Mostrar mensagens com a etiqueta Equipa B. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Equipa B. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Norton e a competência

Desde cedo que torci o nariz à contratação de Norton de Matos para comandar a equipa B. Primeiro porque é um treinador ultrapassado. Futebol muito vertical, muito chutão para a frente, um matacão no meio campo para destruir jogo... Bem, o costume. Depois, porque o próprio não percebe o intuito da equipa B. Afinal de contas, qual é o propósito da equipa B? Será para dar minutos aos Élvis desta vida? Ou para dar a oportunidade ao Luís Martins de entrar num campo de futebol?

O Benfica, hoje, perdeu com o Atlético, na Tapadinha, e saltam alguns pormenores à vista. Começamos pela colocação da Luís Martins como lateral direito. Alguém, no seu perfeito juízo, acredita que Luís Martins possa ser jogador para a equipa principal do Benfica? Nem como lateral esquerdo, quanto mais como lateral direito. Transpira mediania por todos os poros. Tem um pé esquerdo com alguma qualidade e... É só. Será que com a ausência de Cancelo, não teria sido melhor apostar num jogador como Lindelöf? É verdade que o treinador já terá visto mais dele do que eu, mas será que é assim tão mau? Ou será que é por ainda ter idade júnior? Ele lá sabe. De resto, na defesa, tudo normal. Chegamos ao meio campo e encontramos um duplo pivot composto por... Luciano Teixeira e Ascues. Mau, mas querem ver que o Norton se esqueceu que o objectivo era jogar futebol? Ou será que pensa que se tiver dois marmelos no meio campo a correr e a bater em tudo o que mexe, vai ganhar o jogo? Ah! Espera, já sei. É devido ao estado do terreno. Toda a gente sabe que quando o relvado parece um batatal, deve-se apostar no factor físico. Jogar futebol fica para outro dia. O que sentirá o João Teixeira, ainda júnior, no banco, ao ver isto? E o Cafú?

Mas isto não é caso isolado. Voltemos uns jogos atrás. 8ª jornada: Meio campo composto por Luciano Teixeira, Élvis e Leandro Pimenta. No banco, João Teixeira. Élvis? Mais uma vez... Alguém acredita que Élvis tenha algum futuro na equipa principal do Benfica? Eu não. Como extremos, nesse jogo, jogaram Miguel Rosa e Duarte Duarte. Não teria sido mais benéfico trazer um júnior para o lugar do Duarte Duarte? Sancidino, Derlis... Não liguem, isto sou só eu a divagar.

E podia continuar com inúmeros exemplos que mostram jogadores sem qualquer possibilidade de singrar no Benfica, a serem utilizados no lugar de promessas que pedem maiores exigências e maiores desafios, para evoluírem e serem testados num contexto mais exigente. Mas não, Norton de Matos não percebe qual é o verdadeiro significado e o intuito de uma equipa B. Nem ele, nem quem está acima dele. Por isso é que todos batem palmas e exaltam a grande campanha que o Benfica B está a fazer na Segunda Liga e com os dois jogadores que já cedeu à equipa principal. Os Ascues no meio campo, os Élvis, os Duartes e companhias, são esquecidos, porque, no fundo, é preciso ter ali alguém que destoe um bocado para isto puder dar certo. Pelo menos é a ideia que passa.

Que o Norton entenda uma coisa. João Teixeira ou Filipe Nascimento podem não oferecer um grande rendimento imediato, quando comparados com Luciano Teixera ou Ascues. O mesmo é válido para Bernardo Silva e Raphael Guzzo, em comparação com Élvis. E para Sancidino, Hélder Costa e Derlis, quando comparados com Duarte Duarte e Luís Martins. Podem errar mais, mas isso não será, certamente, por falta de qualidade. E nem é garantido que falhem. A questão é que esse rendimento só tenderá a evoluir. Vamos dar o exemplo de João Teixeira. O papel de um médio defensivo numa equipa de formação do Benfica, será sempre diferente daquilo que irá encontrar mais à frente. É, praticamente, um jogador que só constrói, que joga com a bola no pé, que recebe a bola e tem tempo para pensar e executar. Quando João Teixeira recebesse a bola, na equipa B, provavelmente ainda iria pensar que tinha tempo para pensar, calmamente, no que fazer e poderia ser surpreendido. Aí iria perceber que tinha de ser mais rápido a executar (não, não é receber a bola e mandá-la para um sítio qualquer, mas sim ter a capacidade para receber e já ter definido o que vai fazer com ela) e acabaria por adaptar-se a um novo contexto. Falando de um comportamento defensivo... Alguém consegue comparar os comportamentos de Fábio Cardoso no início da época e com o momento actual? A quantidade de antecipações que tentava fazer e acabava por ser batido? Isto explica-se facilmente. Nos juniores, Fábio Cardoso acabava por ser impor, porque era relativamente mais rápido e forte fisicamente, daí conseguir antecipar-se com sucesso na maioria dos lances. Nos seniores, não. Adaptou-se a uma nova exigência e acabou por evoluir. É certo que nem todos os jogadores terão a capacidade para se conseguir adaptar a uma nova realidade e evoluir, mas isso dependerá da capacidade de cada jogador para adquirir novos automatismos.

Aquilo que sempre faltou a uma clube como o Benfica, foi a oportunidade de oferecer um contexto superior e mais exigente a jovens da formação, libertando-os de uma parte da pressão inerente ao futebol de alta competição. Com os empréstimos, não era o clube-mãe que ficava responsável pela gestão do jogador. Era o clube a qual era emprestado. Agora, que o Benfica tem oportunidade para controlar a gestão dos seus jovens jogadores, acaba por cair em preconceitos estúpidos, por se importar mais com o resultado do que com a formação e evolução dos mesmos. É pena.

Mas isto é dito por alguém que coloca os resultados em segundo plano.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Activos parados

Alan Kardec e Ola John. Dois activos do Benfica que se encontram praticamente parados e em risco de estagnarem, ou mesmo involuírem. O que fazer com estes dois casos?

Kardec encontra-se tapado por Cardozo, Lima e Rodrigo, três avançados claramente superiores ao camisola 31. Se as hipóteses de ser titular ou mesmo suplente utilizado são escassas, o que fazer com o ex-santista? A opção de o colocar a rodar na equipa B, a ver se desenvolve, parece ser acertada. Kardec vai a caminho dos 24 anos e precisa de jogar, de ganhar calo e minutos nas pernas. Parado, não rende. Se é verdade que tem desaproveitado todas as oportunidades que lhe têm sido concedidas, o investimento que o Benfica fez no atleta merece que pelo menos se tente extrair algo de positivo do seu futebol. Apesar de não lhe ver grandes qualidades, nomeadamente no que ao faro pelo golo diz respeito, o Benfica deve tentar apostar no jogador até porque na equipa B escasseiam os avançados de qualidade. Se a oportunidade de jogar pela equipa principal surgir, Kardec não deverá desperdiçá-la. O seu período para afirmação no futebol europeu está a terminar.

Ola John é um caso diferente. Contratado por um valor astronómico para aquilo que havia demonstrado até então, viu o seu passe ser vendido por valores desconhecidos a um fundo maltês. Passados dois meses desde o arranque oficial da época, ainda não teve oportunidade para se mostrar, nem sequer tem feito parte das últimas convocatórias. A imagem deixada nos amigáveis não ajudou, mas importa recordar que estamos a falar de um jovem de apenas 20 anos que acaba de chegar a uma realidade competitiva completamente diferente onde se exige bastante do ponto de vista defensivo aos jogadores de características mais ofensivas. Ola John chegou, viu e ainda não convenceu, mas não merece o auto de fé que lhe está a ser feito. Desconheço o seu valor real, não acompanhei o seu percurso na Holanda suficientemente bem para ter uma opinião formada, mas acho que, visto ser a 5ª ou 6ª alternativa para jogar nas faixas, deveria jogar pela equipa B até porque tem idade para tal. Por que motivo não tem constituído opção para a equipa de Norton de Matos? Nem sequer se pode utilizar o argumento da desvalorização financeira uma vez que alienámos 80% do passe do atleta.

Parece-me óbvio que, de momento, nem Kardec nem John têm qualidade ou capacidade para figurarem numa lista de convocados do Benfica. Pelo investimento que representam, pelas suas idades e pelas expectativas criadas, precisam e têm de jogar. Onde? Equipa B. Também é para isto que ela serve.

Equipa B? - Parte II

O Benfica B, na jornada 8 da Segunda Liga, defrontou o Leixões e apresentou o seguinte 11: Mika na baliza, defesa composta por Cancelo e Carole nas laterais, Ascues e Sidnei no centro da defesa. No meio campo, Luciano Teixeira apareceu como médio defensivo, tendo Leandro Pimenta e Élvis como interiores. No ataque, Duarte Duarte e Miguel Rosa apareceram nas faixas e Cafú na frente de ataque. Durante o jogo entraram Cláudio Correa, João Mário e Luís Martins para substituir Élvis, Duarte Duarte e Cafú, respectivamente. No banco havia Bruno Varela, Fábio Cardoso, João Teixeira e Victor Lindelof. Agora, pergunto eu, qual é o sentido de ter Luciano Teixeira a jogar e João Teixeira no banco? Qual é o sentido de colocar Cafú no centro do ataque e colocar Luciano Teixeira como trinco titular da equipa? Algum dia Luciano Teixeira vai ser jogador para a equipa A do Benfica? Já nem falo na dispensa absurda de Paulo Teles. De seguida, alguém que me explique qual é o sentido de oferecer a titularidade a Élvis, jogador claramente banal sem qualquer futuro no Benfica, tendo um Bernardo Silva a brilhar nos juniores, cheio de qualidade, no seu último de júnior? Não faria sentido chamá-lo à equipa B? Ou, se calhar, não faria sentido puxar Miguel Rosa para o centro do terreno, posição onde ele é jogador para um clube grande? Não faria sentido deixar de olhar para Rosa como um jogador que aparece bem a finalizar, e com agressividade para romper pelo flanco? Alguma vez Miguel Rosa vai aparecer no Benfica a jogar como extremo esquerdo? Duarte Duarte... 24 anos, jogador fraco, sem qualquer hipótese de entrar na equipa A e sem qualquer futuro no clube, a tirar o lugar a jovens promessas... Será que Dino não podia ser lançado no seu lugar? Ou Hélder Costa, que já jogou pela equipa B esta época? Não faço a mesma relação com Ascues, Fábio Cardoso e João Nunes porque ainda pouco vi do peruano.

Quais são os reais dividendos destas apostas? Resultados. É isso que se quer para a equipa B? Será que o propósito da equipa B não era potenciar jogadores jovens com qualidade para representar a equipa principal do Benfica? Um jogador como Mvom, ex-jogador da Académica, que actuou frente ao Tondela, é capaz de oferecer mais garantias que João Nunes, ainda júnior de 1º ano, ou Fábio Cardoso, júnior de 2º ano. Porquê? Por ser mais forte fisicamente e por ter outro andamento a nível sénior. João Nunes e Fábio Cardoso, provavelmente, errariam mais, mas é para isso que devia servir a equipa B. Para criar contextos de exigência superiores aos dos campeonatos nacionais da formação, para que a evolução dos jogadores seja estimulada. Alguém acredita que Mvom algum dia seja jogador para o Benfica? Não. Já com João Nunes e Fábio Cardoso a questão é claramente diferente, principalmente com o primeiro. O mesmo é válido para todos os jogadores que foram enunciados anteriormente.

No país que está ao lado, há uma equipa que lançou um miúdo na equipa B com apenas 15 anos. Fala-se do Barcelona e de Grimaldo. Este ano, é titular do lado esquerdo da defesa do Barcelona B com apenas 17 anos feitos em Setembro deste ano. Jean Marie Doungou foi lançado com 16 anos no ano passado, sendo suplente utilizado em 12 jogos. Esta época, vai dividindo jogos a titular com outros a suplente utilizado. Deulofeu, enorme esperança do Barça, foi utilizado na época passada em 34 partidas, sendo 23 como titular e chegou-se a estrear pela equipa A, fazendo um jogo na Liga BBVA e outro na Liga dos Campeões. E podia continuar com mais exemplos, mas parece que, nos dias de hoje, é um mundo à parte.

Os responsáveis do Benfica que abram os olhos. Existe qualidade em muitos jovens ligados aos quadros do Benfica, mas muito dificilmente evoluirão no Nacional de juniores e, porque não, no de juvenis. Os resultados, na equipa B, devem ser tudo menos o principal factor.


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Soluções para o meio-campo

Axel Witsel já foi e é tempo de encontrar soluções dentro do próprio Benfica. O mercado está fechado até Janeiro e só podemos contar com os jogadores que temos actualmente. Mas não me peçam para embarcar no velho cliché de "só faz falta quem cá está". Uma frase feita que pouco ou nada diz, na realidade. Quando o Benfica precisar de equilibrar o jogo, de ter bola, de ocupar bem o espaço defensivamente, ainda nos vamos lembrar da falta de Witsel fazia. E quem diz Witsel diz Javi.

Dentro dos quadros do Benfica, os únicos jogadores que, além de Matic, me parecem ter condições para assumir as vagas deixadas em aberto pelo espanhol e pelo belga são, respectivamente, Airton e Amorim. Ainda que salvaguardadas as devidas diferenças de qualidade existentes entre os dois que saíram e os dois que estão fora, Airton e Amorim seriam, caso estivessem no plantel do Benfica, os dois titulares do meio-campo. Mas não estão. O primeiro porque, supostamente, fazia parte do gangue do chopinho, grupo formado por alguns brasileiros do Benfica (Airton, Sidnei, Menezes, Weldon e Kardec) que gostavam da bebida, e o segundo porque perdeu a paciência com Jorge Jesus, um estado que quase todos os benfiquistas já alcançaram também.

Por isso, e olhando para o plantel principal (e para o "B"), quem pode assumir a titularidade? Matic é um jogador de características completamente diferentes das de Javi e Witsel, mas que pode e deve ser titular. Tem presença física e um toque de bola bem interessante, ficando a perder do ponto de vista táctico quando comparado com os dois que saíram. Ofensivamente, a entrada de Matic para o onze não deverá constituir um problema para Jorge Jesus, mas já no aspecto defensivo, temo que não se possa dizer o mesmo, até porque o sérvio não é nem nunca foi médio defensivo. Quem não tem cão caça com gato, assim será. Para fazer companhia a Matic, que soluções pode Jesus encontrar na equipa principal? A meu ver, há dois, apenas dois. Carlos Martins, por um lado, pode dar algumas soluções interessantes ao meio-campo do ponto de vista ofensivo, como a meia-distância. Enzo Pérez, por outro, pode desempenhar um lugar que não lhe será assim tão estranho visto ter actuado numa posição semelhante nos Estudiantes. Mas nenhum dos dois confere a segurança e a qualidade de Witsel.

E na equipa B? Jesus referiu André Gomes como uma solução possível para o lugar mais recuado do meio-campo, o que me leva a crer que o treinador do Benfica ainda não assistiu a um único encontro dos B's. Miguel Rosa, para a posição de Witsel, apesar de também pisar terrenos mais avançados, e Leandro Pimenta, para o lugar de Javi, jogador acostumado a um futebol muito diferente do do espanhol mas ainda assim capaz de se tornar num jogador referência na Luz, são as duas melhores soluções que encontro na equipa treinada por Norton de Matos.

Há soluções para render Witsel? Sim, há. Mas nenhuma tem a qualidade do belga, nem sequer lhe chegam aos calcanhares. Até Janeiro será com isto com que o Benfica vai ter de viver dia-a-dia. Com a reabertura do mercado, parece óbvio que se torna prioritário contratar um médio centro de qualidade indiscutível. Mas também já era óbvio que o Benfica precisava de um lateral esquerdo no verão. Como se vê, no nosso clube, o óbvio é um lugar estranho.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ainda há tempo para Leandro Pimenta

Há jogadores cujas carreiras são destruídas por passagens pelas equipas B. Outros há que as relançam. As recentes exibições de Leandro Pimenta ao serviço do Benfica B têm dado um novo fôlego à carreira do promissor atleta que em 2008 foi aposta de Rui Costa e assinou contrato profissional pelo Benfica.

Na formação, Pimenta destacou-se no miolo do terreno pelo toque de bola invulgarmente bom num jogador da sua idade, conseguindo organizar jogo, temporizar e lançar o ataque com passes pelo solo ou pelo ar. Tinha uma maturidade de jogo rarmente vista em miúdos de 18 e 19 anos.

Esperava um salto qualitativo mais rápido para a qualidade que evidenciava. Finda a carreira de junior, foi emprestado ao Beira-Mar, equipa de qualidade na II Liga e que acabou por subir, mas só somou alguns minutos com regularidade no final da temporada. Talvez o passo tivesse sido maior que a perna. Foi emprestado na época seguinte ao modesto Fátima, outra vez na II Liga, mas nem aí se afirmou, conseguindo apenas uma titularidade e algumas entradas no final da época, descendo de divisão. Duas temporadas perdidas na Vitalis. Mas à terceira foi de vez. No Atlético foi titular em 26 dos 30 jogos da Orangina, tendo sido pedra importante na formação orientada por João de Deus, primeiro, e Paulo Pedro, depois, enquanto médio centro, médio esquerdo e até defesa esquerdo.

Três anos depois de ter saído da formação, e do pouco que vi de Pimenta ao serviço do Benfica B, as características técnicas e tácticas, nomeadamente o toque de bola, o passe, a ocupação do espaço e a leitura de jogo, mantêm-se em grande nível. É uma espécie de "6" que poderia ser "10". Joga mais recuado no terreno e tem uma técnica assinalável, tal como sucede com Pirlo ou Veloso, salvaguardando as devidas diferenças, sobretudo de qualidade actual. Mas é fisicamente que se nota a maior diferença: muito mais corpulento, fortíssimo, com um físico de impôr respeito. Não sendo actualmente uma alternativa credível a Javi, Pimenta tem características com bola que permitem pausar e oferecer soluções de jogo muito interessantes num sistema e estilo de jogo diferentes dos que o Benfica actualmente pratica.

Este menino será, se quiser e se apostarem nele, um grande jogador. Jorge Jesus, que se vangloria de potenciar jogadores e que agora até afirma que quer pegar em atletas da equipa B e desenvolvê-los como futebolistas (tendo nomeado André Almeida e André Gomes como substitutos de Javi, esquecendo-se inexplicavelmente de Pimenta), pode arregaçar as mangas e fazer de Leandro Pimenta um dos próximos médios de eleição em Portugal.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Equipa B

A equipa B já iniciou o campeonato nacional da II Liga. Apesar de não ter muito tempo para acompanhar os trabalhos da equipa liderada por Norton de Matos, e de não saber ao certo o que está a ser feito com aquela formação, há um conjunto de ideias-base que tenho em relação às equipas B em geral e que penso que deveriam ser aplicadas visto conduzirem aos objectivos que, para mim, devem ser os deste tipo de formações.

O objectivo: mais que ganhar, é dar a possibilidade aos jogadores de se desenvolverem e de virem a integrar a equipa principal em épocas futuras e em situações pontuais de emergência (crises de castigos e lesões, por exemplo). É preciso dar tempo, espaço e oportunidades na equipa B aos jovens jogadores, sobretudo aos oriundos da formação. E é daqui que a equipa B não pode, ou pelo menos não se deve, desviar do seu rumo. Deve ser uma extensão dos escalões de formação, aproveitando-se todos os jovens atletas que tenham qualidade e reforçando-se apenas cirurgicamente para posições carenciadas. Não apostar na formação que se faz no SL Benfica significa a total descredibilização do trabalho feito durante anos e anos com aqueles jovens atletas.

Os jogadores: como ficou evidente pelo parágrafo anterior, os jogadores deveriam ser oriundos da nossa formação. Olhando para o que se passa no actual plantel da equipa B, penso que o objectivo foi parcialmente conseguido. Ainda assim, há debilidades em algumas posições que precisam de ser colmatadas. Defesas centrais, onde andam eles? Teve de jogar o Carole a central contra o Braga, não foi? Não deveria acontecer uma situação destas. Por onde anda o central da geração de 90, de seu nome João Pereira, que até tinha muita qualidade quando jogava nos juniores? No Sheriff, da Moldávia. A esta hora devia estar a integrar a equipa B. O mercado ainda não fechou, resta acreditar que as lacunas vão ser tratadas.

O treinador: pode ser um de dois tipos. Um professor que funcione como pedagogo, com experiência de trabalho nos escalões jovens e que seja conhecido pelas capacidades de potenciar jovens talentos ou um jovem treinador ambicioso, cujas ambições passem por treinar a equipa principal do Benfica e que, para tal, além de potenciar os atletas também tenha sede de resultados com a equipa B. Vistos estes dois perfis, não sei em qual é que Norton de Matos encaixa. A carreira do actual treinador da equipa B resume-se a falhanços: não promoveu as equipas que treinou na antiga 2ª Divisão B (Atlético e Barreirense), treinou o Espinho em 93/94 e 94/95, sendo que os nortenhos só conseguiram a promoção na época imediatamente a seguir à saída de Norton de Matos. Foi ainda director desportivo de um Sporting que contratava muito e mal, não conseguiu a promoção com o Salgueiros quando tinha plantel para isso, foi despedido do Setúbal a tempo de a equipa conseguir terminar o campeonato numa posição tranquila e de ir ao Jamor. A última experiência em Portugal aconteceu na época 2006/2007, quando foi contratado para trazer o Vitória de Guimarães de volta à primeira divisão, mas acabou por ser despedido a meio do campeonato devido aos maus resultados, sendo que o seu substituto, Manuel Cajuda, encetou uma recuperação memorável que culminou com a subida dos vimarenenses. Resumindo, bem vistas as coisas, o Benfica contratou um treinador com alguma experiência de 2ª Divisão mas sem qualquer feito relevante alcançado durante a sua carreira, nem qualquer qualidade especial reconhecida. Agrada-me mais o perfil de um "treinador-pedagogo" com experiência e resultados conseguidos nas divisões secundárias, apesar de homens mais novos e ambiciosos, como o caso de Paulo Bento (vejam o seu percurso e o que aconteceu aos jovens por ele treinados enquanto treinador de juniores do Sporting), também sejam uma opção a considerar. Mesmo dentro do Benfica existe um treinador chamado Bruno Lage que tem apresentado trabalho e resultados muito positivos nos escalões de formação. Sendo a equipa B uma extensão dessa mesma formação, não poderia Lage, se quisesse, ter uma oportunidade enquanto treinador dos "B"'s?

Objectivos classificativos: fazer um campeonato tranquilo e não descer. A 2ª divisão é o nível competitivo ideal para estes jogadores numa perspectiva de virem a integrar a equipa principal no curto/médio-prazo, por isso é fundamental assegurar a permanência ano após ano. Caso isso não se verifique, a equipa B será um falhanço autêntico, confirmando que não há jogadores capazes de formar uma equipa que assegure essa qualidade. Ganhar é importante, mas neste caso o fundamental é continuar a criar condições para o desenvolvimento dos jogadores. Daí que os resultados estejam num segundo plano, sem no entanto esquecer que é importante assegurar a permanência.

sábado, 21 de julho de 2012

Um elogio por antecipação


A equipa B do Sport Lisboa e Benfica realizou, até ao momento, três jogos de preparação. Ganhou um, perdeu outros dois. Os adversários foram, até agora, do primeiro escalão do futebol português.

Os resultados pouco interessam neste momento. Norton de Matos criou uma equipa vinda do nada, com apenas um jogador acima dos 23 anos, e já deu para ver que, pelo menos neste jogo contra o Beira-Mar, há ali já muito trabalho desenvolvido.

Podia alongar-me quanto aos aspectos técnico-tácticos desta equipa, mas vou apenas destacar a grande química entre os atletas, que parecem jogar motivados e comprometidos com este projecto.

Acredito que Norton de Matos é o homem certo no lugar certo. E, apesar de ainda ser cedo, e saber que alguns dos jogadores nucleares desta equipa deverão sair por empréstimo (Rosa e Simão à cabeça), deixo o meu elogio ao trabalho que tem feito e que acredito que dará frutos no futuro.