Quarta-feira, 31 de Março de 2010

Admirável

Não me recordo de, nos últimos anos, ou mesmo em tempos mais remotos ainda, de a selecção nacional de futebol ter conseguido chegar ao top-4 do ranking FIFA. Ou até me recordo. Julgo que foi antes do Mundial-2002, onde os resultados foram os que conhecemos. Quais os critérios desta classificação? Pelo que me lembro, contavam os resultados dos quatro últimos anos e dependiam do grau de dificuldade dos adversários, mas mais que isto, sinceramente não sei. O que sei é que entre 1998 e 2010, ou seja, num espaço de doze anos, esta Era de Carlos Queiroz está a ser a mais fraca, muito fraca mesmo, face à quantidade e qualidade de jogadores que tem. Muito sinceramente, esta selecção, em termos reais, não estaria no top-10, dificilmente no top-15, provavelmente entre o 15º e o 20º posto.

Fui ao site da FIFA ver como se fazem os rankings e, para minha surpresa, em teoria até estão bem pensados: no fundo há quatro factores que determinam os pontos ganhos por jogo: a tendência (vitória, empate ou derrota), a competição em que se disputa o jogo, o ranking do adversário e a confederação a que pertence. Tudo bem planeado e bem delineado, matematicamente infalível.

O problema é quando começamos a analisar os resultados da nossa selecção e nos apercebemos de onde vieram os pontos. Nos últimos quatro anos empatámos com Albânia, Finlândia, por duas vezes, e perdemos com a Dinamarca. Também perdemos com a França, Alemanha (ambas as derrotas por um golo), empatámos com a Sérvia vencemos o Brasil. Sabem em qual dos conjuntos de jogos amealhámos mais pontos?

Um pequeno exemplo prático: se empatarmos fora com o Brasil num amigável, recebemos 1*1*2*0,99/10= 0,198. Se empatarmos em casa com a Albânia num jogo para o apuramento para o Mundial, como aconteceu com Carlos Queiroz, recebemos 1*2,5*1,17*1/10= 0,293. São, praticamente, mais 33% de pontos.

"Já não nos víamos há alguns anos"

Foi assim que Judite de Sousa começou. Cordial e amigavelmente, ao contrário daquilo que vem sendo hábito nos últimos dois anos, onde se tem demonstrado mais agressiva. Em vez de entrevistar ou perguntar e encostar o entrevistado à parede, Judite de Sousa conseguiu durante boa parte do programa complementar o raciocínio débil de Pinto da Costa. É o que acontece quando alguém não sabe separar devidamente as águas, separar o trabalho do clubismo.

O diálogo (chamar àquilo "entrevista" é um bocadinho forçado) foi perto do esperado pela maioria das pessoas. A palavra "Benfica" foi a mais mencionada durante os 45 minutos que durou o programa. Mas à parte do que o senil disse, e o que disse não interessa, sempre me ensinaram que ouvir maluquinhos não é boa ideia, olhando para Pinto da Costa vê-se todo um destroço humano à beira do colapso. Velho, frágil, parece um daqueles idosos que de bengala se aguenta, mas se vier um bocadinho de vento abana e cai redondo no chão.

Só consegui ver 15 minutos daquilo, mas o discurso de Pinto da Costa mantém-se igual desde o início. Inclusive a maneira como se referiu a LFV, dizendo que não se lembra de o ter convidado ou de ter estado em casa dele (isto faz-me lembrar qualquer coisa). Ou a maneira patética como argumentou sobre a qualidade do plantel do FCP, demonstrando que havia jogadores nas selecções (A. Pereira no Uruguai, Varela em Portugal, "Falcao no Paraguai"), esquecendo-se que há quem meta dois na do Brasil e Argentina, etc.

Basicamente foi a prova cabal de que há quem não esteja em condições para o cargo. A senilidade apoderou-se do homem. Voltou o discurso do ódio a Lisboa e ao presidente da câmara do Porto. Sinais da crise.

Vieira passa no "exame" de Miguel Sousa Tavares

Não foi propriamente difícil o "exame" que Miguel Sousa Tavares impôs a Luís Filipe Vieira. Fiquei surpreendido com a atitude do jornalista afecto ao FC Porto que, mesmo não escondendo a sua cor clubística, soube separar minimamente as águas, não obstante ser visível que esperava um ou outro deslize de Vieira para poder explorar esse assunto onde o presidente do Benfica se mostrasse menos confortável.

Claro que se espera de um jornalista que saiba levar a isenção ao máximo no seu trabalho. Sousa Tavares não o fez, mas, para meu espanto, e conhecendo o seu trabalho como conheço, fiquei surpreendido com a actuação do jornalista: não foi rude nem mal-educado e, sobretudo, foi um bom entrevistador, soube deixar falar, algo pouco comum na maioria dos jornalistas.

Sobre a entrevista em si, parecia existir pouca formalidade e um quase um pacto de não-agressão, mas um grande à-vontade entre ambos. Vieira começou muito bem ao deixar clara a sua posição em relação a José Eduardo Moniz, mas patinou no tema Rui Costa: parece que o ambiente entre ambos não é, ou pelo menos não foi, o melhor durante muito tempo, especialmente na questão Quique vs. Jesus. O presidente do Benfica teve tempo ainda para brilhar noutros temas, como Jesus, Falcao, Hulk, e ainda os dois onde se sente como peixe dentro de água, o Apito Dourado e a Economia do Benfica, com o famigerado e já aguardado ano de 2013, onde o encaixe por receitas televisivas será grandemente ampliado.

Soube ainda fazer uma diferenciação muito importante, a meu ver, entre o FC Porto e o seu presidente, Pinto da Costa, e ainda teve tempo para não fechar a porta, nem pelo contrário dar a mão a beijar, a Fernando Gomes, candidato a presidente da LPFP e mais que provável vencedor nessa corrida.

Resumindo, gostei da entrevista, do entrevistador, bela surpresa, e do entrevistado, que apesar de não ser tão eloquente como desejaríamos, sabe, ou melhor, tem vindo a aprender, o momento exacto para usar da palavra. Esteve bem Luís Filipe Vieira, ele que nesta entrevista ainda abriu a porta a mais uns quantos mandatos. Hoje saiu vencedor.

Segunda-feira, 29 de Março de 2010

Herrar é Umano! #1

Depois da brilhante vitória de ontem, eis o surgir de uma nova rubrica, sem periodicidade estabelecida, que visa, no fundo, lembrar algumas postas de pescada geniais ditas por essa blogosfera fora. Vamos recorrer a posts publicados há algum tempo e mostra-los para que os nossos leitores possam apreciar a genialidade do escriba, rindo-se dele ao mesmo tempo. Não pretendemos ridicularizar nem o blog em questão nem o autor do post, isto é apenas uma maneira de humor. Comecemos então com este "génio"...


Ora bem, em Abril o sol estava muito forte e por certo me fez algum mal à cabeça. Após uma derrota caseira com a Académica, coloquei um post em que demonstrava o meu apoio a Quique Flores, com a ideia de apoia-lo e dizendo que seria o treinador ideal para o Benfica na época seguinte. Sinceramente não sei o que me passou pela cabeça, mas andei um ano completamente enganado pelo discurso do cigano espanhol. Como estaríamos este ano sem Jesus?

P.S. Antes de criticar, pense bem no que vai dizer. Visite a caixa de comentário desse post para ver se concordou comigo, podem haver surpresas!

Domingo, 28 de Março de 2010

Comam poeira

Lá vai o Benfica. Lançado, lançadíssimo, rumo ao trigésimo segundo. Quem não acredita? Contra tudo e contra todos, contra a agressividade bracarense, contra as palhaçadas de Domingos, contra os assistentes e o árbitro, que teve o desplante de dar as insígnias da FIFA a Domingos Paciência em pleno relvado, enfim, a palhaçada esta instalada, mas o Benfica foge isolado em direcção ao título Comam poeira.

Palco belíssimo para uma noite de futebol que poderia ser decisiva: estádio praticamente lotado, uma moldura humana ruidosa e fervorosamente apoiante da sua equipa, o Benfica entrava com onze em campo mas com 60.000 bem próximos sempre a apoiar. A magnífica tarja que vi pela primeira vez a 14 de Maio de 2005, no Benfica - Sporting, foi reexibida pela claque do topo sul, e expressava bem o nosso desejo: "Nós só queremos o Benfica Campeão".

Num jogo nem sempre bem jogado e com muitos "tempos mortos", o Benfica não teve a "felicidade" de marcar num lance "fortuito", ao contrário do que diz o palhaço choramingas. O Benfica foi superior durante os 90 minutos, sendo que o Braga teve apenas um lance de perigo em todo o jogo, num remate que saiu ao lado. Quim foi mero espectador, não teve nenhuma intervenção minimamente complicada.

A primeira parte começou quezilenta, sempre com os jogadores, quer de um lado quer do outro, a tentarem provocar o adversário: Di Maria exagerou claramente; sempre que havia um lance junto ao banco do Braga, lá vinham os suplentes e equipa técnica para cima dos jogadores do Benfica, numa atitude lamentável e nojenta; em lances junto à linha, e após a saída da bola, vi por várias vezes os jogadores do Benfica serem desnecessariamente empurrados e pontapeados. De futebol jogado pouco há que dizer: o Braga só criou perigo em lances de bola parada, muitos deles mal assinalados quer pelo árbitro (actuação desequilibrada, quase sempre em prejuízo do Benfica), quer pelo primeiro assistente, claramente tendencioso e mal intencionado. Os lances de maior perigo foram mesmo os do Benfica, com Saviola a falhar um golo de uma forma quase inexplicável, Cardozo também num cabeceamento que passou ao lado, após saída em falso de Eduardo, e novamente Saviola, num cabeceamento que passou a poucos centímetros do poste da baliza bracarense. Felizmente, sobre o cair do pano da primeira parte, Luisão aproveita o cabeceamento de Javi Garcia para rematar de pé esquerdo, em força, para o fundo das redes. Golo justo, legal, limpíssimo, mesmo que outros o tentem desvalorizar ou considerar como ilegal.

Ao intervalo, e pela primeira vez desde os acontecimentos do túnel com o Porto, o Benfica voltou a encontrar problemas. Curioso, não é? Os problemas com túneis foram com Braga e Porto. Fantástico. A azia apoderou-se dos bracarenses, foi visível a maneira de não saberem estar no futebol, e ainda mais notória nas declarações pós-jogo. Gente desta, não obrigado.

O segundo tempo teve pouco futebol, mas deu para ver alguns momentos interessantes: a polícia de choque a intervir para acalmar os animais daquele sector, os falhanços de Cardozo mas também o bom futebol do paraguaio, que fez correrias e fintas nunca antes vistas, o penalty claro não assinalado por mão de Rodriguez, e ainda um lance em que Moisés ficou a poucos centímetros do golo, num lance onde Quim andou aos papéis, como na maioria dos cruzamentos. Pouco mais houve. E nota ainda para o ridículo cirtério disciplinar de Pedro Proença, tudo o que vestiu de vermelho era rapidamente admoestado. Não há mesmo maneira de ser expulso de sócio?!

O que interessa, mais que a justiça óbvia da vitória, são os seis pontos de vantagem que o Benfica tem sobre o Braga. A luta faz-se a dois, e com seis pontos de vantagem para gerir em seis jogos, o cenário parece muito favorável, não obstante a dificuldade do nosso calendário. O pensamento só poderá ser Benfica vencer, vencer, em todas as provas, em casa e fora. Porque nós só queremos o Benfica Campeão!

Sábado, 27 de Março de 2010

Carrega, azia!

Estes dois palhaços são o espelho da azia e frustração: ao primeiro desejo que o perónio não volte a estar apto antes de 2011, espero que tenha ficado mesmo incapacitado; ao segundo, desejo que aquela cova no queixo lhe preencha o resto da cara de modo a desaparecer do futebol português e que tenha uma trombose por cada vez que falar mal do SLB. Vão-se encher de moscas.

Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Set Point, SL Benfica

É já hoje que se disputa aquilo que se pode chamar de "set point" para o Benfica: ganhando, fica com seis pontos de vantagem sobre o rival directo SC Braga, vantagem essa que parece irrecuperável, vista a superioridade por demais evidente do nosso clube. Não que o campeonato fique decidido, mas fica muitíssimo favorável, ainda para mais com a jornada seguinte onde se disputará o derby minhoto. E que os mais de sessenta mil que amanhã estiverem na Luz saibam criar um ambiente de verdadeiro inferno às gentes de Braga.

tempos modernos ....



Que bom que era no tempo em que não havia nem escutas, nem youtube, em que os adrianos davam xitos e os putanheiros obedientes agradeciam e escondiam tudo! Não era?

Campeonato dos túneis? Mas pensarão eles que o povo é imbecil? Para além dos lagartos, claro está!!

Em Braga, o túnel fez esquecer um golo limpo que nos dava o empate e de seguida o rolo compressor. Os jogadores do braga, garantida a impunidade e no esquema do seu patrão, armaram um nojo de uma cena. E o Cardozo acabou expulso !!!

Na Catedral, dois ou mais jogadores dos corruptos, de cabeça perdida e estando-se a cagar para o castigo que apanhassem e pudesse prejudicar o clube onde fingem que jogam, desataram ao soco e pontapé, tipo a claque deles em viagem.
Apenas porque os doutos e eruditos do cj da fpf, de rabo preso e certamente tementes a alguma coisa, retiraram parte do merecido castigo, aparece a corja a fazer-se de dama ofendida. Contam certamente que o povo seja parvo. Erro crasso. Dos muitos defeitos que o povo Tuga possa ter, ser parvo não está na lista.
Deixem-se de merdas e de pensar que as vossas conversas intimas para boi dormir, a táctica dos mst's e dos vossos amiguinhos alugados em Lisboa ali ao local do campo pimenta e rendeiro, deixem-se de pensar que isso colhe.

E aqui está o arruaceirozinho de meia tigela, que se for assim jogar para a Europa, não dura uma semana ( mas ele chegando lá, pega na cauda e mete-a entre as perninhas !! ), aqui está ele a mostrar como se pode ser batoteiro e passar impune neste futebolzinho de doutos acobardados !!!

Hoje há Youtube e há escutas.

E é isso que dá cabo da vossa táctica adrianeira, pedroteira e do papa idoso.

Quinta-feira, 25 de Março de 2010

De trabalho se fez a vida deste Homem

Jesus tem um lugar especial no coração dos benfiquistas. A frase pode parecer de um enorme lamechismo, mas, pelo menos para mim, assim é. Mais do que lhe reconhecer os méritos, admiro-o e admiro o modo como conseguiu alcançar os seus sucessos, admiro o modo de como subiu na vida.

Filho de pai sportinguista, ex-jogador do clube de Alvalade, Jorge Jesus nasceu para o mundo do futebol no início da década de 70. Li há uns tempos na Sábado, que o nosso actual treinador, no início dessa década, repartia a sua vida entre o futebol, os estudos e ainda o trabalho, com o seu pai, Virgolino. Claro que levando todas estas actividades bastante a sério, o esgotamento de Jesus seria natural, de modo que o seu pai lhe deu a escolher entre as três actividades. Felizmente decidiu-se pelo desporto-rei.

Mas quem pense que foi chegar, ver e vencer, que se desengane. Começou no Estrela da Amadora em 1970 e passou pela formação do Sporting, sendo que actuou em doze clubes no escalão sénior, entre os quais Belenenses, Farense, Riopele, Leiria, Setúbal e Almancilense, onde acabou a sua carreira, em 1989. Depois de pendurar as botas nesse ano, abraçou de imediato o desafio de treinador, e logo no rival Amora, que subiu de divisão logo nesse ano. Quatro anos nesse clube, mais cinco no Felgueiras, com passagens por Estrela da Amadora, Setúbal, Guimarães, Moreirense, Leiria, Belenenses, Braga e, por fim, passados 40 anos de carreira, chega a um grande e aí tem sucesso. No Benfica. 40 anos de trabalho duro e finalmente consegue chegar ao Benfica. Quantos dos que lêem este post já trabalharam 40 anos, muitas vezes em situações difíceis?

Profissionalismo é a palavra de ordem para Jorge Jesus. É exigente, prefere um raspanete que dar umas palmadinhas nas costas. Dizem que desde que é treinador, por apenas duas vezes tirou férias. Obcecado por trabalho, vive para o futebol, respira este desporto. Aproveita todos os momentos que tem para aprender mais um pouco sobre futebol. Estagiou em Barcelona com o mítico Johan Cruyff. Homem de convicções firmes, sabe perfeitamente o seu valor. Quem se lembra daquela frase proferida em que dizia que com o plantel de Quique tinha sido campeão? Arrogante? Não, acho-o mais Mourinhiano, se assim pudermos dizer. Que benfiquista é que não admira este homem? Por isso, meu caro Jorge Jesus, a emoção que sentiste no final da Taça da Liga, além de se compreender, até pelo estado debilitado de saúde em que se encontra o teu pai, é de louvar, é de enaltecer. Obrigado.

Candonga

É claro que sou benfiquista (surpreendi muitos de vós com esta, hein!) mas há uma coisa que não suporto: a candonga ou mercado negro. Onde é que o benfiquismo e a candonga se cruzam? Já vão perceber.

Conto-vos primeiro uma história: em Abril de 2004, salvo erro, desloquei-me a Madrid por altura da Páscoa. Na altura o Real tinha uma equipa com os famosos galácticos Figo, Ronaldo, Owen, Zidane, Beckham, Cambiasso, Raúl, Roberto Carlos, enfim, uma constelação autêntica. No entanto, e após duas semanas complicadíssimas onde tinham perdido a luta pelo campeonato, a Taça do Rei e ainda a Champions, de Real só sobrava o nome, tal o estado lastimável da equipa (a propósito, quem seria o treinador?). Mesmo assim, Real Madrid é Real Madrid, e a simpatia que tenho pelo clube, simpatia apenas, não apoio nenhum clube além do Benfica, levou-me a tentar comprar bilhetes para assistir no Santiago Bernabéu ao jogo frente a Osasuna. Pois bem, desloquei-me ao estádio para comprar bilhetes mas estes estavam esgotados. Apercebendo-se da situação, eis que chega um espanhol para me tentar vender os bilhetes, por uns míseros... 200 euros! Para um Real que já não lutava pelo título!

E eis que chega o dia de hoje. Para os jogos das competições europeias costumo comprar os bilhetes pelo Multibanco, pois é o método mais fácil e seguro para quem tem Red Pass. Nunca tive nenhum probelma. Mas um jogo contra o Liverpool é especial, e o desejo de ficar com um bilhete que dissesse "Benfica x Liverpool, 1/4 final da Liga Europa" fez com que, na impossibilidade de me deslocar à Luz, mandasse lá um amigo meu, sócio, que também queria comprar o bilhete. Assim foi. Mal chegou, eis que estava um grupo de 7 ou 8 indivíduos que se dirige rapidamente à beira dele, e um deles pergunta-lhe se queria bilhete de não-sócio (não estão à venda, a não ser que se compre como acompanhante). Claro que disse que não. Percebendo do que se estava a passar, lá foi "obrigado" a comprar dois bilhetes de não-sócio para o "amigo" feito na altura.

E assim vai isto. O mercado negro existe, todos sabemos, e não deve ser escondido. A Polícia está careca de saber o que acontece especificamente no futebol, mas ver um polícia tomar uma atitude é quase tão difícil como ver o Jesualdo admitir que foi enxovalhado pelo Benfica na final da Taça da Liga. Um bocadinho de seriedade por parte da Polícia também não fazia mal nenhum.

HULKIGANISMO

O Hulkiganismo!

O Hulkiganismo surgiu em meados de Dezembro de 2009 em Portugal, quando um atleta de cabeça perdida, decidiu reincidir num comportamento merecedor de punição. Desenvolveu-se e foi sendo maturado pelo dirigismo acéfalo de quem o contratou, endeusando-o nos seus actos, nunca o condenando sob forma de pena interna (como se faz nos Clubes dos Países que erradicaram o Hooliganismo), fazendo passar para o exterior, uma nova variação não civilizada.

O "Hulkiganismo civil" que se aceita e receia, quando um bando de energúmenos viajando de Autocarro, entretêm-se a espalhar o pânico por onde passa a sua caravana, destruindo bombas de gasolina, batendo em tudo que não tenha cor azul, dando-se ao luxo de, destruindo as janelas do lado esquerdo do autocarro, irem alegremente em viagem partindo e arremessando pedras a todo e qualquer carro que ousasse ultrapassar a caravana. Tudo com o beneplácito da PSP - Porto que os acompanhavam, e que só não acabou em actos mais graves, porque a GNR do Algarve agiu como pôde.

Pergunta: os Spotters da PSP não tinham meios de comunicação que permitisse avisar a GNR do horário de chegada tentando evitar aquele espectáculo? Haveria interesse em demonstrar o HulKiganismo da claque pelos media?

Evitou-se mesmo assim, males maiores. Evitou-se mas logo de imediato, como algo programado, aparece a outra variante do Hulkiganismo.

O "Hulkiganismo desportivo" com intérpretes bem pagos, que representam o nosso País, e que sabendo da transmissão do evento pela televisão, acharam por bem, terem um tipo de atitudes, que só foram possíveis durante 90m, porque o “Juiz assim o quis”.

Acabou o jogo, acabou a festa, eis que o pânico recomeça em sentido inverso com direcção a Norte, bombas de gasolinas “frustradas” a fecharem à pressa.

Aos microfones, Luis Filipe Vieira, dizia … " É o princípio se calhar de algo que vai mudar." ... pânico.

Meu Deus se calhar até pode ser verdade, se calhar por causa disto, toda uma rotina, todo um modo de actuar, será posto em causa. Tudo tem de ser feito para evitar um novo ciclo. Já se apoiou a candidatura do Fernando Gomes … a Justiça e a Arbitragem volta a casa da FPF... «que poderemos fazer para que isto não fuja ao nosso controle?... que raio, somos utilidade pública afinal!».

E vai daí, o Conselho de Justiça da FPF Hulkiganiza a decisão do Conselho de Disciplina da LIGA, tentando com isso, equilibrar o futuro, não se dando conta que, também eles, se tornaram numa variante denominada "Hulkiganismo Jurídico".


Hulkiganizar será moda de hoje em diante, aliás, só o chavão agora foi criado, mérito meu que sei que irá perdurar pelo tempo, e sou o seu autor. Há momentos de sorte, imagino um Luís Sobral, ou um Rui Santos, a terem os direitos de autor da minha criatividade! Se calhar era melhor ter dado o chavão ao Ricardo Araújo Pereira (e dou-lhe, com todo o mérito pela forma com escreve!) ... porque nem imagino o que o RAP não faria com ele.


Entretanto, o Benfica joga uma barbaridade amigos... os adeptos enchem estádios, e a grandeza continua enorme!


Abraço e Saudações Benfiquistas


P.S. Jesus, o teu Pai merece-te, nós também e o futebol ainda mais!

Quarta-feira, 24 de Março de 2010

Uoh uoh uoh uoh... pára tudo!

«O Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol decidiu reduzir a pena dos jogadores Hulk e Sapunaru para 3 e 4 jogos de suspensão, respetivamente. É uma deliberação que arrasa a avaliação da Comissão Disciplinar da Liga, que havia castigado estes atletas com 4 e 6 meses de paragem.»
in Record

Mas o que é isto? Andamos a brincar ao futebol? Então parece que o super-herói da Marvel pode voltar a jogar (curioso, logo agora que não há Mariano, Varela e quenga uruguaia). Meus amigos, isto é brincar com o povo. Isto é um circo que os palhaços do CJ estão a promover. Só quando aparecer um deles a boiar no rio é que isto pode talvez e hipoteticamente entrar nos eixos.

Terça-feira, 23 de Março de 2010

VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA!

Retirado de um orgão de informação em Inglaterra, por indicação de um comentário n´o Antitripa. Copy paste e reza assim:

For most Portuguese football fans, the brand "FC Porto" is a synonym of corruption. The leader of the club for over 25 years, Mr. Pinto da Costa, is well known not only for being the most successful executive in the football world, but also for the corruption scandals, which seem to be constantly associated with him.
Not long ago, Platini threatened to ban FC Porto from the Champions League because of the same scandal, which brought many referees and executives to the court. Nonetheless, FCP did not get the ban and Platini became a laughing stock in Portugal.
Not even the Portuguese courts were able to punish FC Porto's chairman, since the phone records that proved his involvement in the major corruptions scandal were not accepted as proof by the court.
Today the same phone taps, which were overruled by the courthouse, were posted on YouTube. The content is just a confirmation of what was already known by the general public.
The tapes include mostly talks between the Portuguese executive and major characters of the Portuguese refereeing scene. According to the conversations Pinto da Costa literally handpicked the officials responsible for FC Porto's fixtures.
Bribes are also a topic. Money is not specifically mentioned, but nonetheless prostitution is broadly discussed under the term "fruit" (prostitutes) and the term "milk and coffee" (which refers to Latin-Brazilian prostitutes) which were offered to referees.
There is also another tape in which the Portuguese executive talks to the then-President of the Portuguese League, in order to ask him for a favor in a disciplinary case against Liedson for elbowing a FC Porto player.
One of the most scandalous tapes for international fans is the one which involves Deco, the famous midfield ace.
The Portuguese midfielder had thrown his boot at a referee after being sent off. Angry about this decision, Pinto da Costa asked a famous journal editor to publish an interview with Deco, in which the player would state that he would reconsider his place in the national team if he were to be punished for his actions against the referee.
The forged interview was carefully prepared, as was the hearing at the League's Disciplinary Committee. Deco carefully followed the instructions of FC Porto's chairman and was not punished by the league—a true scandal.
Now, Portugal eagerly awaits the outcome of this situation. Pinto da Costa has already filed a law suit concerning the leaked tapes. The Portuguese General Attorney is following the situation closely, trying to find those responsible for the publishing of those tapes, since they were held under a confidential status.
However, the question remains: How could Pinto da Costa not have been punished by the legal authorities?
Many suspect that Pinto da Costa also has some influence within the justice system, which is not too far-fetched. He has enjoyed some very intimate relationships with many famous politicians who still have a large influence in the legal system.
A Godfather plot in Portuguese.

Como é que os McCain não hão-de gozar connosco?



Adenda: a fonte é esta.

E agora?

Sumarissimo? Não há? Ou uma das condições é ser o Katsouranis?

Segunda-feira, 22 de Março de 2010

How are you?

Post recuperado de Junho de 2008

Domingo, 21 de Março de 2010

Sport Lisboa e Benfica 3 - 0

O nome do adversário nem merece sujar o título. Nem o título nem a crónica, daí que não será utilizado. O Benfica deslocou-se ao Algarve para defrontar um suposto rival 72 horas após um embate dificílimo quer em termos físicos quer no plano psicológico, na cidade de Marselha. Viagem de avião pelo meio, chegada ao Algarve, descomprimir, treinar, analisar o adversário, jogar e ganhar, com goleada e nota artística. Uma tareia monumental. Um banho de bola! Qual foi a melhor ocasião de golo para o... (pensavam que ia utilizar o nome da associação?!) CRAC? Um atraso do Fábio Coentrão? Não me façam rir. Fomos dominadores, escostamo-los às cordas, foi uma tourada. 3-0. Quanto? Eu repito: 3-0. Não perceberam? 3-0.

Tarde de festa? Não. Com claques como as do Porto é impossível haver festa do futebol. Saquearam, roubaram, vandalizaram muito do que lhes apareceu à frente. Nem foi preciso haver adeptos do Benfica para incendiar os ânimos, eles sozinhos conseguem armar confusão. Enquanto aquela corja não estiver atrás das grades, não haverá paz no futebol.

Não há paz mas à Benfica. Depois de uma eliminatória desgastante a nível físico e mental frente ao poderoso Marselha, o Benfica teve tarefa bem mais fácil no Algarve. E muito se deveu à forma dos três médios habitualmente suplentes no nosso clube: Airton, Amorim e Martins. Que jogo! O Porto foi também, diga-se, presa fácil. Não fosse esta Liga tabelada por baixo e o Porto nem estaria em 3º lugar. Mas relativamente à partida há que salientar o profissionalismo do onze titular do Benfica, que realizou uma exibição de encher o olho. 3 golos marcados ao rival do norte, algo que não acontecia desde uma tarde solarenga de Abril ou Maio de 1998, onde Greame Souness desafiou os jogadores da agremiação.

O Benfica actuou com um onze completamente diferente daquele que vinha sendo opção em qualquer competição: Aimar foi o segundo ponta-de-lança, auxiliando Kardec; Martins fez o lugar habitual do argentino, Airton rendeu Javi Garcia e Amorim, que há já um par de jogos anda a evidenciar uma qualidade no processo ofensivo que não lhe reconhecia, tomou o lugar de Ramires. Na defesa tudo normal, com Quim na baliza. O jogo começou em toada normal para uma final entre dois rivais, mas foi Rúben Amorim, com a preciosa ajuda de Nuno, que começou a pintar a festa da taça em tons de vermelho. Com um remate relativamente fraco até para o espaço que tinha, a meio da baliza, rasteiro, que 99% dos guarda-redes da Liga defenderiam, Amorim e o Benfica tiveram a sorte de do outro lado se encontrar o guarda-redes que não faz parte desses 99%: Nuno Espírito Santo (Ámen!). Soltou a franga, logo aos 10 minutos. Eu, que já fui muitas vezes ao Algarve, nunca assisti a um frango ser servido em 10 minutos.

O jogo seguiu o seu ritmo normal, sendo que "normal" para este Benfica é dominar. E assim aconteceu. O Benfica foi dominador (mas não esmagador), até porque o "esmagamento" coube por inteiro a Bruno Alves, um indivíduo sem qualquer preparação psicológica para jogar à bola, nem nas equipas de domingo de manhã. É aquilo que na gíria se chama de "animal". Não é possível impedirem-no de jogar à bola? Não há sumaríssimo? Por causa dos Brunos Alves desta vida perderam-se jogadores brilhantes como Mantorras, entre outros.

E assim foi, o Benfica construía jogo e o Porto destruía como sabia e como o árbitro deixava. Bruno Alves agride, mas quem leva os cartões são jogadores como o Maxi, que fez... o que fez ele? Ninguém sabe. Foi ridículo. Mais engraçado foi o lance que dá origem ao segundo golo do SLB: Meireles comete falta feia sobre Martins e ainda o pisa, no chão. Jorge Sousa, claro, não viu. O resto sabemos nós: Martins pega na bola e lá vai uma bomba bem colocada mas que não deixa o GR isento de culpas. O Benfica chegava ao intervalo com um confortável 2-0, que lhe assentava com perfeita justiça.

Na segunda parte, e apesar da vitória estar bem próxima, tive de baixar o som da televisão. Não suportei alguns comentários ridículos como "olés desnecessários" (pudera, os olés são para s jogadores do Porto, não para os do Benfica...), ou "Aimar é o jogador que mais corre no Benfica por causa do excelente trabalho de Fernando" (todos sabemos que quando há mérito de um jogador do Benfica em algo, isso se deve aos jogadores do Porto...), enfim. Sem grandes oportunidades para um lado e outro, o jogo foi ficando morto e o golpe de misericórdia chegou mesmo em excelente altura, o minuto 90. É assim que gosto de ganhar os jogos: com um golo no último minuto, mesmo que a vitória já esteja próxima. Deu para festejar o golo de outra maneira, como se tratasse ali do apito final.

Vitória justa e merecida de um Benfica que, mesmo jogando na quinta, se mostrou fisicamente muitíssimo mais forte que o rival. E claro, nestes jogos que o Porto perde, deu para ouvir o discurso da "treta" de Jesualdo e sus muchachos. "Um jogo equilibrado", "o Benfica só teve duas oportunidades de golo", "os golos surgiram no início e fim das partes" (esta é a minha favorita, parece que marcar aos 44 ou aos 90 já não vale). Esquecem-se eles de que as suas duas melhores ocasiões que tiveram foram protagonizadas por Coentrão e Kardec. Até tiveram piada, coitaditos...

E assim já vou deixar de ouvir a frase "este ano ainda não ganharam nada". Um já está, faltam dois. E no próximo sábado poderemos dar um passo de gigante em relação a um deles. Concentração, querer e profissionalismo podem decidir a época ainda este mês de Março, sim, esse temível mês com um ciclo de jogos infernal que neste momento contabiliza 3 vitórias em 4 jogos, sendo que o empate não teve consequências absolutamente nenhumas. Siga o bom futebol do SLB, isto dá prazer de ver. É a melhor equipa dos últimos 20 anos.

É nooooooooooooooooooooooossa!


É nossa! Que jogo! 3-0 naqueles tristes... uma arbitragem que teve qualquer coisa de extraordinário, mas aquela preparação em Marselha serviu e muito. E pensar que jogámos na quinta-feira enquanto que os outros tiveram uma semana para preparar este jogo. Foi bonito ver a nossa equipa dar um banho de bola ao rival e conseguir apresentar-se fisicamente a anos-luz do adversário.

P.S. "Informação: o comboio com destino ao Porto parte dentro de momentos na linha... 3."

Fechem as gasolineiras, de norte a sul


Fechem as gasolineiras, os produtos serão roubados. Fechem as gasolineiras, vão abastecer e não pagar. Fechem as gasolineiras, vão partir e vandalizar as lojas. Fechem as gasolineiras, vão violar as empregadas. Fechem as gasolineiras, também violam os empregados, há uns quantos rabichos. Fechem as gasolineiras, pela vossa saúde.

Sábado, 20 de Março de 2010

1º Torneio da Casa do Benfica na TAP

É exclusivo para Casas do Benfica ... mas não podia deixar de vos mostrar.
O sonho comanda a vida. Este é o meu. Uma Casa do Benfica, na empresa onde trabalho há 24 anos.


Visitem-nos em .... http://www.casabenficatap.com/ onde mostramos um pouco de nós!

Todos serão bem-vindos para assistir e viver Benfiquismo!

Lista de cuidados a ter na Final da Taça da Liga

1 - Chegada ao Estádio: a comitiva benfiquista deverá ser bem escoltada e os jogadores junto às janelas do autocarro devem ter especial cuidado.

2 - Túnel do Algarve: estará povoado com os stewards do Braga - Benfica, o que, por si, constitui uma ameaça.

3 - Entradas assassinas: fora da luta pelo título da Liga, o objectivo do Porto passa a ser impedir que o Benfica lá chegue. E uma das medidas passará por lesionar intencionalmente os nossos jogadores. Todos os cuidados serão poucos.

4 - Simulações dos Corruptos: para além de lesionar, outro objectivo será expulsar jogadores do Benfica de modo a não poderem defrontar o Braga. Vale tudo, meus caros.

5 - Jorge Sousa: ex-membro dos super-dragões, estará no centro do relvado. Imaginem que era um membro dos NN ou dos DV a arbitrar, como refere RAP? Era giro, não era?

6 - O guarda-redes do Benfica, sempre que possível, deverá sair da linha de baliza, quando estiver junto às claques do Porto. É o alvo mais fácil a abater.

7 - Palestra ao intervalo: de preferência no centro do relvado, longe do túnel e das duas equipas que vêm do Porto.

Sexta-feira, 19 de Março de 2010

Mentindo com quantos dentes tem na boca

Esta reportagem do jornalista da SIC, Nuno Pereira roça o nojento. Já nem falo de mau profissionalismo, isso é um hábito, infelizmente, mas o que aquela peça tenta transmitir aos telespectadores é falso. Falso! Mentiu conscientemente. É perfeitamente visível que são os adeptos do Sporting quem começa a apedrejar o autocarro espanhol, onde seguiam os adeptos do Atlético, sem qualquer tipo de armas como se pode ver nas imagens. "Defender a casinha", diz Nuno Pereira... enfim, ridículo.

Foi uma pena a SIC não ter captado (ou se calhar captou, mas não quis transmitir) as imagens que a RTP possui: na peça do jornalista Pedro Martins, é referido e mostrado que são os adeptos do Atlético as vítimas da fúria leonina, não só das claques mas também de adeptos supostamente normais. Vê-se a carrinha de reportagem da RTP ser atingida por tochas lançadas pelos sportinguistas, vê-se o jornalista da RTP ser apedrejado, vêem-se adeptos do Atlético, mesmo em dificuldades, serem agredidos.

E ainda há tempo para dois momentinhos deprimentes: um, protagonizado pelo jovem Rúben, membro da Juve Leo, que se queixou, num discurso atabalhoado que não consegui distinguir se era de bêbedo, drogado ou de mero idiota, de que a polícia portuguesa "não poderia ter balas de borracha porque poderia acertar em alguém e aleijar uma pessoa" (por mim, a Polícia portuguesa devia era ter a mesma liberdade da americana, mas isso é outra história); o outro tesourinho deprimente foi o discurso de Fernando Mendes, líder da Sénior, perdão, Juve Léo, dizendo que aquilo parecia a batalha de Aljubarrota, e ainda se vangloriou de ter agredido uns quantos espanhóis, independentes das claques, à saída do metro. Ainda teve tempo para dizer que os espanhóis eram nojentos e que ele tinha filhos de 2 e 7 anos (por que é que os filhos foram ali chamados? Não faço ideia). Fez-me lembrar um outro discurso sobre Espanha...

Nunca caminharás sozinho


"Não poderia ser pior o sorteio para a Liga Europa", diz uma boa fatia dos benfiquistas. No plano desportivo, talvez a razão lhes assista, mas eu, que confio nestes jogadores, neste treinador e neste projecto, não franzo o sobrolho a nenhuma equipa. Não se trata de excesso de confiança, sei perfeitamente quanto vale este Liverpool, mas sei também que este Benfica e o seu treinador se dão muito bem com equipas inglesas. E, para aqueles que como eu, que adoram os grandes jogos europeus, carregados de História e significado, em estádios cheios com um ambiente fenomenal, estes quartos-de-final frente ao Liverpool significam muito. Mas muito mesmo. Quero ouvir o "You'll never walk alone" cantado aqui e em Anfield, quero ver uma festa de vermelho e branco aqui e em Inglaterra, quero recordar o embate épico de 2006, aquele golaço de Simão, a meia-bicicleta de Miccoli. E quero ganhar, acredito que é possível. É 50/50, não há favoritos. Vamos a eles!

Quinta-feira, 18 de Março de 2010

Orgulho nos rapazes da Luz

Eu queria escrever qualquer coisa que fizesse sentido sobre a Nossa vitória épica, hoje, em Marselha. Passadas 4 ou 5 horas, ainda não consigo. Não consigo ver bem o ecrã do computador.
Os meus olhos ainda estão cheios de lágrimas. Lágrimas de Amor e de Orgulho!!!

«O melhor Benfica da última vintena de anos»

Épico, histórico, sublime, empolgante, vencedor... faltam adjectivos para conseguir descrever este Benfica. E todos os que há parecem ser escassos. Contra tudo e contra todos, este Benfica parece conseguir as mais extraordinárias proezas, e a vitória em Marselha, contra o onze francês e o senhor esloveno, entra directamente para o top 10 dos grandes jogos da década que agora finda. Foi lindo. Quem vier a seguir morre! Vamos a eles, só faltam duas eliminatórias para estarmos no jogo mágico. Faltam-me palavras, deixo-as para depois.

Como tinha referido anteriormente, a eliminatória seria difícil, mas estava longe de ser impossível. O empate na Luz foi um resultado justo face ao produzido por ambas as equipas, o que deixou a equipa de Jesus de sobreaviso para a segunda mão no Vélodrome. Falou-se muito do temível ambiente de Marselha, mas sinceramente, pela televisão, não me apercebi de nada de especial. Temia mais ir a um estádio onde os adeptos fossem recebidos num ambiente que os próprios dirigentes pediram que fosse hostil, com pedras e garrafas como recepção.

Voltando ao sul de França, Jesus apostou no onze mais provável para este jogo: Júlio César regressou à baliza, Maxi ocupou a lateral direita e Coentrão a esquerda face à ausência de Peixoto, sendo que Martins roubou o lugar a Aimar, mais talhado para jogos onde não é pressionado em cima. Surpreendentes foram talvez algumas opções tomadas por Jesus relativamente a quem se sentava no banco: Sidnei, Amorim, Éder Luís e Nuno Gomes foram preteridos, talvez já a pensar na final de domingo. No jogo, o Benfica entrou mais forte e soube encostar o Marselha às cordas logo nos primeiros minutos. As melhores jogadas foram nossas, e nos primeiros 25 minutos houve tempo para Cardozo enviar um tiraço ao poste da baliza de Mandanda e para Ramires ser derrubado de forma visível e clara, derrube ao qual o esloveno Damir Skomina, árbitro do encontro, fez vista grossa.

A destacar alguma figura na partida, não escolheria nenhum elemento do Benfica, muito menos um do Marselha. Infelizmente, pelos piores motivos, o árbitro da partida teve todo o destaque, fez uma exibição "ruinosa", como a apelidaram na RTP, sendo que teve nota 1 em 10 no jornal A Bola. Foi vergonhoso. Taiwo cometeu nova grande penalidade que o árbitro fingiu não ver. Por apenas uma vez o Marselha se aproximou com grande perigo da baliza à guarda de Júlio César, e foi pelo inevitável Lucho Gonzalez num remate já em tempo de compensação, que rasou o poste.

No segundo tempo o Benfica continuou mais dominador e esteve por cima do Marselha: Di Maria, quando se isolava, foi agarrado por Bonnart à entrada da área e para cúmulo, o argentino é que foi admoestado com cartão amarelo, por protestos. E como Di Maria, Coentrão, Aimar, Luisão (ou talvez não, talvez tenha sido por pretensa mão na bola) e Javi Garcia. Mas dizia que na segunda parte o Benfica foi dominador e falhou o golo num lance em que Saviola demonstrou que está em baixo de forma, apático, sem condições para jogar 90 minutos a alto nível. Não foi só neste jogo, é uma situação que se arrasta à um mês.

E foi precisamente contra a corrente de jogo que o Marselha chegou à vantagem, num lance irregular, pelo menos à luz dos critérios da equipa de arbitragem: Saviola foi apanhado em fora-de-jogo "n" vezes mesmo sem a bola lhe chegar ou estar perto disso; no golo do Marselha, aquando do cruzamento, o jogador do OM que se encontrava ao segundo poste está na mesma situação do internacional argentino. Júlio César fez o que pôde e sabe, mas não foi suficiente. Não o culpo, longe disso, começo a ver-lhe qualidades que não encontro em nenhum dos outros dois guarda-redes, mas neste lance não revelou incompetência mas sim inexperiência.

"Estamos perdidos", "Já fomos", entre outros disparates que recebi no telemóvel. O Benfica, para se manter na eliminatória, continuava a precisar de apenas um golo. Sofrer ou não era relativamente indiferente, a única diferença era se passava logo ou se ia a prolongamento. E eis que cinco minutos depois surge Maxi Pereira, o herói improvável, que depois do golo na primeira mão, resolve repetir a gracinha e desfeiteia Mandanda num remate a uns bons 25 metros da baliza. 1-1 era garantia de prolongamento. Ou não...

Porque Jesus fez uma substituição, ou melhor, duas substituições milagrosas: primeiro retirou Saviola e colocou Aimar; depois tirou Carlos Martins para entrar Kardec. Como surge o segundo golo do Benfica? Cruzamento de Aimar, um ligeiro desvio na área e bola em Kardec que fuzila o guarda-redes francês. Estava feito, o Benfica passava e juntava-se ao restrito grupo das 8 melhores equipas da "Euro Liga". Um final feliz, sem esquecer que a felicidade procura-se e merece-se, como aconteceu no Vélodrome.

P.S. Faleceu Julinho, antigo avançado do Benfica dos anos 50, autor do golo decisivo na Taça Latina. Um ídolo para quem o viu jogar, um exemplo para os que jogaram pouco depois dele, um símbolo e uma recordação para todos os que se lembram apenas do seu nome. Foi um homem à Benfica. Junta-se assim mais um benfiquista àquele "quinto anel que não vemos mas sentimos", tão bem descrito por Fialho Gouveia.

1-3 Londres, 4-4 Leverkusen, 1-2 Marselha

Uma imagem para a posteridade, num jogo que entra para a galeria de outros jogos históricos, como o 1-3 de Londres ou o 4-4 de Leverkusen. Recordar-me-ei deste jogo por mais anos que viva. Viva o Benfica!

Damir Skomina


Matava a tua mãe e fazia arroz de marisco*

(não era marisco que estava aqui escrito, mas a pedido do Homem da Luz moderei a linguagem)

Noites Épicas para Inspiração

Foi nos míticos estádios de Arsenal e de Bayer 04 Leverkusen, Highbury Park e Ulrich-Haberland Stadion respectivamente, que o Benfica escreveu duas das mais belas páginas da sua história europeia, muito provavelmente foram as duas exibições mais conseguidas a nível europeu na década de 90.

Em Highbury Park, um jovem Benfica tentava bater o pé ao campeão inglês, o Arsenal, invicto em casa na Liga Inglesa do ano anterior. Após empate na Luz a uma bola, o Benfica via-se obrigado a ganhar em Londres, ou pelo menos empatar a dois ou mais golos. Lançando no onze titular os recém campeões do Mundo sub-20, Rui Bento e Rui Costa, este em estreia absoluta em jogos europeus pelo Benfica, e ainda com o jovem Paulo Madeira que fez dupla no centro da defesa com Rui Bento, como poderia este Benfica levar de vencida o Arsenal? Numa equipa inglesa onde pontificavam nomes como David Seaman, Tony Adams, Lee Dixon, Nigel Winterburn, Paul Davis, David Rocastle, Paul Merson, Kevin Campbell, Alan Smith e o maior deles todos, o grande Ian Wright, o Benfica, liderado por Sven-Goran Eriksson, apresentando-se claramente como underdog neste jogo, realizou uma exibição categórica, cheia de classe, com capacidade de sofrimento à primeira meia-hora fortíssima do Arsenal, respondendo depois com golos de Isaías, Kulkov e novamente Isaías, vencendo por 1-3 após prolongamento.

Duas épocas mais tarde, na pequena cidade de Leverkusen, o Benfica, vencedor da Taça de Portugal na época anterior, defrontava o poderoso Bayer Leverkusen, autor do mesmo feito mas na Alemanha, claro. Com Heinen, Paulo Sérgio, Lupescu, Worns, Hapal, Thom, e liderados, essencialmente, por Ulf Kirsten e Bernd Schuster, os alemães eram favoritos à passagem na eliminatória, frente a um Benfica que já se encontrava numa crise financeira considerável. Após o empate a um na primeira mão, na Luz, o Ulrich-Haberland assistiu a uma montanha-russa de emoções, golos, golos e mais golos, num jogo que terminou num louco 4-4 que deu a passagem ao Benfica: há imagens que ficam para a vida, como aquele golo de Abel Xavier após toque de calcanhar de Rui Costa, e a belíssima jogada que dá o quarto golo do Benfica, por Kulkov, a passe de João Vieira Pinto.

Por tudo isto, como é possível pensar que a eliminatória em Marselha está perdida? Por duas, vezes, após 1-1 na primeira-mão na Luz, o Benfica arrancou para duas das melhores exibições da sua história. O meu desejo é que daqui por uns quantos anos, após novo empate a uma bola na Luz, o encontro entre Marselha e Benfica, de 18 de Março de 2010, possa também ser recordado.

Quarta-feira, 17 de Março de 2010

«Abençoada suspensão de Javi Garcia»

Foi o que pensei quando vi Airton jogar. Acabado de fazer 20 anos, Airton parecia já um senhor-jogador, um patrão de um meio-campo que parecia conhecer há uma década. Seguro, com bom toque de bola, rápido, conseguiu em dois jogos sofrer 8 faltas, se não estou em erro, e cometer apenas 2, o que num médio-defensivo é digno de registo. Há males que vêm por bem, e a suspensão de Javi Garcia, que parecia ser um grave problema, constituiu um passo importante rumo ao título, pois além de o espanhol poder descansar, ganhámos um jogador. E que jogador!

Com apenas 19 anos era titular no Flamengo que conseguiu ser campeão ao cabo de quase duas décadas. Agressivo, por vezes em excesso, se Airton souber moderar a impetuosidade que lhe é apontada no Brasil, acredito que poderemos estar na presença de um futuro craque de craveira mundial.

Domingo, 14 de Março de 2010

Quem pára este Benfica?

Jogando de modo brilhante ou menos bem, como em algumas situações do jogo de hoje, este Benfica vai ganhando. Mesmo que se possa dizer que a equipa em determinado jogo não esteve bem, o facto é que esteve melhor que o seu adversário. Este ano, se formos a ver os jogos que efectuámos, em quais é que o nosso adversário foi melhor que nós? É interessante a resposta a esta pergunta. Na Choupana, terreno tradicionalmente difícil que tem, sempre presente, uma claque feminina irritante, o Benfica não brilhou mas foi superior e mereceu a vitória que peca por números escassos. Para já, no ciclo infernal de Março, um empate contra o Marselha e uma vitória na Madeira. Seguem-se dois jogos até ao set point frente ao Braga. Sou só eu a acreditar que uma vitória por 2-0 ou outro qualquer resultado que nos deixe em vantagem no confronto directo, mata este campeonato?

(esta imagem é impagável: eis Rui Costa, Shéu, João Paulo Almeida, Jorge Jesus, os suplentes e os titulares, todos bem longe do banco, festejando o golo de Cardozo).

Recomenda-se este Benfica: seguro, maduro, forte. Uma equipa adulta, se assim pudermos chamar. Quim, apesar de não parecer confiante, está a dar conta do recado na perfeição. Exibição segura com uma brilhante defesa perto do final que só lhe irá elevar o nível de endorfinas. Amorim também parece cada vez mais contente, parece que agora sim sente que tem um papel verdadeiramente importante na equipa; Luisão e David Luiz parecem intransponíveis; Peixoto com segurança ou Coentrão com mais velocidade e fulgor ofensivo, também dão segurança à defesa; com uma defesa destas, eu fico bastante tranquilo. Pela primeira vez em alguns anos consigo assistir a alguns jogos tranquilamente: sei que é praticamente impossível termos um jogo em que não marquemos um golo, e sei também que é difícil sofrer um. Juntando um mais um...

E assim foi. Cardozo teve uma mão cheia de oportunidades e só conseguiu marcar por uma vez. Bracalli foi enorme numas quantas ocasiões, mas Tacuara marca. Falha como todos, marca como nenhum. Foi de baliza aberta? Foi, mas foi também no minuto imediatamente a seguir a ter falhado um penalty. Força psicológica, meus caros. Cardozo teve-a.

O jogo teve, praticamente, sentido único. Foi um jogo "normal" no Benfica desta época. Seria um jogo "extraordinário" se fosse no ano passado. Controlo de bola, bom posicionamento e boa organização. Transições rápidas, ataque continuado, segurança em todos os momentos. O passe não está como já esteve, mas não podemos exigir o mundo a esta equipa. E aviso já para o seguinte, com o pensamento no próximo jogo: o Marselha tem uma equipa fortíssima, como pudemos constatar na Luz. E jogando no Velódrome... será preciso um super-Benfica para ultrapassar os franceses. E analisando a situação de alguns jogadores, vejo com bons olhos a titularidade de um jogador que nem me enche as medidas. Falo de Carlos Martins.

Sexta-feira, 12 de Março de 2010

Bravos!

Sentimentos contraditórios no final do jogo. Por um lado contente com o regresso das grandes noites europeias, mesmo sendo na Liga Europa, pois jogámos com um adversário com qualidade para estar na Liga dos Campeões (Olympiakos? Porto? Estugarda?). Além disso, o nosso Benfica bateu-se de forma brava e corajosa, e mesmo sem grande brilho em algumas ocasiões de jogo, pouco há a apontar aos nossos jogadores, que tiveram uma atitude à Benfica. Por outro lado o resultado não é o mais agradável uma vez que entraremos já a perder no Vélodrome mal soe o apito inicial. Ainda por cima aos 90 minutos... não se sofre um golo assim.

Já tinha uma opinião formada sobre este nosso adversário e por isso, em primeiro lugar, umas palavras para e sobre este Marselha: gosto bastante da Liga Francesa e até a sigo regularmente, há bom futebol, ao contrário do que se passa em Itália. À partida para este encontro já sabia que o Marselha seria o mais forte adversário com que nos bateríamos desde que começou a época, é um clube organizado e disciplinado e por alguma razão está a um ponto e com um jogo a menos (salvo erro), que o Lyon, que eliminou precisamente o Real Madrid. Tem um meio-campo fortíssimo com Cheyrou, Lucho, Abriel e Ben Arfa, o que obriga que um jogador com a classe de Valbuena passe alguns jogos no banco. Tem o melhor marcador do Championnat, Niang, que apesar de velhote não perdeu um bocadinho de qualidade. E tem um guarda-redes que, apesar de irregular, são muitas mais as vezes que salva que as que compromete. Por tudo isto, e por ser uma equipa que troca a bola como poucas, saberia que o jogo seria complicadíssimo.

E foi. O Marselha foi a única equipa, a par do Barça em 2005/2006 que, na Luz, conseguiu por algumas vezes no jogo, trocar a bola com bastante segurança e em ataque continuado por alguns minutos, nomeadamente na primeira parte. São raríssimas as vezes que isto sucedeu na Luz. E o Marselha foi capaz de faze-lo, ao contrário de Manchester e Liverpool, por exemplo.

Por todas estas razões foi um jogo bastante difícil. O Marselha foi mais forte na primeira parte e acabou por ter azar na forma como não conseguiu chegar ao golo. Lucho, por duas vezes, esteve bem próximo de concretizar, ele que continua a ser um jogador de classe mundial. Também por um sub-rendimento de Javi Garcia e principalmente Pablo Aimar, o Benfica não foi tão dinâmico, nem ao ataque nem na defesa. Ramires fechou demasiado ao centro quando os franceses atacavam pela esquerda, permitindo que pudessem passar rapidamente ao ataque do lado oposto. Mas não foi por aí que o Benfica não venceu este jogo.

Este jogo decidiu-se fora das quatro linhas, nas cabeças nos treinadores. Jesus esteve muito bem ao retirar Aimar para colocar Martins, que conseguiu imprimir uma maior velocidade ao jogo encarnado, algo que o argentino não conseguiu fazer. O Benfica foi mais rápido e conseguiu chegar ao golo num lance de felicidade: Di Maria cruzou, Cardozo falhou o remate, Mandanda não segurou a bola e Maxi, num ressalto, acaba por introduzir a bola na baliza marselhesa. Num ressalto, repito. Foi um golo à Maxi. Mas talvez só mesmo Maxi o conseguiria marcar, aquilo não ia lá com um pezinho, só ia lá com garra.

Depois, Jesus fez asneira. Coentrão entrou mas para o lugar que não devia. Após o golo seria muito mais natural e plausível substituir Saviola para que Di Maria avançasse para que pudéssemos jogar em contra-ataque, mas não, resolveu tirar Peixoto, que defensivamente estava a realizar um jogo positivo. Depois foi Éder Luís, jogador que todos os adjectivos que conheço são meros eufemismos para a sua qualidade real: zero. E o golo do Marselha, como surge? Éder Luís falha um domínio de bola que nenhum júnior falharia e Coentrão é facilmente ultrapassado pelo médio do Marselha. Com Miguel Vítor e Rúben Amorim no banco...

Empate justo sobretudo pelo que o Benfica não fez na primeira parte e pelo que fez na segunda. Exibições muito positivas de Júlio César (aquela dupla defesa é um hino a bem defender), Maxi Pereira e Luisão, como sempre nos grandes jogos europeus; estiveram bem David Luiz, no plano defensivo, César Peixoto, Ramires, Di Maria, Martins, Saviola e Cardozo, que esteve muito marcado mas conseguiu algumas acções positivas; razoável Javi Garcia, mais pelo que fez na segunda parte; desastrosos Aimar e Éder Luís, por razões diferentes. O resultado não é bom e assim que entrar no Vélodrome o Benfica estará a perder, tendo de marcar para seguir em frente. É muito difícil, mas não impossível.

Quarta-feira, 10 de Março de 2010

I... diotas

A questão não é: como é possível que um jornalista, ao descrever um violador, coloque a sua preferência futebolística? É mais: como é possível que TRÊS jornalistas, ao descreverem um violador, coloquem a sua preferência futebolística? Que há jornalistas idiotas já todos sabíamos, agora, que todos se tinham juntado na redacção de um jornal para escrever o mesmo artigo, já é novidade.

Qual é a relação entre ser benfiquista e ser violador? Alguma? Por que é que não colocaram qualquer de útil como "desconheciam-se problemas psiquiátricos"? Ou se era para ser mesmo idiota, que tal um "prefere bitoque a cozido à portuguesa". Isto de criar um jornal é muito bonito, mas quando se apercebem que as vendas não vão tão bem quanto queriam, eis que aparece o estilo Correio da Manhã/24 horas.

Março Marçagão

Março vai ser um mês de grandes e importantes decisões quanto ao futuro do Benfica nas três provas em que está envolvido. Primeiro a recepção ao Marselha, já esta quinta-feira, num jogo que espero ver juntamente com mais 65 000 benfiquistas no Estádio da Luz. Espero que encha e acredito que tal se verifique, até porque não é todos os dias que se pode recordar ou reviver as gloriosas noites europeias do final da década de 80.

De seguida uma viagem complicada à Madeira para, na Choupana, tentar bater o Nacional, que, apesar de não atravessar um bom momento (uma única vitória na segunda volta), tem um treinador e um grupo de jogadores que querem vingar a goelada sofrida na Luz.

De novo o Marselha, mas desta vez no Velodrome, o estádio do França x Portugal do Euro '84. Será o jogo mais complicado destes cinco que nos esperam, não só pela qualidade do adversário mas também pelas várias viagens de avião que provocam um desgaste natural.

Nova viagem, agora até ao Algarve, para um jogo mata-mata frente ao FC Porto, num encontro em que os nossos jogadores deverão manter a cabeça fria e evitar os túneis. Palestra ao intervalo no centro do relvado, se possível.

Para fechar este ciclo infernal, regresso ao campeonato para defrontar o Braga naquele que penso que pode vir a ser o jogo do título, uma vez que se o Benfica sair dessa jornada com seis ou mais pontos, muito dificilmente deixará de ser campeão.

Terça-feira, 9 de Março de 2010

Tragi-comédia em 5 actos:


Alegria?


Colinho?


Caluda?


Com Pena?


Beicinho?

Segunda-feira, 8 de Março de 2010

Oscars & Razzies

Caro leitor, se num texto lhe aparecerem as palavras "pior", "fruta" e "flatulência" na mesma frase, no que é que o leitor pensa? Pinto da Costa? Sim, em condições normais estaria certo, mas hoje não. Todos sabemos o que são os Oscars, mas nem todos sabem o que são os Razzies. Os Razzies são uma espécie de paródia aos Oscars, uns prémios cujos destinatários são os piores realizadores, actores, filmes, etc. Por definição, na Wikipedia, os Razzies (framboesa) são "os piores filmes produzidos ao longo de um ano", "A fruta parece ser usada no sentido da expressão "blowing a raspberry", que é simular o som de flatulência com a boca."

Assim sendo, o Eterno Benfica, deixa os vencedores dos melhores e dos piores prémios do ano, em relação ao futebol português, como já fizeram magistralmente no Céu Encarnado:

Melhor Filme: Gladiator, um filme em que o Benfica derrotou o Porto por 1-0, jogo sem uma boa parte das grandes estrelas, num campo de batalha, a equipa fez das tripas coração e dos tripas carne para canhão. Algumas semanas depois até os leões os comeriam por 3-0.

Pior Filme: Living with the Dead, onde Pinto da Costa começou a discursar com um morto. Já está a tentar fazer concorrência à Júlia Pinheiro.

Melhor Realizador: Jorge Jesus, o nosso Gene Hackman, em Braveheart, uma história em que um treinador pega numa equipa e diz: "Vocês hadem de ser campeões!"

Pior Realizador: José Eduardo Bettencourt, em You, Me and Bento [forever], um filme que tem tanto de comédia como de parvoíce, incluindo a contratação falhada do treinador do último classificado.

Melhor Actor: Angel Di Maria, em [40] Million Dollar Baby, um épico.

Pior Actor: Rúben Micael, em Inglorious Bastards, um filme com bolinha no canto e dois dedos na testa que provaram a sinusite do madeirense.

Melhor Actor Secundário: Óscar Cardozo em No Country for Old Men, onde um paraguaio mostra um killer instinct jamais visto.

Pior Actor Secundário: Carlos Queiroz em [Almost] Out of Africa, quase perdia um apuramento fácil, esmurra jornalistas, odeia o Benfica e dá o rabiosque ao Porto.

Melhor Argumento Original: Gandhi, um filme de Luís Filipe Vieira, em que o presidente encontrou a paz interior e percebeu que, quando está calado, a equipa ganha.

Pior Argumento Original: Conspiracy Theory, um filme de Rui Moreira, MST e Guilherme Aguiar, onde se alega que o outro candidato é que é beneficiado.

Melhor Filme Estrangeiro: Terminator 5, um filme onde uns pobres ingleses são trucidados na Luz, por cinco bolas a zero.

Pior Filme Estrangeiro: Wag the Dog, um filme onde uns pobres albaneses se vêem metidos numa confusão que envolve uma selecção luso-brasileira de Queiroz.

Melhor Filme de Animação: Shrek, um filme onde o verde ogre Azenha é esmagado com 8 biscoitos.

Pior Filme de Animação: The Incredibles, onde o melhor que os super-heróis conseguem é andar à batatada num túnel. As crianças não gostaram.

Melhor Direcção Artística: The Madness of King Jesus, onde um louco e sedento por vitórias Jesus leva a sua equipa à realização de exibições com elevada "nota artística".

Pior Direcção Artísitca: Chicago, um filme onde um presidente flatulento (daí Chicago) controla os artistas conhecidos por "bois pretos" e não alcança os seus objectivos não pode ser um bom filme

Melhor Guarda-Roupa: The Aviator, um filme em que vestido de vermelho e branco ou de preto, o actor principal está sempre a aviar adversários com resultados de 1 a 8.

Pior Guarda-Roupa: Alice in Wonderland, um filme onde um plantel vem trajado a rigor para o efeito, os fatos de palhaços de alguns eram deliciosos (o de Miguel Lopes, o gorro de Falcao, etc), um comunicado lido por um guarda-redes mascarado de terrorista muçulmano.

Melhor Canção Original - High Hopes, onde Jorge Jesus grita a plenos pulmões do seu banco para incentivar os jogadores, sendo que consegui ouvi-lo por algumas vezes (note-se que estou na bancada Meo, piso 3). É música para os meus ouvidos.

Pior Canção Original - Povo que lavas no rio, onde Domingos Paciência canta o seu triste fadinho, queixando-se de tudo e todos, bem à portuguesa.

Melhor Fotografia: The Lord of the Rings - The Return of the King, um filme com uma fotografia lindíssima, onde o Benfica pratica um futebol a todos os níveis sublime, um regresso aos anos 80.

Pior Fotografia: The Hand of FalDog, um filme onde um canal de televisão pago e bem pago por alguns portugueses conseguiu fotografar uma jogada de andebol e censurou-a (diga-se que foi a blogosfera benfiquista que se encarregou de demonstrar que foi com a mão).

Melhor Caracterização: The Curiose Case of César Peixoto, um filme com uma caracterização tão boa que até parece que este senhor é o melhor defesa esquerdo do país.

Pior Caracterização: The Incredible Hulk, por mais que o maquilhem de bom jogador, disso não tem nada.

Melhores Efeitos Especiais: Forrest Gump, um filme onde um jogador com uma cabecinha pequena mas com um talento nato e um coração enorme faz um golo de letra frente ao AEK.

Piores Efeitos Especiais: Borderline, um filme com a assinatura da Sporttv, onde as linhas de fora de jogo aparacem oblíquas, ou no jogador errado, curiosamente sempre em prejuízo do mesmo.

15 minutos à Benfica...

Foram 15 minutos de fazer corar Eusébio e companhia. O Benfica entrou no jogo com o pensamento no primeiro lugar e em praticamente 15 minutos arrumou a questão. Depois do empate do Braga no dia anterior, a vitória deixava o Benfica isolado na frente com mais 3 pontos que os bracarenses. Numa equipa com um meio-campo praticamente de recurso, face às ausências de Javi Garcia, Ramires e Aimar, foram precisamente os seus substitutos a rubricarem exibições magistrais: Rúben Amorim foi enorme, o melhor em campo, claramente; Carlos Martins está com a corda toda; Airton parece ter 30 anos e uma carreira recheada de experiência, penso que ninguém diria que tem apenas 19 anos e acabou de chegar ao clube. Quando os habituais suplentes são desta qualidade, a equipa tem todas as condições para chegar mais longe. A alegria está na Luz.

O Benfica, como disse, entrou de rompante no jogo, disposto a cortar pela raiz todos os problemas que a equipa de capital do móvel poderia criar, nomeadamente aquele problema que o seu treinador é perito: simulação de lesões. Até ao primeiro golo encarnado, aos 13
minutos, já por duas vezes tinha havido teatro. Mas quando a qualidade do espectáculo e dos executantes é aquela que se viu, não há hipóteses.

Logo aos 13 minutos, dizia, Rúben Amorim conclui de cabeça após assistência de Cardozo, aproveitando a saída extemporânea do guarda-redes Coelho. Quatro minutos mais tarde, Saviola faz gato-sapato do defesa pacense (o mesmo que anos antes tinha levado um Cuppino de Miccoli) e cara-a-cara com o guarda-redes Coelho, foi El Conejo do Benfica quem levou a melhor, fuzilando as redes. Quem entra em campo desta maneira, marcando dois golos após umas boas 3 oportunidades de perigo, é melhor. E isto vê-se não de hoje, não de ontem, mas desde a primeira jornada. E isso é o mais impressionante.

Di Maria insistia em espalhar o terror na defesa amarela. O caos era total. Manuel José, defesa direito que teve a ingrata tarefa de marcar o argentino, saiu à passagem da meia-hora com insuficiência renal. Amorim estava em grande do lado direito. Maxi também estava com a corda toda. Coentrão era uma seta apontada ao terço final do meio-campo pacense. Martins, ora com força, ora com classe, desbaratava o meio-campo adversário, cobria a bola e endossava-a com categoria. Cardozo tratou de me dar razão no meu último post. O Benfica jogava rápido, bonito e eficaz.


Foi uma primeira parte brilhante, manchada no entanto pelo golo desnecessariamente sofrido: numa jogada em que David Luiz resolveu fazer turismo ao meio-campo, deixando a defesa a descoberto, Maykon, com o seu pé esquerdo, um dos mais interessantes desta Liga, colocou a bola redondinha na cabeça do ponta-de-lança William, que entre Coentrão e Airton, que não compensou na perfeição a subida de David Luiz, bateu Quim que ficou, mais uma vez, a meio caminho. O Paços que pouco ou nada tinha feito no primeiro tempo acabou por concretizar um golo imerecido que lhe permitia aspirar a um resultado positivo.

No segundo tempo, e apesar de o Paços tentar equilibrar o jogo, o Benfica continuou muito superior. Primeiro foi Amorim quem tentou a sua sorte num remate muito forte para boa defesa de Coelho; depois foi a vez de Di Maria, após uma finta, de enviar a bola à barra; por fim Cardozo, cujo remate foi desviado por um adversário, tocou na barra e entrou na baliza, com sorte, a sorte dos audazes.

A partir daqui pensei que pudesse surgir o rolo compressor de Jesus em termos de resultados, mas não. Ficou-se pelo rolo compressor de grandes exibições. Maxi, Luisão, Sidnei, Di Maria, Cardozo, quase todos tiveram a sua oportunidade para marcar. De salientar ainda o regresso de Sidnei à competição, ele que não actuava desde Dezembro último, salvo erro, contra o Olhanense. Felipe Menezes também jogou e continua "sem me convencer minimamente", um belo eufemismo, sem dúvida. Peixoto, talvez o jogador mais underrated deste plantel, em pouco menos de 10 minutos, demonstrou que é, actualmente, o melhor defesa esquerdo português (percebeste a dica, Queiroz?).

Parabéns ao Benfica e ao árbitro, pois ambos trouxeram a lição bem estudada. Os encarnados fizeram o que lhes competia e o juiz portuense também. Permitiu que Di Maria fosse o saco de pancada, provocou-o e admoestou-o com a cartolina amarela, ficando à bica para o próximo encontro, tal como Luisão e Saviola, ou seja, se algum destes três jogadores vir o cartão amarelo não defrontará o Braga. Coincidências.

3 golos marcados, 3 pontos de avanço sobre o Braga e uma data deles sobre os outros dois que se dizem grandes. Se mantivermos esta vantagem pontual até ao encontro com o Braga e se aí a ampliarmos para os devidos seis pontos, penso que estará tudo acabado. Venha o Marselha e as grandes noites europeias de novo na Luz, esta com um cheirinho a passado.

Domingo, 7 de Março de 2010

Óscar Cardozo: quem te viu e quem te vê!

Chegou no Verão de 2007, num mercado de transferências marcado por muitas movimentações para os lados da Luz. Vinha de rotulado de craque, dizia-se que tinha um pé esquerdo fabuloso e os 9 milhões que tinha custado obrigavam-no a mostrar serviço. Quem era, afinal de contas, este avançado paraguaio?

Chegou, viu e... não venceu. Pelo menos no imediato. Os golos iam surgindo, mas parecia um corpo estranho no meio de uma equipa desequilibrada, fruto da destruição de um plantel, com as saídas de Simão, Miccoli, Manuel Fernandes e Karagounis. Com um Di Maria ainda muito imaturo, Maxi à procura de saber onde jogava, Petit e Katsouranis em baixo rendimento, David Luiz lesionado, Léo sem ser o jogador de outras épocas, Cardozo foi dos melhores, numa época em que os melhores foram apenas "menos maus". Lento, muito lento, parado, só queria a bola no pé esquerdo. O pé direito, coitado, só servia para andar. Cabeça? Sim, quer dizer, se ninguém o estivesse a marcar podia resultar, de outra maneira era difícil. Lembram-se do falhanço em San Siro?

Era um Cardozo amorfo quando jogava fora da área. Da pequena área, talvez. Mas nós sabíamos que, quando a bola vinha redondinha para o pé esquerdo, estava lá dentro. Aquele amigável frente ao Cluj mostrou isso mesmo. Havia ali jogador! Mas como trabalha-lo no meio dos cacos? Cardozo era claramente jogador de um toque só, o último. Empurrar a bola para a baliza.

Hoje a situação é bem diferente: aquele 1,93m não ajuda muito à mobilidade, excepto Van Basten não me lembro de nenhum jogador muito alto com grande técnica, mas Cardozo é hoje um jogador diferente para bem melhor. Há coisas inalteráveis, como a falta de velocidade, mas o jogo aéreo foi substancialmente melhorado. Já marcou vários golos de cabeça esta época. Já consegue vir buscar mais jogo fora da área. Consegue fazer passes de ruptura para a velocidade dos extremos. O pé direito, dizem, já foi visto a trabalhar, imaginem, só! E o mais curioso disto tudo é que Cardozo conseguiu faze-lo sem deixar de ser o goleador temido, prova disso é o número de tentos esta temporada, que é a sua melhor de sempre. Ao contrário de Nuno Gomes, tal como os números provam, Cardozo tornou-se mais jogador sem perda de rendimento em frente à baliza. Mantém o killer-instinct. E isso agradece-se. Parabéns, Tacuara.

vassalagem com dentes de fora...

Depois de empatar nas antas com a sua equipa de abnegados trabalhadores, que após estarem a ganhar 2-0 viram dois pontos a arder no último minuto, o rapaz que ainda os comanda e que no fim, se descer por dois pontinhos, está-se bem nas tintas para quem fique a fechar a porta e apagar a luz, enche-se de uma inusitada calma e capacidade de análise, reconhece sorte para os seus comandados, vê justiça na coisa, não estrebucha nem vê fantasmas em túneis, lambe a mão do que queria para dono, e em resposta a um pseudo repórter que o questiona porque não exultou nos golos e mete a viola no saco contente com meio raspanete, hesita entre a arrogância de o despachar à moda do outro pós derrota com o Famalicão ou, oportunidade boa de abanar a cauda, clama não ousar festejar por ali em virtude de um passado que crê glorioso, nos bons velhos tempos de amedrontar os pratas e pôr calheiros ao sol. Ai deprimente fair-play de juntar água, o que não fazem os moços para sentar o rabo na cadeira já desocupada do trombudo e bom aluno que por ali aprendeu uma coisa: que não chega lamber botas e contar com os do apito, afinal ainda é preciso saber-se um pouco de futebol. E tu, rapaz jorge, estás a léguas do paciente, que com túneis conseguiu chegar bem mais longe que tu e ... não menos importante, tratou da benção do papa idoso antes de ti.
Pior que isto no futebol... só um Belenenses-Penafiel que nunca hei-de esquecer e que julguei tratar-se de um jogo de cabra-cega!