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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Estranhas opções do Coveiro da Táctica

Dizem que o Benfica é um cemitério de treinadores. O senhor Lopes, na imagem, teve cativo durante muitos anos na Luz, lá no alto do terceiro anel, mesmo nos anos negros da década de 90. Quando não gostava do que via, não se coibia de puxar do seu lencinho branco para acenar aos treinadores. É verdade. O senhor Lopes é o coveiro dos treinadores do Benfica. Mal vê a hora em que possa levar o outro coveiro, o da táctica, aquele que cria buracos no meio-campo, para a sua sepultura. É que isto de brincar com o Benfica não tem graça nenhuma.

E é a brincar com o Benfica e com os benfiquistas que Jorge Jesus anda. Enquanto vai limpando 333 mil euros mensalmente, vai coleccionando extremos, adaptando avançados a defesas e cavando buracos no meio-campo. Os erros do auto-intitulado "Mestre da Táctica" sucedem-se e não há quem ponha um travão neste louco.

A começar na convocatória. Vejamos: cinco defesas, nove médios, dois avançados. Para além do excesso ridículo de médios, nomeadamente de características ofensivas (sete), saltam à vista os dois avançados. Como se não bastasse, Jesus optou por iniciar o jogo com esses mesmos dois avançados, não deixando nenhum no banco. Se se lesionasse um deles no início da partida, seria obrigado a mudar completamente o esquema de jogo. Isto é daquelas coisas que nem o Diabo se lembraria. Tem o plantel que quis e que escolheu, mas pelos vistos não confia em Saviola, Kardec, Hugo Vieira, Michel, Djaló ou Mora para fazerem parte de uma lista de convocados. Depois, claro, no decorrer do jogo, face a um resultado negativo, tira um avançado para colocar um médio, precisamente o inverso do que fez com o Porto no ano passado quando ganhávamos por 2-1. As voltas que a vida dá, hein? Estranho mundo este.

Mas a loucura do mestre da táctica não se esgota nas convocatórias. O homem que diz que não vai repetir os mesmos erros do passado, insiste em voltar a fazer tudo mal novamente. A começar na saída a jogar, à Barcelona. Jogar daquela forma não é para quem quer, é para quem pode. Não estão a ver os dois centrais do Benfica com pezinhos para aquele tipo de jogo, muito menos Artur, cuja principal pecha é, precisamente, o jogo de pés. O jogo contra o Braga deixou esta situação uma vez mais bem visível. Foram vários os lances que se começaram a construir demasiado atrás e que acabaram com a bola a sair pela linha lateral do nosso meio-campo ou com a redondinha nos pés dos jogadores bracarenses em situações de superioridade numérica, ou perto disso.

Para quem diz que não vai voltar a repetir os mesmos erros, é estranho ver o Benfica jogar com dois blocos partidos, um ofensivo e um defensivo, ver a transição defesa-ataque ser feita através da colocação dos laterais como extremos, bem encostadinhos na faixa, deixando no centro do relvado, completamente só, Axel Witsel. Javi baixa para entre os centrais, os laterais sobem exageradamente, os extremos estão lá na frente e os avançados idem. É muito estranho que numa equipa que supostamente quer privilegiar a posse de bola se veja apenas um elemento sozinho no centro do campo. O Benfica vê-se forçado a jogar com passes verticais em força para um Witsel sozinho e desapoiado. Abre-se uma cratera ofensiva entre os três de trás (Garay, Luisão e Javi) e os restantes elementos da frente, acumulando-se, por isso, várias perdas de bola que geram contra-ataques perigosos.

É igualmente incompreensível, especialmente para quem diz que não vai cometer os mesmos erros, ver o buraco que se cria no meio-campo defensivo, especialmente na transição ataque-defesa. A imagem abaixo mostra o que aconteceu no jogo contra o Braga com apenas... 28 segundos de jogo. Surreal. Defesa a 4 e depois observa-se Javi, Witsel e Salvio (?) completamente desposicionados, juntos, abrindo-se uma cratera à entrada do último terço do campo. Situações como esta acontecem, muitas vezes, fruto de uma pressão exagerada e injustificada, em que os jogadores perseguem bolas que são praticamente impossíveis de alcançar. Mesmo a abordagem individual aos lances defensivas roça o patético em muitas ocasiões. Por que é que os jogadores do Benfica se colocam não raras vezes, imediatamente atrás dos adversários deixando-os à sua frente no relvado, com espaço para galgar metros no terreno? Porque não se colocam entre a bola e a baliza, preferindo tentar jogar sistematicamente na antecipação, falhando-a na grande maioria das vezes? São mais as oportunidades de perigo que se geram no sentido da baliza do Benfica do que as que resultam a favor do Benfica fruto de uma antecipação bem conseguida.

Com o Braga vimos os mesmos erros de sempre. Até a nível individual, com a aposta num defesa esquerdo que não é defesa esquerdo. Se no ano passado tínhamos um com qualidade mas proscrito (Capdevila) e um sem qualquer qualidade (Emerson), este ano temos um extremo que só na cabeça deste treinador é que é defesa e um jogador de 27 anos, já feito, contratado a seu pedido, que assinou por 5 anos e que, pelos vistos, não conta para quem o contratou (brilhante acto de gestão, bravo). Melgarejo é o culpado nos dois golos sofridos. Nesses dois lances comete três erros que acontecem na medida em que não é defesa esquerdo. No primeiro lance, em vez de seguir a trajectória da bola e de a cortar com o pé esquerdo no sentido que esta levava, efectua um cabeceamento suicida em direcção à baliza de Artur, que pouco ou nada poderia fazer. No segundo golo, além do alívio frouxo para uma zona onde estavam jogadores do Braga, não recuperou a tempo de evitar a colocação de Mossoró em jogo. Para além destes dois lances, foram muitos outros onde Melgarejo foi indecentemente "comido". O primeiro lance de perigo do Braga é exemplo disso: após Alan meter o passe para Mossoró, Melga deixa-se bater pelo capitão bracarense, oferecendo-lhe o espaço entre si mesmo e a baliza. Se Lima tivesse metido a bola para a direita, o golo seria quase certo. Resumindo, dois golos ridículos que sucederam devido à incompetência do jogador na posição para a qual foi destacado e graças à casmurrice de um treinador que acha que sabe mais daquilo que realmente sabe. Obviamente que, num clube sério, um presidente não deixaria que estas situações acontecessem. Mas isso era se o presidente fosse um homem competente. Parecendo que não, e não querendo escamotear a tragédia que efectivamente era, com Emerson, muito provavelmente, teríamos ganho este jogo.

E o que dizer dos últimos minutos de jogo? Mesmo com dez elementos durante cerca de 15 minutos, o Braga, de forma incompreensível, teve mais bola que o Benfica. Criámos mais algumas chances de golo, mas territorialmente o Braga não foi inferior nem nos cedeu a iniciativa de jogo, tendo-se até aproximado da baliza de Artur.

Jesus, o único erro, foi não seres despedido no verão. E quem te despediria, bem podia pegar nas malas e fazia-te companhia. Pior que ter vergonha, só mesmo não a ter.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Preparar 2012/2013 - Defesas esquerdos

Aquele que parecia ser uma tema importante na preparação da época que agora finda, a sucessão de Coentrão, vai-se arrastar para 2012/2013. Sim, vamos continuar à procura do sucessor do português que agora está em Madrid. Terminámos a época com 3 laterais esquerdos sem que nenhum constituí-se opção válida, fosse porque o treinador embirrou com ele ou porque não tivessem o mais ínfimo vestígio de qualidade.

Emerson - foi a primeira opção de Jesus. Primeira e única, diga-se. Chegou, teve o benefício da dúvida, mas cedo esgotou a paciência dos adeptos. Com razão, diga-se. Ofensivamente é nulo, e por "nulo" entende-se que não consegue fazer absolutamente nada. Lembram-se daquele cruzamento certeiro? Daquela arrancada pelo corredor? Daquela finta em que partiu dois gajos? Claro que não se lembram, isso não existiu. Defensivamente, seria muito agradável que fosse tão bom quanto alguns benfiquistas o pintam, mas basta apanhar um jogador com um bocadinho mais de qualidade e as fragilidades ficam a nu. Valencia, Carrillo, Hulk deixaram isso bem claro. O Benfica não pode atacar 2012/2013 com este cepo.

Capdevila - campeão da Europa, campeão do Mundo, suplente de um coxo. Gordo, manco, cego ou de caganeira, Capdevila era o melhor lateral esquerdo do Benfica. Infelizmente, para ele e para nós, Jesus não achou o mesmo e apostou vezes sem conta no colega de sector. Pena. A questão que se coloca é saber até que ponto é que Capdevila pode constituir opção válida para a próxima época. A meu ver, sim. Mas quererá? Ou prefere voltar a Espanha, para o recém-promovido Deportivo?

Luís Martins - é jovem, é português, é da formação, mas talento... não parece ter. Gostava muito de ver mais jovens formados no Benfica singrarem de águia ao peito no plantel principal, mas precisam de qualidade. Alguns até a têm (Nélson, David Simão, Danilo), outros pareciam ter (Leandro Pimenta, Roderick, João Pereira) e outros, como Luís Martins, nunca deram mostras dessa qualidade. Não é opção para formar parte do plantel da próxima época. No entanto, se as equipas B avançarem, deverá ser integrado nessa equipa de forma a ver se ocorre alguma progressão.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Preparar 2012/2013 - Defesas direitos (contratações)

Como foi dito no post anterior, Maxi é dono e senhor da lateral direita. Mas falta um suplente. Falta um jogador com qualidade e que possa render Maxi quando este está mais cansado, ou que compita mesmo com o uruguaio, entrando mais facilmente no onze, estabelecendo-se um sistema de rotatividade. Assim sendo, as minhas propostas, dúvidas e opiniões sobre possíveis reforços, são estas:

Rúben Amorim - Não sendo defesa direito, mostrou qualidades que lhe permitiram ombrear com Maxi Pereira pelo lugar em 2009/2010, ano do título. Esteve em destaque nessa mesma posição ao conseguir jogadas fundamentais que ficam na memória pela sua importância (golos ao Sporting na Luz, na Choupana e na final da Taça da Liga). No entanto, o desentendimento com Jesus levou-o a Braga. Por mim, voltava e seria a aposta para defesa direito. Com a cabeça no lugar, minutos nas pernas e Jesus fora do Benfica, seria uma excelente opção. E é nosso.

Nélson - Seria o regresso de um velho conhecido. Chegou a um Benfica recém-campeão em 2005 para sair para os béticos de Sevilla em 2008. Cumpriu a quarta época em Espanha e creio que veria com bons olhos o regresso a Portugal, quanto mais que não fosse para ganhar algo e chegar em definitivo à selecção. Já se falou no interesse do Porto e, sobretudo, do Sporting em garantir os serviços do futebolista nascido na Ilha do Sal, mas não se concretizou. Creio que seria uma aquisição útil desde que fosse por um bom preço, visto ser experiente, ter boa capacidade técnica, saber subir e baixar no terreno, podendo alternar entre a esquerda e a direita. Com 29 anos, poderia ser a sua última grande transferência.

Daniel Wass - Não acompanhei a época que fez ao serviço do Évian, equipa sensação em França pelas sucessivas promoções que tem alcançado, mas, ao que parece, tem feito uma época positiva e sempre em crescendo. Começou com o pior pé ao ser descredibilizado pelo treinador, posto de parte, sem constituir opção. Calçou pela primeira vez à décima jornada apenas, mas desde aí que pegou de estaca. Jogou todos os jogos excepto um, sendo titular na maioria, contribuindo com golos importantes que deram vitórias à sua equipa. Penso que deveria ter a oportunidade de integrar o plantel na pré-época, para depois, se não convencer, ser emprestado a uma equipa de primeira divisão na Europa.

Rodrigo Galo - Menos mediático que os anteriores, mas surpreendentemente bom. Foi dos jogadores que mais me chamou a atenção nesta segunda metade do campeonato. Rodrigo Galo é um defesa direito veloz, mas o seu principal atributo é a capacidade de transporte de bola, possuindo um remate anormalmente bom para um lateral. O gilista, emprestado pelo Braga, destacou-se sobretudo pelos golos apontados a Benfica, Sporting e Guimarães, de belo efeito.

domingo, 29 de abril de 2012

Preparar 2012/2013 - Guarda-redes (contratações)

Como expliquei no post anterior, Artur, Eduardo e Mika seriam, por mim, os três guarda-redes que integrariam o plantel. No entanto, face ao custo e exigências do internacional A português, parece-me extremamente difícil que aceite ficar mais um ano no banco de suplentes do clube do seu coração. Por isso, e sabendo de antemão das permanências de Artur e Mika, apresento um conjunto de alternativas para preencher o lugar de suplente. Jogadores com capacidade para suprir uma eventual ausência de Artur e que aceitem o lugar de "nº2" no que à luta pela baliza diz respeito. São eles:

Oblak - Mostrou qualidades na União de Leiria que me levam a acreditar que pode vir a ser, mais ano menos ano, titular da baliza do Benfica. Com apenas 19 anos, já feitos em 2012, Oblak mostra uma segurança, concentração e, sobretudo, qualidades técnicas que podem vir a fazer dele um dos grandes guarda-redes do futebol mundial a longo prazo. Tem um talento natural que, devidamente potenciado, vai lhe dar a si e ao seus clubes muitas alegrias. A meu ver, seria a primeira escolha para suceder a Eduardo, ficando o plantel benfiquista com Artur a titular e Mika e Oblak a rodarem entre o banco de suplentes, as Taças internas e a equipa B. Assim, os dois jovens guardiões teriam muitos minutos de jogo.

Moreira - Um regresso a casa. Moreira passou uma época no País de Gales, ao serviço do Swansea, mas não foi feliz. O internacional português, formado no Benfica, disputou apenas um jogo, a contar para a Carling Cup, tendo passado o resto do tempo na bancada, tapado por Vorm e Tremmel. Na Luz, todos conhecem o valor de Moreira. É um guarda-redes benfiquista, regular, cria bom balneário e aceita a condição de suplente. Quando foi chamado para defender as nossas redes, raramente comprometeu. Além disso, é português e formado no clube. Parece-me uma opção válida para figurar como segundo guarda-redes.

Rui Rego - Uma das revelações da Liga Zon Sagres 2010/2011, Rui Rego confirmou as boas indicações dadas e afirmou-se em Aveiro sendo um guarda-redes que merece claramente um palco maior e melhor. Apesar de ter apenas 1,76 m (Manuel Bento tinha 1,73 m), os guarda-redes não se medem aos palmos e a sua qualidade é inegável. Dentro dos postes é rápido e atento, fora deles não costuma comprometer. É português e está na idade em que os guarda-redes atingem o seu pico de forma. Poderia muito bem ser o suplente de Artur Moraes.


Paulo Lopes - Há guarda-redes de valor que passam uma carreira inteira despercebidos aos olhos de adeptos, treinadores, dirigentes e comunicação social. Paulo Lopes é um deles. Nunca percebi a razão pela qual este guardião português formado no Benfica nunca se conseguiu afirmar em clubes de grande dimensão em Portugal. Tinha, e ainda tem, valor para mais. Em 2005 foi responsável pela subida do Estrela da Amadora bem como pela chegada da sua equipa às meias-finais da Taça de Portugal. Em 2008 é figura-chave ao trazer o Trofense à Primeira Liga pela primeira vez na sua História e repete a proeza com o Feirense em 2011, ao trazer os nortenhos ao escalão máximo do futebol nacional pela primeira vez em mais de 20 anos. Tecnicamente é um bom guarda-redes e disfarça bem os seus 33 anos com uma agilidade fora do normal. Seria uma solução a curto-prazo, mas uma boa solução.

Fabiano - O Olhanense descobriu uma pérola do lado de lá do Atlântico. Chama-se Fabiano Freitas, tem 24 anos e é um dos principais responsáveis pelo bom campeonato que a equipa de Olhão tem feito. Impressiona pela estampa física (1,97m), mas, ao contrário do que se possa pensar, é pela velocidade e reflexos que impressiona. Um monstro entre os postes. Tem, no entanto, de melhorar muito nas saídas da baliza, uma vez que está longe de ser um bom guarda-redes pelo ar. Mas com tempo e treino, teremos aqui um guarda-redes interessante. Penso que o Benfica conseguiria contratá-lo por um bom preço e o jogador não se importaria muito se fosse suplente.


Júlio César - Chegou pela mão de Jorge Jesus e ainda tem contrato com o Benfica. É tecnicamente bom e até acredito que poderia ser o suplente de Artur, mas já está de tal modo queimado aos olhos do actual treinador e de alguma massa adepta que penso que a melhor solução seria encontrar colocação dentro do mercado nacional, numa equipa com aspirações europeias e que permitisse a Júlio César ser titular indiscutível (Marítimo, Guimarães, Nacional), contribuindo assim para a sua reabilitação.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Mais um record quebrado

Pelo oitavo ano consecutivo, o Benfica não vai vencer a Taça de Portugal, algo que entra para a galeria de records negativos do clube. Desde 2004, com José Antonio Camacho ao leme, que o Benfica não conquista a competição que junta todos os clubes portugueses, perfazendo assim um total de oito épocas sem vencer no Jamor, superando os registos conseguidos entre 1972 e 1980 e entre 1996 e 2004.

Sendo uma prova importante, mais que a Taça da Liga, por exemplo, visto que não é ganha há alguns anos e conhecendo a simpatia que o nosso treinador tem para com esta competição, é inexplicável a falta de atitude evidenciada por alguns jogadores e como a equipa técnica deixou esta situação arrastar-se com o decorrer do jogo.

Até ao momento, a época realizada tem sido extremamente positiva, apesar deste percalço. E a eliminação da Taça, por muito triste que seja, pelas expectativas criadas e até mesmo pela menor qualidade das equipas presentes nesta fase desta época quando em comparação com o que sucedia noutros anos, é isto mesmo: um percalço. Jesus rodou a equipa e rodou bem, apostando em jogadores que são inequivocamente melhores que os do Marítimo. Perdeu porque não teve a sorte do jogo e porque houve desleixo por parte de alguns jogadores e manifesta incapacidade de outros. Esta derrota não pode nem deve abalar uma equipa que se tem mostrado sólida, coesa, equilibrada e adulta. Serenamente, há que analisar os erros internamente e dar a melhor resposta já esta quarta frente ao Galati.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Estudo e Análise ao adversário PSV Eindhoven

Organização Ofensiva:

Equipa organizada em 4x2x3x1. Esquema consistente e com bons resultados no capitulo da finalização. Motivação abalada após terem perdido o primeiro lugar na penúltima jornada do campeonato, na derrota com o Twente. Equipa com alguma vocação ofensiva, gosta de ter a bola e pressiona o adversário quando não a tem em seu poder. A construção de jogo é normalmente lenta, mecânica e organizada, sobressaindo o passe curto. O jogador alvo é o médio ofensivo esquerdo, Dzsudzsák, sendo este o grande impulsionador do jogo do PSV Eindhoven.

A construção de jogo curto tem o 1º passe para os centrais. Marcelo é mais vulnerável sob pressão que o Bouma, isto porque tenta o passe longo e com pouco sucesso. A construção de jogo por parte de Bouma é uma ameaça, seja através do passe curto, seja através do longo. As segundas bolas são muito agressivas com o Engelaar e Hutchinson a reagirem rapidamente e a organizarem o jogo.

Da 2ª para a 3ª fase, há um padrão na construção do jogo. Normalmente optam pelo passe curto e pelo jogo directo. Os centrais gostam de circular a bola com o lateral mais perto ou, preferencialmente, com os médios centro. Os laterais são competentes no plano defensivo e um bom auxílio nos movimentos atacantes. Se o espaço for apertado, os defesas vão circulando a bola em busca de uma oportunidade, sendo que a finalidade é procurar espaços nas alas (principalmente na esquerda). É importante retirar profundidade ao Bouma.

Apesar da natureza do sistema de jogo, os médios centro procuram, por vezes, penetrações laterais a fim de se abrirem espaços ou para se efectuarem algumas triangulações. Engelaar é excelente nisso. Hutchinson é o elemento mais defensivo do meio campo e tem uma boa leitura do jogo.

Toivonen, apesar de tentar o último passe várias vezes, não é um organizador de jogo. É antes um segundo avançado, forte e que procura o remate sempre que tem oportunidade.

Dzsudzsák é o principal desequilibrador da equipa, muito forte no um para um, principalmente quando embalado. É o elemento mais rematador, embora também seja muito activo a assistir os colegas. É imprevisível, tanto pode ir à linha como procurar por diagonais. Do outro lado, o Lens, faz da velocidade a sua principal arma. No entanto, normalmente provoca menos desequilíbrios e joga mais em esforço que o Dzsudzsák.

Berg tem bons índices de velocidade e agressividade. Porém, não é um homem golo, dos que aparece sempre no sítio certo. É mais um avançado esforçado e que procura por espaços. Não faz do jogo de cabeça uma arma a ter em atenção. Sempre que surge uma oportunidade, remata à baliza.

Transição Ofensiva:

Mudança de atitude rápida e agressiva. As movimentações de Dzsudzsák são um perigo constante e está sempre a ser seguido pelos colegas de equipa. Embora premeiem uma construção de jogo lenta e segura, se lhes for dado espaço para tal, também o fazem realizando transições directas e rápidas como aconteceu no golo frente ao Rangers e que lhes deu a vitória (Pieters- Dzsudzsák- Lens).

Boa dinâmica colectiva. Avançam com segurança e sempre com apoios. Particularmente o central que vem detrás, que sobe para colocar a bola nos espaços (Engelaar dobra o Bouma várias vezes). São organizados mas falta imprevisibilidade e criatividade (a excepção é Dzsudzsák).

Na defesa, cometem erros e podem acusar a pressão desde que esta seja bem realizada.

Transições do Guarda-Redes. Passe longo imediato para as alas ou costas. Passe curto para os centrais ou alas. Passe longo não é uma ameaça directa.

Organização Defensiva:

Equipa organizada como um bloco alto. No entanto e apesar de alguma vocação ofensiva, não é fácil apanhá-los em desvantagem numérica uma vez que, quando perdem a bola, os elementos centrais do meio campo estão regularmente bem posicionados e fazem as devidas compensações. A equipa mistura agressividade com passividade, dependendo do opositor. Por vezes dão a iniciativa de jogo e, quando têm o mesmo controlado, mudam de atitude, acabando por exercer pressão apenas a meio campo e não a campo inteiro.

Marcelo é o central mais posicional enquanto Bouma joga na antecipação. A equipa condecora a marcação à zona, embora também façam marcações homem a homem. As bolas aéreas são praticamente sempre ganhas por Engelaar. Defesa consistente.

Será importante que a nossa equipa pressione bem o Engelaar e o Bouma, jogue com os sectores próximos a fim de ganhar as segundas bolas. A construção de jogo longo não é um recurso a se ter em conta. Devemos antes usar o drible, a imprevisibilidade e a explosão nas mudanças de direcção, pois o PSV é uma equipa muito mecânica e são um pouco lentos a reagir.

Transição Defensiva – Após perder a posse da bola:

No jogo frente ao Rangers, Tamata demonstrou algumas dificuldades em recuperar a posição. No entanto, o titular é o Manolev e tanto este como o Pieters têm uma boa transição defensiva e energia para recuperar ou para fechar no meio.

Embora estes tenham presença no ataque e tendo em conta o equilíbrio dado pelos médios centro, as bolas devem ser preferencialmente colocadas nas alas, procurando aproveitar os espaços deixados. Manolev sobe mais que o Pieters. A largura da equipa é normal e a defesa é em linha, apesar do Bouma e do Marcelo darem cobertura várias vezes, através de bons timings e de julgamentos válidos. Não tentam muitas vezes explorar o fora de jogo na equipa adversária.

Bolas Paradas:

Não querendo ser tão minucioso no 5to elemento do jogo, as movimentações ofensivas são batidas, geralmente, por Dzsudzsák. Na vertente defensiva, Engelaar é o elemento mais forte e aquele que mais vezes se antecipa nos lances aéreos.

Observações:

Bouma saiu lesionado frente ao Twente e Toivonen está em dúvida. Se o primeiro joga quase de certeza, Toivonen caso não jogue, deve dar lugar a Bakkal.


Para a realização deste relatório bem como a pesquisa e a análise do PSV Eindhoven, tive a colaboração do Phant, bloguer da Chama Gloriosa, com quem trabalhei nestes últimos dias e com quem tenho tido o privilégio de aprender bastante sobre este desporto que tanto gostamos.

Fica aqui o link do seu relatório e os meus agradecimentos especiais ao mesmo: http://chamagloriosa.blogspot.com/2011/04/estudo-do-adversario-psv-eindhoven.html

segunda-feira, 14 de março de 2011

Onze segundas opções

Um jogo normal, num dia normal, com um adversário normal, num cenário que já vem sendo mais ou menos habitual no Benfica dos últimos anos: chegar a cinco, seis ou sete jornadas do fim com o campeão já encontrado. Jesus rodou e rodou bem, era o que tinha de fazer, não podia sujeitar os habituais titulares a mais um desgaste físico com o objectivo de... sem objectivo. Porque o Benfica 2010/2011 está envolvido em três competições, e nenhuma delas é o campeonato. É necessário gerir e rodar o plantel com inteligência, como feito feito hoje. Por isso, face a esta segunda oportunidade que alguns jogadores tiveram, eis o que me parece sobre o que estes atletas ainda podem dar ao Benfica.

Moreira - O Moreira de hoje é um jogador regularmente mediano. Podia ter sido muito bom, tinha bom jogo de mãos, bons reflexos e uma enorme margem de progressão, mas as lesões nos joelhos deitaram tudo a perder. Serve perfeitamente como suplente ou terceiro guarda-redes, mas para um Benfica que se quer Europeu, não pode ser titular. Não estorva, não cria ondas no balneário, é claramente para ficar.

Luís Filipe - Provavelmente será um bom profissional, uma jóia de moço, um bom colega e tudo mais. Mas para futebolista do Benfica não serve, algo que já sabemos desde 2007. Nem para titular ocasional nem para suplente. Quatro anos depois da estreia, Luís Filipe mantém-se como jogador do Benfica. Porquê? Não sei. Até a forma de correr é ridícula. O que sei é que este é o último ano de Benfica, pois o contrato acaba em Junho do presente ano.

Roderick Miranda - Vê-se a milhas que é um jogador com muito talento e que irá evoluir muito. Mas a defesa ainda treme quando este jovem tem de jogar, algo que não acontecia quando Miguel Vítor, jogador inexplicavelmente excluído por Jesus, era titular. É alto e tem dois excelente pés, que podem ser muito úteis para a saída de jogo. Precisa essencialmente de desenvolver três aspectos: agressividade, músculo e velocidade. Se conseguir, poderá ser top mundial.

Jardel - Continuo sem perceber quanto vale este atleta. Para defender em bloco baixo parece ser muito bom, é durão e forte no jogo aéreo. Para defender como este Benfica defende parece ser um erro de casting. Lento e duro de rins, com claras dificuldades quando joga contra adversários móveis e rápidos. Está a adaptar-se a um novo clube e uma nova realidade, a de jogar num grande. Mesmo não me parecendo melhor que Sidnei ou Miguel Vítor na actualidade, acredito no potencial de Jardel.

Carole - Um jogo não dá para ver praticamente nada.

Airton - Tem de ser convocado mais vezes e também tem de jogar muitos mais minutos. Tem apenas 20 anos e uma qualidade incrível. Quando entra, sem ser em jogos "a brincar" como este, a equipa adversária deixa de conseguir chegar à baliza. É um muro autêntico, este portento brasileiro. Gosto muito do seu estilo, e tanto sozinho como com Javi Garcia ao lado, poderia ser um jogador muito útil ao Benfica.

Felipe Menezes - Esta "excelente oportunidade de negócio", nas palavras de Rui Costa, é uma nulidade futebolística autêntica. Neste momento, não calçava no Paços de Ferreira. Três velocidades (lento, muito lento e parado) que não se usam no futebol, falta de imaginação, incapacidade em perceber o jogo, uma nulidade autêntica. Será provavelmente o pior "número 10" da história do Benfica. Uma coisa é certa: já deu lucro. Vendemos 30% do passe deste coxo ao Fundo por uns incríveis 1,5 milhões. Foram comidos.

César Peixoto - Deixem jogar o Peixoto. Todos sabemos que não vai fazer arrancadas fabulosas, fintar três adversários e marcar, fazer tabelinhas supersónicas. Peixoto não é isso. Mas no futebol não é só de Maradonas que uma equipa precisa, aliás, é também graças aos "Peixotos" que se ganham campeonatos. Peixoto sabe manter a posição, sabe ler o jogo e tem um excelente pé esquerdo. Peca na velocidade, o seu handicap mais evidente. Mas para mim, serve como alternativa, como demonstrou, por exemplo, no Dragão. Para ficar.

Franco Jara - Outro jogador com muita qualidade e com boa margem de progressão. Tem aquele sangue quente típico dos argentinos e uma garra gigantesca que lhe permite abordar os lances com a crença de que os pode ganhar. Cada vez gosto mais dele. No entanto continua a revelar, a espaços, um individualismo excessivo que lhe pode custar caro. Tem de jogar mais com a equipa, não pode jogar só para si, é essa a grande diferença do futebol europeu para o sul-americano. Que aprenda depressa!

Alan Kardec - Como explicar? Veio no ano passado e jogou a espaços mostrando boas indicações. Na pré-época esteve muitíssimo bem, marcou golos, jogou e fez jogar, era visto como uma alternativa sólida e credível a Cardozo. Mas este ano, nos jogos a doer, foi uma autêntica nódoa. Péssimo, escondeu-se sempre do jogo, não recebia a bola em condições, não passava, não marcava, nada. O jogo de cabeça é de facto bastante bom, mas e o resto? O que se passa com Kardec?

Nuno Gomes - Face ao sub rendimento de Kardec e a todos os problemas que têm afectado o ataque do Benfica este ano, é incompreensível o ostracismo a que foi votado. Nuno Gomes oferece soluções que poucos avançados do actual plantel podem dar: manutenção da posse de bola no ataque, tabelas, desmarcação. Além da apetência para marcar golos quando vem do banco de suplentes, algo que não é de hoje, sempre foi assim em toda a sua carreira. Dizem que o melhor é não jogar porque faz parte do passado e há que dar oportunidades aos atletas que nos representarão no futuro. Tretas. Antes do futuro vem o presente, e actualmente, o Benfica bem precisa de Nuno Gomes.

P.S. Aproveitem e leiam esta excelente análise do trainmaniac.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

BATE Borisov

Nos últimos dias tenho lido e pesquisado algumas informações sobre os bielorrussos do BATE Borisov. Será, certamente, a equipa que a maior parte de nós, adeptos, menos conhece. Por isso, partilho convosco algumas das informações que recolhi sobre estes desconhecidos de leste.

Fundado em 1973, o BATE sempre foi um clube modesto. No entanto, com o final do século XX e entrada no século XXI, estes bielorrussos tornaram-se, indiscutivelmente, uma das maiores, senão a maior potência futebolística deste país. Subiram à Primeira Liga Bielorrussa em 1997, tendo no final da época seguinte acabado num honroso segundo lugar. Um projecto bem estruturado num país onde o futebol não é minimamente desenvolvido dá nisto: campeões na época seguinte. Com o início do novo século, desde 2001, o BATE averbou um quarto lugar (2005), um terceiro (2001), dois segundos (2003, 2004,) e quatro primeiros postos (2002, 2006, 2007 e 2008), estando bem embalado para o tetracampeonato, liderando por 10 pontos e com um jogo em atraso, ao cabo de 18 jornadas.

O seu plantel é constituído, segundo o Zero Zero, por 28 jogadores, apesar do site do clube apresentar apenas 21 nomes. Na sua grande maioria são bielorrussos (24), tendo dois russos, um eslovaco e um arménio. Ao nível de idades, altura e peso médio do plantel, Benfica e BATE são muito semelhantes: o plantel do Benfica é cerca de ano e meio mais velho que o plantel bielorrusso, apresentando aproximadamente a mesma altura e peso. Por isso, aquela ideia de que "eles são muito altos porque são de leste" não é bem assim, pelo menos contra este adversário. Conta como estrelas da companhia os médios Krivets, número 10 (na imagem), e Pavlov, camisola 17.

Nas provas europeias, o BATE tem dado que falar nas últimas épocas. Com os sucessos obtidos no campeonato, tem conseguido alguns resultados surpreendentes também na Europa: em 2007/2008, nas duas primeiras rondas de qualificação para a Champions League, bateu o APOEL (actual adversário do FC Porto na fase de grupos da UCL) e ainda uma formação islandesa de nome impronunciável (Hafnarfjördur), perdendo apenas para o Steaua de Bucareste na 3ª ronda de qualificação, após uma eliminatória difícil para os romenos (4-2 no total). Caiu por isso para a Taça UEFA, onde foi eliminado sem apelo nem agravo pelo Villareal (6-1). E eis que chega o ano da verdadeira afirmação europeia do Borisov: 2008/2009 fica marcado pela queda dos favoritos Anderlecht e Levski Sofia nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões, permitindo ao conjunto bielorrusso enfrentar na fase de grupos o Real Madrid, com o qual perdeu por duas vezes (0-1 e 0-2), a Juventus, que, surpreendentemente, não passou no exame (2-2 e 0-0) e o Zenit, vencedor da Taça UEFA da época transacta (derrota por 0-2 e empate fora com 1-1).

Sem dúvida resultados muito positivos para uma equipa que agora começa a dar os primeiros passos sérios nas provas europeias. Já este ano foi eliminado pelo Ventspils (adversário do Sporting) na ronda que antecede os playoff da Champions.

Por isto tudo que acabei de mencionar, é preciso ter respeito por estes ilustres desconhecidos. A equipa tem de encarar este jogo como um dos mais importantes do grupo, porque para além de ser o primeiro e de ser em casa, é aquele em que é proibido perder pontos. Preocupam-me as ausências de Quim e Aimar, mas confio perfeitamente no trabalho de pesquisa que Miguel Quaresma, adjunto de Jesus, fez nas últimas semanas. Eu, como treinador (que não sou), não arriscaria na titularidade de Júlio César, ou Peixoto a 10 numa altura destas, mas Jesus tem a minha e vossa confiança. Se correr mal, aí é que vai ser pior.