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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

27 de Outubro de 2000

Há dez anos, mesmo sem saberem, ou pelo menos não tendo a noção do que faziam, os sócios do Benfica, na sua maioria (62%), disseram "não" à continuidade de João Vale e Azevedo, sócio 13 001, um homem que tinha tanto de brilhante advogado e conhecedor do sistema judicial e suas falhas como de trafulha. As suas palavras de luta contra o Sistema do Norte valeram-lhe a eleição 3 anos antes frente a Abílio Rodrigues e Luís Tadeu, este último o seu principal concorrente, professor do Instituto Superior Técnico, um homem sério e competente que já nos tempos da presidência de João Santos alertava para que as contas dos clubes em Portugal, Benfica incluído, iam dar um "estoiro" enorme. Não ganhou Tadeu, ele que reunia uma boa falange de apoiantes, talvez por ser demasiado ingénuo, prometeu aquilo que provavelmente cumpriria (a vinda de Pizzi) quando todos sabemos que para ganhar eleições é preciso prometer o impossível. Vale e Azevedo fê-lo e ganhou.

Três anos bastaram para Vale e Azevedo quase destruir um clube: negócios e negociatas, offshores, Ovchinnikov, Euroárea, casos e mais casos num mar de trafulhice sem fim. Rodeou-se de gente séria e competente como Ribeiro e Castro, mas os bons foram saindo e ele foi ficando, para nosso mal. Três anos apenas para colocar um Benfica já de si frágil fruto de erros das quatro direcções anteriores, nomeadamente a de Manuel Damásio, o maior clube português tinha perdido toda a credibilidade junto da população e junto da banca.

Num Benfica moribundo era necessário aparecer alguém que, mais do que um estratega ou um grande gestor, fosse um... benfiquista. Sim, por incrível que pareça, era necessário aparecer alguém que apelasse ao sentimento, falasse junto dos adeptos, fosse um de nós. Porque os grandes gestores são, apesar de competentes, facilmente derrotados nas eleições não raras vezes por falta de inteligência dos votantes. Vilarinho era um benfiquista acima de qualquer suspeita apesar de ter estado nas direcções de João Santos e de... Manuel Damásio (!), talvez por não se saber bem o que fazia, mas as pessoas acreditavam nele (como também acreditavam em Vale e Azevedo), olhavam para ele e viam que, no meio de alguma inocência, era um de nós, um benfiquista, alguém que queria o bem do clube e não era um "Vale e Azevedo". Talvez tenha sido isso, não ser um "Vale e Azevedo", que fez com que ganhasse essas míticas eleições.

E não sendo eu um fã de Vilarinho, porquê elogia-lo? Porque num Benfica às portas da morte, foi o único que avançou, que teve coragem de aparecer e tentar algo, tentar salvar o clube, herdando dívidas monstruosas ao Fisco e Segurança Social e o caos total. Mesmo sabendo que partia atrás nas sondagens (porque os adeptos do Benfica são assim preferem sempre quem está no poder independentemente de ser bom ou mau, é assim mesmo, infelizmente), teve a coragem de ir em frente e salvar o clube mesmo contra a vontade de alguns benfiquistas. Não foram os notáveis nem Vieira, quem foi à guerra com Vale e Azevedo foi Vilarinho, o mérito é dele. E duvido que haja maior prova de benfiquismo que esta.

Naquele dia 27 de Outubro de 2000 as filas para votar eram intermináveis, estendendo-se desde o Estádio à Avenida Lusíada, passando pelo Colombo. No primeiro lugar dessa fila estava um tal de José Sócrates e por entre tantos milhares que se deslocaram à Luz penso que até estavam três jogadores do rival da Segunda Circular, naquelas que foram as eleições mais importantes da História do Sport Lisboa e Benfica. No final dessa noite, Vilarinho era o novo presidente do Benfica, com 62% dos votos, contra 38% de Vale. Era a força da mudança.

Não se pense, no entanto, que foi o benfiquismo de Vilarinho que lhe valeu a vitória. Não foi. Foram as promessas, as mesmas que de três em três anos (e agora a partir de quatro em quatro) toldam o juízo aos sócios menos inteligentes. Manuel Vilarinho ganhou graças a duas personalidades: Eusébio, o Pantera Negra, pelo apoio que deu ao candidato da lista B e Mário Jardel, o goleador que estava na Turquia ao serviço do Galatasaray e que sonhava regressar ao Benfica, o clube onde sempre quis jogar como tantas vezes afirmou. Sem o apoio do maior símbolo do futebol benfiquista e português e sem a promessa de trazer o maior goleador dos últimos anos, não teria ganho as eleições, mas felizmente ganhou-as.

O mandato não foi, no entanto, um mar de rosas, longe disso. O novo Estádio da Luz, tantas vezes reclamado por Vieira, é de sua autoria, mas nem um título para amostra no futebol profissional, absolutamente nada. Não que essa fosse a prioridade, o objectivo fundamental era salvar o SLB, mas um benfiquista não pode ficar satisfeito por estar 3 anos (a juntar a outros 3 de Vale) sem ganhar absolutamente nada. Contrataram-se bons jogadores mas títulos nem vê-los e a ajudar a este descalabro desportivo apareceu aquela mancha que é o sexto lugar. E quando vemos que foi no seu mandato que Mourinho bateu com a porta, pior ficam as coisas pois todos sabemos que Vilarinho teve-o na mão e por teimosia própria quis vê-lo bem longe para trazer Toni.

Dez anos depois o Benfica salvou-se daquela tragédia. Mas não se pense que o cenário dos dias de hoje é positivo. Bem podem dizer que era só vender tudo que as dívidas ficavam pagas, mas esquecem-se que vendendo tudo... acabava o Benfica, não sobrava nada. É preciso visão para o futuro, visão essa que nem o próprio Vilarinho nem os que o rodeavam e que tomaram muitas decisões por ele tinham. E esse é o grande desafio desta nova década no Sport Lisboa e Benfica: ter visão a longo prazo para encontrar o rumo certo. Em dez anos muita coisa mudou. Quanto poderá mudar nestes próximos dez?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Lapidar nº13

"Estou farto de benfiquistas. Prefiro trabalhar com sportinguistas do que com benfiquistas que se estão sempre a queixar. Benfiquistas sou eu mais 10 ou 20."

Manuel Vilarinho


Quem profere uma afirmação destas, das duas uma: ou estava completamente "alterado" quando deu a entrevista à TVI24, ou então sabe perfeitamente do que estava a falar. Acredito veementemente na segunda. Quem são as figuras de topo no Benfica? Luís Filipe Vieira, cuja afectividade futebolística (chamemos-lhe assim) é constantemente colocada em causa, Domingos Soares Oliveira, sportinguista assumido e Paulo Gonçalves, boavisteiro de gema. Chamem o que quiserem a Vilarinho. Insultem-no se for preciso. A mim já nada me surpreende. Pode ter a fama, mas aqui, tem toda a razão no que diz. E já agora, benfiquistas, num momento tão importante como este, ao menos saibam manter a seriedade. E não se percam em insultos, mesmo que não gostem das pessoas em questão.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

10 anos de gestão danosa (se calhar "danosa" é demasiado pesado, mas...)

Este post não se trata de uma crítica exclusiva a Luís Filipe Vieira, até porque nem todos os jogadores desta lista foram dispensados pelo actual presidente do Benfica. Como já devem ter percebido pelo tom dos meus textos aqui no blog, não sou da chamada "oposição" a Vieira. Pelo contrário. Mas também não sou dos que abanam a cabeça para cima e para baixo a dizer "Sim Sr. Vieira, tudo o que você fez é extremamente bom!".

Nessa medida, eis uma lista com 10 jogadores (um para cada posição) e um treinador dispensados ou que sairam a custo zero do Benfica nos últimos 10 anos.

GR - Robert Enke
DC - Hélder Cristóvão
DC - Alguém se lembra de mais algum?
DD - João Pereira
DE - Léo
MD - Petit
MD - Maniche
M D - Geovanni
M E - Giorgios Karagounis
MO - Nuno Assis (Deco!)
AV - João Vieira Pinto

T - José Mourinho

Dá que pensar. A avaliar pela qualidade dos jogadores na altura em que foram dispensados ou na qualidade que alguns ainda hoje apresentam, não tenho dúvidas que com este onze base e com este treinador, o Sport Lisboa e Benfica seria campeão.

Adenda: Peço desculpa pelo erro. Fui confirmar e de facto Carlos Gamarra não saiu a custo zero. Obrigado ao Éter e ao David pela correcção.

Outra adenda: Já agora, para mim, o Deco vale o que vale. Não é o jogador que a maior parte das pessoas diz ser, mas mesmo assim também poderia entrar neste onze, ou não?