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quarta-feira, 15 de maio de 2013

O futebol é dos pequenos

Já abordado aqui. É, actualmente, e de forma distanciada, o melhor jogador na formação a actuar em Portugal. Tudo o que faz reúne classe, elegância, técnica, inteligência e criatividade. Joga, faz jogar, desequilibra, constrói, cria e defende.



Enorme a capacidade para executar em espaços reduzidos. Excelente a atacar o adversário que lhe sai à contenção, a criar o espaço para o colega entrar, com o último toque que dá com o pé esquerdo para dentro antes de passar a bola, e a soltar no momento certo. E, por fim, o souplesse. A magia.

Não encontre nenhum treinador preconceituoso, devido ao seu 1,70m, e terá Portugal a seus pés.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Competência dentro da incompetência

Jesus, ontem, foi competente. Competente dentro da incompetência. Porquê? Porque nunca na vida pode oferecer, daquela maneira, o controlo do jogo ao Porto. Jesus abdicou de jogar. Abdicou do ataque. Abdicou daquilo que é o mais importante no futebol. Da bola. Seja o contexto qual for, é a estratégia errada. Todavia, foi competente dentro dessa mesma estratégia. Conseguiu manter o Porto relativamente inofensivo, criando poucas oportunidades de golo e só não saiu do Dragão com um resultado positivo por mero azar. Bastaria um remate ao lado, bastaria um desfecho diferente para apenas uma jogada, para alterar, e de que maneira, o rumo das coisas. Um pormenor.

Agora, o porquê desta estratégia? Que a manutenção da bola não faça parte do ADN do Benfica e daquilo que Jesus pede aos seus jogadores, é tolerável. Contudo, não cabeça na cabeça de ninguém todo aquele festival de pontapé para a frente e desprezo pela bola num clube como o Benfica. Independentemente do Porto de Vítor Pereira, sem bola, ser assombroso, que o é, o Benfica tem jogadores e condições para fazer mais, bem mais.

Sobre a continuidade de Jesus: Sim. Muito se tem falado sobre um (hipotético) duelo onde o Benfica é, claramente, superior ao Porto de Vítor Pereira. Não querendo falar sobre a qualidade geral deste Porto, que é bem superior ao que tem lhe é reconhecido por essa internet fora, o Benfica luta contra um Porto que faz, em 29 jogos, 23 vitórias e 5 empates. É contra isso que o Benfica luta. Contra um Porto que está a ser, a nível classificativo, o segundo melhor desta década. É preciso roçar a perfeição.

Jesus já conseguiu o mais importante. Mostrar, no score final, a superioridade face a 14 dos 15 adversários do Benfica. Falta um. E com a cada vez mais importante influência do confronto directo no título de campeão nacional, talvez fosse tempo de começar a mudar algumas das suas ideias de jogo, mantendo o que de bom já existe. Qualidade para o fazer existe.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O milagre financeiro

Não são 20. Não são 40, nem tão pouco 50. São 80. 80 milhões.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Num estádio perto de si


Valerá, certamente, o preço do bilhete. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Um Benfica Europeu


Lembra-se disto? Provavelmente, não. Era o Dream Team. A melhor equipa que Portugal alguma vez viu, a nível de modalidades colectivas. Sobre este jogo, disputado em Almada: Vitória por 96-87, frente ao todo poderoso Panathinaikos. Carlos Lisboa com 32 pontos e Jean Jacques com 24 pontos e 9 ressaltos, lideraram o Benfica à vitória sobre a equipa que se viria a sagrar... Campeã europeia.

Isto serve de mote para o que vem a seguir: Qual é a razão para não vermos mais isto? Incompetência. Incompetência e desprezo. Há alguma razão para o Benfica, ainda para mais com o afastamento do concorrente directo da modalidade, não apostar num projecto que garanta a hegemonia total na modalidade a nível interno e capaz de competir por uma Eurochallenge? O Benfica, neste momento, vê-se dono e senhor da modalidade em Portugal. Tem um plantel e um orçamento infinitamente superior a todas as equipas a actuarem no país. Mas este está longe de ser o limite, bem longe. Com a dimensão que o clube tem, com as condições que tem, que são de elevada qualidade, e com a massa adepta, que neste momento se encontra adormecida, é um desperdício ver um clube com todo este potencial, a bater em cegos a nível nacional.

Há que montar um projecto ambicioso. Recrutar os melhores jogadores nacionais, oferecer-lhes estímulos internacionais, para que não optem por outros campeonatos, recrutar bons estrangeiros, que com a presença do Benfica nas competições europeias, tornará o clube ainda mais aliciante para jogadores estrangeiros, maioritariamente, e apostar, ainda mais, no desenvolvimento da formação. Já agora, palmas para o projecto da equipa B, a competir na Proliga. Passando as coisas para exemplos mais práticos, mesmo que no campo subjectivo: Ivan Almeida, Nuno Oliveira e Pedro Pinto, jogadores do Vitória SC, Barcelos e Galitos, respectivamente, são jogadores de qualidade bem acima da média. São jogadores que fariam sentido num Benfica que quisesse competir a nível europeu. A nível de estrangeiros: Jogadores como Doliboa, ainda no clube, Ted Scott, ex-jogador, importantíssimo no título do ano passado, Will Frisby, Marquin Chandler, que mostrou imensa qualidade ofensiva... Tudo jogadores de qualidade elevada, e que permitiram ao Benfica dar um salto qualitativo enorme. A nível de formação: Formar bem. Métodos modernos, de acordo com as melhores academias, recrutar bem, gerir bem a evolução (de nada vale ter jovens jogadores a jogarem, praticamente, sem oposição) e apostar.

Para finalizar, e para não dar azo a interpretações incorrectas. Não se está a defender que o Benfica tenha um plantel com um número absurdo de jogadores. A limitação, a nível de estrangeiros, está bem presente, também. Pede-se, apenas, que o Benfica seja o mais competente possível. Sim, sabemos que há um orçamento para cumprir. Mas está na altura de dar um passo em frente. Os dividendos serão retirados no futuro. A secção do clube merece.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Capacidade intelectual

O que se deve fazer numa situação de inferioridade numérica, de 2x1? Perguntem a Garay.

 

Fantástico. A maioria dos centrais teria tentado o desarme a Luís Leal, oferecendo-lhe a possibilidade  de drible ou de isolar o colega de equipa. Garay faz contenção correctamente, com os apoios bem colocados, de forma a encaminhar o adversário para o corredor lateral, e, ao mesmo tempo, consegue cortar a linha e passe. Com isto, consegue retardar a acção do jogador do Estoril e, consequentemente, permitir que a defesa se reorganize. Para acontecer isto, Garay não precisa de ter uma velocidade digna de um atleta de 100 metros, nem de andar a impor respeito aos adversários, distribuindo traulitada em tudo o que mexe. Precisa, apenas, de compreender o jogo e aquilo que lhe é pedido em cada contexto. E ele consegue-o.

Nota, também, para a acção de Melgarejo, que, fecha muito bem o corredor central. Fosse o habitual companheiro do outro lado da defesa, Maxi Pereira, e estaria perdido pelo ataque, ou a correr atrás de um adversário qualquer, qual futebol humano.

Ps: Cardozo a bater os cantos? Porquê estranhar? Com o pé esquerdo que melhor relaciona potência e colocação, só peca pela perda de um jogador com alguma importância na área, nessa situação específica. Mas, sobre Cardozo, talvez me alongue em posts futuros.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Diferenças

Rodrigo e Lima, apenas com o guarda-redes pela frente. Resultado? Zero golos. Contexto? Completamente diferente. Uma situação de 1x0 nunca poderá ter a mesma resolução que uma situação de 2x0. Uma situação de 1x0 pede finalização. Lima fê-lo. Houve mérito do guarda-redes e demérito do avançado. Uma situação de 2x0 pede... Inteligência. Inteligência, Rodrigo. Uma situação de 2x0, em 99% das vezes, tem de dar golo. É uma situação básica do futebol. Progressão com bola, passe, finalização. Se numa situação de 1x0 o falhanço é desculpável, numa situação de 2x0 isso não acontece.

Isto não se deve a má forma, falta de jeito, falta de visão... Nada. Deve-se a tudo menos isso.

E não, isto não é derivado à falta de escola. Duvido que a Rodrigo tenham ensinado que um avançado só deve ter olhos para a baliza, por amor de Deus.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Para quando?

Para quando, Vieira? Quando é que vais meter mão nisto? Para quando o tão falado projecto do complexo desportivo em Oeiras?

O melhor é puxar duma cadeira e aguardar.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Norton e a competência

Desde cedo que torci o nariz à contratação de Norton de Matos para comandar a equipa B. Primeiro porque é um treinador ultrapassado. Futebol muito vertical, muito chutão para a frente, um matacão no meio campo para destruir jogo... Bem, o costume. Depois, porque o próprio não percebe o intuito da equipa B. Afinal de contas, qual é o propósito da equipa B? Será para dar minutos aos Élvis desta vida? Ou para dar a oportunidade ao Luís Martins de entrar num campo de futebol?

O Benfica, hoje, perdeu com o Atlético, na Tapadinha, e saltam alguns pormenores à vista. Começamos pela colocação da Luís Martins como lateral direito. Alguém, no seu perfeito juízo, acredita que Luís Martins possa ser jogador para a equipa principal do Benfica? Nem como lateral esquerdo, quanto mais como lateral direito. Transpira mediania por todos os poros. Tem um pé esquerdo com alguma qualidade e... É só. Será que com a ausência de Cancelo, não teria sido melhor apostar num jogador como Lindelöf? É verdade que o treinador já terá visto mais dele do que eu, mas será que é assim tão mau? Ou será que é por ainda ter idade júnior? Ele lá sabe. De resto, na defesa, tudo normal. Chegamos ao meio campo e encontramos um duplo pivot composto por... Luciano Teixeira e Ascues. Mau, mas querem ver que o Norton se esqueceu que o objectivo era jogar futebol? Ou será que pensa que se tiver dois marmelos no meio campo a correr e a bater em tudo o que mexe, vai ganhar o jogo? Ah! Espera, já sei. É devido ao estado do terreno. Toda a gente sabe que quando o relvado parece um batatal, deve-se apostar no factor físico. Jogar futebol fica para outro dia. O que sentirá o João Teixeira, ainda júnior, no banco, ao ver isto? E o Cafú?

Mas isto não é caso isolado. Voltemos uns jogos atrás. 8ª jornada: Meio campo composto por Luciano Teixeira, Élvis e Leandro Pimenta. No banco, João Teixeira. Élvis? Mais uma vez... Alguém acredita que Élvis tenha algum futuro na equipa principal do Benfica? Eu não. Como extremos, nesse jogo, jogaram Miguel Rosa e Duarte Duarte. Não teria sido mais benéfico trazer um júnior para o lugar do Duarte Duarte? Sancidino, Derlis... Não liguem, isto sou só eu a divagar.

E podia continuar com inúmeros exemplos que mostram jogadores sem qualquer possibilidade de singrar no Benfica, a serem utilizados no lugar de promessas que pedem maiores exigências e maiores desafios, para evoluírem e serem testados num contexto mais exigente. Mas não, Norton de Matos não percebe qual é o verdadeiro significado e o intuito de uma equipa B. Nem ele, nem quem está acima dele. Por isso é que todos batem palmas e exaltam a grande campanha que o Benfica B está a fazer na Segunda Liga e com os dois jogadores que já cedeu à equipa principal. Os Ascues no meio campo, os Élvis, os Duartes e companhias, são esquecidos, porque, no fundo, é preciso ter ali alguém que destoe um bocado para isto puder dar certo. Pelo menos é a ideia que passa.

Que o Norton entenda uma coisa. João Teixeira ou Filipe Nascimento podem não oferecer um grande rendimento imediato, quando comparados com Luciano Teixera ou Ascues. O mesmo é válido para Bernardo Silva e Raphael Guzzo, em comparação com Élvis. E para Sancidino, Hélder Costa e Derlis, quando comparados com Duarte Duarte e Luís Martins. Podem errar mais, mas isso não será, certamente, por falta de qualidade. E nem é garantido que falhem. A questão é que esse rendimento só tenderá a evoluir. Vamos dar o exemplo de João Teixeira. O papel de um médio defensivo numa equipa de formação do Benfica, será sempre diferente daquilo que irá encontrar mais à frente. É, praticamente, um jogador que só constrói, que joga com a bola no pé, que recebe a bola e tem tempo para pensar e executar. Quando João Teixeira recebesse a bola, na equipa B, provavelmente ainda iria pensar que tinha tempo para pensar, calmamente, no que fazer e poderia ser surpreendido. Aí iria perceber que tinha de ser mais rápido a executar (não, não é receber a bola e mandá-la para um sítio qualquer, mas sim ter a capacidade para receber e já ter definido o que vai fazer com ela) e acabaria por adaptar-se a um novo contexto. Falando de um comportamento defensivo... Alguém consegue comparar os comportamentos de Fábio Cardoso no início da época e com o momento actual? A quantidade de antecipações que tentava fazer e acabava por ser batido? Isto explica-se facilmente. Nos juniores, Fábio Cardoso acabava por ser impor, porque era relativamente mais rápido e forte fisicamente, daí conseguir antecipar-se com sucesso na maioria dos lances. Nos seniores, não. Adaptou-se a uma nova exigência e acabou por evoluir. É certo que nem todos os jogadores terão a capacidade para se conseguir adaptar a uma nova realidade e evoluir, mas isso dependerá da capacidade de cada jogador para adquirir novos automatismos.

Aquilo que sempre faltou a uma clube como o Benfica, foi a oportunidade de oferecer um contexto superior e mais exigente a jovens da formação, libertando-os de uma parte da pressão inerente ao futebol de alta competição. Com os empréstimos, não era o clube-mãe que ficava responsável pela gestão do jogador. Era o clube a qual era emprestado. Agora, que o Benfica tem oportunidade para controlar a gestão dos seus jovens jogadores, acaba por cair em preconceitos estúpidos, por se importar mais com o resultado do que com a formação e evolução dos mesmos. É pena.

Mas isto é dito por alguém que coloca os resultados em segundo plano.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

De luto


"Sou benfiquista desde os três anos". E que benfiquista. Guilherme Espírito Santos representava perfeitamente o que é o Benfica. O cavalheirismo, a genica, a humildade, o ecletismo e a qualidade.

Chegou ao Benfica em 1936, proveniente de uma filial, o Sport Lisboa e Luanda. Chegou, jogou e encantou, roubando o lugar a outra glória da história centenária do Benfica, Vítor Silva, que teve de abandonar devido a problemas no joelho. Esteve ligado ao clube durante 14 épocas (2 onde não jogou por problemas de saúde), conquistando 4 Campeonatos Nacionais, 3 Taças de Portugal e 1 Campeonato de Lisboa. Utilizado em 211 jogos oficiais pelo Benfica, marcou 152 golos ao serviço do clube. Internacional por oito vezes, foi o primeiro negro a representar a seleção portuguesa. Era um extraordinário jogador, como Peyroteo, maior lenda do Sporting e uma das principais figuras da história do futebol português, disse: "O Guilherme sempre foi melhor jogador de futebol que eu: mais técnica, mais jogo. Menos prático, menos golos, etc.? Sim, também é verdade. Mas mais jogador". O percurso de Espírito Santo não fica por aqui. “Estava num treino e a determinada altura a bola saiu do campo, fui a correr apanhá-la e sem dar por isso saltei uma barreira de salto em altura. Estava a 1,70 metros e ninguém tinha conseguido fazê-lo”. Foi convidado para o atletismo e bateu o recorde nacional em 1940, fazendo 1,88m, recorde que perduraria até 1960, altura em que Júlio Fernandes e Rui Mingas, atletas de salto em altura do Sporting e do Benfica, respectivamente, igualaram a sua marca, sendo superada no ano seguinte pelos mesmos intervenientes. Foi, também, recordista nacional de salto em comprimento (6,98m) e de triplo-salto (14,15m), entre 1938 e 1940. Mais tarde, representou o Benfica no Ténis, conseguindo ser campeão nacional em terceiras categorias, já com 60 anos.

75 anos de sócio (recebeu o anel de platina a 25 de Fevereiro deste ano), condecorado pelo Comité Olímpico Internacional, em 1999, com o prémio fair-play, e presidente honorário do centenário do Sport Lisboa e Benfica, Guilherme Espírito Santo foi um dos atletas mais completos que o desporto português já viu. Enorme atleta, enorme benfiquista e enorme pessoa. Obrigado por tudo, caro Guilherme.

Paz à sua alma.

domingo, 25 de novembro de 2012

Cheira bem?


Ai Carlos, Carlos... Foste a maior figura daquela que é, provavelmente, uma das três melhores equipas de modalidades colectivas em Portugal. Foste, sem qualquer dúvida, o melhor jogador de basquetebol que passou por Portugal. Eras genial. Absolutamente genial. Mas... Não és treinador.

Tivesses 1/5 da genialidade como treinador que tiveste, outrora, como jogador, e o Benfica até com um 5 inicial composto por jogadores da qualidade do Mascarenhas seria campeão. Mas esse não é o caso. Não vale a pena ser hipócrita e dizer que a saída do Porto é indiferente. Não, não é. O nosso maior adversário deixou de existir para passar a ser... O próprio Benfica. O nível é baixo, as dificuldades para o basquetebol, em Portugal, são altas, mas dormir à sombra da bananeira é a receita para desagradáveis surpresas. Compreendo que para alguns egos seja difícil estarem 100% motivados, tendo em conta a fraca oposição, mas os jogos do Benfica não retratam (apenas) isso. Se isso, por si só, já é preocupante, mais preocupante é ver a falta de trabalho que existe dentro de campo... Basicamente, é cada um por si só. E aí o Benfica é, de muito longe, mais forte que os adversário.

Ser campeão, no final da época, como provavelmente o seremos, não basta. Dentro do contexto actual, o Benfica tem de jogar, tem de se superiorizar de forma acentuada, tem de fazer com que os jogadores adversários sintam que perder "apenas" por 10 já é positivo... Temos hipóteses para cavar um fosso no basquetebol português, para criar uma hegemonia óbvia, e é nesse sentido que as coisas deverão ser feitas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Equipa B? - Parte II

O Benfica B, na jornada 8 da Segunda Liga, defrontou o Leixões e apresentou o seguinte 11: Mika na baliza, defesa composta por Cancelo e Carole nas laterais, Ascues e Sidnei no centro da defesa. No meio campo, Luciano Teixeira apareceu como médio defensivo, tendo Leandro Pimenta e Élvis como interiores. No ataque, Duarte Duarte e Miguel Rosa apareceram nas faixas e Cafú na frente de ataque. Durante o jogo entraram Cláudio Correa, João Mário e Luís Martins para substituir Élvis, Duarte Duarte e Cafú, respectivamente. No banco havia Bruno Varela, Fábio Cardoso, João Teixeira e Victor Lindelof. Agora, pergunto eu, qual é o sentido de ter Luciano Teixeira a jogar e João Teixeira no banco? Qual é o sentido de colocar Cafú no centro do ataque e colocar Luciano Teixeira como trinco titular da equipa? Algum dia Luciano Teixeira vai ser jogador para a equipa A do Benfica? Já nem falo na dispensa absurda de Paulo Teles. De seguida, alguém que me explique qual é o sentido de oferecer a titularidade a Élvis, jogador claramente banal sem qualquer futuro no Benfica, tendo um Bernardo Silva a brilhar nos juniores, cheio de qualidade, no seu último de júnior? Não faria sentido chamá-lo à equipa B? Ou, se calhar, não faria sentido puxar Miguel Rosa para o centro do terreno, posição onde ele é jogador para um clube grande? Não faria sentido deixar de olhar para Rosa como um jogador que aparece bem a finalizar, e com agressividade para romper pelo flanco? Alguma vez Miguel Rosa vai aparecer no Benfica a jogar como extremo esquerdo? Duarte Duarte... 24 anos, jogador fraco, sem qualquer hipótese de entrar na equipa A e sem qualquer futuro no clube, a tirar o lugar a jovens promessas... Será que Dino não podia ser lançado no seu lugar? Ou Hélder Costa, que já jogou pela equipa B esta época? Não faço a mesma relação com Ascues, Fábio Cardoso e João Nunes porque ainda pouco vi do peruano.

Quais são os reais dividendos destas apostas? Resultados. É isso que se quer para a equipa B? Será que o propósito da equipa B não era potenciar jogadores jovens com qualidade para representar a equipa principal do Benfica? Um jogador como Mvom, ex-jogador da Académica, que actuou frente ao Tondela, é capaz de oferecer mais garantias que João Nunes, ainda júnior de 1º ano, ou Fábio Cardoso, júnior de 2º ano. Porquê? Por ser mais forte fisicamente e por ter outro andamento a nível sénior. João Nunes e Fábio Cardoso, provavelmente, errariam mais, mas é para isso que devia servir a equipa B. Para criar contextos de exigência superiores aos dos campeonatos nacionais da formação, para que a evolução dos jogadores seja estimulada. Alguém acredita que Mvom algum dia seja jogador para o Benfica? Não. Já com João Nunes e Fábio Cardoso a questão é claramente diferente, principalmente com o primeiro. O mesmo é válido para todos os jogadores que foram enunciados anteriormente.

No país que está ao lado, há uma equipa que lançou um miúdo na equipa B com apenas 15 anos. Fala-se do Barcelona e de Grimaldo. Este ano, é titular do lado esquerdo da defesa do Barcelona B com apenas 17 anos feitos em Setembro deste ano. Jean Marie Doungou foi lançado com 16 anos no ano passado, sendo suplente utilizado em 12 jogos. Esta época, vai dividindo jogos a titular com outros a suplente utilizado. Deulofeu, enorme esperança do Barça, foi utilizado na época passada em 34 partidas, sendo 23 como titular e chegou-se a estrear pela equipa A, fazendo um jogo na Liga BBVA e outro na Liga dos Campeões. E podia continuar com mais exemplos, mas parece que, nos dias de hoje, é um mundo à parte.

Os responsáveis do Benfica que abram os olhos. Existe qualidade em muitos jovens ligados aos quadros do Benfica, mas muito dificilmente evoluirão no Nacional de juniores e, porque não, no de juvenis. Os resultados, na equipa B, devem ser tudo menos o principal factor.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Equipa B?

Não é de hoje. Maxi Pereira é um jogador que faz da sua agressividade, vulgarmente conhecida por raça e tão adorada pelo adepto comum, a sua maior arma. É um jogador esforçado, que dá tudo em campo, mas que faz tudo na base da força. Tem poucos argumentos técnicos, fisicamente é forte no choque, com uma velocidade razoável e uma aceleração medíocre, para não dizer outra coisa. Do ponto de vista intelectual, Maxi é um jogador fraco. Não compreende aquilo que o jogo lhe pede. O golo de Fàbregas é exemplificativo disso. Maxi, com a saída de Garay ao portador da bola, deve fechar ligeiramente junto ao corredor central, mas nunca deixando o seu corredor sem qualquer protecção, ainda para mais quando o portador da bola desenrolava a jogada para o seu corredor. A gula de Maxi traiu-o. Deixou o seu corredor aberto, quando o corredor central já estava preenchido e quase que convidou Messi para isolar Fàbregas.

Como disse no início, não é de hoje. Maxi vem de uma onda péssima de jogos e o jogo que aí vem é um encontro contra o último classificado da Liga, em pleno Estádio da Luz. Ora, existe melhor oportunidade para mostrar os propósitos da equipa B? João Cancelo, jogador ainda júnior, tem sido um dos principais destaques da equipa que joga na Segunda Liga. Nada estranho para quem o conhece. Jogador rapidíssimo, de passada larga, muito ágil, muito bom tecnicamente, com grande facilidade em criar desequilíbrios a partir de jogadas individuais e bastante bom tecnicamente. É algo débil no 1x1 e por vezes perde-se demasiado em iniciativas individuais pelo ataque, mas tem imensa qualidade e muito potencial para explorar. É difícil encontrar melhor contexto que o actual para lançar um jovem da equipa B na equipa principal.

Acredita, Jesus.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Hora H

Numa altura em que as alternativas para Javi e Witsel não inspiravam grande confiança, eis que os próprios abandonam o clube. Façam um exercício simples: Indaguem sobre as razões para as alternativas aos dois ex-jogadores não receberem grande crédito pela maior parte dos adeptos e próprios responsáveis técnicos. Serão os jogadores que não têm qualidade? Ou será o modelo quase suicida de Jorge Jesus que não potencia da melhor maneira todos os jogadores que possam substituir Javi e Witsel por não terem características semelhantes? Matic muito dificilmente poderá oferecer as mesmas coisas que Javi. São jogadores diferentes. Javi tem um raio de ação superior ao do sérvio, mas isso só é problema num modelo de jogo como o que o Benfica apresenta. O sérvio pode não tomar as melhores decisões a nível posicional, quando a equipa não se encontra com a bola, mas é preciso ver que o modelo de jogo do Benfica oferece inúmeras situações de igualdade/superioridade numérica ao adversário, sobre o meio campo. Com o número de jogadores que o Benfica coloca à frente da linha da bola, é quase impossível não permitir que isso aconteça. A culpa não é de Javi, não é de Matic, nem de outro jogador qualquer que apareça a jogar na mesma posição. É de Jesus. Cabe ao próprio perceber isso e alterar o modelo de jogo para que o Benfica deixe de ser apanhado tantas vezes em situações delicadas. Alguém já tentou trocar Mateus, Candeias, Rondón, por Iniesta, Xavi e Messi e imaginar o resultado? Bem, é melhor não o fazer.

Dentro do clube, existem boas soluções para substituir os jogadores que saíram. A curto prazo, muito dificilmente oferecerão o rendimento individual que os dois ex-jogadores asseguravam (principalmente Witsel), mas talvez seja esta a hora de alguns jogadores mostrarem que podem ser opções num clube como o Benfica. Em relação a Jav, Matic, como já foi referido no primeiro parágrafo deste post, tem qualidade para ganhar o lugar no 11 benfiquista. O sérvio é bom tecnicamente, tem uma boa passada, oferece um leque interessante de argumentos a nível ofensivo (passe vertical à cabeça), mas ainda não toma as melhores decisões a nível posicional. Por vezes, cai no engodo da bola e sai da sua posição para o corredor lateral, acabando por desequilibrar (ainda mais) o corredor central. Existe, também, na equipa B, um jogador com características muito interessantes. Tem sido um caso de má gestão e má formação (mais um ) no Benfica. Fala-se de Cafu, melhor marcador da equipa de juniores do Benfica, na época de 2011/2012. Sim, o leitor leu bem, melhor marcador da antiga equipa de juniores. A explicação para isto é simples: Ao Benfica faltava um jogador para a frente do ataque, dado que as opções para ocuparem a posição tinham pouca qualidade, e Cafú, devido à sua capacidade física, diferenciava-se dos outros e oferecia golos, coisas que nos escalões de formação, infelizmente, ainda conta muito. Cafú, no entanto, é muito mais que um calmeirão qualquer com uma estatura elevada. Cafú é inteligente, ocupa muito bem o espaço, é bom tecnicamente, tem um raio de acção elevado, e tem o bónus de ser forte fisicamente, que lhe oferece um argumento com algum peso nos duelos individuais. Pelas características que detém, é o jogador mais parecido com Javi que o Benfica tem ligado aos quadros. No que diz respeito ao lugar que Witsel ocupava... Bem, o caso também é complexo.  Quer dizer, é simples, mas para Jorge Jesus parece ser complexo. Miguel Rosa. Miguel Rosa é um jogador muito completo. É rápido, vertical, inteligente, boa capacidade técnica, relativamente imprevisível, reage muito bem à perda de bola... É, provavelmente, o jogador mais talhado para ocupar a posição de Witsel, por ser um jogador equilibrado. Com os sucessivos empréstimos a clubes do segundo escalão, Miguel Rosa desenvolveu em si alguma ânsia excessiva em chegar à frente no terreno, que me parece perfeitamente corrigível se for introduzido num contexto diferente. As coisas podiam ser feitas de forma diferente, no entanto, e juntar o útil ao agradável. Miguel Rosa e Aimar, com um terceiro elemento no meio campo, provavelmente Matic. Aimar não é um jogador acabado. Não é um jogador para jogar 30' num jogo. Aimar é o melhor jogador em Portugal. Aimar é genial. Mas é mais um jogador que não beneficia do modo como o Benfica joga. Aimar é um jogador forte em organização defensiva. Sabe os espaços que deve ocupar, interpreta perfeitamente o jogo, mas é impossível pedir a um jogador como Aimar para, em transição defensiva, conseguir recuperar e ficar de frente para o jogo. E, com isto, perde-se um meio campo mais equilibrado e, consequentemente, a impossibilidade de ver o Benfica com um controlo maior sobre o jogo.

Resumindo, tudo está dependente da alteração da forma de Jesus interpretar o jogo. A alteração do modelo de jogo oferecia um leque inimaginável de soluções para o colectivo. Desde a possibilidade de integrar alguns jogadores com qualidade, oferecendo-lhes um contexto mais apropriado à sua entrada na equipa e às suas características à garantia de um controlo maior sobre o jogo, que não acontece por desequilíbrio notório no meio campo. Infelizmente, tudo isto não passa de um cenário pouco provável.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Talentos escondidos

Franzino, inteligente, elegante e dotado tecnicamente. Este post não é feito devido ao golo - chamar-lhe golo é redutor - que marcou frente ao Belenenses, pelos juniores. Esse apenas serviu como lembrança. Tem sido um jogador ostracizado na formação do Benfica, desde os juvenis. Não se desenvolveu como outros colegas e, por isso, perdeu imensos minutos de jogo. Estupidamente, diga-se, dado que sempre foi superior à maior parte dos que lhe iam roubando o lugar. Não tinha tantos argumentos físicos como os colegas, mas oferecia sempre mais ao jogo. Mais imprevisibilidade, mais elegância, mais inteligência...

Foi aparecendo a espaços durante os últimos anos. No seu segundo ano de juvenis pouco ou nada jogou, aparecendo em bom nível num jogo de fim de época contra os sub-18 do Real Madrid, no primeiro ano de júnior foi dos menos utilizados e apareceu, no último fim-de-semana, a marcar um golo de bandeira. Os mais atentos saberão que o sujeito em questão é... Bernardo Silva, médio de 18 anos. Será interessante ver a quantidade de minutos a que terá direito esta época, tendo em conta o número de opções para o meio campo da equipa júnior do Benfica.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Gestão à Benfica dos tempos modernos - parte I

A capacidade com que ganha metros aos adversários é digna de registo, mas está longe de se cingir a isso. Culto tacticamente, já com vários jogos feitos como médio interior, na altura no losango de João Alves, bom tecnicamente, inteligente na ocupação do espaço e com uma boa capacidade física. Não, não é nenhum tractor, mas antes um jogador bastante ágil e com velocidade e aceleração dignas de registo. Depois disto, o leitor pensará que um jogador com estas características assentaria perfeitamente no meio campo de Jesus, sobre o lado esquerdo. Alguém capaz de recuperar facilmente em transição, funcionando como auxílio a Javi e impedindo que o adversário saia para o ataque sem grande dificuldade após a recuperação da bola. Alguém capaz de esticar o jogo, de oferecer largura e profundidade, de se envolver no jogo colectivo, nomeadamente com Aimar, Witsel e Nolito, que procuram imensas combinações directas. Mas não. A solução encontrada foi... A saída, a título definitivo, do clube.

Fala-se de Yartey. O leitor que se desengane. Yartey não é nenhuma certeza. Nem tão pouco importa se provará ou não o seu valor noutro sítio. Era a oportunidade ideal para Yartey. Vinha de uma época regular, como não tinha desde os juniores, confiante, com um modelo de jogo que assentava que nem uma luva nas suas características e... Nem a ir a estágio tem direito. E, numa altura em que laterais esquerdos não abundam, também teria sido uma solução passível de adaptação.

Toda a sorte do mundo. Infelizmente, fora do Benfica.