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domingo, 29 de abril de 2012

Preparar 2012/2013 - Guarda-redes (contratações)

Como expliquei no post anterior, Artur, Eduardo e Mika seriam, por mim, os três guarda-redes que integrariam o plantel. No entanto, face ao custo e exigências do internacional A português, parece-me extremamente difícil que aceite ficar mais um ano no banco de suplentes do clube do seu coração. Por isso, e sabendo de antemão das permanências de Artur e Mika, apresento um conjunto de alternativas para preencher o lugar de suplente. Jogadores com capacidade para suprir uma eventual ausência de Artur e que aceitem o lugar de "nº2" no que à luta pela baliza diz respeito. São eles:

Oblak - Mostrou qualidades na União de Leiria que me levam a acreditar que pode vir a ser, mais ano menos ano, titular da baliza do Benfica. Com apenas 19 anos, já feitos em 2012, Oblak mostra uma segurança, concentração e, sobretudo, qualidades técnicas que podem vir a fazer dele um dos grandes guarda-redes do futebol mundial a longo prazo. Tem um talento natural que, devidamente potenciado, vai lhe dar a si e ao seus clubes muitas alegrias. A meu ver, seria a primeira escolha para suceder a Eduardo, ficando o plantel benfiquista com Artur a titular e Mika e Oblak a rodarem entre o banco de suplentes, as Taças internas e a equipa B. Assim, os dois jovens guardiões teriam muitos minutos de jogo.

Moreira - Um regresso a casa. Moreira passou uma época no País de Gales, ao serviço do Swansea, mas não foi feliz. O internacional português, formado no Benfica, disputou apenas um jogo, a contar para a Carling Cup, tendo passado o resto do tempo na bancada, tapado por Vorm e Tremmel. Na Luz, todos conhecem o valor de Moreira. É um guarda-redes benfiquista, regular, cria bom balneário e aceita a condição de suplente. Quando foi chamado para defender as nossas redes, raramente comprometeu. Além disso, é português e formado no clube. Parece-me uma opção válida para figurar como segundo guarda-redes.

Rui Rego - Uma das revelações da Liga Zon Sagres 2010/2011, Rui Rego confirmou as boas indicações dadas e afirmou-se em Aveiro sendo um guarda-redes que merece claramente um palco maior e melhor. Apesar de ter apenas 1,76 m (Manuel Bento tinha 1,73 m), os guarda-redes não se medem aos palmos e a sua qualidade é inegável. Dentro dos postes é rápido e atento, fora deles não costuma comprometer. É português e está na idade em que os guarda-redes atingem o seu pico de forma. Poderia muito bem ser o suplente de Artur Moraes.


Paulo Lopes - Há guarda-redes de valor que passam uma carreira inteira despercebidos aos olhos de adeptos, treinadores, dirigentes e comunicação social. Paulo Lopes é um deles. Nunca percebi a razão pela qual este guardião português formado no Benfica nunca se conseguiu afirmar em clubes de grande dimensão em Portugal. Tinha, e ainda tem, valor para mais. Em 2005 foi responsável pela subida do Estrela da Amadora bem como pela chegada da sua equipa às meias-finais da Taça de Portugal. Em 2008 é figura-chave ao trazer o Trofense à Primeira Liga pela primeira vez na sua História e repete a proeza com o Feirense em 2011, ao trazer os nortenhos ao escalão máximo do futebol nacional pela primeira vez em mais de 20 anos. Tecnicamente é um bom guarda-redes e disfarça bem os seus 33 anos com uma agilidade fora do normal. Seria uma solução a curto-prazo, mas uma boa solução.

Fabiano - O Olhanense descobriu uma pérola do lado de lá do Atlântico. Chama-se Fabiano Freitas, tem 24 anos e é um dos principais responsáveis pelo bom campeonato que a equipa de Olhão tem feito. Impressiona pela estampa física (1,97m), mas, ao contrário do que se possa pensar, é pela velocidade e reflexos que impressiona. Um monstro entre os postes. Tem, no entanto, de melhorar muito nas saídas da baliza, uma vez que está longe de ser um bom guarda-redes pelo ar. Mas com tempo e treino, teremos aqui um guarda-redes interessante. Penso que o Benfica conseguiria contratá-lo por um bom preço e o jogador não se importaria muito se fosse suplente.


Júlio César - Chegou pela mão de Jorge Jesus e ainda tem contrato com o Benfica. É tecnicamente bom e até acredito que poderia ser o suplente de Artur, mas já está de tal modo queimado aos olhos do actual treinador e de alguma massa adepta que penso que a melhor solução seria encontrar colocação dentro do mercado nacional, numa equipa com aspirações europeias e que permitisse a Júlio César ser titular indiscutível (Marítimo, Guimarães, Nacional), contribuindo assim para a sua reabilitação.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Quim, Moreira (e eu)

Segundo o que se lê por aí, seja em blogues ou em jornais desportivos, tudo indica que o Benfica vai ser dizimado pelos grandes europeus. Vão contratar todo o nosso plantel, excepto o Luís Filipe, se tudo correr como previsto. Cardozo, Saviola, Nuno Gomes, Aimar, Di Maria, Coentrão, Luisão, Javi Garcia, Ramires, David Luiz, Maxi Pereira, Miguel Vítor, Peixoto e, vejam bem, até Jorge Jesus e... Rui Costa são dados como possíveis transferidos para outras bandas. Desde que não levem a águia Vitória da porta principal, por mim...

Quanto a Quim e Moreira a situação é diferente. No início da época, Moreira ia ser titular e Quim dispensado, depois Quim passou a ser o titular e Moreira era o suplente, Moreira deu um frango e passou a terceiro guarda-redes enquanto Quim cimentava a o "número 1", Quim comprometeu aqui e ali, Moreira foi um excelente profissional, Quim não inspirava segurança, vão sair os dois, só renova Quim, só renova Moreira, renovam ambos, o que se faz com Júlio César? A novela vai durar, muito provavelmente, até 30 de Junho. Mas eu sei o que faria a ambos.

Quim sempre foi um bom profissional enquanto esteve no Benfica. Chegou em 2004 para ser o suplente de Moreira mas Trapattoni deu-lhe a titularidade no final da primeira volta. Com Koeman passou pela fase mais complicada da sua carreira, sendo inexplicavelmente afastado após 6 jogos consecutivos sem sofrer golos em que jogou lesionado, em detrimento de um brasileiro de qualidade duvidosa. Teve alguns atritos com o treinador holandês e ambos ficaram mal na fotografia. Com Fernando Santos foi titular indiscutível, tendo feito uma época de altos e baixos, apesar de os "baixos" raramente terem sido altamente prejudiciais para o Benfica. Na péssima época de 2007/2008, que culminou num triste quarto lugar, Quim fez, curiosamente, a sua melhor época, com defesas simplesmente impossíveis (lembro-me de uma, no Bessa, frente ao Leixões), sendo também indiscutível para Santos, Camacho e Chalana. Com Quique teve altos e baixos, começou como titular, caiu para suplente após um monumental frango contra o Setúbal poucos dias depois de levar 5 do Olympiakos, regressou para a final da Taça da Liga onde num jogo de grandes emoções defendeu três penalties e voltou a segunda opção após novo jogo mal conseguido com o Trofense.

O percurso de Moreira no Benfica também está marcado por altos e baixos, lesões, confiança e desconfiança (nomeadamente de Luisão), defesas monumentais e uma estranha relação com a massa adepta. Começou muito novo como substituto do malogrado Robert Enke e desde cedo conquistou o exigente terceiro anel. Manteve-se titular indiscutível até porque a concorrência era nula (Bossio e Thorton), tendo rubricado exibições simplesmente geniais como as célebres frente ao Rosenborg e Sporting em 2004. Com a chegada de Quim, alternou com este, sendo aposta inicial de Trap mas passando a suplente após um Belenenses 4-1 Benfica, onde por sinal foi o melhor elemento de uma equipa que tinha na defesa João Pereira, Fyssas, Argel e Amoreirinha. Com Koeman foi aposta inicial, mas eis que aparecem e sucedem-se as múltiplas e graves lesões nos joelhos. Fica de fora do resto da época e também não joga nas duas seguintes por opção de Fernando Santos/Camacho/Chalana. Com Quique ao comando, alternou com Quim, apesar de me parecer que o espanhol até preferia o "1" ao "12".

Penso que o Benfica precisa de um guarda-redes superior aos três que já tem. Hoje em dia, é difícil contratar um com grande classe e a preço acessível, apesar de algumas das melhores escolas (italiana e nórdica) terem alguns jogadores interessantes que até podem estar ao alcance do Benfica. E entre Quim e Moreira só ficava com um. Qual deles?

Moreira. Por todas as razões. Não considero Quim um mau profissional e não interpreto os seus sorrisos quando sofremos um golo como uma maneira de gozar com o Benfica ou com os adeptos, nem achei que aquele indicador à frente da boca fosse uma provocação aos benfiquistas, até porque o próprio Quim foi muitas vezes injustiçado pelos adeptos que o assobiaram e vaiaram quando sofria golos. Mas os seus 34 anos, que lhe permitirão jogar mais uma ou duas épocas ao nível que sabe e pode (com os erros de júnior que ainda comete), o facto de não aceitar muito bem a condição de suplente (como aconteceu com Koeman) e o facto de não ser da formação (algo importante para as listas da UEFA), fazem com que, na minha opinião, seja o guarda-redes a dispensar. Foi campeão pelo Benfica por duas ocasiões, venceu uma Supertaça e duas Taças da Liga, não se veste como muitos azeiteiros que por aí andam, manteve sempre um low profile e uma atitude anti-vedeta que não cativaram alguns adeptos, mas que a meu ver são importantes num jogador, e talvez por isso não tenha caído nas boas graças dos adeptos. Acho que a sair um guarda-redes, deveria ser ele, mas isso não significa que o devemos tratar como lixo. Aliás, este tipo de questões devem ser tratadas dentro do Benfica e apenas dentro do Benfica, evitando ao máximo a exposição mediática, como ter, por exemplo o treinador a falar do assunto em directo num programa televisivo. Não digo que Jesus não tenha falado sobre o assunto com Quim, acredito veementemente que o tenha feito, mas não deve trazer a público estas notícias.
Porquê Moreira? Porque é mais jovem, aceita a condição de suplente sem levantar ondas, é da formação e é melhor que Quim. Sim, melhor que Quim. Tecnicamente é superior em praticamente todos os aspectos do jogo, aliás, tenho grandes dificuldades em entender quem diz o contrário. É melhor nas bolas paradas, é melhor a sair da baliza tanto pelo ar como no chão, entre os postes é equivalente a Quim. Em termos de personalidade parece semelhante ao seu colega de posto. Por tudo isto, ficava com Moreira.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Como destruir tudo de bom em três dias

Pedro Mantorras é, ou era, até há bem pouco tempo, uma espécie de herói entre os benfiquistas. Não tanto pelo que fez de águia ao peito, mas mais pelas condições em que o fez e pelo que poderia ter feito. Lembro-me perfeitamente de um jogo na Luz, ainda ao serviço do Alverca e já com contrato assinado com o Benfica para a época seguinte, em que marcou os dois golos da sua equipa numa derrota encarnada por 0-2. Recordo-me dos noticiários do dia em que assinou, a loucura e a "febre" Mantorras tinham-se instalado. Os primeiros jogos confirmaram aquilo que se esperava, Mantorras era um talento como poucos, um autêntico diamante angolano. Em campo, só havia uma maneira de o parar: à pancada, método infelizmente usado e abusado pelos adversários.

A fasquia dos 18 milhões de... contos, o equivalente a 90 milhões de euros estabelecidos pela direcção do Benfica como valor para a saída do camisola 9, foram rapidamente ridicularizados pelos rivais. É certo que não valia tanto dinheiro à altura, mas hoje, sem lesões, poderia e estaria, muito provavelmente, acima de Eto'o e Drogba, os dois avançados de maior nomeada em África. Acredito veementemente que poderia ser, hoje, o melhor ponta-de-lança do mundo. Tinha tudo: velocidade de ponta, drible e finta magníficos, técnica de remate, posicionamento, jogo aéreo, jogo sem bola, tudo.

Mas vieram as lesões. Lembro-me das entradas bárbaras, lembro-me daquele defesa-central do Varzim chamado Alexandre, lembro-me das 19, sim, 19 faltas que sofreu num Boavista x Benfica, e por fim a lesão que ditou o princípio do fim, salvo erro uma falta gravíssima de Toñito. Depois, um calvário quase interminável com uma ou outra aparição, nomeadamente em 2004/2005, quando decidiu vários jogos com golos decisivos nos minutos finais. As características do grande Mantorras tinham desaparecido todas. Todas? Quase todas. Instinto. O instinto, o faro pelo golo não se alterou nem um bocadinho. E via-se no campo um Mantorras coxo, sim, porque ele coxeia claramente, só não vê quem não quer, mas com um faro pelo golo que era qualquer coisa de transcendente. E foi isso, com a sua aparente humildade, aliada ao seu padinho-quase-pai Luís Filipe Vieira, que o fez ficar no Benfica até hoje.

As declarações que teve para com o Benfica, seus dirigentes, treinadores, colegas e adeptos roçam o vergonhoso. Ultrapassam-no, até. Ao contrário do que o próprio Mantorras pode pensar, o Benfica fez muito mais por ele que ele pelo Benfica. Conhecem alguma clube que tenha aguentado um jogador incapacitado por mais de seis anos? A ganhar 50.000€ por mês?! Tomem como exemplo o caso Real Madrid-De La Red: mal os espanhóis se aperceberam da situação, fecharam a torneira, cortaram-lhe o salário. Mas a ingratidão de Mantorras, a sua falta de humildade, algo que também era característico de outros grandes jogadores do clube, não há que ter medo em dize-lo, chegam a atingir o campo na irracionalidade. Ficou triste por não ter sido convocado por Jorge Jesus para o último jogo? Queria o quê? Ir para o banco num jogo em que ainda não tínhamos ganho? Moreira, Júlio César e Roderick também podiam ter jogado neste campeonato, mas JJ não lhes deu minutos. Fizeram esta birra de um indivíduo de 28 anos com idade mental de 14? Nem pensar, aliás, Moreira foi dos mais efusivos nos festejos! A diferença entre uns e outros é que sabem reconhecer quem está em primeiro lugar, se o atleta ou o clube. E com estas atitudes, Mantorras arrisca a ser recordado não com saudade mas como um mero ex-funcionário. Com pena minha, mas foi o destino que ele escolheu.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sondagens #20 e #21

Pela primeira vez colocámos duas sondagens a decorrer simultaneamente no blog, algo que se manterá até final de 2010. Na primeira, os benfiquistas demonstraram que é na defesa que existe uma maior necessidade de reforços (43%), algo que pelos vistos não acontecerá a não ser que tenhamos uma surpresa nas próximas horas. A falta de um guarda-redes de classe mundial parece também preocupar uma parte dos adeptos do nosso clube (27%), enquanto que 23% dos votantes acreditam que não há necessidade de reforçar nenhum sector do actual plantel de futebol. Apenas 3% dos votantes acreditam que o meio-campo e o ataque, cada, precisam de reforços. Votei na defesa como o sector que mais necessitava de reforços, pois parece claro que, apesar da qualidade existente no centro da mesma, é nas laterais que residem os maiores problemas: nem Maxi nem Peixoto têm um suplente natural ao lugar, sendo que serão necessárias adaptações. Para o lugar do primeiro já sabiam que João Pereira seria a minha escolha, para o do segundo, e há falta de jogadores portugueses de qualidade, o jogador do Boca Juniors, Monzón, parece-me ser uma boa solução pelo que tenho lido, visto e do que me têm contado.

Nesta que será uma das muitas votações para o melhor jogador da década para cada uma das onze posições do terreno de jogo, Robert Enke foi eleito como o melhor guarda-redes com 54% dos votos, superando Quim com 38%, que até esteve à frente durante a primeira semana, e Moreira, esta por larga margem, tendo apenas obtido 7% dos votos. Independentemente das vicissitudes da vida, Enke foi o melhor e foi nele que votei por ser o mais completo dos 3 guardiões.

Já estão disponíveis as novas sondagens, podem votar desde já para eleger o maior adversário a abater esta época e o melhor defesa-direito da década.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Moreira e Miguel Vítor

Moreira, com dez anos de casa, no Sport Lisboa e Benfica, é o jogador do actual plantel que está há mais tempo no clube. Miguel Vítor, salvo erro, entrou para o Benfica com apenas 11 anos, tendo pelo menos 9 anos de clube. Ambos são jogadores que fizeram parte do seu percurso de formação no SL Benfica e parece que nem um nem outro agradam a Jorge Jesus.

A carreira de Moreira, em termos gerais, resume-se a uma entrada muito precoce para a equipa titular numa altura tenebrosa do clube. As suas boas exibições valeram-lhe um estatuto de intocável e o respeito da massa associativa que o acarinha. No entanto, a chegada de Quim, as injustiças de alguns treinadores e as sucessivas lesões nos joelhos fizeram com que não se afirmasse em definitivo como titular. Passados dez anos da sua estreia, continua no clube, embora me pareça que seja por apenas mais 6 meses, quando o seu contrato expirar em Junho.

Miguel Vítor ingressou mais cedo no Benfica, proveniente do Torreense, mas teve dificuldades iniciais em afirmar-se nos escalões jovens. Apenas quando chegou aos juvenis é que começou a impor-se: a evolução técnica, táctica e física fez com que se tornasse titular quase indiscutível, o que aliado à sua atitude correcta fora das quatro linhas lhe valeu a braçadeira de capitão, que manteve nos juniores, onde foi peça-chave da equipa. Chegou ao plantel principal em 2007, pela mão de Camacho, que o lançou às feras num Benfica - Vitória SC. Lembro-me bem desse jogo: entrou nervoso, mas logo na primeira intervenção fez um corte e foi fortemente aplaudido pelo exigente 3º Anel. Empréstimos pelo meio, banco em algumas situações e titular umas quantas vezes fizeram de Miguel Vítor um jogador com grande futuro.

O que se passa é que a situação destes dois jogadores no Benfica não é muito certa, ou melhor, o seu caminho parece estar traçado: Moreira já tem o carimbo de saída, penso que já todos percebemos isso. Não concordo, pois para além de ser da casa, é um bom guarda-redes cujos atributos são superiores aos de Quim. Além disso, o titular encarnado já leva 34 anos e não sabemos quando tenciona pendurar as luvas.
Por outro lado, Miguel Vítor não parece ser um jogador do agrado de Jesus, devido à sua fraquíssima utilização (nem no jogo com o Monsanto foi titular, lembram-se?) e pelas raras presenças no lote dos convocados. O empréstimo sem opção de compra afigura-se como a opção mais plausível, e acho que até seria uma boa ideia a sua ida para equipas como o Belenenses, Académica, Leiria, sempre em Portugal, onde seja titular. No entanto, em situações como a de Vila do Conde, onde David Luiz e Sidnei não puderam jogar, quem jogaria? É verdade, os 4 centrais são mesmo essenciais. Mas o problema é que não acho que Jesus conte com Miguel Vítor para o futuro. A sua venda seria um enorme erro por parte do Benfica.

Com planteis cada vez menos portugueses, a saída destes dois jogadores não augura nada bom para aqueles que, como eu, gostariam de ver mais jogadores nacionais no Benfica. Ainda por cima Miguel Vítor e Moreira, produtos das escolas do Benfica! Para aqueles que não se lembram, eu volto a dizer o onze base com que fomos campeões em 2004/2005: Quim; Miguel, Luisão, Ricardo Rocha e Dos Santos; Petit, Manuel Fernandes, Geovanni, Nuno Assis e Simão; Nuno Gomes. Exactamente, 8 portugueses! Pensem nisso.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Moreira

No dia 3 de Novembro de 2001, num jogo disputado no Estádio da Luz, frente ao Vitória de Guimarães, Robert Enke lesiona-se à passagem do minuto 24. No banco, um jovem de apenas 19 anos é chamado a fazer a sua estreia. Esse jovem dava pelo nome de José Filipe Moreira. Aquando da substituição, os aplausos foram tímidos, pois as esperanças dos benfiquistas estavam postas no guardião alemão (um dos melhores que passou pelo Benfica nos últimos anos), e o estádio gelou, quando, ainda na primeira parte, um jogador do Vitória atirou uma bola ao poste daquele jovem que ninguém conhecia. No final do jogo, o Benfica tinha conquistado um empate a zero. Até final dessa mesma época de 2001/2002, o jovem Moreira ainda iria efectuar mais 9 partidas, concedendo apenas 6 golos, 2 dos quais de grandes penalidades.

Hoje, o cenário é diferente. Em tempos, a palavra "Moreira" gerou questionamento, concórdia, revolta. Nos dias que correm, quando se diz "Moreira" há várias facções: os que não acham que tem qualidade para pertencer ao plantel, os que acham que apenas merece o lugar de suplente, e os que acham que a titularidade lhe deveria ser entregue. Há cada vez mais dispersão nas opiniões sobre Moreira. De titular passa a dispensável pela direcção, segundo se diz.

A sua carreira foi pródiga em esperança e em sonhos, mas sem obter os sucessos e o patamar que muitos lhe destinavam. Objectivamente é assim mesmo. Estreou-se muito cedo na Luz, perante o exigente terceiro anel, e surpreendentemente convenceu. E assim manteve o posto por mais algumas épocas. Mas porquê esta falta de sucesso? Vários motivos podem explicar a razão da ausência da chegada aquele patamar de guarda-redes de topo: más decisões dos treinadores, especialmente Trapattoni, culpando-o por um jogo em que foi dos melhores, as duas lesões muito graves nos joelhos, a não-afirmação em momentos chave e as constantes mudanças de treinadores, uma vez que se o Benfica tivesse continuado com Camacho em 2004, com Koeman em 2006 e com Quique em 2009, possivelmente Moreira teria sido titular.

Muitos são os que afirmam que Moreira não tem qualidade para estar sequer no Benfica. Não entendo, sinceramente, especialmente quando usam o argumento mais falso deles todos: o de que Moreira transmite insegurança à defesa. Falso! Moreira é de longe mais seguro que Quim, que Moretto e, ao que me parece, que Júlio César também. É sem dúvida o mais tranquilo, e também o que tem maior capacidade de resposta às adversidades. Um guarda-redes que passou por aquilo que Moreira passou e consegue reerguer-se perante o infortúnio vezes sem conta não merece a desconsideração a que foi votado.

Fala-se de que é o preferido dos adeptos, mas tal não chega. E até tenho dúvidas que tal seja verdade hoje em dia. Verdade indesmentível é que Moreira não tem a margem de erro que os outros guarda-redes que passaram pelo Benfica têm. Não me consigo lembrar de actuações infelizes de Moreira. Talvez só aquela do Trofense, na época passada, porque de resto... já as de Quim são imensas, indiscutivelmente. E não tenho absolutamente nada contra o mais velho dos guardiões. O facto é que são frangos sucessivos e uma insegurança gritante nas bolas paradas e aéreas. Se Moreira tivesse a mesma margem de erro que outros, não tenho dúvidas que seria titular.

Há dois jogos que me ficam na memória, naquela que porventura terá sido a melhor época do nº1: em Trondheim, frente ao Rosenborg, num jogo em que apesar de ter sofrido dois golos, evitou mais de uma dezena de outros quase certos, um dos quais que seria apontado por Cristiano, esse grande defesa esquerdo; o outro jogo foi em Alvalade, num jogo que o Benfica precisava de ganhar para alcançar o segundo posto, o que efectivamente acabou por ocorrer, com golaço de Geovanni, num jogo monumental de Moreira. Conseguem lembrar-se de um enorme jogo de Quim?

E ainda há quem o queira ver pelas costas. Eu não tenho dúvidas: sem ser um predestinado, é o melhor guarda-redes do Benfica. Renovem-lhe o contrato já.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Quim, o gesto, a titularidade

Durante as duas últimas semanas estive de férias, razão pela qual o blogue não foi tão actualizado como deveria. Não deixei de acompanhar o Benfica (obrigado RTP Internacional!), aliás, até consegui ver o Benfica x AC Milan num canal espanhol (TeleDeporte, uma dependência da TVE), em que anunciaram que o minuto de silêncio era em memória da falecida mulher de Eusébio, confundiram Weldon com Carlos Martins durante a segunda parte (até que são parecidos, realmente). No entanto, seria despropositado falar de acontecimentos que se deram há mais de 5 dias, por exemplo. Sim, seria descabido, a não ser que um guarda-redes tivesse mandado calar os adeptos do seu clube.

Após defender o quarto e decisivo penalty, Quim, actualmente guarda-redes titular do Benfica colocou o dedo indicador à frente da boca, mandando calar os adeptos do clube que defende, mandando-os para a outra parte. Pelo menos foi esta a visão de umas quantas pessoas. Respeito-as, mas não concordo. Aliás, quem as profere, certamente nunca defendeu um penalty na vida.

Quim é um profissional exemplar. Desde que chegou ao Benfica, em 2004/2005, nunca, por um dia que fosse, teve a sua vida facilitada. Os adeptos sempre olharam o "12" de lado, com bastante desconfiança, visto que o "filho da casa", José Moreira, era, para a maioria dos adeptos, indiscutivelmente melhor. Mesmo assim, Quim, assobiado muitas das vezes que o seu nome era anunciado no próprio Estádio da Luz, respondeu invariavelmente com categoria, com grandes defesas, possibilitando pontos importantes ao Benfica. Jogou lesionado na época de Ronald Koeman, foi mal-tratado pelo treinador, mas, mesmo assim, manteve uma relação pacífica com os seus "colegas rivais" Moretto e, especialmente Moreira. Foi titular, foi suplente, foi 3º guarda-redes. Foi campeão, foi derrotado. Foi herói, foi vilão. Mas essa é precisamente a vida de todos os guarda-redes.

Nesta pré-época encaixou mais golos que os seus companheiros de posição, o que lhe valeu críticas vindas não só da comunicação social, mas também dos adeptos do Benfica, sendo que todos julgavam que o GR iria ser dipensado. Quim estava de malas feitas. Ou não.

Há cerca de 6 anos, o nosso antigo guarda-redes, Manuel Bento, um Eterno, deu uma entrevista a uma revista de futebol em que fazia uma avaliação dos melhores guarda-redes a nível nacional e europeu. Colocou nessa lista Buffon, Casillas, Toldo, Kahn, Vitor Baía, Ricardo, Moreira e... Quim. Além disso, falou de uma coisa muito importante e que jamais esquecerei especialmente eu, que quando jogo futebol sou o "Preud'homme" (ou "Bossio", tem dias) do grupo: a angústia e tensão do guarda-redes na altura do penalty. Quim, apesar de já ter defendido alguns penalties, é facilmente enganado, não sendo portanto um espcialista, ao contrário de Moreira, Moretto, Toldo, Ricardo, Cañizares ou Van der Sar. No entanto, não ser especilaista na defesa de grandes penalidades não significa que se seja um guarda-redes mediano: Buffon, Cech, Preud'homme também não são especialistas, e a sua qualidade é inquestionável. Por isso, e especialmente para Quim, defender um penalty é um motivo de alegria e satisfação redobradas, algo que deve ser exteriorizado. E todos sabem que os palavrões que se dizem não são com o propósito de ofender ninguém. É apenas exteriorização da raiva ou da alegria da vitória.

Quim ama o Benfica e os benfiquistas. E quem disser que o guarda-redes cometeu um erro gravíssimo e que deve ser crucificado por causa disso nunca na vida defendeu uma grande penalidade. Se calhar nem nunca jogou à bola. Deve então Quim ser o titular do Benfica? Não sei, quem decide é Jorge Jesus, mas tenho a minha opinião: Moreira é mais completo que Quim. Gosto muito de ambos, mas acho que Moreira está um patamar acima. E só não está ao nível dos maiores guarda-redes mundiais por três razões: opções técnicas (Trapattoni, Camacho, Fernando Santos e Quique Flores), lesões e falta de sorte. Sou "Moreirista"? Não. Sou Benfiquista. Mas entre os dois, Moreira é melhor.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Perfil Psicológico de Quim


A vitória benfiquista na Final da Taça da Liga era um imperativo, e felizmente foi conseguida. Tivemos um herói, improvável, é certo, depois de tudo o que passou neste últimos meses de Benfica: Quim. É precisamente sobre ele que versa este post.

Há uns meses, após o empate na Luz frente ao Vitória de Setúbal, escrevi que Moreira deveria ser rapidamente recolocado na baliza do Benfica porque e passo a citar "Banco de suplentes precisa-se e já! A ver se ele [Quim] arruma a cabeça!". O Quim não aguentava a pressão. Tinham sido 5 golos do Olympiakos, mais 6 do Brasil (obrigado Queiroz, não perco uma oportunidade para malhar em ti!) e mais um pato à PeQuim frente ao Vitória.

Passados 4 meses, o Benfica ainda pode vir a ganhar o título de campeão português, apesar de as hipóteses serem remotas. Uma boa maneira de sermos campeões é, na minha opinião, e se Quim estiver psicologicamente muito forte após os penalties defendidos no Algarve, colocar o nº 12 na baliza.

"Não concordo!" gritarão alguns. Possivelmente com razão. Mas foi também após uma enorme injustiça de Trapatonni ao retirar Moreira para colocar Quim que o Benfica conseguiu inverter a onda de maus resultados acabando por ganhar o campeonato que há 11 anos nos escapava.

Por isso, a alteração de Moreira por Quim pode ser sinal, para o resto da equipa, que as coisas podem mudar, de que tudo é possível. E talvez eles acreditem que sim. E talvez sejamos campeões.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Descubra o intruso!

Já sei que me vão cair em cima por causa disto, mas cá vai:

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BANCO DE SUPLENTES PRECISA-SE E JÁ! a VER SE ELE ARRUMA A CABEÇA!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Avé Moreira!


Muito obrigado, Moreira. Demonstras-te (mais uma vez) o grande jogador e profissional que és. Não é para todos, é só para um restrito lote de grandes, enormes jogadores, no qual incluo o Moreira. Reparem: chegou a titular num Benfica mergulhado numa grave crise económico-desportiva com apenas 19 anos, tendo sofrido pouquíssimos golos; foi afastado injustamente da baliza do Benfica e não se queixou; teve duas lesões muito graves nos joelhos e ainda assim recuperou; esteve três anos sem ser titular na baliza encarnada e nunca ouvimos uma palavra de mal-estar. Querem melhor? No domingo, mostrou-nos que é dos melhores: aquele penalti defendido só com a mão direita é de génio. Parabéns. Quanto ao jogo contra o Penafiel deu para perceber pelo menos três coisas:

1º - Mais de 20 000 pessoas nas bancadas num domingo à noite, de uma competição menos importante que outras e com transmissão televisiva. Bem melhor que os nossos vizinhos.

2º - O Real Madrid é o melhor clube do mundo. Vender o Balboa por 4 M €...

3º - Di Maria parece um daqueles miúdos de 10 anos dos recreios das escolas que gosta de "levar a bola para casa", sem nunca a passar a ninguém.