Nesta [má e deprimente] piada que é a nossa selecção nacional de futebol, "Queiroz" é mesmo o motivo de risota geral. Os jornais desportivos e generalistas avançam que o seleccionador se envolveu numa briga com Jorge Baptista, comentador da SIC, tendo mesmo chegado a vias de facto, isto após uma azeda troca de palavras. Para os puritanos que pediram a demissão de Luiz Felipe Scolari após o acto cometido no final do jogo com a Sérvia, espero agora igual critério em relação a Queiroz.
Não me lembro de situação semelhante passada com estes dois homens do futebol português: outros casos houve, como o Artur Jorge/Sá Pinto/Rui Águas também ele na Selecção, mas a agressão partiu de um jogador, não de um treinador. Para mim este caso de Queiroz tem mais peso. Que autoridade terá Queiroz agora sobre os seus jogadores? Como reagirá o resto da imprensa?
Se Carlos Queiroz é mesmo o "senhor" que diz(em) ser, então que se mostre um homenzinho e apresente a demissão. Com certeza que haverá outros treinadores portugueses bem mais competentes e qualificados para exercer o cargo, gente cuja vida não foi feita de por e apanhar pinos para o avô escocês. De Humberto Coelho a Fernando Santos passando por Manuel José (será, finalmente?!) há muito por onde escolher.
Este é o vídeo da polémica: um vídeo em que José Augusto Marques e Jorge Baptista demonstram que se prepararam mal para a transmissão televisiva do SL Benfica x Atlético de Madrid, tecendo comentários menos próprios a alguns benfiquistas. Vamos por partes:
1 - Em primeiro lugar, salientar o que isto foi: uma cilada. Tal como o próprio Jorge Baptista fez questão de referir, alguém muito simpático da SIC fez questão de que os microfones ficassem ligados para que tudo se ouvisse. Logo aí, começa a baixaria da estação de Carnaxide.
2 - A falta de preparação de Jorge Baptista é condenável. "Como é que este gajo se chama? O gajo é de onde?". Quem não conhece o capitão da República Checa, ex-jogador do Hamburgo e da Fiorentina, não pode estar a comentar jogos. Reparem: Ujfalusi jogou contra o FC Porto por duas vezes na última edição da Liga do Campeões, competição que Jorge Baptista certamente acompanhou. Além disso, o mesmo jogador defrontou Portugal na fase de grupos do Euro-2008.
3 - Os comentários de José Augusto Marques e, nomeadamente, Jorge Baptista sobre João Malheiro foram tecidos, julgavam eles, em off. Afinal de contas, a liberdade chegou em '74 e pode dizer-se o que quer, em privado. E do muito que Jorge Baptista e José Augusto Marques disseram, eu concordo totalmente. E não me interessa se o Malheiro toma banho ou não. Não é isso que conta, para mim. O problema é que continua a haver gente que utiliza o Benfica como trampolim social. E João Malheiro, bem como muita gente que ali estava (as loiraças), são bom exemplo disso. E quem diz isso mesmo é precisamente Jorge Bapitsta: "Notáveis?! Mas o que é isto?! Isto está tudo de cabeça perdida!". Concordo. Os Anjos, António Ribeiro dos UHF, Carlos Alberto Moniz, Da Weasel, António Feio e Pedro Ribeiro, gosto muito deles todos, não usam o Benfica como trampolim social, mas não eram eles que deviam estar ali. Por muito benfiquistas que sejam, por muitos anos com quotas pagas (também eu tenho de as pagar, pudera!), não foram eles que ajudaram a construir o Glorioso Benfica. "O que vale é que eu 'tou a ver o Toni e mais uns gajos, senão até ficava mal disposto!". Exactamente. Homens como o Toni, Carlos Lisboa (ambos presentes), Eusébio, Mário Coluna, João Pinto, Magnusson, Izaías, Michel Preud'homme, Humberto Coelho, José Augusto e António Veloso, se bem que estes dois últimos estejam semi-proscritos, um dia explico-vos porquê, deveriam estar na apresentação do clube.
4 - A SIC, apesar dos blazers janotas com que envia os seus repórteres para o estrangeiro, tem um equipamento miserável. José Augusto Marques di-lo com todas as letras.