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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os Encalhados

Júlio César, Sidnei, Emerson, Shaffer, Nuno Coelho, Urreta. Seis jogadores que aguardam colocação. Seriam sete se o caso de saúde de Fábio Faria estivesse resolvido. Todos eles ainda jovens, com potencial e possibilidades para jogar na primeira divisão e, a uma semana do fim do período de transferências, nenhum colocado. Por que motivo há este impasse na colocação de atletas que não estão a treinar com o plantel principal nem com a equipa B, impedindo-os também de fazer as suas pré-épocas com as equipas às quais serão cedidos?

Júlio César chegou pela mão de Jesus, a pedido expresso do mesmo, tendo sido aposta do treinador nos jogos das provas europeias em 2009/2010. Depois de um traumatismo craniano contraído em Abril de 2010, em Anfield Road, durante o jogo dos quartos-de-final da Liga Europa contra o Liverpool, o brasileiro caiu em desgraça aos olhos de Jesus, que queria que este continuasse a jogar apesar de visivelmente combalido. Não mais voltou a contar para o técnico português a não ser em jogos das taças internas (onde, diga-se, correspondeu), acabando por ser emprestado ao Granada, clube no qual conquistou a titularidade perto do fim da época. Pode não ter ainda o nível necessário para agarrar a titularidade na baliza do Benfica, mas acredito que com trabalho poderá atingir esse patamar, até porque do ponto de vista técnico é um guarda-redes capaz. Deveria ser emprestado a uma equipa como o Vitória de Guimarães ou Marítimo, com ambições europeias mas que não têm guarda-redes à altura do resto da equipa.

Sidnei seria um jogador para este Benfica se quisesse. Mas quando a cabeça é fraca, o talento acaba desperdiçado. Está nas suas mãos decidir que rumo quer dar à carreira: ou continua um talento adiado ou se afirma definitivamente. O empréstimo ou mesmo a venda definitiva, sendo que esta última teria de ser consumada por valores avultados, serão as principais opções. O estrangeiro, o destino mais provável, já que não me parece verosímil que o central aceite reduzir o salário para jogar numa equipa do meio da tabela em Portugal. Por mim, era vendido, mas nunca abaixo dos 4 milhões de euros.

Emerson é uma pedra no sapato. Um jogador sem classe nem talento para o Benfica. Vender é a única solução. Tentar enganar uns franceses, uns turcos ou alguém que nos apareça à frente. Mau demais para ser verdade. Qualquer valor que recebamos deve ser encarado como lucro, já será um milagre se não tivermos de pagar para nos vermos livres dele. E assim de repente, olho para o jogo com o Braga e acho que com Emerson, teríamos ganho. Paradoxal. Mas não serve, contratem melhor, é vossa obrigação.

De Shaffer não gosto nem nunca gostei. Louco a atacar, fraquíssimo a defender. Mesmo para a primeira divisão é um jogador que não me parece encaixar nos "onzes" das equipas que lutam pela Europa. Não deverá ser difícil em vendê-lo de volta para a América do Sul.

Nuno Coelho é quase um desconhecido para mim. Foram poucos ou pouquíssimos os jogos que vi no Beira-Mar e na Académica, por isso é difícil ter uma opinião formada sobre este jogador. Se Matic for encarado como o substituto de Javi e trabalho como tal, então entendo que não tenha espaço no plantel, sendo o empréstimo a um clube da primeira divisão a melhor forma de resolver a situação.

Urreta, o incompreendido, jogador que sempre demonstrou talento quando foi chamado, também continua sem clube. Não fez pré-época por se encontrar ao serviço do Uruguai nos Jogos Olímpicos, mas já deveria ter sido colocado. Não existe uma equipa em Portugal, além dos 3 grandes adversários para esta época, que esteja à altura do talento que tem, mas a verdade é que Urreta precisa de ser consistente e mostrar durante uma época inteira, sem lesões ou outros percalços, que tem valor (e tem). O empréstimo a uma equipa estrangeira seria uma boa solução.

P.S. E o Modric? Demora muito a assinar? Era uma óptima notícia para nós. Sim, para nós.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

5 de Julho de 2011

O dia em que nunca mais foi visto um lateral-esquerdo na equipa principal do Sport Lisboa o Benfica, o dia em que o Benfica viu sair um dos melhores laterais esquerdos do mundo, e o melhor lateral esquerdo da história do futebol português.

Era preciso trazer alguém que fizesse esquecer Fábio Coentrão. Rui Costa trouxe um campeão europeu e do Mundo, Joan Capdevila, mas sempre foi um inválido para Jorge Jesus. Este preferiu Emerson, também ele um inválido, mas para o futebol.

Mais de um ano depois, estamos a uma semana do início do campeonato português e continua a não haver sinal de lateral esquerdo para o Benfica.

Há Luisinho, um lateral que chega para ficar na sombra de um titular indiscutível. Há ainda Melgarejo, que apesar de todas as suas lacunas defensivas, parece-me ser claramente melhor que Luisinho, mas, ainda assim, curto para uma equipa que se quer dominadora e ganhadora a todos os níveis.

Neste ponto, deixei de ter esperança na contratação de um nome forte para a posição. E é neste ponto também que, e falando de Melgarejo, espero que os instintos de Jorge Jesus nunca tenham estado tão acertados como agora.

É que, embora possa parecer impossível, estamos pior servidos de defesas esquerdos do que na época transacta. E uma corrente é tão forte quanto o seu elo mais fraco.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Um estranho fenómeno


Lembram-se do Roberto? Claro que se lembram, é impossível esquecê-lo. Por muitos anos que viva, dificilmente deixarei de recordar aquela época de pânico em que um espanhol voltou a pôr a maioria dos portugueses em reboliço, algo que não acontecia desde 1640. Não sei se os Filipes receberem o apoio da população portuguesa apesar do aumento de impostos e da gestão risível que fizeram do nosso país, mas Roberto, que até era piedoso e grande (sem ser grande coisa) mas não prudente, recebeu. Com estrondo. Tocava na bola após atraso de um defesa e a Luz ebulia como se de um golo (na baliza certa, entenda-se) se tratasse. Fazia uma defesa e choviam vídeos sobre a intervenção. Na internet, Roberto, apesar de errar com gravidade pelo menos uma vez a cada três jogos, era um herói. E ai de quem dissesse o contrário.

E durante um ano inteiro, apesar de ser visível aos olhos de todos a falta de qualidade do guarda-redes espanhol, ele continuou a ser apoiado como nunca. E isto foi mau por dois motivos: o primeiro, menos relevante, é que destruiu aquela burlesca teoria de que "se apoiarmos e nos unirmos todos na internet, o Benfica é campeão"; o segundo, mais importante, é que nos privou de vencer competições importantes, como o campeonato, onde a quantidade de frangos numa época foi provavelmente superior à de Preud'homme em toda a sua carreira (desde os iniciados) e a Liga Europa (ainda estou a ver o cabeceamento do Vandinho entrar a meio da baliza). Afinal, se calhar esta ideia de dizer a verdade é capaz de ser melhor que atirar areia para a cara das pessoas, ou calar, cobardemente, por falta de coragem em dizer o que se passa.

Isto tudo para dizer que estou surpreendido por não ver ondas de indignação pela dispensa de Emerson. Como aconteceu com Roberto em 2010/2011, também o incompetente defesa brasileiro foi alvo de inúmeros elogios de gente que acredita que o melhor caminho para erradicar a incompetência é disfarçá-la, varrê-la para debaixo do tapete ou até mesmo acreditar, com muita força, em algo totalmente oposto àquilo em que realmente se acredita. Em Julho passado, Emerson era craque. Em Janeiro, idem, nem foi preciso ir ao mercado contratar um jogador para a sua posição. Foi titular até ao último suspiro. Acabou dispensado. O homem da confiança inabalável de Jesus e dos adeptos acaba de ser abandonado pelos mesmos. Visto que a qualidade do atleta não se altera de um mês para outro, o que terá acontecido na cabeça do treinador e dos adeptos? Temo que, vezes a mais, não aconteça nada. O problema não é estes jogadores serem o "patinho feito" dos adeptos. Nené era patinho feio e marcava. Nuno Gomes era patinho feio e marcava. Cardozo é patinho feio e marca. O problema de Roberto e Emerson é muito mais simples que isto: são maus.

P.S. Lembram-se de uma piada [sem graça] que era feita há 10 anos sobre o lateral esquerdo do Benfica? "Sabes qual é o único lateral esquerdo do mundo pelo qual o Figo não passa?". "Qual?". "É o do Benfica. Porque não tem.". Dez anos depois, pessoal, dez anos... isto.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Eu já não acredito no Pai Natal

O Benfica está, há aproximadamente um ano, sem laterais esquerdos no plantel. O mais parecido com isso que tivemos foi Emerson e Capdevila.

Um ano depois... Temos Luisinho.

O Benfica devia ter um lateral-esquerdo de valor inegável desde Janeiro. Luis Filipe Vieira e Jorge Jesus preferiram brincar aos Yannicks Djalós (com todo o respeito pelo atleta do Benfica).

É que nem a parte irracional do meu fervor me faz acreditar que teremos finalmente um plantel equilibrado para a nova temporada. Sim, porque a parte racional já sabe o que a casa gasta.

Era capaz de apostar em como, mais uma vez, nos vamos arrastar mais uma época sem lateral esquerdo, sem alternativa ao Maxi, sem alternativa ao Javi e sem alternativa a Aimar. Ainda assim, espero ter de engolir todas as palavras que aqui disse.

PS: O Benfica podia ter contratado Carole a custo zero, mas preferiu pagar (e bem) ao Nantes para assegurar que o defesa francês chegava em Janeiro de 2011 de forma a ganhar meia época de ambientação ao campeonato português. Carole fez seis jogos pelo Benfica na recta final do campeonato 2010/2011 e deixou boas indicações. Nesse Verão, foi despachado novamente para França, preferindo Jorge Jesus caprichar com um meco brasileiro e um campeão do mundo em péssima forma física. É a visão que esta direcção tem para o Benfica.

domingo, 1 de abril de 2012

Capdevila

Quando numa ânsia carneirística muitos debitaram todo o tipo de baboseiras (na net e fora dela) sobre comportamentos ou forma física de Capdevila (ignorando situações similares de outros jogadores) para evitarem o pensamento crítico que conduzia à crítica óbvia e impiedosa ao nosso treinador, muita gente quis esquecer coisas muito óbvias também:


  • Capdevila nunca foi jogador de fazer piscinas na lateral, e não foi por isso que deixou de ser um óptimo lateral durante a sua carreira;
  • Capdevila tem dois pés, e o esquerdo em particular que é particularmente refinado;
  • Capdevila tem uma cabeça, eventualmente com mais neurónios do que o Emerson tem de chapéus;
  • Capdevila apesar de lento, é muito agressivo na marcação aos adversários;
  • Capdevila sabe fazer recepções orientadas;
  • Capdevila sabe fazer passes curtos;
  • Capdevila saber fazer passes longos;
  • Capdevila remata bem;
  • Capdevila cruza bem;
  • Capdevila é campeão mundial e da Europa, jogando todos os jogos dessas campanhas.
Não, não é o melhor defesa esquerdo do mundo, mas a meu ver, num estilo completamente diferente, está ao nível de Álvaro Pereira no campeonato português. No seu estilo! É esta a chave! Jesus fez-nos acreditar a quase todos (eu confesso que essa crença me passou já há muito tempo) que jogador de futebol tem de correr desenfreadamente o jogo todo. Não. Tem de correr bem e quando é preciso.

Há uns tempos o pai de Capdevila dizia que em Portugal a inteligência não era muito valorizada no jogo, que se queria fazer tudo à pressa. Não foram estas as exactas palavras dele, mas o sentido era este.

O Jesus espero que queira sair com dignidade e glória do Benfica. Não voltar a insistir no Emerson é sem dúvida um bom princípio para isso. Até porque como eu já muitas vezes disse, melhor que o Emerson a defesa esquerdo, temos qualquer outro jogador do plantel. E não voltem a incluir Capdevila e Emerson na mesma frase. Um é um óptimo jogador de futebol. O outro... bem, o outro é o Emerson.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Saviola

Gostaria de saber quem continua a achar que a minha aposta de lançar Saviola a defesa esquerdo é pior do que manter aquele balde de merda a que se convencionou chamar Emerson?

Esta época está-me a matar. Vá lá que não é aos poucos, é logo de uma vez.

A paciência tem limites

Apesar de mais uma exibição patética, a roçar a mediocridade de Escalona e outros incapazes que foram titulares na lateral esquerda do Benfica, não é pela derrota de ontem que volto a falar de Emerson. Aliás, nem é bem desse trengo que vou falar.

A paciência tem limites e Jorge Jesus parece querer testar a dos benfiquistas. Defender Emerson depois de ter enterrado o Benfica à grande, incluindo no lance em que Ramires se escapa com a maior das facilidades e que acaba por dar golo, é tentar fazer dos benfiquistas estúpidos. Consegue com alguns, mas não com todos. Mesmo os que acreditam na palavra do Senhor, não conseguem justificar com factos a utilização de Emerson. Qualidades? Só as físicas, mas também Nélson Évora as tem e não é futebolista. O problema é que comigo, com o nosso caro leitor ou com o Emerson a defesa esquerdo, o resultado é o mesmo.

E tudo isto tem solução. Basta remover este atrasado do onze titular. O problema é que temos um treinador egocêntrico e que acha que consegue trasnformar qualquer manco num jogador com classe. Esta incapacidade em reconhecer erros já custou pontos e agora prepara-se para custar umas meias-finais da Champions League. Mas tudo bem, basta pôr um sorriso na cara, sair da conferência de imprensa aos risinhos e ir para casa ter uma boa noite de sono.

Frente ao Braga, no entanto, Jesus não vai poder apostar neste cancro. Capdevila, o tal que fez uma boa exibição contra o Porto, será o escolhido. Infelizmente, parece claro que, por melhor que seja a exibição do espanhol, Jesus vai insistir em Emerson ad eternum. Nem a dica que Ramires deu na flash interview, referindo-se ao lado esquerdo do Benfica como "lado fraco" vai fazer com que Jesus abra os olhinhos. Acho que alguém com a responsabilidade de Jesus, se não consegue assumir os erros, só tem um caminho a fazer.

P.S. Peço desculpa pela dureza das palavras, mas a partir de hoje os meus textos sobre Emerson passam a ter uma linguagem proporcional às qualidades daquele aborto e à leveza com que Jesus trata da situação.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Emerson vs. Capdevila

Nove meses depois do início da época, ainda paira a incerteza sobre qual o melhor defesa esquerdo do Benfica. Os motivos do afastamento a que o campeão do mundo Capdevila foi submetido permanecem uma incógnita, dado que, para Jesus, o espanhol é um "profissional exemplar". Mas não é sobre a titularidade de um e o afastamento de outro que versa este post. É sim sobre as qualidades e defeitos de ambos os jogadores, numa tentativa de compreender porque razão Jesus opta por um e não por outro, se a vertente futebolística prevalecer sobre a disciplinar.

Comecemos então por Emerson. O brasileiro proveniente do Lille não é propriamente rápido, tecnicista, aguerrido ou combativo. À primeira vista, o melhor atributo que vejo em Emerson é a presença física e a capacidade de resistência durante 90 minutos. Pergunto-me, no entanto, de que é que isto nos serve se, passados nove meses, continua sem conseguir compreender as ideais e o futebol de Jesus. Mais preocupante que não ser um jogador à imagem de Jesus é o facto de Emerson continuar a cometer erros básicos, tanto no processo ofensivo como no defensivo. No ataque, não sabe quando largar a bola. Ainda no jogo com o Beira-Mar, Jesus desesperou com o camisola "3" por duas vezes quando este soltou a bola para Gaitán ainda no meio-campo defensivo tendo a possibilidade de seguir em progressão. Pior, não consegue dar profundidade ao flanco: para chegar à linha é um martírio e se tem a possibilidade de tirar um cruzamento espera o suficiente até chegar um adversário para interceptar a bola. É a antítese do jogador que Jesus gosta. Defensivamente disfarça, e disfarça é mesmo a palavra correcta. Circulam teorias fantásticas pela internet de que o Benfica não sofre golos por culpa de Emerson. Como? Não? Assim de cabeça, em jogos muito importantes, Emerson deixou a sua marca, com mais ou menos culpa nos seguintes jogos: Trabzonspor, Twente, Porto, Braga e Marítimo fora, Setúbal e Nacional em casa. De cabeça. Se fosse verificar jogo a jogo, provavelmente teria mais material para relatar. Acresce o facto de ter abordagens completamente bizarras e primárias aos lances. Revejam o golo de James Rodriguez na Luz. De que é que o nosso lateral esquerdo fica à espera para sair ao caminho quando o colombiano está prestes a entrar na área? Meter o pé, custa muito? Para terminar esta colectânea de disparates, ainda tivemos o privilégio de ver Balboa fazer farinha de Emerson. Priceless. Quem elogia Emerson fá-lo com base em quê? Gostaria de perceber, mas, objectivamente, elogiá-lo é completamente absurdo.

De Capdevila esperava mais. Conheço-o desde os tempos do Deportivo e, não sendo um craque, que não é nem nunca foi, pauta as suas exibições por qualidade e discrição, mas sempre bem quando chamado a intervir. No entanto, esperava mais do pouco que vi (e que deu para ver) do espanhol. Já se sabia que era lento, mas tão lento é que não. Será por não ter mais minutos nas pernas? É uma explicação possível, mas um jogador de futebol também tem de saber cuidar-se, e Capdevila desleixou-se nesse capítulo. Ainda assim, dentro de campo, o seu rendimento é indubitavelmente superior ao de Emerson. Defensivamente é um jogador seguro apesar da já referida ausência de velocidade (onde, ainda assim, não perde muito em relação ao colega de sector), compensando com a concentração e bom posicionamento. Ofensivamente é um jogador inteligente e, uma vez mais, apesar de não ser veloz, sabe subir e incorporar-se mais pela zona central descaído para a esquerda, onde faz combinações, dentro da área, com o ponta-de-lança ou com o médio esquerdo. Não precisa de ser rápido, basta ser inteligente e saber ler o jogo.

Não encontro motivos, no que ao jogo jogado diz respeito, para se preferir Emerson a Capdevila. Jesus há-de ter os seus, mas não os explicará nem a nós nem aos jogadores, como fez questão de referir. Siga então esta discussão do defesa esquerdo, desde que o Benfica ganhe até podíamos jogar com o Raul José. Mas que me parece óbvio que é mais fácil ganhar com um do que com outro, isso parece.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Ambos sabemos, mister, ambos sabemos

Seria. Eu sei e tu sabes. O César não era tão mau quanto a maioria dos adeptos achava, apesar de o corpo não conseguir acompanhar a mente. Era regular. Não havia grandes arrancadas mas havia segurança na lateral esquerda, coisa que hoje não temos. Era um profissional tranquilo, um polivalente e neste momento meteria "Aquele Que Não Deve Ser Mencionado" no bolso. Foi pena não o teres conseguido convencer a ficar no clube e a desempenhar a posição que querias dele, especialmente quando se fala (diz-se por aí...) que Capdevila pode sair do Benfica hoje.

P.S. Quanto a Djaló... parece que sim.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Contratações de verão

Seis meses de trabalho, cinco de competição são tempo mais que suficiente para fazer uma avaliação sobre os jogadores que foram contratados ou passaram a integrar o plantel do Benfica pela primeira vez nas suas carreiras. A avaliação é feita tendo em conta o tempo de jogo que têm, as expectativas criadas, as perspectivas de futuro, a importância para a equipa e, sobretudo, a qualidade de jogo. Do pior para o melhor, eis a minha opinião:

Rúben Pinto, Mika, David Simão, Luís Martins, Mora, Enzo Pérez e Capdevila - Sem tempo nem espaço para afirmação. Os poucos minutos que jogaram não permitem uma avaliação quanto à utilidade e qualidade destes "reforços". No caso dos 5 primeiros ainda se percebe que, pela sua juventude ou pela qualidade das outras opções ao serviço de Jesus, tenham poucas oportunidades para mostrar o seu valor. Pérez, lesionado, também não teve chances. O caso de Capdevila parece ser incompreensível e a desculpa de que Emerson é melhor que ele é simplesmente idiota. Se é assim, também posso dizer que acho o Walter melhor que o Benzema.

Matic - Não é bom nem mau, antes pelo contrário. Tem mais técnica que aquilo que eu esperava, mas não é assim tão assertivo do ponto de vista defensivo, deixando muito a desejar quando joga sozinho à frente da defesa. Seria de esperar que com a sua altura e com a sua capacidade física conseguisse ganhar mais lances e impedir a progressão dos adversários, mas não tem acontecido. A meu ver, há outros médios que mereciam mais minutos. Matic tem jogado demais. Não justifica.

Nélson Oliveira - Pouco tempo também mas já começou a mostrar as suas qualidades. Rápido, com algum poder de desmarcação, apresenta remate fácil e uma grande mobilidade na frente de ataque que lhe permite jogar em cunha entre os centrais ou a vir da faixa (esquerda ou direita) para o centro. Tem um futuro muito promissor.

Eduardo - Só não joga mais porque tem um colega de posição de qualidade igualmente elevada. Eduardo é, provavelmente, o melhor guarda-redes que temos desde o tempo de Michael Preud'homme. Tem um pequeno azar chamado Artur. E acredito que, se tivesse chegado ao mesmo tempo que o brasileiro, seria hoje o titular fruto das suas qualidades, claro, mas também de uma possível preferência de Jesus. Sempre que foi chamado, esteve bem.

Rodrigo - Talvez a maior surpresa deste início de época. A sua contratação foi muito criticada no ano passado e com alguma razão: a prioridade era um médio centro/defensivo (que nunca chegou a vir, com as consequências que se conhecem) e o valor pago foi excessivo face ao que o jogador demonstrara em Madrid e face àquilo que seria expectável. De qualquer das formas, Rodrigo começa a justificar a escolha do departamento de futebol do Benfica para integrar o plantel. Rápido, com bom controlo de bola, tem faro pelo golo e já deixou a sua marca em alguns jogos importantes esta época. Pode chegar muito longe.

Bruno César - O senhor "ponte aérea" chegou ao Benfica com grandes ilusões e foi aquecer o banco. Não contente com a situação, trabalhou afincadamente e sempre que entrava em campo justificava as qualidades que se conheciam do Brasil. No entanto, com o passar das semanas, tem-se apagado progressivamente. Qual é o verdadeiro Bruno César? Quanto a mim está próximo do de Setembro. É um jogador muito interessante na minha opinião e que dá soluções de jogo que o Benfica não tinha o ano passado.

Nolito - Um jogador diferente de tudo aquilo que vemos actualmente. Com a bola colada ao pé, Nolito cria o pânico nas defesas adversárias. Flecte muito bem da esquerda para o centro e tem um remate colocado, à semelhança do que acontecia com Simão. Não é tão tecnicista, não é tão líder de equipa como o ex-camisola 20 mas tem uma enorme utilidade. Precisa de aprender a largar a bola mais cedo e de refilar menos com os árbitros. É garantia de golos.

Artur - Tecnicamente não é o melhor guarda-redes do mundo, longe disso. Mas transmite uma segurança e serenidade que impressionam. Artur é tranquilo entre os postes, agarra a bola na maioria das vezes, sai-se muito rapidamente aos pés dos adversários e não precisa de a socar quando lhe vem pelo ar, agarrando-a. Não dá nas vistas, mas quando é preciso fazer uma defesa de elevado grau de dificuldade também está lá (Elias que o diga, ainda hoje tem pesadelos).

Witsel - É difícil explicar como e porque motivo adoro este jogador. Witsel é um dos meus favoritos. É a prova de que a velocidade não é o mais importante no chamado "futebol moderno". O belga sabe ter a bola, controlar os ritmos do jogo e compreender quando se deve desmarcar, passar ou rematar. Do ponto de vista defensivo é a antítese de Ramires: muito mais de ocupar espaços do que de recuperar bolas. Era o jogador que precisávamos para ter alcançado a final da Liga Europa no ano passado. Um verdadeiro craque.

Garay - Não é preciso ser exibicionista para se ser um bom central. Garay é do mais discreto possível e surpreende pela sua serenidade, posicionamento e entendimento do jogo. O eixo formado por Artur, Luisão e por si é seguro muito graças às qualidades do argentino, que complementa o colega da selecção brasileira. Além disso, sabe sair a jogar e começa a mostrar alguma actividade nos lances de bola parada, tanto a responder a cruzamentos como a batê-los.

P.S. De Emerson não podemos falar, é assunto tabu. Parece que há muita gente sensível a esta questão. É fazer como os pinguins do Madagáscar: "just smile and wave boys, smile and wave".

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sondagem #41

Sem surpresas, deu Capdevila. Os benfiquistas confiam mais num jogador que está praticamente parado desde Maio do que no habitual lateral esquerdo. As qualidades de Emerson (ai ui, assunto tabu) deixam muito a desejar para dois terços dos benfiquistas que preferem ver como titular o campeão da Europa e do mundo que conta com 60 jogos pela selecção espanhola. Tenho para mim que estas coisas não acontecem por acaso, mas Jesus lá saberá.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Uma sandes de paio e um Sumol de ananás por Emerson. Vendias?

Emerson não é um dos jogadores mais acarinhados pela massa adepta do Benfica. É fácil fazer um título jocoso sobre o defesa esquerdo ex-Lille, como se pode ver por este post. Claro que é um título estúpido: uma sandes de paio ainda compreendia, um Sumol de ananás é que já é pedir demais. Ou não? Valerá Emerson este lanchinho e muito mais ou nem isso?

É uma das dúvidas que me atacam. Só que eu, ao contrário de Emerson, não as deixo passar. Tenho lido em vários sítios muita gente indignada com as críticas injustas (?!) ao defesa esquerdo titular do Benfica, e ao ler esses mesmos indignados, pergunto-me: acham mesmo que Emerson é um defesa esquerdo com qualidades para ser titular no Benfica ou só estão indignados porque se tem de defender um jogador do nosso clube mesmo que ele não jogue mais que o Escalona? É que entre acreditar piamente na qualidade de Emerson e defendê-lo por ser masoquista e gostar de levar com barretes na lateral esquerda... vai um grande caminho.

Sócios: acho que há limites razoáveis para defender um atleta. Pelo que tenho ouvido, parece que ainda hoje poderíamos estar a jogar com Bossio, Gary Charles, Edcarlos, José Soares, Escalona, Machairidis, Marco Freitas, Leónidas, Jamir, Pringle e Mawete Júnior. Afinal de contas "eles só precisam de tempo".

Como é? Alguém confia mesmo nas qualidades de Emerson? Dá-vos garantias?

sábado, 3 de dezembro de 2011

Triagem de Manchester

A partida de Old Trafford foi, até ao momento, o jogo da época. O Benfica procurava manter-se a par do United na corrida por um lugar nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões mas poucos acreditavam na vitória. Objectivamente, não se tratava de uma questão de pessimismo mas sim de realismo. Não tendo as mesmas armas dos ingleses, o Benfica bateu-se surpreendentemente bem e arrancou um empate, o primeiro da nossa história no terreno dos red devils e que permitiu a qualificação imediata a uma jornada do fim.

Mas Manchester foi muito mais que isso. Permitiu separar o trigo do joio, a classe do zé-pereirismo, a qualidade da falta dela. E confirmou uma equipa muito, muito boa, com uma excepção: Emerson.

O que fez de mal o jogador proveniente de Lille? Nada. E tudo. Emerson é isto mesmo, um Evaldo em potência. Sabemos o que esperar dele ofensivamente e que um desastre defensivo pode ocorrer a qualquer instante. Mas o que ocorreu concretamente em Manchester? Ofensivamente nada, tal como em qualquer outro jogo do brasileiro. Seja contra o Manchester ou contra o Gil Vicente, Emerson é nulo do ponto de vista ofensivo. Dali não podemos esperar nada. E defensivamente? Bem vistas as coisas, os golos do United surgiram pelo lado de Maxi, mas sempre que a bola chegou ao lado direito do ataque dos ingleses, fosse com Nani ou com Valencia, Emerson tremia. Foi uma exibição semelhante à de Luís Martins contra o Basel: os seus [muitos] erros não deram em golo, mas cometeu tantos que é impossível deixar passar uma vez mais. Por ele, qualquer um passa. É um corredor aberto, é uma via verde, é um convite a uma grande defesa de Artur. O que Manchester provou, o Sporting confirmou. Chega de tapar o sol com a peneira. Vamos emendar este erro em Janeiro?

P.S.: Muito obrigado a todos os que ajudaram a manter isto de pé nos últimos seis meses, nomeadamente ao Far(away). Não fossem vocês e hoje não haveria Eterno Benfica. Muito obrigado.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Emerson? Nos últimos 2 jogos gostei muito!

Foi uma das contratações do Benfica para a nova época, e uma das tais que obteve por parte dos adeptos maior curiosidade. Primeiro porque vinha substituir Coentrão, segundo porque aos olhos do adepto comum, era um jogador relativamente desconhecido, apesar de ter sido campeão francês pelo Lille. Terceiro, porque a polémica com Capdevila, tem indirectamente puxado os holofotes para o jogador brasileiro, tem feito com que os benfiquistas, analisem com mais atenção as suas prestações durante os jogos. Emerson tenho que dizer, até ao jogo com o Manchester não tinha me convencido totalmente ainda da sua qualidade, nem ainda me convenceu. Achava que era um algo irregular nas suas exibições. Mas gostei muito dos jogos que realizou nas útlimas 2 partidas, principalmente do jogo que fez ante o Manchester United, onde demonstrou serenidade para fazer o lugar, não acusando a responsabilidade do jogo em questão.

Nós estávamos habituados a ter um dos melhores laterais esquerdos do mundo, logo qualquer jogador que chegasse depois dele, teria uma tarefa complicada. Mas temos que deixar esse estereotipo de lado e observar meramente o jogador em questão. Não é um lateral que faça da velocidade a sua grande arma, é antes um jogador que tacticamente sabe ocupar os espaços e que pelo seu corredor, defensivamente sabe movimentar-se com propriedade, nas compensações que por vezes tem que fazer. A nível ofensivo, não é um jogador com grande fulgor, embora com o passar dos jogos, tenha se aventurado mais vezes e provado que tem uma coisa que para um lateral que sobe é importante: capacidade de cruzar bem. Ainda é relativamente cedo para tirar muitas conclusões, mas aproxima-se um jogo, mais um, onde as suas qualidades serão testadas ao máximo, pois deverá apanhar com o monstro verde no seu flanco.

Será este jogo que irá definir o que vale Emerson? Sim e não. Sim, porque de facto, é um jogo especial, e naquele palco, nota-se quais são os jogadores com fibra para jogar no Benfica. Não porque, acabado de chegar ao clube tornaria-se injusto, avaliar um jogador apenas pelo que faz frente a um rival directo. Mas será um teste importante, e cabe a Emerson fazer o que sabe fazer melhor: defender com propriedade. Se me perguntassem antes da época iniciar, era o Emerson o lateral esquerdo pelo qual mais ansiavas? Diria claramente que não. Se me perguntarem agora, depois destes jogos realizados com a camisola do Benfica, se Emerson é uma mais valia para a equipa, diria que o Emerson dos últimos 2 jogos, sim, era. E espero dizer o mesmo depois do clássico que se aproxima.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Apresentação aos sócios e adeptos

Muito provavelmente o Benfica hoje na sua apresentação aos sócios e adeptos, passará a contar com quatro caras novas. Depois de danilo felizmente ter ficado pelo caminho num negócio que seria ruinoso, uma vez que por muito bom que possa vir a ser ainda não vale certamente 13M e ainda terá que provar na Europa o seu valor, ao que tudo indica passaremos a contar com Garay, Capdevila, Emerson e Eduardo.

Se Garay e Capdevila dispensam apresentações, pois são jogadores internacionais e bem reputados e se também já conhecemos o valor do guarda-redes da Selecção Nacional, já no que diz respeito ao lateral esquerdo proveniente do lille é, pelo menos para mim, um profundo desconhecido.

E por isso mesmo, e como quem diz a verdade não merece castigo, confesso que não me sinto em condições de avaliar o jogador. Certamente que estudaremos o Emerson e publicaremos no futuro o "Olho na águia", como já é tradição. Mas até lá e para que vos possamos acrescentar alguma informação sobre este novo reforço, deixo aqui a opinião de dois blogues que têm a nossa confiança, o de um amigo que publica no epluribusunum1904 e um video com texto publicado no chama gloriosa também referente ao jogador.

Resta-me desejar um bom início ao nosso Maravilhoso Clube, com muitas vitórias e troféus à semelhança do seu Glorioso passado. Estou desejoso para que chegue a hora para voltar ao meu lugar.