Mostrar mensagens com a etiqueta pteixeira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pteixeira. Mostrar todas as mensagens

sábado, 6 de outubro de 2007

Quem dá mais?

Quem dá mais?... Tal qual um leilão, a imagem que acima exponho vai no sentido de: quem dá mais?

Com um cenário negro em fundo, apesar de toda a estabilidade financeira que se diz ter, é mais que tempo de olharmos para trás e percebemos até que ponto queremos este presidente “financeiro” ou este presidente “desportivo”. Os dois, parece-me difícil de conciliar e acredito mesmo que sócios existam que não desejam qualquer um deles.

A dado ponto do caminho, é mais que necessário parar e olhar para trás. Vejo um novo estádio/centro de estágio e a segurança/credibilidade financeira que permitem pagá-los; constato vitalidade ao nível do marketing e da projecção do nome Benfica (não tanto ao nível dos títulos, infelizmente); acredito que exista um projecto financeiro que viabiliza o presente e, sobretudo, o futuro; denoto um renascer das modalidades do clube, ainda que exista muita volatilidade de resultados; reconheço o enorme esforço do Presidente em prol do clube e em detrimento da sua vida pessoal; comprovo a realidade que nos mostra que este é um Benfica diferente, fresco e revitalizado face a Direcções anteriores.

No entanto, “nem só de pão vive o Homem”! O futebol só é paixão se existirem vitórias que nos apaixonem. Quantos de nós, apesar do sentimento pelo clube, não pensaram mandar o futebol às urtigas durante uns tempos? Nos dias que correm, “dia de jogo” é como “dia de chuva” (para quem não gosta dela). Por outro lado, é motivo “para a gente se rir”, como diz um amigo meu de outro clube. Repetidamente… incomoda!

Por n vezes afirmei: construir bases financeiras sólidas, por si só, não basta. Sem dinheiro não há títulos e sem títulos não há dinheiro. É no equilíbrio que reside a chave do sucesso, penso eu. Mas apercebi-me de uma coisa preocupante neste defeso: não sabemos ter dinheiro nas mãos. Não quero particularizar, mas claramente existiu desnorte na política de contratações agora assumida (em termos de dinheiro e quantidade de jogadores). De uma suposta equipa constituída pela espinha dorsal da Selecção (não, não foi só Vale e Azevedo que nos vendeu esta ideia), apercebemo-nos de uma Sociedade das Nações no clube. Temos a obrigação de criar as estrelas da nossa Selecção. Penso que o caminho ainda é longo. Noutro contexto, não se percebe a estratégia de possuirmos boas condições financeiras e deixarmos sair as nossas melhores soluções. Onde está a tão falada estabilidade quando adquirimos quase 20 novos jogadores?

Ao nível dos técnicos principais, sem falar na sumidade que foi o Professor Jesualdo Ferreira e no desencanto de Fernando Santos, as restantes apostas desportivas pareceram-me adequadas à nossa história e à nossa ambição. Mas quando temos treinador, não temos jogadores. Quando temos jogadores, não temos treinador. Triste sina! Para mudar à segunda jornada, mudava-se a tempo de se preparar uma época, Sr. LFV!

Quanto a Luís Filipe Vieira, é por demais evidente que expõe-se e expõe-nos cada vez que fala ou assume-se como o responsável máximo pela equipa de futebol. Este facto não constituiria motivo de preocupação ou estranheza dada a posição que ocupa no clube e na SAD, mas convenhamos: “quem não tem unhas, não toca viola”… ou então toca mal. Neste Benfica, ao contrário de “outro” clube, o regime não pode ser “presidencialista” por manifesta falta de capacidade de tudo saber e de tudo controlar.

E é na detecção das fraquezas que nos tornamos mais fortes! Contudo, gozando de um elevado nível de popularidade, LFV sujeita-se ao enfraquecimento desse altar que o sustenta. Ao desviar a incidência das suas acções de construção da já referida estabilidade financeira para o papel de “pai ausente” da equipa de futebol, o nosso Presidente abriu caminho à “abertura da caça”, na qual ele próprio se transforma em presa a abater. Era tão mais fácil contratar um “boi cansado” para enfrentar as piranhas (se existisse qualidade, poderia até sobreviver) e só depois então passar pelo rio seguro para chegar à outra margem. Má estratégia!

Já sem José Veiga, entregue a si próprio na organização e resolução dos casos do nosso futebol, Luís Filipe Vieira tem nas suas mãos uma bomba que ele próprio ajudou a montar: tic-tac… tic-tac… tic-tac…

O problema de tudo isto é que não existe oposição. Ou melhor, oposição suficientemente capaz, credível, que justifique um alternar de voto. O Benfica é, sem margem para dúvidas, mais apetecível nos dias de hoje, mas continua a ser um desafio demasiado grande para muitos de nós que criticamos. A verdade é esta e não outra!

Enquanto assim for, continuaremos a puxar do rosário para que a bola entre, a desejar que os micros das rádios e das televisões se desliguem à passagem do nosso Presidente e, finalmente, a subsistir às intempéries que teimam em nos assolar ao longo dos tempos. Até lá, ficaremos à espera que o tempo mostre que Luís Filipe Vieira continua a ser o homem certo para o lugar indicado e que “o mais” que possamos dar neste leilão, seja o nosso contributo para o engrandecer desta grande instituição.

Que o nosso espírito crítico não se atenue em momento algum!

domingo, 9 de setembro de 2007

O “Portugal dos pequeninos”?

O futebol é um desporto de trabalho, de qualidade, de sorte e de azar. Independentemente do resultado de hoje, a minha ideia está formada desde há algum tempo. Pau que nasce torto, dificilmente se endireita. Infelizmente voltámos aos tempos das malfadadas contas. E agora a pergunta do milhão de euros: a culpa é de quem?

=> Do treinador que incutiu, desde cedo, no espírito português uma contabilidade estranha para este apuramento. A selecção vice-campeã da Europa, 4ª classificada no último mundial, tem que entrar num jogo de créditos e débitos consoante os jogos realizados fora de portas ou em casa? Mas que grupo “de morte” é este que nos obriga a isso? Em que momento desta “cassete” chamada mística, virámos para o lado B?

=> Do desgaste e até desânimo que venho a notar na face de Scolari quanto a esta Selecção. Suspeita-se (sabemos, pronto) que não vai renovar, mas no seu currículo não ficaria nada bem um não apuramento para o próximo Europeu. A apatia da contabilidade necessária poderá ser, de novo, indicativa de desleixe? Poderá, o Sr. Scolari, estar a antever um futuro menos risonho para esta Selecção, comparativamente ao passado recente? Não existem muitos mais brasileiros de qualidade para naturalizar, convenhamos…

=> Do entra e sai nas convocatórias. Até agora, não se conseguiu estabelecer uma base sólida de trabalho. Acredito e aceito que, pela distância temporal entre os jogos, o factor “momento de forma” seja importante, mas daí até já irmos em 50 e tal convocados para este apuramento (pelo que ouvi)…

=> Dos clubes portugueses (Benfica, sobretudo). A geração de ouro só existiu porque alguém a garimpou. Existe muito metal precioso por todo este Portugal (o Sporting descobre-o), mas insistimos em outros mercados. Sou e sempre fui apologista que o Benfica, particularizando, deveria ter jogadores de qualidade, acima de tudo. Viessem eles de onde viessem. Não podemos é exigir das Selecções aquilo que os clubes não lhes querem dar: matéria-prima. Existem lacunas gritantes em posições fulcrais do terreno, sobretudo pela disparidade de qualidade entre as primeiras e segundas linhas. Não existirá, em Portugal, nenhum defesa esquerdo de raiz em ascensão, por exemplo? E um ponta-de-lança?

=> Dos clubes estrangeiros, que encontram em Portugal a tal mina de ouro. Por uma questão monetária, garimpam o mais cedo possível por terras lusitanas. Resultado? Ou os jogadores assumem-se pela qualidade indiscutível que têm (Cristiano Ronaldo, Nani?) ou perdem-se para o futebol, no conforto do banco de suplentes (mas com o bolso mais cheio). Fico estupefacto pela quantidade de jogadores que saem dos clubes chamados pequenos (ou até mesmo de divisões menores) para clubes de Espanha, Itália e Inglaterra. Seremos nós os visionários e eles (os clubes estrangeiros) os cegos? Não deveríamos contribuir para a maturidade futebolística desses novos Rui Costa’s, Figo’s e João Pinto’s? Sair de Portugal tão cedo é queimar etapas e, quiçá, carreiras.

Tudo bem, em jeito de balanço, podem dizer-me que o Rui Costa, o Figo ou o João Pinto também falharam qualificações. É verdade, mas esperava eu que, uma vez alcançado o mais difícil (presenças assíduas), as bases estivessem construídas.

Tenho receio de, brevemente, voltarmos a acompanhar os Campeonatos do Mundo e da Europa… pelos olhos dos outros. Normalmente era esta a postura quando ficávamos de fora. Olhando para baixo (Sub’s 21, 20….), os resultados não têm sido animadores…

Voltaremos a ser o Portugal apenas dos pequeninos?

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Anseiem por lá chegar...

Vou-vos contar uma história simples e espero que percebam a analogia, relativamente ao Benfica:

Este Verão subi, pela primeira vez, a montanha do Pico (ponto mais elevado de Portugal – 2351 metros). Podia ter iniciado a minha aventura pelo K2 ou pelo Evereste, mas achei prudente começar a vencer as montanhas mais pequenas, não fosse acontecer algum percalço. Imaginando eu que o caminho seria difícil de percorrer, que o esforço e a vontade de lá chegar me abririam o apetite e que, no cimo, fazia um frio de rachar, optei por me precaver com roupa suficiente, equipamento adequado e comida energética q.b.

Ah… não menos importante, contratámos um guia muito competente para nos indicar o caminho.

Qualquer que fosse o sacrifício para lá chegar, era merecedor pela maravilhosa vista que de lá teríamos. Dores nas pernas, dificuldades de respiração, cansaço ou qualquer outro obstáculo seriam presenças constantes na subida, mas o mais importante seria chegar ao cume. Frio, fome e sede não teria porque estava preparado. Houve quem não tivesse levado roupa suficiente, houve quem não tivesse usado calçado adequado, houve quem não levasse a sério os perigos da subida à montanha, tal a ânsia de lá chegar.

Como vos disse, escoriações existiram, a roupa ficou em mau estado, as dores nos músculos também foram em grande número, mas a satisfação de lá chegar superou qualquer dificuldade. Lá do topo (onde queremos ficar o maior tempo possível), avistamos aquilo que outros apenas sonham, quase que conseguimos tocar no céu (obviamente, em sentido figurado). Mas lá, o vento sente-se com maior intensidade, o frio ganha outras proporções e a perspectiva de tudo aquilo descer não é animadora. Sempre ouvi dizer que a descida da montanha é uma mini-tortura. Assim o foi.

Já ouviram, de certeza, o célebre dito popular que refere algo do género: “é fácil chegar ao topo, o difícil é mantermo-nos lá”. Não se esqueçam disso porque é a mais pura das verdades. Pensar que podemos prolongar ad eternum o tempo em que lá estamos, é pura utopia. Por mil e um motivos que devem imaginar.

Preparem-se antes para descer e encarem nesse facto um novo desafio. Um dia podem regressar.

Eis as lições de vida que retirei desta aventura:

1 – Antes de enfrentarem um desafio, preparem-se convenientemente;
2 – Estudem a melhor estratégia para abordarem possíveis percalços, sabendo que o melhor caminho é evitá-los;
3 – Antecipem os piores cenários e, psicologicamente, perguntem-se se estão preparados para os ultrapassar;
4 – De acordo com o desafio a que se propõem, não se isolem. A união faz a força e o espírito de grupo é reconfortante para etapas difíceis de ultrapassar. Nunca se sabe se precisaremos de ajuda;
5 – Uma vez no topo, gozem o momento e orgulhem-se de terem conseguido;
6 – Não percam nunca a noção da realidade e do sítio onde estão. As alturas são traiçoeiras;
7 – Mesmo sabendo que no topo estão bem, preparem-se porque uma descida aproxima-se de vós. Tudo o que sobe, também desce;
8 – Na descida, por ser mais difícil, apoiem-se e deixem que se apoiem em vós. É nessas alturas que vemos quem tem espírito de auto-sacrifício e camaradagem;
9 – Quando caírem (porque vão cair), levantem-se e andem (se puderem, claro) porque sabem que cada metro que percorrerem (para cima ou para baixo, porque só vocês sabem para onde querem ir), é menos um que têm de andar;
10 – Por fim, se estiverem no sopé da montanha, olhem para cima, agradeçam a oportunidade que Deus vos deu de lá subirem e anseiem por lá voltar. Vivam cada pequena felicidade porque é a soma destas que compõem a grande felicidade que é a vida.

NOTA: Só tenho a agradecer ao guia que, desde o início, nos alertou para as dificuldades e para os perigos da montanha (quem quisesse desistir nos primeiros momentos, podia fazê-lo) e para o facto dele (guia), fizesse chuva ou fizesse sol, sempre ter estado próximo dos que mais precisavam. Os grandes líderes assim se assumem.

sábado, 30 de junho de 2007

"Boas Festas"!

Uh, uh? … Trouxe-vos Luz!

Se o Natal é quando o Homem quiser, então é minha vontade que hoje assim o seja. Esqueçam lá o desejo que eu apanhe um choque por ter escolhido luvas verdes. A lâmpada ilumina, mas é de baixo consumo. Além do mais, ser orelhudo é característica mais que suficiente para castigo ad eternum.

Às portas de mais uma época, que esperamos seja marcada por alegria, paz e muita “tranquilidade”, as prendas já foram sendo desvendadas antes do tempo. A malta de hoje em dia, além de materialista, é impaciente. Como é hábito, lá escreveram para o endereço do Pólo Norte (ainda não perceberam que ninguém no seu juízo perfeito mora ali?) mas, ao contrário de outros anos, os Correios de Portugal souberam reencaminhar os pedidos para a morada certa.

Desde que um raio de Luz foi visto a atravessar os céus (uma estrela cadente, quiçá), os pensamentos e desejos mais impossíveis de alcançar foram postos à prova. Outra coisa não seria de esperar! Não são todos os dias que se tem essa sorte de “avistamento”. Ora agora nada têm, como depois tudo querem ter. Assim se escreve o livro do bom pedinte. O problema é que quem vê a suposta estrela, continua insistentemente a chatear o Pai Natal. A mim, que ninguém vê. Mal saio de casa! Bah…

Mas, este ano, a culpa até foi minha, eh eh!

No fim das contas, toda aquela claridade advinha da nova forma de locomoção das renas. Antes, deslocavam-se a duas velocidades (devagar e paradas), não dando conta a todas as encomendas (muita reclamação se ouviu). Agora, movidas a energia combustível, dão cartas no espaço aéreo nacional. Quando alguns se aperceberam de tamanha ofensa ao Ambiente, lá vieram os impropérios: “Isso é caro demais, sua besta. Fonte renovável, energúmeno! Esses animais deviam mexer-se sozinhos, mas depressa! Isso é que era!”.

Está sempre tudo mal. Nem um biscoitinho deixam na lareira para me animar. “Motivação?”, perguntarão muitos. “Fazes isso porque queres”, responderão outros.

Ai… se não fosse esta Luz que me move…

Pergunto-me, para quê? Tanta prenda condenada ao desprezo e abandono. Tanto “papel” que vai parar ao lixo. Hoje abraças, amanhã pontapeias. Serão capazes, vós mesmos, de se oferecerem prendas quando nem, indubitavelmente, as pedir sabem? Ou será que sabem? Até tenho um Óscar aqui na lista, vejam lá. Pergunto-me, para que raio serve um Óscar? Nem pintado a ouro queria um, mas de “filmes” percebo eu pouco. De qualquer das formas, quem o receber, passado pouco tempo, utiliza-o como suporte de papel higiénico (não reciclado, espero). Olha, Rudolph, sem ironias, cuida bem desta prenda porque ela será entregue a alguém muito especial.

Já ando nisto há alguns anos (caso raro nesta profissão) e cada vez mais me convenço que o povo não sabe o quer. “É preciso estar em constante convulsão”, pensam os rebeldes que não sossegam o seu espírito, por natureza, inquieto. "De todos duvidar, porque o caminho é não acreditar". Felizes os que acreditam sem terem visto. Às tantas o Pai Natal existe mesmo.

Bom… e porque se faz tarde, lá vou eu providenciar o caminho alternativo, a tal via renovável que tanto se tem vindo a reclamar. Só espero que, com a nova Luz que surgir, o povo sinta que tudo valeu a pena. Esta Luz, irá continuar a brilhar.

Por agora, deixem que o Natal entre nas vossas casas e, não se esqueçam de acreditar no espírito que nos move. Ele vive todos os dias.

Cuidem bem das vossas prendas!


“Boas Festas”!

sexta-feira, 22 de junho de 2007

A Terra Prometida...

Poderão dizer que foi precipitada a minha análise, aquando do anúncio do lançamento da Oferta Pública de Aquisição, bem como a presente tentativa de rectificação de alguns pressupostos que anteriormente assumi. Eu diria antes… nem tanto ao mar, nem tanto à terra! Continuo a encontrar perigos (janelas de oportunidade?) nesta operação, mas, claramente, face há uma semana atrás, o meu nível de esclarecimento é maior.

Mais importante que saber porque é que cada accionista quer vender um bocadinho da sua Sociedade Desportiva, importa perceber os propósitos que movem aquele que o quer comprar. Não estamos, propriamente, a falar de uma mera transacção financeira (também ela merecedora dos devidos esclarecimentos, diga-se) entre pessoas que só querem fazer dinheiro à custa do “timing” correcto de compra/venda. Existe sentimento envolvido!

Nesse sentido, é de louvar a exposição de ideias que o Sr. Berardo tem vindo, aos poucos e poucos, a fazer. Já todos percebemos que a sua influência na gestão far-se-á sentir, tenha ele 30%, 40% ou 50% do capital social da SAD, daí começar a desenhar-se um cenário bíblico, que passo a descrever.

Seguindo ou não a religião católica, penso ser do conhecimento geral a existência de uma época a que se chamou de “Êxodo”, em que Moisés, na tentativa de libertar o seu povo da escravidão, conduziu-o através do Mar Vermelho, em busca da Terra Prometida. Pequemos agora um pouco, correlacionando o profeta com Luís Filipe Vieira. No fundo, ele também tenta levar-nos para algum lado e, convenhamos, promessas é com ele mesmo.

Ora… como se constituía um cabo dos trabalhos explicar àquela gente toda que Moisés se tinha enganado no caminho e que, dar a volta à margem, só ia atrasar a hora da janta, lá se arranjou um vento forte que dividiu o mar em dois. Assim, os Judeus conseguiriam atravessar a seco para o outro lado. Intitulemos o “vento forte” de Berardo. Não nos enganamos na analogia se pensarmos que “convulsões” e “remexer de terra” foram e são características que o ajudaram a “abrir caminho” à sua fortuna.

Entretanto, o povo maravilhado com a possibilidade de poupar dinheiro em futuras terraplanagens (aquela técnica de abrir caminho era muito à frente), pôs-se em marcha alegremente. O que é que poderia correr mal? Antes, não tinham nada! O máximo que lhes poderia acontecer era serem engolidos pela força do mar, não fosse aquela estrutura (existia estrutura visível?) desabar. Não será necessário dizer quem é, nesta história, o “povo”, pois não?

Bem… se o povo foge, é porque alguém lhe quer fazer mal. Escusado será dizer que o Faraó e subalternos (não confundir com “Alterne”) andavam numa correria louca pelo facto da criadagem estar toda a debandar. Sem oprimidos, não se justifica a existência de opressores. Na ausência de Bobys e Tarecos, mande-se lá os cavalos e os cavaleiros à caça dos desalinhados. No entanto, eis que surge uma bola de fogo a rasgar o céu, que os impede de atingir o alvo pretendido. Ficam retidos na outra margem, assustados e renitentes em prosseguir. É escusado referir a quem chamo de “bola de fogo”, não é? Muitos nomes tem o... Senhor!

Mas o melhor ainda estava para vir. Com a esperança de alcançar a Terra Prometida, sentindo que estava a ser protegido pelo Senhor, o povo chega à outra margem (apenas um objectivo do longo caminho). No entanto, alguns foram “abalados” pela força do vento forte.

Ao constatarem este cenário provocatório contra o seu poder, julgando-se capazes de enfrentar as forças da natureza, os Egípcios investiram ferozmente por entre um caminho que consideravam seguro, mas foram engolidos pelas águas daquele a quem chamaram de Mar Vermelho. Não mais arrogância e tirania existiriam!

No desporto, como em tudo na vida, também existe a outra margem e vários são os caminhos para lá chegar. Imaginem-se de bordão na mão (tal qual Moisés) a pensar se ordenam o “milagre” ou se contornam o mar. Para o bem ou para o mal, a resposta parece-me óbvia...

Ahh… relembro só um pequeno pormenor desta história bíblica: Moisés não chegou à Terra Prometida…

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Os perigos da mama!

Este pretende ser um texto sem aspas. Cabe ao leitor escolher se e quando as deverá incluir.

Mamar… é sintomático do ser humano. Seja à nascença (por necessidade, diz-se), seja pela vida fora (por prazer, espera-se). Só que uns mamam mais que outros! Existem aqueles que se agarram à mama como se o amanhã não existisse, a confirmar o desabafo contido numa música de Amália Rodrigues que refere: “…tanto e tão pouco!”. Outros há que, não contentes com o manancial de mamadas conseguidas, só conseguem pensar em muito continuar a mamar.

Num mundo cão, onde o dinheiro fala mais alto que muitos dos valores éticos e morais adquiridos e o desejo de sucesso imediato deturpa a visão de um qualquer bom Samaritano, pergunto eu, quem nunca se sentiu tentado a mamar?

Existiram tempos em que acreditei num modelo desportivo em que os clubes poderiam ser dirigidos por mamões, pessoas essas que exploravam, até ao último centavo, os pobres dos mamados. A contrapartida? Vitórias, vitórias, vitórias. No fundo, acabava por ser uma relação de reciprocidade. Ora agora mamas tu, ora agora mamo eu!

Objectivo desses senhores? Numa primeira fase, a aquisição de um brinquedo caro e fora do comum (excentricidade, pois claro). Fica sempre bem dizer: “Ó mulher, sabes o que comprei hoje para o nosso filho?” O Benfica, claro está! Queremos nós que assim seja? Poderemos nós impedir esse caminho com retorno difícil? Será tudo amor ao clube?

A história do futebol tem-nos provado, salvo algumas excepções (principalmente em Inglaterra) que este desporto deverá pertencer àqueles que pouco mamam e que muito são mamados, estejamos a falar no contexto do Clube ou da SAD para o futebol. Teremos de continuar a ser nós (o Clube Benfica e não um Milionário qualquer) a decidir que caminhos seguir. Não é uma questão de "orgulhosamente sós", mas sim uma garantia que um qualquer Vale e Azevedo (Parte II), pela sua capacidade financeira, não nos irá levar à ruína e ao descrédito, novamente. Pelo menos, assegura-se este princípio teórico.

Que garantias temos, perante OPA’s como que a se anuncia hoje, que as linhas estratégicas para o futebol (a existirem) não vão ser alteradas por um qualquer Sr. do pilim? Relembro que são imensos os casos, por este Mundo fora, de clubes que fecharam ou estão em vias de fechar as portas, pela implementação de uma gestão danosa para os clubes. Quero ver como ficará o Chelsea quando o milionário bater com a porta… e já esteve mais longe!

Digam-me lá, quem investiu em acções do Benfica, se pensou obter algum lucro com as mesmas? Fazer fortuna? Dependeria do vosso desejo a venda do Simão ou do Luisão, como forma de obter retorno? Preferiam a mais-valia financeira, enquanto pequenos accionistas, ou uma mamada completa por existir imenso capital investido? O investimento, tantas vezes por mim referenciado noutras explanações, não passaria a assumir o papel puramente financeiro? Um “compra e vende” sem critérios e sem visão estratégica?

Com as virtudes e defeitos que se lhe apontam, penso que Luís Filipe Vieira tem seguido, do ponto de vista financeiro, o caminho mais seguro e correcto. Espero que faça, em comunhão com os dirigentes que foram eleitos, uma sessão de esclarecimento ao mundo Benfiquista e que fique bem claro em que moldes esta operação vai virar sonho ou pesadelo (a concretizar-se). Estaremos no contexto da “ajuda” ao Benfica ou no âmbito do “ajudar-se” a si próprio, no que a esse Sr. Berardo diz respeito?

Das duas uma, ou eu estou a empolar o assunto e, no fundo, tudo será um mar de rosas, ou, caso contrário, estamos a assistir à maior tentativa de mamada que este clube alguma vez assistiu (pelo menos na era pós Vale e Azevedo).

Bem… e porque já são horas, esta conversa deu-me fome…


Nota: a imagem teve que ser uma vaca. Qualquer coisa não ofensiva, mas caracterizadora do tema em questão.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Quando virá o "raio" que os parta???

Acabar a época sem títulos (a tal cena do “nada”), regra geral, despoleta uma vaga de depressões desportivas e uma tempestade de emoções, muitas vezes indutoras de instintos selváticos que nos levam a que, tudo o que mexa e não seja vermelho, se transforme em alvo a abater. Inclusive os que cá estão dentro! Resta saber se com razão…

Que estamos no meio de uma intempérie, ninguém o pode negar. Quando o “nada” nos invade, ai daquele que ousar dizer “ah… isto hoje nem chove nem faz sol”. Não! É tempestade mesmo! Daí que, em pleno turbilhão de ventos e marés, se criem expectativas em relação às “condições favoráveis à ocorrência de trovoadas”. São sinais de esperança que, depois da invernia, chegue a bonança.

A ideia que vou ficando, principalmente nestas épocas em que alguma coisa tem que ser dita (dirigentes, pois claro), é que estamos mesmo no meio de uma (trovoada). Por norma, para quem se deleita com o maravilhoso espectáculo do rasgar dos céus, por parte de milhares de Kilowatts, existem dois momentos chave: a queda do raio (leia-se: reforços de qualidade) e o ruído do trovão (leia-se: o blá, blá, blá de LFV e Cª, Lda). Pois bem… digam-me lá se falhei a sequência? Se estivesse a falar de futebol, teria errado sim! Ui… e se falar do Benfica o mais provável é que “a terra gire ao contrário e os rios nasçam no mar”.

Não é que o denominado trovão (muito barulho, pois claro), no que ao Benfica diz respeito, teima em vir primeiro que o raio? Não é que não o procuremos… mas “cadê” aquela coisa que faz mal e destrói (os outros, espera-se), causando transtorno e desconforto a quem o recebe? Onde está aquele brilho intenso, que ilumina o dia e/ou a noite? Ficamo-nos só pelo barulho?

Li, por estes dias, com muito agrado, que estamos a consolidar os nossos Resultados Operacionais em detrimento da venda de activos. Finalmente percebeu-se, de há algum tempo para cá, que a filosofia passa pela aposta nos que cá estão, mas porque não se investe numa “luz”? Porque teimamos em fazer barulho e não criamos… “luz”? Porque “trovejamos” tanto um Benfica Glorioso (para o futuro), se o Benfica do presente não tem ambição?

Falamos em investir e ficamos à espera da venda de possíveis dispensados porque, sem esse dinheirinho, não há Benfica Glorioso para ninguém. Que lógica de “bombas” é esta? A forma de LFV abordar o tema “reforços” é que lembra uma grande bomba… de Carnaval. Não bastou a questão do fiasco do Tomasson e do Kalou? Para quê vender-nos ilusões? Mas é de gente inteligente anunciar sem ter comprado? Como é possível anunciar milhões, com tostões no bolso? Mas onde pára o dinheiro do empréstimo obrigacionista que o próprio LFV anunciou como meio para reforçar o plantel? Calem-me este homem, com o devido respeito! Aliás, peçam-lhe para nos revelar, afinal, que “raio” de estratégia é esta? Temos estratégia desportiva, não temos?

Lanço uma pergunta: 6 ou 7 possíveis dispensados (quase todos com um ano de casa, apenas) revelam o quê? incapacidade negocial (com outros jogadores), inaptidão para a prospecção do mercado ou demérito de quem decide seguir a estratégia da contenção (em detrimento do investimento)? Falam-se em jogadores de 32, 33, 34 anos. Isto lá tem cara de aposta séria no futebol?

Descubram-me outro Jardel, um Mantorras com dois joelhos, um triste de Deus que não saiba falar, mas que marque golos até enjoar. Onde pára a prospecção e a aposta nos escalões de formação? Vão buscar um jogador à China (por sinal muito bom) e não lhe vão dar uma oportunidade, já antevejo. Esta política assenta em que parte da estratégia? A lógica do “custo zero” como se coaduna com o Benfica dominador?

Quando o Benfica conseguir sanear por completo as suas contas, restará o quê do Benfica desportivo que todos nós aprendemos a gostar? Friso: investimento não é despesa!

Deveria ser proibido, a LFV, inaugurar Casas do Benfica! Quiçá, nalguma dessas inaugrações, LFV deixe o coração chegar à boca (sem tintol) e revele que, afinal, o Benfica só pode juntar-se ao Portugal dos Pequeninos (Edgar, Devic, Rúben Amorim… fala-se) e que tudo, afinal, não passava de mais um conto do vigário (como tantos que temos visto). Pode ser que, depois, todos se esqueçam das vãs promessas do Benfica Nacional, Europeu e Mundial perante tais revelações. Seria, de facto, uma bomba já antevista.

Depois dos enormes “trovões”, que teimam em chegar primeiro do que aqueles que fazem efectivamente moça, a minha dúvida, depois de tantos anos à espera é:

Onde Diabo estão os “raios” que os partam a todos… MESMO?

quinta-feira, 24 de maio de 2007

20 milhões... de quê?

... De euros, já sei, mas para investir em quê? Ilusões? Botas de futebol? SPA’s para os jogadores? Um novo autocarro? Os sócios e adeptos, com sacrifício, vão continuar a empatar dinheiro (muito necessário para o seu dia-a-dia) em remedeios, tais como o Beto, o Marco Ferreira ou o Moretto? Como é que se explica e coaduna a incongruência do discurso, caracterizado pelas promessas de vitória e glória mundial (clara conversa para boi dormir) com os resultados presentes e perspectivas futuras (reais) de acção directiva?

Muito se escreve sobre a saúde financeira do Benfica (melhor que a do passado). Compreendo que os compromissos financeiros, já assumidos perante a banca, nos deixem com a corda ao pescoço durante uns largos anos, no entanto, é-me difícil compreender esta óptica de desinvestimento directo no futebol que, de algum tempo para cá, os nossos dirigentes têm assumido. Há uma clara separação de águas entre gasto e investimento. Uma não tem retorno e a outra, se bem delineada a estratégia, trará benefícios. Quando estávamos a melhorar, inverte-se a política (quantidade em detrimento da qualidade).

A pergunta que todos devemos fazer é: os 20 milhões representarão despesa ou investimento?

Os sonhos não alimentam o estômago! Quando deixaremos de pensar que somos os melhores se, dentro do campo, outros provam o contrário? Não se contente apenas, Sr. LFV, por sermos o clube com maior número de sócios. É que, melhores ou piores benfiquistas, os que pagam efectivamente as quotas, fazem-no na esperança do retorno desportivo (outros também do retorno financeiro, através das acções). Qualquer dia, terá de lançar outra “Operação Coração” por já não haver “sangue” em quantidade suficiente para mandar oxigénio àquele que faz tudo o resto funcionar. E não será necessário esperar mais 11 anos…

Dos 20 milhões que aí vêm, estarão “apostas” do calibre dos 5 ou 6 atletas a dispensar (pelo que se fala)? Será este o perfil de jogador que representa a dita real mais-valia e elemento contributivo para um Benfica Nacional, Europeu e Mundial? Não pretendo mais que três contratações (pensando que ninguém importante sai), mas os que vierem não podem ir aquecer o cuzinho para o banco, esfregando as mãos pelo contrato da sua vida. Este período de contratações, obrigatoriamente, teve de ter início há muitos meses atrás, mas será que o Presidente LFV e o Director Desportivo LFV têm conseguido conciliar as duas funções de forma eficiente e eficaz? Será que o Presidente e o Director Desportivo andaram a lutar contra moinhos de vento, tal qual Dom Quixote? Não me canso de repetir esta preocupação!

Ou será que, em inaugurações de Casas do Clube, se anunciam medidas éticas e morais como condições para o exercício de funções e, pela porta dos fundos, há assalariados a empurrar as palavras de LFV para dentro da boca do mesmo? Já nem sei o que me descansa mais…

Não me vou alongar sobre o tema “Treinador”, mas não deixo de perguntar-me se a alternativa Fernando Santos (sim, sempre me pareceu alternativa a alguma coisa) é mais válida pelo dinheiro a menos que receberá, em contraponto com o salário de Eriksson ou Camacho (por exemplo), ou se é mesmo uma fezada de Luís Filipe Vieira e seus pares. Aposta na estabilidade? É um bom argumento, mas até quando? Sim… quantos anos mais vamos ter de perder até se investir a sério no futebol profissional do Benfica?

São muitas questões às quais LFV terá de dar respostas efectivas, no campo da acção, independentemente da construção do novo estádio, do centro de estágio, dos três títulos conquistados (taça de Portugal, campeonato e supertaça) e de todas as iniciativas que tornaram o Benfica uma instituição ainda maior. Outros não pararam o seu percurso!

Neste seu mandato, Sr. Luís Filipe Vieira, ainda nada ganhei…

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Nós só queremos... um Benfica Campeão!

Hoje, tal como noutros iguais, é dos raros dias (noites) em que sinto inveja de alguém. Não por desgostar de ser quem sou ou do que tenho, mas por saber que a alegria de terceiros se transforma na minha própria infelicidade. É um facto.

Pouco tenho escrito porque pouco me apetece escrever. Tento encontrar motivos para me animar (reforços, manutenção dos principais jogadores, mudança de técnico), mas a realidade só me mostra um caminho descendente. Incrível, não? Nem conseguimos ficar muito tempo no topo e já estamos a descer novamente. É a dinâmica de vitória (ou falta dela). Ponto! Começou e acabou num ápice.

Lá no fundo, quem é que ainda não pensou que, se não fosse Trapattoni e Cª, Lda., o mais certo era termos chegado aos 17 ou 18 anos sem vencer o campeonato? Qual campeonato atípico qual carapuça… se assim for, somos nós que andamos “atípicos”, “anémicos” e “descompensados” há muitos anos. Ganhámos na altura e pronto. Eu quero é vencer mais e mais.

Agora vem a época da venda de sonhos ou ilusões. Aliás… já começou. Com 20 milhões no bolso, declaradamente para investir na equipa de futebol, quero ver onde vão arranjar desculpas para não vencer o Paços, o Beira-Mar (este até desceu), a Naval ou o Braga. Quero ver, primeiro que tudo, como é que convencem aqueles que só querem sair desde há muito (com Simão à cabeça) que o melhor caminho é ficar (desmotivados, mas mais ricos, talvez). Quanto é que essa operação nos irá custar? É que são só 20 milhões e a qualidade dos que saem (normalmente boa) contrapõe-se com a incógnita dos que estão para vir.

Já não vejo em Luís Filipe Vieira um homem calmo e seguro de si. Vejo-o a distrair-se em demasia com assuntos que pouco têm a ver com o terreno de jogo. A assumpção dos dois cargos (Presidente e Director Desportivo) preocupa-me por isso mesmo. Se tivermos os melhores e marcarmos de tudo o quanto é canto e lado, não há árbitro que salve a escória do Norte, do Sul ou do Centro. Se concentrarmos as nossas atenções no reforço qualitativo da equipa de futebol, poderemos deixar que os vizinhos do lado se desgastem nessa luta que será sempre inglória. Ainda não perceberam que será sempre inglória? Então sejamos melhores que eles e isso, infelizmente, não temos sido.

Pelo 49º ano consecutivo (sentido figurado, é claro), vamos bater nas mesmas teclas:

=> Precisamos de um ponta de lança que marque golos. O Sporting tem, o Porto tem, o Boavista tem, até o União de Tomar deve ter. Os campeonatos decidem-se nessa zona do campo. Porque raio, passados tantos anos, ainda não investiram num gajo que dê nojo de tanto ver marcar, hein? Ainda não perceberam que o dinheiro que já se perdeu (por não ganharmos nada) teria sido mais bem aproveitado na compra de alguém que marque, pelo menos, uns 20 golos por época?;

=> Precisamos deixar de comprar por comprar. Quantos jogadores estarão na lista de dispensas? Só falarei pelo que se lê na imprensa, mas comungo da mesma opinião: Moretto, Paulo Jorge, Manú, Miguelito, Beto, Marco Ferreira… É com muita honra que os vimos chegar, quiçá (para eles) ao topo das suas carreiras, mas muito comodismo se avistou pelos lados da Luz. “Cadê” o espírito de trabalho para conseguir mais e mais? Terá sido só casmurrice de Fernando Santos a aposta nos mesmos? Não deveremos traçar um perfil psicológico dos atletas para precavermos este tipo de situação?;

=> Precisamos regressar aos treinadores com carisma (Camacho, Trapattoni…). São guerreiros, lutadores, motivadores e congregadores de adeptos e jogadores. Ainda que não concorde com muito do que foi feito na era Koeman, sinto que perdemos o sentido de estratégia na contratação de Fernando Santos;

=> Precisamos olhar mais para os escalões de formação, em caso de dúvida entre compra estrangeira ou aposta portuguesa. Quem sabe, algum puto agiganta-se e traz uma mais-valia ao plantel. Não olhem para Marco’s Ferreira’s, em fim de carreira, ou para Derlei’s, que já mostraram tudo o que tinham para mostrar. É queimar dinheiro vivo.

E muito havia para dizer, mas a desmotivação não aguça o apetite da escrita. Quiçá, depois dos vizinhos da segunda circular vencerem a Taça de Portugal (nada restando para nós este ano), Luís Filipe Vieira acorde para a realidade e perceba que se este gigante não for espicaçado novamente (desta feita a responsabilidade tem de partir dele), os "roncos" far-se-ão ouvir por muitos e largos anos.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Nothing Else Matters

Peço-vos que leiam este post com muita calma e capacidade de abstracção.

Imaginem-se no meio do nada e o vosso(a) companheiro(a) traz-vos um barco (leia-se: um sonho, um desejo) como presente. Nada de anormal, se o contexto da história não se passasse numa imensidão de… gelo (leia-se: dificuldades).

Indiferentes a tudo, mesmo sabendo que a época era de invernia e que as temperaturas não permitiriam por água dentro entrar, caminharam alegre e solidariamente até que o sonho se cumprisse. De mãos dadas e firmes no seu propósito, avançaram rumo ao rio mais próximo para libertar as amarras deste desafio. De nada serviu.

Partiam de noite e chegavam ao destino pela manhã. Fizesse chuva, vento ou sol, lá estavam eles a tentar quebrar, literalmente, o gelo que os envolvia e que os impedia de cumprir a sua vontade. Não saberiam eles que só na próxima estação o degelo aconteceria? Não poderiam eles remeter-se à conformidade do ambiente que os rodeava? Porquê tanta entrega, tanto esforço para voltar a casa sem a recompensa devida?

Mas em momento algum se lhes notaram cansaço ou desânimo. A força do querer de ambos era tal, que um qualquer sorriso disfarçava a frustração que pudesse existir. O barco haveria de navegar. Mais tarde ou mais cedo assim aconteceria.

… E um dia aconteceu! O gelo tornou-se mar, a persistência venceu as barreiras do meio adverso e o barco, finalmente, partiu. Aquele que antes não passava de um projecto, de um anseio, acabou por se tornar num elemento real de admiração e contemplação. Tudo estava consumado.

Juntos, confiantes na sua vitória e cientes que só o trabalho, a ajuda mútua e o companheirismo os trouxera até ali, renderam-se à evidência da maravilha que acabavam de provar poder existir: a fé, a crença num ideal, a busca determinada de um objectivo.

Esta não é mais que a história de muitos nós, escrita por outras linhas, naturalmente.

Não sei se já tiveram oportunidade de visionar um clip, velhinho, dos Apocalyptica, numa versão do “Nothing Else Matters” (Metallica)? Pois bem… há lições que se aprendem nas coisas mais simples da vida. No fim deste post, encontra-se o vídeo a que me refiro e que retracta estes parágrafos que atrás escrevi. Dissociá-los seria um erro.

A nossa história, como benfiquistas, poderia começar assim:

“Um dia alguém trouxe-nos uma prenda. Não importa quem. Era de um vermelho ardente que ilumina a alma. A partir daquele momento, o “antes” não existia e o “depois” seria melhor. O “agora”? O “agora” é feito de gelo”.

Hoje, poderemos não ter sido os melhores e o gelo impedir-nos de partir, mas já é noite e, antes que amanheça, quero ser um dos primeiros a acreditar que o barco vai seguir o seu rumo novamente.

Um grande reconhecimento e obrigado a todos aqueles que não desistem.

O resto? … “Nothing Else Matters


http://www.youtube.com/watch?v=rbTozgoj9OQ

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

2006 em Retrospectiva...


Acima de qualquer outro comentário sobre desporto, fica o meu desejo de um excelente ano de 2007 para todos vós.

Está-nos no sangue e torna-se inevitável, a cada ano que passa, olharmos para o passado para perspectivarmos o futuro. É mais um ciclo que se fecha (não em termos desportivos) e outras esperanças renascem com o novo ano que aí vem.

Por razões de natureza inata, não consigo desprender-me da análise factual e é nessa perspectiva que mencionarei os aspectos desportivos que me pareceram mais importantes no ano de 2006 (de uma forma mais ou menos cronológica):

=> Período de Transferências (Janeiro de 2006)

A maré parecia indicar que o barco seguia o rumo certo, mas, a dada altura do percurso, alguém virou o leme bruscamente. Um clube como o nosso nunca afunda (pode meter água por todos os lados, isso sim), mas a sensação ficou que, uma vez ultrapassado este período de maresia, o barco lá se endireitou. O problema (opinião minha) foi que trazia gente a mais e começou a navegar… contra a maré.

=> Prestígio Europeu (e dinheiro nos cofres da Luz)

Sem dúvida que a equipa dos “Golias”, que víamos no campeonato, vestiu a túnica de “David” na Europa do futebol. E que bem que lhe caiu a veste! Este facto deveu-se ao acreditar de toda a equipa técnica, jogadores e Direcção que, mais que sonhar, há que trabalhar para alcançar o sonho. Indiscutivelmente, o prestígio do Benfica atingiu patamares mais elevados e os cofres da Luz ficaram um pouco mais desafogados.

=> “Matança” de “borregos” (vitórias no Dragão e no Bessa, por exemplo)

Há muito que o orgulho benfiquista não se enchia por motivos de “matança”. Pena que não existissem consequências de tais vitórias.

=> Quartos de final da Taça de Portugal

Manifesta-me, soube-me a pouco. Outro sentimento não seria de esperar quando, mesmo que com um golo irregular, somos eliminados na nossa própria casa por uma equipa quase a descer de divisão.

=> 3.º Lugar na Liga Betandwin.

Se ficar atrás de Porto e Sporting é, a olhos vistos, um péssimo resultado, o único ponto positivo que deste terceiro lugar ressalta é a possibilidade (depois concretizada) de disputa do apuramento para a Liga dos Campeões da temporada que decorre. Zero títulos em 2006.

=> Saída de Koeman

Envolto num mar de raiva (por um lado) e de gáudio (por outro), o Sr. Koeman decide interromper (foi ele que interrompeu) o vínculo contratual que o ligava ao Benfica durante mais uma temporada. Penso que a minha opinião é conhecida, daí só referir o meu obrigado pelo que de bom cá deixou, bem como o meu lamento pelos erros graves de balneário e de liderança que me pareceu revelar.

=> Entrada de Fernando Santos

Foi como se eu tivesse sido atingido por um camião TIR. Acalmei-me e procurei encontrar aspectos positivos na sua vinda. Alguns confirmaram-se, outros porém não passaram de mera esperança não concretizada. Fernando Santos consegue colocar-me numa corda bamba: ora contente, ora “piurso”. Já lhe pedi a cabeça e, enquanto os factos não me provarem o contrário (sem entrar em comparações), não me parece ser o treinador que o Benfica merecesse ter.

=> Transferências de Verão

Mesmo que tarde e a más horas, Rui Costa lá regressou à casa mãe. Uns dirão que foi quando foi possível ser. No fundo, só tenho que concordar. A mais-valia que trouxe ao plantel, infelizmente só se conseguiu materializar num reduzido número de jogos… o que nos leva a um ponto que falarei um pouco mais à frente: Departamento Médico. Quanto aos demais “entras e sais”, realço a permanência do capitão (com mais uma novela rocambolesca à mistura) e do Miccoli, sem esquecer obviamente a grande contratação de Fernando Santos (Katsouranis). Temos um plantel grande demais? Parece óbvio à vista da esmagadora maioria. Se não têm qualidade porque motivos vieram? Esta é a pergunta do tal milhão de euros…

=> Portugal no Europeu Sub-21

Podemos não ser tão bons como julgávamos, mas penso que também não somos assim tão maus (a história assim tem provado). Humildade e pés bem assentes no chão a todos aqueles julgaram que apenas o factor casa seria fundamental para vencer.

=> Portugal no Mundial

Desavenças de lado, goste-se ou não do treinador ou das suas escolhas, o que é certo é que a Selecção continua a fazer-nos vibrar. Parabéns ao Sr. Scolari pelo 4º lugar (quando se está tão perto, sabe-nos a pouco) e obrigado aos jogadores que tudo deram em campo para dignificarem as cores da nossa bandeira.

=> Caso Mateus

Eu poderia dizer que só acontece em Portugal, mas é mentira. Também acontece pelos outros países ditos civilizados. O problema é que lá resolvem-se os casos… aqui vamos resolvendo. Depois deu no que deu…

=> Inauguração do Centro de Estágio

Só uma pessoa distraída não percebe a importância de uma infra-estrutura deste nível. Parabéns à Direcção por ter abraçado este projecto e, sobretudo, parabéns por tê-lo materializado.

=> Apuramento para a Liga dos Campeões e consequente participação

É o nosso lugar e, perante um adversário de tão fraca qualidade, outro resultado não seria de admitir. Uma vez lá dentro (da Liga dos Campeões), ficam alguns amargos de boca (empate na Dinamarca, derrota com o Manchester nos moldes em que aconteceu na Luz). Nem falo dos golos em Glasgow…

=> Apuramento para a Taça UEFA

Do mal, o menos. Já pensei menos em levantar o caneco…

=> 3.º lugar (actual) na Liga

Pontos a mais de distância, nesta altura do campeonato, em relação ao F.C. Porto. Excelentes performances em casa, exibições de meter medo ao susto fora de portas (com excepções identificadas por todos).

=> Departamento Médico do Benfica e Preparador Físico

Um e outro são causa e consequência. Qualquer mau trabalho realizado num destes campos irá repercutir-se no outro. Infelizmente, a meu ver, a política adoptada tem sido a do “arriscar” para ver no que dá. Expomo-nos às consequências nefastas dessas decisões (jogadores imenso tempo sem jogar ou com recaídas difíceis de explicar), até que alguém revolta-se…

=> Modalidades

Indiscutivelmente, estamos a viver uma nova era. Não estou completamente a par das alterações de fundo a este nível, mas o que é certo é que os resultados estão a começar a aparecer. Parabéns à Direcção por acreditar no ecletismo do Clube.

=> Formação

Pelo que tenho lido aqui no fórum, os resultados têm começado a aparecer. Resta saber se têm continuidade. Parabéns ao Sr. Carraça.

=> Reeleição de Luís Filipe Vieira

Primeiro que tudo, obrigado à Direcção por ter permitido que os sócios correspondentes (como eu) votassem neste escrutínio. Votei em LFV, mas não passo cheques em branco a ninguém.

=> José Veiga

Continuo a pensar que tem uma influência acentuada no plantel do Benfica (para o bem e para o mal). Quero acreditar que quem com ele lida sabe analisar os prós e os contras do seu possível contributo no futuro. Mais do que saber onde é que o Sr. José Veiga andou metido, é importante não deixar de perceber onde é que ele nos poderá vir a meter. É uma matéria que continuo a considerar… sensível.

=> Apito Dourado

Nunca pensei que a esperança de justiça, em relação a um “porco”, se materializasse nas mãos de uma p***. Ao que o mundo chegou. Incrivelmente, olhamos para trás e perguntamo-nos: o que é que mudou de lá para cá? Provavelmente o restaurante, onde os chamados “cérebros” do futebol costumam juntar-se para amenamente “cozinhar”.


Novamente, um excelente ano de 2007 para todos vós.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

"Heiiii Tooouro"


A “festa brava”, como vulgarmente intitulamos essa união desigual entre cavaleiro/forcados e o touro, apesar de suscitar algumas (muitas?) questões ao nível dos direitos dos animais, consegue fazer-me vibrar com os ritos e ritmos que comporta.

As lides imponentes, as pegas heróicas, o apogeu da volta à arena… tudo isto faz-me recordar o facto de vivermos num mundo de grandes e pequeninos, de dominadores e subjugados, de vitoriosos e vencidos.

Heiii Tooouro!!!”. Eis um título interessante para um tópico sobre… futebol, pensei eu durante a última corrida transmitida pelo canal público de televisão. É interessante observar a similitude entre estes dois acontecimentos públicos. “Tenho de escrever algo sobre isto”.

As dificuldades com que me deparei, logo de seguida, foram: quem seriam os “cavaleiros”, os “forcados” e os “toureiros” desta minha análise? Quem representaria o papel da “aficion”, da “charanga” e da “florista dos mil beijos”? Mas mais importante que tudo isto… quem seria o “touro”?

Encontrei, então, a chave para o problema:

Cavaleiro – Fernando Santos;
Cavalo – Equipa principal de futebol (vá… esqueçam o animal e entrem no espírito);
Aficion – Aqueles que eu gosto de pensar que são os melhores adeptos do mundo (nós);
Charanga – Claques organizadas;
Grupo de Forcados – Corpos dirigentes do SLB, com LFV na pega ao touro;
Touro(s) – Adversários, árbitros (ou não fossem os “bois pretos”), Majores, Pintos da Costa e todos os apitos que não sejam transparentes.

Alguém poderá perguntar: “E o Veiga?”. Como não quero deixar o dito senhor esquecido, vou atribuir-lhe o papel de “Toureiro a pé”. Aquele que, atrás de uma capa vermelha, vai atiçando a fúria do touro o mais que pode.

Na primeira parte do nosso espectáculo, o cavaleiro orienta o seu companheiro (cavalo) no sentido de uma boa lide. Essa seria a intenção! Firmeza, autoridade e confiança exigem-se, caso contrário, a cornada é certa! Quanto melhor for a exibição, maior quantidade de “olés” ouvir-se-á! Sempre apetecível aos ouvidos quando nos impomos. O contrário… nem por isso! Uma equipa só vai para onde o treinador e os dirigentes querem que ela vá. Pode não dar sempre certo, mas, por norma, o cavalo é o reflexo do cavaleiro.

O que mais se ouve, nos meios tauromáquicos, é que o touro, o cavalo e o cavaleiro são amigos, mas se espetar ferros e levar cornadas é ser amigo, o mais lógico é que, do ponto de vista do “touro”, este se aproxime de quem melhor cuide dele (se é que me faço entender). Daí escolher, frequentemente, um terreno onde se sente mais protegido.

Uma das nossas funções é fazer com que o “bicho” não se refugie numa qualquer “tábua”. A nossa grande demanda é fazê-lo regressar ao centro da virtude: o meio! Aí o espectáculo ganha outra dimensão: Isenção e fair-play!

Mas como a festa taurina não vive só de cavalos e cavaleiros (equipas e treinadores), lá terão de aparecer aqueles que também gostam de aquecer o ambiente: os forcados (dirigentes).

Momento de emoção indiscutível é o encontro, cara-a-cara, do “pegador” com o “touro”. Neste ponto em especial, têm sido muitos os “Heiiii Tooouro” ouvidos. Queremos pegá-lo de frente, sem receios. Sabemos que temos ajudas logo atrás, sabemos que a aficion espera pelo momento da chamada “reunião”. Venha o “touro” que vier, estamos e estaremos cá para recebê-lo de frente!

Quando não é o animal a investir, somos nós a espicaçá-lo para que o momento da verdade chegue. Não temos medo, mas, de quando em vez, levamos umas incomodativas cornadas. Pelas notícias recentes, o mais certo é que o “touro”, por ser tão forte e escorregadio, fuja mesmo e não consigamos realizar a tão ambicionada pega. É pena! “Festa taurina” que se preze não dispensa a presença do forcado na volta à arena.

Lá pelo meio, a descontento de alguns (muitos?), o Toureiro a pé vai fazendo a sua perninha num desempenho cada vez mais criticado. Convenhamos… a charanga já não toca em apoio como outrora.

Digam lá se estas lides nada têm a ver com o futebol…

E viva a festa brava!


PS: “… Mas, e então? Onde pára a ‘florista dos mil beijos’ nesta história?”, perguntam-me vocês! Pois… provavelmente estará num qualquer Elefante Branco a “conviver” com alguma espécie de “boi preto”.


Saudações Benfiquistas.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

... E a Arca partiu!


Imaginem uma tempestade de proporções bíblicas. Qualquer coisa como um dilúvio digno de constar numa das piores páginas do Apocalipse (para quem não souber, o Apocalipse retrata, de alguma forma, o fim dos nossos dias)...

... Estão a imaginar-se dentro das vossas casas, no quentinho, à luz da uma lareira romântica, a ouvir a chuva bater nos vidros? Quiçá com a presença de uma bela companhia, ao som de um qualquer registo musical?

Eheheh... bem... então não sabem mesmo o que é o Apocalipse! Eu disse que era uma tempestade monstruosa, um cataclismo horrífico, uma coisa para meter medo ao susto!

CORRAM, SALVEM-SE, PROCUREM ABRIGO!!!

As pobres criaturas da Terra já se movimentam, aturdidas, porque pressentem o fim dos tempos e vocês aí a pensar em noites de fantasia. Os ventos sopram agrestes, o mar agita-se para tomar aquilo que, agora, lhe parece seu. O peso da “mão” suprema está para vir.

- “Oh Maria, oh Manuel, oh Madaíl, oh Valentim… temos madeira suficiente para construir uma Arca? Salve-se quem puder!

Sacrifícios “animais” e humanos são ponderados fazerem-se para afastar a fúria do “Deus” enraivecido. Mas todos sabem que, nesta fase, será apenas perda de preciosos minutos… indispensáveis segundos na luta pela sobrevivência. A tempestade virá e, entre mortos e feridos, alguém terá de escapar para contar a história.

- “Mas porquê?” - perguntavam eles estarrecidos.

- “Que mal “Te” fizemos nós para merecer tal ira?

- “Terei sido eu a “Te” enfurecer?” – perguntou alguém que se rege pelos bons princípios da vida.

Logo, o tumulto surgiu e mais vozes se fizeram ouvir com a mesma pergunta, até que alguém, entre dentes e pelo meio do burburinho, questionou:

- “Terei sido eu?” – levantou-se uma voz tremida e insegura lá do fundo da sala.

Silêncio absoluto fez-se...

Não havia tempo a perder! A Arca não se fazia sozinha e as estratégias de construção e fuga à enorme intempérie urgiam ser delineadas. Reuniões foram realizadas, conversas foram tidas, apertos de mão (com juras de confiança e fidelidade) foram concretizados.

Foram horas e horas de árduo labor. Milhares de homens e mulheres trabalharam para um fim comum (é interessante como as pessoas se esforçam e decidem rápido quando a sua cabeça está a prémio).

A Arca, enfim, está pronta! Mesmo a devido tempo! O negrume no horizonte avista-se de forma clara e inequívoca. É necessário deixar, de forma rápida, entrar todos os que, por livre vontade, assim desejam fazê-lo.

Foram ricos e pobres a acorrer ao local. Uns, mais atempadamente que outros, já se encontravam à entrada da referida construção. Alguns, com muito custo, deixavam tudo aquilo que haviam construído. Outros, que nada tinham a perder, acreditavam que seria apenas mais uma tempestade típica das invernias.

- “Não fui eu a provocar a ira. Sei que não fui eu” – retorquiu alguém que, a pés juntos jurou que o mal não lhe chegaria.

- “Deus irá salvar-me… Deus irá salvar-me…” – firmemente afirmava uma voz. A tal voz outrora tímida, que no momento parecia cada vez mais segura de si.

- “É loucura… vem connosco… não podemos esperar mais tempo. Vem!” – gritavam e esbracejavam aqueles que tinham a esperança de ver aquela pobre criatura dentro da Arca. Nela existiria acalmia, paz e segurança.

- “Deus vai salvar-me… Deus vai salvar-me…”.

Atemorizadamente, olhava-se o céu e os raios de fogo que dele caíam. A porta teria que ser fechada. Existia a consciência que justos e pecadores partilhavam o mesmo espaço, mas, num momento como aquele, esqueceram-se egoísmos, inimizades e injustiças. A partir daquele momento, uma vez fechada a porta, a vida na Terra não mais seria igual.

- “Deus vai salvar-me… Deus vai-me salvar-me…”.

... e a Arca partiu!

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Quando a Rádio... relata!


Não atribuam significado de monta às palavras que se seguem. Encarem-nas antes como um desabafo melancólico de quem aprendeu a gostar de futebol através das ondas Hertzianas de um simples rádio “colado” ao ouvido.

Os tempos são outros. O futebol moderno exige outro tipo de projecção, visibilidade e contrapartida financeira, não se compadecendo com nostalgias ou olhares saudosos quanto a comportamentos uma vez tidos no passado.

Falo-vos, obviamente, das tardes solarengas no Estádio, passadas em família (vivendo nos Açores, não tive esta experiência). Mas falo-vos, igualmente, de um alguém que abria a porta do seu carro para que o relato pudesse ser ouvido (alto e a bom som) pelos amigos e demais que ali passassem. Falo-vos do ambiente sonoro que só uma rádio sabe transmitir. Falo-vos dos voos (na verdadeira acepção da palavra) que o dito aparelho fazia por um golo falhado, por um golo sofrido ou por um golo efusivamente festejado. Coitado do rádio! Meu querido e amado rádio!

Falo-vos das tardes e/ou noites com o rádio na mão, à espera que aquela adrenalina de nada ver e tudo imaginar se transformasse num momento único e mágico: o golo.

Aqueles instantes de perder o fôlego, de sentir-se fora do corpo, de gritar em uníssono, ou mais alto se possível, com o jornalista desportivo o nome do nosso clube. Foi golo do Benfica, Mãe! “Qualquer dia dá-te uma coisa má”, dizia-me ela.

Sabem… ainda hoje vibro e arrepio-me com o relato de um golo do Benfica na rádio!

A bola bate no peito… cola na relva…” … e, naquela língua estranha mas hipnotizadora, lá ia a bola a caminho da baliza para satisfazer o desejo de milhões de adeptos do futebol.

O fenómeno televisivo, no que ao desporto diz respeito, é recente. Devem estar a pensar: “… lá vai surgir uma frase do tipo: no meu tempo…”. Pois… nesse tal tempo os derbys (nem vos falo dos outros jogos) eram ouvidos, para quem vivia longe do estádio, junto aos pequenos rádios. “Bebíamos” cada frase do jornalista de serviço e imaginávamos a pessoa que estava por detrás da voz que nos fazia optar por aquela frequência e não outra qualquer.

Não estou a querer dizer que antes era melhor nem pior. Era… diferente. Ter a oportunidade de visionar todos os jogos do Benfica fez-me aproximar cada vez mais do clube, mas não deixo de me consciencializar que o futebol, tal qual aprendi a gostar, deixou de existir. O velhinho rádio foi esquecido e, muitas vezes, substituído por um comando que, apesar de mais leve, dá-me menos gozo em atirar quando as coisas correm mal (lol). Nem me venham com a ideia de atirar a televisão…

Se pensar que, às vezes, som e imagem (rádio/tv) não coincidem em termos de realidade (convenhamos… na rádio exagera-se um bocadinho) e simultaneidade (som chega primeiro que a imagem), afirmo sem margem para dúvidas que a televisão ocupou o seu espaço (e o de outros) no panorama desportivo, no que à transmissão directa diz respeito. Outra coisa não seria de esperar…

Para além disso, facilmente se troca o calor do estádio (está bem, às vezes faz frio) pelo comodismo do sofá. Pelos horários dos jogos, o convite é pessoal e inequívoco para quem mora longe desses palcos: “deixe-se ficar em casa com uma cerveja na mão”.

Não posso deixar ainda de referir que a televisão e os interesses financeiros a ela associados estão, cada vez mais, a desvirtuar a ideia do “fim-de-semana desportivo”. Antes os jogos eram, maioritariamente, disputados ao Domingo (à mesma hora). Hoje, por interesse óbvio dos clubes, o referido termo assume a forma de 4 dias.

O “futebol paixão” (do ouvido na rádio e presença no estádio) deu lugar ao “futebol – máquina financeira” (o futebol da televisão).

Vossa pergunta: “Agora é que te apercebeste disso tudo?... duhhh!”.
Minha resposta: Não! Apenas gostaria de frisar com este post que, apesar de tudo, nem sempre quando o tempo muda, as vontades também o fazem. Perdoa-me meu querido rádio...

Abraços Benfiquistas.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Não estou!... Simplesmente, não estou!


Não estou!... Simplesmente, não estou!

Não estou contente (os austríacos são fraquinhos). Não estou triste (empatar com golos é um mal menor). Não estou optimista porque construímos uma equipa para um modelo de jogo que, pelos vistos, ficará em “banho-maria” (outro mal menor?). Não estou pessimista porque temos um treinador flexível. Pior que não admitir um suposto erro é insistir num facto evidente à vista desarmada: a inadaptação à estratégia!

Não estou a favor da táctica porque já mudámos tantas vezes que já nem sei o esquema hipoteticamente a aplaudir. Não estou contra ela porque, sem uma, também não vamos lá! Nunca, como agora, vi tanta “multiplicação”: é 4x3x3… é 4x4x2… é 4x4x1x1… é 4x2x3x1… é 3x4x1x2. E os dias a passar…

Como rentabilizar 5 avançados com espaço para apenas 1 (4x3x3 hoje)? Em alternativa, como criar mais-valias pelas alas se os extremos que dispomos, aos meus olhos, não se chegam à qualidade (desde muito cedo patenteada) de Simão, por exemplo? Porquê apenas 6 defesas para toda a temporada, sabendo que apenas dispomos de dois laterais de raiz? O que fazer com todos os médios deste plantel? Baralhar e voltar a dar?

Não estou contra o treinador (é muito cedo para “obituários” – não me revejo na figura de cangalheiro, sequer) porque, apesar de não ter sido a minha escolha, é (como outros também o foram) o técnico do Benfica. Não deixarei de lhe apontar o dedo sempre que necessário for (já comecei, como bem se pode constatar), mas deixemos o homem trabalhar. Opinem, manifestem-se pela crítica assertiva, mas esqueçam-se dos assobios e dos lenços brancos porque, no Verão, aconselha-se o mínimo de roupa possível. É um adereço dispensável.

Não estou contra os jogadores, apesar de pensar que Deus, na Sua infinita sabedoria, não distribuiu inteligência e raciocínio rápido a alguns jogadores do Benfica, tal é a forma um pouco descabida como são admoestados com cartolinas amarelas ou são apanhados em contra-pé pelos adversários. Vamos acreditar que são apenas resquícios de umas férias bem gozadas e que o juízo volta logo, logo.

Não estou contra o Departamento Médico, mas ai daquele que se lesionar até o início do campeonato. Muito menos depois! Não estou com disposição para me digladiar de argumentos com ninguém a respeito da importância do Miccoli, por exemplo, nesta equipa quando não está com uma lesão muscular. Afinal de contas… temos os melhores ou não?

Também apetece-me dizer que não estou com o espírito pequenino que temos vindo a demonstrar. Não estou com a falta de ambição, o cansaço físico anormal que se tem notado, a insegurança dos nossos três guarda-redes, o desaparecimento do Nelson desde a temporada passada, o Manuel Fernandes que se anda a tratar num “estaleiro” qualquer à revelia do Benfica (pelo que se disse), a “novela Simão” que já tresanda de tanto se mexer nela.

Quanto a este último ponto…oh rapaz (sim, sou mais velho que o Simão), ou vais ou ficas! Isto não é vida. Obrigado pelos golos, pelas assistências, pelo campeonato e pelas taças que ajudaste a vencer, pelo brilho que deste à nossa camisola, mas estou farto desta tua cantiga do “roda, roda, vira, roda, roda, vem”. Decide-te homem!

Apeteceu-me hoje… não estar!

Para quem não gostar destas linhas e quiser retorquir, não se esqueça: não estou! Aliás… estou com o Benfica e também estou de férias. Mas tenho que referir que o pouco tempo dedicado a esta causa (o Glorioso), infelizmente, tem sido complementado com um desligar da TV, interligado com o desabafo:

…“Perdoai-lhes, Senhor…”

sexta-feira, 30 de junho de 2006

The Omen (Veiga) – O Génio do Mal?

A perspectiva de um apocalipse futebolístico recai, de ano para ano, sobre a cabeça dos “infiéis”, daqueles que legitimamente perguntam, levantam dúvidas e assertivamente insurgem-se contra as acções (ou falta delas) levadas a cabo por aquele que muitos consideram: “O Génio do Mal”!

O nascimento (leia-se contratação) de um ser estranho a este nosso mundo (benfiquista), desde cedo levantou celeuma. No fim das contas, cortou-se o cordão umbilical das velhas glórias à frente dos destinos do futebol (Shéu continua a ser uma excepção) para dar lugar a um “666” (A Besta) que, naturalmente, ao nascer se revelava feio e tenebroso.

O tempo passou e o pequeno “diabinho” foi granjeando adeptos pela postura agressiva que demonstrava perante o “diabão” lá do Norte. “Olho por olho… dente por dente”, pensamento ética e moralmente reprovável, mas interiormente sempre apetecível. Quem assim não pensou, que atire a primeira pedra!

O “puto” cresceu, cresceu, cresceu (em tamanho e importância neste nosso mundo) e, aliado a um conhecimento empírico da famosa escola nortenha (leia-se portista), começa a espalhar o pânico entre os demais pelos seus comportamentos segregadores, que se orientam pela velha norma do: “quem não está comigo, está contra mim!”.

Ora… em terras de democracia, é preferível morrer livre que em paz sujeito. Além do mais, esteja certo ou errado, o “puto” não deixa de ser isso mesmo aqui na casa: um ser que chegou há pouco tempo a este espaço e tem mais a aprender que a ensinar. Caso contrário, onde já se viu coisa igual?

Mas dizem as más (ou boas?) línguas que é uma “criança” que se movimenta bem no seu meio (seja ele qual for). Aprende rápido, é estudioso dos mercados e desenvolveu muito bem a fala (uns dizem que até demais). Aí já é problema de estrutura hierárquica, concordo. O representante máximo desta família sofre do mesmo mal.

Continuando na educação, para amargura(!) de muitos benfiquistas, o raio do “miúdo” até sabe alguma coisa e tem passado nos exames cá e lá. É óbvio que não acerta nas respostas todas, mas também com um cognome de “Besta” que mais se pode esperar?

Só que aquele ser continuava…. estranho, demasiado estranho a esta casa. Por muito que de bom fizesse, o chão que pisava não era nunca o nosso, o ar que respirava tinha sempre mais poluição, a alegria das nossas vitórias não seria jamais a sua. Para um ser estranho… resposta estranha de comportamentos. É coerente!

Pergunte-se, questione-se, tire-se a limpo toda esta história! O seu objectivo é acabar com o nosso mundo? Estará este homem, que já não é mais criança, a dividir-nos com intuitos maléficos ou será que a conjugação dos factores finanças/futebol não permite agradar a tudo e a todos com as suas decisões? Estará a roubar as nossas cores, os nossos cofres, a nossa mística?

Marcas? Procuremos marcas de nascença para melhor identificarmos este demónio que nos atormenta a cada dia que passa? Certamente encontraremos um dragão cravado no peito, mas se procurarmos bem, noutros encontraremos leões, panteras e âncoras num campo que honrosamente defendemos como de Águias.

Todos os dias vejo punhais em riste para o golpe final, mas, sabendo que ninguém é sempre inocente (o contrário também acontece), será que nas nossas mãos a cabeça que queremos fazer cair é mesmo a de José Veiga? Quereremos, no fim das contas, continuar a fazer rolar cabeças? Há espaço para dúvidas quanto à inteligência, oportunidade e/ou até validade das suas decisões (Veiga), mas será ele sempre um “666” aos nossos olhos?

Deixem-me adivinhar (para os mais cépticos): no meio de muitos que aqui possam ter perdido algum tempo a ler estas linhas, veio à memória a seguinte pergunta:

A quem dará a mão, no final, este demoníaco ser…?”

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Uma questão de... "à parte"!

O porquê do “à parte”?

Pela primeira vez pronuncio-me sobre o ingresso de Fernando Santos nas nossas fileiras. O anúncio da sua chegada atingiu-me como um camião TIR a alta velocidade (há que dizê-lo). Depois das convulsões e espasmos iniciais, procurei de forma serena encontrar os pontos positivos deste “à parte” na estratégia iniciada há alguns anos atrás (Camacho, Trapattoni e Koeman). Escusado será dizer que os aspectos negativos da contratação trucidaram o meu espírito como se das rodas do dito veículo se tratasse.

Não é uma questão de portuguesismos (ou não), caso contrário, teríamos de excluir como hipótese aquele que considero ser o treinador mais completo do momento (José Mourinho). É uma questão, sim, de posição, de ritmo, de cadência na estratégia.

Imaginem uma orquestra a tocar o hino do Benfica e, de repente, quando todos esperávamos um refrão triunfante, surge-nos um conjunto de acordes musicais tendo como apogeu: “… chupa, chupa, chupa…. chupa no dedo!”.

Não encaixa, não é? Daí o “à parte”. Se lhe juntarmos a ventilada não contratação de um técnico português (pelo menos como primeira escolha), o caminho mais óbvio é a desconfiança!

Posto de lado este negativismo inicial (é um defeito inato n vezes assumido), comecei a fazer contas de cabeça:

=> Treinador ciente do futebol português actual + Treinador conhecedor da esmagadora maioria dos jogadores do plantel benfiquista = Treinador sem grandes necessidades de adaptação.

Se juntar algumas premissas mais à contabilidade, até consigo fazer uma equação com resultado positivo:

=> Treinador conhecedor da forma de trabalhar de Porto e Sporting;
=> Treinador habituado a lidar com plantéis reduzidos e sem estrelas de topo mundial (ao contrário de Eriksson, por exemplo);
=> Em comparação a outros, é bastante mais acessível aos nossos cofres (esperemos que não se torne mais caro no futuro):
=> Equipa técnica constituída com um excelente preparador físico;
=> Pode significar pouco em termos técnicos o facto de ser benfiquista de gema, mas irá com toda a certeza trabalhar também com o coração.

Daqui a pouco começo a gostar do técnico Fernando Santos.

Não tenho por hábito fazer críticas antecipadas a um trabalho que ainda nem é visível. Apenas revelo as minhas interpretações sobre aquilo que penso que será o dia de amanhã e, ao contrário das primeiras impressões… voltei a sorrir.

Gostei de ler a entrevista do NOSSO técnico, mas sublinho uma frase que me pareceu fundamental:

“O Benfica só tem um caminho: ganhar”.

Pode ser retórica, mas para mim é o único pensamento a seguir. Só assim se enchem estádios, só assim se motiva o jogador, o adepto, o dirigente, o simples funcionário. Que assim seja!

Não sei até que ponto este fórum é visível aos nossos técnicos, dirigentes e jogadores, mas gostava de deixar uma mensagem de apoio (sem incondicionalismos), sobretudo a Fernando Santos, que, junto com a sua equipa, já começou a trabalhar para as nossas alegrias futuras.

Esperançosamente anseio que sejas um “à parte” POSITIVO e que te tornes, de forma inequívoca e afirmativa, um elemento “essencial” no Benfica do presente e do futuro.

"O Regresso do Rei"

Não tenho por hábito “imortalizar” nomes, tão pouco números de camisola (no que a futebol diz respeito). Os jogadores com talento, inteligência e força de carácter acabam por merecer (ou não), de forma natural, tal pedestal.

Confesso, no entanto, que me toca apenas uma reduzida parcela deste mundo “infindável” de jogadores que por cá têm passado. Mais estranho se torna quando um dos meus escolhidos partiu “há muito, muito tempo…”. Sim, éramos alguns de nós ainda crianças.

É óbvio que este é mais um post (entre muitos) sobre Rui Costa, mas perdoem-me a indolência. Tenho poucas oportunidades de escrever e não gostava que este meu sentir se perdesse no meio da demais prosa. Não por ser melhor, mas sim por tornar mais fácil a sua pesquisa quando o Rui falhar um golo de baliza aberta, quando o Rui não conseguir render como na Fiorentina ou Milão, quando o Rui não chorar no dia em que perdermos contra os Leirias, os Gil’s ou os Paços de Ferreira do nosso futebol.

Encarem este post como um lembrete global ou um mea culpa antecipado. Não, não serve de desculpa para impropérios futuros (não alinho por esse diapasão), mas o futebol, cada vez mais, não é só paixão. É também razão… e as razões físicas podem não estar tantas vezes do lado do Rui como todos nós gostaríamos. O Benfica está acima de tudo e só espero que todos nós tenhamos a clarividência para perceber que o Rui que voltou, não foi o mesmo que partiu. Para o bem e para o mal…

As qualidades do agora nosso n.º 10, 24, ou 75 (é indiferente a questão do número), já foram mais que explanadas neste mundo cibernauta. Sobre as vantagens e desvantagens de se ter um jogador de craveira internacional (benfiquista, ainda para mais), mas em fase final de carreira, já todos nós opinámos. Então deixem-me prestar uma homenagem àquele que foi o “actor” da mais longa novela futebolística alguma vez conhecida (12 anos).

Como pessoa nostálgica que sou, revivi algumas das emoções da Trilogia do Senhor dos Anéis no passado Domingo. Não é que ao chegar ao último DVD (com um raio… depois admiram-se de haver pirataria neste meio – um roubo o preço dos DVD’s), deparo-me com o título: “O Regresso do Rei”. De forma instantânea esbocei um sorriso e lá comecei a fazer analogias.

Primeiro que tudo, à semelhança do que aconteceu com o Exército das Sombras (ainda que no filme estes façam algo proveitoso pelo povo), Rui Costa libertou a escória jornalística que, ao longo dos anos, foi “alimentando-se” através deste nosso manifesto desejo de regresso. Finalmente, não mais os teremos de aturar nesta fatigante e já aborrecida história do “bom filho à casa torna”. Uma coisa é inegável: temos de admitir nesta comparação que, nos dois casos (Exército das Sombras e Jornalistas), estávamos perante autênticos interesseiros e aldrabões.

Depois, temos de admitir que um verdadeiro líder une tropas ao seu redor e, dificilmente como agora, uma contratação (ainda que nos pareça tardia) mereceu tantos “vivas” e “hurras” do povo benfiquista. Se é uma “tábua de salvação”? Dificilmente… e ainda bem! Apesar de existirem Orc’s, Nazgûl’s ou Troll’s no futebol português, por cá temo-nos safado com os nossos Frodo’s, Sam’s e Gandalf’s. Mas, numa época em que se fala tanto da saída de “símbolos” do clube, quiçá esta entrada possa atiçar de novo a chama da mística… quiçá.

Chamam-lhe o “Maestro”. Um Maestro dirige, orienta, guia... tal qual um Rei. É certo que os reis contemporâneos não têm a preponderância de outros tempos (acho que entendem a analogia), mas um rei é um rei e este distingue-se dos demais pelo carácter, humildade e experiência. Será um bom “farol” para os mais novos.

Aragorn, uniu diferentes reinos (opiniões) e arrastou multidões em busca de um objectivo comum. Embora no âmbito da ficção, é-me difícil não associar estes felizes acasos com a realidade do nosso Benfica.

Poucos jogadores foram aqueles que, estando tão longe… estiveram tão perto do pulsar benfiquista. Se lhe juntarmos a lacuna evidenciada no sector durante estes largos anos, arrisco-me a dizer que a sua contratação é como que “pão para a boca”.

Reafirmo a minha convicção da não idolatria a pessoas que não os meus pais ou o meu Deus, mas existem “tronos” que merecem ser ocupados. Não esquecendo, obviamente, o nosso Eusébio, atrevo-me a dizer que o Rei da 10(?) voltou!

Luzes… câmara… acção!