Terça-feira, 31 de Maio de 2011

Adeus "Toto" Salvio?


A opção que o Benfica dispõe sob o passe de Salvio termina hoje, e tudo aponta para que não seja exercido esse direito de opção, pelo que a possibilidade do jogador argentino continuar na Luz na próxima temporada, é nesta altura muito pequena. Nunca se soube ao certo o valor que o Benfica tinha que pagar ao Atlético, ora eram 8 milhões de euros, ora eram 15. Seja como for, estamos efectivamente a falar de um jogador com grande qualidade, ainda muito jovem e com enorme margem de progressão, e seria sempre um reforço importante tendo em vista a próxima época.

A estratégia do Benfica passa por tentar contratar Salvio por um valor mais em conta, mas não me parece que o segundo clube de Madrid vá na conversa. A partir de amanhã, deixamos de ter primazia sobre o jogador, e este em conjunto com os colchoneros pode decidir o seu futuro como entender. Desse momento em diante, a margem de manobra do Benfica é muito reduzida, e nem a vontade do jogador pode ser grande trunfo, pois este não vê com maus olhos a permanência no Altético. Entretanto começa a pairar no ar o fantasma Porto, cenário que o empresário de Salvio não confirma nem desmente, e apesar das promessas do jogador, de que em Portugal só jogaria no Benfica, a verdade é que nos habilitamos a este tipo de surpresas desagradáveis...

Não acredito minimamente no retorno de Toto, e se me perguntarem, acho que ele valeria um investimento forte na sua aquisição, mesmo em tempos de vacas magras. Por um lado, era garantia de um rendimento desportivo regular dentro de campo, por outro e face à sua qualidade, um dia mais tarde podia dar também um bom retorno financeiro, ou seja, seria uma contratação com pouca ou nenhuma margem de erro. Resta-me desejar ao jogador, boa sorte no seu futuro, e agradecer-lhe o que ele fez pelo clube no tempo em que vestiu dignamente a nossa camisola. Espero é que estes empréstimos com opção de compra, acabem de uma vez por todas, pois todos sabemos qual é o desfecho habitual nessas circunstâncias: o jogador não permanece no clube - foi assim com Miccoli e Reyes e será assim com Salvio.

50 anos, tempo demais...


Foi no dia 31 de Maio de 1961 que o Benfica venceu em Berna (3-2), a sua primeira taça dos campeões europeus, frente ao Barcelona. José Águas foi o melhor marcador dessa competição, apontando 11 golos.


A final de Berna resultaria num confronto muito equilibrado a todos os niveis. Kocsis e Zoltán Czibor marcaram para o Barcelona no mesmo estádio onde, sete dias antes, tinham deixado escapar o título mundial ao serviço da selecção hungara. No entanto, entre estes dois golos, e contra a tendencia do jogo, o Benfica também marcou, por intermédio do grande José Águas e do enorme Mário Coluna. Um auto-golo de Antonio Ramallets resgatou o troféu das mãos dos catalães e trouxe-o para Lisboa.



Passado tanto tempo, é um feito que só uma vez foi repetido, um ano depois, dessa vez frente ao outro clube grande de Espanha, o Real Madrid. Foi essa equipa de 1961 que deu a conhecer de forma categórica o Benfica ao mundo, e esses jogadores merecem ser recordados um por um: Costa Pereira, Coluna, Neto, Germano, José Augusto, Angelo, Mário João, Santana, Cruz, Cavém e José Águas.

Obrigado campeões, para sempre fica na memória de todos os benfiquistas este momento mágico da nossa história:

Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Valeu pelo Fernando "Viagra"

Foi demasiado curta a entrevista dada por Luís Filipe Vieira a Judite de Sousa, esta noite, na TVI. Esperava mais. Apesar de a entrevista ter sido frenética, num ritmo pouco habitual, durou pouco tempo para os benfiquistas perceberem o que se está a passar com o negócio de Júlio César. E posso ter sido eu a perceber mal, mas até houve uma pequena contradição: primeiro, LFV referiu que não havia intermediários na transferência, depois falou num tal de Cristo que negociou o jogador pedido por Jesus com clube da Cruz de Cristo. Hã?!

Gostava que tivesse respondido a algumas questões que deixou em aberto e não gostei de o ouvir vitimizar-se outra vez, falando na família. A imagem que fica é a de um presidente que se desculpa demasiadas vezes. E num clube como o Benfica, as desculpas evitam-se. Ficou também garantido que Coentrão só sairá pela cláusula (30 milhões, alguém acredita?), sendo que finalmente reconheceu que houve erros graves na preparação da época, algo que já aqui tínhamos dito e antecipado antes de o campeonato ter começado.

P.S. Os jogadores são como melões? Isto diz bem do critério usado nas transferências...

P.P.S. Fernando Viagra? Muito bom.

Olho na Águia: Rodrigo Mora


Rodrigo Nicanor Mora é um avançado uruguaio de 23 anos que chega ao Benfica, depois de terminar o seu contrato com o Defensor Sporting, equipa aliás de onde também chegou Maxi Pereira. Mora começou por dar nas vistas nas categorias inferiores do clube da sua terra, o Juventud de Las Piedras e cedo se percebeu que estava destinado a voos mais altos. Chegou ao Defensor em 2008 e deixou imediatamente a sua marca, como mostram os 14 golos em 36 jogos durante a época de 2008-2009, mas é na temporada seguinte aquando do seu empréstimo ao Cerro, que dá seriamente nas vistas.

No Torneio Clausura 2010 marcou 9 golos e na liga pré-libertadores outros 4 ajudando a sua modesta equipa a entrar na competição mais importante a nível de clubes na américa do sul. Foi natural o seu regresso ao Defensor, onde continuou na senda dos golos, como mostra o seu registo na copa sudamericana, 6 golos. O seu contrato estava prestes a expirar, e Mora resolveu não o renovar, abrindo caminho a que o Benfica o contratasse, o que provocou uma ruptura com o Defensor Sporting, que obrigou o jogador a ficar fora da equipa e a manter a sua forma física por outros caminhos.

Mora é um avançado explosivo, capaz de súbitas mudanças de velocidade, de mexer com o jogo através do seu repentismo, levando sempre a bola coladinha no pé direito, em busca de contornar os adversários. E fá-lo com uma astúcia que o seu físico à primeira vista não deixa adivinhar (171 cm/71 kg). É um jogador muito talentoso, tecnicamente evoluído, o que faz com que seja muito forte nos duelos individuais, pois possui uma capacidade de drible assinalável, mas sobretudo uma finta curta que ilude o seu marcador, escondendo a bola e a sua intenção real em cada lance. Mora é alguém que gosta de vir embalado de trás para a frente, penetrando as defesas, em movimentos oblíquos da faixa para o centro, sempre com a baliza nos olhos. Não é alguém que esteja reduzido a um determinado raio de acção, é um vagabundo na frente de ataque.

Quando olho para Rodrigo Mora vejo um jogador que pode ser determinante no actual sistema táctico, como segundo avançado, por detrás de um ponta de lança, no fundo fazendo o papel de Saviola. É certo que pode jogar descaído sob o flanco direito, mas colocá-lo nessa zona é desperdiçar o seu sentido de finalização e a forma como consegue aparecer na cara de golo de forma muito oportuna. O urugauio gosta de ter a bola nos pés, mas não tem a capacidade de pautar o jogo, de ser um organizador, a sua praia é outra. O seu ponte forte é partir para cima dos defesas, é ser um jogador de desequilíbrios, criar movimentos de ruptura e com a sua movimentação, abrir espaços. Juntando a tudo isto o facto de ser voluntarioso, torna-o uma autêntica carraça para as defesas contrárias.

Não existem jogadores perfeitos no entanto. Mora tem obviamente coisas a melhorar no seu jogo. Apesar de ter uma boa resistência física, a meu ver pode e deve e melhorar ainda mais a sua endurance, porque se o fizer, será capaz de impor mais vezes e por mais tempo, o ritmo diabólico que tanto gosta de colocar no jogo. Por outro lado, o jogo aéreo é algo onde precisa melhorar, apesar de normalmente os jogadores com a sua estatura não serem fortes nesse aspecto. Não é que não saiba usar a cabeça, sabe, mas se trabalhar a sua impulsão, o momento certo para saltar, antes de disputar esse tipo de lances, colherá muitos mais frutos, como por exemplo tão bem sabia fazer João Vieira Pinto. Não lhe faria mal algum também, em certos momentos do jogo, ser mais pragmático na definição dos lances, por vezes tenta florear cada jogada em demasia, o que motiva algumas perdas de bola. Algo para Jesus ter em atenção.

Algumas pessoas poderão por em causa a sua qualidade, olhando ao facto de não ser habitualmente chamado à sua selecção. A verdade é que o conflito com o Defensor, e o não poder competir nos últimos seis meses o prejudicou - é igualmente verdade que a concorrência no ataque do Uruguai é fortíssima. Dito isto não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que será uma questão de tempo até conquistar o seu espaço, quer no Benfica, quer na sua selecção, até porque é um jogador com características muito particulares, como anteriormente descrevi. Saiba o Benfica enquadrar devidamente o jogador, e o seu treinador obter do seu potencial o máximo rendimento possível, porque talento tem para dar e vender.

Veredicto: Aprovado.

É tempo de estarmos atentos...

Ultimamente tem vindo a público algumas polémicas envolvendo o Sport Lisboa e Benfica. Por um lado a suspeita da PJ sobre os contornos da transferência de Júlio César, por outro e directamente relacionado, as supostas comissões que o treinador Jorge Jesus terá recebido. Entre tudo isto e como estas coisas funcionam com um efeito, bola de neve, a transferência de Roberto começa a vir ao de cima, estando Luís Filipe Vieira alegadamente sob suspeita, e mesmo o fundo dos jogadores, não tem escapado às luzes da especulação jornalística.

Existe aqui um padrão. Obviamente que estas notícias ao aparecerem repentinamente, despoletando quase uma reacção em cadeia de notícias do género, não é de todo inocente. Não vou entrar porém em teorias da conspiração, como aquela que circula em determinada blogosfera e em alguns fóruns, que a propósito de Jesus, esta história veio cá para fora, para forçar a sua saída do clube, abrindo o caminho para que Pinto da Costa possa contratá-lo num futuro próximo, desferindo um rude golpe à nossa estrutura de futebol, enfraquecendo-a ainda mais. Não corroboro desse tipo de teorias ou histórias algumas delas mirabolantes, outras nem tanto.

O cerne da questão para mim é outro. Como sócio e adepto deste clube, não agrada-me de forma alguma ver o nome do Benfica ligado a este tipo de controvérsias. Numa atitude transparente que qualquer instituição que se rege por valores sérios deve ter, o clube disponibilizou-se a colaborar com as autoridades, com qualquer investigação que possa decorrer. E em boa hora fê-lo, pois quem não deve, não teme, e se existe algo que as nossas autoridades entendam que é motivo de suspeita, isso deve ser investigado até à exaustão, para provar a inocência ou culpabilidade de x ou y que estejam envolvidos. E a partir dessas conclusões, e só depois delas, o clube deve partir para uma tomada de posição mais forte.

Até lá a presunção de inocência é algo que qualquer pessoa tem o direito de ter, e nós, massa adepta do clube, temos que estar de olhos bem abertos a tudo o que entretanto se for passando. Conscientes, despertos, mas por enquanto sem dramatizar em demasia, seja as supostas campanhas de determinado grupo empresarial jornalístico e consequente ataque ao clube e suas figuras, seja no apontar de dedo a alguém dentro do clube de forma precipitada. Não o devemos fazer. Devemos esperar que o(s) processo(s) desenrole(m) normalmente. E de forma alguma devemos estar contra que a PJ ou outra qualquer entidade, faça o seu trabalho, nós Sport Lisboa e Benfica, não podemos ter medo da verdade.

Chamem a Polícia

E investiguem isso bem investigadinho. É o que qualquer benfiquista quer. Das duas uma: ou a transferência de Júlio César foi um negócio perfeitamente limpo onde não houve qualquer irregularidade, o que seria óptimo para todos nós, devendo o Benfica, nesse caso, partir para um processo judicial contra certas fontes de comunicação social, ou então há mesmo negociatas obscuras e os culpados, além de encontrados, deverão pagar pelas ilegalidades cometidas, seja o presidente do Belenenses, o agente, o presidente do Benfica, quem quer que seja. É assim que deve funcionar a justiça. Se nós queremos que ela seja aplicada a certos indivíduos da nossa sociedade, não podemos esquecer que as leis também têm de ser aplicadas a nós. E se houver culpados no Benfica, têm de pagar, doe a quem doer. Já não seria a primeira vez que um presidente acabava em maus lençóis graças ao negócio de um guarda-redes suplente.

Domingo, 29 de Maio de 2011

A Taça de Portugal é nossa!


A equipa de Andebol do Benfica ganhou hoje a Taça de Portugal ao Madeira SAD, depois de vencer a finalíssima por 29-25, conquistando desta forma os comandados de José António Silva, o 4º troféu do nosso historial nessa competição. Uma primeira parte com domínio mais acentuado dos madeirenses, mas o Benfica soube entrar no segundo tempo determinado a mudar o rumo das coisas, e na hora das decisões, os "encarnados" mostraram sangue frio, souberam controlar jogo e assegurar um triunfo muito sofrido mas saboroso.

Numa época onde as frustrações foram muitas, todas as conquistas quase que sabem a dobrar. À equipa de Andebol, staff técnico e jogadores, os parabéns sinceros por contribuírem para o enriquecimento do nosso palmarés. Bravo campeões!

Raça, Querer, Ambição!


Dei por mim a ler as declarações de Nolito e a pensar na época passada. Explico porquê. Em alguns períodos, em alguns jogos cruciais, aparte do posicionamento táctico dos jogadores, vislumbrei uma apatia quase geral na forma como a equipa evoluía no terreno, parecia por vezes que tinham sugado a alma dos jogadores, o espírito combativo, a garra necessária para poderem ter melhores resultados. E isto tem um efeito dominó, contagia tudo o resto.

Existiram algumas excepções como Maxi Pereira ou Coentrão, e a esses a minha sincera vénia, esses são a personificação do que deve ser um jogador à Benfica dentro de campo. O Benfica precisa de jogadores de fibra, que sejam capazes de viver o jogo independentemente do resultado do placar, que não se deixem abater facilmente pelas contrariedades. Este espírito, esta mentalidade, tem que ser trabalhada e incutida pelo treinador nos seus jogadores, mas em último caso são eles, os futebolistas que têm a última palavra.

E quando o clube partir para a contratação de um jogador, tem que ter isso em conta, não chega as suas capacidades físicas ou técnicas, é fundamental também que tenha a mentalidade adequada, que lhe permita ter um maior rendimento individual e potenciar ao mesmo tempo o rendimento colectivo da equipa.

Por vezes temos subestimado este factor, temos contratado jogadores que não sabem a importância do que é vestir a camisola do Benfica, que não têm a noção do clube que representam, não só porque existem poucas pessoas dentro do clube capazes de lhes transmitir essa noção, como também esses próprios jogadores não têm o estofo necessário para um clube com o nosso estatuto. Por isso espero que as palavras de Nolito sejam confirmadas dentro das quatros linhas, e espero que o Benfica tenha um critério rigoroso a todos os níveis, nos jogadores que tem debaixo de olho, com vista a reforçar o plantel. Se não for pedir muito.

P.S. Parabéns ao Barcelona pela conquista da liga dos campeões, a 4ª do seu historial. Espero viver para ver chegar o dia em que tenhamos novamente tal alegria. Sonhar não custa...

40 milhões

A história de renovação de contrato com a Olivedesportos arrasta-se há já muito tempo. Parece que, ocasionalmente, há avanços e recuos nas negociações, mas os valores que o Benfica exige não foram ainda oferecidos. No entanto, há umas semanas a esta parte deixámos de ouvir e de ler notícias sobre este tema. Está tudo em águas de bacalhau, ou as negociações continuam a decorrer? Será mesmo possível receber os ditos 40 milhões? Deixará o Benfica de alimentar o Oliveirinha corrupto ou as amizades da direcção do Benfica prevalecerão sobre os interesses do clube?

Sábado, 28 de Maio de 2011

Gostaria de acreditar...


... em alguns ecos da imprensa desportiva que hoje afirma que Luís Filipe Vieira só aceita vender Fábio Coentrão pela sua claúsula de rescisão. Mas a verdade é que não acredito minimamente nisso.

Não existem jogadores insubstituíveis, o próprio jogador pisca o olho ao Real ao Madrid, mas o clube precisa defender os seus interesses, não só económicos, mas sobretudo desportivos. E tudo o que seja vender Coentrão, um dos melhores laterais do mundo, para mim o melhor, por menos de 30 milhões, é mau negócio. Tenho dito!

Sexta-feira, 27 de Maio de 2011

Olho na Águia: Daniel Wass


Daniel Wass é um lateral direito dinamarquês de 21 anos que chega ao ao Benfica em fim de contrato com o seu anterior clube, o Brøndby IF, equipa onde fez a sua formação. A sua estreia como profissional surgiu em 2007, conquistando progressivamente o seu espaço no plantel e foi utilizado regulamente durante a temporada de 2007-2008. Contudo na época seguinte, teve o infortúnio de contraír uma grave lesão e assim no verão de 2009 foi emprestado ao Fredrikstad FK da Noruega, onde jogou pouco, cerca de 3 jogos, marcando 1 golo.

Depois de regressar à casa mãe, Daniel Wass que começou por ser um média ala, foi adaptado com sucesso à posição de lateral direito pelo então treinador Tom Kohlert, e a partir desse momento, o seu rendimento aumentou substancialmente e o seu futebol ganhou muito com o recuar de alguns metros no terreno. Um pouco à semelhança de Miguel, se bem que este era um extremo típico antes de Chalana apostar nele como lateral e Daniel Wass funcionava mais como um interior direito. Em boa hora isso aconteceu para o jogador dinamarquês.

Fruto da sua formação como médio, Wass tem um pendor ofensivo que não é de menosprezar, é um jogador que consegue ser acutilante no ataque pelo seu corredor, algo que é fundamental para o esquema de Jorge Jesus, onde os laterais funcionam muitas vezes como desiquilibradores e não se limitam apenas a defender posicionalmente. Daniel tem essa capacidade e por isso será grande a probabilidade de encaixar bem na forma como o Benfica costuma jogar e no habitual 4-1-3-2 que Jesus gosta de utilizar.

Comecei propositadamente por falar nas suas capacidades ofensivas, para poder contrabalançar com a forma como defende. Daniel Wass, é um jogador tacticamente muito rigoroso, ou não fossem assim quase todos os jogadores nórdicos, alguém que é forte na marcação e muito inteligente na forma como se dá a essa marcação, apostando sempre por ganhar os lances pela sua boa leitura de jogo e facilidade no desarme, quase sempre no momento certo. É um jogador com pique rápido, pelo que não se deixa bater facilmente em velocidade, o que aliado a sua inteligência na maneira como ocupa os espaços, torna a vida muito difícil para quem cair sob o seu flanco.

Tecnicamente é um futebolista com boas bases, ou seja, tem qualidade seja no passe, seja nas recepções e principalmente nos cruzamentos. Neste aspecto em particular costuma ser um jogador assertivo e capaz de asssitir os seus colegas com propriedade pois sabe definir bem os momentos entre o ficar na defesa e subir ao ataque.

Quais os seus pontos menos fortes? O seu jogo aéreo não é perfeito apesar de ter 1.81cm/84 kg, a forma como por vezes dobra os seus centrais não é ainda muito bem feita, não raras vezes chega atrasado a essas coberturas, embora tenha evoluído naturalmente nos últimos tempos. Será mesmo este o principal aspecto que a meu ver Jesus precisa aprimorar no seu jogo. Também acho que nos confrontos físicos podia impor-se mais, pois nem sempre o ser veloz chega para neutralizar o adversário. Mas tudo coisas que podem ser trabalhadas, pois é ainda um jogador muito jovem e com margem de progressão.

Veredicto: Aprovado.

Roberto é isto:

Inconstância. Não há palavra mais adequada para descrever Roberto. Primeiro, uma grande defesa, daquelas que fazem levantar um estádio e aplaudir o jogador. Depois, um grande frango, com penas e tudo, que entra no galinheiro. Roberto tem vivido nesta dicotomia durante a sua passagem pelo Benfica. As defesas brilhantes a remates de Baba, Elderson ou Lisandro Lopez contrastam com os lances em falso protagonizados com Orlando Sá, Guarín ou Hugo Viana. Numa posição onde é necessária frieza e discernimento mental para enfrentar os maus momentos, temos um jogadores sem a mínima capacidade para resistir à pressão, como o provam os frangos ou lances em que é mal batido, nomeadamente em jogos com adversários mais complicados: Porto (duas vezes), Sporting, Braga (duas vezes), Lyon e PSV, assim de cabeça.

Numa posição onde ser quer tranquilidade, temos uma bomba-relógio. Para mim a situação é bem clara e vem reforçar aquilo que disse no dia em que o espanhol chegou para vir defender as redes do Benfica: não é guarda-redes para o Benfica nem vale aquilo que se pagou por ele. Um guarda-redes deve ser mais avaliado pelos golos que consente e não tanto pelas defesas que consegue, que abundam em vídeos na internet até mesmo para guarda-redes medianos ou fracos. Por mim, tem guia de marcha.

3 sugestões para o centro da defesa!

O Benfica tem um problema no centro da defesa. Sidnei, que seria à partida pelas suas características, o substituto ideal de David Luiz tarda em confirmar todo o seu potencial. Jardel contratado à Olhanense é um central muito ao estilo de Luisão, e por isso mesmo não acho que se complemente com o Patrão, embora possa ser uma boa alternativa a ele. Miguel Vitor não está nas boas graças de Jesus e quer regressar apenas se tiver a garantia de jogar com regularidade, o que não me parece que vá acontecer e Roderick mostra ainda que tem um longo caminho a percorrer, para poder ser uma opção fiável dentro da equipa, um empréstimo será o cenário mais provável para o seu futuro imediato, ou deveria ser.

Pelo que uma investida ao mercado em busca de um jogador que seja o parceiro ideal de Luisão torna-se mais ou menos urgente. Tomei a liberdade de pensar em três nomes, todos eles jovens, com margem de progressão e grande possibilidade de um dia mais tarde poderem dar retorno financeiro ao clube. Aparecem por ordem de preferência:

                 1º Dedé, jogador de 22 anos - Vasco da Gama


O meu preferido. Alto, veloz, com uma boa capacidade de desarme e de antecipação, é um central muito ao estilo de David Luiz. Tecnicamente evoluído, sabe sair bem a jogar com bola, mas prima sobretudo pela eficácia e pela maturidade com que joga, sempre com níveis de concentração elevados. Com as boas relações que o Benfica tem com o Vasco, seria uma contratação com pouca margem de risco, e em jeito de prognóstico refiro, que vai ser um futuro internacional brasileiro, não demorará muito. Para ontem!

                   2º Rafael Tolói, jogador de 20 anos - Goiás



Tolói, é um jogador semelhante a Dedé, mas ainda num patamar inferior. No entanto, apesar de competir num clube pequeno no Brasil, dá nas vistas pela sua serenidade na avaliação dos lances e pela boa capacidade que tem de ler as jogadas. Precisa evoluir na forma como por vezes tem alguns lapsos de concentração, mas tem todas as capacidades físicas e psicológicas para poder vingar, assim alguém acredite no seu valor.

3º Sebastián Coates, jogador de 20 anos - Nacional de Montevidéu



Coates é um pouco diferente dos jogadores anteriormente referidos. Para além da habitual virilidade dos jogadores uruguaios, não é um jogador tão rápido quanto Dedé ou Tolói, mas longe de ser lento. Chega à disputa dos lances de forma rápida fruto da sua passada longa e bom sentido posicional, e na conjugação destes dois factores torna-se um central difícil de bater. Não é alguém que se esconde do jogo, e dos três é aquele que tem mais perfil de líder, como mostra o facto de ter sido habitualmente capitão em todos os escalões jovens na sua selecção.

Claro que o Benfica pode estar em busca de um jogador com outro perfil, que seja mais experiente e que por isso possa mais facilmente adaptar-se ao clube e a nossa forma de jogar, e não sou contra esse tipo de jogador, desde que obviamente tenha qualidade. Mas as minhas apostas seriam estas, principalmente o zagueiro que actua no Vasco da Gama e que foi considerado o melhor central do brasileirão anterior. E não é que seja um jogador excessivamente caro...

Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Será mesmo culpa do treinador de guarda redes?

Foi noticiado recentemente que o Benfica decidiu não renovar o contrato do treinador de guarda redes Luís Matos, estando em busca de alguém para o cargo. E supostamente isso acontece porque a equipa técnica, nomeadamente Jesus, entende que com alguém mais competente nessa função específica, é possível combater os pontos fracos dos seus guarda redes de forma mais incisiva, principalmente Roberto, no que toca a bolas aéreas e cruzamentos, defeitos esses que têm sido mais do que expostos, se nos lembrarmos da época que acabou de terminar.

É evidente que quanto melhor for o treinador de guarda redes, maior é a probabilidade do jogador evoluir sob os seus métodos de treino. E atacando os pontos fracos de jogador x ou y, estabelecendo um treino específico no sentido de aprimorar o seu jogo, é normal que caso o jogador tenha potencial e capacidade de trabalho, assistamos a um melhoramento dos seus pontos menos fortes. Mas estará aqui a solução mágica para reabilitar Roberto, recuperá-lo para um futuro a médio prazo, ou simplesmente foi uma preocupação mais geral, não tendo a ver apenas com um jogador, mas sim com falhas que pudessem existir na forma como Luís Matos trabalhava?

Deve ser atribuído ao treinador de guarda redes tamanha irregularidade exibicional na baliza do Benfica, seja de Roberto, seja de Júlio César, que curiosamente apresentam mais ou menos os mesmos défices? Acho isso um pouco excessivo honestamente.

Seja como for, não é de agora que surge a minha preocupação no que toca ao treinador dos nossos Keepers, sempre tive para mim, que não se trabalhava da forma mais correcta nesse sector, e por isso mesmo acho que o clube tomou a decisão correcta em procurar melhores soluções no mercado. E vocês, o que pensam sobre este assunto?

Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

Olho na Águia: Nolito

Manuel Agudo Durán ou simplesmente Nolito, como é conhecido no mundo do futebol, nasceu a 15 de Novembro de 1986, tem 1,72 metros de altura e é extremo. Embora seja dextro, gosta de actuar pela esquerda.

Estava no Barcelona B desde Julho de 2008, apesar de já ter sido chamado para jogar pela equipa principal do clube catalão e de até ter marcado, como aconteceu frente ao AD Ceuta, num jogo a contar para a “Copa del Rey”, a 10 de Novembro (ver aqui) e foi contratado a custo zero. Diz-se que será apresentado este domingo.

Estive esta semana a tentar conhecer este nosso novo jogador e tenho que confessar que não estou tão entusiasmado como pensava que iria estar. Talvez as expectativas que tinha criado também fossem demasiado elevadas, até pelas referências que me fizeram.

É um bom jogador mas é diferente daquilo que esperava encontrar. Para melhor me exprimir, começo por falar no conjunto orientado por Luís Enrique. Tal como a equipa irmã, praticam os mesmos princípios de jogo e com o mesmo sistema, dando preferência a uma construção de jogo paciente, num estilo de passe curto. Gostam de jogar em posse, procurando trocar a bola através do sector defensivo e do meio campo. O jogador que mais sobe pelo lado esquerdo e que transporta a bola pelo flanco é o Abraham, que percorre todo o corredor, enquanto o Nolito procura-se movimentar nas costas dos defesas e próximo da grande área. Tem um bom instinto para o golo e gosta de realizar diagonais para conseguir o remate.

Ora, onde eu quero chegar é que, se a nossa táctica fosse semelhante à do porto, eu estaria mais descansado, pois o futebol do Nolito estava trabalhado para tal. Este parece-me ser mais um avançado móvel, do que um extremo que gosta de transportar a bola pelo corredor, de tabelar e chegar à linha para cruzar. Além disso, apesar de parecer ser um jogador agressivo e que pensa primeiro na equipa, não faz da aceleração a sua principal arma. Tal como o Gaitán, é um jogador que embalado provoca desequilíbrios ofensivos mas que não está habituado a estes terrenos.

Se me perguntarem se o considero um bom jogador, digo que sim, é. Mas eu gosto que se coloque os jogadores nas posições certas e não de os adaptar à táctica. Tal como o Nico e o Salvio, penso que o Nolito poderá precisar de algum tempo para assimilar nossos processos, para incutir novos princípios tácticos, no seu jogo. Princípios esses diferentes daquilo que ele tem trabalhado até hoje. Eu acredito que dará num bom médio esquerdo (ou direito) até porque gosto da forma como parte para cima dos defesas, naquele jeito meio desengonçado, mas também acho que precisa de algum tempo e de treino. Ou seja, na minha perspectiva, não era este o perfil do jogador a procurar. E é esta política de contratações descabida que tanto critico. O Benfica precisava de um médio esquerdo ao estilo do Guardado (o Corunha até desceu de divisão), precisava de jogadores já ambientados a processos semelhantes.

Existem carradas de bons jogadores, mas temos que saber comprar aqueles que vêm ajudar a equipa a ser ainda melhor, ou seja, aqueles que, através das suas características conseguem criar mais condições para que apareçam outros jogadores e para que o conjunto – parte mais importante do futebol – assim funcione como tal. É que, com o Nolito e Gaitán nas alas, depois não se venha dizer que o Cardozo não marca golos, ora.

Estilos diferentes, Nolito já para titular só faz sentido, caso estejamos a pensar alterar o sistema táctico para uma espécie de 4-3-3 ou 4-2-1-3, com extremos trocados e que façam diagonais para procurar o golo. Desta forma, já entenderia a saída do Cardozo, pois precisávamos de um avançado mais móvel, até porque os cruzamentos não iriam ocorrer com tanta frequência. Será esse o caso? Até agora, não me parece.

E não esquecer que precisamos da equipa a funcionar o quanto antes, que vamos perder alguns jogadores por causa da Copa América e que disputamos o acesso à Champions League.

Mas, uma vez mais, o Jesus precisará de tempo para colocar a máquina a trabalhar. Vamos esperar que depois não seja demasiado tarde, tal como aconteceu este ano, quando 19 vitórias consecutivas não foram suficientes para abanar um porto já campeão desde Setembro.

No entanto, quando estiver adaptado, pelo seu estilo e pelo seu instinto para o golo, também tenho a convicção que será menino para nos levantar muitas vezes do sofá/bancada/cadeira, para gritarmos golo, relembrando um pouco as fantásticas diagonais do Simão Sabrosa. Saudades.

Veredicto: Apesar de tudo e pela qualidade do jogador, aprovado.

Terça-feira, 24 de Maio de 2011

Treinador de Teclado

No estádio ou no sofá, todos somos treinadores de bancada. Damos bitaites sobre as substituições, o esquema táctico, a performance individual de cada jogador. Antes da época começar é normal assistir nos blogs e nos fóruns a um montar e desmontar de plantéis. Afinal de contas, todos somos treinadores ou directores desportivos de teclado. «Jogador "x" de reforçar o meu clube, jogador "y" deve sair», por aí adiante. E é isso que faço hoje no blog, lançando o repto para que façam o mesmo na caixa de comentários. Componham o vosso plantel para 2011/2012: digam quem fica, quem sai, por quanto sai, quem vem e por quanto vem. Sabendo que só erra quem arrisca, eis o meu plantel para a próxima época (nota: tenho esta equipa feita desde o dia em que fomos eliminados da Liga Europa, 5 de Maio de 2011).

Permanências: Júlio César, Moreira, Maxi Pereira, Luisão, Fábio Coentrão, César Peixoto, Javi Garcia, Rúben Amorim, Carlos Martins, Nico Gaitán, Pablo Aimar, Franco Jara, Nuno Gomes, Óscar Cardozo.

Empréstimos (principais): Oblak (2ª Liga), Fábio Faria (1ª Liga), Jardel (1ª Liga), Roderick Miranda (1ª Liga ou 2ª Liga), Carole (1ª Liga), Airton (1ª Liga), Leandro Pimenta (2ª Liga), Miguel Rosa (1ª Liga), Ishmael Yartey (1ª Liga), Alan Kardec (1ª Liga).

Saídas: Roberto (6 M), Sidnei (5 M), Marc Zoro (0 M), Luís Filipe (0 M), Jorge Ribeiro (0,5 M), Javier Balboa (0 M), Fernández (1,5 M), Felipe Menezes (2,5 M), Weldon (0 M), Saviola (5 M).

Entradas: Artur Moraes (0 M), Rodriguez (0 M), Ezequiel Garay (0 M, empréstimo), Miguel Vítor (0 M), Stankevicius (2 M), Hassan Yebda (0 M), Miguel Veloso (7 M), Vieirinha (4 M), Danny (7 M), David Simão (0 M), Nenê (5,5 M), Nélson Oliveira (0 M).


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O actual onze titular do Benfica está longe de ser mau. Pelo contrário, é bom. Um dos problemas, por ventura o maior, é a falta de qualidade das "segundas opções". E é por isso que, do actual plantel, comigo só transitavam 14 jogadores, sendo que apenas Moreira, Peixoto e Martins é que fazem parte dessas segundas opções. E há casos que neste momento só por burrice desmesurada se manteriam no plantel. Roberto, por exemplo. Saviola, outro, jogador que nos últimos 7 anos só fez uma boa época. E mesmo Jardel, no qual acredito, mas que precisa de maturar primeiro noutra equipa da Liga, pois parece que deu um salto maior que a perna, apesar de poder vir mais tarde a confirmar a qualidade que aparenta ter. Sidnei é um caso quase perdido de um miúdo com talento mas que não se quer afirmar, preferindo a boa vida ao profissionalismo. Menezes é Menezes, um falso lento, pois parece lento mas na realidade joga parado. Luís Filipe, Weldon, Zoro, Fernández, e Balboa são para vender rapidamente. Para que tenham noção, neste pacote de luxo de cinco jogadores, pouparíamos cerca de 200 mil euros por mês.

Quanto aos empréstimos há dois tipos de jogadores a emprestar: um conjunto formado por atletas mais jovens ou das nossas escolas, como Oblak, Roderick Miranda, Leandro Pimenta e Ishmael Yartey, que ainda têm bastante a provar e que deveriam rodar em equipas com ambições altas na Liga Orangina ou que não quisessem descer a essa divisão, e um conjunto de jogadores com alguma qualidade já mostrada, como Fábio Faria, Jardel, Carole, Airton, Miguel Rosa e Alan Kardec, que deveriam rodar em equipas com ambições europeias ou que ambicionem um lugar sólido na tabela.

Por fim, as entradas. Começando pelos "retornados", Miguel Vítor, Hassan Yebda, David Simão e Nélson Oliveira demonstraram, nos clubes por que passaram, qualidades que justificam a sua integração no nosso plantel: Miguel Vítor jogou poucas vezes na equipa de Eriksson pois esteve lesionado durante boa parte da época, mas sempre que foi chamado cumpriu muitíssimo bem, confirmando o que já tinha mostrado na época de Quique Flores. Alguém se lembra de ver o nosso jogador falhar ou ficar mal num lance em que tenhamos sofrido um golo? Pois. Yebda foi "só" eleito a melhor aquisição este ano em Itália. Preciso dizer mais alguma coisa? Os dois "pacenses" mostraram boas indicações esta época. Mais David Simão, que pegou na batuta da equipa, mas também Nélson Oliveira, com muitos golos decisivos que deram pontos aos pacenses.

A custo zero viriam ainda três jogadores: Artur Moraes, que se confirmou, e que a meu ver poderia lutar pela titularidade com Júlio César; o central peruano Rodriguez, que demonstrou uma serenidade aliada à sua óbvia qualidade durante estes anos de Braga, também em final de contrato, seria uma excelente opção; e por fim o argentino Garay, que já se tinha destacado no Racing, possivelmente por empréstimo do Real Madrid e que não foi opção para Mourinho, que contava com Carvalho, Pepe e Albiol, mas que encaixaria que nem uma luva ao lado de Luisão, por ter características muito diferentes das do número 4. A juntar a estes quatro reforços, um lateral direito suplente de boa qualidade que pertence aos quadros da Sampdoria e que esteve emprestado ao Valencia: o lituano Stankevicius, de 29 anos. Deveria ser possível contratar por 2 milhões, especulo eu.

Por fim, os mais caros: foi visível durante toda a época que faltava um apoio a Javi Garcia. O substituto de Ramires não veio e poderia mesmo ter vindo. Chamava-se Moutinho e foi muito graças a ele que o Porto venceu. A ajuda de Javi Garcia poderia chamar-se Miguel Veloso. Claro que vai aparecer gente indignadíssima na caixa de comentários a dizer cobras e lagartos do Veloso (como disseram do Moutinho na pré-época!!), mas que tem uma qualidade inegável, isso tem. Rui Costa já expressou a admiração que tem pelo filho do ex-colega, que já desvalorizou o suficiente em Génova para ser um alvo não muito difícil para o Benfica. Basta querer. Outros jogadores são Vieirinha e Danny, extremos portugueses que estão no estrangeiro mas que podem dar ao Benfica uma solução que vamos perder com a saída de Salvio: profundidade nas alas. Danny já afirmou que quer sair da Rússia e vai entrar no último ano de contrato, já Vieirinha é mais um dos talentos que o Porto esbanjou. Por fim, um jogador que me chamou a atenção quando defrontou o Benfica esta época: Nenê. É uma espécie de segundo avançado que pode jogar como médio esquerdo, marcando muitos golos por temporada. Fê-lo no Monaco e voltou a repetir a proeza no PSG. Com quase 30 anos, seria uma boa solução a curto e médio prazo para fazer dupla com Cardozo, ou para jogar na ala. Vi alguns jogos do PSG e este jogador não engana, é muito bom mesmo.

Um hipotético onze titular, em 4x3x3, seria isto: Júlio César; Maxi Pereira, Luisão, Ezequiel Garay, Fábio Coentrão; Javi Garcia, Miguel Veloso e Pablo Aimar; Danny, Nico Gaitán e Óscar Cardozo. Suplentes: Artur Moraes, Stankevicius, Rodriguez, Hassan Yebda, Rúben Amorim, Jara e Nenê.

Façam os vossos plantéis.

Fraca estrutura de futebol, faz fraco o forte clube!

Avizinham-se tempos difícies para o clube, começando por Jesus. Campeão na temporada de estreia na Luz, e depois da péssima época que realizou este ano, a margem de manobra do treinador está cada vez mais reduzida. Longe vão os tempos onde a sua figura era unânime entre os adeptos, e esta inversão de pensamento aconteceu em menos de um ano. De facto, perante tudo o que aconteceu recentemente, Jorge Jesus terá que provar aos benfiquistas que soube aprender com os seus erros. Por outro lado, Vieira e seus pares, terão que provar, que desta vez vão fazer os possíveis para dar ao treinador um plantel mais equilibrado, capaz de devolver o clube aos títulos.

Perante a iminente revolução no plantel no que toca a entrada e saídas, será importante perceber como vai Jesus saber lidar com estas mudanças, pois não é fácil montar quase meia equipa da estaca zero. E para haver sucesso nessas mudanças, todas as decisões à volta da equipa de futebol precisam ser bem ponderadas. A saída de jogadores nucleares deve ser evitada a todo o custo, e se acontecerem mais problemas teremos pela frente. A estrutura do futebol precisa estar preparada para dar as condições necessárias para o sucesso, não só ao treinador como aos jogadores, e isso tem falhado nos últimos tempos, e é menosprezado em demasia.

Não é apenas o treinador que garante títulos, nem os futebolistas. O clube não tem tido a capacidade de blindar o balneário e de fazer frente de forma inteligente ao jogos de palavras prinicipalmente com o Porto. Muita gente subestima estes jogos nos bastidores, mas a verdade é que eles são quase tão importantes como o jogo jogado dentro das quatro linhas. Não devia ser assim, mas em Portugal infelizmente é. Faz falta alguém que conheça os meandros do futebol português, que saiba como sabotar o tão falado «sistema». Em vez disso temos contribuído para o fortalecimento desse monstro, como mostra o apoio diria eu patético a Fernando Gomes para a presidência da liga de clubes. Alguém viu Pinto da Costa queixar-se da liga de clubes na época passada? Porque será que esteve ele caladinho que nem um rato? Não me parece difícil de perceber...

Onde quero chegar com isto? Simples. A estratégia do Benfica a todos os níveis tem sido errada, não só no planeamento desportivo, como a combater os vícios dentro do futebol Português. Temos que deixar de dar uma no cravo e outra na ferradura, tudo isto precisa ser repensado. É para isso que a estrutura do futebol lá está, não é para dar entrevistas prometendo mundos e fundos, quando em termos de acções concretas pouco ou nada acontece.

Quando se diz que uma estrutura no futebol forte e bem organizada é meio caminho andado para o sucesso, isso não é apenas um chavão, é uma realidade. E nesse aspecto estamos a uma larga distância do clube que actualmente domina o futebol português. Do presidente e sua direcção, passando pelo treinador e respectivo plantel, exige-se competência. É preciso que todos estejam unidos e com as mesmas sinergias, mas sobretudo que cada um deles saiba exactamente o que tem que fazer. É preciso delinear novas estratégias, que permitam resultados condizentes com o estatuto do clube. Com a actual mentalidade, com a actual desorganização a pirâmide do Benfica ruirá pela sua base novamente, não duvidem.

O exemplo devia partir de nós...

Há uns tempos atrás, o meu colega de blog Joga Bonito relembrou que no dia 4 de Maio tinha passado, exactamente 62 anos após a tragédia com a equipa do Torino, cujo avião se despenhou na Basílica de Superga, na viagem de volta a Itália, regressando de  Lisboa onde tinham estado presentes no jogo de despedida do então capitão do Benfica Franciso Ferreira.

Questionava-se o meu colega escriba, porque o Benfica não arranjava uma forma de homenagear essa grande equipa do Torino, como por exemplo usando um 3º equipamento grená. Pois bem, do Brasil veio o verdadeiro exemplo, o Corinthians vai justamente usar no próximo jogo contra o Coritiba uma camisola grená, como prova de respeito para com o Gran Torino, eles que nada tiveram a ver com a tragédia directa ou indirectamente. Aqui fica a camisola:



Para quando um equipamento alternativo do Benfica nestes moldes?

Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

Poque não investir mais no mercado escandinavo?

O Benfica de uns anos para cá a esta parte, nomeadamente nas últimas duas décadas, tem optado por privilegiar o mercado sul americano, tendo em vista reforçar o plantel. Não nego que existem muitos jogadores interessantes na América do Sul, a um preço na maior parte das vezes mais em conta do que na Europa , nem nunca devemos descurar as observações e o ataque aos bons jogadores que possam despontar nessa zona do globo.

Mas um clube como o Benfica, tem que estar devidamente atento a todos os mercados, e a todas as oportunidades que possam surgir. Não percebo o afastamento do clube no que toca à prospecção nos países escandinavos que sempre nos deram bons futebolistas e exemplos de que se existir critério, podemos encontrar excelentes jogadores nessas paragens. Curiosamente decidimos e bem recentemente, partir para a contratação do lateral direito dinamarquês Daniel Wass, espero que seja um sinal de que voltamos a olhar para países como a Dinamarca ou a Suécia com maior rigor, até porque ao contrário do que se passa em Itália, Inglaterra, Espanha ou Alemanha, o Benfica pode competir economicamente com qualquer clube grande dessas nações.

Os altos, loiros e toscos, principalmente a partir da altura em que Sven-Göran Eriksson ingressou na luz, começaram a ser vistos de uma outra forma, e o clube soube lucrar com o conhecimento do sueco, e a sua persistência em buscar jogadores que podiam conferir à equipa outras coisas que ela não tinha. Desde Glenn Strömberg, passando por Mats Magnusson, não esquecendo Jonas Thern e posteriormente Stefan Schwarz, todos eles marcaram uma era na Luz, e deram muito ao Benfica, não só a nível nacional, como a nível internacional. Porque então, assistiu-se a este eclipse, em termos de apostar em mais valias oriundas da Escandinávia? Confesso que nunca cheguei a perceber.

Certo é que num mercado cada vez mais competitivo, temos de saber nos antecipar, e procurar nos sítios certos, temos que saber variar a nossa prospecção e não exagerarmos na quantidade de sul americanos no plantel. Eu sou daqueles que olha primeiro para a qualidade, e só depois para a nacionalidade, mas também penso que o clube está a exagerar na forma em como quase exclusivamente aposta no Brasil, Argentina ou Uruguai. É só olhar para a história do Benfica desde que os jogadores estrangeiros foram autorizados a competir pelo clube, para percebermos que nem só de samba, tango e afins, se faz uma boa equipa.

Fábio Coentrão é para ficar!


Tenho consciência de que Coentrão é um jogador fantástico, afinal é o melhor lateral esquerdo do mundo, e que por isso vai ser alvo da cobiça de muitos clubes com um poderio financeiro, muito superior ao nosso. Sei também, que há contas para pagar e que o dinheiro não abunda na Luz. Mas se queremos destronar o Porto da posição dominante que ocupa de momento, precisamos do Fábio no Benfica.

Vender? Por mim jamais, um jogador à Benfica não tem preço. Mas se tiver mesmo que acontecer, ao menos que saibam vendê-lo pela sua cláusula de rescisão. Se não querem pagar, seja o Real Madrid, seja quem for, problema deles, ficamos com o jogador. Devia ser esta a atitude do Benfica no mercado para quem perguntasse pelo Fabinho.

Domingo, 22 de Maio de 2011

O pesadelo terminou...

É oficial, a temporada de 2010-2011 finalmente acabou. Quantas vezes não tivemos nós esta sensação nos últimos anos? Contabilizando as últimas 10 épocas, apenas em 2 ocasiões onde fomos campeões nos livramos desta sensação de vazio profundo. Nas outras 8, o sentimento dos benfiquistas foi semelhante ao de agora. Só que esta época ainda foi pior, as humilhações foram muitas, as tristezas tornaram-se assustadoramente reincidentes.

E é neste estado de espírito que vos estou a escrever, esperando que a tendência se inverta, mas é um desejo mergulhado numa espécie de utopia, pois olhando ao passado recente, os sinais não são nada prometedores. Será que é desta, vão questionar-se os benfiquistas na época que aí se avizinha... Não sei responder. A única coisa que sei é que custa muito perceber que o normal no Benfica passou a ser, não ganhar muitos títulos... Desesperante. Até quando?

Que jogadores emprestados devem regressar?

O Benfica tem uma longa lista de jogadores emprestados, algo que aliás devia ser drasticamente reduzido, mantendo apenas aqueles que podem ser uma real mais valia. Entre os jogadores da formação que evoluiram  noutros clubes, está a grande fatia desse bolo. Quais deles podem dar qualidade ao plantel, se é que algum poderá o fazer?

Como vejo as coisas temos nos nossos quadros, jogadores que têm qualidade para constituirem sérias apostas. Miguel Rosa, destaca-se de ano para ano, em todas as equipas que tem jogado, esta época emprestado ao Belenenses, voltou a marcar para cima da dezena de golos. É certo que joga na liga orangina, mas também é certo que merece a oportunidade de pelo menos fazer a pré-época. David Simão, depois do empréstimo ao Fátima, foi colocado no Paços, e a época correu-lhe muito bem. Jogou regularmente, cresceu como jogador, provou que se existir confiança por parte do Benfica, ele pode corresponder. Tanto o Miguel como o David são médios, mas diferentes entre si. David mais cerebral, Miguel com um jogo mais intenso, com um ritmo mais alto.

No mesmo Paços despontou Nélson Oliveira. É verdade que não foi tantas vezes utilizado como o David Simão, mas vê-se que existe ali muita matéria prima para poder ser trabalhada. Alto, jogador móvel na frente de ataque, com faro de golo, terá que na pré-época provar que está no ponto. Miguel Vitor depois do ano passado em Leicester, devia regressar e ser parte integrante da equipa. No entanto não está nas boas graças de Jesus, e o próprio jogador e com razão, quer voltar se contarem com ele a sério... Urretavizcaya, é outro caso mal explicado. Tem imenso talento, já demonstrou no Benfica que tem valor, joga numa posição em que o clube não tem muita abundância de opções, o que falta para llhe ser dada nova oportunidade?

Existem outros jogadores que podem ser referidos, como Oblak, Yartey ou João Pereira, mas para mim são aqueles que mencionei que merecem nesta altura ser considerados para integrar o plantel principal. E para vocês, quais os jogadores emprestados que devem regressar?

Sábado, 21 de Maio de 2011

Olho na Águia: Artur Moraes


Artur Moraes, é um guarda redes de 30 anos contratado pelo Benfica ao Sporting Clube de Braga, clube onde chegou no início da temporada passada, proveniente da Roma de Itália. Não foi uma passagem com muito sucesso no clube da capital italiana como mostram os 12 jogos realizados entre 2008 e 2010. A concorrência foi sempre muito apertada, com os outros dois brasileiros, Doni e Júlio Sérgio.

Moraes começou a sua carreira como profissional no Cruzeiro de Belo Horizonte em 2003 e manteve-se sob contrato com o clube da Raposa até 2007, e não se pode dizer que tenha sido um indiscutível, já que em 3 épocas disputou 43 jogos. Aliás na época de 2006-2007 foi mesmo emprestado ao Coritiba, permanecendo na Coxa até expirar o seu vínculo com o Cruzeiro. Foi nessa altura que emigrou para Itália rumo ao Siena, sendo rapidamente emprestado ao Cesena e ali jogou a segunda metade da temporada de 2007-2008. Acabada essa temporada, atraiu a atenção da Roma que o contratou ao Siena, sem ele ter realizado um único jogo pelo clube. O resto é história.

A medida que ia escrevendo o parágrafo anterior, fui ficando cada vez mais preocupado, pois apercebi-me que a carreira de Artur Moraes até ao momento tem sido marcada pela indefinição, mais do que qualquer outra coisa. É preocupante olhar para ele, e entender que aos 30 anos de idade, não se conseguiu impor de forma categórica em nenhum clube e que tem vagueado de equipa para equipa. Chega ao Benfica depois de 6 meses de Braga, pelo que pergunto: Não estaremos aqui a cometer o mesmo erro que cometemos com Roberto quando o avaliamos por 6 meses em Zaragoza? A diferença é que Artur chega a "custo 0"...

Depois de Felipe ter ido para o Flamengo, Artur Moraes conquistou a titularidade no Minho, e há que o reconhecer realizou, boas exibições, constituindo-se como uma mais valia na equipa bracarense. Mostrou ter bons reflexos entre os postes, alguma serenidade nas horas de pressão, propensão para sair-se fora dos postes de forma mais ou menos assertiva e um bom jogo de pés. Chega para o Benfica? Não estou convicto disso, o que eu vi foi insuficiente para eu poder dizer sem dúvida alguma de que acertamos em cheio nesta contratação. Não o consigo afirmar e mais uma vez acho que falhamos no perfil de guarda redes a contratar.

Quando eu outras vezes referi que seria melhor chegar um guarda redes experiente, estava a presumir de que ele tivesse isso mesmo, muita experiência de jogo, e que a sua qualidade tivesse sido comprovada ao mais alto nível. É o caso de Artur Moraes? Não. É uma completa incógnita o que se poderá passar no futuro, e cada vez menos percebo o critério do Benfica no ataque ao mercado no que toca a esta posição específica. Percebe-se que depois do esbanjamento de dinheiro em Roberto, que era preciso face à sua intermitência, encontrar uma solução económica e fiável. Económica será, mas garantia de fiabilidade? Não há quem o possa garantir, se calhar nem o próprio jogador.

Veredicto: No fio da navalha.

Salvio, Madrid e Benfica

Finda a temporada, Salvio regressa à capital espanhola para debelar a lesão contraída em Eindhoven e dá (terá dado?) uma entrevista ao site oficial do seu clube, o Atlético de Madrid, dizendo que queria ganhar um lugar nos colchoneros na próxima época. Isto não foi inventado pela imprensa portuguesa nem pelos mauzões dos blogs que não dizem "sim" a tudo o que a direcção do Benfica lhes impõe, etc. Isto li eu e podem ler vocês mesmos aqui.

Entretanto Salvio desmentiu a entrevista dada ao site oficial do próprio clube. Das duas uma: ou o autor da notícia do clube de Madrid mentiu, algo que me custa a acreditar, eu pelo menos não imagino que se faça uma coisa destas no site do Benfica, ou o jovem Salvio, fruto da inexperiência de 20 anos de vida, quis agradar a gregos e troianos, dizendo a uns que queria ficar com quem lhe paga o salário e a outros que queria ficar com aqueles que tinham sido a sua casa em 2010/2011. Vou mais pela segunda hipótese.

Mas sobre Salvio mantenho o mesmo que disse desde o seu primeiro dia de Benfica, o mesmo que aprendi com os empréstimos de Miccoli, Reyes e Suazo: é bom, é caro e não vai ficar no Benfica. Infelizmente parece-me que será assim. É jovem, tem um salário muito elevado, é hispânico e pode optar por um clube de uma liga periférica onde se geram gigantes expectativas e onde os títulos escasseiam e a frustração abunda ou por um clube da melhor liga do mundo, com dos melhores jogadores do mundo, que compra jogadores ao Benfica e que, apesar de não ganhar títulos, tem uma Supertaça Europeia e uma Liga Europa ganhas no ano passado.

A mim parece-me óbvio onde vai jogar em 2011/2012 desde o dia em que chegou ao Benfica. Se não demos os 6,5 milhões pelo Reyes vamos dar os 10 ou 15 pelo Salvio? Não vamos nem podemos.

Eu bem avisei... #4

«Olho para a baliza com Júlio César e sinto tranquilidade e serenidade no sector defensivo. Atendendo à quantidade de jogos importantes até final, a solução pode passar pela troca de guarda-redes quer seja por premiar a qualidade de Júlio César que contrasta com a inconstância de Roberto, quer seja por um aspecto meramente mental e que sirva para abanar com a equipa, tal como Trapattoni disse e fez em 2004/2005 com os efeitos conhecidos.»

in Ainda há muita época por disputar. O que fazer?, 5 de Abril de 2011

«Não aprendem à primeira, nem à segunda nem há de ser à terceira. Depois do suicídio que foi o mercado de Janeiro de 2007, com a venda de Ricardo Rocha, voltamos a cometer um erro enorme e ridículo. Porque eu lembro-me bem da conversa que "ah, o que temos a ganhar nesta época de 2006/2007, que é a Taça de Portugal e a UEFA, também fazemos sem o Rocha". Pois foi: eliminados na Póvoa, com o Espanhol no auge da birra do Anderson e perdemos o campeonato por 2 pontos depois de uma magnífica recuperação. 2 pontos que podiam ter sido ganhos em Aveiro (por culpa do Anderson), na Luz contra o Porto ou noutro lado qualquer.»

in David Luiz no Chelsea, 25 de Janeiro de 2011


Tem a sua piada e não tem graça nenhuma. O Benfica poderia ter estado em Dublin no dia 18 de Maio de 2011 caso estes conselhos tivessem sido seguidos à risca. Na Luz, o cabeceamento de Vandinho entra mais perto do centro da baliza que do poste, em Braga, o anão Custódio bateu o substituto de David Luiz nas alturas. Pim, pam, pum. Só de pensar que ainda há gente que consegue defender que Roberto é o guarda-redes ideal para o Benfica e que a vinda de Jardel, com ou sem Sidnei a titular, iria suprir a saída de David Luiz... meu Deus. Isto não é presunção, isto é apenas a comprovação de que um leigo não conotado com qualquer movimento e que não tem qualquer ambição em ter um cargo ou um tacho no Benfica acerta mais que o presidente, que não consegue adivinhar o que se vai passar.

Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

Carta aberta a Rui Costa

Caro Rui, lembro-me de ver-te caminhando pelo antigo estádio da luz eras ainda um miúdo, com um brilho nos olhos, por respirares aquele ar de Benfica. Lembro-me de ver-te regressar do empréstimo ao Fafe e rapidamente espalhares magia no relvado da Catedral. O terceiro anel começava a admirar os teus passos, a perceber que aquele rapaz tinha qualquer coisa de especial, ainda por cima vinha do nosso sangue, das nossas escolas, era um de nós. Valdo tinha antecipado que o seu substituto eras tu caro Rui e não se enganou.

O perfume do teu futebol conquistou a todos, benfiquistas mas não só, não tardaria, estarias a partir para outras paragens, pois o teu talento era demasiado grande para ficar confinado ao nosso pequeno Portugal. Os tempos eram difíceis, o clube passava por graves dificuldades financeiras, e não me esqueço de que foste para a Fiorentina, porque estes davam mais dinheiro ao Benfica, deixando para trás o Barcelona. E a partir daí fizeste uma bonita carreira, sendo o nosso orgulho. Cada assistência para golo era pura magia, cada golo por ti marcado, fazia aumentar a eterna saudade que por ti sentíamos. Era uma mera questão de tempo até regressares a casa, todos tivemos essa noção, desde a noite em que choraste na Luz por teres marcado um golo pela Fiorentina ao teu Benfica, e mesmo assim foste ovacionado em peso pelos sócios e adeptos. O cordão umbilical nunca tinha sido cortado.

Regressaste, e terminaste a tua carreira junto dos teus, aplaudido por quem sempre te adorou, por quem sempre te quis bem. Assim são as verdadeiras famílias, nunca se esquecem dos seus membros, mesmo que eles estejam muito tempo distantes uns dos outros. Mas não era altura para saudosismos, não havia margem para eternas despedidas, afinal o Rui continuaria no clube, assumindo uma pasta de grande importância como é o cargo de director desportivo, e uma vez mais os benfiquistas estiveram contigo, acreditaram em ti, deram-te o benefício da dúvida. Olhamos para o Rui Manuel Costa e queríamos crer que podias ser a personificação perfeita dos verdadeiros valores benfiquistas, que irias transportar a classe dos relvados para o exercício das tuas funções. A maioria de nós tinha esperança que tivesses competência para o cargo apesar da tua inexperiência natural nessas andanças.

Os primeiros tempos não foram fáceis, conseguiste trazer jogadores de enorme categoria para o clube, entre eles Pablito Aimar, mas a escolha do treinador (Quique) não foi a mais correcta. A época de estreia no cargo não teve um saldo positivo. Tudo bem caro Rui, quem nunca errou que atire a primeira pedra, nem Roma foi construída num só dia. Mas pouco a pouco, fomos percebendo que foste ficando afastando das decisões à volta da equipa de futebol, foi ficando claro aos olhos de todos que o senhor presidente chamou a si muitas das tuas responsabilidades, e que ficaste na sombra, mais distante, como que apenas fosses um Às de trunfo para tempos que pudessem ser mais negros. Desde a entrada de Jorge Jesus que assim tem sido.

E eis que chego ao ponto crucial desta minha carta dirigida a ti, caro Rui. Porque não te revoltas contra o actual estado de coisas, tu sofres como um de nós, porque então ficas recolhido e protegido num cargo que nesta altura é alegórico? Porque assistes sem reacção à deturpação dos valores que um dia fundaram este clube, porque ficas impávido e sereno, observando um Benfica a distanciar-se cada vez mais daquilo que devia ser o seu rumo, as vitórias???!! Deixa-me dizer-te ídolo, hoje estou triste contigo, hoje olho para ti e não vejo aquele brilho nos olhos de quando eras miúdo. Não leves a mal o meu desabafo, caro Rui, afinal as famílias também têm que saber lidar com o desapontamento e com a frustração. As famílias não servem apenas para os momentos bons. E hoje meu amigo, sou sincero, tenho que dizer-te que estou desiludido contigo, que esperava mais de ti.

Tempo de reflexão: Do presidente aos adeptos - Parte II

Tal como prometido na minha última publicação e após termos apurado o trabalho do senhor presidente Luís Filipe Vieira, avancemos então para uma reflexão sobre o Director Desportivo, que é só o meu grande ídolo de infância e de provavelmente mais de 60% dos leitores da minha geração.

Logo, confesso que tenho muitas dificuldades na escolha das palavras para avaliar o desempenho do Rui Costa. Mas apesar de gostar muito dele uma coisa eu tenho a certeza. Gosto mais do Benfica. E por um bem maior, é necessário que todas as responsabilidades sejam apuradas. Dito isto, pergunto: Que faz Rui Costa no Benfica? Protege o técnico e os jogadores? Blinda o balneário para o exterior? Controla os nossos jovens emprestados? Porque é que ouvimos o Rodrigo e o Yebda a se queixarem que não são acompanhados? Contrata jogadores? Bem, na sua primeira época de director teve influência directa no Aimar, no Reyes, Amorim e no Suazo, pelo menos. E na segunda também alguma terá tido no Saviola e no Javi Garcia, pelo menos.

Independentemente de alguns não terem demonstrado todo o seu valor como desejaríamos, eram todos bons e reputados jogadores. Mas já se percebeu que tem rédea curta no Benfica e já vem do ano passado. Que se passou para que o Rui Costa tenha sido colocado à parte para andar o presidente a tratar da pasta de futebol e respectivas contratações? Porque é que os nossos jogadores entram a perder no dragão enquanto o adversário na Luz entra como se estivesse a ganhar? Porque razão estas diferenças abismais de mentalidade, quando nós somos o Sport Lisboa e Benfica? Porque é que a estrutura não incute disciplina, uma cultura vencedora e ambiciosa?

Mas pior do que isto tudo, como é que admite que o presidente em várias entrevistas o menospreze dando a entender que este não manda nada, como é que aceita ser afastado desta forma mas por ali continua? Pouco mais tenho a reflectir sobre o Rui Costa, sendo que se apodera de mim uma grande frustração por estes comportamentos.

E com isto, passamos para o técnico principal. É conhecida a minha tendenciosidade para com Jorge Jesus. É um técnico que trouxe ideias e métodos novos, que trouxe mais ambição e um estilo bem mais atacante e que me conquistou logo de inicio. Futebol de ataque, bonito e com grandes exibições. Um ano de sonho, seguido de um ano frustrante e de pura desilusão.

Já muito escrevi sobre o Jesus (recordo aqui) mas pouco ou nada apurei as suas responsabilidades. E também as tem.

Comecemos pela táctica. Praticamente todos os treinadores têm uma táctica preferida. Mas a táctica do Jesus já provou ser bem sucedida o ano passado. O problema foi termos perdido jogadores muito importantes e não termos contratado aqueles que este pediu para substituir possíveis saídas de titulares, preferindo-se antes uma aposta em jovens para que o técnico os lapidasse, para crescerem. Mas quantas vezes o Jesus referiu em entrevistas que não achava ser uma boa ideia esta situação, que mais parecia que queriam que ele treinasse uma equipa de juniores? Um médio de equilíbrios no meio campo e um desequilibrador eram posições chave no seu sistema!

Só que, se o Jesus pegou em diamantes brutos como o Gaitán e o Salvio, e os conseguiu lapidar a médio prazo mas com prejuízos na tabela classificativa, já após as lesões de Amorim e até do Sálvio, não poderíamos querer que este pegasse em carvão e transforme em ouro. Existem muitos jogadores da nossa segunda linha que não estão ao nível do Benfica.

Mas mesmo assim, tivemos uma fase em que obtivemos 19 vitórias consecutivas!

Para mim, a principal responsabilidade é claramente directiva. Bastava que a estrutura fosse séria, contratasse bem e soubesse incutir nos jogadores outra responsabilidade e cultura. Como acontece lá para cima, onde o Fernando Santos foi penta campeão e o Jesualdo tricampeão. Cá ganharam zero. Só estes dois conseguiram oito títulos e nós temos um presidente com quase dez anos de Benfica e que conquistou apenas dois campeonatos. Meus amigos, já existem jovens que já viram o porto ganharem mais títulos internacionais que o Benfica o campeonato nacional.

Voltando ao Jesus, se por um lado, temos uma boa filosofia de jogo, ofensiva, ao contrário de muitos treinadores que tivemos e que jogavam na retranca, por outro lado, este tem que gerir melhor os jogos, saber gerir melhor os nossos jogadores, para não os arrebentar desnecessariamente. Gerir a vertente física é importante principalmente porque hoje em dia todos os clubes trabalham no máximo.

Também tem que melhorar a rotatividade da equipa. Todos os grandes clubes sabem gerir esta situação e não é passar do 8 para o 80 ou vice-versa. É errado quando se diz que os grandes clubes não rodam, pois, pelo que vejo, rodam, mas com qualidade e sem excessos. E para além dos índices físicos, também ele tem alguma culpa no aspecto mental dos jogadores.

Outra situação que me causa uma tremenda confusão são as nossas bolas paradas, quer as defensivas quer as ofensivas. A meu ver, o ano passado éramos fortes nas bolas paradas ofensivas mas este ano ficámos aquém das expectativas. Muitos cantos são mal cobrados e até vejo benjamins ou infantis do Benfica a cobrarem melhor. Não faz sentido jogadores profissionais do Benfica não conseguirem colocar a bola com mais força e na zona alvo.

Depois temos as bolas paradas defensivas. Bem, custa ver o número de golos que sofremos. A marcação à zona completamente arcaica, os defesas nem saltam, existem erros por todo o lado. Formam uma espécie de um “L”, vê-se que é estudado e trabalhado mas não funciona. É então mal estudado, é mal trabalhado, é preciso encontrar outra solução pois são visíveis as falhas.

De seguida temos a aposta no Roberto. Para muitos este foi o grande responsável pelo fracasso do Benfica mas eu acho isso um tanto abusivo e exagerado. É verdade que teve uma grande influência, isso é indesmentível. Mas até o Roberto estabilizou significativamente após o penalty frente ao Setúbal. Também ele teve grandes exibições na Liga Europa e contribuiu positivamente para a série de 19 vitórias consecutivas. Mas também é verdade que depois foi abaixo novamente, quando já parecia ter superado a sua fase negra.

Jesus terá tido alguma culpa por ter sido teimoso? Por não ter apostado no Júlio César ou no Moreira, dando alguma justiça e a possibilidade aos outros de lutarem pela titularidade, ao mesmo tempo que poupava e protegia o aspecto mental do Roberto? Talvez, compreendo esta perspectiva. Mas também não é menos verdade se disser que os outros dois guarda-redes não só apresentam os mesmos defeitos que o Roberto, como também são piores que este. E o Roberto parecia ter margem para evoluir e aprender, desde que melhorasse alguns aspectos menos bons no seu jogo. Mas isso assim não aconteceu. Daí que me leva a questionar o trabalho desenvolvido ao longo do ano do treinador de guarda-redes, pois tanto o Júlio César como o Roberto mantêm as mesmas lacunas de sempre nas saídas aos cruzamentos. E as bolas paradas defensivas, claro, ajudam à festa.

E, por ultimo, em termos tácticos. As nossas transições ofensivas não são más mas também não são tão sustentáveis como gostaríamos de ver. Principalmente a ganhar, o conjunto tem que saber controlar o jogo com bola, o Benfica tem que saber jogar de outra forma e aqui a teimosia do Jesus em dizer que só sabe jogar “prá frente”, chateia. Se não sabem, pois aprendam, mas é determinante e vital que hoje em dia se saiba gerir o resultado, o ritmo do jogo e a intensidade do mesmo. E depois, o problema fulcral, a falta de um médio de equilíbrios. Jesus bem inventou um César Peixoto mas este não foi solução. Mudando-se ou não a táctica, precisamos de um box-to-box, um médio interior ou um médio defensivo que saiba sair a jogar. Alguém que seja um auxiliar de Javi Garcia.

E esta situação foi bem visível nas nossas transições ataque-defesa, após a perca da bola. É ridículo não ver os elementos mais próximos a fecharem o espaço, a permitirem linhas de passe, mas ainda é mais ridículo ver uma defesa que antes, com o David jogava uns metros mais subida no terreno, em bloco alto, e hoje joga uns bons metros mais recuada e que depois o Javi, ao não ter alguém que o equilibre, acabe por se colar à defesa, abrindo um fosso aproximadamente de 30 metros no nosso meio campo. Esta situação só se tornou mesmo um problema com as lesões do Salvio e do Gaitán, pelo que penso que Jesus não permitirá que para o ano suceda novamente.

Apesar destes erros, mantenho a minha confiança no Jorge Jesus. Sei que também existe muita coisa boa para se falar e sei que realmente percebe de futebol como poucos. O Benfica tem uma forma de jogar boa, e que poderia ser facilmente melhorada, pois o mais difícil está feito.

Como disse em cima, se Jesus tiver diamantes, ele lapida. Não consegue é transformar carvão em ouro, como penso que o senhor presidente gostava de ver, ou seja, ir buscar jogadores em evolução e que dão comissão, para o Jesus ainda os vender melhor no futuro.

O Benfica neste momento parece uma espécie de clube criador de jogadores para revenda.

Citando um caro amigo, “o técnico tem que tentar engordar os pintos, para chegarem rapidamente a franguitos e serem despachados. Este está farto de dizer que foi uma das coisas que lhe pediram.”

E esta situação explica que se insista com o Kardec e outros, em detrimento de jogadores que, obviamente dariam muito mais rendimento, como o Nuno Gomes.

Na minha próxima publicação apurarei as responsabilidades dos nossos jogadores, através de uma análise individual.

E uma acção judicial contra o jornal Record?

Primeiro a insistência em Santiago Garcia mesmo depois do desmentido. Depois Couceiro, a agressão a Aimar e agora Octávio Machado. O jornal Record tem passado das marcas. Sistematicamente. É assistir a mentiras atrás de mentiras todos os dias. E o Benfica assiste impávido e sereno a esta situação. Não percebo como pode haver alguém que consegue comprar aquele pedaço de trampa jornalística, onde se mente descaradamente e, pior, deliberadamente ao estilo de uma qualquer revista do jet-set português. Não será possível que o Benfica apresente uma queixa à ERC ou que parta com uma acção judicial contra o pasquim em si ou contra alguns jornalistas em particular?

Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

Ataquem o mercado, mas com critério. Eu ajudo!

Analisando o actual plantel, parece-me evidente, sem contar com a saída de jogadores nucleares, e mantendo o actual sistema táctico, que precisamos de equilibrar o plantel em posições chave. Começando na baliza. Nenhum dos actuais guarda redes oferecem totais garantias, e o investimento ruinoso feito no Roberto, devia ser um exemplo de como não se deve abordar o mercado. Não só o preço foi completamente disparatado, como o perfil de jogador a contratar deveria ter sido outro. Não cometam por favor o mesmo erro com Artur Moraes... que pode chegar ao clube também após "brilhar" seis meses no Braga, como um dia Roberto "brilhou" no Zaragoza. Para memória futura.

Continuando, é fundamental renovar com Maxi, e é necessário também dar-lhe concorrência à altura. Fala-se que Daniel Wass, pode ser reforço, e pode realmente ser uma boa solução. O que não pode acontecer é termos apenas um jogador fíável para a lateral direita. Olhando para o centro da defesa, salta à vista a carência de um jogador que possa assumir-se como uma verdadeira mais valia ao lado de Luisão, já que Sidnei tarda a impor-se e Jardel parece-me ser uma alternativa directa ao «Patrão», e que não complementa-se como deveria com ele a titular. Alguns de vós podem pensar em Miguel Vitor, mas duvido que com Jesus tenha nova oportunidade de integrar o plantel e duvido também que ele se contente em ser segunda ou terceira opção.

No meio campo está a chave do nosso sucesso ou insucesso. É imperial a contratação de um jogador que possa fazer de interior a frente de Javi, equilibrando a equipa, para além de Amorim, coisa que deixámos de ter após a saída de Ramires. Não podemos atacar uma época e os jogos decisivos, sem jogadores para o «miolo» que sejam capazes de oferecer tracção àquela zona, pressionar seja no momento defensivo, seja no momento ofensivo. Esse foi um dos grandes défices do Benfica de 2010/2011. Para além disso, é preciso assegurar Salvio e fazer retornar Urreta e dessa forma as nossas alas em termos de capacidade de desequilíbrio ficam muito bem servidas quer em qualidade, quer em quantidade, ainda para mais é muito provável que Nolito, actual jogador do Barcelona B chegue ao clube.

No ataque, é fundamental assumir o facto de que Kardec não pode ser opção para substituir Cardozo, ou ser alternativa directa a ele, pelo que a entrada de pelo menos um jogador com essas características que dê reais garantias é urgente, mas não só. O eclipse de Saviola, deixou-me com muitas dúvidas sobre se não será prudente pensar em mais um jogador normalmente denominado de «avançado móvel», e acho que a possível entrada de Rodrigo Mora será pensando nisso mesmo, contando também com a afirmação de Franco Jara, que tem tudo para ser um grande jogador. Detectar os verdadeiros problemas da equipa, é o primeiro passo para poder melhorá-la e na época passada tal não foi feito. Esperemos que a história seja agora distinta.

Acordem caramba, ACORDEM!!!

Ezequiel Garay.


Defesa central argentino do Real Madrid que está listado pelo clube espanhol para empréstimo ou transferência. Actua pelo lado esquerdo do centro da defesa e seria, a meu ver, o complemento ideal para Luisão já que é rápido e com um sentido posicional magistral. Não joga em Madrid porque Mourinho prefere o Pepe e o Albiol, mas não será certamente por falta de qualidade.


Fala-se que o Sporting pretende contratá-lo. Terá o Presidente arte e engenho para ir a Madrid contratar um jogador que não seja um valente flop como Roberto e Balboa? E, consequentemente, honrar uma bonita tradição inciada com Saviola e Salvio? Porque, acima de tudo, precisamos de um grande central!

Reflicta comigo senhor presidente...


Está a ver essa camisola que está a segurar senhor presidente? Trate de a respeitar. Trata de a honrar, de fazer com que ela se mantenha fiel aos pregaminhos do passado. Hoje estou triste, triste por perceber que o meu clube está entregue à sua sorte, com uma liderança sem rumo, incapaz de fazer frente ao seu maior rival das últimas 2 décadas. Hoje é o dia em que acordo para um terceiro troféu europeu do foculporto em 10 anos. Têm eles mais conquistas europeias nesse período que nós campeonatos ganhos.

Isto doi senhor presidente, isto magoa cá no fundo, tira-me anos de vida. Favor de devolver o meu Benfica à sua grandeza, favor de deixar os discursos bacocos no lixo, não queremos mais palavras, queremos acções, queremos organização, competência, amor ao clube. Não queremos um espectáculo circense, cheio de encenações, de fumos sem fogos, não queremos mais um mar de ilusões, mais areia para os nossos olhos.

Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

Vocês sabem de quem é que eu vou falar

Chama-se Octávio Machado, é agricultor e a imprensa avança a possibilidade de se tornar uma espécie de Ministro Sem Pasta do Sport Lisboa e Benfica. Não sei se hei-de rir ou de chorar com uma notícia destas. Se acham que o problema do Benfica é a ausência de um departamento de comunicação, desenganem-se, porque temos um. Infelizmente está amordaçado e vá-se lá saber porquê o presidente não autoriza que esse departamento faça uso da palavra quando é mais necessário. João Gabriel já deu inúmeras provas no passado de que é suficientemente competente para desempenhar a função, tendo cometido alguns excessos de linguagem por mais que uma vez, mas sempre em defesa do Benfica. Para quê Octávio Machado, mesmo?

É benfiquista? Óptimo. Também se fosse sportinguista ou portista já ninguém dava pela diferença. Acho que se viesse, com a manutenção de Rui Costa, iria ser o nosso "Couceiro". Esta figura do "disciplinador implacável" faz-me um bocado de confusão: então os jogadores não são suficientemente adultos e tanto o treinador como o presidente não têm mão nesta gente?

Como vai ser logo à noite?


Ganhas tu ou ganho eu?



(nota: à esquerda, o sócio do FC Porto, à direita o sócio do SC Braga)

Hoje não ligo a TV...

Hoje disputa-se a final da liga europa, e será um dia onde prometo-vos em que não ligarei a tv. É demasiado penoso para mim assistir a um jogo que o Benfica podia e devia ter feito parte, é uma facada no coração perceber que ainda não foi desta que o meu clube voltou a atingir a final de uma competição europeia, coisa que para o Benfica torna-se cada vez mais difícil...

Espero que os dirigentes do meu clube consigam sentir o mesmo que estou a sentir, porque se isso acontecer, com certeza esta vergonha de estarmos à margem das grandes decisões em cenário idêntico, será devidamente precavido no futuro. Perdemos uma oportunidade única de voltarmos a fazer história, em vez disso teremos que ver os outros a desbravar esse terreno. Gostaria de acreditar que as pessoas dentro do meu clube estão a trabalhar com competência, estão a planear a próxima época com critério. Gostaria de acreditar, mas a verdade é que não acredito. Provem que estou errado, por favor...

Terça-feira, 17 de Maio de 2011

Deve Jesus manter o 4-1-3-2?

Terminada que está a temporada, poderemos tirar algumas ilações sobre tudo o que entretanto se passou. Decidi questionar-me sobre se é pertinente ou não Jesus manter o actual sistema táctico. E cheguei à conclusão de que tudo dependerá dos jogadores que tiver ao seu dispor para atacar a nova época.

Fomos campeões com Jesus no seu 4-1-3-2, mas tinhamos os jogadores ideais para interpretar esse sistema. Por um lado um Di Maria no meio campo, que dava profundidade, capacidade de explosão e imprevisibilidade ao jogo do Benfica, por outro existia um Ramires que era o segundo médio de equilíbrios a frente de Javi, fundamental na forma como conseguia equilibrar a equipa, seja a defender, seja atacar. Estes dois jogadores em conjunto conseguiam exercer uma pressão alta sobre a posse de bola do adversário, o que permitia recuperar rapidamente o esférico, e jogar muitas vezes em função dos seus erros. Era o chamado "rolo compressor".

No entanto tudo mudou nesta época que findou. A temporada foi mal planeada, os jogadores que sairam, não foram devidamente substituídos, e era claro com o decorrer da época de que Jesus não tinha os jogadores certos para a sua táctica habitual. Sem um Ramires para conferir os equilíbrios à equipa e com um Amorim constantemente lesionado, o nosso treinador optou ainda assim por não dar o braço a torcer e impor o seu sistema aos jogadores embora com algumas variações, em vez de fazer o inverso. Gaitán e Sálvio nas alas, com um Javi por detrás, pode resultar contra a maior parte das equipas da liga portuguesa, mas não contra adversários mais fortes, capazes de engolir literalmente o nosso meio campo. O Porto foi o exemplo mais óbvio de como isso infelizmente aconteceu. Um Javi entregue à sua sorte, por mais bom jogador que seja e é, não consegue de forma alguma apagar todos os fogos.

Poderia aprofundar mais o tema, mas acho que a ideia base já está lançada, o 4-1-3-2  para resultar, precisa das unidades certas para os lugares certos, e estou a rezar para que isso aconteça, já que se alguma coisa Jesus demonstrou na anterior temporada foi uma incapacidade gritante para adaptar as qualidades dos jogadores a outra táctica. Sendo assim pergunto, deve ele insistir neste sistema ou era boa ideia ter uma outra filosofia de jogo?

Impasse





Os sinais são por demais evidentes. Maxi Pereira quer continuar na Luz. Resta saber por que motivo, quatro anos após o seu ingresso no clube, ainda não teve nenhuma revisão de contrato. Desde o primeiro dia tem sido um profissional aplicado, tornou-se figura importante do onze na segunda temporada e é titular indiscutível há já 3 anos. Vai iniciar a quinta época de águia ao peito e em Janeiro de 2012 será um jogador livre de assinar por quem quiser a custo zero. Será que os incompetentes que pululam nos corredores do Estádio têm essa noção?

Não me venham com tangas do empresário dele ser um mauzão e coiso e tal. Maxi já disse que quer continuar no Benfica e está à espera de uma proposta que ainda não lhe chegou às mãos. Mais: se o Benfica não vai renovar com o internacional uruguaio, é porque não quer. E se não o faz devido ao empresário Paco Casal, os nossos dirigentes deveriam ter vergonha na cara de negociarem com outros chulos e de se sentarem com eles ou pernoitar nos seus hotéis, se é que me faço entender. Quero ver Maxi por muitos e bons anos no Benfica e não há desculpa para que tal não aconteça.

Eu bem avisei... #3

Sem querer questionar o seu valor, esta contratação, apesar de poder vir a ser útil no futuro, não acrescenta, a meu ver, nada de novo ao actual leque de defesas do nosso plantel, pois não acredito que Miguel Vítor (que foi sempre titular nos sub-21 ao contrário de Fábio Faria) seja inferior em nada.

in Fábio Faria, 17 de Julho de 2010

[Sobre Rodrigo] Não percebo qual é a razão para gastar seis milhões de euros num avançado que, mesmo podendo ser bom, não vai entrar de caras no onze, provavelmente nem no banco se vai sentar e que vai acabar por tapar um talento da formação chamado Nélson Oliveira. [...] Por isso, qual é o interesse em gastar seis milhões de euros no "enésimo" ponta-de-lança? Se calhar era mais útil contratar um defesa-direito que fizesse concorrência a Maxi, ou um médio esquerdo, não?

in Seis é bom, sete não será demais?, 31 de Julho de 2010

Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

Olho na Águia: Bruno César


Bruno César é um jogador contratado pelo Benfica ao Corinthians de São Paulo. Trata-se de um médio ofensivo de 22 anos, que joga predominantemente na posição vulgarmente chamada de playmaker. Bruno César começou por destacar-se no campeonato Paulista no Nororeste em 2009, onde chamou a atenção do Santo Andre, clube para onde viria a transferir-se nesse mesmo ano. E foi também após um grande campeonato paulista onde o Santo André sagrou-se vice-campeão que despertou a cobiça do timão, que apostou imediatamente na sua contratação.

Não tardou muito a ter grande impacto no Corinthians, a sua afirmação foi rápida e contundente, como mostra a sua campanha no brasileirão de 2010, onde foi nada mais, nada menos do que o melhor marcador da equipa com 15 golos em 34 jogos disputados, números capazes de fazer inveja a muito ponta de lança. Foi sem surpresa que após o término do brasileirão foi considerado a revelação brasileira de 2010 e o craque do campeonato.

Possuidor de excelente técnica, boa visão de jogo, alia essas qualidades a uma capacidade de finalização assinalável, o que lhe permite marcar muitos golos, como demonstra o registo acima referido. Não fosse suficiente e tem uma facilidade de ser decisivo nas bolas paradas, o que no futebol contemporâneo é sempre uma qualidade extra que qualquer equipa procura num jogador. Tacticamente falando e jogando sem bola, precisa de evoluir, e Jesus terá consciência disso mesmo, no entanto é um jogador inteligente, logo não será difícil para ele assimilar as naturais diferenças entre o futebol praticado no Brasil e o futebol praticado na Europa, bem como os métodos de trabalho do seu futuro treinador.

Onde pode melhorar? Na forma como algumas vezes corre muito mas mal, na ânsia que tem de ir à todas as bolas (daí a conotação com Tevez), ou seja, precisa dosear melhor a forma como analisa o jogo sem bola, por vezes perde o discernimento necessário uma vez recuperada a posse do esférico, resultado do cansaço que teve no momento anterior do jogo. Melhorou no entanto nesse aspecto, a partir do momento em que tornou-se um indiscutível no Coringão, talvez porque conquistou o seu espaço e porque sobretudo amadureceu sob o comando de Mano Menezes (actual seleccionador brasileiro), que soube olhar para o jogador e atacar os seus pontos menos fortes. Com Tite não foi bem assim.

Dito isto, é importante referir que não é um tipico médio ofensivo brasileiro, ou seja, não estamos a falar de um jogador que joga à sombra da bananeira, dormindo no pedaço, que tenha falta de intensidade de jogo, que seja molengão. Esta minha referência serve para afastar qualquer receio, que alguns benfiquistas possam ter deste jogador poder ser um novo Felipe Menezes. Nada a ver, Bruno César é infinitivamente melhor não só nesse aspecto, como em todos os outros. É um jogador aguerrido, que raramente está parado no campo, que joga a um ritmo alto e que está sempre em constantes movimentações, com um futebol muito adulto e diria eu europeizado, é aquele jogador que quando tem a bola tem processos rápidos, joga bem ao primeiro toque, curto ou longo, razão pela qual prevejo que não seja necessário, grande período de adaptação, como habitualmente costuma acontecer aos jogadores provinientes da América do Sul.

Olhando para o actual sistema táctico de Jorge Jesus (4-1-3-2) e partindo do pressuposto que o vai manter, Bruno César, será uma óptima opção para o lugar desempenhado por Aimar, espero é que isso não signifique a saída de El Mago. Zanaki (seu sobrenome) confere qualidade no último terço do terreno, e tem dentro das suas qualidades, as ferramentas necessárias para gerir os ritmos da partida conforme a equipa necessita, embora não seja um jogador tão cerebral como Aimar. Em comparação com este, oferece outras coisas:  poder de fogo, maior rapidez e mais resistência física, e por outro lado um controle de bola também ele excelente (Aimar nisso é insuperável) e uma grande facilidade e assertividade no passe. Tudo somado, estas sim são as oportunidades de negócio que o Benfica pode e deve aproveitar.

Veredicto: Aprovado.