jogo para dar minutos a jogadores menos utilizados como Sidnei, Miguel Vítor, Shaffer, Menezes, Urreta, Weldon e Nuno Gomes, especialmente porque 72 horas depois (3 dias), há jogo grande com o Porto. Entretanto, no próximo fim-de-semana, o Benfica recebe a Académica, num jogo para o qual tenho grandes expectativas para ver como os jogadores encaram a partida, frente a um adversário bem organizado (ou não fosse o treinador Villas-Boas) e que venceu na Luz nas duas últimas temporadas (0-3 e 0-1). Sendo o Benfica claramente mais forte, tenho algumas reservas quanto a este jogo. Concentração máxima é exigida, se não queremos perder.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O Regresso do Capitão (The One and Only)

Os cerca de 35 000 benfiquistas que se deslocaram à Luz não saíram certamente defraudados nas suas expectativas. O Benfica venceu e convenceu desta vez frente ao complicado, se bem que amanhã aparecerá muito boa gente a dizer o contrário, BATE Borisov.

Jorge Jesus optou por "arriscar" (termo utilizado pelo mesmo no final do jogo), mudando alguns jogadores: Júlio César, que rubricou uma boa exibição, substituiu Quim; Maxi Pereira, que agora mesmo recuperou de lesão, rendeu Rúben Amorim; Felipe Menezes, jovem contratado ao Goiás, fez a posição de Aimar; e ainda Nuno Gomes, o capitão, voltou para o lugar de Saviola, rubricando uma excelente exibição, pese o controlo de bola falhado (ansiedade certamente) no início da segunda parte.

Como disse, a equipa mudou, mas a atitude e a vontade de vencer estavam lá e assim tudo se torna mais fácil. O jogo ficou resolvido no primeiro tempo, com golos de Nuno Gomes e Cardozo, tendo o golo do paraguaio resultado de uma jogada que, devo dizer, para quem gosta de futebol, é "um mimo". O início do jogo não foi fácil, até porque o BATE defendeu alto e sempre pressionante, mas assim que surgiu o primeiro golo, as coisas simplificaram-se. Nem sempre dominador, o Benfica foi claramente a melhor equipa, apresentando apenas uma postura mais defensiva nos derradeiros dez minutos. Devo por isso destacar as exibições de David Luiz, que jogou e fez jogar, Luisão, muitíssimo autoritário a defender, Ramires, que está em todo o lado e Nuno Gomes, cuja ausência foi sentida após a substituição.

3 pontos, os mesmo que o Everton que goleou o AEK em Goodison Park, Liverpool. A próxima jornada será precisamente frente ao grande derrotado desta jornada, sendo que uma deslocação à Grécia é sempre, mas mesmo sempre, muito difícil: ambiente infernal e equipas aguerridas, especialmente depois do orgulho ferido. Vemo-nos em Hamburgo!

P.S. Não sei quais foram os motivos da birra de Rúben Amorim, mas são momentos como aqueles que dispensamos numa altura como esta. Há que repensar certas atitudes.

P.P.S.: Olha que dois...

BATE Borisov

Nos últimos dias tenho lido e pesquisado algumas informações sobre os bielorrussos do BATE Borisov. Será, certamente, a equipa que a maior parte de nós, adeptos, menos conhece. Por isso, partilho convosco algumas das informações que recolhi sobre estes desconhecidos de leste.

Fundado em 1973, o BATE sempre foi um clube modesto. No entanto, com o final do século XX e entrada no século XXI, estes bielorrussos tornaram-se, indiscutivelmente, uma das maiores, senão a maior potência futebolística deste país. Subiram à Primeira Liga Bielorrussa em 1997, tendo no final da época seguinte acabado num honroso segundo lugar. Um projecto bem estruturado num país onde o futebol não é minimamente desenvolvido dá nisto: campeões na época seguinte. Com o início do novo século, desde 2001, o BATE averbou um quarto lugar (2005), um terceiro (2001), dois segundos (2003, 2004,) e quatro primeiros postos (2002, 2006, 2007 e 2008), estando bem embalado para o tetracampeonato, liderando por 10 pontos e com um jogo em atraso, ao cabo de 18 jornadas.

O seu plantel é constituído, segundo o Zero Zero, por 28 jogadores, apesar do site do clube apresentar apenas 21 nomes. Na sua grande maioria são bielorrussos (24), tendo dois russos, um eslovaco e um arménio. Ao nível de idades, altura e peso médio do plantel, Benfica e BATE são muito semelhantes: o plantel do Benfica é cerca de ano e meio mais velho que o plantel bielorrusso, apresentando aproximadamente a mesma altura e peso. Por isso, aquela ideia de que "eles são muito altos porque são de leste" não é bem assim, pelo menos contra este adversário. Conta como estrelas da companhia os médios Krivets, número 10 (na imagem), e Pavlov, camisola 17.

Nas provas europeias, o BATE tem dado que falar nas últimas épocas. Com os sucessos obtidos no campeonato, tem conseguido alguns resultados surpreendentes também na Europa: em 2007/2008, nas duas primeiras rondas de qualificação para a Champions League, bateu o APOEL (actual adversário do FC Porto na fase de grupos da UCL) e ainda uma formação islandesa de nome impronunciável (Hafnarfjördur), perdendo apenas para o Steaua de Bucareste na 3ª ronda de qualificação, após uma eliminatória difícil para os romenos (4-2 no total). Caiu por isso para a Taça UEFA, onde foi eliminado sem apelo nem agravo pelo Villareal (6-1). E eis que chega o ano da verdadeira afirmação europeia do Borisov: 2008/2009 fica marcado pela queda dos favoritos Anderlecht e Levski Sofia nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões, permitindo ao conjunto bielorrusso enfrentar na fase de grupos o Real Madrid, com o qual perdeu por duas vezes (0-1 e 0-2), a Juventus, que, surpreendentemente, não passou no exame (2-2 e 0-0) e o Zenit, vencedor da Taça UEFA da época transacta (derrota por 0-2 e empate fora com 1-1).

Sem dúvida resultados muito positivos para uma equipa que agora começa a dar os primeiros passos sérios nas provas europeias. Já este ano foi eliminado pelo Ventspils (adversário do Sporting) na ronda que antecede os playoff da Champions.

Por isto tudo que acabei de mencionar, é preciso ter respeito por estes ilustres desconhecidos. A equipa tem de encarar este jogo como um dos mais importantes do grupo, porque para além de ser o primeiro e de ser em casa, é aquele em que é proibido perder pontos. Preocupam-me as ausências de Quim e Aimar, mas confio perfeitamente no trabalho de pesquisa que Miguel Quaresma, adjunto de Jesus, fez nas últimas semanas. Eu, como treinador (que não sou), não arriscaria na titularidade de Júlio César, ou Peixoto a 10 numa altura destas, mas Jesus tem a minha e vossa confiança. Se correr mal, aí é que vai ser pior.