Desde cedo que torci o nariz à contratação de Norton de Matos para comandar a equipa B. Primeiro porque é um treinador ultrapassado. Futebol muito vertical, muito chutão para a frente, um matacão no meio campo para destruir jogo... Bem, o costume. Depois, porque o próprio não percebe o intuito da equipa B. Afinal de contas, qual é o propósito da equipa B? Será para dar minutos aos Élvis desta vida? Ou para dar a oportunidade ao Luís Martins de entrar num campo de futebol?
O Benfica, hoje, perdeu com o Atlético, na Tapadinha, e saltam alguns pormenores à vista. Começamos pela colocação da Luís Martins como lateral direito. Alguém, no seu perfeito juízo, acredita que Luís Martins possa ser jogador para a equipa principal do Benfica? Nem como lateral esquerdo, quanto mais como lateral direito. Transpira mediania por todos os poros. Tem um pé esquerdo com alguma qualidade e... É só. Será que com a ausência de Cancelo, não teria sido melhor apostar num jogador como Lindelöf? É verdade que o treinador já terá visto mais dele do que eu, mas será que é assim tão mau? Ou será que é por ainda ter idade júnior? Ele lá sabe. De resto, na defesa, tudo normal. Chegamos ao meio campo e encontramos um duplo pivot composto por... Luciano Teixeira e Ascues. Mau, mas querem ver que o Norton se esqueceu que o objectivo era jogar futebol? Ou será que pensa que se tiver dois marmelos no meio campo a correr e a bater em tudo o que mexe, vai ganhar o jogo? Ah! Espera, já sei. É devido ao estado do terreno. Toda a gente sabe que quando o relvado parece um batatal, deve-se apostar no factor físico. Jogar futebol fica para outro dia. O que sentirá o João Teixeira, ainda júnior, no banco, ao ver isto? E o Cafú?
Mas isto não é caso isolado. Voltemos uns jogos atrás. 8ª jornada: Meio campo composto por Luciano Teixeira, Élvis e Leandro Pimenta. No banco, João Teixeira. Élvis? Mais uma vez... Alguém acredita que Élvis tenha algum futuro na equipa principal do Benfica? Eu não. Como extremos, nesse jogo, jogaram Miguel Rosa e Duarte Duarte. Não teria sido mais benéfico trazer um júnior para o lugar do Duarte Duarte? Sancidino, Derlis... Não liguem, isto sou só eu a divagar.
E podia continuar com inúmeros exemplos que mostram jogadores sem qualquer possibilidade de singrar no Benfica, a serem utilizados no lugar de promessas que pedem maiores exigências e maiores desafios, para evoluírem e serem testados num contexto mais exigente. Mas não, Norton de Matos não percebe qual é o verdadeiro significado e o intuito de uma equipa B. Nem ele, nem quem está acima dele. Por isso é que todos batem palmas e exaltam a grande campanha que o Benfica B está a fazer na Segunda Liga e com os dois jogadores que já cedeu à equipa principal. Os Ascues no meio campo, os Élvis, os Duartes e companhias, são esquecidos, porque, no fundo, é preciso ter ali alguém que destoe um bocado para isto puder dar certo. Pelo menos é a ideia que passa.
Que o Norton entenda uma coisa. João Teixeira ou Filipe Nascimento podem não oferecer um grande rendimento imediato, quando comparados com Luciano Teixera ou Ascues. O mesmo é válido para Bernardo Silva e Raphael Guzzo, em comparação com Élvis. E para Sancidino, Hélder Costa e Derlis, quando comparados com Duarte Duarte e Luís Martins. Podem errar mais, mas isso não será, certamente, por falta de qualidade. E nem é garantido que falhem. A questão é que esse rendimento só tenderá a evoluir. Vamos dar o exemplo de João Teixeira. O papel de um médio defensivo numa equipa de formação do Benfica, será sempre diferente daquilo que irá encontrar mais à frente. É, praticamente, um jogador que só constrói, que joga com a bola no pé, que recebe a bola e tem tempo para pensar e executar. Quando João Teixeira recebesse a bola, na equipa B, provavelmente ainda iria pensar que tinha tempo para pensar, calmamente, no que fazer e poderia ser surpreendido. Aí iria perceber que tinha de ser mais rápido a executar (não, não é receber a bola e mandá-la para um sítio qualquer, mas sim ter a capacidade para receber e já ter definido o que vai fazer com ela) e acabaria por adaptar-se a um novo contexto. Falando de um comportamento defensivo... Alguém consegue comparar os comportamentos de Fábio Cardoso no início da época e com o momento actual? A quantidade de antecipações que tentava fazer e acabava por ser batido? Isto explica-se facilmente. Nos juniores, Fábio Cardoso acabava por ser impor, porque era relativamente mais rápido e forte fisicamente, daí conseguir antecipar-se com sucesso na maioria dos lances. Nos seniores, não. Adaptou-se a uma nova exigência e acabou por evoluir. É certo que nem todos os jogadores terão a capacidade para se conseguir adaptar a uma nova realidade e evoluir, mas isso dependerá da capacidade de cada jogador para adquirir novos automatismos.
Aquilo que sempre faltou a uma clube como o Benfica, foi a oportunidade de oferecer um contexto superior e mais exigente a jovens da formação, libertando-os de uma parte da pressão inerente ao futebol de alta competição. Com os empréstimos, não era o clube-mãe que ficava responsável pela gestão do jogador. Era o clube a qual era emprestado. Agora, que o Benfica tem oportunidade para controlar a gestão dos seus jovens jogadores, acaba por cair em preconceitos estúpidos, por se importar mais com o resultado do que com a formação e evolução dos mesmos. É pena.
Mas isto é dito por alguém que coloca os resultados em segundo plano.