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domingo, 31 de março de 2013

Meio basta, mas meia é bem melhor

Jesus advertiu, com muita razão, que meio a zero bastava para levar de vencida o Rio Ave. Pedia-se pragmatismo, muito concentração e zero facilitismos. Assim foi. O Rio Ave entrou muito bem na partida, com a lição bem estudada, tentando aproveitar o contra-ataque através das investidas de Bebé e Ukra e poderia mesmo ter chegado ao golo não se fosse a concentração dos atletas do Benfica e a sua vontade em resolver o jogo cedo.

Melgarejo, muito bem a atacar mas um autêntico buraco a defender, abriu o marcador por volta dos 10 minutos ao fuzilar autenticamente Oblak. De seguida, Matic aproveita uma falha de marcação num pontapé-de-canto e faz golo num tipo de lance que raramente tem tido sucesso nesta temporada. O Rio Ave mostrou porque se encontra tão bem posicionado na tabela ao criar vários lances de perigo, fossem eles contra-ataques velocíssimos, vários cantos com cabeceamentos que, felizmente, se revelaram infrutíferos, e ao enviar uma bola à barra da baliza de Artur. No entanto, se dúvidas ainda houvesse, Lima tratou de sentenciar a partida minutos antes do intervalo, ao fazer o 3-0 num belo lance de ataque rápido.

A segunda parte iniciou-se como terminou a primeira, com golo (golaço!) de Lima, seguida de um lance de sorte dos vila-condenses, com Hassan a colocar, inadvertidamente, a bola na baliza de Artur. Mesmo não sendo um jogo violento, Rui Costa conseguiu arranjar tempo para expulsar três jogadores e amarelar mais de meia dúzia. Foi apitando faltinhas aqui e ali, deixou outras por marcar, foi esticando a paciência dos adeptos encarnados e conseguiu que os jogadores caíssem na armadilha. Estragou o jogo, é verdade, mas tal não demoveu o Benfica de golear o Rio Ave. Lima, uma vez mais, a completar o hat-trick e Enzo Pérez, que uma vez mais encheu o campo, fizeram o resultado final.

É assim que se resolvem os jogos. Entrar com muita garra e atitude, marcar cedo e depois saber gerir a seu bel-prazer. Pragmatismo também é isto. Com 6 jogos para o fim do campeonato, e com a possibilidade de fazer mais 7 pelas outras provas em que estamos inseridos, é preciso saber descansar em campo com o resultado já feito. Foi o que o Benfica fez hoje. É também assim que se gere um grupo.

domingo, 11 de novembro de 2012

No Rio, manda a ave

Diz-se que a velocidade é uma condição necessária para vencer no futebol moderno. Talvez de todas as velocidades, a menos importante seja a que diz respeito à correria. É, a meu ver, mais importante executar depressa que correr depressa. Mas neste Benfica, correr depressa, ainda que mal, é o mais importante. A velocidade furiosa que o Benfica imprime nos seus jogos é impar no futebol português, mas nem sempre (quase nunca, até) é adequada. E hoje podia ter-nos custado pontos.

O Rio Ave justificou em campo o porquê da sua classificação na Liga. Não sendo uma equipa com grandes capacidades físicas nem técnicas, a sua organização e o perigo com que chegam à baliza explicam o 4º lugar na prova. Mas as dificuldades que criou ao Benfica foram, em boa parte, mais concedidas e facilitadas por nós que de mérito próprio dos vila-condenses. O Benfica voltou a dar muitos espaços a defender, a sair com dois e três jogadores ao portador da bola, e perdeu sistematicamente a luta no meio-campo, onde um esforço hercúleo de Matic, sobretudo após a saída de Enzo por lesão, evitou que houvesse mais trabalho por parte dos defesas. Ainda assim, os sobressaltos e a quantidade de vezes em que o Benfica foi posto em sentido foram excessivas. André Almeida fez uma exibição terrível, por oposição ao enorme jogo feito pelos centrais e, claro, por Artur. No ataque, entre o azar de Cardozo e a desinspiração de Salvio, sobraram a energia e desequilíbrio de Ola John, o melhor em campo, na minha opinião, e a letalidade de Lima, que deu mais dois pontos ao Benfica em jogos fora.

Velhos vícios, os mesmos erros, mas, mais importante que isso, três pontos. E de três em três pontos se fazem os campeões. Preocupa-me o facto de o Benfica cometer demasiados erros, sobretudo defensivos, em campo, mas fico naturalmente contente com as vitórias. É, no entanto, necessário apontar estes erros, pois a sorte não dura sempre, ou se preferirem, mais cedo ou mais tarde estes erros poderão ter consequências nefastas (como tiveram no ano passado, por exemplo). Corrijam os erros e continuem a ganhar. Até porque mesmo enfraquecidos no meio-campo, os nossos rivais não são mais fortes do que nós.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Fim de um ano que [ainda] não devia ter acabado

Antes de entrar para umas férias de Natal que não deviam ser tão longas, os jogadores do Benfica fizeram as pazes com os adeptos e ofereceram uma goleada de Natal. 5-1 num jogo que foi bem mais difícil do que aquilo que o resultado deixa parecer à primeira vista.

Não entrámos bem na partida e mostrámos algumas dificuldades na construção de jogo ofensivo sendo bastante cerimoniosos na altura de rematar à baliza. Onde estão os remates de meia distância, mister? É mesmo preciso entrar com a bola pela baliza adentro? Não se percebe. Eu pelo menos não percebo. Até ao golo dos vila-condenses, o Benfica tinha tido mais bola mas não conseguia ser mais forte e dominador. Só depois do susto provocado por Atsu perto da meia-hora é que reagimos à Benfica, com uns quinze minutos finais de muito bom nível. Cardozo provoca e converte um penalty bem assinalado, Nolito faz magia e marca um grande golo e Aimar, com toda a simplicidade do mundo, serve Saviola com um toque mágico para o 30 facturar no regresso às boas exibições.

No início do segundo tempo o Benfica matou o jogo com o cabeceamento certeiro de Garay e a partir daí só teve de gerir o encontro. Caiu o ritmo de jogo e o interesse do mesmo. O Rio Ave tentou mostrar-se a espaços e criou perigo sempre que a bola chegava aos extremos Atsu, Yazalde ou Kelvin, mas os laterais do Benfica, com mais ou menos ajuda, conseguiram resolver a maioria das situações. Deu tempo ainda para Nolito, o melhor em campo, facturar o seu segundo e quinto da equipa.

Os melhores foram, como já disse, Nolito, muito interventivo, rápido, pressionante e imprevisível, mas também Aimar na sua habitual simplicidade e capacidade de descomplicar tudo o que parece mais difícil e por fim Saviola, a quem o funeral já foi feito mas que ainda vai jogando pontualmente mas sem a regularidade que se exige a um Saviola.

Como mágoa, neste fim de ano, só mesmo o facto de dia 21 de Dezembro não podermos ir fazer a festa da Taça a Alvalade. Seria bonito acabar o ano com mais uma vitória frente aos do Campo Grande.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Meia-luz

À excepção da recepção ao Sporting, os jogos do Benfica na Luz para o campeonato têm sido marcados por uma fraca assistência. Pouco dinheiro, preços algo elevados para a maioria dos adeptos e até o facto de a equipa estar a jogar um futebol pouco agradável levam a que dificilmente estejamos perto dos 40.000 espectadores por jogo. O encontro com o Rio Ave é ideal para quebrar a barreira dos 40.000 adeptos mesmo sendo jogado a uma sexta à noite. O Benfica está a oferecer a todos os sócios com Red Pass um bilhete extra, grátis, para este jogo. E se for sócio e comprar bilhete para este jogo (a 10 euros para qualquer zona do estádio), recebe um de borla. Aproveitem!

domingo, 19 de dezembro de 2010

O regresso do rolo compressor

Trinta e cinco minutos de altíssimo nível a lembrar os bons tempos da temporada passada serviram como prenda de Natal antecipada para os quase 40.000 adeptos que se deslocaram ao Estádio da Luz num jogo que teve um pouco de tudo: momentos de grande futebol, jogo mais pausado, um golo de cabeça de fora da área, um penalty mal assinalado e uma expulsão hitchkockiana com maozinha do Mourinho da Reboleira.

Com a indisposição de Carlos Martins, Salvio saltou do banco para o onze titular naquele que foi um excelente golpe de asa de Jorge Jesus, mal saberia ele que três dos quatro argentinos fariam uma belíssima exibição. O Benfica entrou fortíssimo no jogo e em apenas oito minutos introduziu a bola dentro da baliza de Paulo Santos por três ocasiões, dois golos de Aimar e Saviola e ainda um lance bem anulado ao camisola "30" encarnado. E ao contrário do que vem sucedendo esta época, a equipa soube manter o ritmo de elevada rotatividade, demolindo o Rio Ave e empurrando o seu adversário para a sua área. O Benfica dominava a seu bel-prazer. Mas uma desconcentração bem perto do intervalo permitiu que um extremo vila-condense escapasse a Javi Garcia pelo corredor esquerdo e servisse, para trás, o mais letal dos avançados portugueses no activo, João Tomás, provavelmente um dos jogadores mais subvalorizados em Portugal da sua geração.

No segundo tempo o Benfica voltou a demonstrar a mesma iniciativa que evidenciara no primeiro tempo, mas sem as mesma segurança defensiva. As sucessivas paragens cerebrais de Sidnei podiam ter comprometido seriamente o objectivo encarnado, mas em tarde inspirada dos argentinos titulares nada poderia parar o Benfica. Foi numa grande arrancada de Salvio pelo corredor direito que surgiu o terceiro golo encarnado, com "Toto" a servir "El Conejo" que soube esperar no local certo por um passe mortífero e encostou com classe para o terceiro. O jogo parecia resolvido, mas a toada vermelha continuou e dez minutos depois, num cruzamento de outro argentino que ainda não foi referido neste texto, Nico Gaitán, Salvio apareceu novamente para cabecear vitorioso fazendo o golo da total tranquilidade, assegurando a vitória encarnada, apesar de não se saber por quanto.

Mas quando tudo estava tranquilo eis que o árbitro resolve inventar um penalty. Claro, estamos a falar de Hugo Miguel, juiz de Lisboa que não consegue realizar um jogo sem apitar um penalty, exista ou não. E este não existiu, por dois motivos: primeiro, o jogador que recebe a bola aproveita a posição irregular em que estava para cruzar, e em segundo, se repararem bem nas imagens, o corte de Coentrão é com a região das costelas, não com o braço. Se dúvidas houvesse, Jorge Coroado diz que é penalty, o que prova que não é penalty. João Tomás não se fez rogado e apontou o seu nono golo da Liga. Mas o Benfica voltou à carga e três minutos depois na sequência de um livre lateral é Salvio quem aponta o quinto golo num chapéu de cabeça, ainda de fora de área, após um corte da defesa de Vila do Conde.

5-2 é um resultado volumoso mas nem por isso exagerado. As grandes exibições de Saviola (finalmente!), David Luiz (a subir de forma progressivamente) e Salvio contrastaram com o apagamento de Cardozo, que passou completamente ao lado do jogo, e de Sidnei, que para além de passar ao lado do jogo dá sinais preocupantes de que quer passar ao lado de uma boa carreira. Juízo, rapaz!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sem desculpas para faltar

Sábado, pelas 17 horas, horário fabuloso para as famílias irem ao futebol, elas que se vêm privadas desse privilégio muitas vezes por causa dos obscenos horários a que as televisões sujeitam os clubes, começa o Benfica x Rio Ave, jogo de grande importância para a nossa equipa não só porque não pode perder pontos mas também porque uma boa exibição pode dar continuidade aos bons sinais emitidos frente ao Braga. Com os bilhetes a um preço extremamente convidativo (a partir de 5 euros para sócios, sendo que alguns podem ir de borla) nesta época natalícia, qual vai ser a desculpa para faltar? Vai ao estádio. Apoia a tua equipa.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Haverá algo mais bonito que o Benfica campeão?

Sim, talvez, mas serão poucas coisas. Mais que um país, um credo, uma religião, Benfica é uma forma de estar na vida. Pode parecer frase-feita, até é, mas não deixa de ser verdade. Ser Benfiquista é meter milhões de pessoas nas ruas a festejar o título. É sair de casa e ir à Luz ou ficar em frente à TV, roer as unhas, praguejar, sofrer e festejar, gritar "Golo!", cantar o hino "Ser Benfiquista" e sair às ruas, nos Restauradores, no Marquês, na Boavista, em Coimbra, Braga, Faro, mas também nas antigas colónias, Paris, Suíça, Bruxelas, Newark, por todo o mundo. E isto é o que me chama mais à atenção: tanta gente que sofreu nos seus países com a guerra e mesmo assim mantêm um elo de ligação fortíssimo a um clube do país com o qual estiveram em guerra. Nem os milhares de quilómetros e os anos de residência fora de Portugal levam ao esmorecer do amor pelo Sport Lisboa e Benfica. Por isso, a pergunta impõe-se: haverá algo mais bonito que o Benfica campeão?

Talvez haja. Benfica bi-campeão, Benfica campeão europeu, etc. No que ao jogo diz respeito, os adeptos criaram um ambiente fabuloso e nem o falhanço da águia Vitória serviu para desmoralizar quem se encontrava no Estádio da Luz. É engraçado como os benfiquistas vivem o clube: eu estava em pulgas para o jogo com o Porto, estava aceleradíssimo, depois do encontro na Invicta tive uma semana difícil de dúvidas em relação ao que poderíamos encontrar na Luz, mas em todo o fim-de-semana fui "assaltado" por uma tranquilidade surpreendente, como se a vitória estivesse assegurada. Curioso, não é? De qualquer das formas o ambiente foi simplesmente à campeão, fumo, barulho, e aquilo que eu tanto queria ver: 65 mil cachecóis ao alto no hino Ser Benfiquista. Foi sem dúvida um dos momentos mais bonitos que vi no novo estádio.

O Benfica entrou em jogo com a corda toda, muito por culpa de César Peixoto, que regressou numa forma invejável para quem esteve tanto tempo afastado por lesão. Os ataques sucediam-se, a equipa parecia extremamente confiante (apesar do que Luisão e Jesus disseram no pós-jogo) e o golo apareceu com naturalidade pelo homem-golo Óscar "Tacuara" Cardozo, após insistência de Saviola, um dos jogadores mais perspicazes do campeonato. Com o primeiro golo e com um público vibrante, os jogadores do Rio Ave passaram um mau bocado, tendo o descontrolo emocional apoderado-se de Wires, que agrediu propositadamente e com maldade Ramires, acabando por lesiona-lo, sendo que foi expulso. E aqui não interessa se jogámos um terço da época contra dez, pois se um jogador agride, deve ser, obviamente, expulso. E quando esta crítica é feita por um indivíduo cuja equipa jogou maioritariamente com 14, aí saímos do campo da crítica ridícula e entramos no campo da palhaçada. Quem sabe se ele não tivesse "baixado as calças" quando foi ao Dragão, até poderia ter ganho isto.

No entanto, o resto da primeira parte foi tudo menos tranquilo. Apesar de o Rio Ave não ter criado uma ocasião digna de golo, o Benfica demonstrou grande nervosismo no último terço do relvado, falhando sempre o último passe, fruto da velocidade excessiva de jogo e da alguma impaciência. Por isso, o intervalo chegou com 1-0 no marcador, resultado merecido mas que deixava os benfiquistas ainda intranquilos.

O segundo tempo começou com excelentes notícias vindas da Madeira. Nesse momento estava precisamente a ouvir o relato na Renascença e eis que surge o tão esperado "Goooooooolo Nacionaaaaaal!". O estádio salta e festeja, a vitória no campeonato estava praticamente garantida. Os jogadores aperceberam-se naturalmente do sucedido, mas não diminuíram o ritmo do jogo, que já de si era fraco, diga-se. Mesmo assim deu tempo para Airton mostrar-se, ele que fez um jogo muito bom, mais um, enviando uma bola à barra da baliza de Carlos, sendo que na recarga Saviola acabou por introduzir a bola na baliza vila-condense, mas estava fora-de-jogo.

"Nós só queremos o Benfica campeão", "Ninguém pára o Benfica", "Campeões, campeões, nós somos campeões", cantava-se de tudo no estádio, e eis que num livre aparentemente inofensivo à entrada do meio-campo encarnado, a nossa equipa, já em festa, ficou a dormir na marcação do lance. Resultado? Mais um golo sofrido num lance de bola parada, mostrando que a marcação à zona é tudo menos eficaz, aliás, revelou-se um autêntico desastre ao longo da época. O Braga já tinha empatado e renascia a esperança na Madeira, enquanto que na Luz crescia a incerteza.

O Benfica reagiu a medo, como seria de esperar. Afinal de contas, para todos os efeitos, o resultado em Lisboa era favorável aos nossos interesses. O Benfica trocou a bola na zona mais recuada no terreno, e face à ausência de pressão dos vila-condenses, o tempo foi passando com o resultado que nos favorecia. Cardozo, esse, via Falcao ficar-lhe com a bola de prata. E eis que num pontapé de canto, após cabeceamento de Airton, a bola sobra para Cardozo que, ironia das ironias, marca de pé direito, o seu pé cego, valendo-lhe o título de melhor marcador e ao Benfica o título de campeão nacional de futebol.

Não havia dúvidas, o Benfica ia mesmo sagrar-se campeão. Cinco anos depois, o título estava por um fio. Quando Jorge Sousa apitou para o final do encontro, Rúben Amorim caiu de joelhos sobre o chão, festejando. Era eu que estava ali. Eram todos os outros que sentem o Benfica a 100%. Ele era o espelho fiel de um adepto. Por fim acabou, o Sport Lisboa e Benfica é campeão nacional de futebol.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Super Dragão no relvado da Luz

No passado fim-de-semana ficámos a saber que era permitido aos adeptos de futebol levarem para os estádios bolas de golfe para serem arremessadas aos adversários. Hoje fiquei a saber que afinal alguns adeptos, de uma claque especial, até podem entrar em campo e dirigir uma partida.

Jorge Sousa (surpresa total!) vai ser o árbitro do Benfica x Rio Ave. Como me disseram há uma semana, "o meu medo é o Benfica perder no Dragão e sair de lá amarelado, sendo que depois quem nos arbitra é o Jorge Sousa ou o Xistra". Nem mais nem menos que isto. Lá estará ele, no relvado, a arbitrar o jogo do clube que tanto odeia. Das duas uma: ou o Benfica é campeão ou Jorge Sousa não sai vivo da Luz. Literalmente. O passado do artista fala por si.

Ah, outra coincidência: Xistra vai arbitrar o Braga. Tudo normal, portanto.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Apertem o cinto, será assim até final

O Benfica deslocou-se a Vila do Conde sabendo que qualquer outro resultado que não a vitória dificilmente daria para se qualificar para as meias-finais da Taça da Liga. Talvez por isso, Jorge Jesus tenha mexido muito pouco naquilo que é a equipa base: Moreira substituiu Quim, mostrando que, afinal, a rotação ainda não acabou, e Carlos Martins fez o lugar de Ramires, sendo que o português até tem jogado mais frequentemente nos últimos tempos.

O Benfica foi, mais uma vez, claramente superior, conseguindo mais ataques, mais remates, mais perigo e mais... golos, claro. Afinal é isso que se pede. Após uma primeira parte morna, onde há que destacar aquela finta de Luisão, a primeira desde que chegou ao Benfica, em 2003, e o seu excelente cruzamento (afinal não é todos os dias que o vemos fazer de Cristiano Ronaldo!), e também as iniciativas de Angel Di Maria pela esquerda, sempre muito irrequieto, rápido, tendo colocado a cabeça de Zé Gomes, defesa-direito vila-condense, em água. Houve uma grande penalidade claríssima, do tamanho do mundo, à qual Cosme Machado, árbitro da AF Braga, fechou os olhos.

No segundo tempo o Benfica entrou em campo com a mesma atitude do início da segunda parte de Vila do Conde, mas para o campeonato: logo nos primeiros minutos, Carlos Martins faz um golo enorme, após uma terrível primeira parte, como muitos passes errados. O Benfica podia embalar e tentou, mas não deixaram: Cosme Machado, árbitro de Braga, que já esta época anulou mal um golo a Saviola e validou outro mal contra o Benfica, assinalou mal uma grande penalidade que nem oferecia dúvidas. Como se não bastasse, na marcação da mesma, um jogador do Rio Ave, parece-me Tarantini, entra na área de uma maneira tão, mas tão clara e abusiva que chega a estar praticamente alinhado com Bruno Gama, que executou o penalty.

O Benfica estava à beira da eliminação, mas Cardozo, num jogo absolutamente imperial, vestiu a camisola "10" e serviu Di Maria, que veio do nada, rapidíssimo, teve tempo para escolher o melhor lado e fuzilar Mora, para carimbar a passagem do Benfica à fase seguinte da competição. Até final, Kardec, que se estreou, enviou duas bolas ao poste consecutivamente, podendo dar a machadada final no jogo, mas por infortúnio tal não aconteceu.

Para destacar exibições individuais terão de ser as de Di Maria, desequilibrador do princípio ao fim, Luisão, muito esclarecido mesmo a sair a jogar, Cardozo, mais que goleador, agora um jogador de todo o campo, quem te viu e quem te vê, e claro, Moreira, enorme quando foi chamado a intervir, provando que a sua dispensa no final do contrato será um erro monumental (a dele e a de Quim também, diga-se).

O mais importante, a vitória, foi conseguido, na competição menos importante. Segue-se uma ida a Alvalade (onde marcarei presença) ou no Dragão (não me desloco a locais radioactivos), fruto de termos sido o pior dos 3 primeiros classificados (há com cada regra...). Não interessa, é para ganhar. Em Alvalade acredito que será mais fácil, mas o Dragão até poderia ser melhor para servir de ensaio para o que se vai passar a 2 de Maio. Vamos ver, o que espero é que haja casa cheia contra o Guimarães na próxima jornada.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Nélson Oliveira, ponta-de-lança puro

Se há alguma posição em que, ao longo dos anos, tem sido extremamente difícil encontrar jogadores portugueses de qualidade nas formações mais jovens, essa é a de ponta-de-lança. Mesmo até para defesa-esquerdo surgem sempre algumas esperanças que depois se perdem rapidamente, como Paulo Torres, Kenedy, ou mais recentemente, quem sabe, Antunes. Sol de pouca dura, é certo, mas para ponta-de-lança, nem um para amostra. Portugal foi campeão mundial sub-20 em 1991 e o ponta-de-lança titular era Toni, que acabou por [não] fazer carreira no Porto, Braga, Salgueiros, Marítimo, sendo o suplente natural Gil, que também não teve sucesso no Benfica, Ovarense, Braga e Estrela.

No entanto acredito que num futuro mais ou menos próximo possamos assistir a um inverter de situação, muito devido a um rapaz disciplinado e empenhado de seu nome Nélson Oliveira, um ponta-de-lança puro, de remate fácil, forte e colocado, sem medo do um-para-um, com faro de golo. O Benfica resolveu empresta-lo ao Rio Ave, numa altura em que parece algo esquisita, a meio da época.

Por um lado, a liga de juniores é demasiado pequena para um jogador como Nélson Oliveira, e este empréstimo, especialmente nesta altura, e se for bem sucedido, como desejo, deverá ser a lança de rampamento para o plantel principal encarnado já em 2010/2011. Seria a altura ideal para incorporar um júnior numa equipa que desejamos que envergue aí as quinas e que seja possível fazer uma transição de gerações entre Nuno Gomes, símbolo do ataque benfiquista por mais de 10 anos, e Nélson Oliveira, aquele que se quer como ponta-de-lança de futuro.

Estranho também é o facto de haver uma equipa portuguesa interessada num jogador tão jovem, português, e sem experiência no futebol sénior. Quantos minutos poderá jogar pelos vila-condenses? Boa pergunta. Com o experiente João Tomás no ataque, eu diria que 100 minutos já seriam razoáveis. Por outro lado, foi o Rio Ave que pediu o jogador por empréstimo, o que de si nota de imediato um interesse pelo jogador, o que parece ser um aspecto favorável à sua evolução. Só o tempo dirá o que vai acontecer neste fim de época a Nélson.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

João Tomás

Um verdadeiro ponta-de-lança. E português! Uma raridade nos dias de hoje. O que é facto é que já tem 34 anos. Olhando para trás, vejo uma carreira simplesmente mediana que nunca atingiu um patamar verdadeiramente alto em termos pessoais. Mesmo tendo jogado no Benfica, aquele sexto lugar marcará para sempre aquele conjunto de jogadores, João Tomás incluído, apesar de não ser o responsável.

Revendo a sua carreira, João Tomás, apesar das qualidades óbvias que tinha, pouco ou nada alcançou. Deu nas vistas em Coimbra, na Académica, trocando a Briosa pelo Benfica em Janeiro de 2000, altura em que os estudantes andavam pela segunda divisão, mas onde iam bem destacados na frente, fruto dos sucessivos golos do avançado português. Chega ao maior clube do país por 40 mil contos e com 24 anos, idade ideal para começar a demonstrar serviço, fazendo uma época e meia de águia ao peito, marcando vários golos na condição de suplente utilizado. Era uma das armas secretas de Mourinho, na altura.

A grave crise económica que assolava o Benfica, aliada à desastrosa participação no campeonato que culminou num sexto lugar, levou João Tomas a sair para Sevilha, para jogar no Bétis, numa transferência que valeu aos cofres encarnados 800 mil contos (4 milhões de euros), cerca de 20 vezes mais aquilo que o Benfica tinha pago ano e meio antes. A partir daí foi a penumbra total. Pouco utilizado em Sevilha, foi emprestado ao Guimarães e ao Braga, saltando de clube ano após ano. Foi ao Qatar e voltou a Braga, passou pelo Boavista, na segunda divisão e está de novo na primeira, no Rio Ave, equipa que teoricamente luta para não descer.

Por que falo de João Tomás nesta altura? Bom, por vários motivos. Um dos quais é o brilhante jogador que podia ter sido mas não foi, pois ninguém teve coragem suficiente para apostar nele, talvez por ser português. Passou ao lado de uma grande carreira. Numa altura em que nos queixamos que não há pontas-de-lança de qualidade em Portugal, se calhar deveríamos pensar se na realidade a culpa não é dos treinadores e dos presidentes que não querem apostar neles. A outra razão é que, e apesar de já não ter a velocidade de outros tempos, o killer instinct continua lá. Vejam o segundo golo que apontou ao Sporting. É de um verdadeiro ponta-de-lança. E vejam o festejo, na foto acima. Faz lembrar outro festejo, de outros tempos...

sábado, 31 de janeiro de 2009

A lenda d'El Rey D. Sebastião


Reza a lenda que seria num dia de nevoeiro que El Rey D. Sebastião regressaria. Na Luz, o milagre foi mais ao menos o mesmo, mas de proporções bem mais bíblicas. Pedro Mantorras, para quase todos acabado, regressou numa noite de tempestade e fez o que parecia impossível num campo de batalha encharcado como aquele: marcou o golo que colocou o Benfica no lugar onde merece, mesmo que à condição.

Mantorras é D. Sebastião! Eu diria mais: devido a tantos regressos, Mantorras é como Santana Lopes... mas em bom!

Quanto ao jogo em si, foi o que foi. Com um dilúvio daqueles era impossível fazer melhor. Chutão para a frente, fé em Nuno Gomes e num muito batalhador Cardozo (sim senhor, é assim mesmo!). A bola prendia de tal forma no meio-campo que era difícil, se não mesmo impossível, sair a jogar pelo lado dos bancos de suplentes. David Luiz na primeira parte e Maxi Pereira na segunda aperceberam-se bem da situação e sempre que possível recorriam ao chuveirinho. De resto, na primeira parte, destaque para a desinspiração de Di Maria, o que torna muito difícil construir ataques com princípio, meio e fim quando há apenas um extremo puro a jogar. Yebda também continua muito longe da forma que apresentava no início da época e Carlos Martins está, aos poucos a melhorar, tendo sido o elo de ligação entre a defesa e o ataque. Já Rúben Amorim continua incrível, certinho, não compromete e é, para mim, o jogador chave do meio-campo. No ataque Nuno Gomes esteve, como sempre, muito batalhador e Cardozo desta vez também, tendo muita infelicidade na finalização, enviando duas bolas ao poste.



Na segunda parte mais do mesmo, mas com o Rio Ave mais atento ao contra-ataque, devido a um jogo horrível de Yebda. O empate parecia perdurar até ao fim, até que aos 66 minutos, Quique decide pôr Pedro Mantorras em campo. E já está: primeiro toque na bola, primeiro golo. Digam lá se não é talismã. Ele pode estar em condições lastimáveis, e está mesmo, mas continua a ser aquele Mantorras com aquele instinto fatal. E o carinho que os benfiquistas têm por ele ficou demonstrado aquando da sua entrada para o aquecimento, aquando da entrada em campo e ainda quando marcou o golo da vitória. Como disse o Jorge Baptista hoje na SIC Notícias, é um stade cusy!



Até final foi aguentar a pressão do Rio Ave, a inclinação do campo promovida pelo árbitro e a entrada de Bynia. Ainda pensei que fosse para lesionar o Yebda, mas não. Vitória suada e merecida.

Resumindo, este será um jogo para figurar nos almanaques futuros do Benfica, pela carga emotiva que teve. Chorei duas vezes no Estádio da Luz: na despedida do Rui Costa e hoje, com o golo do Mantorras. Obrigado, Pedro.

P.S. Rui Costa (o árbitro) é sério candidato a Dragão de Ouro.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Contratações de Inverno #2

Desde Ronald Koeman que o Benfica não tem mais de um defesa direito no plantel (isto se considerarem, tal como eu, que Luís Filipe não é jogador de futebol, muito menos lateral direito). Isto diz bem da falta de organização do nosso clube relativamente ao eixo defensivo. Penso que em 2006/2007, o Benfica apenas e só não foi campeão devido à venda de Ricardo Rocha ao Tottenham. Caso o ex-bracarense não tivesse ido para Londres, o Benfica poderia ter colmatado a lesão de Luisão no Parque dos Príncipes e não estaria certamente sujeito às exibições mas fracas de Anderson. Mas enfim, o que lá vai, lá vai.

Maxi Pereira é o único defesa direito (e adaptado, ainda por acréscimo) no nosso plantel. É verdade que tem cumprido muito bem esta época, mas sejamos sinceros: de bom, só mesmo o posicionamento e o remate com o pé esquerdo, porque de resto não tem velocidade, nem muito inteligência. Também não sabe atacar e permite demasiados cruzamentos pela sua banda durante um jogo. Por isso, se alguém estiver a ler estas linhas (e gostava muito que fosse o Rui Costa a lê-las...), vão buscar um jogador que em tempos foi nosso: o Miguel Lopes. Este jovem defesa direito das selecções mais jovens e do Rio Ave tem feito um campeonato muito positivo ao serviço dos vila-condenses, sendo considerado uma das revelações da prova, apesar de cometer ligeiros erros no posicionamento defensivo. Para aqueles que pensam que o regresso de um ex-jogador só pode ser mau, olhem para o Rúben Amorim, que está um senhor jogador. Por isso, já sabem: vão lá buscar o Miguel Lopes para sermos campeões.