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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ecos daquela tarde-noite na Escócia


A questão que se coloca é se o resultado foi bom ou mau. E, sinceramente, só em Dezembro poderemos responder a essa dúvida. Empatar fora de casa coloca pressão num dos adversários na luta pelo segundo lugar, mas como vimos no passado, nomeadamente com o que aconteceu em Kobenhavn em 2006/2007, empatar com a equipa do pote 4 e mais fraca do grupo quando se podia ganhar o jogo pode não ser nem bom nem suficiente. Em Dezembro saberemos. Até lá resta ganhar aos rivais directos em casa e conseguir pontos em Moscovo. Deverá chegar. Mas...

Escrevi isto na crónica do jogo que opôs o Benfica ao Celtic, realizado em Setembro último no mítico Celtic Park. Infelizmente, a previsão parece estar a caminho de se cumprir. Aquele jogo na Escócia, que poderíamos ter ganho com alguma facilidade se não tivessemos sido medrosos e fracos, parece revelar-se decisivo, tal como aconteceu em 2007, em circunstâncias extremamente semelhantes, até com o Celtic à mistura. Para o Benfica se qualificar para a fase decisiva da prova rainha de clubes a nível europeu, terá de ganhar ao Celtic e alcançar um resultado igual ou pior na Catalunha àquele que o Celtic conseguir em casa frente a um Spartak que já se espera fora da luta pela Europa.

Não venham com o argumento de que a vitória do Celtic contra o Barça demonstra que o resultado por nós alcançado na Escócia foi bom. Se assim é, lembrem-se que a derrota em casa com os catalães, pela mesma ordem de ideias, terá de ser considerada um mau resultado, algo que não deveria ter acontecido.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Benfica joga continuidade na Champions

E na Europa. O jogo com o Spartak assume um carácter decisivo na luta pelos objectivos na Europa do futebol desta temporada. Uma vitória sobre os russos abre boas perspectivas para a passagem aos oitavos-de-final, enquanto que uma derrota ou até mesmo o empate podem deixar o Benfica à beira da eliminação total da Europa, com poucas chances de assegurar uma simples presença na Europa League.

Vamos a contas, de tão habituados que estamos a pegar na calculadora para prever o futuro. Colocando três cenários (o mais provável, o melhor dos cenários e o pior de todos), veremos o que o Benfica tem de fazer para assegurar a presença nos oitavos-de-final da Champions League:

O Mais Provável:
  • Barcelona vence em Glasgow e em Moscovo.
  • Celtic derrota Spartak na última jornada.
Se este cenário se verificasse, os catalães seriam líderes do grupo e o segundo lugar acabaria por ser disputado pelas três restantes equipas. O Celtic, em cinco jornadas, faria 7 pontos e o Spartak 3. Para o Benfica continuar na Champions League, teria de vencer duas das três partidas que faltam, sendo que uma dessas duas vitórias teria de ser contra os escoceses. Assim, o Benfica faria pelo menos 7 pontos, os suficientes para passar, dado que uma igualdade pontual com o Celtic favorece-nos no confronto directo. Este parece-me ser o cenário mais provável. O Barcelona parece ser demasiado forte para qualquer uma das equipas, o Celtic deverá derrotar, em teoria, os russos em casa, visto que até já o fez fora de portas, e o Benfica, na Luz, tem por obrigação vencer os dois adversários dos potes 3 e 4. Tudo somado, o Barça alcança os "impossíveis" 18 pontos, Benfica e Celtic fazem 7, o Spartak fica-se pelos 3.

O Melhor dos Cenários:
  • Barcelona vence em Glasgow e em Moscovo.
  • Spartak e Celtic empatam em Glasgow.
Se os astros se alinhassem, aconteceria isto mesmo. Desta forma, o Celtic faria 5 pontos em outros tantos jogos, ficando o Spartak com 4. Para o Benfica se apurar para o "mata-mata" da Champions, precisaria "apenas" de uma vitória frente aos escoceses por mais de um golo de diferença, servindo um empate contra os russos e uma derrota em Camp Nou. Se tal se verificasse, Benfica, Spartak e Celtic ficariam empatados no segundo lugar com 5 pontos cada, mas o Benfica acabaria por assegurar o segundo lugar por via de uma diferença de golos superior à dos rivais no apuramento, pois também empatariam em termos de pontos efectuados entre si.

O Pior dos Cenários:
  • Celtic vence os dois jogos em casa.
Se o Celtic vencer os dois jogos em casa, o Benfica precisa de vencer os três encontros que faltam disputar. Ganhar ao Celtic e ao Spartak em casa parece plausível. Ir ganhar a Camp Nou...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Fraquinho

Exibição cinzenta e tristonha do Benfica em Celtic Park. Frente a um Celtic bastante incapaz e ineficiente, o Benfica cedeu boa parte da iniciativa de jogo aos escoceses e acomodou-se ao resultado com o passar dos minutos, apesar de até ter disposto de mais e melhores ocasiões. O 0-0 acaba por ser justo e revelador do que se passou em campo: poucas ideias, poucas iniciativas e pouca intensidade de parte a parte. Se é verdade que este é o melhor resultado do Benfica na condição de visitante contra o Celtic, não é menos verdade que esta é também uma das equipas mais fracas que defrontámos de toda a história dos verde-e-brancos.

Jesus inventou e dentro das possibilidades nem correu nada mal. André Almeida no lugar que seria de Miguel Vítor, apesar de uma ou outra desconcentração e do muito espaço que deu para cruzamentos, foi uma agradável surpresa. Sereno, tranquilo no toque de bola, até tirou bons cruzamentos, rubricando uma exibição discreta mas cumpridora, ao contrário do que se passou do outro lado do terreno, onde Melgarejo foi feito gato-sapato pelos jogadores escoceses. Jardel também esteve em bom plano, o estilo de jogo do adversário favoreceu-o claramente, apesar de quando chamado ao corredor lateral para dobrar André Almeida ter falhado. Garay brilhou, esteve a grande nível. No meio-campo, Matic esteve demasiado macio, ele que até costuma abusar da agressividade no corpo a corpo, mas ainda assim, apesar de discreto, esteve bem, tal como Enzo, a seu lado, concentrado a defender e criativo a atacar, mostrando ser a opção mais válida do plantel para aquela posição. Daí para a frente... é melhor nem comentar. Salvio completamente desastrado, Aimar inexistente, Gaitán a jogar sozinho e Rodrigo sem se deslocar o suficiente do espaço dos centrais.

O Benfica soube gerir o jogo tranquilamente, não deixou o Celtic criar grandes ocasiões, esteve bastante tempo atrás da linha da bola mas sem grande sofrimento. Daquele Celtic parecia não vir perigo. E não veio, aplicando-se o mesmo ao Benfica. Apesar da quebra física nos minutos finais, o Benfica soube fechar linhas e baixar no terreno, mexendo na frente de ataque para refrescar jogadores na esperança que trouxessem mais energia ao ataque. Apesar de esforçados, Bruno César e Nolito não foram capazes de trazer algo de novo.

A questão que se coloca é se o resultado foi bom ou mau. E, sinceramente, só em Dezembro poderemos responder a essa dúvida. Empatar fora de casa coloca pressão num dos adversários na luta pelo segundo lugar, mas como vimos no passado, nomeadamente com o que aconteceu em Kobenhavn em 2006/2007, empatar com a equipa do pote 4 e mais fraca do grupo quando se podia ganhar o jogo pode não ser nem bom nem suficiente. Em Dezembro saberemos. Até lá resta ganhar aos rivais directos em casa e conseguir pontos em Moscovo. Deverá chegar. Mas...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Eu dou a receita

Para vencer em Glasgow, o Benfica precisa de saber ultrapassar a ausência de Javi Garcia e Witsel. Face ao que há no plantel, de forma a garantir a estabilidade defensiva, sem esquecer o processo ofensivo e avaliando o momento de forma dos jogadores, este parece-me ser o onze ideal para apresentar em Glasgow.

Na defesa, à direita, Miguel Vítor. Face à ausência de Maxi por castigo e perante a ostracização de Rúben Amorim, Jorge Jesus tem três hipóteses: ou adapta Miguel Vítor à direita, ou adapta André Almeida à posição ou lança João Cancelo às feras. Por mim, seria o ex-capitão dos juniores o escolhido na medida em que é o mais experiente e o que se pode adaptar melhor ao estilo de jogo dos escoceses, até porque, se Samaras jogar, vai ser preciso alguém com capacidade física para pará-lo. André Almeida parece-me fora de questão porque seria adaptar um jogador que, a meu ver, não tem qualidade para envergar a camisola do Benfica. João Cancelo parece ter qualidades, mas lançá-lo num contexto completamente novo e frente a um adversário que pratica um tipo de jogo com o qual Cancelo não está familiarizado, não parece boa aposta.

Matic, na minha opinião e quase de certeza que na de Jorge Jesus também, será o trinco. É o jogador de características mais defensivas do plantel, apesar de não ser um médio defensivo puro, mas será ele a jogar. Um pouco mais à frente, e evitando dizer "a fazer de Witsel", Carlos Martins, um jogador de características totalmente diferentes das do belga mas capaz oferecer situações e soluções de jogo que o belga não dava no processo ofensivo. Nas costas de Cardozo, único ponta-de-lança e maior goleador da história recente do Benfica nas provas europeias, um tridente formado pelo jogador mais decisivo da equipa à direita, Salvio, o regressado Aimar ao centro e Enzo Pérez à esquerda, que demonstrou desde o arranque dos trabalhos em Julho mais que o "caso" Gaitán, o "desastrado" Nolito e o "fora de forma" Bruno César.

Mas é defensivamente que este Benfica mais dúvidas deixa aos seus adeptos. Depois da partida dos pilares defensivos do meio-campo, como é que Jesus vai reorganizar a equipa? Não sei, mas eu faria como demonstra a imagem da direita. Matic seria o pivot, Enzo e Martins fechariam ao meio, posições que não lhes são assim tão desconhecidas uma vez que tanto um como o outro já a desempenharam nas suas carreiras e Aimar descaía para a esquerda. Salvio mantinha-se na sua posição e com alguma liberdade quando o Benfica perdesse a bola, uma vez que não é expectável que Miguel Vítor suba muito no terreno.

Estará Jesus disposto a abdicar do seu 4x4x2 e da dupla Cardozo/Rodrigo para dar mais consistência ao meio-campo? Parece que sim. Dos catorze jogos realizados na Champions League no ano passado, o treinador português apostou em cinco elementos de meio-campo e apenas um ponta-de-lança por nove ocasiões (Trabzonspor fora, Twente fora e em casa, Manchester United em casa e fora, Otelul e Basel em casa e em ambos os jogos com o Chelsea). A jogar fora e frente a um adversário que vai apostar bastante no jogo físico para nos levar de vencida, o reforço do meio-campo parece-me fundamental.

Adenda, 17h41: Obrigado pela correcção, é pena que Martins e Cancelo não tenham sido convocados. Apesar de o post ter sido publicado às 11h40, já depois da convocatória ter saído (pelos vistos), foi escrito ontem à noite e com ordem de publicação para as 11h40 de hoje, pelo que, sem acesso à internet durante toda a manhã, foi impossível corrigir.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Faça-se Luz sobre o Celtic

É tempo de Champions League. O Benfica estreia-se na edição deste ano da prova raínha de clubes a nível europeu frente a um velho conhecido, o Celtic Football Club. Como de costume, em jogos internacionais, realizamos a habitual crónica "Faça-se Luz", mas desta vez com algumas novidades. Com a colaboração do Phant, do blog Chama Gloriosa, foi realizada uma análise táctica detalhada com base na observação de vários jogos dos escoceses. Se o feedback for positivo, será para continuar.


Fundação, Willie Maley e Jimmy McGrory


Apesar da história de sucesso que todos reconhecemos ao Celtic, as origens deste clube são humildes e prendem-se com causas sociais. A ideia original partiu de um pároco irlandês, o padre Walfrid, residente em Glasgow, Escócia, e consistia numa angariação de fundos para financiar uma instituição de caridade que tinha como objectivo diminuir os índices de pobreza em Glasgow. Walfrid via no clube uma forma de angariar dinheiro para questões de solidariedade social, à semelhança do que acontecia com outros emblemas escoceses, como o Hibernian, por exemplo e denominou-o de “Celtic” de forma a relembrar as origens escocesas mas também irlandesas do clube. Mas houve quem visse no Celtic mais que uma instituição de caridade e quiseram torná-lo num dos maiores clubes do Reino Unido: John Glass, um homem do ramo da construção, investiu algum dinheiro e contratou, à revelia do padre Walfrid, 8 jogadores do Hibernian, um dos melhores clubes à data, dando o mote para aquilo que o Celtic se tornaria. Glass torna-se presidente do clube e contrata, em 1897, Willie Maley para treinador principal, cargo que ocuparia até 1940. Sim, não há engano nenhum: Maley treinou os católicos durante 43 anos consecutivos, durante os quais venceu 16 ligas e 14 taças da Escócia, menos um troféu que os arqui-rivais da cidade e do país, o Rangers. Mas a repartição de troféus entre católicos e protestantes terminaria brevemente. Entre 1945 e 1965, período em que o Celtic teve como treinador Jimmy McGrory, os verde-e-brancos venceram o campeonato em apenas uma ocasião, contra dez dos rivais. O Rangers cavava desta forma um fosso de qualidade que os distanciava claramente do Celtic.

Glória pela mão de Jock Stein


John “Jock” Stein foi apenas o quarto treinador do Celtic em quase 80 anos de história. Stein fora jogador dos católicos num período de domínio do rival Rangers e tornava-se o primeiro treinador protestante a orientar a equipa. O percurso enquanto treinador do Celtic foi todo ele recheado de sucesso. Sob o seu comando, a equipa ganhou o campeonato por nove vezes consecutivas, algo que só seria igualado pelo Rangers na década de 90, e tornou o Celtic na primeira equipa britância (e única escocesa até hoje) a ganhar a Taça dos Campeões Europeus (agora denominada de Liga dos Campeões), feito curiosamente alcançado em Lisboa, onde derrotaram o Inter de Helenio Herrera, no ano de 1967. Os Lisbon Lions, nome pelo qual são conhecidos os heróis desta conquista europeia, voltariam a marcar presença na final da TCE em 1970, após eliminarem o Benfica no desempate por… moeda ao ar, mas saíram derrotados às mãos do Feyenoord. Stein ganhou enorme reputação sendo considerado um dos melhores treinadores escoceses de sempre, mas acabou por sair do clube em 1978, depois de ter ganho apenas um dos quatro campeonatos anteriores. Foi, contudo, autorizado a escolher o seu sucessor, indicando para o cargo o capitão da equipa vencedora da TCE – Billy McNeill. Sob orientação de McNeill, o Celtic voltou a dominar internamente, com três campeonatos ganhos e dois segundos lugares durante os cinco anos de reinado do ex-capitão, que acabaria por sair devido a sucessivos desacordos com a direcção do clube.


Declínio, aparecimento do Aberdeen e o regresso do Rangers

Depois desta Era de sucesso, o Celtic enfrentou um período de declínio que acaba sempre por existir em quase todas as grandes equipas. Com a bipolarização do futebol escocês cada vez mais evidente, o Rangers aproveitou-se e igualou o feito do Celtic de Stein ao ganhar nove campeonatos consecutivos, entre 1989 e 1997. O Celtic perdeu identidade e perdeu também algum protagonismo para o Aberdeen, que se superiorizou aos verdes durante alguns anos, como fruto do trabalho lançado por um tal de Alex Ferguson. O regresso de McNeill após a curta passagem de Davie Hay daria o único título de campeão aos católicos em 10 anos. A ele seguiram-se vários treinadores, incluindo o primeiro estrangeiro, o irlandês Liam Brady, e o holandês Wim Jansen, que quebrou a senda de títulos dos protestantes ao ganhar o campeonato em 1998. Contudo, esse foi um sucesso efémero até à chegada do homem que voltaria a colocar o Celtic na rota do sucesso.

Um futebol diferente por Martin O’Neill e Gordon Strachan


Esse homem foi Martin O’Neill. Apesar de o Celtic ter sido sempre uma equipa de cariz marcadamente ofensivo, o norte-irlandês, que havia vencido a TCE sob orientação do mítico Brian Clough ao serviço do Nottingham Forrest, deu um toque de qualidade com a integração de jogadores anormalmente bons para a Liga Escocesa: o avançado Chris Sutton, os médios Neil Lennon e Didier Agathe e o defesa Joos Valgaeren juntaram-se a grandes atletas como Henrik Larsson, John Hartson, Petrov e Mjallby para mudarem definitivamente o domínio do futebol escocês a favor do Celtic. Com O’Neill, os católicos venceram três de cinco campeonatos, três taças e uma taça da liga, alcançando ainda uma final da UEFA Cup que perderiam, em Sevilla, para o Porto de Mourinho. Gordon Strachan sucedeu-lhe e conseguiu fazer uma transição tranquila de um plantel envelhecido para um conjunto de jogadores mais jovens e ainda assim capazes de assegurar um tricampeonato entre 2006 e 2008. O Celtic teve boas performances na Champions League, chegando inclusive a obrigar o AC Milan a ir a prolongamento nos oitavos-de-final em 2008.






O que dizem os Bhoys?

À semelhança do que se faz noutros países, nomeadamente em Inglaterra, com o famoso Spyin' Kop dos adeptos do Liverpool, decidimos também recolher opiniões entre os adeptos do Celtic FC. Agradecemos a disponibilidade do Finbar Gibbons, Damo Rady, Alex Pocrnick, Kieran Walker, Johnny Organ, Tom Seungmin Lee e do Sean McConeghy, todos membros do grupo de adeptos do Celtic FC no Facebook.

1. Quais as vossas expectativas para a época 2012/2013?

Finbar Gibbons (FG): Espero uma vitória na Liga e tenho alguma esperança em que consigamos vencer as duas taças domésticas. Se alcançarmos os oitavos-de-final da Champions League, será um enorme sucesso.

Damo Rady (DR): Conquistar a Liga, o objectivo na Liga dos Campões já foi alcançado.

Alex Pocrnick (AP): Tudo o que não passe por ganhar a “tripleta” (Liga, Taça e Taça da Liga) será considerado um falhanço, é importante referi-lo. Continuar nas provas europeias para lá do Natal, será extremamente positivo e até algo realista.

2. Acreditam que vai ser mais fácil revalidar o título de campeão na Scottish Premier League sem a oposição do Glasgow Rangers?

AP: Com a folha salarial do clube, relativamente ao resto dos adversários na Liga, será um grande embaraço se não conseguirmos ganhar a Liga. Não há um único clube na Escócia que consiga competir com o nosso poder financeiro. Somos os favoritos na corrida ao título, e sim, é muito mais fácil sem o Rangers.

Kieran Walker (KW): Sim, a complacência pode prejudicar-nos.

Johnny Organ (JO): Sim, mas a Liga vai ser disputada, com as equipas a tentarem não ceder muitos golos.

3. Conseguem dar uma explicação para os fracos resultados obtidos nas competições europeias nos últimos quatro anos?

KW: Downsizing e ausência de uma política de transferências a longo prazo sob o comando de Tony Mowbray (ex-treinador).

Tom Seungmin Lee (TSL): Nos últimos dois anos, Neil Lennon tem sido o nosso treinador, mas ele precisa de amadurecer ainda mais como treinador de futebol. Também é o momento de deixar a sua equipa estabelecer-se e crescer, até porque o plantel é bastante novo.

Sean McConeghy (SMC): A História ensinou-nos a esperar sermos esmagados nos jogos for a. A equipa entra nos jogos com essa mentalidade.

4. O que é que levou a que o Celtic ficasse progressivamente mais fraco com o passar dos anos, nomeadamente em comparação com a equipa que tinham entre 2002 e 2007? Por que motivo não conseguiram substituir jogadores como Henrik Larsson, Neil Lennon ou Paul Lambert, entre outros?

FG: É simples, não temos dinheiro para comprar jogadores que nos ajudem a ir longe na Europa. Como não há dinheiro no futebol escocês, o melhor que podemos fazer passa por contratar jogadores jovens e desconhecidos de ligas estrangeiras, como Beram Kayal, Victor Wanyama e Emilio Izaguirre.

TSL: São jogadores que não são fáceis de substituir. Aquando da saída de Gordon Strachan [treinador entre 2005 e 2009], perdemos o fio à meada, por isso temos de esperar. Mas essa altura chegou agora.

AP: Os valores das transferências e dos salários sofreram uma enorme inflação na era pós-Abramovich, e esse tipo de “injecção financeira” simplesmente não acontecerá no futebol escocês. Não podemos competir numa escala continental com o mercado actual. Também não ajuda que a nossa Liga não seja um destino atractivo para os jogadores. Campeonatos como a Primeira Liga Portuguesa oferecem uma transição cultural razoavelmente suave para os jogadores sul-americanos, enquanto que a Primeira Liga Russa oferece salários exorbitantes. A Scottish Premier League não oferece nenhum desses benefícios.

5. Qual foi o ponto mais alto da História do Celtic? E qual a pessoa mais importante em toda a História do clube?

DR: O facto de ser a primeira equipa britânica a conquistar a Taça dos Campeões Europeus. Todos os adeptos.

TSL: A vitória na Taça dos Campeões Europeus em 1967 e Jock Stein.

KW: Os êxitos de 1967 e 2003. A equipa de 2004 também poderia ter chegado longe na UEFA Cup se tivesse saído da fase de grupos da Champions League. Padre Walfrid, Jock Stein, Tommy Burns, Fergus McCann.

6. Estão satisfeitos com o resultado do sorteio da UEFA Champions League?

SMC: Sim, estou ansioso para ver os Bhoys [alcunha do Celtic Football Club] em quatro dos maiores palcos europeus.

KW: Não, queria que nos tivessem calhado equipas com as quais não tivéssemos jogado no passado.

FG: Sim e não. Podemos sair do grupo com um bom resultado, mas será difícil uma vez que temos, de longe, o menor orçamento das quarto equipas.

7. O que sabem sobre o futebol português, nomeadamente sobre o SL Benfica?

AP: Enorme clube, um dos três grandes em Portugal, conhecido por formar consistentemente equipas com uma capacidade incrível para se bater com os melhores da Europa apesar dos constrangimentos do mercado. Eusébio é uma lenda. Estive no amigável Celtic-Benfica em Toronto há um par de épocas atrás e fiquei deveras impressionado com o apoio dos adeptos encarnados lá.

JO: Uma equipa enorme, com muita História e jogadores de qualidade.

FG: O Benfica tem uma grande falange de apoio, uma história rica e bons adeptos. Encontrei alguns nos jogos disputados no Celtic Park e pareceram-me um grupo de pessoas agradável e amigável.

8. Se pudessem contratar um jogador da nossa equipa, qual escolheriam?

DR: Cardozo.

AP: Antes do fecho do Mercado, teria dito Axel Witsel, confesso. Provavelmente Óscar Cardozo, é um monstro enquanto jogador de área e dominaria se jogasse na Escócia.

JO: Cardozo, mas também poderia dizer Luisão.

9. Quem consideram ser o vosso melhor jogador? E o pior (de entre os que provavelmente serão titulares)?

SMC: Melhor: Mulgrew; Pior: Wilson

JO: Com base na forma actual, diria que Commons ou Wanyama são os melhores, Lustig o mais fraco, mas Matthews jogará provavelmente no seu lugar.

KW: Wanyama e Ledley são os melhores. Os defesas laterais podem ser algo naives e um pouco descuidados, mas é um onze relativamente forte se tudo correr bem.

10. Qual será o onze inicial com que o Celtic vai alinhar contra o SL Benfica?

SMC: Forster; Matthews, Izaguirre, Wilson, Mulgrew; McCourt, Ledley, Brown, Wanyama; Watt, Hooper.

FG: Forster, Izaguirre, Mulgrew, Rogne/Ambrose, Matthews, Commons, Kayal, Ledley, Brown, Hooper, Samaras. O nosso onze pode não ser este, temos jogadores novos que poderão ser titulares.

AP: Gostaria que onze fosse qualquer coisa como isto: Forster; Izzy, Mulgrew, Rogne, Matthews; Ledley, Brown, Commons; Forrest, Hooper, Samaras (4-3-3).

11.Que prognósticos fazem para ambos os jogos contra nós?

DR: Celtic 2-1 Benfica; Benfica 1-0 Celtic

TSL: Celtic 2-1 Benfica; Benfica 0-0 Celtic

JO: Ambas as equipas deverão vencer em casa, mas de forma bastante difícil.

sábado, 8 de setembro de 2012

Pack UEFA Champions League

Começa hoje a venda dos bilhetes para a UEFA Champions League. Numa primeira fase, estará disponível um pack de bilhetes à semelhança do que se passou nos anos anteriores, a preço convidativo. Para um sócio, ver o Barcelona, Spartak e Celtic custa "apenas" 45 euros na central, mais 3 euros que no ano anterior, mas ainda assim um preço bom face à realidade que o país vive e face à valia dos adversários. Com o Barcelona haverá, certamente, casa cheia. Resta saber se os adeptos comparecerão igualmente aos encontros com russos e escoceses. Seria importante que tal acontecesse.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sorteio da UEFA Champions League


Bem-vindos à Liga dos Campeões. O Benfica está na fase de grupos da maior competição europeia de clubes pelo terceiro ano consecutivo. E se até temos tido alguma sorte no passado com os sorteios, desta vez a sorte nada quis com o Benfica. Barcelona, Spartak e Celtic constituem um trio de adversários de qualidade e com algum peso histórico nas provas europeias que vão causar, certamente, dores de cabeça aos benfiquistas.

Desde o regresso regular do SLB à fase de grupos da Champions, em 2006, o nosso clube teve sempre hipóteses, mesmo que ténues, de lutar pelo primeiro lugar. Nunca nos calhou, nos últimos anos, um tubarão europeu no topo da sua forma. United em 2006, 2007 e 2012, Milan em 2008 ou Lyon em 2011, não eram equipas que não estivessem, pela qualidade intrínseca ou pela forma de jogar, num patamar assim tão inalcançável ao Benfica. Não era exigível ao Benfica que ficasse em primeiro lugar, claro que não, mas era possível, ainda que inverosímil, que tal acontecesse. Pois bem, este ano o primeiro lugar está, a meu ver, entregue. O Barcelona é uma equipa muito superior a todas as outras e mesmo sem Guardiola tem tudo para ganhar o grupo com enorme facilidade. Poderá almejar aos 18 pontos? Sim, pode. Ganhar duas vezes a Benfica, Spartak e Celtic é possível. Mas se olharmos ao que o Barcelona fez nos últimos anos, vemos que os catalães perderam sempre pontos na fase de grupos, mesmo com as equipas que ficaram em 3º e 4º lugar. Dos últimos 24 jogos dos blaugrana na fase de grupos, o Barça tem o registo de 16-6-2, que se dividem em 9 vitórias, 1 empate e 2 derrotas em casa (empate com o Milan em 2012 e derrotas com Shakhtar em 2009 e Rubin Kazan em 2010) e 7 vitórias, 5 empates 0 derrotas fora (empates com Basel em 2009, Inter e Rubin Kazan em 2010, Kobenhavn e Rubin Kazan em 2011). O Barça nunca fez o pleno na fase de grupos da Champions, sendo que desde a Era Guardiola não perdeu um único jogo fora de casa. Importa portanto, num grupo onde Benfica, Spartak e Celtic, equilibradamente, discutirão a segunda vaga de acesso aos oitavos-de-final, sermos nós a roubar pontos à equipa de Messi e companhia. Não é impossível, outras equipas no passado já o conseguiram, e vendo o calendário do Barça até podemos considerar que tivemos muita sorte com as datas dos jogos: recebemo-los entre uma ida a Sevilla e uma recepção ao Real para a Liga BBVA e deslocamo-nos a Camp Nou na última jornada, quando é expectável que o Barça tenha o apuramento e o primeiro lugar já garantidos. Ainda assim, o Barcelona é a melhor equipa europeia e aquela que mais queria evitar do pote 1.

Na luta pelo segundo lugar do grupo, o Spartak é a equipa mais forte imediatamente a seguir ao Benfica. O plantel é equilibrado, o meio-campo é o sector chave da equipa, têm um dos mais ardilosos treinadores europeus, Unai Emery e têm sido consistentes no campeonato interno nos últimos anos, apesar de não o ganharem desde 2001. Na Europa, no entanto, é difícil encontrar um percurso digno de registo. Nos últimos anos, os russos têm acumulado falhanços, ao contrário do que sucede com outras equipas do seu país, casos de CSKA e Zenit. Apenas duas presenças na fase de grupos da Champions nos últimos anos, em 2006/2007 e 2010/2011, onde caíram aos pés de Bayern e Inter (mas ainda assim afastaram o Sporting) primeiro e Marseille e Chelsea depois. Marcaram ainda algumas presenças na Liga Europa mas sem grande registo, excepção feita a 2010/2011, onde após a eliminação na Champions, chegaram aos quartos-de-final, sendo batidos sem apelo nem agravo pelo Porto. No entanto, este ano, o Spartak parece-me bastante diferente e muito mais preparado para triunfar na Europa. É um adversário de peso, bem mais difícil de derrotar que o frio de Moscovo ou que o seu relvado sintético. É fundamental vencer na Luz e tentar, se possível, arrancar um empate na capital russa. Se tal não acontecer, é preciso fazer mais pontos que os russos nos duelos com o Barça e, sobretudo, Celtic. Do pote 3, não era uma das duas principais equipas a evitar (Juventus e PSG), mas também não era uma das mais apetecíveis (Anderlecht, Ajax e Lille).

O decadente mas sempre perigoso Celtic é uma equipa habituada a marcar presença na Liga dos Campeões fruto do seu campeonato pouco competitivo. Na Escócia, todos sabem que no final da época, os dois lugares do topo estão destinados a Rangers e Celtic, protestantes e católicos. Contudo, este ano será bastante diferente. O derby de Old Firm não se realizará devido à descida do Rangers, deixando caminho aberto ao Celtic para ser campeão e permitindo uma mais larga gestão do plantel face aos jogos da Champions, permitindo poupar jogadores no campeonato para atacar melhor a prova europeia. Olhando para a actual equipa do Celtic, o único nome sonante é o do grego Samaras. Perdeu-se a mística e a qualidade dos tempos de Larsson, Petrov, Lambert, Miller, Nakamura ou Lennon, o actual treinador. Vencer os escoceses em casa é uma obrigação. Derrotá-los fora será bem mais fácil que em 2007 (derrotados por 3-0) ou 2008 (derrota por 1-0), fruto da falta de qualidade que hoje apresentam. Nos últimos anos, o declínio europeu do Celtic tem-se acentuado vertiginosamente. De 2005 a esta parte, os católicos foram sucessivamente 22º, 24º, 24º, 41º, 48º, 53º, 54º e 63º no ranking europeu, iniciando a presente temporada no 66º posto. O último grande momento europeu do Celtic foi a chegada aos oitavos-de-final da Champions em 2008, tendo perdido nessa ocasião contra o Barcelona por 4-2. Desde então, só por uma vez, no ano seguinte, voltaram a chegar à fase de grupos, mas saíram pela porta pequena ao ficarem em último lugar. Esbarraram sucessivamente nas 3ªs pré-eliminatórias e nos playoffs de acesso à grande prova europeia e, para surpresa de muitos, nem por uma vez ultrapassaram a fase de grupos da Liga Europa. Ainda assim, pese embora esta análise mais fria sobre a qualidade do Celtic, importa lembrar que é uma equipa com enorme tradição e muita rodagem na Europa. Não menosprezem o Celtic, até porque, do pote 4, estava logo a seguir a Dortmund e Málaga na lista de equipas a evitar.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Já sentia a falta dos teus comentários

«Bater o Man Utd é sempre um grande feito, seja qual for a competição. Por isso não tenho problemas em dar os parabéns aos jogadores do Chelsea e a Carlo Ancelotti: merecem ser felizes. Para o ano esperemos que o título regresse ao local mais bonito do Mundo!»
Sir Alex Ferguson

«Para mim somos os campeões, pela forma como estivemos no campeonato, porque este fica marcado por muitas situações que em nada abonam o futebol. O Benfica fez um terço do campeonato a jogar contra dez, enquanto nós tivemos dois jogos nessas circunstâncias»
Domingos Paciência

A diferença entre dois treinadores pode-se ver em vários momentos do jogo, mas também no momento da derrota. E aí há Homens e crianças, há os que sabem perder e os que não sabem. A diferença é simples: enquanto Ferguson soube dar os parabéns ao Chelsea, Domingos preferiu usar maus argumentos tentando justificar situações que foram bem ajuizadas, para além de dizer baboseiras como a história das expulsões (facilmente desmascarada, pois o Braga viu 11 adversários serem expulsos durante a Liga, enquanto que o Benfica viu 16, mas todos os nossos foram bem expulsos e muitos deles no final das partidas com o resultado já mais que resolvido, como por exemplo Bruno Vale, Neca, os dois do Nacional, um do Leixões, Assis, por aí fora...).

Que Domingos não sabe perder já todos sabíamos, mas que continua com o Benfica tão presente na sua mente é, para mim, uma novidade. Desta vez, após a vitória sobre o Celtic, voltou a falar... do Benfica (surpresa!). Mais concretamente de uma derrota por 3-0 na em Hampden Park. Dizia Domingos que o Benfica também tinha ganho por 3-0 na Luz e que depois foi perder pelo mesmo resultado à Escócia. O problema, é que era numa fase de grupos, com Fernando Santos, e primeiro veio a derrota por 3-0 e só depois a vitória na Luz. Fora isso está tudo certo, ó Domingos. Vê lá é se o Celtic não se lembra de fazer uma gracinha como fez há uns anos com o Petrzalka, pode ser que este ano se concretize.

P.S. E por fim, juma boa notícia: Jabulani branca na Liga Zon Sagres, assim parece que vamos conseguir ver uma bola em campo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Sorteio Champions League

Sorteio complicado para o Benfica, mas nada de inultrapassável. O defensor do título Milan, o carrasco do ano passado Celtic e o milionário Shakhtar não me assutam. Estou confiante. O primeiro jogo é já no dia 18 de Setembro, em San Siro.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Homenagem


Logo à noite os Escoceses do Celtic vão mostrar esta faixa em pleno Estádio da Luz. Façam o favor de os aplaudir por mim. Um exemplo de fair-play e desportivismo, tradições muito diferentes das que estamos habituados em Portugal. Benfica, Liverpool e Celtic, três clubes grandiosos como poucos há no mundo.

E quando a música toca..